Se a poesia não surgir tão naturalmente como as folhas de uma árvore, é melhor que não surja mesmo.
(Frase dita no filme Bright Star)
John Keats (1795–1821). The Poetical Works of John Keats. 1884.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
BRIGHT STAR - JANE CAMPION
BRIGHT star! would I were steadfast as thou art—
Not in lone splendour hung aloft the night,
And watching, with eternal lids apart,
Like Nature’s patient sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth’s human shores,
Or gazing on the new soft fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors—
No—yet still steadfast, still unchangeable,
Pillow’d upon my fair love’s ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever—or else swoon to death.

"Estrela Cintilante", não é só uma daquelas biografias históricas muito britânicas de irrepreensível reconstituição de época. Óbviamente que conta uma histórica verídica, com um tratamento ficcionado, a partir da pesquisa realizada por Andrew Motion, biógrafo do poeta. O filme foca a vida difícil de Keats, um dos grandes poetas românticos do princípio do século XIX e da sua paixão por Fanny Brawne, a sua jovem e arrebatada vizinha. Mas mostra com grande ênfase um «retrato de mulher» em que a realizadora é perita - uma jovem imperiosa e insegura ao mesmo tempo, à frente do seu tempo, moderna e determinada. "Estrela Cintilante" fala: do poder quase sagrado da palavra (escrita ou falada) para nos abrir portas, caminhos, janelas que nos mostram quem somos, quem podemos ser, quem queremos ser; da palavra poética como ponte espiritual entre as pessoas; do amor como experiência sensorial de uma transcendência inexplicável. Bright Star, é um poema em cinema. (Já estou a ver os anti-românticos a torcer o nariz!)

Jane Campion, realizadora neo-zelandesa, ficou conhecida principalmente pelo filme "O Piano" (1993), seguindo-se "Retrato de uma Senhora" (1996), "Fumo Sagrado" (1999) e "Atracção Perigosa" (2003). É uma realizadora, cujo percurso, tem sido de atenção às correntes subterrâneas das suas personagens e não à recepção comercial, os seus filmes não foram pensados para serem "blockbusters".

(PÚBLICO)
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CINEMA
JOHN KEATS

GOSTO QUANDO ME FALAS DE TI...
Gosto quando me falas de ti... e vou te percorrendo
e vou descortinando a tua vida
na paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos
[tranqüilos
Gosto quando me falas de ti... e então percebo
que antes mesmo de chegar, me adivinhavas,
que ninguém te tocou, se
não o vento
que não deixa vestígios, e se vai
desfeito em carícias vãs...
Gosto quando me falas de ti...
quando aos poucos a luz
vasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontro
e te reencontro em teus lábios, apenas pintados,
maduros,mas nunca mordidos antes da minha audácia.
Gosto quando me falas de ti... e muito mais adiantas
em teus olhos descampados, sem emboscadas,
e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol
distendido,e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja [primeira curva
foi o nosso encontro.
Gosto quando me falas de ti... porque percebo que te [desnudas
como uma criança, sem maldade,
e que eu cheguei justamente para acordar tua vida
que se desenrola inútil como um novelo
que nos cai no chão...
( Tradução de JG de Araujo Jorge do livro "Quatro Damas" 1a ed. 1965 )
( Tradução de JG de Araujo Jorge do livro "Quatro Damas" 1a ed. 1965 )
( Biografia de John Keats : http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Keats)
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POESIA
domingo, 17 de janeiro de 2010
A QUEM INTERESSAR...

Terça 9 Fevereiro 2010 19:30, Sala Suggia - O Livro do Desassossego
Numa colaboração da Casa da Música com a Capital Europeia da Cultura em 2009, a cidade austríaca de Linz, o Remix Ensemble apresenta O Livro do Desassossego, um espectáculo cénico com música e vídeo de Michel van der Aa com base no incontornável texto de Pessoa. Filmado com laivos do universo sonoro português nos bairros de Lisboa que Pessoa percorria, o vídeo coabita com as palavras do poeta português na voz do actor João Reis e com a música a que o Remix Ensemble dá forma. Um espectáculo imperdível que estreia em Portugal depois de subir aos palcos de Linz e do Concertgebow de Amesterdão.
