«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 31 de agosto de 2010

EXCERTO DO PLANETA DAS PEÚGAS RÔTAS - MIA COUTO

CONTINUANDO A REFLECTIR NESTA CONFERÊNCIA DE MIA COUTO


As palavras moram tão dentro de nós que esquecemos que elas têm uma história. Vale a pena interrogar a palavra "pessoa" e é isso que começo por fazer, de modo simples e sumário. A palavra "pessoa" vem do grego antigo Persona. Este termo Persona tem a ver com máscara, tem a ver com Teatro. Persona era o espaço que ficava entre a máscara e o rosto, o espaço onde a voz ganhava sonoridade e eco. Na sua origem, a palavra "pessoa" referia um vazio que era preenchido por um fingimento, o fingimento do actor. Veremos que não estamos longe, de nos escondemos por trás de um máscara, na encenação dessa narrativa a que chamamos vida.Nas línguas do Sul de África, a palavra "pessoa" é uma categoria particularmente interessante. Um linguista alemão notou no século XIX que muitas línguas africanas do Sul do Sahara diziam "pessoa" usando basicamente a mesma palavra: mantu, no singular, e bantu, no plural. Ele chamou a esses idiomas de "línguas bantus" e, por extensão, os próprios povos passaram a ser designados de "povos bantus". O que é estranho porque, à letra, se estaria dizendo que existe um conjunto de povos a quem se chama os "povos pessoas". Recordo-me de um tocador de mbira, um camaronês chamado de Francis Bebey que encontrei na Dinamarca. Perguntei-lhe se tocava música bantu e ele riu-se de mim e disse: meu amigo, os chineses são tão bantus como os africanos.De qualquer modo, a ideia de pessoa em África tem origem diferente e percorreu caminhos diversos da concepção europeia que hoje se globalizou. Na filosofia africana cada um é porque é os outros. Ou dito de outro modo: eu sou todos os outros. Chega-se a essa identidade colectiva por via da família. Nós somos como uma escultura maconde ujaama (Ujaama significa Unidade), somos um ramo dessa grande árvore que nos dá corpo e nos dá sombra. Distintamente daquilo que é hoje dominante na Europa, nós olhamos a sociedade moderna como uma teia de relações familiares. Como veremos, esta visão tem dois lados: um lado positivo que nos torna abertos e nos conduz àquilo que é universal; e um outro lado, paroquial e provinciano que nos aprisiona na dimensão da nossa pequena aldeia. A ideia de um mundo em que todos somos parentes é muito poética, mas pode ser pouco funcional. Todos conhecemos o discurso do moçambicano comum: o governo é o nosso pai, nós somos filhos dos poderosos. Esta visão familiar do mundo pode ser perigosa, pois convida à aceitação de uma ordem social como se ela fosse natural e imutável. A modernidade está soprando nos nossos ouvidos algo muito diverso que obriga a um rasgão dentro de nós.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O PLANETA DAS PEÚGAS ROTAS - MIA COUTO (EXCERTO)


… vivemos uma sociedade que tem uma característica muito curiosa: aqui se glorifica o indivíduo mas se nega a pessoa. Parece um contra-senso mas não é. Afinal, há distâncias entre estas duas categorias: indivíduo e pessoa. O que nos faz ser pessoa não é o Bilhete de Identidade. O que nos faz ser pessoa é aquilo que não cabe no BI. O que nos faz pessoas é o modo como pensamos, como sonhamos, como somos outros. Estamos, enfim, falando de cidadania, da possibilidade de sermos únicos e irrepetíveis, da habilidade de sermos felizes.Um dos problemas do nosso tempo é que perdemos a capacidade de fazermos as perguntas que são importantes. A escola nos ensinou a dar respostas, a vida nos aconselha a que fiquemos quietos e calados. Uma das perguntas que pode ser importante é esta: o que é que nos dificulta o caminho para transitarmos de indivíduos para pessoas? O que precisamos para sermos pessoas a tempo inteiro?

sábado, 28 de agosto de 2010

PORTUGAL, PORQUE SIM

Podia chamar-te pai, asa de fogo, planta agreste,
alpendre aberto ao feitiço das estrelas.
Podia aninhar-me no casulo do teu abraço
e adormecer com o mistério que alimenta as tuas lendas.
Podia recordar os nomes dos rios e das serras
e das linhas secundárias que cruzam vales e montanhas.
Podia perguntar pelos teus filhos
esquecidos há muito nas errâncias deste mundo.
Podia querer interpretar a tua melancolia
como um sinal de saudade da grandeza perdida.
Podia reabrir, em página incerta, os teus livros raros,
os dos poetas que engrandeceram as título póstumo,
como os heróis, em pátria de carpideiras
e de oficiantes da mais daninha e entranhada inveja.
Podia entrar nas tuas casinhas baixas,
as de granito e as pintadas com a mansa alvura da cal.
Podia afagar-te as barbas brancas
que se tornaram salgadas no fragor das batalhas.
Podia desenterrar os teus mortos
só para saber que sonhos traídos os levaram à cova.
Podia desmascarar os vendilhões que falam em teu nome
como se falassem de negócios reles numa banca de feira,
Podia perguntar-te porque atravessas cabisbaixo
os largos das aldeias desertas e queres saber
o paradeiro dos teus filhos silenciosos e distantes,
daqueles que tomaram outros rumos
com a dor da tua ausência a ferir-lhes o peito.
Podia deitar-me ao teu colo
como se me deitasse na cama de urze
à beira dos promontórios que vigiam as fúrias do mar.
Podia chorar no teu ombro cansado todas as desditas
que foste obrigado a consentir e a calar.
Podia contar aos meus netos os feitos
do Gama, de Magalhães e de Cabral
e desenhar um mapa de glórias navegantes
só para eles saberem que um dia
usaste a efémera coroa de algas dos reinos do mar.
Podia pedir-te e dar-te contas
de tudo aquilo que sonhámos e não alcançámos.
Podia fazer tudo isso e muito mais,
mas prefiro vislumbrar na tristeza dos teus olhos
a ternura com que segues o rasto das aves e das estrelas
e depois abraçar-te e dizer-te: meu querido Portugal,
serás, até ao fim, a luz que não se apaga nem se rende
quando sonhamos com tudo aquilo que ainda te falta ser.
.
José Jorge Letria


