A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

EXCERTO DE UMA CARTA DE FERNANDO PESSOA A ADOLFO CASAIS MONTEIRO


Carta a Adolfo Casais Monteiro

"...E contudo - penso-o com tristeza - pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida. Pensar, meu querido Casais Monteiro, que todos estes têm que ser, na prática da publicação preteridos pelo Fernando Pessoa, impuro e simples!
Creio que respondi à sua pergunta.
Se fui omisso, diga em quê. Se puder responder, responderei. Mais planos não tenho, por enquanto. E, sabendo eu o que são e em que dão os meus planos, é caso para dizer, Graças a Deus!
Passo agora a responder à sua pergunta sobre a génese dos meus heterónimos. Vou ver se consigo responder-lhe completamente.
Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histeroneurasténico. Tendo para esta Segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos - felizmente para mim e para outros - mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contacto com outros; fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo. Se eu fosse mulher - na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas - cada poema de Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem - e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais: assim tudo acaba em silêncio e poesia.
Isto explica, tant bien que mal, a origem orgânica do meu heteronismo. Vou agora fazer-lhe a história directa dos meus heterónimos. Começo por aqueles que morreram, e de alguns dos quais já me não lembro - os que jazem perdidos no passado remota da minha infância quase esquecida.
Aí por 1912, salvo erro (que nunca pode ser grande), veio-me à ideia escrever uns poemas de índole pagã. Esbocei umas coisas em verso irregular (não no estilo Álvaro de Campos, mas num estilo de meia regularidade), e abandonei o caso. Esboçara-se-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo (tinha nascido, sem que eu soubesse, o Ricardo Reis).
Ano e meio, ou dois anos depois, lembrei-me um dia de fazer uma partida ao Sá-Carneiro - de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira - foi em 8 de Março de 1914 - acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com o título Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive. E tanto assim que, escrito que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio, também, os seis poemas que constituem a Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente. Foi o regresso de Fernando Pessoa - Alberto Caeiro a Fernando Pessoa - ele só. Ou, melhor, foi a reacção de Fernando Pessoa contra a sua inexistência como Alberto Caeiro.
Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir - instintiva e subconscientemente - uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-me a si mesmo, porque nessa altura já o via. E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro de Campos - a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.
Criei, então uma coterie inexistente. Fixei aquilo tudo em moldes de realidade. Graduei as influências, conheci as amizades, ouvi, dentro de mim, as discussões e as divergências de critérios, e em tudo isto me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve. Parece que tudo se passou independentemente de mim. E parece que assim ainda se passa. Se algum dia eu puder publicar a discussão estética entre Ricardo Reis e Álvaro de Campos, verá como eles são diferentes, e como eu não sou nada na matéria.
Quando foi da publicação de Orpheu, foi preciso, à última hora, arranjar qualquer coisa para completar o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro que eu fizesse um poema "antigo" do Álvaro de Campos - um poema de como o Álvaro de Campos seria antes de ter conhecido Caeiro e ter caído sob a sua influência. E assim fiz o Opiário, em que tentei dar todas as tendências latentes do Álvaro de Campos, conforme haveriam de ser depois de reveladas, mas sem haver ainda qualquer traço de contacto com o seu mestre Caeiro. Foi dos poemas que tenho escrito, o que me deu mais que fazer, pelo duplo poder de despersonalização que tive que desenvolver. Mas, enfim, creio que não saiu mau, e que dá o Álvaro em botão...
Creio que lhe expliquei a origem dos meus heterónimos. Se há porém qualquer ponto em que precise de um esclarecimento mais lúcido - estou escrevendo depressa, e quando escrevo depressa não sou muito lúcido -, diga, que de bom grado lho darei. E, é verdade, um complemento verdadeiro e histérico: ao escrever certos passos das Notas para recordação do meu Mestre Caeiro, do Álvaro de Campos, tenho chorado lágrimas verdadeiras. É para que saiba com quem está lidando, meu caro Casais Monteiro!
Mais uns apontamentos nesta matéria. Eu vejo diante da mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Construí-lhes as idades e as vidas. Ricardo Reis nasceu em 1887 não me lembro do dia e mês (mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (às 1,30 horas da tarde, diz-me o Ferreira Gomes; e é verdade, pois, feito o horóscopo para essa hora, está certo). Este, como sabe é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inactividade. Caeiro era de estatura média, e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil quanto era. Ricardo Reis é um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte, mais seco. Álvaro de Campos é alto (1,75m de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um pouco tendente a curvar-se. Cara rapada todos - o Caeiro louro sem cor, olhos azuis; Reis de um vago moreno mate; Campos entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo.
Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma - só instrução primária; morreram-lhe cedo e pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico: vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria. Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre.
(...) Como escrevo em nome desses três? Caeiro por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular que iria escrever. Ricardo Reis, depois de uma deliberação abstracta que subitamente se concretiza numa ode. Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê. O meu semi-heterónimo Bernardo Soares que aliás em muitas coisas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de "ténue" à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual; ao passo que Caeiro escrevia mal o português, Campos razoavelmente mas com lapsos como dizer "eu próprio" em vez de "eu mesmo", etc., Reis melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado. (...)
(em 13 de Janeiro de 1935)
[Pessoa, Fernando, Livro do Desassossego por Bernardo Soares, recolha e transcricão dos textos: Maria Aliete Galhoz, Teresa Sobral Cunha, prefácio e organizacão: Jacinto Prado Coelho, Ática, Lisboa 1982, pp. XLIII-XLVII http://www.cfh.ufsc.br/~magno/frames.html ]

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

VOLTANDO A KHALIL GIBRAN


Foi-me indicada a obra de Khalil Gibran e tenho andado a ler alguma coisa através da net.
Em sua relativamente curta existência (viveu apenas 48 anos), Khalil Gibran produziu obra literária acentuada e artisticamente marcada pelo misticismo oriental, que — por essa razão — alcançou popularidade em todo o mundo. A sua obra, acentuadamente romântica e influenciada por fontes de aparente contraste como a Bíblia, Nietzsche e William Blake, trata de temas como o amor, a amizade, a morte e a natureza, entre outros. Escrita em inglês e árabe, expressa as inclinações religiosas e mística do autor. A sua obra mais conhecida é o livro O Profeta, que foi traduzido para inúmeros idiomas.


