«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 30 de junho de 2011

O JEITINHO DELES...



Eles cada vez são mais apaparicados…ai a luta da emancipação feminina!...Quem defende esta luta, sujeita-se a vê-los passar!..Não sou feminista, sou igualista…mas reconheço e admiro muitas mulheres, que se empenharam na conquista de direitos sociais que à mulher eram devidos, mas enfim…olhando a sociedade há discrepâncias, há deturpações…e a nível afectivo há recuos…e esta conversa dava para um debate longo!..Fica assim esta brisa quente ou aragem fria…porque de facto pode motivar discussões calorosas e cortantes!

Em casa até pode haver uma distribuição de tarefas, mas há umas quantas e muitas, que sempre estão destinadas a ela.
Eles sempre acabam por dizer, que o barulho do aspirador lhes dá cabo dos ouvidos, que não têm paciência para limpar limpar a cozinha, enquanto elas consideram que isso é uma chatice, mas também uma obrigação!..
Na cozinha eles lá vão cozinhando, principalmente para os amigos e claro sujam o triplo da louça…mas não têm jeitinho para o dia-a-dia, quando tudo tem que ser prático e rápido!
Distribuir tarefas por quem tem mais jeito…jeitinho para fazer…melhor, para quem tem mais competência e também mais capacidade para aprender! Mas as mulheres que partem às vezes, de uma de não fazerem nada, acabam por fazer tudo…parece que já bem no sangue! «Ela faz, ele tem jeitinho ou não tem mesmo jeitinho, coitadinho!..
Mas porque razão a mulher sabe ou desenrasca-se para qualquer coisa e os homens é aquela questão do jeitinho?
Alguns até admitem: «elas é que acabam por dar o litro e com um serviço mais bem feito»! É um consolo, que não paga a pena!
Isto de «eles ajudam muito em casa», no fundo o que fazem é «dar uma mãozinha»! Muito simpático! Mas esta «mãozinha» com o tempo vai-se esquecendo!..
Obviamente que cada casal saberá de si e das regras que for capaz de estabelecer!
Também há mulheres que só têm «jeitinho» e também chegam a casa cansadas de trabalhar! Com o jeitinho de um e do outro…ou comem umas sandes ou vão jantar ao restaurante, depois a casa é um caos, no dia de vir a empregada, coitada… parece que está na «Feira da Ladra»! Deve pensar isto não tem «jeitinho» nenhum!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O SUCESSO DE GONÇALO M. TAVARES, QUE TEM ESTADO NA MINHA MESA DE CABECEIRA...


Gonçalo M. Tavares, ganhou o Grande prémio de Romance e Novela da APE, pela obra «Uma Viagem à Índia«, este livro já tinha obtido o prémio de Melhor Narrativa Ficcional 2010, da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e Prémio Especial de Imprensa, Melhor Livro 2010 LER/Booktailors. 
«Uma Viagem à Índia, afasta-se da estrutura dos livros anteriores, «na forma, é uma espécie de epopeia ou antiepopeia, tem um herói, mas também um anti-herói. Trata-se de uma narrativa de alguém que parte, que foge de Lisboa, à procura de um mestre indiano e também é enganado. É um diálogo entre o Ocidente e o Oriente.

Gonçalo M. Tavares, nasceu em Luanda, Angola em 1970, em 2001 publicou a sua primeira obra e tem tido uma carreira de muito sucesso. Já recebeu o Prémio José Saramago 2005 e o Prémio LER/Millennium BCP 2004, ambos pelo seu romance «Jerusalém». Pelo seu livro «Água, cão, cavalo, cabeça», recebeu o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores Camilo Castelo Branco 2007.
Outros prémios podem ser referenciados:
-Prémio Branquinha da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do Jornal Expresso
-Prémio Portugal Telecom (2007)
-Prémio Internazionale Trieste (2008) – Itália
-Prémio Belgrado de Poesia (2009) – Sérvia
-Prix du Meilleur Livre Étranger (2010) – França

Os seus livros deram origem a peças de teatro, objectos artísticos, vídeos de arte, ópera, etc. Estão em curso cerca de 160 traduções distribuídas por trinta e dois países.
O romance "Jerusalém" foi incluído na edição europeia de "1001 livros para ler antes de morrer – um guia cronológico dos mais importantes romances de todos os tempos".


José Saramago, no discurso de atribuição do Prémio ao romance "Jerusalém", disse:«'Jerusalém' é um grande livro, que pertence à grande literatura ocidental. Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater!».



terça-feira, 28 de junho de 2011

UM POUCO MAIS DE NÓS...


