A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




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segunda-feira, 24 de maio de 2010

BLOGAGEM COLORIDA: PRETO!?...

Podia escrever sobre Portugal, que está preto!...Nahm, nem pensar! A ideia é expor as cores na perspectiva de colorir a nossa vida e o preto também dá cor à minha vida!
Preto segundo os «manuais», é a cor que absorve todos os raios luminosos, não reflectindo nenhum e por isso aparecendo como desprovida de clareza. Também é uma representação do nada, da ausência ou da escuridão. Se agora começasse a divagar sobre o nada, a ausência e a escuridão ficávamos todos a chorar!...Não paga à pena, como dizia um amigo meu.
A cor preta sugere: silêncio, morte, poder, misérias, maldade, pessimismo, tristeza, negação, dor, opressão, angústia, introspecção e favorece a auto-análise. Quando brilhante, confere nobreza, distinção, elegância, masculinidade. Ah, ah…gosto disto! Ah, não sou nenhuma elitista ou sou? A minha elite é o povo e do povo eu sou!...O meu marido até diz que tem sangue azul, veio lá da Morgadinha dos Canaviais, da sua terra, que é Grijó, em que Júlio Dinis se inspirou! Tretas, já lhe vi o sangue e nada tem de azul! rsrsrs…
Todas as cores têm aspectos favoráveis e desfavoráveis e porque fugir do preto? O preto tem distinção, charme! Que bem que fica um homem e uma mulher vestidos de preto!


Esta fotografia foi a primeira a sair na pesquisa, nem foi antecipadamente determinada, mas os dois são a «coqueluche» de muita gente e quem não os conhece!?...
Com o abandono gradual do luto, com o que eu concordo em absoluto, não é por aquilo que se veste, que se revela os nossos sentimentos, o preto brilha nos grandes acontecimentos, apesar deste mundo me estar à margem.

O PRETO, de nome e tudo, é o meu gato. Um gato que eu não quis, mas tive que querer e agora é um amigo de todas as horas. Onde estou, ele está, às vezes nem dou por ele, mas lá está ele em cima de uma estante ou escondido em qualquer lado, mas filado em mim. De quando em quando desce e vem ronronar para cima da secretária, quer-se deitar em cima do teclado, como que a dizer «agora presta-me um bocado de atenção, eu também estou aqui» e lá se quebra o fio do meu pensamento.

Ando pela casa, lá vai atrás de mim, no quarto de banho não se cala se não abrir a torneira do bidé, para beber e, depois com a pata fica a brincar com a água. Vou à cozinha e ele olha para o frigorífico e reclama, quer um «mimo», um bocadinho de fiambre. Quando vou sair, chego, abro a porta da rua e lá está ele! Desafia-me para uma corrida e anda a esconder-se, para depois passar junto a mim como uma flecha. Tem coisas interessantes este gato!


Já aqui contei a história deste gato, veio da casa do meu filho, que o apanhou pequenino na rua. Veio cá para casa, porque não tinha para onde ir, já que o meu filho saiu do Porto. O pior foi a minha gata, quase teve uma síncope! Eu nem sabia que um gato podia roncar tanto, neste caso a gata, nem os intestinos segurava! Gato fechado na marquise. Iam-se vendo através do vidro da porta e a gata mesmo assim explodia em espasmos de terror! Por uns tempos, continuou-se assim, um na marquise, outro cá dentro e de vez enquanto tentávamos, com os devidos cuidados aproximá-los e a minha gatinha mimada, mas arisca, começou a aceitá-lo, até não ser necessário separá-los. De vez enquanto é para aqui um arraial de pancadaria tremendo, mas não se aleijam, são patadas, correrias, bufadas, mas não passa disso!
Tenho realmente um PRETO, bonito, brilhante, sedoso, meigo…um PRETO, que dá cor à minha vida!..

