A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 26 de janeiro de 2010

RIFÃO QUOTIDIANO - MÁRIO HENRIQUE-LEIRIA

Tinham apagado as luzes. As pessoas estavam suspensas. Um foco de luz acendeu-se. Ele entrou de roldão, de grande sobretudo, descalço, umas botas enormes na mão. As pessoas de imediato riram, as pessoas de antemão estavam conquistadas! De história a história o entusiasmo era crescente e ele fixava as pessoas, com aquele seu jeito de cumplicidade «malandra», e fixou-a. O foco de luz caiu sobre ela, corou! Sentiu-se mal em destaque e com aquele casaco às flores. Sentia-se saída da «aldeia da roupa branca», às flores! De olhos fixos ele disse-lhe:


Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha

e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece

às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

MÁRIO VIEGAS disse: CONTOS DE GIN-TÓNICO, de Mário Henrique Leiria.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

TECNOLOGIA E MERCADO SEMPRE EM CIMA DO ACONTECIMENTO...

GENE KELLY



RECORDAR ASTAIRE, GINGER ROGERS, GENE KELLY...

Fred Astaire, foi sem dúvida um grande bailarino, que foi admirado por lendas da dança do século XX: George Balanchine, Mikhail Baryshnikov, Margot Fonteyn, Bob Fosse, Gregory Hines, Rudolph Nureyev, Michael Jackson, Janet Jackson e Bill Robinson. Balanchine descreveu-o como «o mais interessante, o mais inventivo, o mais elegante». Para Baryshnikov era: «um génio ... um bailarino clássico como eu nunca vi na minha vida».
Astaire foi nomeado o quinto Greatest Male Star of All Time pelo American Film Institute.

FRED ASTAIRE (1899 - 1987)

Dotado, desde a infância, de um grande talento, Fred Astaire, cujo verdadeiro nome era Frederick Austerlitz, triunfou nos cenários da Broadway e alcançou fama internacional. O seu estilo caracterizava-se por uma peculiar agilidade, confirmada pelos seus evidentes dotes artísticos. Formou uma dupla frequente com Ginger Rogers em vários filmes (entre os quais Swing Time), e também com outras estrelas de renome, como Rita Hayworth. Em 1949, recebeu um Oscar especial pelas suas contribuições no âmbito do género musical.


GINGER ROGERS (Virginia Katherine McMath) - 1911-1995
Foi uma premiada actriz/dançarina/cantora do cinema e teatro.
Começou cedo a sua carreira e na década de 1930, conheceu Fred Astaire e com ele fez dez filmes musicais, tornando-se uma das suas mais célebres parceiras.
Em 1941, recebeu um Oscar de melhor actriz pelo seu papel dramático em Kitty Foyle. Fez quase 100 filmes entre musicais, comédias e dramas.

GENE KELLY (Eugene "Gene" Curran Kelly) - 1912 — 1996
Dançarino, actor, cantor, director, produtor e coreógrafo.
Iniciou bem cedo sua carreira na Broadway, com uma aparição no espectáculo «Leave It To Me», de Cole Porter.
Ao lado de Fred Astaire, Kelly foi um dos expoentes enquanto os Musicais eram o estilo preferido de Hollywood. O seu trabalho mais conhecido, verdadeiro clássico dos musicais, é «Serenara à Chuva», do qual também foi director.

(Os filmes de estes bailarinos passavam frequentemente na televisão em determinada época, vi-os fascinada pelas «proezas» fantásticas no campo da dança, porque relativamente ao argumento eram bem fraquinhos)

domingo, 24 de janeiro de 2010

DOMINGO DE SOL!...

Domingo com sol, um lindo dia que levou muita gente a tomar os caminhos para a beira-mar e eu também!..Domingo, não é o meu dia preferido para passear, mas nesta altura, um dia de sol, depois de tanta chuva é para aproveitar, amanhã até já pode estar a chover.!...


Eu ia à procura do «Bar Vermelho», um bar tipo barracão, castiço, «baldas», com revistas e jornais e com música salsa, dava uma ilusão de Varadero, só que coisas deste género foram destruídas e em sua substituição lá estão os rectângulos de metal envidraçados, figurino uniformizado.