Não sou nada uma pessoa de misticismos e leituras esotéricas, portanto essa faceta de Gibran de profeta, deixou-me bastantes reticências, no entanto considero interessante o texto que ontem transcrevi que com muito lirismo aborda a nossa preocupação ambientalista e porque também me parece interessante vou transcrever o seu poema,


Os Filhos

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles,
mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás
e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos
são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito
e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projectem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O HOMEM E A NATUREZA - KAHLIL GIBRAN


~ O Homem e a Natureza ~

Ao romper do dia, sentei-me na campina, travando conversa com a Natureza, enquanto o Homem ainda descansava sossegadamente nas dobras da sonolência. Deitei-me na relva verde e comecei a meditar sobre estas perguntas:
Será a Beleza Verdade? Será Verdade a Beleza?
E em meus pensamentos vi-me levado para longe da humanidade. Minha imaginação descerrou o véu de matéria que escondia meu íntimo. Minha alma expandiu-se e senti-me ligado à Natureza e a seus segredos. Meus ouvidos puseram-se atentos à linguagem de suas maravilhas.
Assim que me sentei e me entreguei profundamente à meditação, senti uma brisa perpassando através dos galhos das árvores e percebi um suspiro como o de um órfão perdido.
“Por que te lamentas, brisa amorosa?” perguntei.
E a brisa respondeu: “Porque vim da cidade que se escalda sob o calor do sol, e os germes das pragas e contaminações agregaram-se às minhas vestes puras. Podes culpar-me por lamentar-me?”
Mirei depois as faces de lágrimas coloridas das flores e ouvi seu terno lamento... E indaguei: “Por que chorais, minhas flores maravilhosas?”
Uma delas ergueu a cabeça graciosa e murmurou: “Choramos porque o Homem virá e nos arrancará, e nos porá à venda nos mercados da cidade.”
E outra flor acrescentou: “À noite, quando estivermos murchas, ele nos atirará no monte de lixo. Choramos porque a mão cruel do Homem nos arranca de nossas moradas nativas.”
Ouvi também um regato lamentando-se como uma viúva que chorasse o filho morto, e o interroguei: “Por que choras meu límpido regato?”
E o regato disse: “Porque sou compelido a ir à cidade, onde o Homem me despreza e me rejeita pelas bebidas fortes, e faz de mim carregador de seu lixo, polui minha pureza e transforma minha serventia em imundície.”
Escutei, ainda, os pássaros soluçando e os interpelei: “Por que chorais meus belos pássaros?”
E um deles voou para perto, pousou na ponta de um ramo e justificou: “Daqui a pouco, os filhos de Adão virão a este campo com suas armas destruidoras e desencadearão uma guerra contra nós, como se fossemos seus inimigos mortais. Agora estamos nos despedindo uns dos outros, pois não sabemos quais de nós escaparão à fúria do Homem. A morte nos segue, aonde quer que vamos.”
Então o sol já se levantava por trás dos picos da montanha e coloria os topos das árvores com aureolas douradas. Contemplei tão grande beleza e me perguntei:
“Por que o homem deve destruir o que a Natureza construiu?”


Para saber mais sobre Kahlil Gibran : http://pt.wikipedia.org/wiki/Khalil_Gibran

domingo, 13 de dezembro de 2009

OS 15 VALORES DE SÓCRATES EM INGLÊS «TÉCNICO»

José Sócrates mostrando a utilidade do Inglês do Ensino Superior Técnico. Vejam como se divertem os outros governantes a ouvi-lo!



Mandaram-me por mail, não conhecia!...

ALBERT CAMUS

Muitos livros contribuíram, para a minha formação, que começou muito cedo, pelo meu grande gosto pela leitura, poderia citar vários livros. Lá para o fim da minha adolescência, através de um namorado (!) descobri Sartre, lendo o livro «Os Dados estão Lançados» e a partir daí todo o movimento existencialista francês, para complemento até me vestia de preto o que fazia muita confusão à família e aos conhecidos, que me perguntavam muitas vezes «quem tinha morrido», até assimilarem que isso era uma «tara». Para além desse folclore visual, que também me levou a começar a fumar muito cedo, muito às escondidas, fui «plantando» na minha cabeça ideias, que se foram tornando posturas e conceitos perante a vida (eu+outros+a engrenagem...) e ficaram.Hoje apetece-me referir Albert Camus, de quem li muita coisa, romance, teatro, ensaio....

O Mito de Sísifo

Sisifo, de Tiziano Vecellio, 1548-1549.

O mito de Sísifo, ensaio filosófico escrito por Albert Camus, em 1942.
No ensaio, Camus introduz a sua filosofia do absurdo: o homem fútil em busca de sentido, unidade e clareza no rosto de um mundo ininteligível desprovido de Deus e eternidade. Será que a realização do absurdo exige o suicídio? Camus responde: "Não. Exige revolta". Ele então descreve várias abordagens do absurdo na vida. O último capítulo compara o absurdo da vida do homem com a situação de Sísifo, uma personagem da mitologia grega, condenado a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra até ao topo de uma montanha, só para vê-la rolar para baixo novamente.
L'homme révolté
O homem revoltado, ensaio filosófico escrito por Albert Camus e publicado em 1951.