TODAS AS CORES PODEM DAR COR À NOSSA VIDA, UMAS MAIS ALEGRES, OUTRAS MAIS DISTINTAS, A QUESTÃO É SEMPRE O NOSSO ESTADO DE ESPÍRITO, PODE-SE EMBIRRAR COM TODAS AS CORES QUANDO SE ESTÁ COM A NEURA, PODE-SE GOSTAR DE TODAS AS CORES QUANDO ESTAMOS BEM E, PARA FINALIZAR É ISSO MESMO QUE EU DESEJO:
QUE FIQUEM BEM, QUE SE SINTAM FASCINADOS POR UMA NOITE DE VERÃO MÁGICA, (sorrisos de uma noite de Verão) ONDE A ESCURIDÃO É SUBLIME!..
[BLOGAGEM COLORIDA: DO BLOGUE CAFÉ COM BOLO DE GLORINHA L DE LION]

segunda-feira, 17 de maio de 2010

BRANCO - BLOGAGEM COLORIDA

Branco é tanta coisa!…

Brancos são os flocos de neve caindo nos lábios…

e ao meu pensamento bem aquele poema pungente do Augusto Gil
BALADA DA NEVE
.
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
.
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria….
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
.
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
.
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…
.
E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…
.
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…
.
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim,
fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

Branco é o cheiro dos lírios do campo…
«Olhai os lírios do Campo» de Erico Veríssimo

“Se todos no mundo dessem o que lhes sobram, cada um teria o necessário”.
Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época. Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?
É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.
Há na terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços.
É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência, e sim com as do amor e da persuasão.
Quando falo em conquistas, quero dizer a conquista duma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação.
(Érico Veríssimo, Olhai os Lírios do Campo)

Brancas são as asas da pomba da Paz e como apetecia deslizar os dedos pelas suas penas…


PAZ, lembra-me logo a ODE À ALEGRIA, poema de Schiller, que Beethoven, utilizou no Quarto Andamento da sua NONA SINFONIA

Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais agradável
E cheio de alegria!

Alegria, mais belo fulgor divino,
Filha de Eliseu,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Teus encantos unem novamente
O que o rigor da moda separou.
Todos os homens se irmanam
Onde pairar teu voo suave.
A quem a boa sorte tenha favorecido
De ser amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma doce companheira
Rejubile-se connosco!
Sim, também aquele que apenas uma alma,
possa chamar de sua sobre a Terra.
Mas quem nunca o tenha podido
Livre de seu pranto esta Aliança!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos dá beijos e as vinhas
Um amigo provado até a morte;
A volúpia foi concedida ao verme
E o Querubim está diante de Deus!

Alegres, como voam seus sóis
Através da esplêndida abóbada celeste
Sigam irmãos sua rota
Gozosos como o herói para a vitória.

Abracem-se milhões de seres!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos! Sobre a abóbada estrelada
Deve morar o Pai Amado.
Vos prosternais, Multidões?
Mundo, pressentes ao Criador?
Buscais além da abóbada estrelada!
Sobre as estrelas Ele deve morar.

Branco é o primeiro grito do recém-nascido…

Branco é o esvoaçar da bailarina…


Brancos são os anjos que encontramos na vida e nos enchem de magia…

(Imagem: Asas de Desejo um filme inesquecível de Win Wenders)
BRANCA, é aquela nostalgia, que guardamos no íntimo, e só nós conhecemos ou o tempo nos vem a lembrar…
O menino pobre, que chegou ao zénite do poder e da riqueza e antes de morrer, pronuncia uma palavra enigmática: ROSEBUD! Um pequeno trenó da sua infância perdida… (CITIZEN KANE -O MUNDO A SEUS PÉS-ORSON WELLES)


CAROS COMPANHEIROS DE BLOGAGEM COLECTIVA, O BRANCO LEVOU-ME PARA TEMAS MAIS SENTIMENTAIS… MAS A REALIDADE EM SÍNTESE, QUE MAIS DESEJAMOS, É VIVER NUM MUNDO MELHOR E EM PAZ!
BLOGAGEM COLECTIVA «COLORINDO A VIDA» IDEIA CONJUNTA DOS BLOGUES: http://cafecomglorinha.blogspot.com/ e http://acutivapuacu.blogspot.com/

segunda-feira, 10 de maio de 2010

BLOGAGEM COLECTIVA - VERDE (GLORINHA L de LION)

