A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O HOMEM E A NATUREZA - KAHLIL GIBRAN


~ O Homem e a Natureza ~

Ao romper do dia, sentei-me na campina, travando conversa com a Natureza, enquanto o Homem ainda descansava sossegadamente nas dobras da sonolência. Deitei-me na relva verde e comecei a meditar sobre estas perguntas:
Será a Beleza Verdade? Será Verdade a Beleza?
E em meus pensamentos vi-me levado para longe da humanidade. Minha imaginação descerrou o véu de matéria que escondia meu íntimo. Minha alma expandiu-se e senti-me ligado à Natureza e a seus segredos. Meus ouvidos puseram-se atentos à linguagem de suas maravilhas.
Assim que me sentei e me entreguei profundamente à meditação, senti uma brisa perpassando através dos galhos das árvores e percebi um suspiro como o de um órfão perdido.
“Por que te lamentas, brisa amorosa?” perguntei.
E a brisa respondeu: “Porque vim da cidade que se escalda sob o calor do sol, e os germes das pragas e contaminações agregaram-se às minhas vestes puras. Podes culpar-me por lamentar-me?”
Mirei depois as faces de lágrimas coloridas das flores e ouvi seu terno lamento... E indaguei: “Por que chorais, minhas flores maravilhosas?”
Uma delas ergueu a cabeça graciosa e murmurou: “Choramos porque o Homem virá e nos arrancará, e nos porá à venda nos mercados da cidade.”
E outra flor acrescentou: “À noite, quando estivermos murchas, ele nos atirará no monte de lixo. Choramos porque a mão cruel do Homem nos arranca de nossas moradas nativas.”
Ouvi também um regato lamentando-se como uma viúva que chorasse o filho morto, e o interroguei: “Por que choras meu límpido regato?”
E o regato disse: “Porque sou compelido a ir à cidade, onde o Homem me despreza e me rejeita pelas bebidas fortes, e faz de mim carregador de seu lixo, polui minha pureza e transforma minha serventia em imundície.”
Escutei, ainda, os pássaros soluçando e os interpelei: “Por que chorais meus belos pássaros?”
E um deles voou para perto, pousou na ponta de um ramo e justificou: “Daqui a pouco, os filhos de Adão virão a este campo com suas armas destruidoras e desencadearão uma guerra contra nós, como se fossemos seus inimigos mortais. Agora estamos nos despedindo uns dos outros, pois não sabemos quais de nós escaparão à fúria do Homem. A morte nos segue, aonde quer que vamos.”
Então o sol já se levantava por trás dos picos da montanha e coloria os topos das árvores com aureolas douradas. Contemplei tão grande beleza e me perguntei:
“Por que o homem deve destruir o que a Natureza construiu?”


Para saber mais sobre Kahlil Gibran : http://pt.wikipedia.org/wiki/Khalil_Gibran

domingo, 13 de dezembro de 2009

OS 15 VALORES DE SÓCRATES EM INGLÊS «TÉCNICO»

José Sócrates mostrando a utilidade do Inglês do Ensino Superior Técnico. Vejam como se divertem os outros governantes a ouvi-lo!



Mandaram-me por mail, não conhecia!...

ALBERT CAMUS

Muitos livros contribuíram, para a minha formação, que começou muito cedo, pelo meu grande gosto pela leitura, poderia citar vários livros. Lá para o fim da minha adolescência, através de um namorado (!) descobri Sartre, lendo o livro «Os Dados estão Lançados» e a partir daí todo o movimento existencialista francês, para complemento até me vestia de preto o que fazia muita confusão à família e aos conhecidos, que me perguntavam muitas vezes «quem tinha morrido», até assimilarem que isso era uma «tara». Para além desse folclore visual, que também me levou a começar a fumar muito cedo, muito às escondidas, fui «plantando» na minha cabeça ideias, que se foram tornando posturas e conceitos perante a vida (eu+outros+a engrenagem...) e ficaram.Hoje apetece-me referir Albert Camus, de quem li muita coisa, romance, teatro, ensaio....

O Mito de Sísifo

Sisifo, de Tiziano Vecellio, 1548-1549.

