«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




domingo, 31 de outubro de 2010

OUTONO E AS CASTANHAS ASSADAS...

Chega o Outono, eles lá aparecem, os homens das Castanhas! Normalmente param nos jardins e fazem uma paisagem de encanto, envolvidos pelo fumo do assador, a névoa e às vezes a chuva miúda. Desde sempre, que gosto de castanhas assadas e lembro-me como elas eram um conforto! Saiamos da escola, à porta estava sempre o homem das castanhas, vínhamos enregeladas de frio e era bom aquecer as mãos no pacote das castanhas quentinhas, às vezes metia-se o pacote por dentro do casaco debaixo dos braços, para as manter quentinhas e lá vínhamos todas na «laracha»!

Está próximo o dia de S. Martinho, dia dos magustos, com castanhas e vinho novo, fazem-se festas, bailaricos…costumes ancestrais.


Acerca do assunto, escreve o conceituado etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990): «O S. Martinho, como o dia de Todos os Santos, é também uma ocasião de magustos, o que parece relacioná-lo originariamente com o culto dos mortos (como as celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos). Mas ele é hoje sobretudo a festa do vinho, a data em que se inaugura o vinho novo, se atestam as pipas, celebrada em muitas partes com procissões de bêbados de licenciosidade autorizada, parodiando cortejos religiosos em versão báquica, que entram nas adegas, bebem e brincam livremente e são a glorificação das figuras destacadas da bebedice local constituída em burlescas irmandades. Por vezes uma dos homens, outra das mulheres, em alguns casos a celebração fracciona-se em dois dias: o de S. Martinho para os homens e o de Santa Bebiana para as mulheres (Beira Baixa). As pessoas dão aos festeiros. vinho e castanhas. O S. Martinho é também ocasião de matança de porco.»
(in As Festas. Passeio pelo calendário, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987)

Antes de ser introduzida em Portugal a batata, cuja origem é do Peru, levada para Espanha em 1570 e de lá disseminando-se para a Europa e depois para todo o mundo, muita castanha se comia! Presume-se que a castanha seja oriunda da Ásia Menor, Balcãs e Cáucaso e acompanhou a história da civilização ocidental há mais de 100 mil anos. A par com o pistácio, a castanha constituía um importante contributo calórico.


O homem das castanhas
Letra: Ary dos Santos

Na Praça da Figueira,
ou no Jardim da Estrela,
num fogareiro aceso é que ele arde.
Ao canto do Outono, à esquina do Inverno,
o homem das castanhas é eterno.
.

Não tem eira nem beira, nem guarida,
e apregoa como um desafio.
É um cartucho pardo a sua vida,
e, se não mata a fome, mata o frio.

.
Um carro que se empurra,
um chapéu esburacado,
no peito uma castanha que não arde.

Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado
o homem que apregoa ao fim da tarde.
Ao pé dum candeeiro acaba o dia,
voz rouca com o travo da pobreza.
Apregoa pedaços de alegria,
e à noite vai dormir com a tristeza.

.Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.

.A mágoa que transporta a miséria ambulante,
passeia na cidade o dia inteiro.
É como se empurrasse o Outono diante;
é como se empurrasse o nevoeiro.
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
ardem no fogareiro dores tamanhas.

.Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.

.E o fado com música de Paulo de Carvalho, cantado por Carlos do Carmo

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

ENFIM CHEGARAM A A UM ACORDO!...

O SRº. PROF, DR. CAVACO E SILVA




O TAL DE:


«EU NUNCA ME ENGANO E RARAMENTE TENHO DÚVIDAS»

ESTA SEMANA APRESENTOU A SUA RECANDIDATURA E DISSE QUE ERA A PESSOA
MAIS INDICADA PARA O LUGAR DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, POR ISTO E MAIS AQUILO... REUNIU HOJE O CONSELHO DE ESTADO, DEVIDO AO PS E PSD NÃO TEREM CHEGADO A ACORDO.

SAIU FUMO BRANCO!...TINHA QUE SAIR! AQUELE TÃO DIFÍCIL ACORDO PARA A PASSAGEM NA ASSEMBLEIA DO ORÇAMENTO DE ESTADO, ACONTECEU!... UM ACORDO QUE NO FUNDO É PARA QUE PORTUGAL CONTINUE A USUFRUIR DE EMPRÉSTIMOS!...

EU APETECIA-ME DIZER AQUI MUITA COISA, MAS VOU SER COMEDIDA, VOU OUVIR OS «MESTRES» DA ANÁLISE POLÍTICA OU NEM ISSO! ESTE NÃO É O CAMINHO É MAIS UM DESVIO CONVENIENTE!...

PARABÉNS ALEXANDRE!!!!!

Olá Alex, o meu grande abraço de parabéns, com o desejo de um dia feliz, mas que se estenda por muitos dias felizes !..



Grata estou pela tua amizade, que vem do Japão e trás muita beleza desse país do SOL NASCENTE! Contigo tenho usufruído de muitos conhecimentos, que vão dos tempos ancestrais aos mais contemporâneos, sempre com um toque muito pessoal!


 
 http://lostinjapan.portalnippon.com/ de Alexandre Mauj Imamura Gonzalez - MERECE UMA VISITA!


SEMPRE FASCINADA PELO JAPÃO, DEIXO AQUI UM POUCO DA SUA ARTE E DA SUA MÚSICA, NÃO SÃO PRESENTES QUE DOU AO ALEX, SÃO PRESENTES QUE O ALEX ME DÁ A MIM!



