Remix Ensemble
Michel van der Aa -música, vídeo e direcção cénica
Ed Spanjaard - direcção musical
João Reis actor e Ana Moura em participação especial
(Colaboração LINZ09 Capital Europeia da Cultura e Orquestra Bruckner de Linz com Zaterdag Matinee, Concertgebow de Amesterdão e Casa da Música - estreia da versão em português)
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FERNANDO PESSOA - BERNARDO SOARES
ORION - KAIJA SAARIANO
Da compositora finlandesa, KAIJA SAARIANO, foi ontem apresentada a sua obra, ORION, em estreia nacional. A compositora estava presente e teve fortes aplausos.
Nascida em Helsink em 1952 e graduada em composição em 1980. Escreveu música eletrónica nos anos 80, fazendo também uma mistura com instrumentos clássicos. Tem sido muito bem recebida pelo público, apesar de não fazer concessões. A sua música lembra muito o som “New Age”, mas claro, muito superior.
Orion é uma obra orquestral escrita por alguém com grande domínio e talento.
Não sou muito receptiva à música contemporânea, não gosto de tudo, há mesmo músicas que mexem com o meu sistema nervoso, mas de facto esta obra é interessante e envolvente.
Nascida em Helsink em 1952 e graduada em composição em 1980. Escreveu música eletrónica nos anos 80, fazendo também uma mistura com instrumentos clássicos. Tem sido muito bem recebida pelo público, apesar de não fazer concessões. A sua música lembra muito o som “New Age”, mas claro, muito superior.Orion é uma obra orquestral escrita por alguém com grande domínio e talento.
Não sou muito receptiva à música contemporânea, não gosto de tudo, há mesmo músicas que mexem com o meu sistema nervoso, mas de facto esta obra é interessante e envolvente.
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MÚSICA - CLÁSSICA
sábado, 16 de janeiro de 2010
GUSTAVE MAHLER (1860 — 1911)
Hoje vou encontrar-me com Mahler, melhor dizendo com a Sinfonia nº 1, «Titã. A Casa da Música vai dedicar o ano 2010, à música austríaca e vai passar toda a obra de Malher. Tenho as 10 sinfonias (última incompleta), mas um concerto ao vivo é outra coisa!...Não conheço tão bem é a sua obra de Lieder, a não ser, Das Lied von der Erde.
Outro compositor austríaco que admiro é, Anton Bruckner (1824 — 1896), com quem Malher também privou e dele disse:
Nunca fui aluno de Bruckner. Todos pensavam que estudei com ele porque em meus dias de estudante em Viena era visto freqüentemente em sua companhia e por isso me incluíam entre seus primeiros discípulos. A disposição feliz de Bruckner e sua natureza infantil e confiante fizeram do nosso relacionamento uma amizade franca, espontânea. Naturalmente, a compreensão que obtive então de seus ideais não pode ter deixado de influenciar meu desenvolvimento como artista e como homem.
Para saber mais sobre estes compositores:
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MÚSICA - CLÁSSICA
MONTES DE LIVROS!....
FUNDAÇÃO CUPERTINO DE MIRANDA - PORTOFEIRA DO LIVRO ATÉ AO DIA 28 DE JANEIRO.
DESDE 1 EURO!...
(Perdi-me por lá claro!...)
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ACONTECIMENTOS
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
WILHELM REICH - GÉNIO? LOUCO?
Wilhelm Reich, psicólogo revolucionário, defensor da Revolução Sexual, foi também precursor dos movimentos ecológicos, da psiquiatria biosocial e estudioso da cura do cancro e da diminuição dos efeitos negativos da energia nuclear. Durante anos, vários movimentos revolucionários recuperaram parte de sua obra, sobretudo os seus escritos sociopolíticos, seguindo a tese de que não há revolução social, sem revolução sexual. Reich reivindicou a função da sexualidade não como uma mera realização do coito, mas como a fusão com o outro. A vivência plena do amor e da sexualidade era vista por ele como factor indispensável para a satisfação emocional. A sua mais importante contribuição, foi provar que a neurose é produzida socialmente, instalando-se em todo o corpo e não apenas na mente das pessoas. No livro "A Função do Orgasmo", Reich escreve que o orgasmo sexual pleno e satisfatório é o regulador biológico da harmonia vital. Defendia que as neuroses eram provocadas pelos bloqueios à sexualidade e à afectividade, portanto um fenómeno sociopolítico.Após a Revolução dos Cravos, apareceram os seus livros, alguns filmes e principalmente um livro, que muitos leram, «Escuta, Zé Ninguém».