VERDE, MUITO VERDE, VERDES DE TODAS AS NUANCES
CHEIRO DO VERDE, QUE PENETRA E QUE REFRESCA…
VERDES RASTEIROS COMO O MUSGO, ALTOS VERDES QUE PARECEM TOCAR OS «CÉUS»…
UMA IMENSIDÃO DE VERDE
TANTO VERDE ASSIM,
PARA MIM TEM UM LOCAL QUE É FASCINANTE
-RESERVA DO PARQUE DO GERÊS –
POR LÁ JÁ PASSEI FÉRIAS,
FINS-DE-SEMANA,
DIAS…











(FOTOGRAFIAS: GOOGLE)


Podia contar muitas histórias, mas vou restringir-me a uma que me deixou saudades…Com os meus sobrinhos, treinei para ser mãe…e já casada privamos bastante…de vez enquanto metia-os no carro e lá íamos passear, eram 4 e nesta ida ao Gerês, já fazia parte do grupo o meu filho, Pedrocas.

Mário (com metade da cabeça), Ângela, Cristina, Sérgio e o mais pequenote o Pedrocas

A minha sobrinha mais velha, foi apanhada na adolescência pela Revolução de Abril, era assim uma hippy MRPP (Partido da Extrema Esquerda), uma ligação até pouco sintonizante! Era uma sonhadora activa e sabia muito bem o que queria fazer na vida, queria ser professora primária (Ensino Básico) em Trás-os-Montes, porque segundo as suas teorias, só aí podia mudar mentalidades. Uma romântica! (é professora, mas não foi para Trás-os-Montes, andou de terra em terra e perdeu todo o romantismo). Essa minha sobrinha sugeriu irmos ao Gerês, mais concretamente à aldeia de Santa Isabel, onde se vivia comunitariamente.
Preparamos um piquenique e lá fomos. Ao chegar tomamos banho naqueles lagos maravilhosos, estendemos a toalha e comemos. Só depois fomos descobrir a aldeia de Santa Isabel. Não foi fácil, os caminhos eram de terra, esburacados, sinalização inexistente e «comemos» umas doses valentes de pó! Chegamos a uma aldeia. Será, não será a de Santa Isabel? Não víamos ninguém, até que de uma janela uma senhora idosa nos disse adeus toda sorridente e nos chamou.


-Esta é aldeia de Santa Isabel?
-È, é, venham cá!...
Ficamos a olhar uns para os outros e lá fomos, entretanto ela já estava na porta.
-Entrem!
Lá entramos, para uma salinha-cozinha, com um fogão de lenha enorme e as panelas de ferro de três pés.
-Têm fome? Vou arranjar um lanche!
Em pouco tempo, a mesa estava cheia: pão caseiro, azeitonas, chouriço, queijo, vinho e água para as crianças.
A senhora estava feliz e então lá conversamos sobre a aldeia e sobre a sua vida.
Sim, de facto viviam comunitariamente, uns ajudavam os outros, se comprassem alguma máquina agrícola, todos davam um tanto e todos a utilizavam.
Esta situação era uma necessidade, numa aldeia esquecida no monte, onde os habitantes não eram muitos. Os que habitavam a aldeia eram crianças e idosos, principalmente mulheres. Aldeia de emigração, como tantas outras. Essa senhora vivia só, filhos emigrados e os netos mal os conhecia!..
-Tá a ver, tenho uma família e não tenho, cá ando por aqui, mas o melhor é saber que os filhos estão bem!..
Saímos felizes, claro! Onde é que na cidade alguém nos abria as portas e nos dava aquele fabuloso lanche! De certo modo também fizemos alguém feliz, num dia que lhe quebrou a rotina.
Quando saímos, já vimos mais gente, fotografei, passeamos pela aldeia com um grupo de crianças atrás de nós, algumas vestidas de preto, uma coisa que muito me impressionou.