«Ao protestar contra a condição, naquilo que tem de inacabado, pela morte, e de disperso, pelo mal, a revolta metafísica é a reivindicação motivada de uma unidade feliz contra o sofrimento de viver e morrer. (...) Ao mesmo tempo em que recusa a sua condição mortal, o revoltado recusa-se a reconhecer o poder que o faria viver nesta condição. O revoltado metafísico, portanto, certamente não é ateu, como se poderia pensar, e sim obrigatoriamente blasfemo. Ele blasfema, simplesmente em nome da ordem, denunciando Deus como o pai da morte e do supremo escândalo. » CAMUS




sábado, 12 de dezembro de 2009

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RÍDICULAS, NÃO SERIAM CARTAS DE AMOR SE NÃO FOSSEM RÍDICULAS

CARTA A OFÉLIA QUEIRÓS - 31 DE MAIO DE 1920

Bebezinho do Nininho-ninho:
Oh!Venho só quevê pâ dizê ó Bebezinho que gotei muito da catinha dela. Oh!E também tive munta pena de não tá ó pé do Bebé pâ le dá jinhos.Oh! O Nininho é pequenininho!Hoje o Nininho não vai a Belém porque, como não sabia se havia carros, combinei tá aqui às seis ho'as.Amanhã, a não sê qu'o Nininho não possa é que sai daqui pelas cinco e meia. (desenho de uma meia) (isto é a meia das cinco e meia). Amanhã o Bebé espera pelo Nininho, sim? Em Belém, sim? Sim?Jinhos, jinhos e mais jinhos.
Fernando.
















[Foi o poeta Carlos Queirós,num número especial da Presença de homenagem a Fernando Pessoa, que deu a conhecer os amores de Fernando Pessoa por Ofélia Queirós, sua tia. Publicando nesse número diversas cartas de amor de Pessoa escritas a Ofélia.]
Foram escritas por Fernando Pessoa e aprovadas pelo «sisudo» Álvaro de Campos
na poesia:
Poema

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

[Quando as cartas de amor rídiculas foram editadas, fiquei bastante surpreendida, nunca imaginaria Fernando Pessoa a escrever esse género de cartas! Nada percebo de psicologia, a não ser da «barata», daquela que todos consideram saber...
Carência de amor maternal? Sentir-se miúdo pelo afecto de uma mulher?
E assim podia continuar???????????????????????????????????? Com interrogações, até gostaria de conversar sobre isto com um grande pessoano, ie um grande estudioso de Pessoa!.. ]

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

NATAL, E NÃO DEZEMBRO


Entremos, apressados, friorentos,

numa gruta, no bojo de um navio,

num presépio, num prédio,

num presídio no prédio que amanhã for demolido...

Entremos, inseguros, mas entremos.

Entremos e depressa, em qualquer sítio,

porque esta noite chama-se Dezembro,

porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,

duzentos mil, doze milhões de nada.

Procuremos o rastro de uma casa,

a cave, a gruta, o sulco de uma nave...

Entremos, despojados, mas entremos.

De mãos dadas talvez o fogo nasça,

talvez seja Natal e não Dezembro,

talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira

HOJE APETECE-ME MÚSICA SUAVE...

VAUGHAN WILLIAMS – THE LARK ASCENDING

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ENCONTRAR BOAS NOTÍCIAS NOS JORNAIS, NÃO É FÁCIL!...DE HOMICÍDIO, A ROUBO, A BURLICE, A VIOLÊNCIA NA ESTRADA...E OUTRAS COISAS QUE TODOS NÓS SABEMOS..

UMA NOTÍCIA + ou -, sobre a CORRUPÇÃO EM PORTUGAL

O menos é que em 2006 Portugal no ranking de percepção da corrupção ocupava a 26ª.posição entre 180 países analisados, mas a situação tem vindo sempre a piorar, em 2007 baixou à 28ª, em 2008 baixou a 32ª e este ano baixou a 35ª, ie desceu nove lugares em quatro anos.
Um estudo revela que os portugueses são na generalidade contra a corrupção, mas praticam a «cunha» com facilidade.
O que pode ser um +, há uma ong Transparência Internacional, sediada em Berlim, desde 1993 e um grupo de peritos nacionais influentes, propõe-se a criação de algo no género, com o objectivo de pressionar o governo e as instituições a uma maior eficácia neste combate.


SOBRE A CORRUPÇÃO, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, disse que a corrupção é um obstáculo ao desenvolvimento e apelou para que as pessoas nunca aceitem nem ofereçam subornos.



Esta já é de facto uma boa notícia: O restauro do Mosteiro de Tibães, feito pelo arquitecto João Carlos Santos, venceu a medalha de ouro da bienal de Miami Beach 2009.Organizado pelo Instituto Americano de Arquitectos, pela Sociedade Americana de Arquitectos paisagistas e pela Federação Pan-Americana de Associação de Arquitectos, o concurso distingue as obras mais importantes em todo o mundo, na categoria de restauro.




(Fotografias tiradas do Google)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

RECEBI ESTE MAIL...

Era interessante que a comunicação social desse destaque a algumas destas situações, o que seria talvez um modo de melhorar a auto estima cá do burgo e não cairmos nesta tendência miserável de baixar os braços e dizer mal de tudo. As conversas entre grupos de amigos são um prolongamento das parangonas dos jornais e dos noticiários da T.V., acidentes, desgraças, corrupção, etc... felizmente há excepções para confirmar a regra! Cada vez mais os nossos patrícios andam deprimidos, mas também gostam... Somos um povo extraordinário em qualquer parte do mundo, mas não acreditamos.

