«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 31 de julho de 2012

Exposição em Serralves - Ernesto de Sousa - ALMADA, UM NOME DE GUERRA/NÓS ESTAMOS ALGURES

ALMADA NEGREIROS - (1893-1970)  artista multidisciplinar, pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo e romancista, ligado ao grupo modernista.













quarta-feira, 25 de julho de 2012

ANTÓNIO CRUZ - «O PINTOR E A CIDADE»

NOTA BIOGRÁFICA
por Laura Castro



1907 Nasce no Porto a 9 de Março, na Rua Nossa Senhora de Fátima, então Rua das Valas, freguesia de Cedofeita, filho de Avelino da Conceição Cruz e de Luísa da Silva.
Desde cedo manifesta a vocação para o desenho.

1920
Frequenta a Escola Infante D. Henrique onde conclui o curso de Condutor de Máquinas.
Desloca-se dentro da cidade e nos seus arredores para registar aspectos da paisagem. Ramalde, Campo Alegre e Leça do Balio são alguns dos primeiros locais representados nas suas obras iniciais.

1928
Cumpre o serviço militar na Companhia de Torpedos em Paço de Arcos.
Realiza alguns dos primeiros trabalhos de publicidade e ilustrações de livros escolares no escritório de amigos.
Exposição nas Termas de Vizela, sem sucesso. Exposição no Casino da Póvoa.

1930
Reside na Rua João de Deus, nº 190, casa 23.
Matricula-se na Escola de Belas-Artes do Porto sem o conhecimento dos pais. É aluno de Acácio Lino (1878-1956), Joaquim Lopes (1886-1956) e Dordio Gomes (1890-1976) em Pintura e de Pinto do Couto (1888-1945) e Barata Feio (1898-1990) em Escultura.

1931/32
Concorre a pensionista do Legado Ventura Terra para continuar os seus estudos na escola portuense, obtendo para o efeito um atestado de pobreza da Junta de Freguesia de Ramalde. Participa em exposições do grupo “+ Além”.

1932
Obtém, enquanto aluno da Escola de Belas-Artes, o prémio de desenho “José Rodrigues Júnior”.

1933
Desenha incessantemente. Nos cafés realiza apontamentos de figura e retratos de circunstância. Estes trabalhos revelar-se-ão fundamentais para a dedicação à carreira artística. Frequenta, nomeadamente, o café Vitória, na Avenida dos Aliados.
Instala um atelier nas instalações da Maternidade Júlio Dinis – no futuro bloco operatório – graças ao mecenato de Alfredo Magalhães.
Paralelamente António Cruz beneficiava de uma “conta” na Papelaria Modelo, no Largo dos Lóios, onde podia adquirir os materiais necessários.

1934
Após a morte de seu pai, interrompe os estudos e refugia-se em Ponte da Barca. Aproveita todo o tempo para pintar.
Um grupo de 72 alunos da Escola de Belas-Artes do Porto elabora um abaixo-assinado solicitando à Direcção da Escola auxílio material que permita a António Cruz prosseguir os seus estudos. Entre esses alunos contam-se Dominguez Alvarez, Guilherme Camarinha, Augusto Gomes, Laura Costa, Ventura Porfírio e Agostinho Ricca.

1935
O mesmo grupo de alunos dirige-se, em idênticos termos, à Câmara Municipal do Porto que aprovou uma mensalidade de “trezentos escudos” destinada a custear as despesas inerentes ao curso, inicialmente suportada pela Câmara e, depois, com a colaboração da Junta de Freguesia do Bonfim. Esta bolsa de estudo é obtida no período em que Alfredo de Magalhães é Presidente da Câmara Municipal do Porto e manter-se-á até 1944, permitindo ao artista prosseguir os seus estudos.

1937
Viaja pela Grã-Bretanha onde pinta e realiza visitas a museus. António Cruz partiu do Porto, à boleia, num cargueiro carregado de cortiça que se dirigia ao Norte da Europa.

1938/39
Conclui o Curso de Pintura da Escola de Belas-Artes.