Tive surpresas, nas praias que de Verão frequento, a Câmara de Matosinhos, fez umas obras dignas de registo. Independentemente de quem está ou não à frente das câmaras, para mim o trabalho feito é que atesta a competência.
Toda a zona de praias tem ligação com passadiços, protecção das dunas, à entrada de cada praia, chuveiros e lava-pés e, foram construídos grandes parques de estacionamento.





As pessoas levaram as suas crianças (afinal ainda se faz crianças, seguindo o apelo do PR/CAVACO) ou os seus animais de estimação e para terminar esta «redacção» posso dizer que tudo estava muito feliz e eu também, de olhos postos no mar ou no livro, sentindo o sol forte, que até me fez transpirar. Fiz uma caminhada pelo passadiço de uma hora, limpei os pulmões e a cabeça e, também «namorei» qualquer coisa!...

JEAN SIMMONS ( 1929 — 2010)




RECORDANDO JEAN...

sábado, 23 de janeiro de 2010

SELOS

A ELAINE BARNES do Nas Asas da Coruja presenteou-me com este selo, as regras são as seguintes:
Cada Superior Scribbler (SS) deve passar o prémio para 5 amigos que tenham merecimento.#
Cada SS deve linkar o autor e nome do blog de quem ele recebeu o prémio.#
Cada SS deve exibir o prémio em seu blog e disponibilizar o link no post que explica o prémio.#
Cada SS é convidado a visitar o post que explica a atribuição do prémio e adicionar o seu nome à lista de link.#
Cada SS deve colocar essas regras no seu blog.
O que acontece é que eu sou uma quebra-regras e como todos os blogues que eu sigo, por uma razão ou outra são importantes e têm todo o merecimento, não posso seleccionar 5, porque estaria a ser injusta para os outros!..Desculpas Elaine de estragar o jogo? Aliás eu recomendo que não me dêem selos com estas regras, OK?



A MARIA, do blogue «Cheiro da Ilha», foi tão gentil, que me disse vai ao blogue e pega nos selos que quiseres, estão à disposição de todos!...Eu peguei neste porque achei giro e agora que ele é meu, podem pegar se quiserem.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

COMO CAÍ NESTE MUNDO...













Nasci fruto de um segundo casamento dos meus pais, os dois tinham enviuvado devido aos seus parceiros terem contraído a pneumónica. Quando nasci o meu pai tinha 52 anos e 2 filhos homens, um deles seria pai, pela mesma altura que eu nasci, portanto tenho um sobrinho da minha idade. A minha mãe tinha 35 anos e uma filha de 10 anos do anterior casamento. Eu apareci e foi o reboliço familiar. Os meus irmãos pediram a sua parte na herança e foram para o Brasil e eu nunca os conheci. O lado da família do primeiro marido da minha mãe também não me aceitou, mas a minha irmã viveu sempre connosco e só tem a dizer maravilhas do padrasto, que sempre tratou por pai. Eu já não tinha avós, a minha irmã tinha avós e uma tia solteirona, mas eu nem lhes podia chamar avôs, nem tia, sempre me disseram que eles não eram meus, eles não queriam esse tratamento e eu já nem sei como os tratava, à tia ainda chamava pelo nome, a eles não devia chamar nada e mesmo em convívio pouco falava com eles. Sempre que ia lá a casa o que eu gostava era de estar com a empregada e brincar com o cão, o Suite. Essa família da minha irmã protegia-a bastante e todos os anos levavam-na a passar férias, mas recordando eu não me importava muito, creio que preferia ficar com os meus pais. Existiam outros familiares dos meus pais, umas tias e uns primos, essa era a minha família, mas também não era a de maior convivência. Os meus pais deram-me uma infância muito boa. Sempre foram muito bons para mim. Para o meu pai, fui mesmo a menina do «papá» e o meu pai foi a pessoa mais excepcional que conheci na vida, aliás não só para mim, toda gente gostava muito do meu pai.
Muito mais tarde, o meu pai fez as pazes com os filhos, não sei, mas a iniciativa devia ter sido dele, porque era muito boa pessoa. Reataram correspondência. O que tinha ido para o Brasil já casado, sei que teve 4 filhos e era director da Coca-Cola, o outro casou lá com uma mulher rica, tinha uma empresa e teve dois filhos. O meu pai gostava de me mostrar as cartas, escrevia sobre mim nas cartas para eles, o seu desejo era uma aproximação. Um dia as minhas cunhadas vieram a Portugal e uma delas trouxe dois filhos. Eram todos muito simpáticos, mas depois de uns dias lá foram embora. Fiquei a corresponder-me com uma das minhas cunhadas. Passados mais uns anos, uns bons anos, o meu pai já tinha 80 anos, recebeu o convite de um dos filhos para ir ao Brasil. Esteve lá três meses, que foram o máximo para ele, de facto quando chegou cheio de fotografias e slides, a sua alegria era transbordante. Passados quatro anos o meu pai morreu, enviei um telegrama a comunicar, que não teve qualquer resposta. Nessa altura triste e desesperada pela morte do meu pai, rasguei as cartas todas e fiquei sem qualquer contacto, até hoje. Da parte deles também não recebi qualquer carta, realmente eu para eles não existia.
Isto sempre foi algo que me pesou, quando de vez enquanto pensava nisso, ter sido rejeitada por várias pessoas e ter irmãos que nunca conheci, a não ser por muito poucas fotografias antigas! Numa dessas fotografias vejo um indivíduo de boa aparência, sentado num banco de jardim, este tinha o nome de António, (diziam que eu era parecida com ele) o outro mais velho, chamava-se Alexandre e a visão que tenho é de um homem vestido de oficial do exército, com uma cara carrancuda. Estas são, as identidades que tenho, dos meus irmãos. Às vezes também penso, que contrariei o desejo do meu pai, de uma convivência, ao menos por escrito, mas na realidade nada podemos ser a quem não nos quer. Nunca fui ao Brasil e nem sei se um dia irei!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