“Ainda bem que o destino me concedeu até hoje uma vida limpa e sem ambições, que pude acompanhar o crescimento dos meus filhos, ouvir-lhes as primeiras palavras, vê-los mover-se, andar, brincar, fazer perguntas, assistir à sua, alegria; ainda bem que não deixei passar a Primavera sem a sentir, que pude gozar o vento ameno e o rumorejar dos regatos e o canto das aves; que não perdi o meu tempo em mexericos com os vizinhos, que amei a minha companheira e que senti correr no meu corpo o fluxo da vida; ainda bem que, mesmo em tempo de perturbação, não perdi o norte nem o sentido da vida. Pois que me foi possível escutar a voz que murmurava no meu íntimo: ‘Existe apenas uma única coisa que vale a pena: viver bem e alegremente a própria vida. Escuta a voz do teu coração, ainda que tenhas de afastar-te do caminho trilhado pelos timoratos. E não consintas que o sofrimento te torne duro e amargo.’ E assim, na quietude do cair da tarde, quando me sento na erva em frente de minha casa, depois de um dia de trabalho, com a minha mulher e os meus filhos, ouço no pulsar da natureza à minha volta a melodia do futuro: ‘Humanidade inteira, eu te abençoo e abraço.’ E desejaria então que a vida aprendesse a defender os seus direitos, que fosse possível modificar os espíritos duros e os medrosos, que só fazem troar os canhões porque a vida os desapontou. E quando o meu - filho instalado no meu colo me pergunta: ‘Pai, o sol desapareceu, para onde foi, achas que volta depressa?’, respondo-lhe: ‘Sim, filho, há-de voltar amanhã para nos aquecer.’”
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LITERATURA
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
ÁRVORE GENEALÓGICA
Crónica do Luis Fernando Verissimo, filho do Erico Verissimo, que publica semanalmente na folha de S. Paulo.
- Mãe, vou casar!
- Jura, meu filho ?! Estou tão feliz ! Quem é a moça ?
- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.
- Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?
- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?
- Nada, não.. Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.
- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...
- Problema ? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.
- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... Meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea...
- E quando eu vou conhecer o meu. A minha... O Murilo ?
- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.
- Tá ! Biscoito... Já gostei dele... Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui ?
- Por quê ?
- Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.
- Você acha que o Papai não vai aceitar ?
- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade... E olha que espetáculo: as duas metade com bigode.
- Mãe, que besteira ... Hoje em dia ... Praticamente todos os meus amigos são gays.
- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.
- A Bel já tá namorando.
- A Bel? Namorando ?! Ela não me falou nada... Quem é?
- Uma tal de Veruska.
- Como ?
- Veruska...
- Ah !, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.
- Mãe !!!...
- Tá..., tá..., tudo bem... Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto... - Por que não ? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?
- Quando ele era hétero... A Veruska.
- Que Veruska ?
- Namorada da Bel...
- "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... E a atual namorada da tua irmã. Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...
- É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.
- De quem ?
- Da Bel.
- Mas . Logo da Bel ?! Quer dizer então... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska...
- Isso.
- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.
- Em termos...
- A criança vai ter duas mães : você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.
- Por aí...
- Por outro lado, a Bel...,além de mãe, é tia... Ou tio.... Porque é tua irmã.
- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.
- Só trocar, né ? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.
- Exato!
- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...
- Entendeu o quê?
- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!
- Que swing, mãe?!!....
- É swing, sim! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...
- Mas.. -
Isso é um bacanal de última geração! E pior... Com incesto no meio...
- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...
- Sei!!!... E quando elas quiserem ter filhos...
- Nós ajudamos.
- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que...
- Que.. ?
- Fazer árvore genealógica daqui pra frente... vai ser f...
- Mãe, vou casar!
- Jura, meu filho ?! Estou tão feliz ! Quem é a moça ?
- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.
- Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?
- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?
- Nada, não.. Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.
- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...
- Problema ? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.
- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... Meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea...
- E quando eu vou conhecer o meu. A minha... O Murilo ?
- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.
- Tá ! Biscoito... Já gostei dele... Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui ?
- Por quê ?
- Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.
- Você acha que o Papai não vai aceitar ?
- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade... E olha que espetáculo: as duas metade com bigode.
- Mãe, que besteira ... Hoje em dia ... Praticamente todos os meus amigos são gays.
- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.
- A Bel já tá namorando.
- A Bel? Namorando ?! Ela não me falou nada... Quem é?
- Uma tal de Veruska.
- Como ?
- Veruska...
- Ah !, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.
- Mãe !!!...
- Tá..., tá..., tudo bem... Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto... - Por que não ? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?
- Quando ele era hétero... A Veruska.
- Que Veruska ?
- Namorada da Bel...
- "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... E a atual namorada da tua irmã. Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...
- É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.
- De quem ?
- Da Bel.
- Mas . Logo da Bel ?! Quer dizer então... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska...
- Isso.
- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.
- Em termos...
- A criança vai ter duas mães : você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.
- Por aí...
- Por outro lado, a Bel...,além de mãe, é tia... Ou tio.... Porque é tua irmã.
- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.
- Só trocar, né ? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.
- Exato!
- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...
- Entendeu o quê?
- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!
- Que swing, mãe?!!....
- É swing, sim! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...
- Mas.. -
Isso é um bacanal de última geração! E pior... Com incesto no meio...
- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...
- Sei!!!... E quando elas quiserem ter filhos...
- Nós ajudamos.
- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que...
- Que.. ?
- Fazer árvore genealógica daqui pra frente... vai ser f...
(Tem piada!?...Como andamos muito tensos com o Haiti e como me enviaram este mail, resolvi colocá-lo aqui. Não faço juízos de valor, mas tudo mudou!...Mentalizem-se!?...)
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O MUNDO EM QUE VIVEMOS
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
SISMO NO HAITI
O primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, disse hoje à cadeia de televisão norte-americana CNN temer que o forte sismo que atingiu o seu país possa ter provocado «bastante mais de 100 000 mortos».
O sismo, de magnitude 7,0 na escala de Richter, abalou a ilha de Santo Domingo, ou Hispaniola, partilhada pelo Haiti e República Dominicana, fazendo ruir vários edifícios públicos, incluindo o Palácio. O sismo foi sentido também em Cuba, na Jamaica e Bahamas.
A Cruz Vermelha Internacional calcula em 3 milhões o número de pessoas afectadas pelo sismo.
Estas notícias sempre afectam muito, mesmo quem não está lá. Nestes acontecimentos fico sempre sem palavras, mas muitos cenários tristes e dramáticos me ocorrem ao pensamento.
O sismo, de magnitude 7,0 na escala de Richter, abalou a ilha de Santo Domingo, ou Hispaniola, partilhada pelo Haiti e República Dominicana, fazendo ruir vários edifícios públicos, incluindo o Palácio. O sismo foi sentido também em Cuba, na Jamaica e Bahamas.
A Cruz Vermelha Internacional calcula em 3 milhões o número de pessoas afectadas pelo sismo.
Estas notícias sempre afectam muito, mesmo quem não está lá. Nestes acontecimentos fico sempre sem palavras, mas muitos cenários tristes e dramáticos me ocorrem ao pensamento.
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O MUNDO EM QUE VIVEMOS
BIODIVERSIDADE

Lince Ibérico uma das espécies em risco de desaparecer (no Algarve foram criadas instalações, para preservar esta espécie)
Em Berlim foi lançado o Ano Internacional da Biodiversidade e tem como objectivo a tomada de consciência por parte de todos os cidadãos, da importância de proteger animais e plantas, no meio onde vivem.
Esta iniciativa foi iniciada em 2006 pelas Nações Unidas, devido ao empobrecimento da biodiversidade, com o desaparecimento de milhares de espécies.
A Ministra do Ambiente, delineou programas com o objectivo de serem feitas acções de sensibilização, levando esta temática ao cidadão em geral e não ser só uma preocupação das elites técnicas.
O ritmo de empobrecimento é bastante acentuado e estão em risco de extinção, cerca de 34 mil espécies de plantas e 5200 espécies animais.
A ONU vai marcar o Ano Internacional da Biodiversidade, organizando duas conferências. Em Março no Qatar, vai ser realizada a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), no âmbito da qual vai ser publicada a «lista vermelha» das espécies ameaçadas, cuja comercialização é proibida. Em Outubro no Japão, realiza-se a 10ª. Conferência da Convenção sobre Diversidade Biológica.
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O MUNDO EM QUE VIVEMOS
PENSAR ANTES DE AGIR...