(fotos pessoais, tiradas com uma máquina muito rudimentar)
FOI DE FACTO UM DIA MUITO VERDE, DIVERTIDO E MUITO FELIZ, TÃO FELIZ QUE SE TORNOU INESQUECÍVEL!...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

BLOGAGEM COLORIDA : HOJE ALARANJADO

O Alaranjado tem uma omnipresença na natureza: frutos, flores, aves, borboletas, insectos, animais…é uma cor de vida, de alegria, de pujança, de energia…eu sei lá, neste momento vejo tanto alaranjado à minha frente, que não sei em que pegar!....


As crianças têm muito de alaranjado, são vitaminas C refrescantes em potência, então é por aqui que vou, pelas crianças!..
Não quero retirar, aos blogues cuja temática é a culinária, o seu grande prestígio, mas hoje apeteceu-me deixar aqui também uma receitinha.



BOLO DE LARANJA

Toda a gente sabe como se faz um bolo de laranja, mas com certeza não sabem, é como se faz um bolo de laranja, como se tivesse sofrido um sismo.
É assim: em dias de Inverno quando não apetece sair, agarra-se em dois miúdos e vai-se para a cozinha fazer um bolo. O Pedro teria 7 anos, miúdo traquinas e muito despachado, a Marta tinha menos 5, era uma assistente entusiasmada, tão pequenina que se sentava na tampa de grelhador, que estava em cima de um armário.
O Pedro logo se prontificava a fazer tudo e, com isso começava a bagunça.
-Ó mãe, deita mais um ovo e mais açúcar!
Eu como queria principalmente entretê-los, ia na conversa!..
O Pedro mexia a massa, mexia… metia-se com a irmã, falava, falava… era um falador de primeira!
-Ó Pedro tem que se mexer com um movimento certo, não se pode parar!
E depois de deitar os ovos e o açúcar, ele provava.
-Tá bom mãe!..
E provava, provava…
-Chega Pedro, vamos ficar sem massa!
-Eu gosto assim, vamos comer assim?
-Mas queres fazer um bolo ou não!
-Tá bem, mãe!..
Farinha, leite, crescente, sumo de laranja e mais raspa, claras em castelo e o Pedro sempre a provar e a Marta a pedir!
-Pronto, agora vamos untar a forma!..
-Eu unto, eu unto…dizia o Pedro.
Finalmente o bolo ia para o forno e nós íamos até à sala fazer joguinhos, só que o Pedro, de vez enquanto ia ver o bolo ao forno.
-Pedro não se pode estar sempre a abrir o forno, tem que se dar um tempo!
O Pedro todo inquieto dizia: «está bem mãe», mas passado um bocado lá ia ele espreitar!
-Pedro o bolo vai ficar mal!..
Começava a chegar o cheirinho e o Pedro dizia, «está pronto», vou espetar o palito!
Conclusão: o bolo começava a abrir frestas, colava-se à forma, saía aos bocados!..
Já com aquela «pastelada» toda no prato, lá íamos lanchar. Só que eles gostavam, assim meio cru e o pai também gostava dele mesmo assim.
Os domingos de chuva e de frio eram passados desta forma, sempre íamos fazer qualquer coisa para a cozinha e o rapaz tomou-lhe o gosto e, a fazer bolos hoje em dia, safa-se muito bem.

NESTA RECEITA, TAMBÉM SE PODE INCLUIR NOS INGREDIENTES, UMA BOA DOSE DE GARGALHADAS.


(O ALARANJADO É ESPECIALMENTE DEDICADO AOS MEUS FILHOS: MARTA E PEDRO. NÃO TENHO NENHUMA FOTOGRAFIA A FAZER BOLOS NA COZINHA, COM MUITA PENA MINHA!)