Um Pouco Mais de Nós


Podes dar uma centelha de lua, 
um colar de pétalas breves 
ou um farrapo de nuvem; 
podes dar mais uma asa 
a quem tem sede de voar 
ou apenas o tesouro sem preço 
do teu tempo em qualquer lugar; 
podes dar o que és e o que sentes 
sem que te perguntem 
nome, sexo ou endereço; 
podes dar em suma, com emoção, 
tudo aquilo que, em silêncio, 
te segreda o coração; 
podes dar a rima sem rima 
de uma música só tua 
a quem sofre a miséria dos dias 
na noite sem tecto de uma rua; 
podes juntar o diamante da dádiva 
ao húmus de uma crença forte e antiga, 
sob a forma de poema ou de cantiga; 
podes ser o livro, o sonho, o ponteiro 
do relógio da vida sem atraso, 
e sendo tudo isso serás ainda mais, 
anónimo, pleno e livre, 
nau sempre aparelhada para deixar o cais, 
porque o que conta, vendo bem, 
é dar sempre um pouco mais, 
sem factura, sem fama, sem horário, 
que a máxima recompensa de quem dá 
é o júbilo de um gesto voluntário. 

E, afinal, tudo isso quanto vale ? 
Vale o nada que é tudo 
sempre que damos de nós 
o que, sendo acto amor, ganha voz 
e se torna eterno por ser único e total. 

José Jorge Letria


Moulin Galette - Renoir

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A ARTE DO CARTOON...ANDRÉ CARRILHO



Relativamente à caricatura não posso deixar de referir a participação de André Carrilho, num livro dedicado à arte do retrato da colecção Taschen, onde participa com 7 caricaturas. Carrilho tem carreira internacional, já recebeu vários prémios, entre eles, o World Press Cartoon 2009.
Aos portugueses que se sentem de ânimo afectado e se consideram num pequeno país em recessão à beira-mar plantado, pensem nos muitos conterrâneos que temos com grandes capacidades nas mais diversificadas áreas.


ALGUMAS CARICATURAS DE CARRILHO:
 








Quase não seria necessário indicar os nomes, mas são:

ANTÓNIO LOBO ANTUNES
PICASSO
BONO
DIANA
AGUSTINA BESSA-LUÍS
FRIDA KAHLO
OPRAH
SARTRE E BEAUVOIR
FREUD

sábado, 25 de junho de 2011

NO DIA DE S. JOÃO...

As festas da cidade, tendo o seu ponto alto nos festejos do S. João, tem em todo o mês de Junho uma série de eventos culturais e desportivos e todas as instituições fazem programas alusivos: a Casa da Música, o Museu de Serralves, a Casa Tait, a Biblioteca Municipal, a Casa do Infante, a Biblioteca Almeida Garrett, a Fundação da Juventude-Palácio das Artes, 0 Museu do Vinho do Porto…e outros…
Ontem, nos Jardins do Palácio de Cristal, a Orquestra Sinfónica do Porto tocou clássicos e depois integrou um coro infantil, que cantou canções populares alusivas ao S. João, mais tarde reconstitui-se o S. João de antigamente, enquanto com vista privilegiada sobre o rio se podia ver a corrida dos barcos rebelos…








 
O barco rabelo é uma embarcação portuguesa, típica do Rio Douro que tradicionalmente transportava as pipas de Vinho do Porto do Alto Douro, onde as vinhas se localizam, até Vila Nova de Gaia - Porto, onde o vinho era armazenado e, posteriormente, comercializado. Todos os anos é feita esta corrida, que se torna realmente num espectáculo muito bonito e tão do agrado dos forasteiros.



[POR TUDO ISTO NÃO TENHO IDO FAZER A VISITA AOS BLOGUES, MAS RETOMAREI EM BREVE.]

sexta-feira, 24 de junho de 2011

PORTO SENTIDO - POEMA DE CARLOS TÊ

Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende ate ao mar

Mosteiro da Serra do Pilar - Vila Nova de Gaia


Ponte de D. Luís (perspectiva das Fontainhas)
Fontainhas

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, são-joanina
dirigida sobre um monte
no meio da neblina.



Fontainhas
Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós. 

