«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sábado, 31 de outubro de 2009

ODE A WALT WHITMAN (GARCIA LORCA)


Pelo East River e pelo Bronxos rapazes cantavam,
mostrando a cintura,com a roda, o óleo, o coiro e o martelo.
Noventa mil mineiros arrancavam a prata das rochas
e crianças desenhavam escadas e perspectivas.
Porém nenhum adormecia,
nenhum queria ser rio,
nenhum amava as grandes folhas,
nenhum, a língua azul da praia.
Pelo East River e pelo Queensboroughos
rapazes lutavam com a indústria,
os judeus vendiam ao fauno do rio
a roda da circuncisão e o céu desembocava
por pontes e telhados manadas de bisontes
empurradas pelo vento.
Porém nenhum se detinha, nenhum queria ser nuvem,
nenhum procurava os fetos nem a roda amarela do tamboril.
Quando a lua nascer
as polés rodarão para tombar o céu;
um limite de agulhas cercará a memória
e ataúdes serão levados aos que não trabalham.
Nova Iorque de lama,
Nova Iorque de arame e de morte,
que anjo levas oculto na tua face?
Que voz perfeita dirá as verdades do trigo,
o sonho terrível das tuas anémonas manchadas?
Nem um só momento,
velho e formoso Walt Whitman,
deixei de olhar a tua barba cheia de borboletas,
os teus ombros de bombazine gastos pela lua,
as tuas coxas de Apolo virginal,
a tua voz como coluna de cinza;
ancião formoso como a bruma,
que gemias como um pássaro
com o sexo atravessado por uma agulha,
inimigo do sátiro,
inimigo da vide
e amante dos corpos ocultos por tecidos grosseiros.
Nem um só momento, formosura viril,
que em montes de carvão, vias-férreas e anúncios,
sonhavas ser um rio e dormir como um rio
com aquele camarada que poria no teu peito
uma pequena dor de ignorante leopardo.
Nem um só momento, Adão de sangue, macho,
homem sozinho no mar,
velho e formoso Walt Whitman,
porque nos terraços,
agrupado nos bares,
saído em cachos da sarjetas,
tremendo entre as pernas dos chauffeurs
ou girando nas plataformas do absinto,o maricas,
Walt Whitman, sonhava contigo.

Também esse! Também!
E despenham-sena tua barba luminosa e casta,
loiros do norte, negros das areias,
multidões de gritos e ademanes,
como os gatos e as serpentes,
os maricas, Walt Whitman, os maricas
turvos de lágrimas, carnes para chicotes,
bota ou mordedura dos domadores.
Também esse! Também!
Dedos pintados apontam a margem do teu sonho,
quando o amigo come a tua maçã
com um leve sabor de gasolina,
e o sol canta nos umbigos
dos rapazes que brincam debaixo das pontes.
Mas tu não procuravas olhos arranhados,
nem o pântano sombrio onde afogam os garotos,
nem a saliva gelada,
nem as feridas curvas como panças de sapos
que os maricas levam em carros, aos terraços,
enquanto os fustiga a lua pelas esquinas do terror.
Tu procuravas um nu que fosse como um rio,
toiro de sonho que junte a roda à alga,
pai de tua agonia, camélia da tua morte,
e gemesse nas chamas do teu equador oculto.
Porque é justo que o homem não procure o prazer
na selva de sangue da manhã mais próxima.
O céu tem praias onde evitar a vida
e há corpos que não devem repetir-se na aurora.
Agonia, agonia, sonho, fermento e sonho.
Assim é o mundo, amigo, agonia, agonia.
Apodrecem os mortos sob o relógio das cidade,
passa a guerra chorando com um milhão de ratas cinzentas,
os ricos dão às suas amantes
pequenos moribundos iluminados
e a vida não é nobre, nem boa, nem sagrada.
Pode o homem, se quiser, conduzir o desejo
por veia de coral ou nu celeste.
Amanhã todo o amor será rocha e o Tempo
uma brisa que chega adormecida pelos ramos.
isso não ergo a minha voz,
velho Walt Whitman,
ccontra o garoto que escreve um nome de menina na sua almofada,
contra o jovem que se veste de noiva na penumbra da sua alcova,
nem contra os solitários dos casinos
que bebem com nojo a água da prostituição,
nem contra os homens de olhar verde
que amam outro homem
queimando os lábios em silêncio.
Mas sim contra vós, maricas das cidades,
de carne apodrecida e pensamento imundo,
mães do lodo, harpias, inimigo sem o sonho
do Amor que reparte grinaldas de alegrias.
Como vós sempre, que aos rapazes
gotas de suja morte com veneno amargo.
contra vós,
Faeries da América,
Pájaros de Havana,
Jotos do Mexico,
Sarasas de Cádis,
Apios de Sevilha,
Cancos de Madrid,
Floras de Alicante,
Adelaides de Portugal.
Maricas de todo o mundo, assassinos de pombas!
Escravos da mulher, cadelas de seus toucadores,
aberto nas praças com febre de leque
ou emboscados em hirtas paisagens de cicuta.
Não haja tréguas! A morte
irrompe dos vossos olhos e junta flores de cinza
na margem do lodo.
Não haja tréguas!
Alerta!
Que os confundidos, os puros,os clássicos,
os predestinados, os suplicantes vos fechem as portas da bacanal.
E tu, belo Walt Whitman,
dorme nas margens do Hudson
com a barba virada ao pólo e as mãos abertas.
Argila branca ou neve,
a tua língua chama camaradas
que velem tua gazela sem corpo.
Dorme, não fica nada.
Uma dança de muros agita as pradarias
e a América afoga-se em máquinas e pranto.
Quero que o ar forte da noite mais profunda
tire flores e letras do arco onde dormes
e um garoto negro anuncie aos brancos do oiro
a chegado do reino das espigas."