QUADROS DE MAGRITTE

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

QUE RAIVA EU TENHO À RAIVA!:..

Blogagem colectiva sobre sentimentos. Promotora, Glorinha L. de Lion (Blog Café com Bolo).Tema «RAIVA»

A raiva, antes de mais é uma doença, a propósito fui fazer pela net uma pesquisa, para ficar mais informada e deixo um pequeno apontamento histórico.
Durante séculos, a raiva despertou nas pessoas grande terror. A cura não existia, era um flagelo e as pessoas doentes eram abandonadas, até que no século XIX, Louis Pasteur chegou, pelas suas experiências, à vacina contra raiva (1822-1895).
O drama começava quase sempre da mesma maneira, um lobo ou um cão raivoso chegavam a um núcleo urbano, com os olhos revirados e a boca babando, o animal atravessava uivando as ruas. As pessoas escondiam-se e os sinos tocavam, para os homens com paus e uma foice na ponta, matarem o animal. Eram animais enormes, quando mordiam, provocavam profundos ferimentos. Os lobos eram, os principais vectores da raiva e transmitiam a doença aos cães.


Após uma mordida virulenta e um período de incubação mais ou menos longo, as alterações do comportamento do cão iam aparecendo. O cão ficava triste, melancólico ou muito alegre e carinhoso. Obedecia sem morder, mas já era perigoso, uma vez que a saliva continha o mal. Depois a sua agitação aumentava, a doença assumia formas furiosas, com acessos de alucinação. O som do latido tornava-se rouco e abafado, a nota final era bastante aguda e a boca não se fechava totalmente. Surgiam fenómenos de paralisia: as pernas posteriores ficavam enfraquecidas e o andar incerto. O cão acabava por se deitar e a morte ocorria quatro ou seis dias contados do início dos sintomas.

(Descrição de um padre na Idade Média)

A morte dos seres humanos mordidos por um lobo ou por um cão raivoso não era menos tormentosa.

Os remédios para combater a raiva eram frequentemente cruéis e bizarros. Segundo as crenças populares, o tratamento mais eficaz era através do fogo. Uma vez contaminado, o paciente devia ir o mais rápido possível à oficina de um ferreiro para que a ferida fosse queimada com um ferro quente. A vítima era amarrada e o ferreiro queimava a mordida o mais profundamente possível. Outros tratamentos: banho de vapor quente, prolongado até o esgotamento; comer cebolas cruas, consumidas em grande dose. Outro relato interessante, para tentar a cura: Pegue numa galinha viva, depene o seu traseiro e aplique-o sobre o local afectado. Mantenha-a assim por longo tempo e aperte o seu pescoço até que a galinha abra o traseiro e 'extraia' assim o veneno. Depois, moa nozes com sal para fazer um emplastro, que deve ser aplicado no lugar.
A raiva hoje é prevenida, com a vacina obrigatória aos animais.


O tema RAIVA, foi sugerido para escrever sobre as «raivas» humanas. Não sou psicóloga, embora goste de ler sobre essa matéria e procure psicologicamente compreender as pessoas, obviamente sem a metodologia adequada, que os profissionais têm sobre este assunto.

Como já manifestei na abordagem de outros sentimentos, o exacerbamento dos mesmos é sempre prejudicial, assim acontece com o excesso de raiva, que passa a ser uma doença a necessitar de terapia, mas como é próprio e normal todos a sentimos!
Aquele momento de raiva, que ocorre por determinada contrariedade, considero que é absolutamente natural e pode ser libertador, quando algo corre diferente ao que era previsto, quando uma pessoa com más intenções tropeça em nós, quando uma doença aparece, quando as injustiças revoltam, quando...quando...quando… Sempre procuro não fazer disso um espectáculo, porque considero que por mim e pelos outros, devo conter meus ímpetos mais irracionais, mas já dei alguns murros na parede e a parede não se queixou, só eu!
Com a vivência fui relativizando muita coisa. Considero que por vezes se fazem muitas tempestades num copo de água e, depois sente-se culpa e arrependimento, porque a frio vimos o quanto exageramos. Obviamente que também já senti raivas contra mim! Sinto raiva de ter feito ou ter dito, o que não devia ter feito ou ter dito. Também já sofri com a raiva dos outros e como ela pode ser atroz! Aquele olhar gélido, aquele esgar de monstro, aquelas palavras duras e agressivas…Há pessoas que de facto são de grandes raivas!..E há situações onde as raivas, mais irracionais acontecem, por exemplo em guerra!


