«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

CARTA AO PAI NATAL (LOLLOLLOL)

Pai Natal,
Eu não te conheço, mas ouço falar muito de ti, parece-me que eras azul e a coco-cola te pôs vermelho, mas eu hoje não estou virada para a investigação histórica, o que eu tenho é frio, frio, frio e não me apetece mexer muito, cada gesto é vento frio. Estou a escrever-te, porque como toda a gente, também considero que posso formular os meus pedidos. Se queres que te diga eu até acho que és um sacana, porque deixas muitos meninos tristes e até aqueles que com certeza pensas deixar contentes, com muitas coisas que dás, também ficam tristes porque nunca ficam contentes com o que lhes dás! Mas adiante, que eu quero fazer os meus pedidos. Como já és muito velho e só apareces uma vez por ano, aproveita a oportunidade para passares por aquela gente muito influente e diz-lhe que muitas pessoas e cada vez mais, querem um mundo mais CONSCIENTE e olha nem vale a pena dizer mais nada, porque no consciente está de facto tudo englobado.

Ah esqueci-me de te dizer, que me porto muito bem, como a sopa toda, sou educada para as pessoas, dou beijinhos, tomo banho todos os dias, blá, blá, blá...claro que também faço umas asneirinhas...mas não me apetece falar nisso.
Queria pedir-te um fato de astronauta, não, eu não quero ir à lua, não há lá ninguém e é só pó...o fato dava-me jeito porque deve ser quentinho e está um frio brrrrrrrrrrrr...........

É estúpido este pedido? Pois é!...Olha eu adoro praia e se me desses uma praia tropical? Até te mando uma fotografia! Vês este mar, esta areia, estas palmeiras...prometo que tenho muita gente para levar comigo...pode ser?


Outra prenda, que já há muitos anos pensei que gostava de ter, eram umas asas, como sofro um bocado de inquietações, assim quando não estivesse bem mudava de ares...eu gostava!...Não ia fazer como o Ícaro, voava cá mais por baixo...devagarinho, acredita que não ultrapassava os limites de velocidade...nem fazia ultrapassagens e manobras perigosas.


Pedidos estrambólicos? Pois é...mas...como é a primeira vez que te escrevo, foi para chamar a atenção, tás a perceber?
Quanto às prendas dos meus pais natais a minha filha disse-me agora que me ia dar um cinto.
E eu, admirada disse-lhe:
-Um cinto!...mas eu ando com as calças a cair?
Diz-me ela com um grande lata:
-Sinto muito, mas não te posso dar nada!?...
É assim a vida Pai Natal.
Beijinhos

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

domingo, 20 de dezembro de 2009

ESTOU CANSADO - ÀLVARO DE CAMPOS



Estou cansado, é claro,

Porque, a certa altura,

a gente tem que estar cansado.

De que estou cansado, não sei:

De nada me serviria sabê-lo,

Pois o cansaço fica na mesma.

A ferida dói como dói

E não em função da causa que a produziu.

Sim, estou cansado,

E um pouco sorridente

De o cansaço ser só isto

— Uma vontade de sono no corpo,

Um desejo de não pensar na alma,

E por cima de tudo uma transparência lúcida

Do entendimento retrospectivo...

E a luxúria única de não ter já esperanças?

Sou inteligente; eis tudo.

Tenho visto muito e entendido muito

o que tenho visto,

E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,

Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.


Álvaro de Campos, in "Poemas"

COMPRAS

Nesta época, muito ou pouco quem não faz umas compras? Pela primeira vez ao comprar uma peça de roupa encontrei esta etiqueta, tudo porque prefiro comprar no chamado comércio tradicional, porque se for em centros comerciais, dificilmente se encontra um produto feito em Portugal, a nível do vestuário, já que fomos invadidos pelas grandes marcas internacionais. Fiquei surpreendida com a etiqueta e simultâneamente apolologista desta ideia, ie do consumo preferencial de artigos portugueses. Não podemos só atacar o Governo, disto e mais aquilo, quando nós mesmos consumidores, nem sempre temos as atitudes mais correctas.

sábado, 19 de dezembro de 2009

NOTÍCIAS....

CIMEIRA DE COPENHAGA - OPORTUNIDADE PERDIDA!?...
Mas quando é que os interesses económicos, se deixavam subordinar pelos problemas ambientais!?....
AMINATU HAIDAR REGRESSOU A CASA UFF!!! MAS A LUTA CONTINUA!...



CASAMENTO HOMOSSEXUAL, TEMA EXAUSTIVO NOS «MEDIA»!...


AVIÕES RED BULL OUTRO TEMA ESPECULADO ATÉ AO ENJOO...QUE INTERESSA? A MIM INTERESSA-ME MUITO POUCO. HÁ CENTRALIZAÇÃO, POIS HÁ!... E NÃO É SÓ COM OS AVIÕEZINHOS E NÃO É SÓ RELATIVAMENTE AO PORTO!?...

BOA NOVA - ANTÓNIO NOBRE

Neste dia de céu limpo, mas muito frio, fui até à beira-mar. Gosto de passear na praia no Inverno e sentir em mim os raios de sol. Os caminhos levaram-me até Leça, de uma forma mais concreta até à Boa-Nova, onde na casa de Chá, feita por Siza Vieira, se tem pela frente o mar bravio, as ondas a desfazerem-se nas rochas e onde foi colocada uma placa, com uma quadra do poeta António Nobre. , foi dos primeiros livros de poesia que li.

