A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




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sexta-feira, 8 de julho de 2011

NÃO VIVO DE NOSTALGIAS...MAS TAMBÉM VIVO COM NOSTALGIAS...

Um dos nossos passeios... com os meus filhos pequenos, era ir à Marina de Leixões, em Leça da Palmeira, onde depois íamos petiscar ao Lúcio, em frente à pista dos kartings
Eu sempre gostei muito de barcos e eles também... íamos «escolher» o nosso barco! 
Não era fácil, porque um tinha algo atractivo, mas outro também e adiávamos a escolha para outro dia!
Os que gostávamos mais eram daqueles iates, cheios de roupa a secar, de quem fez uma paragem, depois de andar a vaguear pelo Oceano... imaginávamos essa vida de vagabundagem
Era um faz de conta divertido…e depois vinha o lanche e os kartings
Domingos bem passados!... 
Às vezes andar por certos sítios traz-me essa nostalgia dos meus filhos quando eram pequenos... custou-me bem... cresceram tão depressa…

Este foi um passeio em que caiu a nostalgia…mas é uma nostalgia gratificante…e quando estamos juntos lembrámos sempre de umas quantas peripécias…não vivo de nostalgias, mas também vivo com nostalgias!



BOM FIM-DE-SEMANA

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O QUE AS CRIANÇAS SENTEM E NÃO DIZEM…

imag.google


A Joana é uma criança, muito vocacionada para o artesanato, a pintura e a música. Algo tímida, mas muito observadora. Sempre com um sorriso nos lábios e uma expressão de ternura!
Com 11 anos é uma miúda já precocemente a caminhar para a adolescência! Não fala muito, mas sabe o que quer é muito determinada no que gosta e não gosta! Adora os Beatles! O seu quarto…é um altar à beatlemania!... Começou a tocar cedo, primeiro viola, depois entusiasmou-se com a bateria e até já compõe música! Tem o seu mundo, um mundo especial que só se vê pelas coisas que a rodeiam! 
Perscrutar a Joana não é fácil, tem o seu sorriso carinhoso... mas há sempre nela uma distância!
A Joana escondia algo, um turbilhão de inquietações e uma angústia silenciada…só se veio a descobrir, porque a Joana ia para a cama, não conseguia dormir, queria sempre a mãe ao lado e, até de madrugada os seus olhos não se fechavam…dias atrás de dias!..
Ninguém conseguia arrancar nada da Joana…uma psicóloga foi o recurso…e a Joana falou!
A Joana estava a sofrer calada e disfarçando, as grandes mutações ocorridas na sua casa. O ambiente não era mais o mesmo! A empresa do pai foi à falência, o pai ficou com uma depressão, a mãe foi pelo mesmo caminho…depressão e uma fibromialgia, que não a deixava fazer nada…difícil aguentar o seu trabalho como assistente social…a alegria da casa foi-se…as conversas diminuíram, falavam o essencial…e a situação arrastou-se…arrastou-se durante meses!
A Joana ficou cheia de medos…o pai não era o mesmo…a mãe chorava muito, ficou extremamente magra…A Joana pensava: será que a mãe ia morrer?
Esta é uma situação real da vida… A Joana começou a tomar calmantes, os pais tentaram mudar o ambiente em casa, a família ajudou…
Muitas vezes, nos tempos que correm a família não pode ajudar muito financeiramente, mas há uma ajuda importante, que é fazer-se presente, conviverem, fazerem «festinhas», de um leva uma coisa, outro leva outra…e um canta…um toca…outro dança…contam-se histórias e as pessoas animam-se…nada de lamúrias que agravam os problemas e não levam a nada…
A Joana gradualmente deixou os calmantes…Claro que o pai não arranja emprego...que a mãe tentou ir trabalhar e acabou por voltar para a casa...mas o meu pai está a fazer um curso, a mãe deram-lhe a hipótese de deixar de trabalhar num bairro muito problemático e ir dirigir um lar de idosos...também não é fácil, mas para uma assistente social nos tempos que correm nada é fácil!!! 

terça-feira, 5 de julho de 2011

PODE-SE MORRER DE AMOR?