ENTÃO LEIAM:

Nicolau Santos, Director - adjunto do Jornal Expresso, In Revista


**Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE.**
**Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.**
**Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema biométrico de pagamento nas bombas de gasolina.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gás muito leve que já ganhou prémios internacionais.**
**Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos.**
**Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.**
**Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.**
**Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para toda a EU.**
**Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos às PMES.**
**Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agência Espacial Europeia. **
**Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.**
**Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.**
**Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.**
**Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhores vinhos espanhóis.**
**Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.**
**Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade pelo Mundo.**

**O leitor, possivelmente, não reconheceu neste país aquele em que vive... PORTUGAL.**

**Mas é verdade.Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.

**Chamam -se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Out Systems, WeDo, Quinta do Monte d'Oiro, Brisa Space Services, Bial, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Portugal Telecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo.

**Há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, com técnicos portugueses, de reconhecido sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal e a Mc Donalds (que desenvolveu e aperfeiçoou em Portugal um sistema que permite quantificar as refeições e tipo que são vendidas em cada e todos os estabelecimentos da cadeia em todo o mundo).

** É este o País de sucesso em que também vivemos, estatisticamente sempre na cauda da Europa, com péssimos índices na educação, e gravíssimos problemas no ambiente e na saúde... que se atrasou em relação à média UE...etc.

**Mas só falamos do País que está mal, daquele que não acompanhou o progresso.

**É tempo de mostrarmos ao mundo os nossos sucessos e nos orgulharmos disso.

QUE TAL, SENTEM-SE MELHORES?

MARIA JOÃO SEIXAS NA CINEMATECA


Maria João Seixas, é o nome avançado para a direcção da Cinemateca Portuguesa - instituição órfã de director desde que João Bénard da Costa a deixou, em Janeiro, por motivos de saúde. Gosto de Maria João Seixas, é uma pessoa culta e simpática, é uma pessoa que conheço através da televisão e dos bons programas que foi fazendo, obviamente que outros nomes podiam ser avançados e que vão sempre dizer que é uma pessoa muito próxima do PS, já que Seixas foi assessora para a cultura do primeiro governo de António Guterres, foi também mandatária das candidaturas de Jorge Sampaio e Mário Soares e de Manuel Maria Carrilho à Câmara de Lisboa. A relação entre a jornalista de 64 anos e o cinema é muito próxima - ou familiar. Maria João Seixas foi casada com o realizador Fernando Lopes, com quem assinou parte do argumento de "O Delfim" e "Cinema". Esteve também envolvida no documentário "Lissabon Wuppertal Lisboa", sobre a coreógrafa Pina Bausch e conta com prestações breves em filmes como "Adriana" ou "Um dia na Vida". É de destacar ainda o seu trabalho na divulgação do cinema português fora de portas com a distribuidora Uniportugal. Pedro Mexia, subdirector da Cinemateca, estava assumir o cargo de director interino, conduzindo sozinho um cargo de dois lugares.

SEGUNDO DECLARAÇÕES DA MINISTRA DA CULTURA, ESPERA-SE PARA BREVE UM PÓLO DA CINEMATECA NO PORTO.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

CIMEIRA DE COPENHAGA




Começou hoje e termina no dia 18 a cimeira na qual o Mundo vai procurar um consenso para reduzir emissões com efeito no clima após 2012, quando cessa o compromisso de Quioto. Evidentemente que não vai ser fácil, terá de ser partida muita pedra sobre a mesa das negociações. Em Copenhaga estão reunidos representantes técnicos e políticos de 192 países, tendo como objectivo prioritário estabelecer plataformas de responsabilidades mútuas para deixar subir pouco, e depois diminuir mesmo, as emissões dos gases com efeito de estufa (GEE), os maus da fita, são: o óxido nitroso, o metano e o mais famoso de todos, o dióxido de carbono.
Ao aumento da concentração desses gases na atmosfera por acção humana é imputado o aumento médio da temperatura global, a um ritmo e intensidade que o planeta só suportará à custa de grandes alterações de todo o clima e dos sistemas vivos que dele dependem. O dedo da Humanidade está aqui impresso, diz em uníssono a comunidade científica.
Há cerca de duas décadas que a questão começou relutantemente a ser assumida pelos governantes, após o protagonismo encetado por movimentos ambientalistas, depois de estudos científicos múltiplos. A chancela das Nações Unidas às questões climáticas viria, depois, pôr na agenda internacional a emergência de os países acordarem acções destinadas a conter o aumento das temperaturas. As emissões de GEE, sobretudo da indústria e transportes, passaram a estar no centro da procura de compromissos. Mas também outras acções com impacto na atmosfera e restantes sistemas da Terra, como a desflorestação. Os problemas são vários, esperemos que neste período de tempo seja possível atingir os consensos necessários, para que depois do dia 18, o mundo possa ser visto de uma forma mais positiva.

BILLIE HOLIDAY

Billie Holiday - Lover Man

Billie Holiday, My Man

domingo, 6 de dezembro de 2009

UM POEMA...UMA FOTOGRAFIA...



Lentos nos Fomos Esquecendo

Lentos nos fomos esquecendo. Quando
o tempo da velhice nos foi vindo
a tez apareceu amorenada de anos
e afeita ao espírito.
A lavoura sabia aos nossos passos.
Até os desperdícios
iluminavam debilmente o armário
e a penumbra dos rincões escritos.
Mas nós só estávamos
em nos havermos esquecido.
Ou, às vezes, a aura do trabalho
quase fazia com que na mesa o sítio
aparecesse coroado de anos
sobre a mão a mover-se
pelo seu próprio espírito.