"Na praia lá da Boa Nova, um dia,
Edifiquei ( foi esse o grande mal)
Alto castelo, o que é a fantasia,
Todo de lápis-lazúli e coral!

Naquelas redondezas não havia
Quem se gabasse dum domínio igual:
Oh, castelo tão alto! parecia
O território dum senhor feudal!

Um dia (não sei quando, nem sei donde)
Um vento seco de deserto e spleen
Deitou por terra, ao pó que tudo esconde,

O meu condado, o meu condado, sim!
Porque eu já fui um poderoso conde,
Naquela idade em que se é conde assim..."



[Muito ousada para a época, a sua obra foi lida por alguns como nacionalista e tradicionalista, mas essas leituras estão hoje bastante relativizadas. Não se trata de uma obra solipsista e ensimesmada, antes de representar um universo interior e um Portugal que epitomizam o sujeito finissecular e que expressam uma crise de valores que em breve, historicamente, há-de trazer mudanças de vulto. E é sobretudo, como já se esboçou atrás, uma das pedras de toque na gestação do sujeito moderno: a memória não permite recuperar o que se perdeu, os heróis parecem condenados à derrota, e Narciso tornou-se uma figura deceptiva; em lugar dessa felicidade perdida, o poeta visionário ergue a forma possível de resistência à ruína – a edificação da Obra, assegurando a permanência do seu nome e a do país que com tanta subtileza soube retratar.]

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

OUSEI FAZER UNS HAIKAIS (?) AO NATAL


Natal, para mim é a família e nesta família também se incluiu a família que fui escolhendo no decorrer da vida. No meu Natal, estão os presentes e os ausentes e aquele espírito, amplo de solidariedade e fraternidade.

Natal é uma criança
De olhos arregalados
para as cores da sua alegria.

De mãos caídas
Olhamos ao longe
A ausência dos que estão perto.

Passeamos pelas montras
com desejos amachucados
Pela realidade do desperdício.

Reunidos numa noite
repetimos a tradição
De ainda estarmos juntos.


( Com tanta gente a escrever poesia, isto é apenas uma brincadeira!?)

HAIKAI (HAIKU) DE EUGÉNIO DE ANDRADE

Eugénio de Andrade é dos meus poetas de cabeceira, ie tenho sempre permanentemente na mesinha de cabeceira, antologias de alguns poetas, além do livro que no momento ando a ler.
Num recital de poesia, Eugénio de Andrade, em jeito de dedicatória escreveu-me o que incluo mais abaixo num papel, porque me esqueci de levar os livros que tinha dele.

Eugénio de Andrade cultivou essa forma breve de poesia, influência do Haikai, do qual já me referi por aqui. Gosto desta forma breve e sintética, assim como gosto da pintura, que acompanhava os mesmos, mas os haikais são de Eugénio.


Tu já tinhas um nome, e eu não sei
se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor.
Conselho
Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.
Tenho o nome de uma flor
quando me chamas.
Quando me tocas,
nem eu sei
se sou água, rapariga,
ou algum pomar que atravessei.


É um pássaro, é uma rosa,
é o mar que me acorda?
Pássaro ou rosa ou mar,
tudo é ardor, tudo é amor.
Acordar é ser rosa na rosa,
canto na ave, água no mar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ÁGORA - UM ÉPICO?

ÁGORA DE ALEJANDRO AMENÁBAR

Rachel Weisz é Hypatia, uma lendária filosofa e matemática da antiga Alexandria, numa altura em que o Império Romano começava a entrar em declínio e a aceitar o Cristianismo como a religião legal e a religião é um dos pontos chave do enredo do filme, o confronto entre o Cristianismo e os interesses pagãos e o cristianismo a opor-se ao Judaísmo, isto com toda a violência que é conhecida. Pelo meio há um triângulo amoroso, que serve mais os conflitos religiosos expostos.
Alejandro Amenábar, o realizador, correu o risco deste filme poder ser um manifesto anti – Cristianismo, mas o que está em questão é o extremismo/fundamentalismo.
Com um orçamento de 50 milhões de dólares, o filme é equilibrado na acção e os aspectos dramáticos, podem motivar um espírito crítico. Ágora, é um filme diferente, num cartaz cinematográfico, nada aliciante.
Uma história com séculos de idade, filmado em pleno Egipto com detalhes autênticos e um elenco de diversas nacionalidades. Não me parece que o filme, onde a aposta é histórica e científica, possa ter um retorno, no aspecto comercial, tão diferente é dos filmes que são consumidos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