Ao ler uma crónica onde se dizia peremptoriamente que ninguém morre de amor, fiquei a pensar…morrer de amor é assim d0 período Romântico… lembro Werther de Goethe, livro paradigmático desses tempos, mas todos os dias há crimes passionais nos jornais… mas isso é matar, não é morrer de amor, é uma dor e vingança de chifre!..
Quando algo é finito ou após uma zanga, chora-se, fica-se em casa, não se quer ver nem falar com ninguém…mas isto não mata! Damos cabeçadas…e mudamos de opinião uma quantidade de vezes, para continuarmos a dar cabeçadas…

To die by your side is such a heavenly way to die…só conversa?


Se esse autocarro de dois andares
Batesse em nós
Morrer ao teu lado
Era uma forma paradisíaca
E se um caminhão
Matasse nós os dois
Morrer ao teu lado
Era um prazer - um privilégio meu
Oh, há uma luz e ela nunca se apaga...

Agora há tantas crises…crise dos 3 anos…crise dos 7 anos…se ao fim de poucos meses já não mandaram o amor à fava!.. E este  amor será amor?
O lema é relativizar, deixar o «foram felizes para sempre», para «suportarem-se um ao outro sem grandes discussões»…
Crescendo, para não dizer envelhecendo, que é menos confortável, se aprende a relativizar…dá-se mais importância a umas coisas do que a outras…lamenta-se até o desgaste sofrido em discussões vãs…
Pode-se demorar a chegar a este ponto…pode-se nunca chegar…mas será mais positivo rir de quando pensávamos que o mundo ia acabar sem… ou que queríamos que o mundo acabasse com…


Ontem tive uma conversa com uma pessoa deliciosa…a Lena…a quem eu chamo fofinha…A Lena é uma adolescente de c. de 80 anos…é o rosto da felicidade…tem uma voz macia, um olhar brilhante e carinhoso, emana dela uma grande serenidade…todos gostam dela! Tem problemas de coração controlados…


-Lena tudo bem?
-Esta noite tive falta de ar…mas não vou falar disso!


É assim: está sempre tudo bem!
Faz hidro todos os dias e eu apenas três vezes por semana! Na piscina quando começa a abrir a boca, sinal de compensação cardíaca nós ficamos logo a observa-la. A Lena é uma pessoa muito querida!
Ontem no balneário outra colega contou uma anedota, sobre alguém que queria ter sexo, mas precisava de uns comprimidos e a Lena disse:

-Como estamos só aqui as três…eu e meu marido ainda fazemos sexo, não muito, mas uma vez por semana…ele quer sempre…eu é que tenho mais preguiça, mas ele é muito delicado e atencioso, sempre foi…quando casamos, andou meses para que acontecesse…eu sou carinhosa, mas não sou muito fogosa!

Conclusão para mim: a Lena viveu e vive realmente o verdadeiro amor, por isso do seu rosto emana aquela felicidade e serenidade…
Da Lena podia contar muitas coisas é uma pessoa tão peculiar!..Conheço-o há alguns anos e logo me apaixonei pela pessoa que é! 

sábado, 2 de julho de 2011

RECORDANDO...

Walk down Portobello road to the sound of regae, canta Caetano Veloso. Interessantíssimo o Mercado de Portobello, em Notting Hill. É um local divertido para passear, onde não faltam antiguidades, roupa vintage, relíquias, jóias, legumes e fruta. Há ainda artistas de rua e sempre muita diversão. Tão perto de Kensington Park!
Tenho tantas saudades desta casa!!!



Hugh Grant, é um actor, que tem um «jeitinho» que me agrada, faz aquele género de pessoa, «absent-minded», nos filmes claro! E não tendo uma carreira de filmes marcantes, participou em alguns bastante  interessantes, sempre dentro do seu estilo, Lembro-me também de:



Neste filme, onde tudo se passa de uma forma divertida, há de facto um momento de muita emoção, quando no funeral é lido um poema de WH Auden


[PROBLEMAS IMPREVISTOS E INESPERADOS, PARA PUBLICAR, HOJE NÃO CONSEGUI, DEPOIS DE MUITAS TENTATIVAS, INSERIR OS VIDEOS!!!!!]

sexta-feira, 17 de junho de 2011

BOM FIM-DE-SEMANA!...


Vou fugir para longe, hoje acordei com um ataque desvairado de claxons, devido às ruas que foram cortadas para este evento tão apreciado pelo Presidente da Câmara do Porto, Dr. Rui Rio! Eu vivo no núcleo deste «festa automobilística» à margem da crise!...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

PARABÉNS MEU FILHO!...