Fernando Echevarría, in "Figuras"

[HOMENAGEM AO MEU PRIMO]


Sempre gostei muito desta fotografia, tinha-a guardado nos meus papéis, mas não sei a sua proveniência nem o seu autor.
Esta fotografia tem uma grande expressividade e mostra um velho a indicar algo à criança, a máquina fotográfica, mas pode ter outra interpretação, pode de uma forma geral ser «mostrar a vida». Uma sabedoria que passa ou passava dos velhos para os novos. Actualmente os velhos são marginalizados, apesar de muitos deles se preocuparem muito em aprender sempre, estar a par de tudo que se passa, dedicarem o tempo a fazerem certas coisas, que durante uma vida de trabalho não puderam fazer. Apesar disso são sempre olhados de soslaio, gente que já passou, que está fora do tempo, situação que os marginaliza e lhes dá mais solidão.
Para mim e seguindo o lugar-comum, «velhos são os trapos», eu admiro muito as pessoas idosas e tudo aquilo que elas sabem e têm para dar e conheço pessoas idosas fantásticas. Há no entanto aspectos bastante chocantes, um deles é o peso que representam para muitas famílias e há imensos casos que todos conhecemos, de andarem de casa em casa dos filhos, de irem para um lar (pessoas idosas com pessoas idosas!...) ou então ficarem na sua casa com as suas fragilidades a caminharem para o declínio e sujeitas também às maiores violências. São impressionantes os casos diários de roubos, agressões e até homicídios em pessoas idosas, que vivem sós.


EU QUE DEFENDO TODAS AS CAUSAS HUMANÍSTICAS, TAMBÉM DEFENDO O FIM DA VIOLÊNCIA ÀS PESSOAS IDOSAS, MAS NÃO SEI SE EXISTE UMA ORGANIZAÇÃO/INSTITUIÇÃO, COM ESTE OBJECTIVO.

UM ANO DO BLOGUE «NAS ASAS DA CORUJA» -PARABÉNS!?...



Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande
e querida companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

William Shakespeare

sábado, 5 de dezembro de 2009

PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O JARDIM DOS SUPLÍCIOS - OCTAVE MIRBEAU






















Há um mês que estou metida em casa e a paisagem é esta, de dia e de noite. Não sou «janeleira», mas de vez enquanto preciso de ir à janela, para ver gente. Arranjei uma «história» complicada de uma bronco-pneumonia, mas tudo está a correr bem, embora ainda tenha 2 ou 3 semanas de clausura e tivesse que cortar com o cigarro, JÁ O DEVIA TER FEITO HÁ MUITO MAIS TEMPO. Vou-me entretendo, fechando e abrindo «gavetas» e tenho andado às voltas com os livros, há uns tempos que não pegava tanto nos meus livros.
Ontem e hoje, na diagonal, reli o livro,O Jardim dos Suplícios de Octave Mirbeau, um escritor esquecido, como tantos outros, em tempos de tanto «lixo livreiro».

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

UMA AVENTURA AMOROSA - ÁLVARO DE CAMPOS


Não costumo pôr à arte a canga da sexualidade. Confesso, contudo, que devo a uma obra minha, mas de maneira indirecta, uma aventura amorosa. Foi em Barrow-in-Furness que é um porto na costa ocidental da Inglaterra. Ali, certo dia, depois de um trabalho de arqueação, estava eu sentado sobre uma barrica, num cais abandonado. Acabava de escrever um soneto - elo de uma cadeia de vários - em que o facto de estar sentado nessa barrica era um elemento de construção. Aproximou-se de mim uma rapariga, por assim dizer, - aluna, segundo depois soube, do liceu (High-School) local -, e entrou em conversa comigo. Viu que estava a escrever versos e perguntou-me, como nestas ocasiões se costuma perguntar, se eu escrevia versos. Respondi, como nestes casos se responde, que não. A tarde, segundo a sua obrigação tradicional, caía lenta e suave. Deixei-a cair. É conhecida a índole portuguesa e o carácter propício das horas, independentemente das índoles e dos portugueses. Foi isto uma aventura amorosa? Não chegarei a dizê-lo. Foi uma tarde, num cais longe da Pátria; e hoje é, decerto, uma recordação a ouro fosco. Assim diríamos no «Orpheu»; assim não deixarei d e o dizer agora.
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A vida é extremamente complexa, e os acasos, são, por vezes, necessários. O conto não tem nome, desde o principio. O ouro fosco ficou húmido e a tarde caiu definitivamente.

Álvaro de Campos - Engenheiro Naval e Poeta do «Orpheu» - 1926


[Retirado do livro: ALMAS E ESTRELAS - HORAS ESPIRITUAIS -Arte & Cultura - Porto
Obra composta e impressa na Livraria Editora «Pax», Ldª. na cidade de Braga sob a orientação gráfica e literária de Petrus ]
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Neste livro, que comprei há anos num alfarrabista, pode ainda ler-se:
-A ROSA DE SEDA (FÁBULA) - Fernando Pessoa - 1915
-O BANQUEIRO ANARQUISTA - Fernando Pessoa - 1922
-O MARINHEIRO - drama estático em um quadro - Fernando Pessoa - 1913
-O CONTO DO VIGÁRIO - Narração exacta e comovida do que é o conto do vigário - Fernando Pessoa - 1926
-HISTÓRIA DO MENINO JESUS VERDADEIRO - Alberto Caeiro (1931)
-A PINTURA DO AUTOMÓVEL - Fernando Pessoa
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POSSUO AINDA EDIÇÕES ANTIGAS DE:

-REGRESSO AO SEBASTIANISMO - FERNANDO PESSOA- sem mencionar editora e data, apenas tem como número de tiragem - 156

-APRECIAÇÕES LITERÁRIAS -Bosquejos e Esquemas Críticos - Selecção e notas de Petrus - Colecção Arcádia - Editorial Cultura - Porto

-ENSAIOS POLÍTICOS - Ideias para a Reforma da Política Portuguesa - Edições «Acrópole» - C.E.P.

