«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sábado, 30 de junho de 2012

LEITURAS, RELEITURAS E PESQUISAS


Uma mulher só em palco, fala ao telefone com o seu (invisível e inaudível) amante perdido. A voz humana é enganadoramente simples - apenas uma actriz em palco durante uma hora, falando ao telefone. Na realidade, está repleto de referências dramáticas às experiências Vox Humana dos dadaístas.
Nenhuma outra obra de Cocteau inspirou tantas criações: a ópera homónima de Francis Poulenc, a ópera buffa de Gian Carlo Menotti, Le Telephone, e a versão em filme de Roberto Rosselini, com Anna MagnaniL'Amore (segmento: Il Miracolo) de 1948. Esta obra tem vindo a atrair um conjunto de grandes actrizes, incluindo Simone SignoretIngrid Bergman e Liv Ullmann (em teatro) e Julia Migenes (em ópera).

O que?…………………………. Oh! sim, mil vezes melhor. Se não tivesses telefonado morreria………………………… Não……………………… espera…………………………….. espera……………………………… encontremos uma saída…………………………… Perdoa-me. Eu sei que é uma cena intolerável, e muita paciência tens tu, mas compreende-me, querido; sofro, sofro como nunca. Este fio é a única coisa que me liga ainda à nossa vida………………………….. Anteontem à noite? Dormi. Deitei-me com o telefone……………………… Não, não. Levei-o para a cama………………. Claro, fui ridícula, mas se levei o telefone para a cama é porque ele, apesar de tudo, nos une ainda. Liga esta casa à tua casa e não te esqueças que me tinhas prometido falar. Imagina que mergulhei numa confusão de sonhos. A tua chamada transformava a campainha do telefone num som mortal e eu caía; depois, vi um pescoço branco que alguém estrangulava; depois ainda, achei-me no fundo dum mar que se parecia com o apartamento de Auteuil, ligada a ti por um tubo de escafandro e a suplicar-te que não o cortasses. Enfim, sonhos estúpidos quando se contam; mas o pior é que durante o sono eram demasiado vivos. Terrível, meu amor…………………………………………….. Porque tu me falas. Há cinco anos que vivo de ti, que és o único ar que posso respirar, que levo o tempo à tua espera, a julgar-te morto quando te demoras, a morrer porque te julgo morto, a reviver quando entras e te vejo, a morrer com medo de partires. Neste momento, respiro porque tu me falas. O meu sonho, afinal, não é assim tão falso; se desligares agora, morrerei afogada naquele mar que parecia o teu apartamento……………………………………………………………………… De acordo, meu amor; dormi. Dormi porque era a primeira vez. O médico bem disse: é uma intoxicação. Mal ele sabia… A primeira noite, dorme-se. O sofrimento distrai, é uma novidade, suportamo-lo. O que não se suporta é a segunda noite, a de ontem, e a terceira, a de hoje, a que vai começar dentro de alguns minutos, e amanhã e depois de amanhã, dias sobre dias, a fazer o que, meu Deus?


segunda-feira, 25 de junho de 2012

NÃO SE DEIXE MORRER POR DENTRO

Edward Hopper

A agitação em que se vive exige sossego, solidão para estarmos a sós connosco, para olhar para dentro, para ordenar as ideias. Uma solidão controlada, com o tempo certo. No entanto a solidão para muitos está sempre omnipresente, uma sombra opressiva de isolamento com os outros. Esta solidão, segundo estudos feitos antecipa a morte. Esta tristeza solitária produz alterações hormonais e químicas. O problema não está em viver-se sozinho, mas em sentir-se sozinho, mesmo quando temos a casa cheia. É preciso lutar contra a solidão, é preciso lutar para ser feliz e não se deixar morrer por dentro.

domingo, 17 de junho de 2012

A INVENÇÃO DO DIA CLARO (excertos) - ALMADA NEGREIROS

ALMADA NEGREIROS

Imaginava eu que havía tratados da vida das pessoas, como ha tratados da vida das plantas, com tudo tão bem explicado, assim parecidos com o tratamento que ha para os animaes domesticos, não é? Como os cavalos tão bem feitos que ha!
Imaginava eu que havia um livro para as pessoas, como ha hostias para cuidar da febre. Um livro com tanta certeza como uma hostia. Um livro pequenino, com duas paginas, como uma hostia. Um livro que dissesse tudo, claro e depressa, como um cartaz, com a morada e o dia.
* * * * *
Não achas, Mãe? Por exemplo. Ha um cão vadio, sujo e com fome, cuida-se deste cão e ele deixa de ser vadio, deixa de estar sujo e deixa de ter fome. Até as crianças já lhe fazem festas.
Cuidaram do cão porque o cão não sabe cuidar de si–não saber cuidar de si é ser cão.
Ora eu não queria que cuidassem de mim, mas gostava que me ajudassem, para eu não estar assim, para que fosse eu o dono de mim, para que os que me vissem dissessem: Que bem que aquele soube cuidar de si!
Eu queria que os outros dissessem de mim: Olha um homem! Como se diz: Olha um cão! quando passa um cão; como se diz: olha uma arvore! quando ha uma arvore. Assim, inteiro, sem adjectivos, só de uma peça: Um homem!
* * * * *
Mas eu andei a procurar por todas as vidas uma para copiar e nenhuma era para copiar.
Como o livro, as pessoas tinham principio, meio e fim. A principio o livro chamava-me, no meio o livro deu-me a mão, no fim fiquei com a mão suada do livro de me ter estendido a mão.
Talvez que nos outros livros… mas os titulos dos livros são como os nomes das pessoas–não quere dizer nada, é só para não se confundir…
* * * * *
Sonhei com um paíz onde todos chegavam a Mestres. Começava cada qual por fazer a caneta e o aparo com que se punha á escuta do universo; em seguida, fabricava desde a materia prima o papel onde ia assentando as confidencias que recebia directamente do universo; depois, descia até ao fundo dos rochedos por causa da tinta negra dos chócos; gravava letra por letra o tipo com que compunha as suas palavras; e arrancava da arvore a prensa onde apertava com segurança as descobertas para irem ter com os outros. Era assim que neste país todos chegavam a Mestres. Era assim que os Mestres iam escrevendo as frases que hão-de salvar a humanidade.
* * * * *
Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa–salvar a humanidade.