1939
Um grupo de amigos, admiradores e mecenas organiza aquela que é considerada a sua primeira exposição individual no Salão Silva Porto. Entre as figuras que participaram na iniciativa contam-se: Dr. Alfredo Magalhães, Joaquim Lopes, Aarão de Lacerda, Dr. Melo Alvim, Engº Brito e Cunha, D. Isabel Guerra Junqueiro. Na inauguração, a 18 de Novembro, António Cruz foi apresentado por Aarão de Lacerda, director da Escola de Belas-Artes do Porto e Melo Alvim fez a conferência de abertura.
Após a sua apresentação no Porto, em Novembro, a exposição é inaugurada em Dezembro do mesmo ano, em Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas-Artes. A exposição é inaugurada pelo Chefe de Estado e pelo Ministro da Educação Nacional.
Durante a exposição sucedem-se diversas manifestações de homenagem: a 13 de Dezembro, um almoço no restaurante Tavares; no dia 15 de Dezembro Ressano Garcia apresenta Melo Alvim, autor da conferência de encerramento.

1942
Frequenta o Curso de Escultura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto, obtendo uma medalha.

1944
Participa nas exposições dos Independentes que tiveram lugar no Salão do Coliseu do Porto e no Salão de “O Primeiro de Janeiro” em Coimbra.

1945
Apresenta a prova de final de curso com a obra “Adoração dos Pastores”, obtendo a classificação de 18 valores.

1946
Obtém uma bolsa do Instituto de Alta Cultura para estudos de “aperfeiçoamento em aguarela”. A ideia de que António Cruz seria comunista obrigou à intervenção de várias figuras, no sentido de esclarecerem que tal ideia não correspondia à realidade e que não deveria interferir com a atribuição da bolsa. O Prof. Reynaldo dos Santos foi um dos que escreveu a prestar tal esclarecimento.
Participa na Exposição de Arte Moderna do SNI em Lisboa.

1947
Obtém os Prémios José Tagarro (desenho) e Roque Gameiro (aguarela) atribuídos pelo SNI após a sua participação na II Exposição de Desenho, Aguarela, Gouache, Desenho e Gravura daquele organismo, em Lisboa no mês de Novembro.
Participa na Exposição de Arte Moderna do SNI em Lisboa.

1948
Obtém o Prémio Teixeira Lopes (escultura) pela participação na Exposição de Arte Moderna do SNI em Lisboa.

1949
Participa nas seguintes exposições: Exposição dos Independentes, organizada em Braga; V Exposição de Arte Moderna dos Artistas do Norte, organizada pelo SNI, em Maio; Exposição dos Artistas Premiados pelo SNI (1935-1948), Lisboa.

1951
Participa na exposição “Como Alguns Artistas Viram o Porto”, organizada pelo Gabinete de História da Cidade na Biblioteca Pública Municipal do Porto.

1952
Participa na Exposição dos Artistas Premiados pelo SNI, em Lisboa.

1954
Casa com Ofélia Marques da Cunha na Igreja de Santo Ildefonso, no Porto.

1955
Obtém uma medalha durante a frequência do curso de Escultura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto.

1956
Manoel de Oliveira realiza o filme O Pintor e a Cidade que tem como personagem principal a figura do pintor António Cruz, filme apresentado no Festival de Veneza.

1957
Participa na I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian.

1958
Inicia funções docentes na escola de Artes Decorativas de Soares dos Reis, no Porto. Participa na Exposição de Obras do Norte admitidas à I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, realizada no Ateneu Comercial do Porto.

1962
Apresenta-se a concurso de provas públicas para provimento de um lugar de professor na Escola de Belas-Artes do Porto.

1963
É professor agregado de Desenho na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, após aprovação em mérito absoluto no concurso público realizado.
Participa na exposição “O Rio e o Mar na Vida da Cidade”, comemorativa da inauguração da Ponte da Arrábida, organizada no Porto, na Casa do Infante.

1964
Conclui os estudos de Escultura na Escola de Belas-Artes. Não chegará a apresentar a obra de tese nesta área.

1965
Participa na exposição “Dois Séculos de Modelo Vivo na ESBAP – 1765-1965” que teve lugar na ESBAP.

1970
Participa na “Exposição de obras oferecidas para leilão a favor do T.E.P.”, organizada em Dezembro, na Galeria Dois, no Porto.

1971
Participa na “Exposição de Arte” organizada no âmbito da Queima das Fitas, na Faculdade de Engenharia do Porto.

1973
Participa na “Exposição de Aguarelas”, organizada em Novembro na Galeria Paisagem, no Porto.

1975
Participa na exposição “Levantamento da Arte do Século XX no Porto” organizada pelo Centro de Arte Contemporânea no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto e na Sociedade Nacional de Belas-Artes em Lisboa.