-ANTOLOGIA A MAÇONARIA, vista por Fernando Pessoa e Norton de Matos - Almagráfica -Porto


(AOS PESSOANOS, SE ASSIM PUDER SER, PEÇO QUE SE CONHECEREM, ME DÊEM INFORMAÇÕES SOBRE ESTES LIVROS, POIS NUNCA OS VI EM MAIS NENHUM LADO!!!!!)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

SIDA

ABRINDO GAVETAS...

(DALI)

O MEU PEQUENO/GRANDE MUNDO!...

Em criança o meu mundo era pequeno, nele cabia a família e alguns amigos da família, no entanto era um mundo sem limites!.. Era um mundo de sonhos, mas sem desejos (por isso não tinha limites). Esse meu mundo era um grande quintal, onde eu fazia a minha jardinagem e brincava com os animais. Este era todo o meu mundo e era um mundo feliz. Além desse mundo eu sabia que havia o centro da cidade, já que vivíamos numa zona calma da periferia. Ao centro da cidade ia, contrariada, quando a minha mãe queria que a acompanhasse e para mim era uma confusão. Sentia-me feliz naquele espaço físico fechado e mais ao menos limitado, se bem que na altura o devia ver muito maior que a realidade! A vida era praticamente sempre a mesma, excepto nos dias de saída com a minha mãe. Estava em casa com a mãe e a empregada, às vezes ainda aparecia uma costureira, para ajeitar alguma roupa e lá ficava eu também a fazer uns vestidos, para as bonecas. A minha irmã, mais velha do que eu 10 anos, ia para o liceu (assim se dizia nessa altura) e o meu pai ia trabalhar, saindo de manhã e só regressando à noite. Depois do jantar conversava-se e ouvia-se rádio, eu e a minha irmã, apesar das diferenças de idade brincávamos e não era raro acabarmos à «chapada». Dormíamos no mesmo quarto, em camas separadas e se íamos para a cama zangadas, eu passado pouco tempo já estava a dizer «deixa-me ir para a tua cama» e tudo ficava bem. Isto foi assim até aos 6 anos, idade em que iniciei os estudos. Lembro-me de muita coisa, que anteriormente descrevi, complementado com as conversas da família. Lembro-me muito bem, que rezava, a minha mãe assim me educou. E lembro-me que pedia a Deus duas coisas: que a minha mãe nunca morresse e que eu nunca crescesse!.. Com a ida para a escola, foi um drama para mim, ficava nas escadas a chorar e todos a dizerem-me que eu tinha que ir para a escola, com a empregada já no passeio à minha espera. Era uma criança muito tímida, nunca falava nas aulas e quando era obrigada a falar ficava «tomatinho encarnado». Aquele pequeno mundo, tão grande para mim tinha-se alargado e só muito gradualmente fui superando os receios. Tinha deixado um estado de pureza, para entrar num de pesquisa. A escola estava dividida, de um lado estavam os rapazes, do outro as raparigas. As minhas maiores humilhações desse tempo foram: um dia, dado a minha vergonha de pedir para ir ao WC, fiz xi-xi nas calças, claro que fui alvo da maior chacota, as raparigas disseram aos rapazes e todos me chamaram uma coisa, que nem é preciso mencionar. Não queria pôr mais os pés na escola, mas lá continuei. Outra situação desagradável, foi ter chamado a um rapaz que era muito mais alto do que os outros, girafa. Ele foi fazer queixa à minha professora e esta obrigou-me a pedir-lhe desculpa, todas as minhas colegas estavam presentes e riram-se bastante. Gradualmente comecei a modificar-me, a vencer a timidez e até a fazer as minhas asneiras, quando estava com colegas/amigas. Provocávamos os rapazes, porque eles nessa altura também se sentiam inibidos com as raparigas. Tudo passou a ser mais divertido para mim, no entanto sempre gostava de regressar ao meu pequeno mundo, àquele mundo onde me sentia bem, a tirar as ervas daninhas aos canteiros e, os caracóis e os lagartos às plantas. Que saudades eu tenho desse pequeno mundo!...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

PINTURA DE PAULA REGO

PAULA REGO



Os críticos consideram que a pintura de Paula Rego reflecte a escola britânica, consequência natural do país onde estudou, mas que há em Paula Rego uma essência simbólica portuguesa, tudo aquilo que foi absorvendo em criança, uma curiosidade que perdura na sua forma de expressão. Hoje Paula Rego tem 70 anos, goza de grande prestígio e foi considerada em Inglaterra, como um dos melhores pintores vivos do mundo. É uma pessoa simples, movendo-se de forma inibida, perante tantos elogios, homenagens e prémios, mas não está cativa a nada, pinta o que lhe apetece, usa a pintura para fazer a sua catharzis. A sua pintura motiva muita reflexão/interpretação. Nos seus quadros nada está ali por acaso, não procura o belo, as personagens são pessoas vulgares, grotescas e rudes. Pessoas de carne e osso, onde destaca com força criativa, os aspectos mais insondáveis da complexidade humana. Os seus quadros transmitem perturbação, emoção, mistério…Numa exposição, não se deixa um quadro de ânimo fácil, para avançar para outro, quantas vezes se retorna, para observar melhor a «história» que é contada e até onde ela quer chegar. O seu olhar o mundo é muito pessoal, uma visão profunda de dissecação e crítica.
A temática das suas pinturas, são uma tomada de posição face ao mundo, são os olhos de uma criança, que dizem o que é mau sem contemplações, como só uma criança pode dizer. Temas como a guerra, o aborto, a igreja, a vida social e familiar e outros, têm sido escalpelados realisticamente.
Pinta as histórias que vai buscar, aos livros, como por exemplo: Triunfo dos Porcos, de George Orwell, a Metamorfose, de Kafka, O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz, As Criadas, de Genet, Nursery Rhymes, baseada em histórias de um livro homónimo, de autor desconhecido, The Children's Crusade e outras.

domingo, 29 de novembro de 2009

AMORE MIO (MARTA SOFIA)...


