«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




segunda-feira, 24 de junho de 2013

Reflectindo: José Gil, que o «Nouvel Observateur», considera como um dos grandes pensadores do mundo - EM PORTUGAL A INVEJA NÃO É UM SENTIMENTO, É UM SISTEMA.

Em Portugal há o medo, a falta de ideia do futuro, vive-se num presente que se perpetua. Nós temos medo de experimentar. Porque temos medo do que irão dizer de nós. Partimos sempre do princípio do que o que vão dizer é negativo, desvalorizante. Dificilmente alguém dirá: «Que bom o que tu fizeste. Estou muito contente». Não, vão-nos criticar, Isso cria o medo que paralisa, faz com que tenhamos prudência, bom senso. A prudência paralisa a acção, mas a verdadeira prudência seria uma estratégia para medir e modular a acção, à medida que ela se desenrola, mas não queremos agir. A sociedade portuguesa, é fechada, não tem canais de ar, respirações possíveis. É uma sociedade suavemente paranoica. As pessoas estão demasiado conscientes de si próprias. Conscientes da imagem que podem produzir, da sua presença como imagem dos outros.
Os portugueses estão sempre a falar da auto-estima, esse termo horroroso, essa ideia auto-reflexiva, de nos amarmos a nós próprios, em vez de estarmos virados para fora, para os outros.
O espaço público não existia, o salazarismo tinha-o extinguido e depois da Revolução dos Cravos, passamos a ter o máximo de expressão, mas não tínhamos instrumentos para essa expressão, por isso as forças do poder político voltaram a dominar, ficamos dominados pelo discurso político e a força do seu dispositivo: televisão e os «media» em geral. Estes movem-se em circuito fechado, têm uma acção de absorção. Só se existe, se aparecer na televisão, que não é a mesma coisa do que viver a vida, a materialidade das ruas e do tempo. A televisão tirou-nos o «espaço da nossa liberdade», os acontecimentos da existência, no que têm de invenção. Na televisão tudo está formatado, não há o imprevisto, o encontro. O acontecimento é o resultado do encontro. Mas nós temos medo de um encontro, do acontecimento, da mudança, do futuro, do julgamento dos outros, medo de não sermos capazes, medo de não estar à altura do acontecimento.
Não agimos, nem deixamos agir. O mecanismo da inveja, está associado a magia, o «mau olhado», a «transferência psicótica», como a psiquiatria a domina, o que se passa de uma pessoa para outra. Por exemplo, se um jornalista, entre colegas, diz: fiz uma reportagem extraordinária, sem ser por vaidade, mas de forma objectiva, alguém lhe responde: «Ai sim, pois muito bem». Com este tom introduz em si um afecto que o vai paralisar. Cria-se um ambiente hostil à iniciativa, que tem um efeito sobre a própria vontade de querer fazer. Isto está generalizado, a inveja é mais que um sentimento, é um sistema não individual, criam-se grupos de inveja.
O sistema devia ser: se alguém faz alguma coisa de forte, isso devia ser um estímulo para os outros, mas não, diminuiu, essa intensidade, essa iniciativa, motiva a inveja de o não ter feito ou não ser capaz de…e tudo é feito para destruir isso, porque essa energia sufoca.
Só são afectadas pela inveja as pessoas porosas, frágeis e isso é típico dos portugueses. Somos pessoas sensíveis e sentimos na pele essa inveja que não nos deixa avançar. Assim há como um acordo tácito, para que ninguém aja, ninguém avance, para vivermos em paz, porque temos medo do conflito. Recusamos o conflito, mas temos uma violência incrível na nossa sociedade, uma violência doméstica, os «brandos costumes«, escondem uma violência subterrânea enorme.


PELAS EXPERIÊNCIAS JÁ VIVIDAS É TEMPO DE ACABAR COM ISTO!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Você sabia…

Nem sei se é assim mesmo, cai na caixa do correio..., mas vi neste texto sugestões muito interessantes!

VOCÊ SABIA QUE...

que as crianças japonesas limpam as suas escolas todos os dias, por 15 minutos, juntamente com os professores, o que levou ao surgimento de uma geração de japoneses modestos e entusiastas da limpeza?
 

que qualquer cidadão japonês que tenha um cão, é obrigado a usar sacos de pano especial para apanhar os dejetos do cão? O desejo de manter a limpeza e a higiene faz parte da ética japonesa.
 

que um empregado(a) de limpeza no Japão é chamado "engenheiro da saúde" e pode ter salários de USD 5000-8000 por mês? Está sujeito a provas escritas e oral!
 

que o Japão não tem recursos naturais, estão expostos a centenas de terremotos por ano mas, ainda assim, conseguiu tornar-se a terceira maior economia do mundo?


que Hiroshima retornou à sua economia vibrante, após a queda da bomba atómica, em apenas 10 anos?
 

que o Japão impede o uso de telemóveis em comboios, restaurantes e esplanadas?
 

que no Japão os alunos do primeiro ao sexto ano deve aprender a ética no trato com as pessoas?