SAKAMOTO, CLARO!!!!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Adagio in G Minor (Albinoni)

IRISES IN MONET'S GARDEN - CLAUDE MONET (1900)

Para mim este quadro é uma explosão de cor e é uma grande explosão de vida! Lembrei-me quando era miúda, que tinha o meu canteiro e como isso me encantava e entretinha! Brincava com o «milagre» de plantar umas sementinhas, coisas de nada e mais tarde ver surgir um caule débil, que se enchia de folhas e um dia aparecia uma flor, que era para mim uma festa!

Ao ver este quadro, não consigo de todo abstrair-me, a sua contextualização de imediato surge à minha cabeça, quando se estuda um bocado de história de arte é natural que isso aconteça. Deste modo revejo todo o movimento impressionista, Monet e Impression, soleil levant, um dos seus quadros, que deu nome ao movimento.

Porque pintou Claude Monet tantas flores? Era um apaixonado pela Natureza, pela sua luz e cor. Na sua casa em Giverny, tinha belos jardins (casa e jardins podem ser visitados), com grande profusão de cores, pela mescla de uma grande variedade de flores, em camadas de flores simples e de variedades mais raras, diferentes em cor e tamanho, criando assim uma extensão volumosa, um fascínio visual. Os seus jardins eram divididos em duas partes, contrastantes e complementares, a um jardim invulgar, outro surgia ainda mais invulgar, um jardim japonês, onde uma pequena ponte, atravessava o riacho que por ali passava, cheio de nenúfares. En plein air, Monet, um dos maiores ilusionistas do impressionismo, pintou flores e a fluidez e transparência da água, em rápidas pinceladas, que de perto pareciam uns borrões, mas de longe tinham a nitidez precisa e fascinante de alguém que mergulhava na natureza como um deus, em diferentes horas do dia e em épocas diferentes do ano. Seus olhos não aguentaram tanta exposição ao sol!

MOVIMENTO IMPRESSIONISTA AQUI 

CLAUDE MONET – AQUI  


Blogagem Coletiva proposta pela amiga Glorinha de Leon do Blog Café com Bolo, intitulada "Minha idéia é meu pincel"

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

À TATI PASTORELO, PARABÉNS, FELICIDADES E UM GRANDE XI-CORAÇÃO

PRESENTES DA GLORINHA LEÃO

Fui presenteada pela  minha querida amiga carioca, de costela portuguesa e italiana, Glorinha, do blogue CAFÉ COM BOLO, uma pessoa de quem sou francamente admiradora, apesar de já nos terem querido afastar! A propósito anda alguém sempre em linha a querer afastar-me dos amigos que tenho feito virtualmente, que para mim até são realmente, já que temos criado afinidades e cumplicidades.



O presente aqui é a caneca onde coloquei as minhas canetas

A Glorinha resolveu enviar-me presentes que são muito especiais, já que foram criados por si própria. Agradeço-lhe a amizade, a atenção, a delicadeza e o tempo que me tem dedicado. Um grande XI-CORAÇÃO!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

OS SALTIMBANCOS

Remexendo nos meus antigos LPs, encontrei um muito especial. Foi um disco que quando os meus filhos eram pequenos muito tocou e era muito apreciado, por nós e por eles, tanto assim, que nós acompanhávamos cantando todas as músicas. Sempre fui grande admiradora do Chico, desde «A Banda», «Pedro Pedreiro», também tenho este LP, como muitos outros. Lembro-me da timidez do Chico quando apareceu, assisti depois a um espectáculo dele, uns anos depois. «Os Saltibancos», é um excelente trabalho dirigido às crianças e que faz bem aos adultos.


Um excerto de «Os Saltimbancos».


 
 
Saltimbancos - Picasso

E pensando nos Saltimbancos…



Tenho vagamente uma ideia, daquelas trupes de rua. Mais tarde passaram por alguns filmes de Fellini. Chegavam à praça e instalavam-se. O facto de serem nómadas era assim algo muito romântico. Pareciam realmente livres e felizes. Os miúdos surgiam logo curiosos, a observar a movimentação. Até que tudo começava com um rufo de tambor e as pessoas já tinham feito a rodinha, com os miúdos sentados no chão na primeira fila. Tudo estava alegre e em expectativa. Lembro-me do homem, que soprava faúlhas de fogo e metia na boca fogachos, era assustador, do cão saltador e bailarino, da menina que fazia piruetas, do palhaço com a sua roupa extravagante e do seu grande nariz vermelho, sempre a meter-se com as crianças… Depois um chapéu velho e coçado ia passando por um e por outro, para darem a moedinha. Arrumavam tudo na carroça, onde um burro tinha esperado com o focinho enfiado num saco, amarravam o cão à carroça e lá partiam sob os olhares saudosos dos miúdos, cantando e rindo. As pessoas retiravam-se, a praça parece que escurecia e viam-se os vultos dos miúdos a tentar imitar os malabarismos. Um dia chegaria de novo o rufo do tambor. A vida era simples e pequenas alegrias faziam a diferença.

domingo, 24 de outubro de 2010

VOLUNTARIADO – GRACE/GIRO

Todos os dias passo os olhos pelo jornal, procurando algo diferente, porque as notícias de topo, surgem sempre de qualquer lado!



Desfolho o jornal e leio os títulos e às vezes um bocadinho aqui, outro ali. Política, desporto, os casos sociais complicados, que proliferam em doses sempre muito preocupantes e às vezes notícias interessantes. Ontem li algo que desconhecia.


VOLUNTÁRIOS DE EMPRESAS EM MISSÕES SOLIDÁRIAS



SEIS CENTENAS DE TRABALHADORES CEDIDOS PARA ACÇÕES DE VOLUNTARIADO NA REABILITAÇÃO OU PEQUENAS REPARAÇÕES DE INSTITUIÇÕES DE APOIO A CRIANÇAS, JOVENS E IDOSOS COM DIFICULDADES POR TODO O PAÍS.