EXCERTO DE UMA CARTA DE FERNANDO PESSOA A ADOLFO CASAIS MONTEIRO


Carta a Adolfo Casais Monteiro

"...E contudo - penso-o com tristeza - pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida. Pensar, meu querido Casais Monteiro, que todos estes têm que ser, na prática da publicação preteridos pelo Fernando Pessoa, impuro e simples!
Creio que respondi à sua pergunta.
Se fui omisso, diga em quê. Se puder responder, responderei. Mais planos não tenho, por enquanto. E, sabendo eu o que são e em que dão os meus planos, é caso para dizer, Graças a Deus!
Passo agora a responder à sua pergunta sobre a génese dos meus heterónimos. Vou ver se consigo responder-lhe completamente.
Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histeroneurasténico. Tendo para esta Segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos - felizmente para mim e para outros - mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contacto com outros; fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo. Se eu fosse mulher - na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas - cada poema de Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem - e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais: assim tudo acaba em silêncio e poesia.
Isto explica, tant bien que mal, a origem orgânica do meu heteronismo. Vou agora fazer-lhe a história directa dos meus heterónimos. Começo por aqueles que morreram, e de alguns dos quais já me não lembro - os que jazem perdidos no passado remota da minha infância quase esquecida.
Aí por 1912, salvo erro (que nunca pode ser grande), veio-me à ideia escrever uns poemas de índole pagã. Esbocei umas coisas em verso irregular (não no estilo Álvaro de Campos, mas num estilo de meia regularidade), e abandonei o caso. Esboçara-se-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo (tinha nascido, sem que eu soubesse, o Ricardo Reis).
Ano e meio, ou dois anos depois, lembrei-me um dia de fazer uma partida ao Sá-Carneiro - de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira - foi em 8 de Março de 1914 - acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com o título Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive. E tanto assim que, escrito que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio, também, os seis poemas que constituem a Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente. Foi o regresso de Fernando Pessoa - Alberto Caeiro a Fernando Pessoa - ele só. Ou, melhor, foi a reacção de Fernando Pessoa contra a sua inexistência como Alberto Caeiro.
Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir - instintiva e subconscientemente - uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-me a si mesmo, porque nessa altura já o via. E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro de Campos - a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.
Criei, então uma coterie inexistente. Fixei aquilo tudo em moldes de realidade. Graduei as influências, conheci as amizades, ouvi, dentro de mim, as discussões e as divergências de critérios, e em tudo isto me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve. Parece que tudo se passou independentemente de mim. E parece que assim ainda se passa. Se algum dia eu puder publicar a discussão estética entre Ricardo Reis e Álvaro de Campos, verá como eles são diferentes, e como eu não sou nada na matéria.
Quando foi da publicação de Orpheu, foi preciso, à última hora, arranjar qualquer coisa para completar o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro que eu fizesse um poema "antigo" do Álvaro de Campos - um poema de como o Álvaro de Campos seria antes de ter conhecido Caeiro e ter caído sob a sua influência. E assim fiz o Opiário, em que tentei dar todas as tendências latentes do Álvaro de Campos, conforme haveriam de ser depois de reveladas, mas sem haver ainda qualquer traço de contacto com o seu mestre Caeiro. Foi dos poemas que tenho escrito, o que me deu mais que fazer, pelo duplo poder de despersonalização que tive que desenvolver. Mas, enfim, creio que não saiu mau, e que dá o Álvaro em botão...
Creio que lhe expliquei a origem dos meus heterónimos. Se há porém qualquer ponto em que precise de um esclarecimento mais lúcido - estou escrevendo depressa, e quando escrevo depressa não sou muito lúcido -, diga, que de bom grado lho darei. E, é verdade, um complemento verdadeiro e histérico: ao escrever certos passos das Notas para recordação do meu Mestre Caeiro, do Álvaro de Campos, tenho chorado lágrimas verdadeiras. É para que saiba com quem está lidando, meu caro Casais Monteiro!
Mais uns apontamentos nesta matéria. Eu vejo diante da mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Construí-lhes as idades e as vidas. Ricardo Reis nasceu em 1887 não me lembro do dia e mês (mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1,30 horas da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como sabe é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inactividade. Caeiro era de estatura média, e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil quanto era. Ricardo Reis é um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte, mais seco. Álvaro de Campos é alto (1,75m de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se. Cara rapada todos - o Caeiro louro sem cor, olhos azuis; Reis de um vago moreno mate; Campos entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo.
Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma - só instrução primária; morreram-lhe cedo e pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico: vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria. Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre.
(...) Como escrevo em nome desses três? Caeiro por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular que iria escrever. Ricardo Reis, depois de uma deliberação abstracta que subitamente se concretiza numa ode. Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê. O meu semi-heterónimo Bernardo Soares que aliás em muitas coisas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de "ténue" à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual; ao passo que Caeiro escrevia mal o português, Campos razoavelmente mas com lapsos como dizer "eu próprio" em vez de "eu mesmo", etc., Reis melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado. (...)
(em 13 de Janeiro de 1935)
[Pessoa, Fernando, Livro do Desassossego por Bernardo Soares, recolha e transcricão dos textos: Maria Aliete Galhoz, Teresa Sobral Cunha, prefácio e organizacão: Jacinto Prado Coelho, Ática, Lisboa 1982, pp. XLIII-XLVII http://www.cfh.ufsc.br/~magno/frames.html ]

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

VOLTANDO A KHALIL GIBRAN


Foi-me indicada a obra de Khalil Gibran e tenho andado a ler alguma coisa através da net.
Em sua relativamente curta existência (viveu apenas 48 anos), Khalil Gibran produziu obra literária acentuada e artisticamente marcada pelo misticismo oriental, que — por essa razão — alcançou popularidade em todo o mundo. A sua obra, acentuadamente romântica e influenciada por fontes de aparente contraste como a Bíblia, Nietzsche e William Blake, trata de temas como o amor, a amizade, a morte e a natureza, entre outros. Escrita em inglês e árabe, expressa as inclinações religiosas e mística do autor. A sua obra mais conhecida é o livro O Profeta, que foi traduzido para inúmeros idiomas.