SAUDAÇÃO A WALT WHITMAN - (A.CAMPOS/PESSOA)

(Pintor - Costa Pinheiro)

Portugal-Infinito, onze de Junho de mil novecentos e quinze...
-lá-á-á-á-á-á-á!
De aqui de Portugal, todas as épocas no meu cérebro,
Saúdo-te, Walt, saúdo-te, meu irmão em Universo,
Eu, de monóculo e casaco exageradamente cintado,
Não sou indigno de ti, bem o sabes, Walt,
Não sou indigno de ti, basta saudar-te para o não ser...
Eu tão contíguo à inércia,
Não facilmente cheio de tédio,
Sou dos teus, tu bem sabes e compreendo-te e amo-te,
E embora te não conhecesse, nascido pelo ano em que morrias,
Sei que me amaste também, que me conheceste, e estou contente.


Sei que me conheceste, que me contemplaste e me explicaste,
Sei que é isso que eu sou, quer em Brooklyn&Ferry dez anos antes de eu nascer,
Quer pela rua do Ouro acima pensando em tudo o que não é a rua do Ouro,
E conforme tu sentiste tudo, sinto tudo,
e cá estamos de mãos dadas,
De mãos dadas, Walt, de mãos dadas,
dançando o universo na alma.

Ó sempre moderno e eterno, cantor dos concretos absolutos,
Concubina fogosa do universo disperso,
Grande pederasta roçando-te contra a diversidade das coisas,
Sexualizado pelas pedras, pelas árvores, pelas pessoas, pelas profissões,
Cio das passagens, dos encontros casuais, das meras observações,
Meu entusiasta pelo conteúdo de tudo,
Meu grande herói entrando pela Morte dentro aos pinotes,
E aos urros, e aos guinchos, e aos berros saudando Deus!

Cantor da fraternidade feroz e terna com tudo,
Grande democrata epidérmico,
contíguo a tudo em corpo e alma,
Carnaval de todas as acções,
bacanal de todos os propósitos,
Irmão gémeo de todos os arrancos,
Jean-Jacques&Rousseau do mundo que havia de produzir máquinas,
Homero do insaisissable do flutuante carnal,
Shakespeare da sensação que começa a andar a vapor,
Milton-Shelley do horizonte da Electricidade futura!


Incubo de todos os gestos,
Espasmo pra dentro de todos os objectos-força,
Souteneur de todo o Universo,
Rameira de todos os sistemas solares...
Quantas vezes eu beijo o teu retrato!
Lá onde estás agora (não sei onde é mas é Deus)
Sentes isto, sei que o sentes,
e os meus beijos são mais quentes em gente)
E tu assim é que os queres, meu velho, e agradeces de lá,
– Sei-o bem, qualquer coisa mo diz, um agrado no meu espírito
Uma erecção abstracta e indirecta no fundo da minha alma.

Nada do engageant em ti, mas ciclópico e musculoso,
Mas perante o Universo a tua atitude era de mulher,
E cada erva, cada pedra, cada homem era para ti o Universo.

Meu velho Walt, meu grande Camarada, evohé!
Pertenço à tua orgia báquica de sensações-em-liberdade,
Sou dos teus, desde a sensação dos meus pés
até à náusea em meus sonhos,
Sou dos teus, olha pra mim,
de aí desde Deus vês-me ao contrário:
De dentro para fora...

Meu corpo é o que adivinhas, vês a minha alma
– Isso vês tu propriamente e através dos olhos dela o meu corpo
– Olha pra mim: tu sabes que eu,
Álvaro de Campos, engenheiro,
Poeta sensacionista,
Não sou teu discípulo,
não sou teu amigo,
não sou teu cantor,
Tu sabes que eu sou Tu e estás contente com isso!

Nunca posso ler os teus versos a fio...
Há ali sentir demais...
Atravesso os teus versos como uma multidão aos encontrões a mim,
E cheira-me a suor, a óleos, a actividade humana e mecânica.

Nos teus versos, a certa altura não sei se leio ou se vivo,
Não sei se o meu lugar real é no mundo ou nos teus versos,
Não sei se estou aqui, de pé sobre a terra natural,
Ou de cabeça pra baixo, pendurado numa espécie de estabelecimento,
No tecto natural da tua inspiração de tropel,
No centro do tecto da tua intensidade inacessível.

Abram-me todas as portas!
Por força que hei-de passar!
Minha senha? Walt&Whitman!
Mas não dou senha nenhuma...
Passo sem explicações...
Se for preciso meto dentro as portas...
Sim – eu, franzino e civilizado, meto dentro as portas,
Porque neste momento não sou franzino nem civilizado,
Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,
E que há-de passar por força,
porque quando quero passou Deus!
Tirem esse lixo da minha frente!
Metam-me em gavetas essas emoções!
Daqui pra fora, políticos, literatos,
Comerciantes pacatos, polícia, meretrizes, souteneurs,
Tudo isso é a letra que mata,
não o espírito que dá a vida.

O espírito que dá a vida neste momento sou EU!
Que nenhum filho da puta se me atravesse no caminho!
O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim!
Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo,
É comigo, com Deus, com o sentido – eu da palavra Infinito...
Prá frente!
Meto esporas!

Sinto as esporas, sou o próprio cavalo em que monto,
Porque eu, por minha vontade de me consubstanciar com Deus,
Posso ser tudo, ou posso ser nada, ou qualquer coisa,
Conforme me der na gana...
Ninguém tem nada com isso...
Loucura furiosa!

Vontade de ganir, de saltar,
De urrar, zurrar, dar pulos, pinotes, gritos com o corpo,
De me cramponner às rodas dos veículos e meter por baixo,
De me meter adiante do giro do chicote que vai bater,
De ser cadela de todos os cães e eles não bastam,
De ser o volante de todas as máquinas e a velocidade tem limite,
De ser o esmagado, o deixado, o deslocado, o acabado,
Dança comigo, Walt, lá do outro mundo, esta fúria,
Salta comigo neste batuque que esbarra com os astros,
Cai comigo sem forças no chão,
Esbarra comigo tonto nas paredes,
Parte-te e esfrangalha-te comigo
Em tudo, por tudo, à roda de tudo, sem tudo,
Raiva abstracto do corpo fazendo maelstrons na alma...

