A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




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domingo, 31 de março de 2013

Exposição de Graça Morais – Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva


Uma denúncia e uma reflexão sobre o tempo que vivemos, sob o signo do medo!
A MARCHA DO MUNDO, OS CONFLITOS, AS GUERRAS, A POBREZA, A CRISE ECONÓMICA.

«É preciso pensar o que está a acontecer!
Não posso ficar calada. Como é possível fazer uma pintura decorativa que ignore o que está a acontecer?
As leis que são feitas são de uma grande desumanidade e insensibilidade social, há muitas pessoas a sofrer. Revolta-me que tantos seres humanos sejam desprotegidos e desamparados. Não posso ficar calada! Todos estamos a sofrer uma grande injustiça, que se reflecte no nosso dia-a-dia,. É preciso ver o que se está a passar com tanta gente desempregada, com tantos deprimidos.
As mulheres são sempre as maiores vítimas, particularmente em tempos de crise e numa situação de grande desemprego.
São o elo mais fraco, que sofrem a violência psíquica e física. Basta ler os jornais. Ando mesmo impressionada com o número de mulheres que se suicidam e antes matam os filhos. Desempregadas, desesperadas e abandonadas pela sociedade, sem perspectivas, há uma carga imensa sobre esta espécie de «Medeias», que não querem deixar os seus filhos nesta desgraça. É uma tragédia para a própria Humanidade e é preciso que as pessoas pensem no que está a acontecer».

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

domingo, 19 de agosto de 2012

ESPAÇO EDP - VIEIRA DA SILVA - O ESPAÇO E OUTROS ENIGMAS

«A TROCA
Se Vieira for a caligrafia, Arpad é a linha do caderno. A caligrafia avança sobre a linha e a linha segue-a no seu avanço. O avanço de Vieira é feito com lanças altas, levantadas na vertical, mas que às vezes se deitam na horizontal para abrir caminho ao seu caminho. A linha de Arpad tem uma quietude que, de tempos a tempos, se inquieta. Então, a linha gira em volta da sua luz e torna-se movimento da paragem.
Se Vieira for o labirinto, Arpad é o fio de Ariadne. O nosso olhar perde-se nela e encontra-se nele. Ou perde-se nele e encontra-se nela, porque, como diz Walter Benjamin, devemos aprender a perdermo-nos numa cidade como se ela fosse uma floresta.
As cidades de Vieira são nervosas e rápidas. As de Arpad tornam-se calmas e lentas. Nas cidades de Vieira há a fragilidade que lhes dá leveza. Nas cidades de Arpad há a certeza que lhes dá dúvida. As cidades de Vieira fogem e as de Arpad regressam. As cidades dela são o futuro do passado e as dele são o passado do futuro. As cidades de Vieira escrevem-se no espaço, porque o futuro, como sabem os arquitetos e os videntes, constrói-se em extensão. As cidades de Arpad inscrevem-se no tempo, porque o passado, como sabem os arqueólogos e os psicanalistas, desvenda-se em profundidade. É por isso que Vieira é a arquiteta-vidente das suas cidades e Arpad o arqueólogo-psicanalista das cidades dele.
Esta exposição acrescenta mais uns pingos à solda da pareceria entre a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (obrigado, Marina) e a Fundação EDP (oiço a voz da Marina a dizer: obrigado, Zé Manel). Nela, cruzam-se as cidades de Vieira e de Arpad e os seus comissários, João Pinharanda e Marina Bairrão Ruivo, são os sinaleiros deste cruzamento de muitas ruas e muito trânsito nelas. 
Olhamos estas cidades dos dois e começamos a reparar. Reparamos: aquilo que mais as aproxima são pessoas, cidadãos das cidades. As pessoas de Vieira vão para um além. As pessoas de Arpad voltam para um aquém. Passam umas pelas outras e nesse vaivém são como os elevadores, ditos da Glória: o que sobe passa pelo que desce que passa pelo que sobe. 
Olhamos estas pinturas e estes desenhos para descobrirmos que as pessoas de Vieira veem as vistas das pessoas de Arpad e que as pessoas de Arpad andam nos passos das pessoas de Vieira. É sempre assim nas cidades: trocamos com os outros, trocamos os outros, trocamo-nos nos outros. Como Vieira, a bruxa, e Arpad, o sábio, sabiam. E por isso pintaram e desenharam assim. Ele olhava com os olhos dela e ela pintava com a mão dele. Trocados um com o outro, a caminho das cidades que, no mundo, foram deles – e agora, por eles, são nossas.»
José Manuel dos Santos, Diretor Cultural da Fundação EDP