Fontainhas
É esse teu ar grave e sério
dum rosto de cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria


Centro da Cidade
Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento



E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez

de milhafre ferido na asa 


Estação de S. Bento


Este poema musicado por Rui Veloso, tornou-se numa carismática canção à cidade do Porto.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

VIVER AS TRADIÇÕES...S.JOÃO NO PORTO

A festa de S. João do Porto, é considerada única no mundo, para mim é porque não conheço outra… Esta festa leva-me para boas recordações da minha infância e adolescência, porque agora já fico muito pela periferia! A festa foi se modernizando com os tempos, mas continua a ser uma festa popular.
Todos os bairros participam neste evento, colocando ornamentações, iluminações e palco para a música, assim como as barraquinhas de comes e bebes e as fogueiras. De festa em festa o Porto torna-se uma grande festa!
Em 1911, o dia de S. João, 24 de Junho, foi considerado como o dia de festa da cidade e feriado municipal.
As pessoas começam por jantar e o dia tem pratos populares específicos: o caldo verde com a rodela de chouriço e a fatia de broa de Avintes, a sardinha assada com batata cozida e pimentos e o carneiro ou anho assado.
Depois é andar pelas ruas a bater na cabeça uns dos outros, com o alho-porro, o mais tradicional, ou outras variantes, que foram aparecendo.
Outros ficarão no seu bairro, dançando, saltando à fogueira, petiscando…até de madrugada. E as «orvalhadas» acabam sempre por aparecer!
Muitos no final vão até à praia tomar um banho e por lá ficam deitados!
Para mim o mais interessante é saber o porquê das tradições. Há na cidade do Porto duas pessoas que se tornaram «autoridades», pelas pesquisas históricas feitas à cidade, o que depois tem motivado, passeios de estudo, aulas, conferências e livros sobre o Porto, são eles: o Dr. Helder Pacheco e o ex-jornalista Germano Silva. É precisamente um texto de Germano Silva que vou colocar aqui, que aborda as tradições mais antigas desta festa popular.

 (...) Festa cíclica, de raiz nitidamente pagã, o S. João do Porto assenta, fundamentalmente em “sortes” amorosas, encantamentos e divinações que se devem relacionar, por um lado, com o casamento, a saúde e a felicidade, mas que andam também estreitamente ligadas aos antigos cultos pagãos do Sol e do fogo e às virtudes das ervas bentas, ao orvalho, às fogueiras, à água dos rios, do mar e das fontes.

Quem saltar a fogueira na noite de S. João, em número ímpar de saltos e no mínimo três vezes, fica por todo o ano protegido de todos os males. Diz a tradição que as cinzas de uma fogueira de S. João curam certas doenças de pele. Para certos males, são benéficos os banhos que se tomem na manhã do dia de S. João, mas antes de o sol nascer. No Porto, os que se tomavam nas praias do rio Douro ou nos areais da Foz valiam por nove...

As orvalhadas têm a ver com a fecundidade. Uma mulher que se rebole de madrugada sobre a erva húmida dos campos fica apta para conceber. Segundo um conceito antigo, as orvalhadas eram entendidas como o suor ou a saliva dos deuses da fertilidade. Uma outra velha tradição assegura que os namoros arranjados pelo S. João são muito mais duradouros do que os que se formam pelo Carnaval, “que não vêem chegar o Natal..."

Um antigo costume são-joanino consiste em fazer subir balões confeccionados com papéis de várias cores. Sobem ao ar como sóis iluminados sob o impulso do fumo e o calor de uma chama que consome uma mecha de petróleo ou resina. Estas práticas são velhos resquícios de um antigo culto ao Sol.

S. João é também casamenteiro. Ao toque da meia-noite a menina casadoira atira um cravo para a rua. Se for apanhado por um rapaz, em breve ela casará. O mês de Junho passa célere por entre o canto fruste das cigarras e a risada vermelha das papoilas. Mas a folha da oliveira também entra no sortilégio das cantigas de amores: “Ó meu S. João Baptista / ouvi-me que eu sou solteira / destinai o meu marido / nestas folhas de oliveira...” Havia no Porto, ainda há relativamente pouco tempo, o costume de se erguerem arcos de madeira com que se enfeitavam determinadas ruas para a grande festa. O cimo desses arcos terminava em triângulo, que era a forma ou o símbolo do Sol para certas religiões antigas.