O leque profissional aderente é variado e todos consideram entusiasmante, pegar numa trincha e pintar paredes e tectos ou fazer qualquer outra coisa Este é um voluntariado empresarial, que levou em frente o Projecto GIRO, acrónimo de Grace, Intervir, Recuperar e Organizar. Realiza-se há cinco anos por iniciativa do grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial (GRACE), que agrupa 78 empresas que disponibilizam todos os anos trabalhadores seus, para, dentro dos horários de trabalho, constituírem brigadas de voluntários (ou cede matérias e equipamentos) para fazerem intervenções e reparações em instituições de solidariedade.


O voluntariado está a ser crescente e de facto é uma acção de cidadania muito meritória, só trás vantagens, para quem a pratica: as pessoas sentem-se úteis à sociedade, levantam a auto-estima, atenuam o stress, conhecem outras realidades, que às vezes lhes passa à margem, têm uma convivência sã…


http://www.voluntariado.pt/tpl_intro_destaque.asp?797

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

OUTONO

CONTINUA TUDO NA MESMA.STOP. TANTO BARULHO E «SUSPENSE» PARA NADA! STOP THE WONDERFUL WORLD EXISTE, MAS TENHO QUE TIRAR PESOS DA MINHA CABEÇA.STOP. PASSEAR A PÉ, RELAXA-ME.A LEITURA E A MÚSICA FAZEM-ME VIAJAR. STOP ESTOU METIDA EM MUITAS ACTIVIDADES, PARA ME SENTIR ACTUANTE. STOP.


DECISÃO: VOU PASSAR A ESCREVER MENOS AQUI, É PRECISO DAR UM TEMPO PARA AS PESSOAS LEREM E TER UM TEMPO PARA VISITAR OUTROS BLOGUES. STOP.



 Passeando pelo Parque as cores do Outono vão
aparecendo!...


OUTONAL

Caem as folhas mortas sobre o lago!
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio...Olha, anoitece!
-- Brumas longínquas do País Vago...

Veludos a ondear...Mistério mago...
Encantamento...A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago...

Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
-- Vestes a Terra inteira de esplendor!

Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que soluço a delirar de amor...


Florbela Espanca  

O senhor Henri é um falador. Tem dois grandes amores: o absinto e as enciclopédias. Ao mesmo tempo que não pára de beber absinto vai discorrendo sobre os mais diversos assuntos enciclopédicos. As suas informações parecem não interessar aos seus interlocutores, no entanto isso não é motivo bastante para o senhor Henri se calar. Há medida que as páginas avançam o absinto vai fazendo efeito.



«…é verdade que se um homem misturar absinto com a realidade fica com uma realidade melhor…mas também é certo que se um homem misturar absinto com a realidade fica com o absinto pior…muito cedo tomei as opções essenciais que há a tomar na vida – disse o senhor Henri…nunca misturei o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto.»


GONÇALO M. TAVARES 

BOM FIM-DE-SEMANA

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

WHAT A WONDERFUL WORLD




What A Wonderful World


I see trees of green, and roses too
I see them bloom for me and you
and I think to myself, what a wonderful world


I see skies of blue and clouds of white
the bright blessed day, the dark sacred night
and I think to myself, what a wonderful world


the colors of the rainbow, so pretty in the sky
are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands, saying, "how do you do?"


they're really saying, "I love you"


I hear babies cry, I watch them grow
they'll learn much more, than I'll never know
and I think to myself, what a wonderful world


yes, I think to myself, what a wonderful world




Que Mundo Maravilhoso


Vejo as árvores verdes, rosas vermelhas também
Vejo-as florescer para nós dois
E penso comigo... que mundo maravilhoso


Vejo os céus azuis e as nuvens brancas
O brilho do dia abençoado, a sagrada noite escura
E penso comigo... que mundo maravilhoso


As cores do arco-íris, tão bonitas no céu
E estão também nos rostos das pessoas que passam
Vejo amigos apertando as mãos, dizendo: "como vai?"
Eles realmente dizem: "amo-te !"


Ouço bebés chorando, Vejo-os crescer
Eles aprenderão muito mais que eu jamais saberei
E penso comigo... que mundo maravilhoso

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

MEU HONRADO E DIGNO POVO PORTUGÊS...

Compreendo bem o abatimento que sentem com a situação que atravessa o país. Os que trabalharam e viveram com o pagamento do seu trabalho, muitas vezes mal pago, que tiveram uma vida de acordo com o que tinham e se preocuparam em pagar os seus impostos, devem estar deprimidos como eu. Porque o que temos visto tem-nos desencantado muito. Tu que como eu, choraste de alegria com a Revolução dos Cravos e pensaste que ias viver numa sociedade evolutiva, dominada pela liberdade, fraternidade e solidariedade, estás agora revoltado e descrente de tudo!



Um dos males tem sido o veneno do novo-riquismo! Já viram como depois de consolidada a democracia, surgiu uma camada de novo-riquismo, «glutona» e sem princípios? Todos procuraram ter, com meios ou sem meios e os sucessivos governos foram permissivos a isso e cada vez foram mais e os intervenientes da máquina governamental foram os maiores agentes desse roubo desaustinado!


Lembro a entrada do país na União Europeia, dos dinheiros que foram chegando, da ideia que se infiltrou em muitas cabeças: somos um país rico, estamos lá, discutimos lado a lado com os maiores! Mas o jogo era toma lá dinheiro, desmantela isto e mais aquilo, mas vai fazendo umas coisas que encham o olho! Fizeram, pois fizeram, mas cada obra relativamente ao orçamento ficava por X não sei quantos mais! Muitos se orientaram e alimentaram o seu novo riquismo!