que não há nenhuma avaliação (exame) do primeiro ao terceiro ano, porque o objetivo da educação é incutir os conceitos e desenvolvimento do caráter, e não apenas o exame e doutrina?


que num restaurante, com o sistema buffet, as pessoas só se servem do que vão comer e comem tudo? Nenhum alimento é desperdiçado.

que os comboios de alta velocidade apresentam, no máximo, um atraso de cerca de 7 segundos por ano? Eles apreciam o valor do tempo, são hiper pontuais, à escala do minuto e segundo.


que as crianças em idade escolar escovam os dentes e usam fio dental, após as refeições na escola, para aprenderem a manter a sua saúde oral desde cedo?



que os alunos terminam  as refeições em meia hora para garantir uma boa digestão?
Estes alunos são o futuro do Japão.


Não seria nada mau aprender um pouco da cultura, desenvolvimento e da filosofia dos Japoneses 



sábado, 15 de junho de 2013

Carta aberta de um estudante liceal grego sobre as greves dos professores

Não sei se a carta é autêntica, foi-me enviada por mail por um amigo, mas concordo tanto com o seu conteúdo e é tão assertiva, no meu ponto de vista, da situação que estamos a atravessar, também aqui em Portugal, que não posso deixar de a publicar.


Aos meus professores… e aos outros:

O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu.

Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens.

A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual “estaria em causa” devido à greve.*

De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro?

Deitemos uma vista de olhos sobre quem, já há muito tempo, constrói o futuro e toda a nossa vida:

- Quem construiu o futuro do meu avô? Quem vestiu o seu futuro com as roupas velhas da administração das Nações Unidas para a ajuda de emergência e reconstrução e o obrigou a emigrar para a Alemanha?

- Quem governou mal e estripou este país?

- Quem obrigou a minha mãe a trabalhar do nascer ao pôr-de-sol por 530 euros por mês? Dinheiro que, uma vez paga a comida e as contas, nem chega para um par de sapatos, para já não falar num livro usado que eu queria comprar numa feira de rua.

- Quem reduziu a metade o ordenado do meu pai?

- Quem o caluniou, quem o ameaçou, quem o obrigou a regressar ao trabalho sob a ameaça da requisição civil, quem o ameaçou de despedimento, juntamente com todos os seus colegas dos serviços de transportes públicos quando eles, que apenas queriam viver com dignidade, entraram em greve?

- Quem procurou encerrar a universidade que o meu irmão frequenta para atingir alguns dos seus sonhos?

- Quem me deu fotocópias em vez de manuais escolares?

- Quem me deixa enregelar na minha sala de aula sem aquecimento?

- Quem carrega com a culpa de os alunos das escolas desmaiarem de fome?

- Quem lançou tanta gente no desemprego?

- Quem conduziu 4.000 pessoas ao suicídio?

- Quem manda de volta para casa os nossos avós sem cuidados médicos e sem medicamentos?

Foram os meus professores que fizeram tudo isto? Ou foram VOCÊS que fizeram tudo isto?

Vocês dizem que os meus professores vão destruir os meus sonhos fazendo greve.

Quem vos disse alguma vez que o meu sonho é ser mais um desempregado entre os 67% de jovens que estão no desemprego?

Quem vos disse que o meu sonho é trabalhar sem segurança social e sem horários regulares por 350 euros por mês, como determinam as vossas mais recentes alterações às leis laborais?

Quem vos disse que o meu sonho é emigrar por razões económicas?

Quem vos disse que o meu sonho é ser moço de recados?

Gostaria de dirigir algumas palavras aos meus professores e aos professores em toda a Grécia:

Professores, vocês NÃO devem recuar um único passo no vosso compromisso para connosco. Se recuarem agora na vossa luta, então sim, estarão verdadeiramente a pôr em causa o meu futuro. Estarão a hipotecá-lo.

Qualquer recuo vosso, qualquer vitória que o governo obtenha, roubará o meu sorriso, os meus sonhos, a minha esperança numa vida melhor e em combater por uma sociedade mais humana.

Aos meus pais, aos meus colegas e à sociedade em geral tenho a dizer o seguinte:

Quereis verdadeiramente que aqueles que nos ensinam vivam na miséria?

Quereis que sejamos moldados nas salas de aulas como mercadorias de produção maciça?

Quereis que eles fechem cada vez mais escolas e construam cada vez mais prisões?

Ides deixar os nossos professores sozinhos nesta luta? É para isso que nos educais, para que recusemos a nossa solidariedade?

Quereis que os nossos professores sejam para nós um exemplo de respeito por nós próprios, de dignidade e de militância cívica? Ou preferis que nos dêem um exemplo de escravidão consentida?

Finalmente, quereis que vivamos como escravos?

De amanhã em diante, todos os alunos e pais deviam ocupar-se de apoiar os professores com uma palavra de ordem: “Avançar e derrotar a tirania fascista!”