Arre! Vamos lá prá frente!
Se o próprio Deus impede, vamos lá prá frente...
Não faz diferença...
Vamos lá prá frente sem ser para parte nenhuma...
Infinito! Universo! Meta sem meta! Que importa?
(Deixa-me tirar a gravata e desabotoar o colarinho.

Não se pode ter muita energia com a civilização à roda da pescoço...)
Agora, sim, partamos, vá lá prá frente.

Numa grande marche&aux&flambeaux-todas-as-cidades-da-Europa,
Numa grande marcha guerreira a indústria, o comércio e ócio,
Numa grande corrida, numa grande subida, numa grande descida
Estrondeando, pulando, e tudo pulando comigo,
Salto a saudar-te,
Berro a saudar-te,
Desencadeio-me a saudar-te, aos pinotes, aos pinos, aos guinos!

Por isso é a ti que endereço
Meus versos soltos, meus versos pulos, meus versos espasmos
Os meus versos-ataques-histéricos,
Os meus versos que arrastam o carro dos meus nervos.

Aos trambolhões me inspiro,
Mal podendo respirar, ter-me de pé me exalto,
E os meus versos são eu não poder estoirar de viver.
Abram-me todas as janelas!
Arranquem-me todas as portas!
Puxem a casa toda para cima de mim!
Quero viver em liberdade no ar,
Quero ter gestos fora do meu corpo,
Quero correr como a chuva pelas paredes abaixo,
Quero ser pisado nas estradas largas como as pedras,
Quero ir, como as coisas pesadas, para o fundo dos mares,
Com uma voluptuosidade que já está longe de mim!
Não quero fechos nas portas!
Não quero fechaduras nos cofres!
Quero intercalar-me, imiscuir-me, ser levado,
Quero que me façam pertença doida de qualquer outro,
Que me despejem dos caixotes,
Que me atirem aos mares,
Que me vão buscar a casa com fins obscenos.


(UFFF...DE PERDER O FOLGO...)

WALT WHITMAN (1819-1892)


Walt Whitman poeta norte-americano, executou vários trabalhos, foi tipógrafo, impressor, professor, jornalista, editor e poeta.
Em 1855 publicou a primeira edição de "Leaves of Grass", cujos custos suportou. A obra poética de Whitman centra-se nesta colectânea, dado que ao longo da sua vida o escritor dedicou o seu tempo a rever e a completar o livro, que teve um grande número de edições.

CANTO A MIM MESMO (EXCERTO)

Eu celebro o eu, num canto de mim mesmo,
E aquilo que eu presumir também presumirás,
Pois cada átomo que há em mim igualmente habita em ti.

Descanso e convido a minha alma,
Deito-me e descanso tranquilamente,
observando uma haste da relva de verão.

Minha língua, todo átomo do meu sangue formado deste solo, deste ar,
Nascido aqui de pais nascidos aqui de pais o mesmo e seus pais também o mesmo,
Eu agora com trinta e sete anos de idade, com saúde perfeita, dou início,
Com a esperança de não cessar até morrer.


Crenças e escolas quedam-se dormentes
Retraindo-se por hora na suficiência do que não, mas nunca esquecidas,
Eu me refugio pelo bem e pelo mal,
eu permito que se fale em qualquer casualidade,
A natureza sem estorvo, com energia original.

Nos seus poemas, Walt Whitman elevou a condição do homem moderno, celebrando a natureza humana e a vida em geral em termos pouco convencionais. Na sua obra "Leaves of Grass", exprime em poemas visionários um certo panteísmo e um ideal de unidade cósmica que o Eu representa. Introduziu uma nova subjectividade na concepção poética e fez da sua poesia um hino à vida. A técnica inovadora dos seus poemas, nos quais a ideia de totalidade se traduziu no verso livre, influenciou não apenas a literatura americana posterior, mas todo o lirismo moderno, incluindo o poeta e ensaísta português Fernando Pessoa. Profundamente identificado com os ideais democráticos da nação americana, Whitman não deixou de celebrar o futuro da América. Whitman, ficou ainda mais conhecido mundialmente a partir das citações inseridas no enredo do filme, Clube dos Poetas Mortos.
Estão Todas as Verdades à Espera em Todas as Coisas

Estão todas as verdades à espera em todas as coisas:
não apressam o próprio nascimento nem a ele se opõem,
não carecem do fórceps do obstetra,
e para mim a menos significante é grande como todas.
(Que pode haver de maior ou menor que um toque?)
Sermões e lógicas jamais convencem o peso da noite
cala bem mais fundo em minha alma.
(Só o que se prova a qualquer homem ou mulher, é que é;
só o que ninguém pode negar, é que é.)
Um minuto e uma gota de mim tranquilizam o meu cérebro:
eu acredito que torrões de barro podem vir a ser lâmpadas e amantes,
que um manual de manuais é a carne de um homem ou mulher,
e que num ápice ou numa flor está o sentimento de um pelo outro,
e hão-de ramificar-se ao infinito a começar daí
até que essa lição venha a ser de todos,
e um e todos nos possam deleitar e nós a eles.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009


Os meus pais, quando era miúda levavam-me sempre ao circo no Natal. O circo encantava-me e hoje continua a encantar-me, mas as minhas ideias sobre o mesmo alteraram-se. Em miúda encantava-me no circo os trapezistas e confesso que gostava bastante das proezas dos animais, tigres, leões e elefantes. Mais tarde comecei a ler e a compreender, que esses animais eram «usados», maltratados e humilhados. Claro, que isto bem a propósito da portaria (1226/2009) emanada pelo Ministério do Ambiente, que proíbe os animais no circo e em lojas e, apresenta uma lista dos animais autorizados em parques zoológicos, empresas de produção animal e centros de recuperação. Esta lei foi mal recebida, pelos empresários ligados ao circo, mas quanto a mim, só peca por tardia.