Evidentemente que estão revoltados com esses «glutões» que de caras à difícil vida de muitos, começaram a tratar da sua vidinha, esses que andam em carros de topo, têm casa aqui e acolá e têm-se servido a seu belo contento dp erário público.

Foram para o governo e flexibilizaram a máquina em conformidade com os seus interesses, saíram do governo saltaram para as empresas públicas, não só as existentes, mas como também as criadas segundo os seus interesses, com ordenados elevadíssimos e mordomias impensáveis. Uns deram lugar aos outros, mas entretanto maquinaram reformas que são um escândalo!..


Se pensarmos em termos partidários, obviamente que os grandes protagonistas foram PS e PSD, se pensarmos em pessoas responsáveis que permitiram esta situação, naturalmente que temos que referir Cavaco Silva, Guterres, Durão…e depois a cereja em cima do bolo: Sócrates. Essa cereja foi tão pesada que o bolo desmoronou-se e para nossa aflição vai-se continuar a desmoronar!..


Num Inverno que se aproxima, são tempestades que vimos pela frente será mesmo «O INVERNO DO NOSSO DESCONTENTAMENTO» (John Steinbeck), com a possibilidade de se prolongar, não sei até quando!


Meus caros amigos, portugueses honrados e dignos, eu não são ninguém, não sou uma especialista em política, mas tenho vivido e visto muita coisa! Já passei por situações desagradáveis, senti na pele o que era o desemprego, motivado por uma falência fraudulenta, numa idade difícil. Andei pelo tribunal de trabalho, reivindicando os meus direitos para nada, sei o que é procurar um emprego e sei muito bem o que é a palavra NÂO…obviamente que tive amparo, mas a falta de independência económica não é nada fácil!


Tudo isto parece demasiado triste e pessimista, mas Manuel ou Maria, não nos deixemos abater e alinhemos pelos caminhos que consideremos mais correctos, evidentemente que não podemos ser apenas espectadores, a intervenção de todos é necessária, seja pequena ou grande, só assim derrubamos a «depressão» e alimentamos a esperança de tempos melhores.


Uma amiga fraterna,

domingo, 17 de outubro de 2010

A PEN DO «OE»





A CAMIHO DA PRECARIEDADE E DA MISÉRIA...


REQUIEM FOR A DREAM (Metal Version)



ESTOU EM SUSPENSE...

sábado, 16 de outubro de 2010

PARTIDAS E CHEGADAS O QUE FAZ VOCÊ FELIZ?

O amigo Manuel, do blogue,
Constância.(vila poema.)
«carimbou-me» com este sêlo e eu agradeço-lhe o facto de se ter lembrado de mim e daqui vai um grande abraço!


A vida é sempre feita de partidas e chegadas, mas muito simplesmente o que me faz feliz é o encontro!



Encontro com pessoas verdadeiras, pessoas com o um arco-íris de ideias, pessoas com as mãos cheias de afecto, pessoas de todas as idades, de qualquer raça ou credo, que sejam compreensivas!


Pessoas que independentemente da idade, saibam rir, brincar e transmitir alegria e paz!


Pessoas que gostem de contar histórias e que saibam ouvir, mas também entendam que o silêncio não é um peso, mas uma cumplicidade!


Pessoas que saibam o que é a realidade, mas mesmo assim tenham sonhos!..


Pessoas assim fazem com que a vida valha a pena, mesmo quando estamos assoberbadas de problemas!..


PESSOAS «PESSOAS», ASSIM COMO TU…E TU…E TU TAMBÉM…


REGRAS:

1 - Copie e cole o selinho na sua postagem;
2 - Conte-nos o que o faz feliz, entre partidas e chegadas, simples assim!
3 - Conte quem lhe presenteou, se possível adicionando o link para o blog;
4 - Indique ao menos 5 blogs para receberem o carinho e avise-os, para que eles possam continuar a brincadeira. Podem ser mais, claro, o importante é provocar a ideia naqueles que lhe visitam!
5 - Volte aqui e avise se já está participando, nesse mesmo post.

Escolher blogues é que é o problema, a minha liberdade de escolha, pode obviamente motivar a liberdade de aceitar ou não e esta postura é a ideal. Assim sendo vou indicar blogues que têm sido companheiros desde sempre:

1 - Café com Bolo
2 - Mãe Gaia
3 - Brow Eyes
4 - Résteas de Sol
5 - Viver é afinar o instrumento

Não sei se já entraram nesta brincadeira!..Sei de alguns que entraram e não indico, sei também que há pessoas que não alinham nestas coisas e quem passar aqui, que não foi referido e quiser participar, para mim será muito agradável.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

CAUSAS

Estive a ver o que escrevi aqui durante a semana que está a acabar e verifiquei que o vector foi «causas». Independentemente de tudo eu sou uma pessoa preocupada com o mundo em que vivo.
Comecei a semana com o DESPERDÍCIO ALIMENTAR, considero que é uma questão que devemos ter em atenção até mesmo nas nossas casas, deitar fora comida é vergonhoso, quando sabemos quanta gente morre de fome! Escrevi também sobre o SUPÉRFLUO que temos em casa e que pode fazer falta a outras pessoas. Pelo meio inseri o pintor brasileiro Portinari que também foi um homem de «causas». Escrevi sobre a situação dos DEFICIENTES e da necessidade de os inserir na sociedade. Abordei a situação dos mineiros no Chile e a alegria que muitos tiveram, constatando que os VALORES HUMANOS são essenciais na vida e como operações consertadas podem fazer «milagres. Também ao ler um caso sobre RECICLAGEM que me espantou pela positiva o inseri aqui. A propósito lembro-me daquele principio de Lavoisier, aprendido na escola há anos: "NA NATUREZA, NADA SE CRIA, NADA SE PERDE, TUDO SE TRANSFORMA."