1982
Os artistas Armando Alves e José Rodrigues e o editor José da Cruz Santos organizam, na Casa do Infante, uma exposição de obras de António Cruz e um serão de homenagem ao artista. É então lançado o álbum O Pintor e a Cidade com a reprodução de aguarelas de António Cruz e um texto de Agustina Bessa-Luís.
O jornal “O Comércio do Porto”, associando-se à homenagem, lança um concurso subordinado ao tema “O Pintor e a Cidade”.
A exposição tem grande impacto na imprensa e António Cruz cede às solicitações para conceder entrevistas, situação inédita até então.
Participa na exposição “Os Anos 40 na Arte Portuguesa”, realizada em Lisboa na Fundação Calouste Gulbenkian.

1983
É realizada uma exposição individual na Galeria Diagonal, em Cascais, entre 15 de Abril e 5 de Maio.
Morre no Porto a 29 de Agosto.

O realizador MANUEL DE OLIVEIRA, imortalizou-o no documentário «O PINTOR E A CIDADE»



quarta-feira, 18 de julho de 2012

LENDO MÁRIO DIONÍSIO

Francina van Hove



ARTE POÉTICA


A poesia não está nas olheiras imorais de Ofélia 
nem no jardim dos lilases.
A poesia está na vida,
nas artérias imensas cheias de gente em todos os sentidos, 
nos ascensores constantes,
na bicha de automóveis rápidos de todos os feitios e de todas as cores, 
nas máquinas da fábrica e nos operários da fábrica 
e no fumo da fábrica.
A poesia está no grito do rapaz apregoando jornais, 
no vaivém de milhões de pessoas conversando ou prague­jando ou rindo.
Está no riso da loira da tabacaria,
vendendo um maço de tabaco e uma caixa de fósforos. 
Está nos pulmões de aço cortando o espaço e o mar. 
A poesia está na doca,
nos braços negros dos carregadores de carvão,
no beijo que se trocou no minuto entre o trabalho e o jantar
— e só durou esse minuto.
A poesia está em tudo quanto vive, em todo o movimento, 
nas rodas do comboio a caminho, a caminho, a caminho 
de terras sempre mais longe,
nas mãos sem luvas que se estendem para seios sem véus,
na angústia da vida.
A poesia está na luta dos homens,
está nos olhos abertos para amanhã.


COMPLICAÇÃO


As ondas indo, as ondas vindo — as ondas indo e vindo sem
parar um momento. 
As horas atrás das horas, por mais iguais sempre outras. 
E ter de subir a encosta para a poder descer. 
E ter de vencer o vento. 
E ter de lutar.
Um obstáculo para cada novo passo depois de cada passo. 
As complicações, os atritos para as coisas mais simples. 
E o fim sempre longe, mais longe, eternamente longe.
Ah mas antes isso!
Ainda bem que o mar não cessa de ir e vir constantemente. 
Ainda bem que tudo é infinitamente difícil. 
Ainda bem que temos de escalar montanhas e que elas vão
sendo cada vez mais altas. Ainda bem que o vento nos oferece resistência 
e o fim é infinito.
Ainda bem. 
Antes isso.
50 000 vezes isso à igualdade fútil da planície.


...///...

Pior que não cantar 
é cantar sem saber o que se canta

Pior que não gritar
é gritar só porque um grito algures se levanta

Pior que não andar
é ir andando atrás de alguém que manda

Sem amor e sem raiva as bandeiras são pano 
que só vento electriza 
em ruidosa confusão 
de engano

A Revolução
não se burocratiza

domingo, 15 de julho de 2012

TerraVita Sadia


TerraVita Sadia – Um por dia…nem sabes o bem que te faria
Com TerraVita Sadia, o Planeta Melhora dia a dia