Ps. Ortografia da época.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

EVOCAÇÃO DE EUGÉNIO DE ANDRADE

MARIA VARBANOVA
Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei ás romãs a cor do lume

Eugénio de Andrade


EVOCAÇÃO DE EUGÉNIO - EXPOSIÇÃO NO ESPAÇO Q, ASSOCIAÇÃO DAS QUADRAS SOLTAS, RUA DE MIGUEL BOMBARDA - PORTO

quarta-feira, 13 de junho de 2012

EXCERTO de: «Nobreza de Espírito-Um Ideal Esquecido» de Rob Riemen


"Baruch de Espinosa tem 24 anos quando abandona o meio mercantil em que foi criado para dedicar o resto da sua vida à demanda da verdade e à meta de uma vida vivida com verdade. .../...
A mente é o maior dom da humanidade. Pensando por si, qualquer pessoa pode familiarizar-se com o que é verdadeira e duradouramente bom e viver em conformidade. A melhor vida é desse modo inteiramente dedicada ao pensamento, ao amor da sabedoria. Numa carta a um amigo, Espinosa confessa: «Que cada um viva de acordo com as suas inclinações pessoais tanto quanto eu posso viver para a verdade». Ao mesmo tempo, compreende que a verdade e a liberdade estão sempre entrelaçadas. Quem não for livre não pode viver com verdade."

sexta-feira, 8 de junho de 2012

QUINTA DAS LÁGRIMAS (EXTERIOR E INTERIOR)

Há dias usufruiu desse beleza ímpar, local cheio de mitos e místicas, que deixa a alma bucólica!...
Depois da luxuriante Natureza, a casa onde a decoração, a luz entrando suave pelos cortinados semi-abertos me levou até um filme de época. Como fundo musical escolhi o adagio do concerto de oboé de A. Marcello



http://pt.wikipedia.org/wiki/Quinta_das_L%C3%A1grimas



Além da Fonte dos Amores, Luís de Camões, baptizou uma outra com o nome de "Fonte das Lágrimas", nascida das lágrimas que Inês chorou ao ser assassinada. O sangue de Inês terá ficado preso às rochas do leito, ainda rubras após seis séculos e meio...
"As filhas do Mondego, a morte escura
Longo tempo chorando memoraram
E por memória eterna em fonte pura
As Lágrimas choradas transformaram
O nome lhe puseram que ainda dura
Dos amores de Inês que ali passaram
Vede que fresca fonte rega as flores
Que as Lágrimas são água e o nome amores"
Os Lusíadas, canto III.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

UM ASSUNTO NADA PACÍFICO - OS DIREITOS LGBT


Gostei de um artigo que li sobre esta temática de Valter Hugo Mãe-JL.(nº.1080)

«Adiar os direitos LGBT é adiar a humanidade. É optar pelo lado animal, irracional, que nos compõe e persistir em abdicar da plenitude afetiva que deve significar ser-se pessoa. Ser-se pessoa deve assentar na capacidade de gostar, porque só no afeto se justifica a resistência perante cada dificuldade da vida. A felicidade implica o outro ou a expectativa do outro, e quem se desmobiliza nos afectos desistiu de ser feliz. Em certa medida, quem se desmobilizou dos afectos desistiu de ser gente.»
Trata-se obviamente do latente estigma contra a homossexualidade. Existe uma falsa tolerância, quando nem de tolerância se trata, mas sim de aceitação. Aceitando a diferença como algo que a natureza define, na sua diversidade, sem condenação, nem maldade.  
É uma falácia o argumento «contra natura»! 

A homossexualidade é uma das três principais categorias de orientação sexual, juntamente com a bissexualidade e a heterossexualidade, sendo também encontrada em muitas espécies animais.

«A vida funciona de acordo com o que é. Não resolve querer mudar ou existir legislação para se reprimir o que se é. É preciso aceitar e também entender cada situação. A questão está em se colocar diante de uma realidade de efetiva evolução espiritual».

O aspeto mais delicado e controverso desta questão ainda é adoção. V. Hugo Mãe diz sobre isso:

«O desassombro em relação ao tema, será sempre seguido pela naturalidade dos miúdos. Porque o preconceito pertence aos adultos, as crianças vão sempre amar quem as ama, muito antes de saberem o nome das coisas.»

A não promulgação desta lei é uma hipocrisia, porque sempre houve e há, maneiras de contornar a questão, só que será sempre mais penalizadora, ninguém gosta de viver em ilegalidade. Acrescento que considero que a homossexualidade não é contagiosa e se um dia mais tarde forem descriminados, pela sociedade, será por esses monstros da tolerância»!