 
Hoje resolvi acabar a semana, escrevendo sobre VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, alertada por uma notícia, que informava que a GNR tinha indicado um aumento de 12% no primeiro semestre deste ano e no distrito do Porto o aumento tinha sido mais expressivo, chegando aos 20%.



Os factores positivos são que há uma maior sensibilização social para o fenómeno e menos receio das vítimas em exporem a situação, disse o coronel Albano Pereira da Direcção de Investigação Criminal da GNR, no seminário «A Violência Doméstica em Grupos Especialmente Vulneráveis», promovido pelo Comando Territorial do Porto.


Existe uma unidade especializada na investigação da violência doméstica da GNR, com 267 núcleos/equipas espalhadas pelo país. Segundo Albano Pereira: é urgente um reforço na capacidade de resposta em crimes contra idosos e deficientes e a consolidação de outros projectos, como por exemplo, Escola Segura .


Sobre as razões do aumento da violência doméstica, João Lázaro (Secretário-Geral da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) foi abordado sobre questões sociais difíceis, como o desemprego (Porto com percentagem alta) e disse: não se pode dizer que haja uma relação causa-efeito, a violência doméstica não acontece apenas em cenários de pobreza. È claro que a crise económica pode ser propícia a determinadas situações, mas não explica tudo. E mais não disse!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

RECICLAR, RECICLAR...PRESENTE RECICLADO



Vida mais longa para os produtos é o lema do programa de recuperação de equipamentos eléctricos e electrónicos, estabelecido há quase dois anos pela Lipor-Serviço Intermunicipalizado de gestão de resíduos do grande Porto.
Esta entidade, que é responsável pela gestão, valorização e tratamento dos resíduos sólidos urbanos produzidos pelos oito municípios que a integram (Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa do Varzim, Valongo e Vila do Conde), está a inovar de forma muito concreta num programa que possibilita uma «segunda vida», para os equipamentos que, muita vez nesta sociedade vorazmente consumista, têm uma morte prematura.
Esta recuperação destes equipamentos, primeiro passo de reciclagem, tem depois uma vertente de apoio social, doando os aparelhos restaurados a Instituições de Solidariedade.
O técnico responsável pela oficina de recuperação disse que o seu princípio de trabalho é: Fazer muito gastando pouco e a grande maioria das recuperações têm custo zero.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ENFIM A LUZ DO DIA...

Hoje o acontecimento feliz do dia, é sem dúvida o resgate dos 33 mineiros no Chile, presos há 68 dias na mina San José no Chile. A reportagem em directo vai passando pela televisão e é bastante comovente!... Difícil imaginar o sofrimento que sentiram e a alegria da sua libertação. O fim foi feliz e isso é o mais importante.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

DEFICIENTES

Há uns anos, família que tivesse uma criança deficiente mental, trancava-o em casa e assim vivia toda a vida. A deficiência era um estigma social, que tentavam esconder. Determinadas culturas matavam esses seres, por sentimentos de culpa e ainda subsistem infelizmente casos desses. Mas é bom reparar, que neste aspecto se evoluiu bastante, já proliferam as escolas especiais e a saída para a rua é normal com a sua participação na vida a que têm direito. Tenho visto grupos que são levados ao cinema, aos concertos, às exposições e hoje aproveitando o regresso do sol e de uma temperatura amena vi um grupo muito contente a aprender surf. Fiquei feliz, coisas do género deixam-me sempre feliz, porque por muita asneira que hoje ainda aconteça, demos passos no sentido humanista.

 




segunda-feira, 11 de outubro de 2010

CONTRA O DESPERDÍCIO ALIMENTAR - PETIÇÃO PÚBLICA

Caros Amigos,





Acabei de ler e assinar a petição online: «Desperdício Alimentar»

http://www.peticaopublica.com/?pi=Cidadao

Eu pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar.


Subscreve a petição e divulga-a pelos teus contactos.

UM PINTOR INTERESSANTE - CÂNDIDO PORTINARI (Brodowski, 29 de dezembro de 1903 — Rio de Janeiro, 6 de fevereiro de 1962)

 CASAMENTO NA ROÇA
MENINO MORTO
RETIRANTES
 RETIRANTES
D. QUIXOTE
CAFÉ
LAVRADOR DE CAFÉ

PORTINARI, nas suas obras, conseguiu retratar questões sociais e aproximou-se da arte moderna europeia sem perder a admiração do grande público. As suas pinturas aproximam-se do cubismo, surrealismo e dos pintores muralistas mexicanos, sem, contudo, se distanciar totalmente da arte figurativa e das tradições da pintura. O resultado é uma arte de características modernas.
SOBRE O PINTOR AQUI

O MEU LIXO, O TEU LIXO O LIXO DELES...


Durante a minha vida, se não procedesse de vez enquanto a uma limpeza, deveria estar envolvida em pilhas de TRALHAS de vária ordem, com uma grande dificuldade de me movimentar e até de respirar!



Não é fácil, ter coragem, para me desfazer de tudo que se vai acumulando. Muitas coisas têm um valor emocional. Há dias em que num rasgo que nem me deixa pensar, começo a encher sacos, de cartas, fotografias, papeladas, roupas…outros dias começo a lembrar-me do que tinha e considero que fiz mal em deitar fora, isto ou aquilo, que gostaria de voltar a ler, a ver, a ter entre as mãos…


Cada vez que mudei de «idade», fui largando recordações palpáveis, de outras fases da minha vida.