O Prof. Al Mofariz, seu assistente Pilão, Dra, Ampola de Decantação e Serpentina, estudaram e desenvolveram o TerrVita Sadia, que contem 12 princípios ativos na sua composição, cada um na dose a que, aqui, se faz menção:
AR RESPIRÁVEL: adicionar uma quantidade apreciável.
ÁGUA POTÁVEL: usar o volume exatamente indispensável.
SOLO ARÁVEL: apenas o requerido para uma agricultura indispensável.
RIOS, PRAIAS, MARES E OCEANOS.: Utilizar q.b., sem provocar danos.
ENERGIA: preferir a de fonte renovável e gastá-la apenas naquilo em que for inevitável.
FLORESTAÇÂO: plantar o que for próprio de cada região.
BIODIVERSIDADE: preservar a sua imensidade.
INDÙSTRIAS NÂO POLUENTES:  assegurar o tratamento de efluentes.
GASES COM EFEITO DE ESTUFA: moderar o lufa-lufa das suas emiss~oes por carros, barcos e aviões.
MATÈRIAS_PRIMAS DE ORIGEM NATURAL: usar em quantidade frugal.
RESÌDUOS SOLOS URBANOS: minimizar os seus danos, reduzindo a produção, aumentando a reutalização, incentivando a reciclagem e intensificando a compostagem.
ALIMENTOS E OUTROS CONSUMÌVEIS DIÀRIOS: restringir aos estritamente necessários, comercializados nas mercearias ou nos hipermercados.

TerraVita Sadia é utilizado para o planeta superar, sem qualquer entrave, a sua situação clínica grave, permitindo tratar, sem complacência, as patologias a que, a seguir se faz referência:
Incontinência crónica ou pontual.
Flatulência.
Debilidade geral.
Solo e ar poluídos por diversas vias.
Aquecimento global
Esgotamento de energias.
Águas contaminadas.
Perda de biodiversidade.
Alergias de origens não identificadas.
Anemia de recursos naturais
Agitação magmática nos diversos pontos cardeais
Camada de ozono depauperada
Tensão arterial descompensada
 (excertos)
Fonte: TerraVita Sadia - Moreno, Maria José - Ilustrações Maria Campos - Editora: Imprensa da Universidade de Coimbra - Apoios: Bayer e Comissão Nacional da Unesco

quarta-feira, 11 de julho de 2012

CÂNTICO DA VIDA




Des Menschen Seele Gleicht dem Wasser: Vom Himmel kommt es, Zum Himmel steigt es, Und wieder nieder Zur Erde muß es, Ewig wechselnd. GOETHE

Como um murmúrio longínquo
Surpreende-me os ecos
Vibrantes da paisagem
Que me domina em perceção e sonho
Assaltam-me reminiscências da vida
Cenas trágicas e líricas
Ordem e desordem
Suavidade e violência
Receio e coragem na espuma dos dias
Luz e trevas em clareiras de luz sombria!

Abro os olhos
Ainda envolta na bruma noturna
Ouvindo o murmúrio dos regatos,
Na polpa colorida do horizonte da aurora
Suave perfume campestre
Frescura do orvalho que caiu
Pela calada da noite!

As árvores erguem-se num amplexo
Oferecendo-se ao sol
Desafiando a distância
Sobre a transparência iluminada
Nas águas quietas.
Sinto multifacetados estados de espírito
O mar repousa no regaço
Lúcido do poente
Há tranquilidade e intranquilidade
Movimento doce e instável
E as formas emergem
Com o rosto vagamente desfeito
Pelo véu da neblina que as abraça!

À noite vem o prodígio
A teatralidade e o transcendente
Onde brilham fogos sangrentos
Labaredas inflamadas
Luz fascinante e violenta
Limbo abrasador de sonhos feiticeiros!

As sombras adormecem nos rios do horizonte.
Magia e quietude,
Calor do ventre da terra
Recriado entre mãos
Sonho diáfano das viagens maravilhosas
Às fontes da luz cúmplice da lua
Aos castelos mágicos dos dias que virão
Às longínquas arquiteturas do futuro
Às seivas ocultas a irromper
Palpável substância de súbitos arco-íris
Numa explosão de mundividência íntima
Osmose e cântico,
Turbilhão de sentimentos,
Paixão e ascensão
Voo, perfume e mistério!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

ODE À PAZ

GUERNICA - PICASSO
Ode à Paz

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza, 
Pelas aves que voam no olhar de uma criança, 
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza, 
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança, 
Pela branda melodia do rumor dos regatos, 

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia, 
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos, 
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria, 
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes, 
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos, 
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes, 
Pelos aromas maduros de suaves outonos, 
Pela futura manhã dos grandes transparentes, 
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra, 
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas 
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra, 
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna, 
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz. 
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira, 
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz, 
Abre as portas da História, 
                               deixa passar a Vida! 

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"