OS ESTÁDIOS DO EURO 2004, CONTINUAM A DAR QUE FALAR
Em tempos de crise, as autarquias de Braga, Aveiro, Coimbra, Leiria, Faro e Loulé têm mais um problema: a factura dos estádios que foram construídos. Só em encargos com a banca, as seis câmaras pagam, por ano, mais de 13 milhões de euros. A frequência dos estádios é pouca ou nula, como no Estádio do Algarve. O Euro 2004 não trouxe retorno e agora tem que se pagar as dívidas! Mas porque é que os «iluminados» deste país, se metem em despesas e à grande, como se pudessem competir com outros países? Isto não poderá servir de lição para o futuro? É que na agenda já se prevêem obras de grande vulto e depois às consequências óbvias.
ÊXITO DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS?
Vi uma reportagem dos despojos dos equipamentos, que iriam produzir energia através das ondas do mar. Isto foi muito falado, mas passados três anos da inauguração e de alguns milhões gastos, os destroços estão no Porto de Leixões. O acontecimento teve uma pomposa inauguração e teve discurso do Ministro Pinho, que disse que passados 20 anos, quando os outros países despertarem para a tecnologia, nós portugueses, estaremos «tu-cá-tu-lá» com o progresso e eles virão à Aguçadoura celebrar o facto de que foi ali que tudo começou (a Era da Modernidade). QUE PRESUNÇÃO!!!!!
Em tempos de crise, as autarquias de Braga, Aveiro, Coimbra, Leiria, Faro e Loulé têm mais um problema: a factura dos estádios que foram construídos. Só em encargos com a banca, as seis câmaras pagam, por ano, mais de 13 milhões de euros. A frequência dos estádios é pouca ou nula, como no Estádio do Algarve. O Euro 2004 não trouxe retorno e agora tem que se pagar as dívidas! Mas porque é que os «iluminados» deste país, se metem em despesas e à grande, como se pudessem competir com outros países? Isto não poderá servir de lição para o futuro? É que na agenda já se prevêem obras de grande vulto e depois às consequências óbvias.
ÊXITO DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS?
Vi uma reportagem dos despojos dos equipamentos, que iriam produzir energia através das ondas do mar. Isto foi muito falado, mas passados três anos da inauguração e de alguns milhões gastos, os destroços estão no Porto de Leixões. O acontecimento teve uma pomposa inauguração e teve discurso do Ministro Pinho, que disse que passados 20 anos, quando os outros países despertarem para a tecnologia, nós portugueses, estaremos «tu-cá-tu-lá» com o progresso e eles virão à Aguçadoura celebrar o facto de que foi ali que tudo começou (a Era da Modernidade). QUE PRESUNÇÃO!!!!!
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O MUNDO EM QUE VIVEMOS
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
O MEU AMIGO MANEL
(imagem: charquinho.weblog.com.pt/.../index0)Em todos os sítios há um figurão, uns chamam-lhe tolinho, bêbado, marginal, drogado…O Manel encharca-se de álcool é verdade, e se o álcool é droga, fica drogado e faz disparates, também é mesmo um militante marginal. Todos gostam do Manel, ele «quase» não precisa de pedir, toda a gente lhe dá comida e de vestir. O Manel, não é agressivo, nem diz palavrões, mas é muito brincalhão, gosta de fazer partidas. Quando está com os copos, fala, fala e pouco se percebe. De vez enquanto desaparece, até já o deram como morto, mas acaba por regressar, bem vestido, cabelo cortado, barba feita…ele foge a sete pés de estar fechado e controlado. Ele gosta da rua, de dormir em qualquer lado, de beber uns copitos. Quando a sua linguagem é decifrável gosto de falar com ele, é sempre uma conversa de loucos. De manhã no café, lá está ele, dão-lhe o café e qualquer coisa para comer e quando eu chego é sempre o mesmo «uma croa», precisa de ir angariando para a bebida, quando alguém lhe diz, «não, é para comprares vinho», ele chateado, olha para a pessoa e replica «és muito feia, és tão feia!» Se for homem é a mesma coisa e se usa gravata tem que ouvir, «olha para ele, o finório c’o trapo, vais à madrinha?»