«YO NO CREO EN BRUJAS, PERO QUE LAS HAY, LAS HAY???? CERVANTES


O Dia das Bruxas (Halloween é o nome original na língua inglesa) é um evento tradicional e cultural, que ocorre nos países anglo-saxónicos, com especial relevo nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, tendo como base e origem as celebrações dos antigos povos.Na celebração actual do Halloween, podemos notar a presença de muitos elementos ligados ao folclore em torno da bruxaria. As fantasias, enfeites e outros itens comercializados por ocasião dessa festa, estão repletos de bruxas, gatos pretos, vampiros, fantasmas e monstros, no entanto isso não reflecte a realidade pagã.
HISTÓRIA
A celebração do Halloween tem duas origens que no decorrer da História se foram misturando:
Origem Pagã - que tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objectivo dar culto aos mortos. Sabe-se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de Novembro (a meio caminho entre o equinócio de verão e o solstício de inverno). Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam início ao ano novo celta. A “festa dos mortos” era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para nós seriam “o céu e a terra” (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. A festa era celebrava com ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que actuavam como “médiuns” entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data, para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.
Origem Católica - Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar “Todos os Mártires”. Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV, transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (panteão) num templo cristão e dedicou-o a “Todos os Santos”. A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III, mudou a data para 1º de Novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente. A festa era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e “All Hallow Een” até chegar à palavra actual “Halloween”.
(WIKIPÉDIA)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

AOS PROFESSORES


Para todos aqueles que, nos atribulados dias de hoje, insistem em honrar uma das mais belas profissões do mundo, fica um poema de Jô Soares.


O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada...
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

VIRO SAPO...TALVEZ!?...

Meus amigos, vou fazer uma confidência, hoje quando me sentei na secretária e abri o computador, surgiu-me assim um «flash» de preocupação…pensei que qualquer dia vou virar SAPO. E porquê? Pensando no tempo em que estou no computador, a tendência será se não me crescer a cabeça, cresce-me de certeza a barriga e os meus membros inferiores vão ficar enfezados…estão a ver?..
ISTO É UM ALERTA, MEXAM-SE…MAS NÃO DEIXEM DE COMUNICAR COMIGO!..
[Schutttttttt….ginásio…caminhadas…por favor menina tens que te mexer!..]

HENRIQUE POUSÃO (1859-1884)


A Universidade do Porto e o Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR) instituíram 2009 como o Ano de Pousão, assinalando desta forma o 150º aniversário de nascimento do pintor. Desde a passada quinta-feira, essa homenagem tem o seu ponto alto em “Diário de um Estudante de Belas Artes”, título da exposição dedicada a um dos mais destacados artistas portugueses do século XIX.Com a abertura de “Diário de um Estudante de Belas Artes”, a Universidade culmina também o ciclo de iniciativas locais que tem vindo a dedicar a Henrique Pousão. Entre elas destaca-se a exposição "Desenho em reserva", uma iniciativa que reuniu, entre Setembro e Outubro, os trabalhos de 14 jovens artistas formados na FBAUP, como forma de celebrar o legado de um dos mais ilustres alumni da instituição.




Henrique Pousão, matriculou-se aos 13 anos na antiga Academia Portuense de Belas Artes.
Terminou, em 1876, a formação em Arquitectura com o projecto, Café-Concerto, classificado com 19 valores, considerado digno de ficar na Academia. Em 1878, terminou os estudos em Escultura. No ano seguinte, apresentou a exame final de Pintura Histórica, Daphnis e Chloé, classificada com 18 valores, considerada digna de ficar na Academia. Em 1880, colaborou na formação do Centro Artístico Portuense e concorreu, com António Ramalho da Academia de Lisboa, ao concurso para pensionista do Estado. Partiu para Paris, na companhia do seu colega Sousa Pinto, e foi admitido no atelier da Academia Especial de Belas Artes, sob a direcção de Alexandre Cabanel. No ano seguinte, foi admitido na École Nationale Supérieur des Beaux-Arts, frequentando o curso de desenho de Adolphe Yvon. Por razões de saúde, partiu para Roma onde alugou um atelier. Viveu em Capri e em Nápoles. Regressou a Portugal em 1883 e morreu a 25 de Março, em Vila Viçosa.

ASTOR PIAZZOLLA





«Uma imagem vale mais que mil palavras»...e uma música também!...
Sugestão musical, para quem conhece e não conhece...explorar a música de PIAZZOLA!...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O «MERCADO» DA SOLIDÃO...