Esta prenda que a vida me deu...hoje faz anos e ontem deu-me a nostalgia e estive a ver fotografias...aquelas das primeiras «habilidades» que as crianças vão fazendo e sempre se gosta de registar! Quanta saudade de belos momentos!
O Pedro não foi uma criança fácil, nos primeiros meses, mais ou menos até ao oitavo, deu-nos umas «grandes» noites de olhos abertos, cheios de «areia», pelo cansaço sentido! Quando tudo parecia serenar, já quase era hora de levantar!...
Teve aquelas doenças habituais! Teve que ser operado aos olhos, devido ao estrabismo e depois ao nariz...mas foi sempre uma criança muito alegre e «malandreca»!


E o Pedro foi crescendo, primeiro esteve com os avós, depois foi para o Jardim Infantil João de Deus, até que chegou à idade de ingressar no ensino. Primeiro esteve no ensino público, mas era tão «terrorista», que só alinhava com os miúdos mais problemáticos e rebeldes e a decisão foi ir para um colégio particular. Outra característica do Pedro era ser um grande sonhador, na família chamavam-lhe o Peter Pan.
Chegou a adolescência e a situação não foi fácil! Amigos e amigas aos montes, namoradas umas atrás das outras e muito apreciador da noite. O Pedro precisava de estar sobre controlo, mas não era fácil!
Estudava e trabalhava, por vontade dele teve não sei quantos empregos...Inteligente, não se definia o que queria exactamente, pedi a um amigo psicólogo, para lhe fazer um teste vocacional. O Pedro tinha inclinações para uma série de coisas! Foi fazendo cursos médios! De informática fez não sei quantos...depois Marketing e Publicidade e foi trabalhar nesta área, mas estar fechado era um sacrifício....e foi tirar o curso de Antropologia...teve uma loja de roupa para «raps», fundou com amigos uma associação de jovens para fazerem voluntariado e...continuou a ter namoradas atrás de namoradas...e sonhos atrás de sonhos...A minha grande preocupação relativamente ao Pedro, centralizou-se sempre muito nas drogas...sempre estive muito atenta aos seus estados de espírito, se o via mais eufórico, lá ia eu fazer uma inspecção ao seu quarto, procurando algo que fosse suspeito...mas esse problema, contrariamente a amigas que tiveram que o enfrentar, nunca existiu...O grande problema dele era a insatisfação, sonhar alto, muito alto...
O Pedro hoje é um homem, serenou, tem uma companheira, com quem vive há cinco anos e tem uma vida estável, não sei até quando...é uma pessoa empenhada em causas...principalmente dos animais...e como ambos gostam muito, na casa deles sempre há animais recolhidos...mas quem domina é a Maria, um cão de água preto...que quando vou lá, dizem: Chegou a avó...Está nos seus projectos um filho, mas ainda não aconteceu...


sexta-feira, 27 de maio de 2011

O QUE NÃO FALTA É FESTA...

Todos os anos passo por lá, há eventos culturais de todo o género e nada comuns. Esta festa da cultura tem sempre por objectivo contemplar públicos de todas as idades e Serralves é uma óptima referência da cidade.
Também cheia de eventos de vários géneros e em vários locais.
Estou com curiosidade em ir à Noite de Morcegos: "Voar com as mãos e ver com os ouvidos"

Os morcegos são os únicos mamíferos quirópteros, isto é, que voam com as mãos. Existem mais de 1100 espécies de morcegos, nenhuma das quais é cega. No entanto, os microquirópteros orientam-se preferencialmente por ecolocalização. Oficina orientada por Drª. Luzia de Sousa, Conservadora do Museu de História Natural.


A propósito lembrei-me deste poema:


O Morcego
Augusto dos Anjos


Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.

Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:

Na bruta ardência orgânica dasede,

Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.



"Vou mandar levantar outra parede..."

— Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho

E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,

Circularmente sobre a minha rede!



Pego de um pau. Esforços faço. Chego

A tocá-lo. Minh’alma se concentra.

Que ventre produziu tão feio parto?!



A Consciência Humana é este morcego!

Por mais que a gente faça, à noite ele entra

Imperceptivelmente em nosso quarto!