Nesta minha simples participação na BLOGAGEM COLECTIVA, não posso de incluir um poema, que logo me surgiu ao pensamento e que motivou uma canção belíssima, que podem ouvir aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=JYWOkZ13ZFg


CAVALO À SOLTA

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

José Carlos Ary dos Santos

QUE O ALARANJADO, ENTRE OUTRAS CORES, DÊ BRILHO À VOSSA VIDA!....


segunda-feira, 26 de abril de 2010

ROXO-LILÁS

ROXO, é uma cor sinistra, fúnebre, gótica, vampiresca...paixão fatal...tenho medo do roxo!...

Há até quem diga que não tem medo de nada, mas eu considero que todos as pessoas têm os seus medos. Um dos meus medos é atravessar a fronteira da «normalidade» e entrar na realidade «distorcida» ou melhor dizendo, na loucura.
Quando olhamos os «nossos loucos» com um misto de comiseração, respeito e fascínio, não podemos deixar de pensar se os loucos não seremos nós e se não são eles que estão certos, que vivem na realidade deles, marginais à violência do mundo «normal. Loucuras há muitas, com nomes clinicamente diversos. Claro que não me refiro aos loucos internados, mas aos que vivem no meio de nós, personagens misteriosas, intrigantes e desconcertantes, trágicas e irónicas.

O roxo é para mim uma cor intrigante e desconcertante, misteriosa e fatal, não prenuncia coisa boa!.. Ou são os meus olhos, que em dias de neura vêem tudo roxo?
Mas de facto é assim:

E pode ser muito pior:

Tudo que é roxo não é muito agradável…
…andou à luta ficou com um olho roxo, pior ainda, sofre de violência doméstica, ficou com um olho roxo ou o corpo todo roxo…
…a água estava tão fria que ficou roxo…
…a vida está roxa…

Só as flores, principalmente, as violetas me encantam…

Penso nas «nuances» e do roxo vou até ao lilás

O nome "lilás" é uma referência à flor do mesmo nome.


CAMPOS DE ALFAZEMA – PROVENCE (Esta planta tem uma multiplicidade de aplicações: na higiene pessoal e da casa, como aromatizante ambiental, produtos medicinais, etc…)
Sobre esta cor dizem:

O lilás é a junção da transcendência do azul e da energia do vermelho. O lilás também é muito ligado à magia e representa uma cor mística e sentimental.

Gosto de ficar a pensar no transcendente, com todo o meu cepticismo…
De ser surpreendida pela magia, encontrando o diferente no normal…
Pouco mística, por pouco crente, interessa-me o misticismo…
Uma sentimental muito contida, mas com o coração acelerado…

Para todos esta bela imagem da NATUREZA, onde todas as cores brilham e me encantam...


(BLOGAGEM COLECTIVA - IDEIA DO BLOGUE «CAFÉ COM BOLO» DA GLORINHA LION)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

COLORINDO A VIDA - VERMELHO

O MEU VESTIDO VERMELHO

A minha mãe gostava de me vestir bem, mas eu era bastante esquisita…chorava porque não queria ir à modista, vira daqui, vira de acolá, anda para a frente, anda para trás, põe alfinete, tira alfinete…eu a chorar que me queria ir embora e a minha mãe a enervar-se!...O pior ainda foi o vestido vermelho escuro de veludo, com a golinha rendada. Eu não gostava do vestido, sei lá por quê? Não me lembro, mas lembro-me que ao Domingo, o meu pai considerava ser o dia de descanso da minha mãe e íamos almoçar sempre ao restaurante. Lembro-me de estar sentada numa cadeira, com esse vestido, esperando que os outros acabassem de se arranjar e chorava como uma desalmada, dei um grande espirro e uma grande ranheta caiu por mim abaixo. A minha mãe, possivelmente já cheia de me ouvir passou-se, pus a família toda a discutir, até que a minha mãe foi para o quarto, dizendo que já não queria sair e o meu pai foi atrás dela. Eu e a minha irmã ficamos na sala e obviamente que esta me dizia queixosa: Vês o que arranjaste!?...
Passado um tempo o meu pai desceu e disse: vou buscar comida ao restaurante, a vossa mãe não está em condições de sair, vão pondo a mesa. Depois quando voltou, disse à minha irmã para pôr a comida numa travessa, por acaso eram tripas à moda do Porto. Foi ao quarto chamar a minha mãe para vir comer. Ela lá veio, contrariada e de olhos inchados. Só faltava ir buscar a travessa à cozinha. A minha irmã nessa altura andava numa de Gina Lollobrigida, com aqueles meneios e vinha com a travessa só com a ponta dos dedos, tropeçou, a travessa voou e nós ficamos a ver o feijão e as carnes a escorrer pela parede!..Enfim o resultado já se antevê, dia estragado por completo!?...