Não sou nada uma pessoa de misticismos e leituras esotéricas, portanto essa faceta de Gibran de profeta, deixou-me bastantes reticências, no entanto considero interessante o texto que ontem transcrevi que com muito lirismo aborda a nossa preocupação ambientalista e porque também me parece interessante vou transcrever o seu poema,


Os Filhos

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles,
mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás
e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos
são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito
e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projectem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O HOMEM E A NATUREZA - KAHLIL GIBRAN


~ O Homem e a Natureza ~

Ao romper do dia, sentei-me na campina, travando conversa com a Natureza, enquanto o Homem ainda descansava sossegadamente nas dobras da sonolência. Deitei-me na relva verde e comecei a meditar sobre estas perguntas:
Será a Beleza Verdade? Será Verdade a Beleza?
E em meus pensamentos vi-me levado para longe da humanidade. Minha imaginação descerrou o véu de matéria que escondia meu íntimo. Minha alma expandiu-se e senti-me ligado à Natureza e a seus segredos. Meus ouvidos puseram-se atentos à linguagem de suas maravilhas.
Assim que me sentei e me entreguei profundamente à meditação, senti uma brisa perpassando através dos galhos das árvores e percebi um suspiro como o de um órfão perdido.
“Por que te lamentas, brisa amorosa?” perguntei.
E a brisa respondeu: “Porque vim da cidade que se escalda sob o calor do sol, e os germes das pragas e contaminações agregaram-se às minhas vestes puras. Podes culpar-me por lamentar-me?”
Mirei depois as faces de lágrimas coloridas das flores e ouvi seu terno lamento... E indaguei: “Por que chorais, minhas flores maravilhosas?”
Uma delas ergueu a cabeça graciosa e murmurou: “Choramos porque o Homem virá e nos arrancará, e nos porá à venda nos mercados da cidade.”
E outra flor acrescentou: “À noite, quando estivermos murchas, ele nos atirará no monte de lixo. Choramos porque a mão cruel do Homem nos arranca de nossas moradas nativas.”
Ouvi também um regato lamentando-se como uma viúva que chorasse o filho morto, e o interroguei: “Por que choras meu límpido regato?”
E o regato disse: “Porque sou compelido a ir à cidade, onde o Homem me despreza e me rejeita pelas bebidas fortes, e faz de mim carregador de seu lixo, polui minha pureza e transforma minha serventia em imundície.”
Escutei, ainda, os pássaros soluçando e os interpelei: “Por que chorais meus belos pássaros?”
E um deles voou para perto, pousou na ponta de um ramo e justificou: “Daqui a pouco, os filhos de Adão virão a este campo com suas armas destruidoras e desencadearão uma guerra contra nós, como se fossemos seus inimigos mortais. Agora estamos nos despedindo uns dos outros, pois não sabemos quais de nós escaparão à fúria do Homem. A morte nos segue, aonde quer que vamos.”
Então o sol já se levantava por trás dos picos da montanha e coloria os topos das árvores com aureolas douradas. Contemplei tão grande beleza e me perguntei:
“Por que o homem deve destruir o que a Natureza construiu?”


Para saber mais sobre Kahlil Gibran : http://pt.wikipedia.org/wiki/Khalil_Gibran

domingo, 13 de dezembro de 2009

OS 15 VALORES DE SÓCRATES EM INGLÊS «TÉCNICO»

José Sócrates mostrando a utilidade do Inglês do Ensino Superior Técnico. Vejam como se divertem os outros governantes a ouvi-lo!



Mandaram-me por mail, não conhecia!...

ALBERT CAMUS

Muitos livros contribuíram, para a minha formação, que começou muito cedo, pelo meu grande gosto pela leitura, poderia citar vários livros. Lá para o fim da minha adolescência, através de um namorado (!) descobri Sartre, lendo o livro «Os Dados estão Lançados» e a partir daí todo o movimento existencialista francês, para complemento até me vestia de preto o que fazia muita confusão à família e aos conhecidos, que me perguntavam muitas vezes «quem tinha morrido», até assimilarem que isso era uma «tara». Para além desse folclore visual, que também me levou a começar a fumar muito cedo, muito às escondidas, fui «plantando» na minha cabeça ideias, que se foram tornando posturas e conceitos perante a vida (eu+outros+a engrenagem...) e ficaram.Hoje apetece-me referir Albert Camus, de quem li muita coisa, romance, teatro, ensaio....

O Mito de Sísifo

Sisifo, de Tiziano Vecellio, 1548-1549.

O mito de Sísifo, ensaio filosófico escrito por Albert Camus, em 1942.
No ensaio, Camus introduz a sua filosofia do absurdo: o homem fútil em busca de sentido, unidade e clareza no rosto de um mundo ininteligível desprovido de Deus e eternidade. Será que a realização do absurdo exige o suicídio? Camus responde: "Não. Exige revolta". Ele então descreve várias abordagens do absurdo na vida. O último capítulo compara o absurdo da vida do homem com a situação de Sísifo, uma personagem da mitologia grega, condenado a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra até ao topo de uma montanha, só para vê-la rolar para baixo novamente.
L'homme révolté
O homem revoltado, ensaio filosófico escrito por Albert Camus e publicado em 1951.