A minha mãe teve uma vivência complicada, filha de pais separados, nunca teve a presença da mãe. Eu não sei bem como tudo se passou, apenas sei que o meu avô, além de ser um político do contra, era um homem de tertúlias e amantes. Com certeza a minha avó, que eu nunca conheci, não aguentou e foi-se exilar na província. Tinham três filhas, a minha mãe era a mais nova. A mais velha, que já era casada, albergou as outras duas na sua casa. A minha mãe, depois casou e ficou viúva muito cedo, com uma criança pequena e só passados alguns anos voltou a casar. Penso que tudo isto que ela viveu, lhe arrasou o sistema nervoso, porque cedo teve que fazer tratamento psiquiátrico. Só que a minha mãe era uma doente rebelde e, por vezes não fazia a medicação como devia ser. Nas suas instabilidades, os seus exacerbamentos temperamentais, ficaram muito marcados em mim. Sentia-me de facto muito incomodada com isso e, todos os dias vivia preocupada com o que pudesse acontecer. Isso marcou-me bastante, por isso não gosto de alimentar discussões, não gosto de ver ninguém discutir e sou de facto mais reflexiva do que impulsiva. Quando vejo que uma pessoa está exaltada, o mais natural é cair no silêncio e procurar falar com essa pessoa, quando estiver mais calma, de certo modo actuo dentro daquilo que o meu pai também fazia, quando a minha mãe procurava uma discussão, sim porque de facto, há muita gente que gosta de discutir e de ganhar discussões!
Pinturas de Bernhard Hessing

LENDO O JORNAL...

Presidente da Venezuela foi a Cuba falar com Fidel de Castro
Tem subrevivido e está com bom aspecto, apesar de tantos o quererem «matar»!
A agricultura atravessa a pior crise dos últimos 30 anos.

É sempre a pior, a pior, Portugal é um poço sem fundo!
Portugal perdeu mais de 12 mil empresas em dois anos

O sistema adoptado pelo Governo, na generalidade é o culpado!
Cinco países da UE estão a expulsar ciganos. Movimento migratório dos cidadãos de etnia cigana está a pôr em causa as fragilidades da livre circulação de pessoas na União.

Estipular regras parece-me necessário!

Paquistão sofre tsunami em câmara lenta


O país espera novas cheias no extremo Sul, onde as águas ainda não tinham chegado, enquanto o Norte acorda para a destruição já provocada. A ajuda humanitária tarda.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que este "tsunami em câmara lenta" é uma catástrofe cujos "poderes destrutivos vão acumular-se e crescer com o tempo".Mas os países ocidentais foram lentos na ajuda - quase três semanas passaram sem grandes doações. EUA, Arábia Saudita e Alemanha anunciaram entretanto quantias mais substanciais (150 milhões de dólares, 78 milhões de euros e 19,6 milhões de euros, respectivamente). As razões para esta demora vão desde a fraca exposição mediática do desastre até ao medo de que o dinheiro caísse nas mãos de governantes corruptos ou, pior, dos taliban.
ESTA DE FACTO É A NOTÍCIA QUE MAIS ME IMPRESSIONA, TODA AQUELA GENTE SOFRE PELA TRAGÉDIA NATURAL OCORRIDA E PELA FALTA DE APOIO, POR RAZÕES POLÍTICAS.
[Notícias e fotografias «Jornal Público»]

terça-feira, 24 de agosto de 2010

PALÁCIO DA BREJOEIRA

Hermínia Pais, recebeu de presente este belo palácio. Um servo a mando do pai entregou-lhe numa almofada de veludo vermelho, um pequeno cordeiro e uma chave.
Hermínia Pais, hoje com 92 anos, perdeu a mãe em criança, teve uma dura vida com a madrasta, até ao fim dos dias da mesma. O seu pai com variados negócios em Lisboa, decidiu comprar uma propriedade na província. Vendo várias casas, acabaram por chegar aos arredores de Monção e viram o palácio. O motorista parou e o pai disse: isto sim! Decorria o ano de 1937.
O Palácio foi construído em 1806, por um abastado fidalgo e encontrava-se à venda. Nada foi decidido e regressaram a Lisboa, mas o palácio não mais saiu do pensamento e, depois de posteriores visitas, a compra foi feita e o presente foi dado.


As festas que lá aconteciam eram restritas e o palácio visto do exterior supera a mais fértil imaginação. Sempre que passava por lá, como está no meio de nada, ficava quase em estado de choque, parecia que uma máquina do tempo, me levava para outros tempos.
Presentemente o Palácio abriu as suas portas a visitas.
No seu interior agora podem ser vistos lustres de cristal e bronze gigantescos, luxuosas tapeçarias, mobílias lacadas a ouro, de madrepérola e pau-preto, pratas e loiças do Oriente, tectos de caixotões, ornamentados com frescos. Junto à entrada um teatro palatino e após um lanço de escadas com longa passadeira vermelha, um jardim de Inverno, com vitrais e uma escultura do rei D. Manuel II. Outro lanço de escadas e chega-se a uma imensa biblioteca, que dá para amplos salões, sala do trono, dedicada ao rei, salas de fumo, de jantar e de armas.
No salão dos retratos régios com decoração francesa, está o retrato de Hermínia Pais com 18 anos, D. José I, D. Maria I, D. João VI e D. Manuel II. No salão de jantar uma longa mesa para 28 pessoas. A visita dá acesso ao quarto onde dormiu D. Manuel II, uma cama de dossel, com colchão de crinas de cavalo repousa sobre tapeçaria persa. A sala de armas, dá para um jardim repleto de camélias, com um lago de nenúfares, que dá acesso ao bosque.
Por lá dizem que em 1956, Salazar e Franco tiveram uma reunião secreta.
Hermínia Pais não casou, mas criou um filho, o famoso vinho Alvarinho do Palácio da Brejoeira.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