O cristianismo soube, de forma inteligente, reconheça-se, cristianizar as festas pagãs em geral e o S. João em particular. O nome do santo precursor passou, depois disso, a dominar e a proclamar uma festa que no Porto se celebra na noite de 23 para 24 de Junho com desfiles de marchas, arraiais nos quatro cantos da cidade e bailaricos. O S. João do Porto é o povo na rua, a multidão que transborda de avenidas, praças e ruas, desemboca de vielas e azinhagas, de alho porro na mão ou brandindo o martelinho,
(É com ele que se bate na cabeça de quem passa, a manter a tradição do desejo ritual de boa sorte e de fortuna. Desde os anos sessenta com o martelinho de plástico colorido a substituir a tradição da planta sagrada, que muitos, felizmente, teimam em levar à festa, no desejo de conservar a antiga praxe .) mas sempre com um chiste travesso na boca, a descambarsolidariedade.
(...)
Germano Silva, in Porto Turismo


terça-feira, 21 de junho de 2011

SOBRE OS PORTUGUESES...

Steve Lewis criou a empresa CEO da Living PlanIT, que é a promotora de um projecto para Paredes, que ocupará uma área de 17 kilómetros quadrados, criará entre vinte e trinta mil empregos, atrairá 12 mil empresas de todo o mundo e envolverá um investimento total de dez mil milhões de euros.

Lewis não está preocupado com a situação que atravessa Portugal. A crise económica não o deprime, acredita que os tempos difíceis podem ser prósperos em «oportunidades de negócio».
Nasceu em Londres, «muito pobre», começou a trabalhar com 17 anos. Dividia-se entre a escola e dois empregos «vendendo jornais e fazendo alguns trabalhos de limpeza». De emprego em emprego chegou à sua grande paixão a informática, até chegar à Microsoft.
Está a viver em Portugal há três anos, primeiro em Amarante e agora em Santo Tirso, é uma pessoa desprendida e diz: «Preocupa-me o que é realmente importante na vida, as pessoas».
Lewis considera os portugueses simpáticos, acolhedores e abertos a tudo. Como característica destaca a «humildade excessiva». Portugal não gosta de si próprio, não acredita nas suas capacidades, deixou de ser inovador, tornando-se governodependente.
Um povo que teve um passado glorioso e aventureiro, vive mergulhado num estado de incredulidade, de desconfiança aguçada perante uma ideia que pode ser exequível em qualquer país, menos em Portugal. A falta de auto-estima estende-se às camadas mais jovens.


Em Paredes, cidade na periferia do Porto, vai arrancar o Ubiquitous City, ou U-City, ou cidade ubíqua, é um conceito utilizado para definir cidades onde toda a tecnologia de informação está aplicada e todos os sistemas estão interligados. As chamadas smarcities como PlanIT Valley, em Paredes, Dongtan, na China, Songdo, na Coreia do Sul e Mascar em Abu Dhabi, serão cidades ubíquas.

Richard Zimler é um dos escritores que muito aprecio! Acabou de publicar «Ilha Teresa», uma história de uma rapariga de 15 anos, que vai viver com a família para Nova Iorque e sente-se uma «ilha», num mundo desconhecido.
Zimler fez o percurso ao contrário, veio de Nova Iorque e vive no Porto (já tem nacionalidade portuguesa) há vinte anos. Confessa que sofreu muitos choques culturais, em parte porque não reconhecia as regras «não-ditas» da sociedade.

Para ele o grande problema dos portugueses é a «passividade». «Os portugueses não têm dinamismo, ficam parados à espera que os problemas desapareçam». «Não pensem que é o dinheiro do FMI que vai resolver os problemas, há coisas que o dinheiro não resolve, a solução está no exercício da cidadania».

domingo, 19 de junho de 2011

ESPINHO SEMPRE FOI UM LOCAL DE FUGA...

Espinho, cidade a 20 km do Porto, está muito associada à minha vida...Com 9 ou 10 anos foi lá que eu aprendi a nadar, na piscina, porque as praias são agradáveis, mas o mar está sempre muito agitado...daí a construção dos paredões, porque o mar estava a «comer» a terra! Muitas vezes fui para a piscina com a família e a diversão começava na viagem de comboio.
Muito mais tarde também comecei a frequentar o Casino, indo ver alguns espectáculos, dançar para a «boite», que preferia ao Salão Nobre, bastante «queque» e também jogar nas «slot-machines», com x dinheiro, pré-estabelecido...mas sempre o que eu mais gostei de apreciar foi os jogadores e as jogadoras inveteradas, que se agarravam a duas ou mais máquinas, febrilmente sempre a meter dinheiro lá para dentro...
Espinho também tem o chamado «picadeiro», local de andar de uma lado para o outro, para se mostrar e para ser vista...há quem goste!...
Outro aspecto cativante desta cidade, são os seus restaurantes. Lá come-se bom peixe e bom marisco...local privilegiado para ceias até às tantas...





sexta-feira, 17 de junho de 2011

BOM FIM-DE-SEMANA!...