ACEITEI O DESAFIO DE VÁRIOS BLOGUEIROS

A PROPOSTA É DIZER UM POUCO DE MIM EM 5 PERGUNTAS

1 - EU JÁ...fui muito céptica.
2 - EU NUNCA...vou deixar de acreditar.
3 - EU SEI...que é preciso acreditar.
4 - EU QUERO...acreditar.
5 - EU SONHO...que todos devem acreditar.

NA LUTA PACÍFICA PELA PAZ

OSCAR DA SILVA



Deste mesmo compositor é muita conhecida a sonata «SAUDADE»

sábado, 28 de novembro de 2009


Douglas, Tom e Charlie vinham a arfar pela rua sem sombra.— Tom, conta-me agora a verdade.— Mas qual verdade?— Que foi que aconteceu aos fins felizes?— Estão a dá-los nas matinées dos sábados.— Sim, mas e na vida?— Tudo o que sei é que me sinto bem ao ir para a cama à noite, Doug. É um fim feliz, uma vez ao dia. Na manhã seguinte, acordo e pode ser que as coisas corram mal. Mas basta-me lembrar-me de que à noite irei para a cama e que só por eu estar deitado um bocado tudo ficará bem.— Estou a falar do Sr. Forrester e da Sr.a Loomis.— Não podemos fazer nada; ela está morta.— Bem sei! Mas não achas que houve uma pessoa que cometeu um erro naquilo?— Queres dizer o facto de ele pensar que ela tinha a idade do retrato quando, na verdade, já tinha um milhão de milhões de anos? Não, senhor, acho que estava muito certo!— Muito certo porquê, que diabo?— Nestes últimos dias, o Sr. Forrester contou-me alguma coisa agora, alguma coisa depois e eu acabei por juntar tudo... eh rapaz, o que eu chorei... Nem mesmo sei porquê. Não ia modificar as coisas nem um bocadinho. Se as modificássemos, de que haveríamos nós de falar? De nada. E além disso eu gosto de chorar. Depois de chorar um bom pedaço, é como se fosse manhã outra vez, começo o dia novamente.— Agora já ouvi tudo.— Mas a gente não confessa que gosta de chorar. Ora nós choramos um bocado e logo tudo se compõe. Aí está o teu fim feliz. Ficas em condições de voltar cá para fora e andar outra vez por aí com os outros. E isso é o princípio de sabe-se lá o quê! De modo que agora o Sr. Forrester vai pensar em tudo muito bem e vai ver que não há outro remédio senão um bom choro para depois olhar à sua volta e perceber que é outra vez manhã mesmo que já sejam cinco horas da tarde.— Isso a mim não me parece um fim feliz.— Uma boa noite de sono ou dez minutos de choro ou uma boa dose de gelado de chocolate, ou as três coisas juntas, são bons remédios, Doug. Quem to diz é o Dr. Tom Spaulding.
(Ray Bradbury, in A Cidade Fantástica)

OLÁ PETER PAN!...

Estás a ver, já aqui moras!..Não podias deixar de estar aqui!...

OFÍCIO DE VIVER - CESARE PAVESE



Cesare Pavese, escritor, poeta e militante político, nasceu em 1908 e suicidou-se em 1950. A sua tese de licenciatura versou Walt Whitman e continuou a interessar-se e a publicar estudos sobre literatura norte-americana clássica e contemporânea.

Em 1935, na Itália de Benito Mussolini, foi condenado a três anos de prisão, pelas suas ideias antifascistas. Só nos anos de 1940 conquistou o reconhecimento internacional, como romancista. Os principais temas tratados por este escritor reflectem processos sociais num quadro de convivência entre a cultura rural e a urbana, assim como entre o proletariado e a burguesia. No ano em que se suicidou tinha aderido ao Partido Comunista.

De Cesare Pavese, fui lendo alguns romances, de uma colecção de bolso, que me permitiu conhecer vários escritores e que depois podia dar ou não apetência para aprofundamento de certas obras. Há uns anos atrás investia-se muito mais no livro de bolso, um livrinho ideal, de companhia constante, para ir lendo em qualquer sítio.

De Pavese li: A Guitarra Quebrada ,O Verão e Fogo Grande, mas o livro mais marcante para mim, foi OFÍCIO DE VIVER, um diário póstumo.


Não há dúvida de que é inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante o mundo. Resta saber se não é igualmente inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante nós próprios. Evidentemente. De facto, ninguém se lamentará perante si próprio, a fim de se incitar à piedade, o que nada significaria, dado que a piedade é, por definição, o voluptuoso encontro de dois espíritos. Para quê, então? Não para obter favores, porque o único favor que um espírito pode fazer a si próprio é conceder-se indulgência, e toda a gente percebe quanto é prejudicial que a vontade seja indulgente para com a sua própria e lamentável fraqueza. Resta a hipótese de o fazermos para extrair verdades do nosso coração amolecido pela ternura. Mas a experiência ensina que as verdades surgem apenas em virtude de uma pacata e severa busca, que surpreende a consciência numa atitude inesperada e a vê, como de um filme que parasse de repente, estupefacta, mas não emocionada. Basta, portanto.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O LIVRO DO DESASSOSSEGO - BERNARDO SOARES