COMO A CIDÁLIA ME FAZ SORRIR, com as suas crónicas no NM…


ACERTAR O TEMPO

Uma nova paixão exige um trabalho de preparação. As roupas exteriores e interiores, o perfume, o bom aspecto, um olhar sedutor, as palavras…Depois acontece. É uma noite de combate, impossível dormir, porque é um dilema, o tempo em que os dois se devem manter no acto sexual, não podem dar parte de fracos. Ele vai-se manter até mais não poder e ela vai ter muito que gemer! Algumas horas depois, vão suspirar de alívio e jurar que foi bom, mas pensando em certos filmes muito longos, «se lhes pudesse tirar umas três horas»! Com a continuidade também há aquele caso, muito banal, ela precisa de muito mais tempo e ele despacha a coisa em 10 minutos! Acertar o tempo não é fácil...




MANIPULAÇÃO

Teremos todos um lado manipulador e mentiroso? Ela era manipulada, depois começou a manipular um outro. Será que isso é contagiante? É por vingança? Mas não deu resultado! Ela de quem gostava era do manipulador, mas não da manipulação. Ele aparecia de vez enquanto, cheio de mentiras, ela dizia, para si mesmo: «não aguento isto», mas caía sempre na manipulação. Ela sabia que estava a ser estúpida e não conseguia sair disso. Ninguém a podia ajudar. Só ela podia resolver esse problema! Isto não era amor, era uma consumição!


OUSADAS E SANTINHAS

Conhecem-se e têm assim um encontro de loucura, no jardim, numa rua erma, no carro…Quando acaba, ela vai dizer «não costumo fazer isto»! Ela sente-se culpada pelo arrojo, com receio que ele não volte. Para ele é rotina. As mulheres querem ser ousadas e santinhas, difícil é ser como eles! As mulheres continuam a ser malucas se bebem e, se saírem sós, umas galdérias! Não é justo, para eles basta serem! Não digam, «eu não costumo fazer isto», reclamem, assim ele ficará a pensar que na próxima, vai estar mais preparado. Mulheres emancipadas e sabidas assustam os homens! Não se desculpem, utilizem a táctica deles, não sejam falsamente boazinhas, sejam manhosas, eles também não conquistam com um jantar com música e flores e depois o romantismo, desaparece num instante!... Não digam «eu não costumo fazer isto» digo antes «podia ter sido melhor», eles ficam espicaçados, para uma próxima vez, querem mostrar que são bons, todo o homem deseja isso.

A CIDÁLIA É MUITO SARCÁSTICA!...

AFINAL EDUCAÇÃO SEXUAL SIM OU NÃO?

A lei foi decretada em 1984, sempre causou polémica e sofreu adiamentos.
Os pais alegam que o Estado está a meter-se numa área exclusiva da família e consideram que as aulas são um incitamento precoce ao sexo e temem os esclarecimentos sobre contraceptivos, homossexualidade, masturbação!..


Considero que esta é uma área em que o Estado tem toda a legitimidade em se meter, faz parte de uma obrigação constitucional, a educação da saúde dos portugueses e este também é um problema de saúde. O Estado também faz consultas de planeamento familiar aos jovens, sem autorização dos pais e a venda de contraceptivos é livre. De notar que o Estado consagra o princípio da liberdade e da autodeterminação sexual, isto deve fazer reflectir os pais.

Estudos feitos aos jovens revelaram, que estes, procuram geralmente esclarecer as suas dúvidas, não com os pais, mas com os amigos, porque têm mais à-vontade para falar de sexo com os amigos. É isso que os pais preferem? Ou saberem que os filhos têm informações especializadas na escola sobre este assunto?

domingo, 22 de agosto de 2010

SÊLO - BLOGUE DE OURO


Este selo veio da Em@ do Blogue http://emapretoebrancoouacores.blogspot.com/
a quem agradeço reconhecidamente a sua amizade.
Este prémio é para ser passado a outros blogues, mas eu sou sempre uma quebra regras, (desculpa Em@)não há nada a fazer! Por esta razão, quem passar pode levar, porque será sempre muito bem entregue.
No blogue da Em@ conheci a cantora Concha Buika, que tem uma voz formidável.

INCEPTION

"A Origem" é um "heist movie" interior, viagem fantástica aos corredores neurais da mente humana, em busca de um "macguffin" hitchcockiano que, na realidade, talvez nunca tenha existido. Afinal, este não é um filme qualquer: é o novo de Christopher Nolan, talvez o mais singular realizador a trabalhar neste momento dentro do sistema americano, capaz de impor a sua visão descentrada aos grandes estúdios e de arriscar milhões num policial onírico e surreal de grande orçamento e elenco "all-stars" que parte do princípio de que os espectadores são gente inteligente capaz de pensar por si. (O que, face ao que os estúdios de Hollywood actualmente produzem, quase parece uma ideia radical.)