E DA OPERETA «O MORCEGO» DE STRAUSS



Paralelamente vai decorrendo a festa da Campanha Eleitoral, onde os políticos andam por todos os cantinhos de Portugal a vender a sua «banha de cobra» putrefacta! O lema é «vamos iludir o povinho»! Para defesa da democracia eu vou votar e a única coisa que posso pedir é que votem, vão lá, se estão descontentes, não se abstenham, votem em branco.


A TODOS OS MEUS AMIGOS UM BOM FIM-DE-SEMANA!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

OS CONTOS DE FADA DIZEM MUITO, MAS NUNCA DIZEM TUDO...





Nunca se sabe onde um beijo pode levar. Apesar dos contos de fada insistirem em dar-nos o final feliz, com um beijo. Um hábil modo de dizer muito e não dizer nada. Como todos os contos de Fadas, também A Bela Adormecida está carregada de um universo simbólico. Uma tentativa de fixar, ou melhor «dar nome» às forças da Natureza, às transformações do corpo (e da carne), às forças do instinto, aos sentimentos tão singulares quanto universais. Enfim, àquilo que se repete e que pontua fases da vida e comportamentos. Por esta razão, os contos de fada dizem muito, mas nunca dizem tudo (como poderiam dizer?). Entre outras razões, e em particular na Bela Adormecida, trata-se de ensaiar a fantasia numa realidade que se afasta daquela que normalmente podemos provar: o desejo lançado à contingência. E neste sentido, nem cem anos de sono nos garantem o próximo passo. Talvez nos sintamos mais preparados, mas nunca se sabe onde um beijo pode levar. Em Perrault depois do beijo, mesmo com um final feliz, vem a vingança da mãe do Príncipe por ciúme (o famoso caso edipiano).


Nos irmãos Grimm, depois do beijo a pausa para a fase que se segue: e foram felizes para sempre! Mas mesmo não tendo a certeza onde um beijo nos leva, quem resiste à ideia de um final feliz? Quem não anseia o beijo do príncipe encantado? Que podemos nós contra tudo isto? Literalmente nada porque de um desejo afinal, se trata. A este propósito recordo a frase de Santo Agostinho «ainda não amava e já gostava de amar», que nos projecta para qualquer potencial, isto é, o corpo antecipa o acontecimento.


É aqui que a nossa Bela Adormecida ganha corpo (do e no desejo), às vezes etéreo às vezes apelativo, para imediatamente entrarmos no seu son(h)o, o não-dito.


Por favor não a acordem!




segunda-feira, 9 de maio de 2011

CARTA AOS MEUS SEGUIDORES...


Tenho que dar uma explicação relativamente a não comentar tanto como eu gostaria…Sempre gostei de visitar os blogues das pessoas com quem já estabeleci cumplicidade e pelas quais sinto afinidades…mas o chegar ao blogue, o tempo que alguns deles demoram a abrir, esperar para deixar o comentário, alguns depois requerem que escreva aquelas letras malucas, que eu nem sei para que servem…dão cabo da minha paciência…e insisto…e espero…e há mesmos alguns blogues onde nem consigo entrar…sinto-me frustrada, esta situação tem de facto piorado!
Por outro lado também já tive indicações que por vezes é difícil chegar ao meu blogue!...
O interesse que suscita  o «feedback» do que se escreve está a falhar!



Sou básica em questões da internet…ie fui aprendendo com as dificuldades que foram aparecendo e com algumas dicas que me foram dando, mas longe de dominar os caprichos deste bicho…algumas perguntas me ocorrem.


Têm tido este problema?
Será que este problema é especificamente do meu computador?

domingo, 1 de maio de 2011

DIA DA MÃE



Mãe onde estás? Tenho saudades

Do teu corpo quente, dos teus afagos

Está tanto frio na minha alma, mãe!

Preciso de ouvir a tua voz a dizer-me meiguices!

«A minha menina, o meu doce, a minha flor!»

Com beijos me apertavas

Contra o teu peito!

Eu preciso mãe

Que me embales em carícias do teu jeito!


Partiste

Nem sequer nos despedimos…

Perdi o teu olhar vivo

Os teus olhos pareciam peixes mortos

Escapou-te a essência e o teu corpo

Em espasmos líquidos

Foi atrás

Mais devagar!