IMAGINE…
Depois de um dia cansativo de trabalho, chega a casa e tem à sua espera, um rosto sorridente e carinhoso, que lhe preparou um banho e depois, antes de ir comer o seu prato favorito que ele confeccionou, tem uma massagem relaxante. Ao jantar, ele não se esqueceu das velas, da música especial e de uma flor, que colocou à beira do seu prato... Durante o jantar a conversa é divertida e vai atenuando o seu «stress», depois já no sofá bebem uma bebida e continuam a conversar, entre brincadeiras e carinhos…
Requerem estes serviços: mulheres depois dos 40, de um bom nível cultural: advogadas, psicólogas, directoras comerciais, professoras…
Prestam estes serviços: caso X - desempregado, ex-empresário fracassado, licenciado em Gestão, que em crise financeira, começou a responder a certos anúncios e depois acaba por publicar o seu:
-Olá. Tenho 34 anos, sou acompanhante, 1,75, com muita boa aparência, super discreto, sigiloso e ultra-higiénico. Sou totalmente desinibido e faço variadíssimos serviços. Os serviços que presto, não são, exclusivamente sexuais. Sou uma pessoa meiga, delicada, e principalmente humana. O meu assunto é absolutamente sério e confidencial.
Já viste bem a vantagem de ter um rapaz à tua total disposição, poderes fazer o que bem entenderes e ele fazer tudo o que tu quiseres, sem te questionar? Pensa bem…numa tarde bem passada…um cafezinho em amena cavaqueira, um jantar à luz das velas, uma saída, uma noite num hotel, um strip privado só para ti, uma massagem relaxante, uns mimos, aquela carícia que tanto desejas, a fantasia que nunca contaste a ninguém, um dia em casa à tua maneira, um fim de semana…A vida são dois dias…goza-a bem.
Podes conhecer-me sem nenhum compromisso. Sou educado, divertido, gozo de boa saúde e se quiseres contactos íntimos, serão sempre com a maior higiene e segurança. (Indica e-mail).
X em entrevista, confessa que sente prazer, se não elas também não o sentiam e que gosta das mulheres mais velhas, considerando que as novas têm muito de tolas. E acrescenta, a mulher não está só interessada em sexo, gosta de companhia, colinho, ternura e ter quem a ouça...
X não se considera um Gigolo, prostituto aproxima-se mais da verdade, já que presta serviços também sexuais, mas prefere considerar-se «assistente pessoal».
X veste bem, tem ar de intelectual e fisicamente mostra que é um frequentador de ginásios e adverte, que há muitos charlatães neste negócio e muita mentira na net.(R.Jn)
NÃO SOU NADA MORALISTA SOBRE OS NOVOS RELACIONAMENTOS, CONSIDERO QUE AS PESSOAS SÃO LIVRES DE FAZEREM O QUE CONSIDERAM MELHOR PARA AS SUAS VIDAS, COM AS CONSEQUÊNCIAS ÓBVIAS E COMPREENDO A DIMENSÃO DO PROBLEMA DA SOLIDÃO.
CLARO HÁ RISCOS...E TEM QUE PAGAR ESSA ILUSÃO DE AFECTO!?...

PORTO - CIDADE «CHARMOSA»

[ESPLANADA DA PRAIA DA LUZ]
A revista americana «Travel & Leisure», considerou, na edição deste mês, o Porto como um dos destinos «mais charmosos e acessíveis» do Mundo. Arquitectos de renome internacional dão um toque de modernidade ao cenário medieval da segunda maior cidade de Portugal, como são disso exemplo a Casa da Música, desenhada por Rem Koolhaas ou o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, projectado pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira, pode ler-se na publicação americana, que destacou igualmente outros locais de interesse da cidade como o café Magestic, a livraria Lello, a esplanada da praia da Luz, o restaurante Shis, a Guest House Douro e o Hotel Pestana Porto.
O artigo da «Travel & Leisure» pode ser lido na íntegra em:
www.travelandleisure.com/articles/worlds-sexiest-affordable-destinations-2009/2/
[ISTO SUSCITOU UM DEBATE COM AMIGOS NO CAFÉ...AS OPINIÕES MAIORITÁRIAS FORAM, «NÃO É TANTO ASSIM...]

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

“O bosque seria muito triste se só cantassem os pássaros que cantam melhor.” (Tagore)

CONVENTO DO MONCHIQUE - PORTO

Ao ler no JN, uma notícia sobre o projecto, que está delineado para o espaço, onde se encontram as ruínas do Convento do Monchique, (mais um hotel), fui pesquisar e, o que passo para aqui, é quase sempre o resultado das minhas leituras e de outras coisas, que vão chegando até mim. Além disso sou muito interessada, em tudo que se refere ao Porto, o seu passado e o seu presente. Não é uma questão de «bairrismo», o meu país é Portugal e muito me apraz também visitar outros países.
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O Convento do Monchique, contrariamente a outros que foram fundados por iniciativa régia ou religiosa, foi criado por iniciativa particular. Um abastado fidalgo e a sua mulher, não tendo descendentes, decidiram dar as suas propriedades e rendas às monjas franciscanas. Apesar da ruína em que se encontra ainda é visível o busto do Papa que concedeu em 1535 a bula de autorização do convento, enquadrado pelos bustos dos fundadores.
Este convento tornou-se muito conhecido por todo o país, quando Camilo Castelo Branco escreveu o seu romance, «Amor da Perdição» e escolheu aquele convento, para cenário do trágico final, do romântico enredo da sua obra.
Antes, em 1555 o Convento já tinha sido palco de outra aventura de amor. Esta história foi encontrada pelo Prof. Dr. Amândio de Azevedo num documento, na Torre do Tombo. O documento é uma carta do juiz de fora da cidade a El Rei, informando-o de que a abadessa o procurara para apresentar queixa sobre o furto de roupa de linho e de que durante a noite andavam batéis pelo rio junto à cerca e pessoas pretendiam entrar para dentro do convento. O juiz comunicava que tinha feito averiguações, mas sobre a roupa desaparecida nada tinha sido descoberto, relativamente aos batéis, achara o culpado. Tratava-se de um cirurgião, solteiro, o qual foi preso por escrever cartas de amor e fazer serenatas, a uma moça que estava no mosteiro, para ser freira e desinquietava o convento e as freiras, chamando algumas pelo seu nome. O juiz desconfiava que esse indivíduo já teria entrado no convento. O juiz pedia ao rei em nome da abadessa, para que interviesse rapidamente e castigasse o delinquente, para que o mesmo não fosse a julgamento. A abadessa queria evitar difamações sobre o convento e a sua pessoa e evitar que o preso no julgamento pudesse contar coisas que não interessavam, nem à «virtuosa abadessa», nem ao tão «religioso mosteiro».