Os livros de colorir, os brinquedos, os jogos…as colecções de cromos, pedras, conchas, selos, autógrafos, postais, canetas, folhas de plantas, flores secas---livros de banda desenhada, bilhetinhos de colegas, poemas, diários, desenhos, pinturas…primeiras cartas e poemas de amor, fotografias, textos que eu escrevia…vinis, cassetes, livros, revistas…


Aqui em casa sempre à mania de guardar. Tu, eu e depois os filhos. Os meus filhos são os piores, esquecem-se que há um caixote para o lixo e então o mais incrível aparece em cima dos seus móveis. Lá tenho eu que entrar nos seus quartos com um grande saco de respigadora. Isto presta? E aquilo também presta? Olham-me enfastiados…


A minha mãe guardava tudo, sobras de tecido, botões, frascos…eu sei lá…para ela tudo um dia podia servir para não sei o quê…O meu pai era coleccionador de fatos, camisas, gravatas…Foi traumatizante para mim, depois da morte dos meus pais desfazer a casa, dar sumiço a tanta coisa…


Nós e o nosso lixo! Nestes dias outonais e caseiros, pode ser um entretimento, deitar ao lixo o lixo, mas cada peça, seja lá o que for, deste lixo também é um bocado de mim. Hoje virei-me para uma arrumação, deitar ao lixo, guardar em sacos o que ainda pode servir para alguém. Tenho por perto uma Instituição da Terceira Idade onde vou deixar roupas e livros, aceitam tudo e como têm ligações com outras instituições, fazem a distribuição. ANDO COM A MANIA DAS LIMPEZAS!...

domingo, 10 de outubro de 2010

O FILME DO DESASSOSSEGO

«O Filme do Desassossego» cansou-me! João Botelho ousou abordar uma obra bastante complexa, muito intimista, que só se aprecia devidamente quando lida. O Livro do Desassossego exige ler, parar e reflectir, voltar a ler, respirar fundo. O filme obviamente é muito palavroso, cansativamente palavroso e tudo se segue de uma forma muito acelerada, para quem gosta de ficar a pensar nas palavras! Li o livro, imaginei-o e não o revi no filme, mas isso é algo que geralmente me acontece, o livro é sempre melhor.



Botelho recriou uma obra e ilustrou-a com muito de si, inserindo algumas cenas insólitas. Colocando de lado as considerações feitas à adaptação, o filme é imaginativo, tem uma excelente fotografia (João Ribeiro), bons actores, destacando-se obviamente o intérprete principal (Cláudio Silva), que mostra bem alucinação e desassossego. No panorama do cinema português é de facto um filme diferente, uma obra de arte cinematográfica.


Tenho lido críticas boas, sobre a concepção da forma de adaptação do livro ao filme. Não sou especialista de Bernardo Soares, li o livro e continuarei a lê-lo pela vida inteira. Sem dúvida que aprecio essencialmente o livro, quanto à visão de João Botelho, é a visão dele, outros com certeza o pegariam de outro modo. O livro é inspirador para muitas visões, mas o livro é o livro.


Lembro «Conversa Acabada», que na minha opinião resultou melhor, baseia-se mais em factos, a amizade de Pessoa e do infortunado Sá Carneiro. Comparações não se justificam, porque «O Livro do Desassossego», é um «conjunto desconjuntado», sem uma linha narrativa, sem uma forma definida, sem princípio, meio ou fim, um caleidoscópio de sensações e emoções, difíceis de ilustrar.


Gostei do fragmento do livro «Educação Sentimental» dito pela artista Catarina Wallenstein, olhos nos olhos com o espectador. É um momento sublime.


Da obra de Fernando Pessoa, onde predomina a poesia, o livro mais vendido é exactamente um livro em prosa: «O Livro do Desassossego», desse complexo por demasiado lúcido: Bernardo Soares.

Crítica do Ipsilon AQUI

sábado, 9 de outubro de 2010

CHEGOU O SOL, MAS AINDA TENHO O MEU ESPÍRITO CHEIO DE CHUVA...

Há dias e dias!.. Hoje sinto-me cansada das palavras, mas por isto e aquilo, o meu estado de espírito identifica-se bastante com esta balada. A música é para mim um grande refúgio, atenua as inquietações do tempo em que vivemos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

NOTÍCIAS QUE DESTACO

Muito mau tempo paira por aqui. O Instituto de Meteorologia colocou todos os distritos de Portugal continental em aviso laranja, com excepção de Faro. O quadro é de chuva intensa, vento forte, e agitação marítima.

*
AO LER AS NOTÍCIAS ONLINE NÃO POSSO DEIXAR DE DESTACAR ESTA GRANDE «PALHAÇADA»

Um espectáculo com música, dança, teatro e pirotecnia, intercalado com curtas palestras sobre motivação e optimismo conta atrair no domingo 10 mil pessoas ao Pavilhão Atlântico, num evento que pretende pôr os portugueses a ver o país para além da crise, celebrando a bandeira e o país", "elevando o estado de espírito" e recordando os aspectos positivos de ser português, disse o orador à Lusa.


O projecto saiu da cabeça de Daniel Sá Nogueira, formador, “coach” e fundador da empresa "We Create", que há mais de uma década desenvolve cursos de desenvolvimento pessoal por onde já passaram, diz, milhares de pessoas.


É que, para Daniel Sá Nogueira, os portugueses têm muitos motivos para se orgulharem. "Portugal tem um potencial enorme, não concordo que tenha falta de autoconfiança. Acho que só um país com muita autoconfiança pode ousar fazer uma Expo 98, um Euro 2004".