«A ORIGEM» - DE CHRIS NOLAN - PLAGIO DO TIO PATINHAS?
A notícia circula na internet e aponta as coincidências entre os argumentos. Em, The dream of a lifetime», os irmãos metralha, roubam uma máquina inventada pelo professor Pardal para entrarem nos sonhos do Tio Patinhas e descobrirem o segredo para entrar na caixa-forte. Para os impedir, Donald utiliza o mesmo equipamento numa perseguição atribulada pelas memórias do Tio Patinhas, em cenários em constante mudança, como o velho Oeste, as planícies australianas ou o Titanic. No filme «A Origem», um bando de assaltantes invade os sonhos das suas vítimas para se apoderar dos seus segredos. O realizador americano já contestou a notícia.

sábado, 21 de agosto de 2010

GRÉCO A PERSISTENTE «MUSA»


A sua aura rebelde marcou toda uma geração, aliando a voz grave e a forma sentida de cantar a um toque sensual realçado pelas roupas pretas e pelos longos cabelos negros. Foi uma musa nos meus tempos, quando eu com 14 anos comecei a namorar e logo com um «dito» existencialista. Resultado fiquei contagiada e andei por casa a arranjar toda a roupa preta possível, da minha mãe e da minha irmã, para grande consumição da minha mãe, que considerava impróprio para a minha idade. Às vezes pessoas conhecidas perguntavam-me por quem eu estava de luto! Eu e o meu namorado, Evaristo, mais conhecido por Bito, andávamos naquela de livros de Sartre, Camus, Beauvoir, debaixo do braço, que íamos comprar aos alfarrabistas. Iamos debater aquilo tudo para o Jardim da Arca d’Água. O entusiasmo era tanto, que nos baldávamos às aulas. Que bons tempos!
Gréco entre outros cantores, era uma musa, ela era mesmo a «musa de Saint Germain-des-Prés», o bairro boémio de Paris e como nós sonhávamos em ir lá!

Gréco tem 83 anos, nasceu em 1927 e, mantêm-se em actividade. Gravou agora um CD de música rap, assinalando os seus 60 anos de carreira. Embora não goste de rap, gosta da mensagem e de estar com os jovens.
Gréco viu a mãe a ser presa pelos alemães na Segunda Guerra, por actividades na Resistência e depois ela própria e a irmã foram detidas pela Gestapo. Depois da guerra, começou a relacionar-se com os meios intelectuais da época. O filósofo existencialista Sartre, ofereceu-lhe uma letra para uma canção, que ela cantou no seu espectáculo de estreia. Depois gravou um disco, je suis comme je suis, escrito por Jacques Prévert, que se tornou um clássico e a sua imagem de marca.
MAIS SOBRE GRÉCO
AQUI

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

AMOR-PRÓPRIO

Blogagem colectiva sobre sentimentos. Promotora, Glorinha L. de Lion (Blog Café com Bolo).Tema «AMOR-PRÓPRIO»
Metamorfose de Narciso – Salvador Dali


Não é fácil escrever sobre sentimentos e emoções e mais difícil se torna escrever em nome próprio. Será que me analiso de uma forma neutra? Será que os outros podem-me analisar mais correctamente?
Vejamos o que poderei escrever sobre o assunto!.. Se não tenho algum amor-próprio, ando por aí como a lagartixa, sujeita a levar alguma esmagadela! Tenho que gostar de mim o suficiente para não entrar em conflito comigo, e todos os dias procurar saber mais um pouco, para manter os meus bons níveis de auto-estima, porque não adianta palavrinhas ranhosas aos meus ouvidos, eu é que tenho que sentir isso. Além disso o amor-próprio defende-me contra ofensas à minha integridade. Mas isto está à margem de ser egoísta e fazer o centro do mundo no meu umbigo.
Tenho necessariamente que me sentir bem comigo própria. Vaidade na dose certa e arrogância que baste, é essencial numa sociedade diversificada!
Evidentemente que amor-próprio pode implicar aqueles estados caóticos de excesso. Um complexo de superioridade, por trás tem sempre um de inferioridade, os mestres dizem que eles andam juntos, como uma mescla! O exacerbamento do amor-próprio, lembra-me o chamado complexo do narcisismo!

Narciso - Caravaggio

Uma ninfa bela e graciosa tão jovem quanto Narciso, chamada Eco amava um rapaz em vão. A beleza de Narciso era tal, que ele pensava que era semelhante a um deus. Narciso rejeitou a afeição de Eco, até que esta, desesperada, definhou, deixando apenas um sussurro débil e melancólico. Para dar uma lição ao rapaz frívolo, a deusa Némesis condenou Narciso a apaixonar-se pelo seu próprio reflexo na lagoa de Eco. Encantado pela sua própria beleza, Narciso deitou-se no banco do rio e definhou, olhando-se na água. As ninfas construíram-lhe uma pira, mas quando foram buscar o corpo, apenas encontraram uma flor no seu lugar: o narciso.
(HÁ OUTRAS VERSÕES)

Eco e Narciso - Waterhouse

Como em tudo, o meio-termo é que seria o ideal e, lá bem a moral, ama o outro como a ti próprio!..Vivemos com ou outros e vaidade e arrogância, só vão criar um fosso entre as pessoas.
Nunca se apelou tanto ao amor, amor pelos que são descriminados em todos os aspectos, sejam eles crianças, velhos, deficientes, sejam eles de que religião, raça, política forem…amor pelos animais…amor pela natureza…AMOR, AMOR, AMOR…realmente o mundo está a precisar de AMOR, mas vai vivendo pelos interesses mais imediatistas e materiais, onde se evidencia a vaidade e a arrogância e com eles o egoísmo e o individualismo.
E que dizia Rousseau sobre o amor-próprio?