O mito de Sísifo, ensaio filosófico escrito por Albert Camus, em 1942.
No ensaio, Camus introduz a sua filosofia do absurdo: o homem fútil em busca de sentido, unidade e clareza no rosto de um mundo ininteligível desprovido de Deus e eternidade. Será que a realização do absurdo exige o suicídio? Camus responde: "Não. Exige revolta". Ele então descreve várias abordagens do absurdo na vida. O último capítulo compara o absurdo da vida do homem com a situação de Sísifo, uma personagem da mitologia grega, condenado a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra até ao topo de uma montanha, só para vê-la rolar para baixo novamente.
L'homme révolté
O homem revoltado, ensaio filosófico escrito por Albert Camus e publicado em 1951.


«Ao protestar contra a condição, naquilo que tem de inacabado, pela morte, e de disperso, pelo mal, a revolta metafísica é a reivindicação motivada de uma unidade feliz contra o sofrimento de viver e morrer. (...) Ao mesmo tempo em que recusa a sua condição mortal, o revoltado recusa-se a reconhecer o poder que o faria viver nesta condição. O revoltado metafísico, portanto, certamente não é ateu, como se poderia pensar, e sim obrigatoriamente blasfemo. Ele blasfema, simplesmente em nome da ordem, denunciando Deus como o pai da morte e do supremo escândalo. » CAMUS




sábado, 12 de dezembro de 2009

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RÍDICULAS, NÃO SERIAM CARTAS DE AMOR SE NÃO FOSSEM RÍDICULAS

CARTA A OFÉLIA QUEIRÓS - 31 DE MAIO DE 1920

Bebezinho do Nininho-ninho:
Oh!Venho só quevê pâ dizê ó Bebezinho que gotei muito da catinha dela. Oh!E também tive munta pena de não tá ó pé do Bebé pâ le dá jinhos.Oh! O Nininho é pequenininho!Hoje o Nininho não vai a Belém porque, como não sabia se havia carros, combinei tá aqui às seis ho'as.Amanhã, a não sê qu'o Nininho não possa é que sai daqui pelas cinco e meia. (desenho de uma meia) (isto é a meia das cinco e meia). Amanhã o Bebé espera pelo Nininho, sim? Em Belém, sim? Sim?Jinhos, jinhos e mais jinhos.
Fernando.
















[Foi o poeta Carlos Queirós,num número especial da Presença de homenagem a Fernando Pessoa, que deu a conhecer os amores de Fernando Pessoa por Ofélia Queirós, sua tia. Publicando nesse número diversas cartas de amor de Pessoa escritas a Ofélia.]
Foram escritas por Fernando Pessoa e aprovadas pelo «sisudo» Álvaro de Campos
na poesia:
Poema

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

[Quando as cartas de amor rídiculas foram editadas, fiquei bastante surpreendida, nunca imaginaria Fernando Pessoa a escrever esse género de cartas! Nada percebo de psicologia, a não ser da «barata», daquela que todos consideram saber...
Carência de amor maternal? Sentir-se miúdo pelo afecto de uma mulher?
E assim podia continuar???????????????????????????????????? Com interrogações, até gostaria de conversar sobre isto com um grande pessoano, ie um grande estudioso de Pessoa!.. ]

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

NATAL, E NÃO DEZEMBRO


Entremos, apressados, friorentos,

numa gruta, no bojo de um navio,

num presépio, num prédio,

num presídio no prédio que amanhã for demolido...

Entremos, inseguros, mas entremos.

Entremos e depressa, em qualquer sítio,

porque esta noite chama-se Dezembro,

porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,

duzentos mil, doze milhões de nada.

Procuremos o rastro de uma casa,

a cave, a gruta, o sulco de uma nave...

Entremos, despojados, mas entremos.

De mãos dadas talvez o fogo nasça,

talvez seja Natal e não Dezembro,

talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira

HOJE APETECE-ME MÚSICA SUAVE...

VAUGHAN WILLIAMS – THE LARK ASCENDING

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ENCONTRAR BOAS NOTÍCIAS NOS JORNAIS, NÃO É FÁCIL!...DE HOMICÍDIO, A ROUBO, A BURLICE, A VIOLÊNCIA NA ESTRADA...E OUTRAS COISAS QUE TODOS NÓS SABEMOS..