«Ao protestar contra a condição, naquilo que tem de inacabado, pela morte, e de disperso, pelo mal, a revolta metafísica é a reivindicação motivada de uma unidade feliz contra o sofrimento de viver e morrer. (...) Ao mesmo tempo em que recusa a sua condição mortal, o revoltado recusa-se a reconhecer o poder que o faria viver nesta condição. O revoltado metafísico, portanto, certamente não é ateu, como se poderia pensar, e sim obrigatoriamente blasfemo. Ele blasfema, simplesmente em nome da ordem, denunciando Deus como o pai da morte e do supremo escândalo. » CAMUS




sábado, 12 de dezembro de 2009

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RÍDICULAS, NÃO SERIAM CARTAS DE AMOR SE NÃO FOSSEM RÍDICULAS

CARTA A OFÉLIA QUEIRÓS - 31 DE MAIO DE 1920

Bebezinho do Nininho-ninho:
Oh!Venho só quevê pâ dizê ó Bebezinho que gotei muito da catinha dela. Oh!E também tive munta pena de não tá ó pé do Bebé pâ le dá jinhos.Oh! O Nininho é pequenininho!Hoje o Nininho não vai a Belém porque, como não sabia se havia carros, combinei tá aqui às seis ho'as.Amanhã, a não sê qu'o Nininho não possa é que sai daqui pelas cinco e meia. (desenho de uma meia) (isto é a meia das cinco e meia). Amanhã o Bebé espera pelo Nininho, sim? Em Belém, sim? Sim?Jinhos, jinhos e mais jinhos.
Fernando.
















[Foi o poeta Carlos Queirós,num número especial da Presença de homenagem a Fernando Pessoa, que deu a conhecer os amores de Fernando Pessoa por Ofélia Queirós, sua tia. Publicando nesse número diversas cartas de amor de Pessoa escritas a Ofélia.]
Foram escritas por Fernando Pessoa e aprovadas pelo «sisudo» Álvaro de Campos
na poesia:
Poema

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

[Quando as cartas de amor rídiculas foram editadas, fiquei bastante surpreendida, nunca imaginaria Fernando Pessoa a escrever esse género de cartas! Nada percebo de psicologia, a não ser da «barata», daquela que todos consideram saber...
Carência de amor maternal? Sentir-se miúdo pelo afecto de uma mulher?
E assim podia continuar???????????????????????????????????? Com interrogações, até gostaria de conversar sobre isto com um grande pessoano, ie um grande estudioso de Pessoa!.. ]

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

NATAL, E NÃO DEZEMBRO


Entremos, apressados, friorentos,

numa gruta, no bojo de um navio,

num presépio, num prédio,

num presídio no prédio que amanhã for demolido...

Entremos, inseguros, mas entremos.

Entremos e depressa, em qualquer sítio,

porque esta noite chama-se Dezembro,

porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,

duzentos mil, doze milhões de nada.

Procuremos o rastro de uma casa,

a cave, a gruta, o sulco de uma nave...

Entremos, despojados, mas entremos.

De mãos dadas talvez o fogo nasça,

talvez seja Natal e não Dezembro,

talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira

HOJE APETECE-ME MÚSICA SUAVE...

VAUGHAN WILLIAMS – THE LARK ASCENDING

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ENCONTRAR BOAS NOTÍCIAS NOS JORNAIS, NÃO É FÁCIL!...DE HOMICÍDIO, A ROUBO, A BURLICE, A VIOLÊNCIA NA ESTRADA...E OUTRAS COISAS QUE TODOS NÓS SABEMOS..

UMA NOTÍCIA + ou -, sobre a CORRUPÇÃO EM PORTUGAL

O menos é que em 2006 Portugal no ranking de percepção da corrupção ocupava a 26ª.posição entre 180 países analisados, mas a situação tem vindo sempre a piorar, em 2007 baixou à 28ª, em 2008 baixou a 32ª e este ano baixou a 35ª, ie desceu nove lugares em quatro anos.
Um estudo revela que os portugueses são na generalidade contra a corrupção, mas praticam a «cunha» com facilidade.
O que pode ser um +, há uma ong Transparência Internacional, sediada em Berlim, desde 1993 e um grupo de peritos nacionais influentes, propõe-se a criação de algo no género, com o objectivo de pressionar o governo e as instituições a uma maior eficácia neste combate.


SOBRE A CORRUPÇÃO, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, disse que a corrupção é um obstáculo ao desenvolvimento e apelou para que as pessoas nunca aceitem nem ofereçam subornos.



Esta já é de facto uma boa notícia: O restauro do Mosteiro de Tibães, feito pelo arquitecto João Carlos Santos, venceu a medalha de ouro da bienal de Miami Beach 2009.Organizado pelo Instituto Americano de Arquitectos, pela Sociedade Americana de Arquitectos paisagistas e pela Federação Pan-Americana de Associação de Arquitectos, o concurso distingue as obras mais importantes em todo o mundo, na categoria de restauro.




(Fotografias tiradas do Google)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

RECEBI ESTE MAIL...