Que golpe no peito,

Que dolorosa facada

Fiquei destroçada e triste,

Sem esteio…

Na minha dor calada!..

quarta-feira, 27 de abril de 2011

RECTIFICANDO: OS CRAVOS NÃO PODEM MURCHAR...

Em tempos em que as notícias parecem todas más, é bom ter a percepção que há zonas de consolo e bem- estar!

O Sol brilha, as andorinhas vão chegando, os dias de praia, já são possíveis e agradáveis e assim nesta Primavera é bom andar de sorriso no rosto, ombros erguidos, costas direitas e testa sem franzidos.
Claro que temos muito a contestar, muitas queixas e muito para nos indignar! Há sempre quem goste de ser radical, de mergulhar na desgraça completa, mais do que o fado é um estilo de vida. Muitos dirão revoltados, com tantos absurdos em que fomos vivendo: «eu disse, eu tinha razão»! Mas há outros que conseguem construir um reduto íntimo que os defende da baixa política ou da alta finança. Quem se lembra… já se viveu muito pior, já se viveu com muito menos, pode sentir-se um sentimento de perda e de desilusão, de maior insegurança, mas ainda assim o que deve contar é o que se é e com quem se partilha… enfim apreciando o que há para apreciar.

UM DIA EM FAMÍLIA, COM MUITO SOL, EMBORA DEPOIS TAMBÉM SURGISSEM RAIOS E TROVÕES E UMA GRANDE CHUVADA...

terça-feira, 19 de abril de 2011

O PRAZER DE TER AMIGOS...

«O Prazer da Leitura» de Marcel Proust, é um manifesto de amor pelos livros, o texto contém os fundamentos de uma teoria estética que depois foi desenvolvida com mais profundidade no revolucionário: EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO.

«Não há talvez dias da nossa vida que tenhamos tão intensamente vivido como aqueles que julga-mos passar sem tê-los vivido, aqueles que passamos com um livro nas mãos.»

Sempre me entreguei aos livros com um empenho incomum, muitas vezes isolando-me, para os viver de uma forma absoluta. Uma relação de amizade, tão intensa que me deixa uma sensação de vazio, quando o livro termina. Mas este sentimento, vai continuar num outro livro que surge a seguir, um processo interminável em que a sensação de descoberta está sempre presente.

Proust escreve que só a leitura possui «a chave que nos abre, no fundo de nós próprios, a porta das habitações onde não teríamos conseguido penetrar».

Os livros têm sido realmente para mim grandes amigos, desde sempre e até sempre, estão na cabeceira, vão comigo, reconciliam-me com o sono…ler é sempre necessário, antes de me deixar escorregar por entre os lençóis...PROVOCAM-ME EMOÇÕES, dão mais vida à minha vida!





 Os Meus Livros

Os meus livros (que não sabem que existo)

São uma parte de mim, como este rosto

De têmporas e olhos já cinzentos

Que em vão vou procurando nos espelhos

E que percorro com a minha mão côncava.

Não sem alguma lógica amargura

Entendo que as palavras essenciais,

As que me exprimem, estarão nessas folhas

Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.

Mais vale assim. As vozes desses mortos

Dir-me-ão para sempre.

Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"





SEMPRE COM UMA MÚSICA DE FUNDO:

quinta-feira, 14 de abril de 2011

ABRIL...

ABRIL…sempre gostei de Abril…e muito mais quando os cravos gritaram nas armas e eu senti o sangue nas veias correndo de emoções diversas…tempos que sempre estarão presentes em mim…se fizesse uma lista dos acontecimentos importantes da minha vida esse Abril lá estava, num lugar destacado…mas esse Abril passou…e hoje Abril, que se traduz num renascimento…em cores e cheiros de uma Primavera desejada…não deixa de trazer sombras…e nas sombras ruídos, muitos ruídos atonais…que ouço com irritação…

Apetecia-me o silêncio…se o silêncio pudesse existir!...

Mesmo tapando os ouvidos ainda subsiste um zumbido revoltado…que vem das minhas entranhas…

Não há silêncio…nem em mim…nem fora de mim…apetece-me dizer CALEM-SE…

Será que é possível encontrar o silêncio?

desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.