OFERTA DA REGINA

Não tenho muita experiência nestas coisas!
Há regras: deixar um comentário a quem oferece e oferecê-lo a cinco blogues, com quem partilha tudo e também dizer o que é para si partilhar.

O que acontece é que eu partilho tudo com todos, mas evidentemente que uns mostram mais receptividade ao que eu escrevo, portanto são mais cúmplices da minha partilha e sendo assim aos mesmos vou endereçar este selo:

CAFÉ E BOLO
CANTO DE CONTAR CONTOS
NAS ASAS DA CORUJA
NEL MEZZO DEL CAMMIM
O MEU ACONCHEGO

Compartilhar o meu tempo, o meu mundo, os afectos, os interesses da vida, o variado leque de sentimentos, tudo que é possível compartilhar neste mundo virtual... compartilhar com verdade, com ternura, para também ter portas abertas no mundo e no pensamento de tanta pessoa fascinante, que escreve coisas maravilhosas e enternecedoras...

TÉDIO

O tédio... Pensar sem que se pense, com o cansaço de pensar; sentir sem que se sinta, com a angústia de sentir; não querer sem que se não queira, com a náusea de não querer - tudo isto está no tédio sem ser o tédio, nem é dele mais que uma paráfrase ou uma translação. E, na sensação directa, como se de sobre o fosso do castelo da alma se erguesse a ponte levadiça, nem restasse, entre o castelo e as terras, mais que o poder olhá-las sem as poder percorrer. Há um isolamento de nós em nós mesmos, mas um isolamento onde o que separa está estagnado como nós, água suja cercando o nosso desentendimento.


LIVRO DO DESASSOSSEGO - BERNARDO SOARES

AVATAR (JOÃO MONTENEGRO)

AVATAR, já ganhou um GLOBO DE OURO e possivelmente vai ganhar o ÓSCAR, são prémios à alta tecnologia. NÃO GOSTO DE FILMES DESTE GÉNERO.
A acção desenrola-se no meio de uma densa floresta habitada por seres indígenas do tempo do paleolítico humanóide. A preservação de Pandora – assim se designa a floresta – é o grande desafio para os habitantes deste território, que de repente, se viram invadidos por humanos. Em traços muito gerais, esta é a sinopse do filme “Avatar”, a mais recente obra de James Cameron, um sucesso de bilheteira.