Era interessante que a comunicação social desse destaque a algumas destas situações, o que seria talvez um modo de melhorar a auto estima cá do burgo e não cairmos nesta tendência miserável de baixar os braços e dizer mal de tudo. As conversas entre grupos de amigos são um prolongamento das parangonas dos jornais e dos noticiários da T.V., acidentes, desgraças, corrupção, etc... felizmente há excepções para confirmar a regra! Cada vez mais os nossos patrícios andam deprimidos, mas também gostam... Somos um povo extraordinário em qualquer parte do mundo, mas não acreditamos.

ENTÃO LEIAM:

Nicolau Santos, Director - adjunto do Jornal Expresso, In Revista


**Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE.**
**Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.**
**Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema biométrico de pagamento nas bombas de gasolina.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gás muito leve que já ganhou prémios internacionais.**
**Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos.**
**Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.**
**Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para toda a EU.**
**Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos às PMES.**
**Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agência Espacial Europeia. **
**Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.**
**Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.**
**Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.**
**Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhores vinhos espanhóis.**
**Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.**
**Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade pelo Mundo.**

**O leitor, possivelmente, não reconheceu neste país aquele em que vive... PORTUGAL.**

**Mas é verdade.Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.

**Chamam -se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Out Systems, WeDo, Quinta do Monte d'Oiro, Brisa Space Services, Bial, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Portugal Telecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo.

**Há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, com técnicos portugueses, de reconhecido sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal e a Mc Donalds (que desenvolveu e aperfeiçoou em Portugal um sistema que permite quantificar as refeições e tipo que são vendidas em cada e todos os estabelecimentos da cadeia em todo o mundo).

** É este o País de sucesso em que também vivemos, estatisticamente sempre na cauda da Europa, com péssimos índices na educação, e gravíssimos problemas no ambiente e na saúde... que se atrasou em relação à média UE...etc.

**Mas só falamos do País que está mal, daquele que não acompanhou o progresso.

**É tempo de mostrarmos ao mundo os nossos sucessos e nos orgulharmos disso.

QUE TAL, SENTEM-SE MELHORES?

MARIA JOÃO SEIXAS NA CINEMATECA


Maria João Seixas, é o nome avançado para a direcção da Cinemateca Portuguesa - instituição órfã de director desde que João Bénard da Costa a deixou, em Janeiro, por motivos de saúde. Gosto de Maria João Seixas, é uma pessoa culta e simpática, é uma pessoa que conheço através da televisão e dos bons programas que foi fazendo, obviamente que outros nomes podiam ser avançados e que vão sempre dizer que é uma pessoa muito próxima do PS, já que Seixas foi assessora para a cultura do primeiro governo de António Guterres, foi também mandatária das candidaturas de Jorge Sampaio e Mário Soares e de Manuel Maria Carrilho à Câmara de Lisboa. A relação entre a jornalista de 64 anos e o cinema é muito próxima - ou familiar. Maria João Seixas foi casada com o realizador Fernando Lopes, com quem assinou parte do argumento de "O Delfim" e "Cinema". Esteve também envolvida no documentário "Lissabon Wuppertal Lisboa", sobre a coreógrafa Pina Bausch e conta com prestações breves em filmes como "Adriana" ou "Um dia na Vida". É de destacar ainda o seu trabalho na divulgação do cinema português fora de portas com a distribuidora Uniportugal. Pedro Mexia, subdirector da Cinemateca, estava assumir o cargo de director interino, conduzindo sozinho um cargo de dois lugares.

SEGUNDO DECLARAÇÕES DA MINISTRA DA CULTURA, ESPERA-SE PARA BREVE UM PÓLO DA CINEMATECA NO PORTO.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

CIMEIRA DE COPENHAGA




Começou hoje e termina no dia 18 a cimeira na qual o Mundo vai procurar um consenso para reduzir emissões com efeito no clima após 2012, quando cessa o compromisso de Quioto. Evidentemente que não vai ser fácil, terá de ser partida muita pedra sobre a mesa das negociações. Em Copenhaga estão reunidos representantes técnicos e políticos de 192 países, tendo como objectivo prioritário estabelecer plataformas de responsabilidades mútuas para deixar subir pouco, e depois diminuir mesmo, as emissões dos gases com efeito de estufa (GEE), os maus da fita, são: o óxido nitroso, o metano e o mais famoso de todos, o dióxido de carbono.
Ao aumento da concentração desses gases na atmosfera por acção humana é imputado o aumento médio da temperatura global, a um ritmo e intensidade que o planeta só suportará à custa de grandes alterações de todo o clima e dos sistemas vivos que dele dependem. O dedo da Humanidade está aqui impresso, diz em uníssono a comunidade científica.
Há cerca de duas décadas que a questão começou relutantemente a ser assumida pelos governantes, após o protagonismo encetado por movimentos ambientalistas, depois de estudos científicos múltiplos. A chancela das Nações Unidas às questões climáticas viria, depois, pôr na agenda internacional a emergência de os países acordarem acções destinadas a conter o aumento das temperaturas. As emissões de GEE, sobretudo da indústria e transportes, passaram a estar no centro da procura de compromissos. Mas também outras acções com impacto na atmosfera e restantes sistemas da Terra, como a desflorestação. Os problemas são vários, esperemos que neste período de tempo seja possível atingir os consensos necessários, para que depois do dia 18, o mundo possa ser visto de uma forma mais positiva.

BILLIE HOLIDAY

Billie Holiday - Lover Man

Billie Holiday, My Man

domingo, 6 de dezembro de 2009

UM POEMA...UMA FOTOGRAFIA...