quarta-feira, 25 de julho de 2012

ANTÓNIO CRUZ - «O PINTOR E A CIDADE»

NOTA BIOGRÁFICA
por Laura Castro



1907 Nasce no Porto a 9 de Março, na Rua Nossa Senhora de Fátima, então Rua das Valas, freguesia de Cedofeita, filho de Avelino da Conceição Cruz e de Luísa da Silva.
Desde cedo manifesta a vocação para o desenho.

1920
Frequenta a Escola Infante D. Henrique onde conclui o curso de Condutor de Máquinas.
Desloca-se dentro da cidade e nos seus arredores para registar aspectos da paisagem. Ramalde, Campo Alegre e Leça do Balio são alguns dos primeiros locais representados nas suas obras iniciais.

1928
Cumpre o serviço militar na Companhia de Torpedos em Paço de Arcos.
Realiza alguns dos primeiros trabalhos de publicidade e ilustrações de livros escolares no escritório de amigos.
Exposição nas Termas de Vizela, sem sucesso. Exposição no Casino da Póvoa.

1930
Reside na Rua João de Deus, nº 190, casa 23.
Matricula-se na Escola de Belas-Artes do Porto sem o conhecimento dos pais. É aluno de Acácio Lino (1878-1956), Joaquim Lopes (1886-1956) e Dordio Gomes (1890-1976) em Pintura e de Pinto do Couto (1888-1945) e Barata Feio (1898-1990) em Escultura.

1931/32
Concorre a pensionista do Legado Ventura Terra para continuar os seus estudos na escola portuense, obtendo para o efeito um atestado de pobreza da Junta de Freguesia de Ramalde. Participa em exposições do grupo “+ Além”.

1932
Obtém, enquanto aluno da Escola de Belas-Artes, o prémio de desenho “José Rodrigues Júnior”.

1933
Desenha incessantemente. Nos cafés realiza apontamentos de figura e retratos de circunstância. Estes trabalhos revelar-se-ão fundamentais para a dedicação à carreira artística. Frequenta, nomeadamente, o café Vitória, na Avenida dos Aliados.
Instala um atelier nas instalações da Maternidade Júlio Dinis – no futuro bloco operatório – graças ao mecenato de Alfredo Magalhães.
Paralelamente António Cruz beneficiava de uma “conta” na Papelaria Modelo, no Largo dos Lóios, onde podia adquirir os materiais necessários.

1934
Após a morte de seu pai, interrompe os estudos e refugia-se em Ponte da Barca. Aproveita todo o tempo para pintar.
Um grupo de 72 alunos da Escola de Belas-Artes do Porto elabora um abaixo-assinado solicitando à Direcção da Escola auxílio material que permita a António Cruz prosseguir os seus estudos. Entre esses alunos contam-se Dominguez Alvarez, Guilherme Camarinha, Augusto Gomes, Laura Costa, Ventura Porfírio e Agostinho Ricca.

1935
O mesmo grupo de alunos dirige-se, em idênticos termos, à Câmara Municipal do Porto que aprovou uma mensalidade de “trezentos escudos” destinada a custear as despesas inerentes ao curso, inicialmente suportada pela Câmara e, depois, com a colaboração da Junta de Freguesia do Bonfim. Esta bolsa de estudo é obtida no período em que Alfredo de Magalhães é Presidente da Câmara Municipal do Porto e manter-se-á até 1944, permitindo ao artista prosseguir os seus estudos.