AMOR DE PERDIÇÃO - É uma novela ultra-romântica que ocorre em 1862, tem intertextualidade com Romeu e Julieta. Um fim trágico para uma história de amor, que começou marcada pelo ódio entre duas famílias nobres portuguesas. O autor fixou no Romantismo a forma de fazer novelas, de fácil consumo*, as suas temáticas eram: o terror, sátira, história e paixão. Amor de Perdição deu-lhe reconhecimento. É a história de um herói, uma alusão ao seu tio paterno de quem ouvira tantas histórias. Apresenta como subtítulo “Memórias de uma família”, relato biográfico da história da família Correia Botelho e todos os citados na obra são da família do autor. Simão António Botelho, é o herói romântico natural de Lisboa, 1784, Teresa e Mariana formam a tríade da “Religião do Amor”, como o diz o próprio autor. Um amor que converte. Que aniquila a razão, que liberta, que salva, que leva à perdição. Que provoca alegria e tristeza, que redime, que produz sofrimento, que gera mártires. Assim é «Amor de Perdição», simplesmente uma novela de amor, de sofrimento e de ironias. Um clássico da literatura portuguesa que li há uns anos e da sua leitura o que mais apreciei, foi um capítulo em que o escritor faz uma contundente crítica à Igreja.

*A vida pessoal de Camilo, dava um grande romance, devido aos seus casos de amor, principalmente ao seu romance com Ana Plácido, que sendo casada, motivou a prisão dos mesmos, por adultério. Camilo necessitava de escrever para subsistir. Visitei a sua casa em S. Miguel de Seide e senti o «arrepio» da sua presença! A visita pormenoriza aspectos da sua vida, o local onde se suicidou, a árvore do seu filho demente, a grande problematica que teve em relação aos filhos, a presença de Ana Plácida...Extrordinário!..Só encontro paralelo com outra visita que fiz à casa de Teixeira de Pascoaes.


domingo, 25 de outubro de 2009

O MILAGRE DA VIDA...

Elefante - Parto espetacular . . . O bebé elefante pesa só.... 118kg !
Documentário sobre o nascimento de um elefante em Bali, Indonésia - 9 Set 2009

Observe-se o desempenho excepcional da mãe após a expulsão do bebê.

Assista ao parto...é comovente e impresionante...


http://www.dumpert.nl/mediabase/656611/d1dfcfee/live_olifant_geboorte_tv

sábado, 24 de outubro de 2009

PEDOFILIA

Ontem estive a ver um filme, intitulado O CONDENADO, realizado por, Nicole Kassel e com uma boa interpretação de Kevin Bacon. Um filme do cinema alternativo americano, aquele género de filmes, que passam sem grande «marketing» e que muita gente não vê.
Trata-se de uma história de pedofilia. Kevin Bacon, interpreta Walter, que sai da prisão, onde esteve preso 12 anos por molestar meninas. Walter sai, mas é vigiado pela polícia e tem que ir de tempos a tempos a um psicólogo. Pelas conversas do psicólogo, o que sem vem a deduzir é que Walter, desde criança sentia pela irmã sentimentos libidinosos, apesar de dizer que nunca lhe tinha tocado, gostava de lhe acariciar os cabelos, daí para a frente as miúdas excitavam-no.
Walter cá fora encontrou um mundo inóspito, a família e amigos não lhe falavam, só conseguiu emprego através de um conhecido e sentiu também dificuldade para arranjar casa, a única que arranjou, situava-se em frente a uma escola. No emprego, os colegas acabaram por saber da sua vida, foi gozado e sofreu mesmo uma tareia, tendo apenas o apoio de uma colega, com quem depois vem a ter um romance.
Walter, tem um desafio, conseguir estar à beira de uma miúda, sem sentir nada. Todos os dias sai do autocarro à porta da escola, em casa observa os miúdos a brincar, no autocarro conhece uma miúda que o atrai e, estas coisas vão ter consequências.
Segue por duas vezes essa miúda e fala com ela num parque. No segundo encontro, Walter mostra um propósito de criar intimidade, mas isso serve para a miúda contar, algo sobre o seu relacionamento com o pai, que abusa dela, claro! Walter despede-se revoltado consigo próprio, isso talvez seja uma motivação, nas suas observações na janela, para ir apreciando um homem que aborda rapazes muito pequenos, o que vai provocar em Walter uma revolta, dando-lhe uma grande tareia.
Walter, decide mais tarde ir viver com a colega e as imagens finais do filme, são um encontro de Walter com a irmã, que não lhe perdoa, nem lhe permite conhecer a sobrinha
Este filme, dá para pensar em toda a problemática, do repugnante crime que é a pedofilia. Será doença? Será que esta doença tem cura? Como é criminalizada a pedofilia em família? Em grande parte dos casos não é, claro!...Não será pior, a pedofilia em família, que outra que possa acontecer eventualmente? É de facto um filme que me deixou muitas interrogações, depois de ser confrontada com a vida de um homem que foi marcada por crimes repugnantes, que tem todo o mundo contra si, que só deseja ultrapassar tudo e estar com uma criança sem nada sentir.
O filme, embora possa deixar no fim, uma mudança de vida de Walter, também não descarta a hipótese de possíveis recaídas.


Acabo de ver o filme, pego numa revista e então o que leio:
Catalunha adopta a castração
Catalunha é a 1ª. Comunidade autónoma, de Espanha, que adopta a castração química, para delitos sexuais, que sejam reincidentes, estando presentemente 10 violadores e pedófilos, a submeter-se ao tratamento.
Esta é sempre uma questão discutível, quando se é reincidente, talvez não seja possível qualquer cura, se cura pode haver… muitas pessoas aprovam tais medidas, embora a nível governamental não seja uma questão pacífica.
Lembro que em Portugal, continua e, já passaram 5 anos, o julgamento do chamado «Caso de pedofilia da casa Pia», onde estão nomes muito conhecidos da sociedade portuguesa. Muitas pessoas perguntam, mas será que vai haver sentença? Neste país onde os processos prescrevem ao fim de X anos, até é bem possível que não!...