Por isso, no domingo vai apresentar dados, números e estatísticas que ajudam a desconstruir a ideia de que Portugal "lidera sempre o grupo dos últimos". Isto num momento em que "os portugueses estão mais descontentes, menos confiantes, meio anestesiados com a crise".


O espectáculo intitula-se "Trata a Vida Por Tu Gal", numa referência aos cursos que a We Create desenvolve, que se chamam "Trata a Vida Por Tu". Em palco estarão, além do orador, 12 cantores, 10 bailarinos, 10 actores e um humorista de "stand up comedy".


O objectivo de Daniel Sá Nogueira é "pôr todos aos pulos e aos gritos" naquela que pretende ser "a maior celebração da história do país".


Vai também tentar demonstrar que cada um pode mudar a sua vida e ser mais feliz, bem como apelar aos espectadores que contribuam para fazer de Portugal um país melhor, nomeadamente através do voluntariado.


Com este espectáculo, que diz já estar a fazer história - "que tenha conhecimento, nunca aconteceu um evento deste género no mundo" - o formador espera "dar um pontapé de saída na mentalidade pessimista" dos portugueses e, por outro lado, tornar o desenvolvimento pessoal um tema da actualidade, como o livro e o filme "O Segredo" fizeram há uns anos.


Mas os objectivos de Sá Nogueira não ficam por aqui. Uma digressão do espectáculo por Portugal e uma parceria para animar os jogos do Benfica são só os próximos planos de um homem que espera um dia encher três estádios de futebol em simultâneo e mais tarde levar a sua empresa a ganhar o Nobel da Paz.


Um Nobel da Literatura tão esperado que foi uma surpresa



O escritor peruano Mario Vargas Llosa era um candidato tão óbvio ao Nobel da Literatura que não passou pela cabeça de ninguém - incluindo a do próprio - que pudesse mesmo vir a ser escolhido. Dizia-se que 2010 iria marcar o regresso da poesia, ignorada pela Academia Sueca desde que a polaca Wislawa Szymborska ganhou o prémio, em 1996, e o grande favorito era o sueco Tomas Tranströmer. Mas tinha de chegar o ano em que os suecos surpreenderiam por não surpreenderem.


Quando Vargas Llosa parecia já destinado a tornar-se o sucessor vitalício de Jorge Luis Borges, que todos os anos era notícia por não ganhar o Nobel, a Academia decidiu finalmente consagrar o autor de Conversa na Catedral (1966). A decisão foi anunciada pelo presidente da Academia Sueca, Peter Englund, que destacou, na obra de Vargas Llosa, a "cartografia das estruturas de poder" e as "imagens mordazes de resistência individual, revolta e derrota".


Mas é de prever que nem todos os latino-americanos se regozijem com esta escolha, já que muitos não lhe terão ainda perdoado a acentuada viragem política à direita, que culminou com a sua candidatura à Presidência do Peru, que perdeu para Alberto Fujimori, mais tarde condenado por corrupção e responsabilizado por vários assassinatos políticos.
 BIOGRAFIA


O Prémio Nobel da Paz foi atribuído ao dissidente chinês Liu Xiaobo, anunciou o Comité Nobel norueguês, abrindo desta forma uma guerra com Pequim. O Governo chinês avisou inclusivamente Oslo de que esta seria uma escolha com consequências para as relações entre os dois países. Depois de um Nobel da Paz institucional em 2010, com Barack Obama, é um Nobel de causas o deste ano.

As apostas eram altas no chinês Liu Xiaobo, dissidente que foi condenado a 11 anos de prisão pelo Governo de Pequim. A par de Xiaobo perfilavam-se igualmente para este Nobel da Paz os seus compatriotas Hu Jia e Gao Zhiseng, crónicos candidatos desde há anos, e a líder da minoria uigur no exílio, Rebiya Kadeer.
Liu Xiaobo, 54 anos, escritor, comentador político e activista dos Direitos Humanos, é um dos signatários da “Charter 08”, manifesto assumido por mais de trezentos intelectuais chineses no qual eram pedidas reformas políticas e a democratização do país. Este texto foi publicado a 10 de Dezembro de 2008, o 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Xiaobo foi detido dois dias antes desse aniversário, escassas horas antes de o documento ser disponibilizado na Internet. Foi depois acusado por “suspeita de incitamento à subversão do poder”. Com ele foram encarcerados outros 70 signatários da carta. A 25 de Dezembro de 2009, Liu Xiaobo foi condenado a 11 anos de prisão, apesar dos apelos internacionais em seu favor, nomeadamente muitos antigos prémios Nobel que endereçaram pedidos directos numa missiva ao Presidente Hu Jintao.


Um dos candidatos com mais expectativas de ganhar o Nobel da Paz era Helmut Kohl. Segundo a cadeia de televisão norueguesa NRK, o antigo chanceler alemão fazia parte do núcleo duro dos candidatos expectantes, ou seja das opções finalistas antes da atirubição do prémio. O actual cehfe do Estado alemão, Christian Wulff, falara mesmo na eventualidade de uma atribuição do Nobel a Kohl como um justo reconhecimento pela "trabalho de uma vida, a sua, pela unidade alemão e pela unidade europeia".

O próprio Kohl vinha ultimamente trabalhando afanosamente a sua imagem de patriarca generoso e pacificador com horizontes supranacionais. Atesta-o, entre outros episódios, o ocorrido na comemoração do seu 80º aniversário, em Maio deste ano, quando a sua sucessora Angela Merkel, no ponto alto do seu braço de ferro contra os perdulários governantes gregos, lhe dedicou um vibrante discurso de homenagem. Kohl seguiu-se-lhe na tribuna, com um recado que quase equivalia a um puxão de orelhas à própria Merkel: "Muitos de nós fazem como se a Grécia não fosse connosco".