1937
Viaja pela Grã-Bretanha onde pinta e realiza visitas a museus. António Cruz partiu do Porto, à boleia, num cargueiro carregado de cortiça que se dirigia ao Norte da Europa.

1938/39
Conclui o Curso de Pintura da Escola de Belas-Artes.

1939
Um grupo de amigos, admiradores e mecenas organiza aquela que é considerada a sua primeira exposição individual no Salão Silva Porto. Entre as figuras que participaram na iniciativa contam-se: Dr. Alfredo Magalhães, Joaquim Lopes, Aarão de Lacerda, Dr. Melo Alvim, Engº Brito e Cunha, D. Isabel Guerra Junqueiro. Na inauguração, a 18 de Novembro, António Cruz foi apresentado por Aarão de Lacerda, director da Escola de Belas-Artes do Porto e Melo Alvim fez a conferência de abertura.
Após a sua apresentação no Porto, em Novembro, a exposição é inaugurada em Dezembro do mesmo ano, em Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas-Artes. A exposição é inaugurada pelo Chefe de Estado e pelo Ministro da Educação Nacional.
Durante a exposição sucedem-se diversas manifestações de homenagem: a 13 de Dezembro, um almoço no restaurante Tavares; no dia 15 de Dezembro Ressano Garcia apresenta Melo Alvim, autor da conferência de encerramento.

1942
Frequenta o Curso de Escultura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto, obtendo uma medalha.

1944
Participa nas exposições dos Independentes que tiveram lugar no Salão do Coliseu do Porto e no Salão de “O Primeiro de Janeiro” em Coimbra.

1945
Apresenta a prova de final de curso com a obra “Adoração dos Pastores”, obtendo a classificação de 18 valores.

1946
Obtém uma bolsa do Instituto de Alta Cultura para estudos de “aperfeiçoamento em aguarela”. A ideia de que António Cruz seria comunista obrigou à intervenção de várias figuras, no sentido de esclarecerem que tal ideia não correspondia à realidade e que não deveria interferir com a atribuição da bolsa. O Prof. Reynaldo dos Santos foi um dos que escreveu a prestar tal esclarecimento.
Participa na Exposição de Arte Moderna do SNI em Lisboa.

1947
Obtém os Prémios José Tagarro (desenho) e Roque Gameiro (aguarela) atribuídos pelo SNI após a sua participação na II Exposição de Desenho, Aguarela, Gouache, Desenho e Gravura daquele organismo, em Lisboa no mês de Novembro.
Participa na Exposição de Arte Moderna do SNI em Lisboa.

1948
Obtém o Prémio Teixeira Lopes (escultura) pela participação na Exposição de Arte Moderna do SNI em Lisboa.

1949
Participa nas seguintes exposições: Exposição dos Independentes, organizada em Braga; V Exposição de Arte Moderna dos Artistas do Norte, organizada pelo SNI, em Maio; Exposição dos Artistas Premiados pelo SNI (1935-1948), Lisboa.

1951
Participa na exposição “Como Alguns Artistas Viram o Porto”, organizada pelo Gabinete de História da Cidade na Biblioteca Pública Municipal do Porto.

1952
Participa na Exposição dos Artistas Premiados pelo SNI, em Lisboa.

1954
Casa com Ofélia Marques da Cunha na Igreja de Santo Ildefonso, no Porto.

1955
Obtém uma medalha durante a frequência do curso de Escultura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto.

1956
Manoel de Oliveira realiza o filme O Pintor e a Cidade que tem como personagem principal a figura do pintor António Cruz, filme apresentado no Festival de Veneza.