O Limite Saudável do Amor por Nós Próprios

O amor por nós mesmos, sente-se satis­feito quando as nossas verdadeiras necessidades ficam satisfeitas; mas o amor-próprio - que se pretende comparar com ele - nun­ca se sente satisfeito nem o poderia estar, porque esse sentimen­to, que nos leva a preferirmo-nos aos outros, também exige que os outros nos prefiram a eles próprios; ora isso é impossível. Eis co­mo as paixões suaves e afectuosas têm origem no amor por si pró­prio, e como as paixões de ódio e de ira provêm do amor-próprio. Assim, o que torna o homem essencialmente bom é o facto de ter poucas necessidades e de pouco se comparar com os outros; o que o torna essencialmente mau é ter muitas necessidades e preo­cupar-se muito com a opinião. Sobre este princípio, é fácil ver co­mo se podem dirigir - para o bem ou para o mal - todas as pai­xões das crianças e dos homens.

Jean-Jacques Rousseau, in 'Emílio'

CONHECER!?...


Persona - filme de Ingmar Bergman




Conhecer uma pessoa e ficar com a ideia que se conhece mesmo e que ela nos conhece, é uma pura ilusão! Confiamos. Pomos tudo no fogo, sabendo que pode ser um erro, mas pomos, esperando que não seja um erro ou até mesmo que o seja. O mais certo é errar, quando sobre nós mesmos erramos. Pensamos até, que sabemos o que pensam, com uma certeza e incerteza com o que pensamos para nós próprios, nos nossos solilóquios!
Podemos desistir de nos enganar, quando o desencanto, vence a curiosidade! Ficamos no silêncio, no seguro dos ferrolhos fechados, mas também ficamos mortos!
Concordo com o que diz o escritor Philip Roth:

«Erramos sobre as pessoas antes de as encontrarmos, enquanto antecipamos o encontro; erramos enquanto estamos com elas; e depois vamos para casa e contamos a alguém como foi o encontro e erramos de novo. Como o mesmo sucede com outras pessoas em relação a nós, a coisa acaba por ser uma deslumbrante ilustração vazia de qualquer sentido, uma espantosa farsa de mal-entendidos. E que havemos nós de fazer quanto a este terrivelmente significante assunto que são as outras pessoas, assim esvaziadas do significado que achámos que tinham e parecendo-nos antes caricato, tão incompletamente incapazes somos de penetrar nos íntimos desejos uns dos outros? Será que temos todos que desaparecer e trancar a porta e sentarmo-nos isolados como os escritores solitários, numa cela insonorizada, convocando pessoas através da escrita e fazendo de conta que essas pessoas são feitas de palavras, são mais reais do que as pessoas verdadeiras que desfiguramos com a nossa ignorância todos os dias? A verdade é que a vida não é acertar no que as pessoas são. Viver é errar sobre as pessoas, errar, errar, errar e depois, voltando a pensar cuidadosamente sobre o assunto errar outra vez. É assim que sabemos que estamos vivos: erramos. Talvez o melhor fosse esquecer isto de acertar ou errar no que às pessoas diz respeito e limitarmo-nos a deixar-nos ir. Mas, claro, é sortudo o que conseguir fazer isso.»

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

CARTA A MEUS FILHOS - JORGE DE SENA


Carta a Meus Filhos

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós.
Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver.
Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente â secular justiça,
para que os liquidasse
“com suma piedade e sem efusão de sangue.”
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente
quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas
para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido
ou não tinham consciência de haver cometido.
Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande,
cheio de fúria
e de amor.
Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo,
que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero.
Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão.
Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão?
Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões,
quem restitui não só a vida,
mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos,
pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam “amanhã”.
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

JORGE DE SENA «O ESCRITOR PRODIGIOSO»

Jorge Cândido de Sena (1919 — 1978) foi poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário.
Foi, possivelmente, um dos maiores intelectuais portugueses do século XX. Tem uma vasta obra de ficção, drama, ensaio e poesia, além de vasta epistolografia com figuras tutelares da história e da literatura portuguesas. O seu espólio conta com uma enorme quantidade de inéditos em permanente fase de preparação e publicação, aos cuidados da viúva, Mécia de Sena (irmã de Óscar Lopes).
A sua obra de ficção mais famosa é o romance autobiográfico, Sinais de Fogo, adaptado ao cinema em 1995 por Luís Filipe Rocha.
BIOGRAFIA: AQUI
De espírito livre e independente, Jorge de Sena, era opositor ao regime. Depois de uma constante perseguição da Pide, exilou-se no Brasil em 1959 e teve um mandato de captura passado por Salazar, que só foi anulado por Marcelo Caetano. Durante 10 anos não pode vir a Portugal.
No Brasil, onde se naturalizou, ocorreu em 1964 o golpe de Estado da direita e Sena foi para os Estados Unidos.
Veio a Portugal no 25 de Abril, mas estava esquecido, à sua volta gerou-se o silêncio! Nenhuma universidade ou instituição cultural portuguesa se dignou convidar o escritor, para qualquer cargo que fosse. Desiludido e amargurado, decidiu continuar a viver nos Estados Unidos, onde tinha a sua carreira estabelecida. Foi embora desencantado, dizendo, Portugal é um país de ódios.
Tem uma vasta e diversificada obra poética.
AMO-TE MUITO. MEU AMOR, E TANTO
.
Amo-te muito, meu amor, e tanto
que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda
depois de ter-te, meu amor. Não finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.
.
Que encanto é o teu? Se continua enquanto
sofro a traição dos que, viscosos, prendem,
por uma paz da guerra a que se vendem,
a pura liberdade do meu canto,
.
um cântico da terra e do seu povo,
nesta invenção da humanidade inteira
que a cada instante há que inventar de novo,
.
tão quase é coisa ou sucessão que passa...
Que encanto é o teu? Deitado à tua beira,
sei que se rasga, eterno, o véu da Graça.
.
CAMÕES DIRIGE-SE AOS SEUS CONTEMPORÂNEOS