UMA NOTÍCIA + ou -, sobre a CORRUPÇÃO EM PORTUGAL

O menos é que em 2006 Portugal no ranking de percepção da corrupção ocupava a 26ª.posição entre 180 países analisados, mas a situação tem vindo sempre a piorar, em 2007 baixou à 28ª, em 2008 baixou a 32ª e este ano baixou a 35ª, ie desceu nove lugares em quatro anos.
Um estudo revela que os portugueses são na generalidade contra a corrupção, mas praticam a «cunha» com facilidade.
O que pode ser um +, há uma ong Transparência Internacional, sediada em Berlim, desde 1993 e um grupo de peritos nacionais influentes, propõe-se a criação de algo no género, com o objectivo de pressionar o governo e as instituições a uma maior eficácia neste combate.


SOBRE A CORRUPÇÃO, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, disse que a corrupção é um obstáculo ao desenvolvimento e apelou para que as pessoas nunca aceitem nem ofereçam subornos.



Esta já é de facto uma boa notícia: O restauro do Mosteiro de Tibães, feito pelo arquitecto João Carlos Santos, venceu a medalha de ouro da bienal de Miami Beach 2009.Organizado pelo Instituto Americano de Arquitectos, pela Sociedade Americana de Arquitectos paisagistas e pela Federação Pan-Americana de Associação de Arquitectos, o concurso distingue as obras mais importantes em todo o mundo, na categoria de restauro.




(Fotografias tiradas do Google)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

RECEBI ESTE MAIL...

Era interessante que a comunicação social desse destaque a algumas destas situações, o que seria talvez um modo de melhorar a auto estima cá do burgo e não cairmos nesta tendência miserável de baixar os braços e dizer mal de tudo. As conversas entre grupos de amigos são um prolongamento das parangonas dos jornais e dos noticiários da T.V., acidentes, desgraças, corrupção, etc... felizmente há excepções para confirmar a regra! Cada vez mais os nossos patrícios andam deprimidos, mas também gostam... Somos um povo extraordinário em qualquer parte do mundo, mas não acreditamos.

ENTÃO LEIAM:

Nicolau Santos, Director - adjunto do Jornal Expresso, In Revista


**Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE.**
**Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.**
**Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema biométrico de pagamento nas bombas de gasolina.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gás muito leve que já ganhou prémios internacionais.**
**Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos.**
**Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.**
**Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para toda a EU.**
**Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos às PMES.**
**Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agência Espacial Europeia. **
**Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.**
**Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.**
**Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.**
**Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhores vinhos espanhóis.**
**Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.**
**Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade pelo Mundo.**

**O leitor, possivelmente, não reconheceu neste país aquele em que vive... PORTUGAL.**

**Mas é verdade.Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.

**Chamam -se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Out Systems, WeDo, Quinta do Monte d'Oiro, Brisa Space Services, Bial, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Portugal Telecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo.

**Há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, com técnicos portugueses, de reconhecido sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal e a Mc Donalds (que desenvolveu e aperfeiçoou em Portugal um sistema que permite quantificar as refeições e tipo que são vendidas em cada e todos os estabelecimentos da cadeia em todo o mundo).

** É este o País de sucesso em que também vivemos, estatisticamente sempre na cauda da Europa, com péssimos índices na educação, e gravíssimos problemas no ambiente e na saúde... que se atrasou em relação à média UE...etc.

**Mas só falamos do País que está mal, daquele que não acompanhou o progresso.

**É tempo de mostrarmos ao mundo os nossos sucessos e nos orgulharmos disso.

QUE TAL, SENTEM-SE MELHORES?

MARIA JOÃO SEIXAS NA CINEMATECA


Maria João Seixas, é o nome avançado para a direcção da Cinemateca Portuguesa - instituição órfã de director desde que João Bénard da Costa a deixou, em Janeiro, por motivos de saúde. Gosto de Maria João Seixas, é uma pessoa culta e simpática, é uma pessoa que conheço através da televisão e dos bons programas que foi fazendo, obviamente que outros nomes podiam ser avançados e que vão sempre dizer que é uma pessoa muito próxima do PS, já que Seixas foi assessora para a cultura do primeiro governo de António Guterres, foi também mandatária das candidaturas de Jorge Sampaio e Mário Soares e de Manuel Maria Carrilho à Câmara de Lisboa. A relação entre a jornalista de 64 anos e o cinema é muito próxima - ou familiar. Maria João Seixas foi casada com o realizador Fernando Lopes, com quem assinou parte do argumento de "O Delfim" e "Cinema". Esteve também envolvida no documentário "Lissabon Wuppertal Lisboa", sobre a coreógrafa Pina Bausch e conta com prestações breves em filmes como "Adriana" ou "Um dia na Vida". É de destacar ainda o seu trabalho na divulgação do cinema português fora de portas com a distribuidora Uniportugal. Pedro Mexia, subdirector da Cinemateca, estava assumir o cargo de director interino, conduzindo sozinho um cargo de dois lugares.