Muitos desconhecerão, que por detrás da produção da floresta Pandora esteve João Montenegro, um antigo estudante de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), que juntamente com um grupo de pessoas esteve envolvido na criação dos efeitos especiais de “Avatar”. A trabalhar em Londres, na maior empresa de efeitos especiais europeia – a Framestore – João Montenegro tinha já colaborado no filme de animação “A Lenda de Despereaux”.
Apontado como um dos mais brilhantes filmes no domínio dos efeitos especiais, “Avatar” apresenta um conceito inovador, na opinião do antigo estudante da FEUP: A grande diferença está na quantidade e detalhe dos diferentes elementos virtuais em cena. Ter milhares de objectos completamente foto-realistas [em cena] faz toda a diferença do ponto de vista da produção e organização do trabalho. (…) É tudo gerado por computador”. “Eu trabalhei mais nos elementos militares dos humanos, dos quais quase nada é imagem real. A quantidade de coisas que têm que ser criadas e encaixadas numa só cena é tremenda. Há aspectos tecnológicos novos neste filme, como a forma como os movimentos dos actores foram captados (que produziu os melhores resultados de sempre, na minha opinião) e o facto de o filme ser em 3D estereoscopico, que trouxe desafios interessantes também”, revela João Montenegro.
RP/FEUP

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

CRÓNICAS DO ROCHEDO LANÇOU-ME O DESAFIO DE INDICAR CINCO MANIAS QUE FAZEM PARTE DA MINHA VIDA

Quais são as minhas manias? Será que as reconheço? Posso dizer que tenho a mania de andar sempre de óculos escuros, com chuva ou com sol, nos centros comerciais e hipermercados, excepto à noite, também tenho a mania de me pentear antes de ir para a cama, de pregar sustos cá em casa, de considerar que ninguém gosta de mim (coitadinha!), de comer biscoito integral para não fumar…
Perguntei cá em casa que manias é que eu tenho, o meu marido disse logo «que tens sempre razão, «que sabes o que os outros pensam»…Pois, é o amor!...A minha filha riu-se e disse «deixa-me ver televisão»…estive para telefonar ao meu filho, mas este perguntar-me-ia possivelmente, se eu estava bem!?...

Fui à Wikipédia, também é uma mania (mal escrita e redigida) e estive a ler:
MANIA - figura da mitologia grega. UPA...não sabia e estudei mitologia?!...
Mania, palavra que vem do grego mania (loucura) é, para a Psiquiatria, o distúrbio mental caracterizado pela mudança exacerbada de humor, com alteração comportamental dirigido, em geral, para uma determinada ideia fixa e com síndrome de quadro psicótico grave e agudo, característico, embora não exclusivo (mania secundária), do Transtorno ou Distúrbio Bipolar e caracteriza-se por grande agitação, loquacidade, euforia, insónia, perda do senso crítico, grandiosidade, prodigalidade, exaltação da sexualidade e agressividade. UFFFFFF…É DEMAIS!...
A concepção vulgar, porém, trata como manias alguns hábitos que, entretanto, não são propriamente manias, em nada interferindo na vida individual ou social do indivíduo. Recebem este nome, por exemplo, alguns hábitos ou costumes caracterizados por alguma fixação, repetição exagerada de gestos, etc.
Assim está bem e depois de consultar a lista das manias, decidi pegar em algumas e improvisar outras, não peco pelo exagero, mas encaixo…

1 -agromania, tendência a solidão
2 - planomania, impulso de vagar livremente.
3 -melomania, gosto excessivo por música
4 – livromania, compra compulsiva de livros
5 – computamania, excesso de tempo no computador

Concluído o desafio, devo passá-lo a cinco blogues. Escolhi cinco blogs de amigos, mas não sei se já entraram nesta brincadeira e sem estão dispostos ao jogo. Aqui vão:

CAFÉ E BOLO
CANTO DE CONTAR CONTOS
NAS ASAS DA CORUJA
NEL MEZZO DEL CAMMIM
O CHEIRO DA ILHA


QUEREM ENTRAR NA BRINCADEIRA?
SE NÃO QUISEREM TUDO BEM!..

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O LAÇO BRANCO - MICHAEL HANEKE




Michael Haneke realizou um grande filme, com uma bela fotografia a preto e branco, sem banda sonora, para dar mais realismo e com um colectivo de intérpretes perfeitamente ajustados aos seus papeis. Um filme que é um «murro no estômago» e que me deixou desconfortável e com imensas questões no pensamento.