CECÍLIA BARTOLI

O meu sentido religioso, pode ser expressado nesta composição. Apesar de ser agnóstica, ficando no talvez… perante toda a grandiosidade da Natureza, das pessoas com todas as suas particularidades e daquelas cuja criatividade atingiu pontos tão altos, em todos os aspectos, das ciências às artes, eu muitas vezes me interrogo o que haverá por trás diz tudo!.. Deus é uma resposta para muitos e só me refiro ao mundo ocidental, por outro lado não há ainda uma resposta científica plausível. Nem o Criacionismo, nem o Darwinismo, respondem à questão. O Criacionismo leva-nos para o campo do transcendente, da crença e o Darwinismo, depois do achado de muitos «australopitecos e homos», não obteve resultados conclusivos, há ainda um elo por encontrar… (Por acaso debati recentemente esta questão, através da net, num site de historiadores e o assunto acabou por cair no silêncio).
Gosto de muita música sacra e considero que em variadas épocas, principalmente a Barroca, os compositores inspirados na sua fé, criaram composições fantásticas (nem sei adjectivar...) e que a religião mobilizou de uma forma imortal as artes.





A forma como a cantora, trabalha a voz nesta ária é excepcional!...



Para quem não gosta deste género de música, isto pode ser uma «seca», também em miúda quando me levavam a concertos, eu perguntava inquieta «falta muito para acabar?» Esta música implica uma aprendizagem de audição. Obviamente que eu gosto deste tipo de música, mas estou aberta a qualquer género, depende do meu estado de espírito e este foi o meu «momento religioso»
PARA QUEM GOSTA, FOI EDITADO «SACRIFIUM» - BARTOLI RELEMBRA O CANTO DOS «CASTRATI», segundo a crítica, «Sacrifium» tem tudo (da seriedade académica à ousadia visual) para ser (mais) um «best-seller» da italiana. [«Best-seller»...não gosto muito desta palavra, por causa dos «best-seller», que não são de qualidade, mas vendem muito bem, o que não é o caso.]

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

AOS QUE SEGUEM O MEU CAMINHO...

Hoje ao entrar no meu blog fui tão presenteada com palavras tão generosas e motivadoras, que só posso dar a todos....

[A TODOS/AS, CLARO!...]

Um muito obrigada, do coração, deram-me momentos felizes e uma vontade grande de prosseguir, sou uma sentimental já se vê!...

DAVID MOURÃO-FERREIRA

David Mourão-Ferreira (1927 — 1996), licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde mais tarde deu aulas, foi romancista, ensaísta um dos grandes poetas contemporâneos do Século XX.
Na sua obra, são famosos alguns dos poemas que compôs para a voz de Amália Rodrigues. Mourão-Ferreira trabalhou para vários periódicos, a Seara Nova, o Diário Popular, para além de ter sido um dos fundadores da revista Távola Redonda. Entre 1963 e 1973 foi secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Autores. No pós-25 de Abril foi director do jornal A Capital e director-adjunto do O Dia.
No governo, desempenhou o cargo de Secretário de Estado da Cultura (de 1976 a 1978, e em 1979). Foi por ele assinado, em 1977, o despacho que criou a Companhia Nacional de Bailado.
Foi autor de alguns programas de televisão e obteve condecorações e prémios de relevo, como o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada, o Prémio de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores e a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada.


E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos
E por vezes encontramos de nós
em poucos meses
que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
---------
Mais do que um sonho: comoção!
Sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.
E recompões com essa veste,
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste a meu pedido.
Mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias do nosso amor.
--------
Ilha
Deitada és uma ilha
E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
Deitada és uma ilha
Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias

VISITA DE ESTUDO AO MORRO DA SÉ

Dentro da formação que tenho, faço um voluntariado para uma associação, fazendo visitas à cidade do Porto. A primeira saída tinha que contemplar o local onde a urbe nasceu, no Morro da Ribeira, onde se encontra a Sé Catedral, o Bispado, a Casa dos 24 e depois descendo a Igreja dos Grilos, o Arco de Santana, a Rua dos Mercadores, até chegar ao largo da Ribeira.
Como minha companheira levo sempre a digital e estas fotografias, são o resultado do passeio.
Gosto muito da cidade do Porto, que para mim tem uma magia especial. Aqui nasci e aqui continuo a viver e quando parto é sempre com alegria que volto, mas costumo dizer que sou portuguesa do Minho ao Algarve e, que todo o país tem sítios de grande beleza, como têm outros países, que tenho visitado. Estou sempre pronta para viajar, no entanto o Porto vive em mim com um afecto muito especial.

ANTIGA CASA DA CÂMARA, também conhecida por Casa dos 24, é um edifício, restaurado, onde funcionou a vereação municipal do Porto.

A sua origem remete ao século XV, quando foi erguida encostada à Muralha Primitiva da cidade. As suas funções eram de representação do senado ou assembleia da Câmara, considerada como primeira sede do poder autárquico ou municipal e, era designada por Torre da Rolaçam (i.e., torre da relação).
A designação popular de Casa dos 24 deve-se ao facto de aí se reunirem os 24 representantes dos vários ofícios, da cidade do Porto.
Situada a apenas sete metros das paredes da Sé do Porto, foi construída em cantaria de granito com cem palmos de altura (cerca de 22 m) e era guarnecida de ameias. Possuía vários sobrados contendo no seu interior elementos artísticos de grande qualidade. Evidenciava entre outros, um exemplar tecto dourado no salão nobre superior.
Em meados do século XVI as sessões camarárias mudaram-se para a Rua das Flores, pelo facto do edifício mostrar indícios de degradação. Serviu, posteriormente, de cadeia e asilo para prostitutas e sem abrigo, entrando em ruína.
Na década de 1940 a envolvente da Sé, sofreu alterações significativas pelas demolições e arranjo urbanístico ordenado pela DGEMN. Segundo um conceito higienista com critérios de monumentalização, demoliu-se uma grande quantidade de edifícios que se encontravam em frente à Sé, alargando-se amplamente o Terreiro da Sé. Pretendia-se desta forma resolver o problema de degradação física e social do bairro, evidenciando o elemento singular da Sé Catedral.
Em 1991 as ruínas dos antigos Paços do concelho foram alvo de obras de reabilitação e arranjos de cariz urbanístico, pois encontrava-se em perigo de derrocada. E, em 1995 surge a necessidade de reabilitar as suas funções dando origem ao projecto do arquitecto Fernando Távora. A sua reconstituição pretendia imortalizar os longos anos de vida e de história da cidade do Porto, recordando assim o seu passado.