Vou fugir para longe, hoje acordei com um ataque desvairado de claxons, devido às ruas que foram cortadas para este evento tão apreciado pelo Presidente da Câmara do Porto, Dr. Rui Rio! Eu vivo no núcleo deste «festa automobilística» à margem da crise!...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

DOMINGO NA DOCA


(MÚSICA: ONDEIA - DULCE PONTES)

DOMINGO NA DOCA


Percorro o espaço solitário...

Os barcos são embalados 

Pela inquietude das águas…
Tudo está suspenso…mas preparado…
De madrugada rasgarão o mar
De risos e mágoas…
O silêncio é quebrado
Pelo grito das gaivotas
E pelos ruídos das coisas
Que o vento agita…
Numa estranha melodia
Desconcertante, sem notas!

Daqui por umas horas 
Será o burburinho, o alvoroço
A labuta de mais uma jornada…
Solidariamente faço um esboço
Coragem e medo
Alegria e tristeza…
Amanhã muito cedo
Partem transpirando de incerteza…
Mas atarefados na faina
Sem tempo para pensar
Será mais um dia para colher
O pão que lhes dá o mar!...

[ms]

quarta-feira, 15 de junho de 2011

SICRANO DE BERGERAC


Gosto de Teatro, sempre gostei, aprecio aquele trabalho sem «rede»! Mas falar aqui de teatro seria maçador!
Para quem me leia, aqui dos meus sítios, vai esta dica, no Constantino Nery pode-se ver bom teatro por 5 euros, mais barato que ir ao cinema!

Sicrano de Bergerac, é uma adaptação de «Cyrano de Bergerac», de Edmond Rostand, que transpõe a acção de Paris do séc. XVII para uma cidade portuguesa no final do séc. XX. Nesta versão a aristocracia das cortes de Luís XIII e de Luís XIV é substituída pela actual mediocracia das televisões e da cultura de massas.
«Sicrano» dá relevo a uma certa marginália nocturna, composta de prostitutas, cantores de música ligeira, delinquentes e taxistas, e a um certo star-system, mais popular. Tal como no original, o texto explora o tema da diferença entre beleza física e beleza espiritual,  enquadrado numa história, em que está em jogo, a celebridade, o anonimato, a marginalidade e o amor. Este texto proporciona aos actores experimentar, interpretar, vivenciar emoções comuns a todos nós.

A dramaturgia é de Jorge Lourenço, a encenação e figurinos de Luísa Pinto a direcção musical de Carlos Tê.
Esta peça foi a conclusão da tese de mestrado de Luísa Pinto, responsável pelo teatro Constantino Nery e obedeceu a um programa de «INCLUSÃO SOCIAL», tendo a participação de actores profissionais e de reclusos e reclusas de dois Estabelecimentos Prisionais.


terça-feira, 14 de junho de 2011

CRISE DE INFANTILIDADE NA TERRA DO NUNCA


PETER PAN!?... Se bem se lembram vivia numa terra onde as crianças não cresciam, não tinham que enfrentar a realidade, não tinham projectos nem futuro…
À nossa Terra do Nunca, chegaram uns senhores, para ensinar como se governa uma terra que foi ao fundo, os remédios impostos, podiam ter sido tomados há muito, se houvesse coragem…mas não, de forma infantil fomos levados até ao fundo!
Gerou-se a balbúrdia e as crianças começaram a correr o país, querendo vender ilusões…da mesma maneira de sempre…infantilmente…com brincadeiras a despropósito…tão fora da realidade!..
Pedia-se um debate de ideias, uma mudança de paradigma, um corte epistemológico…isto era muito para as crianças…o melhor era continuar a não ver a realidade…continuar numa alienação…
Agora as crianças divertem-se com o saco das guloseimas: vou dar-te esta! Não, quero a outra! Esta é boa! Mas eu gosto mais da outra!...
Parece que estamos na Terra do Nunca…mas faltam-nos os sonhos…ou mesmo assim continuamos a sonhar?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

FERNANDO PESSOA (LISBOA, 13 DE JUNHO DE 1888)

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935).

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus. >>>
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos

Fernando Pessoa por Almada Negreiros

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus deu ao mar o perigo e o abismo,
Mas nele é que espelhou o céu.
                    Fernando Pessoa, in Mensagem