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Que associações posso fazer com o Vermelho…As paixões platónicas iniciais, as paixões não platónicas depois, a paixão pela vida…pelos meus filhos, o entusiasmo, a euforia da Revolução dos Cravos… sentimentos intensos e descontrolados, mas ardentes… o fogo, o sol e o calor, a força, o dinamismo, a exaltação, a vida transbordante, a agitação…


Vermelho sangue, que nos corre nas veias, o sangue da vida e também sempre, por uma razão ou por outra tanto sangue derramado!...


BLOGAGEM COLORIDA - VERMELHO - TINTO

A noite declinava, ele chegaria a qualquer momento. O jantar estava pronto. Ela tinha feito rosbife, que ele tanto gostava, que seria acompanhado como o vinho tinto aquecido à temperatura ideal e para a sobremesa os seus doces e frutos preferidos…tarte de morangos, doce de maça vermelha, cerejas com vodka…rodelas de melancia, muito frescas! Tinha-se esmerado, colocou na mesa uma taça de pétalas de rosas vermelhas e também o castiçal com as velas vermelhas…o VERMELHO, o vermelho da sua paixão!…

Ela própria tinha vestido o seu vestido vermelho justo, sentia-se atraente e elegante…
Foi até à janela, com o seu copo de Porto e de forma sonhadora ficou a olhar o céu, junto à linha do mar, tão vermelho…


Sentia uma grande expectativa, o seu sangue pulsava nas veias, um estranho calor se apossava dela…Há dois anos que não se viam, ele tinha partido de repente, deixando-a numa grande amargura. Depois de um mês em labaredas de paixão, recebeu um SMS, a dizer «parto para Londres», mais nada! Ontem tinha-lhe telefonado, convidando-a para jantar e ela sugeriu que o jantar fosse em sua casa. Nada mais disseram. Esperava-o com uma saudade imensa, mas não deixava de se interrogar: o que é que ele pretendia dela? Ficou a olhar para a mesa. Devagar tirou o castiçal das velas e guardou-o no armário. Olhou para a taça das pétalas e levou-as para a cozinha. Já tinha passado meia hora, da hora aprazada!

ELE VEM? ELE NÃO VEM? ELA FICA À ESPERA INTERMINAVELMENTE? ELE TELEFONA A DIZER QUE TEVE UM COMPROMISSO? ELE VEM E TUDO DECORRE DE ACORDO COM O SONHO DELA? ELE VEM E NADA ACONTECE? NÃO SEI, CANSEI-ME DE PENSAR…
QUE ESCOLHERIAM?
(blogagem «colorindo a vida» - INCENTIVADORA: GLORINHA LION - BLOGUE CAFÉ COM BOLO )

terça-feira, 13 de abril de 2010

AVANTI ROSSO!...

Peço desculpa ao grupo BLOGAGEM COLORIDA, de não ter ido visitar todos!...O tempo disponível ontem foi pouco e depois gerou-se na minha cabeça uma confusão, dos visitados e dos não visitados, eu já nem sei bem quem me segue ou quem eu sigo!...Isto com o tempo vai-se esclarecendo, o importante é esta vontade uníssona, à volta do tema das cores e que seja divertido e ao mesmo tempo seja uma partilha saudável, sob a batuta da nossa amiga GLORINHA do blogue CAFÉ COM BOLO!...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

AZUL

De imediato pensamos no maravilhoso…
PLANETA AZUL

No MAR…
No FIRMAMENTO…

TUDO ILUSÕES DE ÓPTICA!..COMO MUITO NESTA VIDA, SÃO ILUSÕES DE ÓPTICA!..