Tudo se passa numa pequena aldeia, o professor vai narrando ocorrências inexplicáveis, que vão acontecendo. O professor sabe o que ocorre, não sabe porquê e como não é da aldeia, parte no início da Primeira Guerra, sem qualquer esclarecimento sobre o que sucedeu e assim fica o espectador cheio de conjecturas.

A aldeia é dominada pela austera religião protestante, onde impera o medo, a moral rígida o pecado oculto e onde a pureza das crianças é manchada por uma moral imposta pelos adultos. Um dos aspectos que fascina neste filme são as crianças, a forma como convivem entre si neste meio, como convivem com os adultos, como estão sempre presentes e com pureza são subjugadas pelos «jogos» perigosos dos adultos. Os misteriosos acontecimentos começam quando o médico da aldeia tem um acidente perpretado, a que se seguem casos inexplicáveis, pois nem o narrador consegue descobrir para contar, nem os restantes personagens querem admitir o que se passa. E as suspeitas caem em todos: tanto nas crianças com os seus comportamentos «inocentes», como nos adultos com os seus «pecados» escondidos. E a juntar a isto surge a moral cruel, a exibição pública da culpa, muitas vezes sem razão. Um dos exemplos são os laços brancos, que são colocados na roupa de duas das crianças, para que eles se «lembrem» da inocência.
PRÉMIO PALMA DE OURO EM CANNES
GLOBO DE OURO DE MELHOR FILME ESTRANGEIRO

FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ANDRADE

Dezasseis anos depois de ter sido criada, a Fundação Eugénio de Andrade está em vias de extinção. Confrontado com uma situação financeira insustentável, o Conselho Directivo da fundação enviou ao Governo, em meados de Dezembro, um pedido de extinção. A questão estará a ser analisada pela Presidência do Conselho de Ministros. De acordo com o jornal Público, a Fundação começou a receber, em 1997, um subsídio do Ministério da Cultura (era ministro Manuel Maria Carrilho) através do Instituto Português do Livro e da Biblioteca, que terá oscilado entre os 12 mil e 19 mil euros anuais. No entanto, em 2005, quando a ministra Isabel Pires de Lima tomou posse, percebeu que não havia qualquer protocolo assinado e que o subsídio seria, então, ilegal. O cancelamento deste apoio veio contribuir para estrangular ainda mais a situação financeira da fundação que já se encontrava debilitada pela falência sucessiva dos distribuidores e do co-editor das obras do escritor falecido em 2005. A verdade é que a instituição tinha apenas direito a uma pequena percentagem dos direitos de autor e, uma vez que não tem qualquer outra fonte de rendimento para além do apoio da Câmara do Porto, a instituição encontra-se na falência.

TRISTE NOTÍCIA, ASSISTI LÁ A MUITOS RECITAIS DE POESIA. ASSIM SE PERDE UM LUGAR DE REFERÊNCIA E DE HOMENAGEM A UM GRANDE POETA, QUE VIVEU NAQUELA CASA OS SEUS ÚLTIMOS ANOS.


Urgentemente
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade


MAIS POESIA DE EUGÉNIO DE ANDRADE EM: http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v296.txt

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Se a poesia não surgir tão naturalmente como as folhas de uma árvore, é melhor que não surja mesmo.
(Frase dita no filme Bright Star)

John Keats (1795–1821). The Poetical Works of John Keats. 1884.

BRIGHT STAR - JANE CAMPION


BRIGHT star! would I were steadfast as thou art—

Not in lone splendour hung aloft the night,

And watching, with eternal lids apart,

Like Nature’s patient sleepless Eremite,

The moving waters at their priestlike task

Of pure ablution round earth’s human shores,

Or gazing on the new soft fallen mask

Of snow upon the mountains and the moors—

No—yet still steadfast, still unchangeable,

Pillow’d upon my fair love’s ripening breast,

To feel for ever its soft fall and swell,

Awake for ever in a sweet unrest,

Still, still to hear her tender-taken breath,

And so live ever—or else swoon to death.