Silêncio

Assim como do fundo da música

brota uma nota

que enquanto vibra cresce e se adelgaça

até que noutra música emudece,

brota do fundo do silêncio

outro silêncio, aguda torre, espada,

e sobe e cresce e nos suspende

e enquanto sobe caem

recordações, esperanças,

as pequenas mentiras e as grandes,

e queremos gritar e na garganta

o grito se desvanece:

desembocamos no silêncio

onde os silêncios emudecem.



Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"

Tradução de Luis Pignatelli

NAS ASAS DA SAUDADE - CARLOS PAREDES




 

 MOVIMENTO PERPÉTUO







sexta-feira, 8 de abril de 2011

ATÉGINA OU ATAEGINA - DEUSA LUSITANA DA PRIMAVERA

Deusa do renascimento (Primavera), fertilidade, natureza e cura na mitologia lusitana. Viam-na como a deusa lusitana da Lua. O nome Ataegina é originário do celta Ate + Gena, que significaria "renascimento".

O animal consagrado a Atégina era o bode ou a cabra. Ela tinha um culto de devotio, era invocada para curar alguém, ou até mesmo para lançar uma maldição que poderia ir de pequenas pragas à morte.


Atégina era venerada na Lusitânia e na Bética, existem santuários dedicados a esta deusa em Elvas (Portugal), Mérida e Cáceres na Estremadura espanhola, além de outros locais, especialmente perto do Rio Guadiana. Ela era também uma das principais deusas veneradas em locais como Myrtilis (Mértola), Pax Julia (Beja), cidades portuguesas, e especialmente venerada na cidade de Turobriga, cuja localização é desconhecida. A região era conhecida como a Baeturia celta.


Existem diversas inscrições que relacionam esta deusa com Proserpina: ATAEGINA TURIBRIGENSIS PROSERPINA, esta relação aconteceu durante o período romano. Muitas vezes é representada com um ramo de cipreste.

Herdeira de um caldeirão de povos e culturas, com mitologias bastante diversas entre si, que deixaram um fértil legado imaginário, a mitologia portuguesa engloba um conjunto de narrativas e lendas sobre personagens e seus feitos, fenómenos naturais e objectos extraordinários ou regiões fantásticas, com características sobrenaturais, transmitidas de geração em geração, no decorrer dos séculos, tanto no campo literário como no da tradição oral.



Tem como base a mitologia dos povos autóctones da Lusitânia pré-romana, legado este que não sobreviveu à conversão para o cristianismo, no entanto é possível que alguns elementos tenham sido preservados, nos contos e tradições populares. Há testemunhos esculpidos em pedra, que revelam a existência de várias divindades das quais se destacam Atégina, Bandua e Endovélico.

Atégina. Mármore, 210x93x72 cm, do artista Pedro Roque Hidalgo. Museu do Mármore, Vila Viçosa, Portugal, 2008.

 

CONSULTA AQUI
 
UM ENCONTRO COM A PRIMAVERA, MAS TAMBÉM UMA PROCURA NOSTÁLGICA, TENDO POR FUNDO A MÚSICA DE SATIE
 

terça-feira, 5 de abril de 2011

PAZ...

Wanderer above the Sea of Fog (German: Der Wanderer über dem Nebelmeer; also known as Wanderer Above the Mist) is an oil painting composed in 1818

Qualquer Coisa de Paz


Qualquer coisa de paz. Talvez somente

a maneira de a luz a concentrar

no volume, que a deixa, inteira, assente

na gravidade interior de estar.



Qualquer coisa de paz. Ou, simplesmente,

uma ausência de si, quase lunar,

que iluminasse o peso. E a corrente

de estar por dentro do peso a gravitar.



Ou planalto de vento. Milenária

semeadura de meditação

expondo à intempérie a sua área



de esquecimento. Aonde a solidão,

a pesar sobre si, quase que arruína

a luz da fronte onde a atenção domina.



Fernando Echevarría, in "Figuras"


The Beatles - All You Need is Love


sábado, 2 de abril de 2011

MAIS UMA ESTRELA NO CÉU....

S.M. (03.01.1969 - 31.03.2011)







A VIDA É SONHO E A REALIDADE ESTÁ PARA ALÉM DA MORTE

Basta ser breve e transitória a vida

Para ser sonho. A mim, como a quem sonha,
E obscuramente pesa a certa mágoa

De ter que despertar — a mim a morte
Mais como o horror de me tirar o sonho
E dar-me a realidade me apavora,
Que como morte. Quantas vezes, (...),
Em sonhos vários conscientemente
Imersos, nos não pesa ter que ver
A realidade e o dia!