O pior do Manel são as suas brincadeiras, quando está bebido e o que ele gosta bastante é de tocar às campainhas, atravessa fases, que chateia bastante e a altas horas da noite. Também sou uma vítima. Tanto toca que já tenho ido à varanda, chateada: «Manel vou chamar a polícia». Olha para mim com aquela cara de patusco e... «olha, olha, vai chamar a polícia, chame, és muito feia?!...» Que se há-de fazer, ele está a marimbar-se para tudo, quer lá saber da polícia, ele não quer saber de nada!..Se o Manel desaparece, anda tudo para aí preocupado a perguntar por ele. Depois há invenções, foi atropelado, levou uma coça, morreu…Até se vai perguntar aos arrumadores-drogas por ele, mas o Manel não faz parte dessa «pandilha», o Manel é bem o «pardalão cá do sítio», sempre contente e bem disposto.
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O MEU MUNDO
ERIC ROHMER (1920 — 2010)
Ma nuit chez Maud, Le genou de Claire, L'amour l'après-midi, Die Marquise von O...,La femme de l'aviateur, Le beau mariage, Pauline à la plage, Les nuits de la pleine lune, Le rayon vert, L'ami de mon amie, Conte de printemps, Conte d'hiver, Les rendez-vous de Paris, Conte d'été, Conte d'automne, L'anglaise et le duc.
Uma obra que fui acompanhando e que contribuíu também para o meu «crescimento».
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CINEMA
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Tenho pensamentos que, se conseguisse realizá-los e torná-los vivos, acrescentariam uma nova luz ás estrelas, uma nova beleza ao mundo e um maior amor ao coração dos homens.
(FERNANDO PESSOA)
(FERNANDO PESSOA)
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FERNANDO PESSOA
ANDANDO
Realizador:
Hirokazu Koreeda
Actores:
Hiroshi Abe, Yui Natsukawa, You
Ano:
2008
Pais:
Japão
Filme feito no seio de uma sociedade e de uma cultura muito específicas, a japonesa, que ganha uma dimensão universal. Uma das razões é o facto da história se centrar numa família, de um encontro de membros de três gerações, com sentimentos comuns a toda a humanidade.
A história centra-se, no 15º. aniversário da morte de um dos seus membros (o filho mais velho do casal).
Morreu na praia quando tentava salvar alguém de se afogar. A casa é a dos pais, idosos, e é ali que chegam, de comboio, o filho mais novo com a nova família (a mulher, viúva de um anterior casamento, e o filho dela), a irmã e o marido.
Silêncios, censuras, ressentimentos, embaraços, falhanço - em doses diferentes para cada um: o filho mais novo, por exemplo, não aguenta as comparações, a expectativa falhada dos pais pela morte do primogénito; já a irmã autonomizou-se emocionalmente do trauma familiar (será a sua forma positiva de alienação?)
"Andando" não é um filme que conta, é um filme que se deixa habitar. É um filme onde todos têm medo daquilo que neles é marca, sinal, da presença dos outros - quer estejam mortos, quer estejam vivos, os outros são sempre os fantasmas em nós, e isso mete medo, diz alguém em "Andando".
Fantasmas, do presente, do passado e do futuro. É que "Andando" nem sequer é "um dia na vida de" uma família. É "toda a vida num dia de" uma família. Naquela casa em Yokohama, naquele dia de Verão, ocorrem o passado, o presente e o futuro de uma família. É toda a vida num só dia.
Hirokazu Koreeda
Actores:
Hiroshi Abe, Yui Natsukawa, You
Ano:
2008
Pais:
Japão
Filme feito no seio de uma sociedade e de uma cultura muito específicas, a japonesa, que ganha uma dimensão universal. Uma das razões é o facto da história se centrar numa família, de um encontro de membros de três gerações, com sentimentos comuns a toda a humanidade.
A história centra-se, no 15º. aniversário da morte de um dos seus membros (o filho mais velho do casal).
Morreu na praia quando tentava salvar alguém de se afogar. A casa é a dos pais, idosos, e é ali que chegam, de comboio, o filho mais novo com a nova família (a mulher, viúva de um anterior casamento, e o filho dela), a irmã e o marido.
Silêncios, censuras, ressentimentos, embaraços, falhanço - em doses diferentes para cada um: o filho mais novo, por exemplo, não aguenta as comparações, a expectativa falhada dos pais pela morte do primogénito; já a irmã autonomizou-se emocionalmente do trauma familiar (será a sua forma positiva de alienação?)