SEGUNDO DECLARAÇÕES DA MINISTRA DA CULTURA, ESPERA-SE PARA BREVE UM PÓLO DA CINEMATECA NO PORTO.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

CIMEIRA DE COPENHAGA




Começou hoje e termina no dia 18 a cimeira na qual o Mundo vai procurar um consenso para reduzir emissões com efeito no clima após 2012, quando cessa o compromisso de Quioto. Evidentemente que não vai ser fácil, terá de ser partida muita pedra sobre a mesa das negociações. Em Copenhaga estão reunidos representantes técnicos e políticos de 192 países, tendo como objectivo prioritário estabelecer plataformas de responsabilidades mútuas para deixar subir pouco, e depois diminuir mesmo, as emissões dos gases com efeito de estufa (GEE), os maus da fita, são: o óxido nitroso, o metano e o mais famoso de todos, o dióxido de carbono.
Ao aumento da concentração desses gases na atmosfera por acção humana é imputado o aumento médio da temperatura global, a um ritmo e intensidade que o planeta só suportará à custa de grandes alterações de todo o clima e dos sistemas vivos que dele dependem. O dedo da Humanidade está aqui impresso, diz em uníssono a comunidade científica.
Há cerca de duas décadas que a questão começou relutantemente a ser assumida pelos governantes, após o protagonismo encetado por movimentos ambientalistas, depois de estudos científicos múltiplos. A chancela das Nações Unidas às questões climáticas viria, depois, pôr na agenda internacional a emergência de os países acordarem acções destinadas a conter o aumento das temperaturas. As emissões de GEE, sobretudo da indústria e transportes, passaram a estar no centro da procura de compromissos. Mas também outras acções com impacto na atmosfera e restantes sistemas da Terra, como a desflorestação. Os problemas são vários, esperemos que neste período de tempo seja possível atingir os consensos necessários, para que depois do dia 18, o mundo possa ser visto de uma forma mais positiva.

BILLIE HOLIDAY

Billie Holiday - Lover Man

Billie Holiday, My Man

domingo, 6 de dezembro de 2009

UM POEMA...UMA FOTOGRAFIA...



Lentos nos Fomos Esquecendo

Lentos nos fomos esquecendo. Quando
o tempo da velhice nos foi vindo
a tez apareceu amorenada de anos
e afeita ao espírito.
A lavoura sabia aos nossos passos.
Até os desperdícios
iluminavam debilmente o armário
e a penumbra dos rincões escritos.
Mas nós só estávamos
em nos havermos esquecido.
Ou, às vezes, a aura do trabalho
quase fazia com que na mesa o sítio
aparecesse coroado de anos
sobre a mão a mover-se
pelo seu próprio espírito.

Fernando Echevarría, in "Figuras"

[HOMENAGEM AO MEU PRIMO]


Sempre gostei muito desta fotografia, tinha-a guardado nos meus papéis, mas não sei a sua proveniência nem o seu autor.
Esta fotografia tem uma grande expressividade e mostra um velho a indicar algo à criança, a máquina fotográfica, mas pode ter outra interpretação, pode de uma forma geral ser «mostrar a vida». Uma sabedoria que passa ou passava dos velhos para os novos. Actualmente os velhos são marginalizados, apesar de muitos deles se preocuparem muito em aprender sempre, estar a par de tudo que se passa, dedicarem o tempo a fazerem certas coisas, que durante uma vida de trabalho não puderam fazer. Apesar disso são sempre olhados de soslaio, gente que já passou, que está fora do tempo, situação que os marginaliza e lhes dá mais solidão.
Para mim e seguindo o lugar-comum, «velhos são os trapos», eu admiro muito as pessoas idosas e tudo aquilo que elas sabem e têm para dar e conheço pessoas idosas fantásticas. Há no entanto aspectos bastante chocantes, um deles é o peso que representam para muitas famílias e há imensos casos que todos conhecemos, de andarem de casa em casa dos filhos, de irem para um lar (pessoas idosas com pessoas idosas!...) ou então ficarem na sua casa com as suas fragilidades a caminharem para o declínio e sujeitas também às maiores violências. São impressionantes os casos diários de roubos, agressões e até homicídios em pessoas idosas, que vivem sós.