1957
Participa na I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian.

1958
Inicia funções docentes na escola de Artes Decorativas de Soares dos Reis, no Porto. Participa na Exposição de Obras do Norte admitidas à I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, realizada no Ateneu Comercial do Porto.

1962
Apresenta-se a concurso de provas públicas para provimento de um lugar de professor na Escola de Belas-Artes do Porto.

1963
É professor agregado de Desenho na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, após aprovação em mérito absoluto no concurso público realizado.
Participa na exposição “O Rio e o Mar na Vida da Cidade”, comemorativa da inauguração da Ponte da Arrábida, organizada no Porto, na Casa do Infante.

1964
Conclui os estudos de Escultura na Escola de Belas-Artes. Não chegará a apresentar a obra de tese nesta área.

1965
Participa na exposição “Dois Séculos de Modelo Vivo na ESBAP – 1765-1965” que teve lugar na ESBAP.

1970
Participa na “Exposição de obras oferecidas para leilão a favor do T.E.P.”, organizada em Dezembro, na Galeria Dois, no Porto.

1971
Participa na “Exposição de Arte” organizada no âmbito da Queima das Fitas, na Faculdade de Engenharia do Porto.

1973
Participa na “Exposição de Aguarelas”, organizada em Novembro na Galeria Paisagem, no Porto.

1975
Participa na exposição “Levantamento da Arte do Século XX no Porto” organizada pelo Centro de Arte Contemporânea no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto e na Sociedade Nacional de Belas-Artes em Lisboa.

1982
Os artistas Armando Alves e José Rodrigues e o editor José da Cruz Santos organizam, na Casa do Infante, uma exposição de obras de António Cruz e um serão de homenagem ao artista. É então lançado o álbum O Pintor e a Cidade com a reprodução de aguarelas de António Cruz e um texto de Agustina Bessa-Luís.
O jornal “O Comércio do Porto”, associando-se à homenagem, lança um concurso subordinado ao tema “O Pintor e a Cidade”.
A exposição tem grande impacto na imprensa e António Cruz cede às solicitações para conceder entrevistas, situação inédita até então.
Participa na exposição “Os Anos 40 na Arte Portuguesa”, realizada em Lisboa na Fundação Calouste Gulbenkian.

1983
É realizada uma exposição individual na Galeria Diagonal, em Cascais, entre 15 de Abril e 5 de Maio.
Morre no Porto a 29 de Agosto.

O realizador MANUEL DE OLIVEIRA, imortalizou-o no documentário «O PINTOR E A CIDADE»



domingo, 8 de abril de 2012

domingo, 18 de dezembro de 2011

CENTRO DE ARTE MODERNA GERARDO RUEDA – MATOSINHOS

Há já longos anos que a cidade de Matosinhos se tem pautado por valorizar de forma especial a Cultura, em todos os seus aspectos e de forma acessível para todos.


Com um protocolo entre a Câmara e a Fundação Gerardo Rueda, abriu o Centro de Arte Moderna, com obras significativas de Rueda.  Integrados nesta mostra também podem ser vistas obras de Tápies, Miró, Fernando Zóbel, Millares e Saura, assim como dos portugueses, Alberto Carneiro, Skapinakis e especialmente Noronha da Costa.


 Gerardo Rueda é considerado um dos maiores artistas da segunda metade do século XX, com representação nos maiores museus do Mundo. 

http://www.gerardorueda.org/index.php?in=1&bi=2

Como grande coleccionador de arte, são apresentados alguns quadros da sua colecção, o mais valioso é um quadro de Millares, avaliado em 900 mil euros.

AL FONDO - MILLARES



quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

INCONTORNÁVEL A MORTE DE MALANGATANA

Sempre considerei extraordinário, os casos de talento instintivo, as pessoas que começaram lá de baixo, como Malangatana, que foi pastor, caçador de ratos com azagaia, aprendiz de curandeiro (tinha uma tia curandeira) e mainato (empregado doméstico).