Lentos nos Fomos Esquecendo

Lentos nos fomos esquecendo. Quando
o tempo da velhice nos foi vindo
a tez apareceu amorenada de anos
e afeita ao espírito.
A lavoura sabia aos nossos passos.
Até os desperdícios
iluminavam debilmente o armário
e a penumbra dos rincões escritos.
Mas nós só estávamos
em nos havermos esquecido.
Ou, às vezes, a aura do trabalho
quase fazia com que na mesa o sítio
aparecesse coroado de anos
sobre a mão a mover-se
pelo seu próprio espírito.

Fernando Echevarría, in "Figuras"

[HOMENAGEM AO MEU PRIMO]


Sempre gostei muito desta fotografia, tinha-a guardado nos meus papéis, mas não sei a sua proveniência nem o seu autor.
Esta fotografia tem uma grande expressividade e mostra um velho a indicar algo à criança, a máquina fotográfica, mas pode ter outra interpretação, pode de uma forma geral ser «mostrar a vida». Uma sabedoria que passa ou passava dos velhos para os novos. Actualmente os velhos são marginalizados, apesar de muitos deles se preocuparem muito em aprender sempre, estar a par de tudo que se passa, dedicarem o tempo a fazerem certas coisas, que durante uma vida de trabalho não puderam fazer. Apesar disso são sempre olhados de soslaio, gente que já passou, que está fora do tempo, situação que os marginaliza e lhes dá mais solidão.
Para mim e seguindo o lugar-comum, «velhos são os trapos», eu admiro muito as pessoas idosas e tudo aquilo que elas sabem e têm para dar e conheço pessoas idosas fantásticas. Há no entanto aspectos bastante chocantes, um deles é o peso que representam para muitas famílias e há imensos casos que todos conhecemos, de andarem de casa em casa dos filhos, de irem para um lar (pessoas idosas com pessoas idosas!...) ou então ficarem na sua casa com as suas fragilidades a caminharem para o declínio e sujeitas também às maiores violências. São impressionantes os casos diários de roubos, agressões e até homicídios em pessoas idosas, que vivem sós.


EU QUE DEFENDO TODAS AS CAUSAS HUMANÍSTICAS, TAMBÉM DEFENDO O FIM DA VIOLÊNCIA ÀS PESSOAS IDOSAS, MAS NÃO SEI SE EXISTE UMA ORGANIZAÇÃO/INSTITUIÇÃO, COM ESTE OBJECTIVO.

UM ANO DO BLOGUE «NAS ASAS DA CORUJA» -PARABÉNS!?...



Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande
e querida companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

William Shakespeare

sábado, 5 de dezembro de 2009

PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O JARDIM DOS SUPLÍCIOS - OCTAVE MIRBEAU






















Há um mês que estou metida em casa e a paisagem é esta, de dia e de noite. Não sou «janeleira», mas de vez enquanto preciso de ir à janela, para ver gente. Arranjei uma «história» complicada de uma bronco-pneumonia, mas tudo está a correr bem, embora ainda tenha 2 ou 3 semanas de clausura e tivesse que cortar com o cigarro, JÁ O DEVIA TER FEITO HÁ MUITO MAIS TEMPO. Vou-me entretendo, fechando e abrindo «gavetas» e tenho andado às voltas com os livros, há uns tempos que não pegava tanto nos meus livros.
Ontem e hoje, na diagonal, reli o livro,O Jardim dos Suplícios de Octave Mirbeau, um escritor esquecido, como tantos outros, em tempos de tanto «lixo livreiro».

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

UMA AVENTURA AMOROSA - ÁLVARO DE CAMPOS


Não costumo pôr à arte a canga da sexualidade. Confesso, contudo, que devo a uma obra minha, mas de maneira indirecta, uma aventura amorosa. Foi em Barrow-in-Furness que é um porto na costa ocidental da Inglaterra. Ali, certo dia, depois de um trabalho de arqueação, estava eu sentado sobre uma barrica, num cais abandonado. Acabava de escrever um soneto - elo de uma cadeia de vários - em que o facto de estar sentado nessa barrica era um elemento de construção. Aproximou-se de mim uma rapariga, por assim dizer, - aluna, segundo depois soube, do liceu (High-School) local -, e entrou em conversa comigo. Viu que estava a escrever versos e perguntou-me, como nestas ocasiões se costuma perguntar, se eu escrevia versos. Respondi, como nestes casos se responde, que não. A tarde, segundo a sua obrigação tradicional, caía lenta e suave. Deixei-a cair. É conhecida a índole portuguesa e o carácter propício das horas, independentemente das índoles e dos portugueses. Foi isto uma aventura amorosa? Não chegarei a dizê-lo. Foi uma tarde, num cais longe da Pátria; e hoje é, decerto, uma recordação a ouro fosco. Assim diríamos no «Orpheu»; assim não deixarei d e o dizer agora.
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A vida é extremamente complexa, e os acasos, são, por vezes, necessários. O conto não tem nome, desde o principio. O ouro fosco ficou húmido e a tarde caiu definitivamente.