"Andando" não é um filme que conta, é um filme que se deixa habitar. É um filme onde todos têm medo daquilo que neles é marca, sinal, da presença dos outros - quer estejam mortos, quer estejam vivos, os outros são sempre os fantasmas em nós, e isso mete medo, diz alguém em "Andando".
Fantasmas, do presente, do passado e do futuro. É que "Andando" nem sequer é "um dia na vida de" uma família. É "toda a vida num dia de" uma família. Naquela casa em Yokohama, naquele dia de Verão, ocorrem o passado, o presente e o futuro de uma família. É toda a vida num só dia.
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CINEMA
sábado, 9 de janeiro de 2010
ARTE

O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar. (...) Há as artes cujo fim é influenciar, que são a música, a literatura e a filosofia. Só a arte é útil. Crenças, exércitos, impérios, atitudes - tudo isso passa. Só a arte fica, por isso só a arte se vê, porque dura. (F.PESSOA)
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FERNANDO PESSOA
O ANO DO PENSAMENTO MÁGICO
A vida modifica-se rapidamente…A vida muda num instante…Sentamo-nos para jantar e a vida, como a conhecemos, acaba!
A propósito da peça de teatro, O ANO DO PENSAMENTO MÁGICO, de Joan Didion, em cena no TNSJ, com Eunice Munoz, um ícone do teatro português. (Vanessa Redgrave, interpretou também este papel)

Uns dias antes do Natal de 2003, John Gregory Dunne e Joan Didion viram a sua única filha, Quintana, adoecer com o que a princípio aparentava ser uma gripe, depois uma pneumonia e a seguir um choque séptico total. Foi posta em coma induzido. Uns dias depois, na noite da antevéspera do Ano Novo, os Dunne tinham acabado de se sentar para jantar depois da visita ao hospital, quando John sofreu um acidente coronário fatal. Num segundo, esta relação íntima e simbiótica de quarenta anos acabou. Quatro semanas depois, a filha recuperou, mas passados dois meses foi hospitalizada para ser submetida a uma operação ao cérebro. Quintana morreu.
Joan Didion mais tarde escreveu um livro, que depois foi adaptado ao teatro, onde faz uma reflexão sobre a morte, a doença, a probabilidade e o acaso, o casamento e os filhos, a saudade e a mágoa.
«De uma honestidade devastadora, O Ano do Pensamento Mágico é um magnífico retrato sobre a perda, a mágoa e a tristeza, pintado ao detalhe, e sem vacilar, com o olhar cirúrgico da autora.» The New York Times
«O Ano do Pensamento Mágico fala-nos acerca da forma como nos conseguimos superar e seguir em frente. É também uma homenagem a um casamento extraordinário.»The New Yorker Times
Para saber mais sobre Joan Didion, consulte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Joan_Didion
A propósito da peça de teatro, O ANO DO PENSAMENTO MÁGICO, de Joan Didion, em cena no TNSJ, com Eunice Munoz, um ícone do teatro português. (Vanessa Redgrave, interpretou também este papel)

Uns dias antes do Natal de 2003, John Gregory Dunne e Joan Didion viram a sua única filha, Quintana, adoecer com o que a princípio aparentava ser uma gripe, depois uma pneumonia e a seguir um choque séptico total. Foi posta em coma induzido. Uns dias depois, na noite da antevéspera do Ano Novo, os Dunne tinham acabado de se sentar para jantar depois da visita ao hospital, quando John sofreu um acidente coronário fatal. Num segundo, esta relação íntima e simbiótica de quarenta anos acabou. Quatro semanas depois, a filha recuperou, mas passados dois meses foi hospitalizada para ser submetida a uma operação ao cérebro. Quintana morreu.
Joan Didion mais tarde escreveu um livro, que depois foi adaptado ao teatro, onde faz uma reflexão sobre a morte, a doença, a probabilidade e o acaso, o casamento e os filhos, a saudade e a mágoa.
«De uma honestidade devastadora, O Ano do Pensamento Mágico é um magnífico retrato sobre a perda, a mágoa e a tristeza, pintado ao detalhe, e sem vacilar, com o olhar cirúrgico da autora.» The New York Times
«O Ano do Pensamento Mágico fala-nos acerca da forma como nos conseguimos superar e seguir em frente. É também uma homenagem a um casamento extraordinário.»The New Yorker Times
Para saber mais sobre Joan Didion, consulte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Joan_Didion
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