Segundo a Wikipédia, o azul costuma estar associado à frieza, depressão, monotonia, mas também à paz, à ordem, à harmonia. PODE SER!?...
Eu gosto muito de azul, principalmente do marinho com…azul claro, branco, amarelo, rosa…gosto do contraste com harmonia…O meu gosto pelo azul está muito associado ao mar, barcos, marinheiros…
Não considero de modo nenhum que em mim domine a frieza, quanto a depressões, tento sacudi-las o mais depressa possível, mas tenho heranças depressivas, relativamente à monotonia, faço todo o esforço para a sacudir. Sou pacifista e pugno pela ordem, muito mais quando a sociedade está numa desordem completa!..Mas ordem faz-me pensar em prepotência e isso nem pensar!..As palavras podem ter muitos sentidos e tornam-se perigosas!..
Desta vez, não vou fazer do azul nenhuma paródia, vou referir referências e conhecimentos na minha vida, alguns vão me escapar com certeza!..
Vi, revi e revi…O ANJO AZUL realizado por, Josef von Sternberg, filme que tirou do anonimato Marlene Dietrich, que se veio a tornar, um diva, um mito e um ícone.


Se continuar a pensar em cinema, lembro BLUE VELVET de David Linch e o filme AZUL. A trilogia das cores de Krzysztof Kieślowski


Kieślowski cineasta polaco, convidado para fazer uma homenagem ao bicentenário da Revolução Francesa. Para isto ele filmou 3 filmes que tiveram os títulos de “Azul”, “ Branco” e “Vermelho”.
Se pensar, em música, vem logo ao meu pensamento, algo que adoro e sempre gosto de ouvir: BLUES. Muitos cantores de blues podiam ser referenciados, eu comecei pela Bessie Smith.


E O CLÁSSICO RAPSODY IN BLUE, de GERSHWIN


Se pensar em pintura, lembro de imediato VINCENT VAN GOGH

The Starry Night


E a fase azul de PICASSO







UMA FASE DE MELANCOLIA DE PICASSO…

Isto está a ficar triste, mas todas as cores são de alegrias e tristezas, as catalogações das cores são sempre muito subjectivas e se Picasso teve uma fase azul, também teve uma cor-de-rosa. Animem-se os nossos espíritos, a alegrias sucedem-se tristezas e às tristezas alegrias e… sempre que possam vistam uns jeans…
Jeans, é uma peça de roupa que eu adoro... é brincar, é andar relaxada, é sentar descontraidamente, é deitar na relva e ficar a olhar o céu, é andar a correr atrás dos miúdos ou de um cão, é viajar, é ir pelo campo e não sentir os picos das plantas, nem os bicharocos!..
Tem sido tantas coisas na minha vida, que sempre que posso visto os jeans!...
E agora um pouco de História, a raiz da palavra jeans apareceu pela primeira vez em 1567 como Genoese ou Genes, um termo usado na descrição das calças dos marinheiros da cidade de Génova, em Itália. Foram patenteados em 1873 por Levi Strauss e Jacob David, o objectivo era criar roupas resistentes para os mineiros nos Estados Unidos. Estava criado o jeanswear, o qual foi originalmente destinado a roupas de trabalho. A partir daí, cada vez mais os trabalhadores utilizavam o jeans para exercer tarefas mais árduas e de exigência física. Entretanto, o jeans só passou a ser utilizado no dia-a-dia, já no século XX. Usaram jeans, Marlon Brando, James Dean, Marylin Monroe, etc. Tornou-se moda e muito democrática, serve o trabalhador e é peça que se pode usar em qualquer situação e por todos. O jeans prolifera socialmente no nosso quotidiano.
O MEU DESAFIO É VISTAM UM JEANS SEJAM FELIZES!...
BLOGAGEM COLECTIVA: AZUL