EU QUE DEFENDO TODAS AS CAUSAS HUMANÍSTICAS, TAMBÉM DEFENDO O FIM DA VIOLÊNCIA ÀS PESSOAS IDOSAS, MAS NÃO SEI SE EXISTE UMA ORGANIZAÇÃO/INSTITUIÇÃO, COM ESTE OBJECTIVO.

UM ANO DO BLOGUE «NAS ASAS DA CORUJA» -PARABÉNS!?...



Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande
e querida companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

William Shakespeare

sábado, 5 de dezembro de 2009

PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O JARDIM DOS SUPLÍCIOS - OCTAVE MIRBEAU






















Há um mês que estou metida em casa e a paisagem é esta, de dia e de noite. Não sou «janeleira», mas de vez enquanto preciso de ir à janela, para ver gente. Arranjei uma «história» complicada de uma bronco-pneumonia, mas tudo está a correr bem, embora ainda tenha 2 ou 3 semanas de clausura e tivesse que cortar com o cigarro, JÁ O DEVIA TER FEITO HÁ MUITO MAIS TEMPO. Vou-me entretendo, fechando e abrindo «gavetas» e tenho andado às voltas com os livros, há uns tempos que não pegava tanto nos meus livros.
Ontem e hoje, na diagonal, reli o livro,O Jardim dos Suplícios de Octave Mirbeau, um escritor esquecido, como tantos outros, em tempos de tanto «lixo livreiro».

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

UMA AVENTURA AMOROSA - ÁLVARO DE CAMPOS


Não costumo pôr à arte a canga da sexualidade. Confesso, contudo, que devo a uma obra minha, mas de maneira indirecta, uma aventura amorosa. Foi em Barrow-in-Furness que é um porto na costa ocidental da Inglaterra. Ali, certo dia, depois de um trabalho de arqueação, estava eu sentado sobre uma barrica, num cais abandonado. Acabava de escrever um soneto - elo de uma cadeia de vários - em que o facto de estar sentado nessa barrica era um elemento de construção. Aproximou-se de mim uma rapariga, por assim dizer, - aluna, segundo depois soube, do liceu (High-School) local -, e entrou em conversa comigo. Viu que estava a escrever versos e perguntou-me, como nestas ocasiões se costuma perguntar, se eu escrevia versos. Respondi, como nestes casos se responde, que não. A tarde, segundo a sua obrigação tradicional, caía lenta e suave. Deixei-a cair. É conhecida a índole portuguesa e o carácter propício das horas, independentemente das índoles e dos portugueses. Foi isto uma aventura amorosa? Não chegarei a dizê-lo. Foi uma tarde, num cais longe da Pátria; e hoje é, decerto, uma recordação a ouro fosco. Assim diríamos no «Orpheu»; assim não deixarei d e o dizer agora.
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A vida é extremamente complexa, e os acasos, são, por vezes, necessários. O conto não tem nome, desde o principio. O ouro fosco ficou húmido e a tarde caiu definitivamente.

Álvaro de Campos - Engenheiro Naval e Poeta do «Orpheu» - 1926


[Retirado do livro: ALMAS E ESTRELAS - HORAS ESPIRITUAIS -Arte & Cultura - Porto
Obra composta e impressa na Livraria Editora «Pax», Ldª. na cidade de Braga sob a orientação gráfica e literária de Petrus ]
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Neste livro, que comprei há anos num alfarrabista, pode ainda ler-se:
-A ROSA DE SEDA (FÁBULA) - Fernando Pessoa - 1915
-O BANQUEIRO ANARQUISTA - Fernando Pessoa - 1922
-O MARINHEIRO - drama estático em um quadro - Fernando Pessoa - 1913
-O CONTO DO VIGÁRIO - Narração exacta e comovida do que é o conto do vigário - Fernando Pessoa - 1926
-HISTÓRIA DO MENINO JESUS VERDADEIRO - Alberto Caeiro (1931)
-A PINTURA DO AUTOMÓVEL - Fernando Pessoa
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POSSUO AINDA EDIÇÕES ANTIGAS DE:

-REGRESSO AO SEBASTIANISMO - FERNANDO PESSOA- sem mencionar editora e data, apenas tem como número de tiragem - 156

-APRECIAÇÕES LITERÁRIAS -Bosquejos e Esquemas Críticos - Selecção e notas de Petrus - Colecção Arcádia - Editorial Cultura - Porto

-ENSAIOS POLÍTICOS - Ideias para a Reforma da Política Portuguesa - Edições «Acrópole» - C.E.P.