Podereis roubar-me tudo:
As ideias, as palavras, as imagens,
E também as metáforas, os temas, os motivos,
Os símbolos, e a primazia
Nas dores sofridas de uma língua nova,
No entendimento de outros, na coragem
De combater, julgar, de penetrar
Em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
Suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
Outros ladrões mais felizes...
Não importa nada: que o castigo
Será terrível.
Não só quando
Vossos netos
não souberem já quem sois
Terão de me saber melhor ainda
Do que fingis que não sabeis,
Como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
Reverterá para o meu nome.
E mesmo será meu,
Tido por meu, contado como meu,
Até mesmo aquele pouco e miserável
Que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
Que um vosso esqueleto há - de ser buscado,
para passar por meu,
E para outros ladrões,
Iguais a vós, de joelhos,
porem flores no túmulo.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

CINEMA EM CASA



Aritmética Emocional
De: Paolo Barzman
Com: Susan Sarandon, Gabriel Byrne, Christopher Plummer, Max von Sydow


Em 1945, Jakob Bronski, um jovem detido num campo de concentração, acolhe e protege duas crianças recém-chegadas: Melanie e Christopher. Dadas as circunstâncias, os três ficam unidos por um forte laço sentimental. Quarenta anos depois, Melanie (Susan Sarandon) é uma bela mulher com 50 anos e um casamento em risco devido à sua instabilidade emocional. Inesperadamente, Melanie descobre que Jakob, que ela pensava que morrera em Auschwitz, está vivo. Resolve então convidá-lo para a sua casa. Jakob aceita o convite e faz-se acompanhar por Christopher (Gabriel Byrne), o seu amigo de infância. Christopher nunca confessou a Melanie que a amava, mas também não a esqueceu. Ao reencontrarem-se, os três são obrigados a confrontar os fantasmas do passado num difícil jogo de emoções. Este filme, é uma sequela, de uma sequela, de uma sequela...tem excelentes actores com destaque para Susan Sarandon e Max von Sydow



The Brown Bunny

De: Vincent Gallo
Com: Cheryl Tiegs, Chloë Sevigny, Vincent Gallo






Brown Bunny, realizado por Vincent Gallo é um filme monótono. Vincent Gallo é Bud Clay, um piloto de motocicletas e todo o filme é sobre a sua trajectória de New Hampshire até a Califórnia. Logo nas primeiras cenas se percebe que alguma coisa o angustia. Aos poucos descobre-se que foi a perda de sua namorada, Daisy (Sevigny). O objectivo da viagem é revê-la. E até chegar ao seu destino, Bud irá encontrá-la nas lembranças, nos lugares marcantes e nas pessoas, que visita. Ele está numa jornada em busca da redenção. Bud vai à casa onde viveram juntos à procura de Daisy, ele não quer reconhecer que ela morreu e carrega consigo a culpabilidade.
No hotel, Daisy aparece-lhe ele está muito magoado porque ela o traiu, mas pouco a pouco envolvem-se, com sexo explícito. Daisy diz-lhe que morreu porque foi «pedrada» por três homens que a violentaram, engoliu um vómito e morreu e, morreu também o filho de ambos. Culpa-o de ter assistido a tudo e nada ter feito.










Este filme ganhou destaque, pela cena de sexo explícito. A agência da artista, não a quis mais representar, mesmo tendo sido indicada para um Óscar, como actriz secundária, no filme, Meninos Não Choram.
Conhecido por suas excentricidades, Gallo produziu, dirigiu, escreveu, actuou. Muitos o acusaram de praticar um exercício de megalomania e exibicionismo. O filme foi vaiado na sessão de estreia no Festival de Cannes. Depois, o cineasta resolveu cortar aproximadamente 20 minutos da fita. A nova versão, mais contida, conquistou os mesmos críticos que o vaiaram. E foi assim que venceu o prémio da crítica no Festival de Veneza. Porém, a controvérsia sobre a cena de sexo oral envolvendo os dois protagonistas permaneceu. Muitas pessoas não vão ver o filme ou só irão por causa da cena explícita. Alguns até irão dizer que não havia necessidade. Talvez, mas os tempos são outros e o próprio Vincent Gallo confessou que não acredita em tabus. Ele acha o sexo a relação mais antiga e natural de todos os seres do planeta. Por que negar o óbvio?
A cena não é gratuita e tem forte conotação metafórica na narrativa. Ela tem um fundo na premissa básica do macho dominante. Deve ser prestada mais atenção ao que é dito do que ao próprio acto em si. Brown Bunny é um libelo sobre a culpa. O director soube construir com imagens esse conceito. A cena de sexo oral, que surge nos 15 minutos finais, é justamente a conclusão desse pensamento.
Alguns podem formular questões sobre qual era verdadeira intenção de Gallo. Seria um road movie introspectivo dos anos 70? Sim. Seria um filme sobre o amor? Também. Mas antes de tudo, é um filme sobre a culpa. E como essa culpa pode esmagar um homem e deixá-lo à deriva, sem destino.