Filho de gente humilde, a mãe bordava cabaças e afiava os dentes das jovens locais (uma moda da altura), o pai era mineiro na África do Sul.


Com a mãe doente e um pai ausente, Malangatana foi viver com um tio paterno e estudou até à terceira classe. Aos 11 anos começou a trabalhar porque já era «adulto» e podia fazer tudo, desde cuidador de meninos a apanha-bolas no clube de ténis.


Foi no clube de ténis, que Malangatana conheceu o biólogo, Augusto Cabral, que disse numa entrevista: «Um apanha-bolas nas partidas de ténis era um tal Malangatana Ngwenya, que, no fim de uma tarde de desporto, se acercou de mim para me pedir se, por acaso, eu não teria em casa um par de sapatilhas velhas que lhe desse».O pintor nasceu nessa noite, Malangatana foi a casa de Augusto Cabral e viu-o a pintar um painel. «Ensine-me a pintar»,pediu. E Augusto Cabral deu-lhe tintas, pincéis e placas de contraplacado. No pincel tinha Matalana, localidade onde nasceu e onde conheceu a opressão colonial e a guerra civil.


Em pouco tempo começou a expor, depois estudou na Escola Industrial de Maputo e foi bolseiro da Fundação Gulbenkian.


Malangantana, além de pintar, fez cerâmica, tapeçaria, gravura e escultura. Fez experiências com areia, conchas, pedras e raízes. Foi poeta, actor, dançarino, músico, dinamizador cultural, organizador de festivais, filantropo e até deputado, da FRELIMO, partido no poder em Moçambique desde a independência. Foi um dos criadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique, dinamizador do Núcleo de Arte, colaborador da UNICEF e arquitecto de um sonho antigo, que levou para a frente, a criação de um Centro Cultural na sua Matalana. Recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade de Évora.


Expôs em vários países, tem obras suas em vários museus, galerias e colecções privadas.

http://www.instituto-camoes.pt/noticias-ic-portugal/morreu-o-pintor-mocambicano-malangatana.html


 





terça-feira, 17 de agosto de 2010

CARAVAGGIO (1571 – 1610)

Igreja de s. Agostinho em Roma, a Senhora dos Peregrinos



400 anos passaram sobre a morte de Michelangelo Merise, dito CARAVAGGIO. Caravaggio, foi a terra onde nasceu. De família abastada teve como mestre Tiziano. Era aventureiro, agressivo e desabridamente sensual. Adolescente visita Veneza, vai para Roma, vivendo dos favores do Cardeal Francesco Maria del Monte. Era um homem inquieto, a sua força interior, explodia em violência e crime. Foi perseguido pela justiça, matou um nobre, Tommasoni e andou em fuga: esteve em Nápoles, Malta, Messina, Palermo. Com a possibilidade do perdão do Papa Pio V, parte para Roma, mas fica pelo caminho, o seu cadáver apodreceu numa praia de Argentário.
Malária? Assassínio?
Foi um génio que fez escola, um pintor inovador. Na Igreja de s. Agostinho em Roma, a Senhora dos Peregrinos, diviniza os pobres, mas em quase toda a sua obra a carnação luminosa das personagens é de uma sensualidade, que a regulação do Concílio de Trento, não podia aceitar, talvez por isso a morte aconteceu aos 38 anos.

Baco

Bacchino Malato

S. João Baptista

Músicos

SOBRE CARAVAGGIO: AQUI


FILME: Caravaggio: País de Origem: Inglaterra Género: Drama Direcção: Derek Jarman

terça-feira, 20 de abril de 2010

TOULOUSE-LAUTREC

Pensando vermelho, pensei no Moulin Rouge, já andei por lá.
Paris foi a minha primeira viagem e a viagem mais desejada, consequência de leituras, pintores, cantores...toda aquela áurea intelectual.
Paris, Moulin Rouge e de imediato TOULOUSE-LAUTREC