-ANTOLOGIA A MAÇONARIA, vista por Fernando Pessoa e Norton de Matos - Almagráfica -Porto


(AOS PESSOANOS, SE ASSIM PUDER SER, PEÇO QUE SE CONHECEREM, ME DÊEM INFORMAÇÕES SOBRE ESTES LIVROS, POIS NUNCA OS VI EM MAIS NENHUM LADO!!!!!)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

SIDA

ABRINDO GAVETAS...

(DALI)

O MEU PEQUENO/GRANDE MUNDO!...

Em criança o meu mundo era pequeno, nele cabia a família e alguns amigos da família, no entanto era um mundo sem limites!.. Era um mundo de sonhos, mas sem desejos (por isso não tinha limites). Esse meu mundo era um grande quintal, onde eu fazia a minha jardinagem e brincava com os animais. Este era todo o meu mundo e era um mundo feliz. Além desse mundo eu sabia que havia o centro da cidade, já que vivíamos numa zona calma da periferia. Ao centro da cidade ia, contrariada, quando a minha mãe queria que a acompanhasse e para mim era uma confusão. Sentia-me feliz naquele espaço físico fechado e mais ao menos limitado, se bem que na altura o devia ver muito maior que a realidade! A vida era praticamente sempre a mesma, excepto nos dias de saída com a minha mãe. Estava em casa com a mãe e a empregada, às vezes ainda aparecia uma costureira, para ajeitar alguma roupa e lá ficava eu também a fazer uns vestidos, para as bonecas. A minha irmã, mais velha do que eu 10 anos, ia para o liceu (assim se dizia nessa altura) e o meu pai ia trabalhar, saindo de manhã e só regressando à noite. Depois do jantar conversava-se e ouvia-se rádio, eu e a minha irmã, apesar das diferenças de idade brincávamos e não era raro acabarmos à «chapada». Dormíamos no mesmo quarto, em camas separadas e se íamos para a cama zangadas, eu passado pouco tempo já estava a dizer «deixa-me ir para a tua cama» e tudo ficava bem. Isto foi assim até aos 6 anos, idade em que iniciei os estudos. Lembro-me de muita coisa, que anteriormente descrevi, complementado com as conversas da família. Lembro-me muito bem, que rezava, a minha mãe assim me educou. E lembro-me que pedia a Deus duas coisas: que a minha mãe nunca morresse e que eu nunca crescesse!.. Com a ida para a escola, foi um drama para mim, ficava nas escadas a chorar e todos a dizerem-me que eu tinha que ir para a escola, com a empregada já no passeio à minha espera. Era uma criança muito tímida, nunca falava nas aulas e quando era obrigada a falar ficava «tomatinho encarnado». Aquele pequeno mundo, tão grande para mim tinha-se alargado e só muito gradualmente fui superando os receios. Tinha deixado um estado de pureza, para entrar num de pesquisa. A escola estava dividida, de um lado estavam os rapazes, do outro as raparigas. As minhas maiores humilhações desse tempo foram: um dia, dado a minha vergonha de pedir para ir ao WC, fiz xi-xi nas calças, claro que fui alvo da maior chacota, as raparigas disseram aos rapazes e todos me chamaram uma coisa, que nem é preciso mencionar. Não queria pôr mais os pés na escola, mas lá continuei. Outra situação desagradável, foi ter chamado a um rapaz que era muito mais alto do que os outros, girafa. Ele foi fazer queixa à minha professora e esta obrigou-me a pedir-lhe desculpa, todas as minhas colegas estavam presentes e riram-se bastante. Gradualmente comecei a modificar-me, a vencer a timidez e até a fazer as minhas asneiras, quando estava com colegas/amigas. Provocávamos os rapazes, porque eles nessa altura também se sentiam inibidos com as raparigas. Tudo passou a ser mais divertido para mim, no entanto sempre gostava de regressar ao meu pequeno mundo, àquele mundo onde me sentia bem, a tirar as ervas daninhas aos canteiros e, os caracóis e os lagartos às plantas. Que saudades eu tenho desse pequeno mundo!...