CARAVAGGIO (1571 – 1610)

Igreja de s. Agostinho em Roma, a Senhora dos Peregrinos



400 anos passaram sobre a morte de Michelangelo Merise, dito CARAVAGGIO. Caravaggio, foi a terra onde nasceu. De família abastada teve como mestre Tiziano. Era aventureiro, agressivo e desabridamente sensual. Adolescente visita Veneza, vai para Roma, vivendo dos favores do Cardeal Francesco Maria del Monte. Era um homem inquieto, a sua força interior, explodia em violência e crime. Foi perseguido pela justiça, matou um nobre, Tommasoni e andou em fuga: esteve em Nápoles, Malta, Messina, Palermo. Com a possibilidade do perdão do Papa Pio V, parte para Roma, mas fica pelo caminho, o seu cadáver apodreceu numa praia de Argentário.
Malária? Assassínio?
Foi um génio que fez escola, um pintor inovador. Na Igreja de s. Agostinho em Roma, a Senhora dos Peregrinos, diviniza os pobres, mas em quase toda a sua obra a carnação luminosa das personagens é de uma sensualidade, que a regulação do Concílio de Trento, não podia aceitar, talvez por isso a morte aconteceu aos 38 anos.

Baco

Bacchino Malato

S. João Baptista

Músicos

SOBRE CARAVAGGIO: AQUI


FILME: Caravaggio: País de Origem: Inglaterra Género: Drama Direcção: Derek Jarman

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

À GRAÇA PEREIRA

Olá Graça,

FLORES PARA TI, ASSIM UM CANTEIRO DE FLORES, PORQUE É ASSIM QUE GOSTO MAIS DELAS
Não tenho conseguido entrar no teu blogue , aliás entro, mas é um problema ler e deixar comentário, o cursor fica dessincronizado. O que será o que não será? Não sei!...
Por não conseguir deixar ficar lá nada escrito, escrevo aqui, esperando que leias. Ao entrar no teu blogue ainda deu para trazer o selo que fizeste, comemorando as 102.000 visitas.

Aliás é assim:

-507 seguidores, que resultam de uma grande partilha de amizade, que mesmo virtual, passou a ser um complemento na vida, como dizia Fernando Pessoa, estranha-se e entranha-se!
-102 000 comentários, porque escreves muito bem, contas as tuas experiências de vida de uma forma muito especial, suscitando grande interesse.
Implícito em tudo está, que és uma pessoa muito generosa e humana, é consolador conhecer pessoas assim, portanto Graça os meus Parabéns e aquele grande abraço.

A «CASA E A TERRA»

Apeteceu-me ir descansar para a «terra»! O contacto com a Natureza pode fazer bem por alguns dias, até começar a aborrecer, quando os dias começam a ficar monótonos e já não há paciência para os mosquitos e para as moscas! Depois sendo uma casa só para férias, falta tudo! Televisão só 4 canais, depressa me canso do zapping, internet inexistente, aliás eu queria fugir ao computador, queria descansar os olhos! Restou-me dormir, mas o silêncio é tanto, que qualquer ruído é um barulhão!..


Dei uns passeios pelo jardim e pelo quintal, tirei fotografias…o melhor ainda era as mangueiradas, para atenuar o calor. Descobri uns relevos na terra, mas não vi nenhuma toupeira! Disseram que tinha aparecido um esquilo, mas eu não o vi! Uma vez na horta, deparei-me com um enorme ouriço-cacheiro. Agradável é ouvir a passarada e, à noite ver que há tantas estrelas no céu!



Esta casa fica a 20 Km do Porto (Grijó) pertencia e pertence à família do meu marido, aqui viviam os meus sogros, até terem que vir com a filharada toda para o Porto, por causa dos estudos, passando lá só a época de Verão . Quando morreram a casa ficou para os filhos e houve zanga. Isto de heranças é o diabo! Houve zangas que duram até hoje e, já lá vão uns anos.
Nesta casa vivi coisas boas e más, houve um tempo, em que se juntava a miudagem, os meus filhos gostavam de andar a apanhar morangos selvagens, aliás ali tudo é selvagem, as árvores de fruta não são tratadas, a fruta tem toda lagarto!

Safam-se os marmelos para a marmelada. A única coisa que é tratada é a horta, sem pesticidas e vai dando uns legumes, principalmente as famosas «pencas» para o Natal.

Até a vinha foi abandonada e no tempo dos meus sogros, beber o vinho que ali era feito era um privilégio e, muitos não passavam sem comer «as sopas de burro cansado». Hoje serve, para fazer sombra, sabe bem comer debaixo da ramada.
O interior da casa até é fresquinho, principalmente a loja, chamam loja ao rés-do-chão da casa que primitivamente era o sítio de alojar os animais e, hoje está transformada numa grande sala de jantar e estar.



E num alpendre, conservam-se as «amadas» avencas da minha sogra.