"Estrela Cintilante", não é só uma daquelas biografias históricas muito britânicas de irrepreensível reconstituição de época. Óbviamente que conta uma histórica verídica, com um tratamento ficcionado, a partir da pesquisa realizada por Andrew Motion, biógrafo do poeta. O filme foca a vida difícil de Keats, um dos grandes poetas românticos do princípio do século XIX e da sua paixão por Fanny Brawne, a sua jovem e arrebatada vizinha. Mas mostra com grande ênfase um «retrato de mulher» em que a realizadora é perita - uma jovem imperiosa e insegura ao mesmo tempo, à frente do seu tempo, moderna e determinada. "Estrela Cintilante" fala: do poder quase sagrado da palavra (escrita ou falada) para nos abrir portas, caminhos, janelas que nos mostram quem somos, quem podemos ser, quem queremos ser; da palavra poética como ponte espiritual entre as pessoas; do amor como experiência sensorial de uma transcendência inexplicável. Bright Star, é um poema em cinema. (Já estou a ver os anti-românticos a torcer o nariz!)


Jane Campion, realizadora neo-zelandesa, ficou conhecida principalmente pelo filme "O Piano" (1993), seguindo-se "Retrato de uma Senhora" (1996), "Fumo Sagrado" (1999) e "Atracção Perigosa" (2003). É uma realizadora, cujo percurso, tem sido de atenção às correntes subterrâneas das suas personagens e não à recepção comercial, os seus filmes não foram pensados para serem "blockbusters".



(PÚBLICO)

JOHN KEATS




GOSTO QUANDO ME FALAS DE TI...

Gosto quando me falas de ti... e vou te percorrendo

e vou descortinando a tua vida

na paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos

[tranqüilos

Gosto quando me falas de ti... e então percebo

que antes mesmo de chegar, me adivinhavas,

que ninguém te tocou, se

não o vento

que não deixa vestígios, e se vai

desfeito em carícias vãs...

Gosto quando me falas de ti...

quando aos poucos a luz

vasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontro

e te reencontro em teus lábios, apenas pintados,

maduros,mas nunca mordidos antes da minha audácia.

Gosto quando me falas de ti... e muito mais adiantas

em teus olhos descampados, sem emboscadas,

e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol

distendido,e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja [primeira curva

foi o nosso encontro.

Gosto quando me falas de ti... porque percebo que te [desnudas

como uma criança, sem maldade,

e que eu cheguei justamente para acordar tua vida

que se desenrola inútil como um novelo

que nos cai no chão...
( Tradução de JG de Araujo Jorge do livro "Quatro Damas" 1a ed. 1965
)
( Biografia de John Keats : http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Keats)

domingo, 17 de janeiro de 2010

A QUEM INTERESSAR...


Terça 9 Fevereiro 2010 19:30, Sala Suggia - O Livro do Desassossego

Numa colaboração da Casa da Música com a Capital Europeia da Cultura em 2009, a cidade austríaca de Linz, o Remix Ensemble apresenta O Livro do Desassossego, um espectáculo cénico com música e vídeo de Michel van der Aa com base no incontornável texto de Pessoa. Filmado com laivos do universo sonoro português nos bairros de Lisboa que Pessoa percorria, o vídeo coabita com as palavras do poeta português na voz do actor João Reis e com a música a que o Remix Ensemble dá forma. Um espectáculo imperdível que estreia em Portugal depois de subir aos palcos de Linz e do Concertgebow de Amesterdão.

Remix Ensemble
Michel van der Aa -música, vídeo e direcção cénica
Ed Spanjaard - direcção musical
João Reis actor e Ana Moura em participação especial
(Colaboração LINZ09 Capital Europeia da Cultura e Orquestra Bruckner de Linz com Zaterdag Matinee, Concertgebow de Amesterdão e Casa da Música - estreia da versão em português)

ORION - KAIJA SAARIANO

Da compositora finlandesa, KAIJA SAARIANO, foi ontem apresentada a sua obra, ORION, em estreia nacional. A compositora estava presente e teve fortes aplausos.

Nascida em Helsink em 1952 e graduada em composição em 1980. Escreveu música eletrónica nos anos 80, fazendo também uma mistura com instrumentos clássicos. Tem sido muito bem recebida pelo público, apesar de não fazer concessões. A sua música lembra muito o som “New Age”, mas claro, muito superior.
Orion é uma obra orquestral escrita por alguém com grande domínio e talento.
Não sou muito receptiva à música contemporânea, não gosto de tudo, há mesmo músicas que mexem com o meu sistema nervoso, mas de facto esta obra é interessante e envolvente.