O incidente parecia uma desforra tardia, tirada por Kohl contra o partido que há dez anos o deixara cair como presidente honorário, por ter recusado revelar o nome de um importante financiador anónimo. Mas, na verdade, apenas mostrava que o ex-chanceler pouco se importava com ferir a susceptibilidade de Merkel, antigamente cognominada "a miúda de Kohl", se com esse dano colateral estivesse a comprar uma melhoria da sua imagem junto de um público menos partidário.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

«ASSALTO AO SANTA MARIA» - FRANCISCO MANSO

Um assalto contra o esquecimento da História


É a ficção a melhor forma de contar a História? Cineasta e historiadores acham que é, pelo menos, um meio poderoso de preservar a memória.


O paquete Santa Maria, com 600 passageiros a bordo, foi tomado por um grupo de comandos quando navegava entre Miami e Curaçao. Um membro da tripulação foi morto e outro ferido. Desconhecem-se as intenções dos assaltantes.


Os factos detonadores do filme Assalto ao Santa Maria, de Francisco Manso, cabem num telegrama ou numa notícia.


Mas contar uma história obriga a compor detalhes. Montar um filme obriga a uma acção com ritmo. O filme respeita os factos históricos, mas usou elementos ficcionados. Pode essa alteração mudar o entendimento da História?


Foi a 22 de Janeiro de 1961, em plena ditadura de Salazar, no rescaldo da derrota fraudulenta de Humberto Delgado nas eleições de 1958 e de uma repressão sobre a oposição. Henrique Galvão (1895-1970), antigo capitão de Infantaria, ex-inspector da Administração Colonial e um incómodo deputado da União Nacional por Angola, torna-se dissidente do regime, é preso, evade-se, refugia-se na Argentina e cria em 1960 - com antifascistas espanhóis - o Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL). É aí que se lança na aventura do assalto ao paquete. E é aí que começa o filme. Como um documentário. Fotografias a preto e branco de um povo descalço ao lado de salões de chá. Mas é só para enquadrar o que se seguirá a cores.


Francisco Manso conta que, inicialmente, o filme era para estar centrado na vida de Henrique Galvão. Mas as dificuldades em reunir a verba suficiente - o filme ficou por um milhão de euros - obrigaram-no a basear-se no episódio do assalto e nos 13 dias de tensões no navio desviado. "A minha ideia principal foi contar a preocupação daquele grupo de homens e o efeito que acabou por ter no isolamento internacional do regime de Salazar", afirma Francisco Manso.


"A História é um pouco subvertida porque se fizeram opções", mas não crê ter adulterado a História. A parte ficcionada - nomeadamente um romance entre um dos assaltantes e a filha de um coronel do exército fascista - foi a forma de atenuar a "história real, que era uma história pesada". Visou-se animar o ritmo do filme e cativar diversos públicos. Um interessado na História e outro, mais jovem, aliciado pela história que se conta. Esta fusão entre a ficção e a História é um velho debate. Mas os historiadores convivem bem com essa mistura.


Francisco Teixeira da Mota, advogado, investigador da vida de Henrique Galvão e consultor histórico da equipa técnica do filme, não se sente nada incomodado com a "forma híbrida". "Vejo-a mais como fazendo parte do entretenimento", um esforço de reconstituição que "não tem de ser factual".


Da mesma forma, Fernando Rosas, historiador e presidente do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, acha que, "como historiador e como cidadão, tudo o que sejam esforços honestos para retratar a realidade histórica são esforços positivos". E este filme "retrata com fidelidade essencial os acontecimentos do assalto".


Camilo Mortágua, um dos assaltantes, conta nas suas memórias (Andanças para a Liberdade, Esfera do Caos) que a operação foi montada sem recursos e minada pela desorganização, pelas desavenças no DRIL. "Meia dúzia de pobretanas, superiormente mobilizados e motivados para combates indefinidos", lançados na operação chamada Dulcineia, por um Dom Quixote.


 
O filme, continua Rosas, "dá bem esse carácter de aventura, de golpe de mão, que era o espírito que o Galvão emprestava a estas coisas", ao invés da estratégia do PCP, interessado na luta de massas. E Teixeira da Mota vê Galvão no "papelão" de Carlos Paulo. Até a magreza sob o caqui lhe vai bem.



O assalto foi, nas palavras de Rosas, um "espantoso acto de pirataria". Só a alteração da conjuntura internacional - a chegada de Kennedy à Administração norte-americana e a vitória de Jânio Quadros no Brasil - permitiu que, apesar das insistências do Governo português, nada tivesse sido feito para recuperar o navio.


Os assaltantes acabaram até por ser recebidos no Brasil. E foi a primeira das derrotas de Salazar em 1961. "A seguir vem o assalto às cadeias em Luanda", enumera Rosas. A explosão da União dos Povos de Angola (UPA). O golpe do Botelho Moniz. A fuga de Caxias dos dirigentes do PCP. A invasão de Goa, Damão e Diu pela União Indiana. O golpe de Beja.


Tanto Teixeira da Mota como Rosas acham que o filme resulta. "Tem o seu ritmo. E acho que vale a pena ver." Manso, por seu lado, considera ser "importante que este tipo de filmes se faça e que sejam feitos em Portugal", porque "dá a conhecer a relevância da nossa História", que o mundo desconhece. Rosas concorda: "Revela um episódio da resistência à ditadura que provavelmente, se não tivesse sido filmado, seria esquecido."

IPSILON - João Ramos de Almeida