Sim, este mundo com seu céu e terra,
Com seus mares e rios e montanhas,
Com seus arbustos, aves, bichos, homens
Com o que o homem, com translata arte
De qualquer outra, divina, faz —
Casas, cidades, cousas, modos —
Este mundo que sonho reconheço,
Por sonho amo, e por ser sonho o não
Quisera deixar nunca, e por ser certo
Que terei que deixá-lo e ver verdade,
Me toma a gorja com horror de negro
O pensamento da hora inevitável,
E a verdade da morte me confrange.


Pudesse eu, sim pudesse, eternamente
Alheio ao verdadeiro ser do mundo,
Viver sempre este sonho que é a vida!
Expulso embora da divina essência,
Ficção fingindo, vã mentira eterna,
Alma-sonho, que eu nunca despertasse!
Suave me é o sonho, e a vida porque é
Temo a verdade e a verdadeira vida.
Quantas vezes, pesada a vida, busco
No seio maternal da noite e do erro,
O alívio de sonhar, dormindo; e o sonho
Uma perfeita vida me parece...
Perfeita porque falsa, e porventura
Porque depressa passa. E assim é a vida.


3-3-1928

Fausto - Tragédia Subjectiva . Fernando Pessoa. (Texto estabelecido por Teresa Sobral Cunha. Prefácio de Eduardo Lourenço.) Lisboa: Presença, 1988.

terça-feira, 29 de março de 2011

NENHUM ANIMAL É INSATISFEITO...

Eu penso que poderia retornar e viver com animais, tão plácidos e autocontidos; eu paro e me ponho a observá-los longamente. Eles não se exaurem e gemem sobre a sua condição; eles não se deitam despertos no escuro e choram pelos seus pecados; eles não me deixam nauseado discutindo o seu dever perante Deus. Nenhum deles é insatisfeito, nenhum enlouquecido pela mania de possuir coisas; nenhum se ajoelha para o outro, nem para os que viveram há milhares de anos; nenhum deles é respeitável ou infeliz em todo o mundo.



Walt Whitman, in "Song of Myself"






Fotografias: Manuela Freitas

segunda-feira, 28 de março de 2011

A TERAPIA DA NATUREZA...

Tanto ruído vai por este país, todos falam, todos dão opiniões e pareceres, no entanto a sensação é de «cul-de-sac». Dou-me muito mal com o ruído, refugio-me no silêncio…
A Natureza, dá-me uma certa leveza, mergulho na essência, é uma forma de me distender, de erguer os braços e inspirar e expirar ruidosamente, como uma libertação! Costumo dizer: vou dar um passeio ao parque, vou fazer a minha terapia!..Esta é uma das terapias a outro é inquestionavelmente a música.








Fotos - Manuela Freitas
É evidente que a natureza se preocupa bem pouco com o que o homem tem ou não no espírito. O verdadeiro homem é o homem selvagem, que se relaciona com a natureza tal como ela é. Assim que o homem aguça a sua inteligência, desenvolve as suas ideias e a forma de as exprimir, ou adquire novas necessidades, a natureza opõe-se aos seus desígnios em toda a linha. Só lhe resta violentá-la, continuamente. Ela, pelo seu lado, também não fica quieta. Se ele suspende por momentos o trabalho que se impusera, ela torna-se de novo dominadora, invade-o, devora-o, destrói ou desfigura a sua obra; dir-se-ia que acolhe com impaciência as obras-primas da imaginação e da perícia do homem.

Que importam à ronda das estações, ao curso dos astros, dos rios e dos ventos, o Parténon, São Pedro de Roma e tantas outras maravilhas da arte? Um tremor de terra ou a lava de um vulcão reduzem-nos a nada; os pássaros farão os seus ninhos nas suas ruínas; os animais selvagens irão buscar os ossos dos construtores aos seus túmulos entreabertos. Mas o próprio homem, quando se entrega ao instinto selvagem que está no fundo da sua natureza, não se alia ele aos outros elementos para destruir as suas mais belas obras?

Eugène Delacroix, in 'Diário'