Lutemos juntos por uma educação de qualidade, pública e livre. Lutemos juntos para derrubar aqueles que roubam o nosso riso e o riso dos vossos filhos.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O LABIRINTO DA SAUDADE


Um dos livros mais considerado de Eduardo Lourenço é, «Labirinto da Saudade», onde fazia uma identificação dos portugueses. Livro de 1988. Na reedição de 2000, Eduardo Lourenço, disse:
«Na aparência esse pais já não existe. Mudamos de estatuto histórico-político, de civilização e de ritos sociais que julgávamos, lamentando-o, características de uma sociedade quase marginal em relação aos «padrões europeus». Mudamos literalmente falando, e sem quase nos darmos conta disso, de mundo. Mudamos porque o mundo conheceu uma metamorfose sem precedentes, não apenas exterior, mas no fundo. Passamos a viver noutro planeta, caiu o muro de Berlim, deixamos de ser «potencial ou imaginariamente» senhores dos nossos destinos, houve uma avassaladora dissolução de identidades clássicas a que chamávamos nações, sobrevieram microidentidades virulentas ou superidentidades simbólicas. E sofremos o fim da civilização europeia sob o paradigma cristão e iluminista, se é lícito associar estas duas matrizes da milenária e agora defunta Europa. Como todo o Ocidente tornamos- nos, «toda o mundo e ninguém». Vocação dos portugueses de não-identidade, «aptos a ser tudo e todos, caso em que «não seriamos ninguém».


domingo, 9 de junho de 2013

O PAÍS DO QUEIXA-ANDAR



 A Porta
Era uma vez uma porta que, em Moçambique, abria para Moçambique. Junto da porta havia um porteiro. Chegou um indiano moçambicano e pediu para passar. O porteiro escutou vozes dizendo:
- Não abras! Essa gente tem mania que passa à frente!
E a porta não foi aberta. Chegou um mulato moçambicano, querendo entrar. De novo, se escutaram protestos:
Não deixa entrar, esses não são a maioria.
Apareceu um moçambicano branco e o porteiro foi assaltado por protestos:
-Não abre! Esses não são originais!
E a porta não se abriu. Apareceu um negro moçambicano solicitando passagem. E logo surgiram protestos:
- Esse aí é do Sul! Estamos cansados dessas preferências...
E o porteiro negou passagem. Apareceu outro moçambicano de raça negra, reclamando passagem:
- Se você deixar passar esse aí, nós vamos-te acusar de tribalismo!
O porteiro voltou a guardar a chave, negando aceder o pedido.
Foi então que surgiu um estrangeiro, mandando em inglês, com a carteira cheia de dinheiro. Comprou a porta, comprou o porteiro e meteu a chave no bolso.
Depois, nunca mais nenhum moçambicano passou por aquela porta que, em tempos, se abria de Moçambique para Moçambique.

 Mia Couto



quinta-feira, 6 de junho de 2013

POSTAIS PARA O GOVERNO! ...






AMADEU BAPTISTA- Nasceu no Porto (1953) e vive em Lisboa. Escreveu, entre outros, “Passagens secretas”, “Arte do regresso”, “O claro interior”. Traduzido em francês, inglês, italiano, hebraico, romeno, espanhol e holandês. Ganhou ontem o XXIX Prémio de Poesia, Cidade de Ourense.


FRIDA KAHLO E OS DESENHOS DO MUNDO

Creio que a adolescência tocou o teu rosto
para fazer crescer a perturbação ainda hoje visível no olhar, o modo surpreendente
como os cabelos deslizam para a brancura
são a prova inequívoca do enigma, o vaticínio marca-te no rosto um pouco dessa tristeza avassaladora e ténue de quem atravessa
uma cidade para se perder no instante
de uma fonte, mão que toca a cor imponderável
das coisas para extrair do passado
uma medida de ferro, um fio de oiro,
um pássaro azul. Vejo-te passar nesse navio longínquo que há-de um dia pertencer ao vento, decifro o reflexo de um brilho que te sobe
para os ombros como o frágil ramo
de uma árvore vivaz e suavemente flutua
sobre a transparência para identificar o anjo
que te precede, um pouco após o sinal redutor da inocência e a infinita doçura de quem foi perseguido e arrancou das entranhas
subtílimos silêncios para resistir ao assédio
das pedras, os poderes aniquiladores, o rumo das coisas quando a tempestade triunfou
sobre a tempestade e a memória entregou
o resgate de não haver resgate.
Deste lugar te avisto e avisto o mar,
esta passagem conduz ao indizível encontro com as estrelas, sol e noite, os mínimos percalços que a natureza desoculta das sombras e faz explodir em fragmentos translúcidos
onde se inscreve a mensagem,
uma última notícia do paraíso perdido
em que um traço de luz corresponde
ao augúrio da brisa, a voz secreta que nos une
e separa, a palavra onde o deslumbramento
é um labirinto que pela alucinação
percorremos no incontornável fulgor
de um momento perpétuo.


AMADEU BAPTISTA