Álvaro de Campos - Engenheiro Naval e Poeta do «Orpheu» - 1926


[Retirado do livro: ALMAS E ESTRELAS - HORAS ESPIRITUAIS -Arte & Cultura - Porto
Obra composta e impressa na Livraria Editora «Pax», Ldª. na cidade de Braga sob a orientação gráfica e literária de Petrus ]
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Neste livro, que comprei há anos num alfarrabista, pode ainda ler-se:
-A ROSA DE SEDA (FÁBULA) - Fernando Pessoa - 1915
-O BANQUEIRO ANARQUISTA - Fernando Pessoa - 1922
-O MARINHEIRO - drama estático em um quadro - Fernando Pessoa - 1913
-O CONTO DO VIGÁRIO - Narração exacta e comovida do que é o conto do vigário - Fernando Pessoa - 1926
-HISTÓRIA DO MENINO JESUS VERDADEIRO - Alberto Caeiro (1931)
-A PINTURA DO AUTOMÓVEL - Fernando Pessoa
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POSSUO AINDA EDIÇÕES ANTIGAS DE:

-REGRESSO AO SEBASTIANISMO - FERNANDO PESSOA- sem mencionar editora e data, apenas tem como número de tiragem - 156

-APRECIAÇÕES LITERÁRIAS -Bosquejos e Esquemas Críticos - Selecção e notas de Petrus - Colecção Arcádia - Editorial Cultura - Porto

-ENSAIOS POLÍTICOS - Ideias para a Reforma da Política Portuguesa - Edições «Acrópole» - C.E.P.

-ANTOLOGIA A MAÇONARIA, vista por Fernando Pessoa e Norton de Matos - Almagráfica -Porto


(AOS PESSOANOS, SE ASSIM PUDER SER, PEÇO QUE SE CONHECEREM, ME DÊEM INFORMAÇÕES SOBRE ESTES LIVROS, POIS NUNCA OS VI EM MAIS NENHUM LADO!!!!!)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

SIDA

ABRINDO GAVETAS...

(DALI)

O MEU PEQUENO/GRANDE MUNDO!...

Em criança o meu mundo era pequeno, nele cabia a família e alguns amigos da família, no entanto era um mundo sem limites!.. Era um mundo de sonhos, mas sem desejos (por isso não tinha limites). Esse meu mundo era um grande quintal, onde eu fazia a minha jardinagem e brincava com os animais. Este era todo o meu mundo e era um mundo feliz. Além desse mundo eu sabia que havia o centro da cidade, já que vivíamos numa zona calma da periferia. Ao centro da cidade ia, contrariada, quando a minha mãe queria que a acompanhasse e para mim era uma confusão. Sentia-me feliz naquele espaço físico fechado e mais ao menos limitado, se bem que na altura o devia ver muito maior que a realidade! A vida era praticamente sempre a mesma, excepto nos dias de saída com a minha mãe. Estava em casa com a mãe e a empregada, às vezes ainda aparecia uma costureira, para ajeitar alguma roupa e lá ficava eu também a fazer uns vestidos, para as bonecas. A minha irmã, mais velha do que eu 10 anos, ia para o liceu (assim se dizia nessa altura) e o meu pai ia trabalhar, saindo de manhã e só regressando à noite. Depois do jantar conversava-se e ouvia-se rádio, eu e a minha irmã, apesar das diferenças de idade brincávamos e não era raro acabarmos à «chapada». Dormíamos no mesmo quarto, em camas separadas e se íamos para a cama zangadas, eu passado pouco tempo já estava a dizer «deixa-me ir para a tua cama» e tudo ficava bem. Isto foi assim até aos 6 anos, idade em que iniciei os estudos. Lembro-me de muita coisa, que anteriormente descrevi, complementado com as conversas da família. Lembro-me muito bem, que rezava, a minha mãe assim me educou. E lembro-me que pedia a Deus duas coisas: que a minha mãe nunca morresse e que eu nunca crescesse!.. Com a ida para a escola, foi um drama para mim, ficava nas escadas a chorar e todos a dizerem-me que eu tinha que ir para a escola, com a empregada já no passeio à minha espera. Era uma criança muito tímida, nunca falava nas aulas e quando era obrigada a falar ficava «tomatinho encarnado». Aquele pequeno mundo, tão grande para mim tinha-se alargado e só muito gradualmente fui superando os receios. Tinha deixado um estado de pureza, para entrar num de pesquisa. A escola estava dividida, de um lado estavam os rapazes, do outro as raparigas. As minhas maiores humilhações desse tempo foram: um dia, dado a minha vergonha de pedir para ir ao WC, fiz xi-xi nas calças, claro que fui alvo da maior chacota, as raparigas disseram aos rapazes e todos me chamaram uma coisa, que nem é preciso mencionar. Não queria pôr mais os pés na escola, mas lá continuei. Outra situação desagradável, foi ter chamado a um rapaz que era muito mais alto do que os outros, girafa. Ele foi fazer queixa à minha professora e esta obrigou-me a pedir-lhe desculpa, todas as minhas colegas estavam presentes e riram-se bastante. Gradualmente comecei a modificar-me, a vencer a timidez e até a fazer as minhas asneiras, quando estava com colegas/amigas. Provocávamos os rapazes, porque eles nessa altura também se sentiam inibidos com as raparigas. Tudo passou a ser mais divertido para mim, no entanto sempre gostava de regressar ao meu pequeno mundo, àquele mundo onde me sentia bem, a tirar as ervas daninhas aos canteiros e, os caracóis e os lagartos às plantas. Que saudades eu tenho desse pequeno mundo!...