O actual edifício da Antiga Casa da Câmara é constituído por uma estrutura de paredes em U, que assenta sobre parte da ruína existente, tanto da primitiva torre como da primeira muralha. O edifício é limitado por três lados, abrindo-se o quarto numa parede envidraçada, mostrando visualmente as vistas da cidade.
Volumetricamente, o edifício enquadra-se no conjunto existente sugerindo o dimensionamento formal da casa-torre evocada. Afirma-se, assumindo a sua altura primitiva de cem palmos, impressos segundo uma perspectiva arquitectónica do autor.
Mantém os materiais da câmara original, o granito nas paredes exteriores e interiores, aplicando o ferro em pilares e vigas. No tecto foi aplicado o folhado a ouro.
Esta obras de reconstrução, foram onerosas e muito controversas, foram alvo de denúncia à Unesco, foram alvo de críticas constantes dos media e parte da cidade contesta a sua existência, embora seja também defendida por muitos.


A colocação da estátua o «Porto», por trás da casa, para ser vista pelo interior, também suscitou muitas críticas.


A CIDADE DO PORTO, UMA CIDADE PEQUENA E SEM POSSIBILIDADES DE CRESCER, POR ESTAR RODEADA POR OUTRAS CIDADES.
A ZONA ONDE VIVO, BOAVISTA, PERTO DAS PRAIAS DA FOZ E AINDA MAIS PERTO DO PARQUE DA CIDADE.
A SÉ CATEDRAL

GALILÉ DE NAZONI

PORMENORES DA FRONTARIA






ARCO DE SANT'ANA, QUE O ESCRITOR ALMEIDA GARRETT, CELEBRIZOU NO ROMANCE DO MESMO NOME.












quinta-feira, 22 de outubro de 2009

RAINER MARIA RILKE

Mexendo, em papeis velhos, para rasgar, fui encontrar este poema:

Um poema para Lou Salomé

Vaza-me os olhos: continuarei a ver-te
Tapa-me os ouvidos: continuarei a ouvir-te,
mesmo sem pés chegarei a ti,
mesmo sem boca poderei invocar-te
Decepa-me os braços: poderei abraçar-te
com o coração como se fosse a mão.
Arranca-me o coração: palpitarás no meu cérebro.
E se me incendiares o cérebro,
levar-te-ei ainda no meu sangue.
Rainer Maria Rilke

E revisitei RILKE
Rainer Maria Rilke (Praga, 1875 — Valmont, Suíça,1926) foi um dos mais importantes poetas de língua alemã do século XX.
Rilke possui uma obra original, marcada pelo tratamento da forma e pelas imagens inesperadas. Celebra a união transcendental do mundo e do homem, numa espécie de “espaço cósmico interior”. A sua poesia provoca uma reflexão existencialista.


SOLIDÃO
A solidão é como uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas sobe ao céu,
que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.
Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:
então, a solidão vai com os rios...

DANÇARINA ESPANHOLA
Como um fósforo a arder antes que cresça
a flama, distendendo em raios brancos
suas línguas de luz, assim começa
e se alastra ao redor, ágil e ardente,
a dança em arco aos trémulos arrancos.
E logo ela é só flama, inteiramente.
Com um olhar põe fogo nos cabelos
e com arte subtil dos tornozelos
incendeia também os seus vestidos
de onde, serpentes doidas, a rompê-los,
saltam os braços nus com estalidos.
Então como se fosse um feixe aceso,
colhe o fogo num gesto de desprezo,
atira-o bruscamente no tablado
e o contempla.
Ei-lo ao rés do chão, irado,
a sustentar ainda a chama viva.
Mas ela, do alto, num leve sorriso
de saudação, erguendo a fronte altiva,
pisa-o com seu pequeno pé preciso.


OS CADERNOS DE MALTE LAURIDS BRIGGE
Está entre os meus livros preferidos. Foi o único romance que Rilke escreveu. Os cadernos de Malte Laurids Brigge, foram escritos no período em que o autor se mudou para Paris, para redigir um trabalho sobre o amigo e escultor Auguste Rodin (1840-1917), Os cadernos de Malte Laurids Brigge reflectem algumas das experiências de Rilke na capital francesa e o contacto que travou com os artistas modernistas da época.
Ao deixar para trás a sua família e as lembranças da infância vivida num castelo no campo, o jovem dinamarquês Malte Laurids Brigge depara-se com uma Paris ao mesmo tempo fascinante e inóspita. Com ecos de, Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, Os cadernos , trazem anotações das dificuldades sentidas pela personagem, as mesmas do autor, que se mudou para Paris aos 27 anos, permanecendo na capital francesa até 1911.
Influenciado por Nietzsche e Kierkegaard, o livro, publicado em 1910, expõe o processo de desenvolvimento de Malte Laurids Brigge, tanto psicológico quanto físico. A busca pela individualidade, a tentativa de entender o significado da morte e o questionamento da religião, são algumas das angústias do personagem e do próprio autor. Influente nas gerações posteriores de escritores, Rilke despertou interesse de vários intelectuais, como por exemplo, Jean-Paul Sartre.
CARTAS A UM JOVEM POETA
Paris, Fevereiro de 1903. Rainer Maria Rilke (1875-1926) recebe uma carta de um jovem chamado Franz Kappus, que aspira tornar-se poeta e que pede conselhos ao já famoso escritor. Tal missiva dá início a uma troca de correspondência na qual Rilke responde aos questionamentos do rapaz e, muito mais do que isso, expõe as suas opiniões sobre o que considerava os aspectos verdadeiros da vida. A criação artística, a necessidade de escrever, Deus, o sexo e o relacionamento entre os homens, o valor nulo da crítica e a solidão inelutável do ser humano: estas e outras questões são abordadas pelo maior poeta de língua alemã do século XX, em belas páginas de prosa.