«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

100 anos!! Nelson Falcão Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912 — Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980) foi um importante dramaturgo, jornalista e escritor brasileiro, tido como o mais influente dramaturgo do Brasil.


  • “O brasileiro é um feriado”.
  • “O Brasil é um elefante geográfico. Falta-lhe, porém, um rajá, isto é, um líder que o monte”.
  • “Sou a maior velhice da América Latina. Já me confessei uma múmia, com todos os achaques das múmias”.
  • “Toda oração é linda. Duas mãos postas são sempre tocantes, ainda que rezem pelo vampiro de Dusseldorf”.
  • “O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”
  • “Na vida, o importante é fracassar”
  • “A Europa é uma burrice aparelhada de museus”.
  • “Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos”.
    • “As grandes convivências estão a um milímetro do tédio”.
    • “Todo tímido é candidato a um crime sexual”.
    • “Todas as vaias são boas, inclusive as más”.
    • “O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato”
    • Não gosto de minha voz. Eu a tenho sob protesto. Há, entre mim e minha voz, uma incompatibilidade irreversível”.
      • “O adulto não existe. O homem é um menino perene”.
      • "Não vou para o inferno, mas não tenho asas"
      • "O óbvio também é filho de Deus."]
      • "O dinheiro compra até amor sincero."
      • WIKIPÉDIA 

domingo, 19 de agosto de 2012

ESPAÇO EDP - VIEIRA DA SILVA - O ESPAÇO E OUTROS ENIGMAS

«A TROCA
Se Vieira for a caligrafia, Arpad é a linha do caderno. A caligrafia avança sobre a linha e a linha segue-a no seu avanço. O avanço de Vieira é feito com lanças altas, levantadas na vertical, mas que às vezes se deitam na horizontal para abrir caminho ao seu caminho. A linha de Arpad tem uma quietude que, de tempos a tempos, se inquieta. Então, a linha gira em volta da sua luz e torna-se movimento da paragem.
Se Vieira for o labirinto, Arpad é o fio de Ariadne. O nosso olhar perde-se nela e encontra-se nele. Ou perde-se nele e encontra-se nela, porque, como diz Walter Benjamin, devemos aprender a perdermo-nos numa cidade como se ela fosse uma floresta.
As cidades de Vieira são nervosas e rápidas. As de Arpad tornam-se calmas e lentas. Nas cidades de Vieira há a fragilidade que lhes dá leveza. Nas cidades de Arpad há a certeza que lhes dá dúvida. As cidades de Vieira fogem e as de Arpad regressam. As cidades dela são o futuro do passado e as dele são o passado do futuro. As cidades de Vieira escrevem-se no espaço, porque o futuro, como sabem os arquitetos e os videntes, constrói-se em extensão. As cidades de Arpad inscrevem-se no tempo, porque o passado, como sabem os arqueólogos e os psicanalistas, desvenda-se em profundidade. É por isso que Vieira é a arquiteta-vidente das suas cidades e Arpad o arqueólogo-psicanalista das cidades dele.
Esta exposição acrescenta mais uns pingos à solda da pareceria entre a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (obrigado, Marina) e a Fundação EDP (oiço a voz da Marina a dizer: obrigado, Zé Manel). Nela, cruzam-se as cidades de Vieira e de Arpad e os seus comissários, João Pinharanda e Marina Bairrão Ruivo, são os sinaleiros deste cruzamento de muitas ruas e muito trânsito nelas. 
Olhamos estas cidades dos dois e começamos a reparar. Reparamos: aquilo que mais as aproxima são pessoas, cidadãos das cidades. As pessoas de Vieira vão para um além. As pessoas de Arpad voltam para um aquém. Passam umas pelas outras e nesse vaivém são como os elevadores, ditos da Glória: o que sobe passa pelo que desce que passa pelo que sobe. 
Olhamos estas pinturas e estes desenhos para descobrirmos que as pessoas de Vieira veem as vistas das pessoas de Arpad e que as pessoas de Arpad andam nos passos das pessoas de Vieira. É sempre assim nas cidades: trocamos com os outros, trocamos os outros, trocamo-nos nos outros. Como Vieira, a bruxa, e Arpad, o sábio, sabiam. E por isso pintaram e desenharam assim. Ele olhava com os olhos dela e ela pintava com a mão dele. Trocados um com o outro, a caminho das cidades que, no mundo, foram deles – e agora, por eles, são nossas.»
José Manuel dos Santos, Diretor Cultural da Fundação EDP




quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A LIBERDADE GUIANDO O POVO - DELACROIX


Pior que não cantar

é cantar sem saber o que se canta


Pior que não gritar

é gritar só porque um grito algures se levanta


Pior que não andar

é ir andando atrás de alguém que manda


Sem amor e sem raiva as bandeiras são pano 

que só vento electriza 
em ruidosa confusão 
de engano


A Revolução

não se burocratiza


Mário Dionísio


terça-feira, 7 de agosto de 2012

κρίσις,-εως,r


Dói muito mais arrancar um cabelo de um europeu

que amputar uma perna, a frio, de um africano.

Passa mais fome um francês com três refeições por dia

que um sudanês com um rato por semana.

É muito mais doente um alemão com gripe

que um indiano com lepra.

Sofre muito mais uma americana com caspa

que uma iraquiana sem leite para os filhos.

É mais perverso cancelar o cartão de crédito de um belga

que roubar o pão da boca de um tailandês.

É muito mais grave jogar um papel ao chão na Suíça

que queimar uma floresta inteira no Brasil.

É muito mais intolerável o xador de uma muçulmana

que o drama de mil desempregados em Espanha.

É mais obscena a falta de papel higiénico num lar sueco

que a de água potável em dez aldeias do Sudão.

É mais inconcebível a escassez de gasolina na Holanda

que a de insulina nas Honduras.

É mais revoltante um português sem telemóvel

que um moçambicano sem livros para estudar.

É mais triste uma laranjeira seca num kibutz hebreu

que a demolição de um lar na Palestina.

Traumatiza mais a falta de uma Barbie de uma menina inglesa

que a visão do assassínio dos pais de um menino ugandês

e isto não são versos; isto são débitos numa conta sem provisão do Ocidente."


Fernando Correia Pina
poeta português