Henri Marie Raymond de TOULOUSE-LAUTREC Monfa ( 1864 — 1901) pintor pós-impressionista e litógrafo. Conhecido por pintar a vida boémia de Paris do final do século XIX, ele mesmo um boémio que faleceu precocemente aos 36 anos, de sífilis e alcoolismo, além ter sofrido uma doença desconhecida na sua época. Certamente uma distrofia poli-hipofisária, ou seja, um desenvolvimento insuficiente de certos tecidos ósseos. Sofreu dois acidentes na sua juventude, fracturando o fémur esquerdo e direito. Os ossos mal soldados pararam de crescer e fizeram de Henri um homem com corpo de adulto mas com pernas curtas de menino. Trabalhou cerca de vinte anos mas deixou um legado artístico importantíssimo, tanto no que se refere à qualidade e quantidade de obras, como também no que se refere à popularização e comercialização da arte. Toulouse-Lautrec revolucionou o design gráfico dos cartazes publicitários, ajudando a definir o estilo que seria posteriormente conhecido como Art Nouveau.



































segunda-feira, 30 de novembro de 2009

PINTURA DE PAULA REGO

PAULA REGO



Os críticos consideram que a pintura de Paula Rego reflecte a escola britânica, consequência natural do país onde estudou, mas que há em Paula Rego uma essência simbólica portuguesa, tudo aquilo que foi absorvendo em criança, uma curiosidade que perdura na sua forma de expressão. Hoje Paula Rego tem 70 anos, goza de grande prestígio e foi considerada em Inglaterra, como um dos melhores pintores vivos do mundo. É uma pessoa simples, movendo-se de forma inibida, perante tantos elogios, homenagens e prémios, mas não está cativa a nada, pinta o que lhe apetece, usa a pintura para fazer a sua catharzis. A sua pintura motiva muita reflexão/interpretação. Nos seus quadros nada está ali por acaso, não procura o belo, as personagens são pessoas vulgares, grotescas e rudes. Pessoas de carne e osso, onde destaca com força criativa, os aspectos mais insondáveis da complexidade humana. Os seus quadros transmitem perturbação, emoção, mistério…Numa exposição, não se deixa um quadro de ânimo fácil, para avançar para outro, quantas vezes se retorna, para observar melhor a «história» que é contada e até onde ela quer chegar. O seu olhar o mundo é muito pessoal, uma visão profunda de dissecação e crítica.
A temática das suas pinturas, são uma tomada de posição face ao mundo, são os olhos de uma criança, que dizem o que é mau sem contemplações, como só uma criança pode dizer. Temas como a guerra, o aborto, a igreja, a vida social e familiar e outros, têm sido escalpelados realisticamente.
Pinta as histórias que vai buscar, aos livros, como por exemplo: Triunfo dos Porcos, de George Orwell, a Metamorfose, de Kafka, O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz, As Criadas, de Genet, Nursery Rhymes, baseada em histórias de um livro homónimo, de autor desconhecido, The Children's Crusade e outras.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

FRIDA KALHO (1907-1954)

"Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade."

Aos seis anos teve poliomielite, ficando com lesões no pé direito.

''Origem das duas Fridas. Recordação. Devia ter 6 anos quando vivi intensamente a amizade imaginária com uma menina de minha idade. (...) Não me lembro de sua imagem, nem de sua cor. Porém sei que era alegre e ria muito. Sem sons. Era ágil e dançava como se não tivesse nenhum peso. Eu a seguia em todos os seus movimentos e contava para ela, enquanto ela dançava, meus problemas secretos. Quais? Não me lembro. Porém ela sabia, por minha voz, de todas as minhas coisas...''


Com 18 anos sofreu um grave acidente, que a deixou por muito tempo acamada, tendo que fazer várias cirurgias, foi nessas condições que começou a pintar.

''Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminado a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria.''

"Sinto-me mal, e ficarei pior, mas vou aprendendo a estar sozinha e isso já é uma vantagem e um pequeno triunfo."

''Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.''
"Eu sou a desintegração."

O casamento com Diego Rivera também foi traumatizante e conflituoso, os dois tinham temperamentos fortes e casos extra-conjugais. Diego manteve um relacionamento com uma irmã de Frida, que teve filhos dele. Diego e Frida separaram-se, mas voltaram a casar. Frida engravidou várias vezes, mas devido à sua condição física, nunca levou uma gestação até ao fim.

''Diego está na minha urina, na minha boca, no meu coração, na minha loucura, no meu sono, nas paisagens, na comida, no metal, na doença, na imaginação.''
''Ele leva uma vida plena, sem o vazio da minha. Não tenho nada porque não o tenho.''

Frida teve que amputar uma perna.
"Espero alegre a saída e espero nunca voltar."
''Amputaram-me a perna há 6 meses, deram-me séculos de tortura e há momentos em que quase perco a razão. Continuo a querer me matar. O Diego é que me impede de o fazer, pois a minha vaidade faz-me pensar que sentiria a minha falta. Ele disse-me isso e eu acreditei. Mas nunca sofri tanto em toda a minha vida.Vou esperar mais um pouco...''
Bebo para afogar as mágoas. Mas as danadas aprenderam a nadar.
"Creio que o melhor é partir, ir-me e não fugir. Que tudo acabe num instante. Oxalá»
No seu atestado de óbito, como causa da sua morte, está referido «embolia pulmonar», mas a hipótese de overdose por medicamentos é muito forte.
( Isto é uma pequena síntese de uma mulher extraordinária, o destaque incide nos sofrimentos que padeceu, mas há a sua pintura, que foi reconhecida internacionalmente, a «Casa Azul» onde viveu é hoje uma casa-museu e há também a sua intervenção política, apesar das suas deficiências, foi sempre uma activa militante.)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

HENRIQUE POUSÃO (1859-1884)


A Universidade do Porto e o Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR) instituíram 2009 como o Ano de Pousão, assinalando desta forma o 150º aniversário de nascimento do pintor. Desde a passada quinta-feira, essa homenagem tem o seu ponto alto em “Diário de um Estudante de Belas Artes”, título da exposição dedicada a um dos mais destacados artistas portugueses do século XIX.Com a abertura de “Diário de um Estudante de Belas Artes”, a Universidade culmina também o ciclo de iniciativas locais que tem vindo a dedicar a Henrique Pousão. Entre elas destaca-se a exposição "Desenho em reserva", uma iniciativa que reuniu, entre Setembro e Outubro, os trabalhos de 14 jovens artistas formados na FBAUP, como forma de celebrar o legado de um dos mais ilustres alumni da instituição.




Henrique Pousão, matriculou-se aos 13 anos na antiga Academia Portuense de Belas Artes.
Terminou, em 1876, a formação em Arquitectura com o projecto, Café-Concerto, classificado com 19 valores, considerado digno de ficar na Academia. Em 1878, terminou os estudos em Escultura. No ano seguinte, apresentou a exame final de Pintura Histórica, Daphnis e Chloé, classificada com 18 valores, considerada digna de ficar na Academia. Em 1880, colaborou na formação do Centro Artístico Portuense e concorreu, com António Ramalho da Academia de Lisboa, ao concurso para pensionista do Estado. Partiu para Paris, na companhia do seu colega Sousa Pinto, e foi admitido no atelier da Academia Especial de Belas Artes, sob a direcção de Alexandre Cabanel. No ano seguinte, foi admitido na École Nationale Supérieur des Beaux-Arts, frequentando o curso de desenho de Adolphe Yvon. Por razões de saúde, partiu para Roma onde alugou um atelier. Viveu em Capri e em Nápoles. Regressou a Portugal em 1883 e morreu a 25 de Março, em Vila Viçosa.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

OBRA MONUMENTAL, MAS NÃO HISTÓRICA


A emotividade do romantismo e o imediatismo do realismo, são os pilares da obra prima monumental de Géricault. A "Jangada da Medusa" denunciou um naufrágio e a corrupção do regime mas, o que o pintor pretendia era o reconhecimento. Foi exposto no Salon de Paris, em 1919. Aí realizavam-se essencialmente exposições, com fins políticos, mas também artísticos. Os Bourbon haviam regressado ao trono de França, em 1814, com a queda de Napoleão e usavam este salão para demonstrar a prosperidade e a estabilidade da nação. Assim os critérios de selecção para participar na exposição determinavam que os artistas tivessem de ser pró-regime ou pró-igreja (a grande aliada dos Bourbon) e realizassem obras que enaltecessem o poder vigente. Dois terços dos quadros tratavam cenas da vida dos santos, enquanto os restantes prestavam tributo aos monarcas franceses.
Sem bajulações ao regime, o quadro de Géricault, baseou-se no naufrágio da "Medusa", que a corte preferia esquecer. Géricault, no entanto, não pintou o quadro por razões políticas e ficou surpreendido, de o rei não o ter comprado. Os critérios dos críticos foram mais políticos do que artísticos.
Para realizar "A Jangada da Medusa", Géricault socorreu-se de várias fontes. Conversou com dois sobreviventes (Savigny - médico, Corréard - cartógrafo). O pintor pretendeu pintar uma obra realista, mas o quadro acabou por não obedecer aos cânones realistas.
A análise da obra revela pormenores pouco realistas: Jean Charles, o negro que acena no ponto mais alto do quadro, tem os músculos bem vincados nas costas aparentando boa alimentação. Nada mais falso, porque depois de treze dias sem comer os músculos ficam reduzidos e notam-se as saliências dos ossos na pele. Também nos relatos de Savigny e Corréard sublinhava-se que a pele dos homens estava queimada do sol e coberta de crostas e feridas. Não há sinais disto no quadro. Os cadáveres também não se apresentam azulados mas evidenciam, sim, uma lividez idealizada. Outra antinomia verificada é a barba feita e o cabelo cortado tanto dos mortos como dos vivos. Os relatos falam de cabelos longos e desgrenhados.
Apesar da imensidão real do mar, a tela atribui-lhe pouca importância. Durante o episódio que deu origem ao quadro aconteceram cenas de canibalismo embora essa certeza não esteja documentada no quadro. Nos estudos preliminares, apareciam dois homens nus a alimentarem-se de um cadáver mas, na época, o canibalismo era tabu. Apesar disso, a obra comporta uma referência a esse nível: uma figura paternal segura o cadáver de um jovem, o que simboliza a figura do conde Ugolino, objecto de múltiplas representações em pinturas contemporâneas. A lenda de Ugolino conta que ele foi preso pelos seus inimigos, juntamente com os filhos e netos, numa torre. Quando as crianças morreram ele tentou manter-se vivo ao alimentar-se da sua carne. Na lenda como na jangada a fome sobrepõe-se ao humanismo.

A monumentalidade, tanto em formato como em execução, é uma das características estilísticas da pintura histórica, um género bastante apreciado na época. A pintura histórica "demonstrava" se um artista era realmente talentoso ou não. No entanto, a fluência estilística e a concentração temática (acontecimentos dramáticos ou famosos da história nacional, Cristo ou a Antiguidade) eram os principais requisitos da pintura histórica e "A Jangada da Medusa" não os contemplou. Sem a concretização do realismo idealizado pelo autor, "A Jangada da Medusa" é só um testemunho poderoso do estado de alma do ser humano em sofrimento.

[O primeiro relato sobre o naufrágio da "Medusa" foi publicado por Henri Savigny, médico e um dos 10 sobreviventes. Géricault pintou-o ao lado direito do mastro com um outro sobrevivente, o cartógrafo, Alexandre Corréard.]