Bernando Soares visto por Fernando Pessoa
« Há em Lisboa um pequeno numero de restaurantes ou casas de pasto em que , sobre uma loja com feitio de taberna decente se ergue uma sobreloja com uma feição pesada e caseira de restaurante de villa sem comboios. Nessas sobrelojas, salvo ao domingo pouco frequentadas, é frequente encontrarem-se typos curiosos, cara sem interesse, uma série de apartes na vida.O desejo de socego e a conveniência dos preços levaram-me, em período da minha vida, a ser frequente em uma sobreloja d’essas.Succedia que quando calhava jantar pelas sete horas quasi sempre encontrava um individuo cujo aspecto, não me interessando a principio, pouco a pouco passou a interessar-me.Era um homem que aparentava trinta anos, magro, mais alto que baixo, curvado exageradamente quando sentado, mas menos quando em pé, vestido com um certo desleixo não inteiramente desleixado. Na face pállida e sem interesse de feições um ar de soffrimento não acrescentava interesse, e era diffícil definir que espécie de soffrimento esse ar indicava – parecia indicar vários, privações, angustias, e aquele sofrimento que nasce da indifferença que provem de ter soffrido muito.Jantava sempre pouco, e acabava fumando tabaco de onça. Reparava extraordinariamente para as pessoas que estavam, não suspeitosamente, mas com um interesse especial; mas não as observava como que prescrutando-as, mas como que interessando-se por elas sem querer fixar-lhes as feições ou detalhar-lhes as manifestações de feitio. Foi esse traço curioso que primeiro me deu interesse por ele.Passei a vel-o melhor. Verifiquei que um certo ar de intelligencia animava de certo modo o incerto as suas feições. Mas o abatimento, a estagnação da angustia fria, cobria tão regularmente o seu aspecto que era difícil descortinar outro traço além d’esse.Soube incidentalmente, por um creadro do restaurante, que era empregado de commercio, numa casa alli perto.Um dia houve um acontecimento na rua, por baixo das janellas – uma scena de pugilato entre dois indivíduos. Os que estavam na sobreloja correram às janellas, e eu também, e também o individuo de quem fallo.Troquei com elle uma phrase casual, e elle respondeu no mesmo tom. A sua voz era baça e tremula, como a das creaturas que não esperam nada, porque é perfeitamente inútil esperar. Mas era porventura absurdo dar esse relevo ao meu collega vespertino de restaurante.Não sei porquê, passámos a cumprimentarmo-nos desde esse dia. Um dia qualquer, que nos appoximara talvez a circumstancia absurda de coincidir virmos ambos jantar as nove e meia, entrámos em uma conversa casual. A certa altura elle perguntou-me se eu escrevia. Respondi que sim. Fallei-lhe da revista “Orpheu” que havia pouco apparecera. Elle elogiou-a bastante, e eu então pasmei deveras. Permitti-me observar-lhe que estranhava, porque a arte dos que escrevem a “Orpheu” soe ser para poucos.Elle disse-me que talvez fosse dos poucos. De resto, accrescentou, essa arte não lhe trouxera propriamente novidade: e timidamente observou que, não tendo para onde ir nem que fazer, nem amigos que visitasse, nem interesse em ler livros, soía gastar as suas noites, no seu quarto alugado, escrevendo também. »
Fernando Pessoa

Para ler «O Livro do Desassossego vá ao site.
http://adcliteratura.com.sapo.pt/Livro_do_Desassossego.htm


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ANTONIO SKÁRMETA

Ontem li uma entrevista de Skármeta, que veio a Lisboa e brevemente tenciona ficar nesta cidade uns tempos, para escrever um romance. Nessa entrevista, fatalmente tinha que ser referido o seu livro de grande êxito, O Carteiro de Pablo Neruda.
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-Não o enfastia que, O Carteiro de Pablo Neruda, lhe ande sempre colado?
-Não, que maravilha!?...
-Mas a sua obra é muito maior!
-É, mas O Carteiro está traduzido em 30 idiomas, em muitos países ensina-se nas escolas e universidades, foi levado ao cinema por Michael Radford, foi nomeado para 5 Óscares e foi um sucesso mundial. Tenho um grande amor por este livro, nenhum outro compete, mas sim acompanha-o e agradece. Sobre o Carteiro, vai ser feita uma ópera, para estrear em Setembro de 2010 em Los Angeles, com Plácido Domingo a interpretar Neruda, mas também há uns artistas ingleses, que fizeram um musical com canções do Carteiro. O Carteiro continua a reinventar-se.

Primeiro vi o filme e depois li o livro, considero que neste caso um não desmerece o outro, mas penso que é sempre melhor ver primeiro o filme e depois ler o livro, porque impede a visão imaginativa, sobre personagens, locais, ambientes...que um leitor cria, mas também é de considerar se um livro que é adaptado ao cinema, foi bem conseguido.
Como além do Carteiro, não conheço mais nada deste escritor, fui assim como que «coscuvilhar» a vida dele, no aspecto de escritor e tive surpresas.
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Esteban Antonio Skármeta Branicic nasceu em 1940 em Antofagasta, Chile, descendente de croatas. Skármeta estudou Filosofia e Literatura. Os seus estudos de filosofia foram realizados sob a direcção de Francisco Soler Grima, um filósofo alemão, discípulo de Julián Marías e de José Ortega y Gasset. Seguindo a linha de Soler, interessou-se pelas filosofias de Jean-Paul Sartre, Albert Camus e Martin Heidegger. Graduou-se na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.
Foi membro do Movimento de Acção Popular e Unitária (MAPU). Em 1969 foi premiado em Havana, com o Prémio Casa das Américas, pelo livro de relatos, Desnudo en el tejado.
No ano de 1973 foi professor de literatura na Universidade do Chile, e director teatral. Produziu um filme sobre a Unidade Popular com o director alemão Peter Lilienthal. Devido ao golpe militar no Chile, teve que sair do país em companhia do cineasta Raúl Ruiz. A primeira escala foi a Argentina, onde residiu durante um ano. Foi ali que publicou o seu livro de relatos, Tiro libre. Depois partiu rumo a Alemanha Ocidental onde se dedicou ao cinema. Trabalhou como professor na Academia Alemã de Cinema e Televisão, em Berlim Ocidental.
Na Alemanha escreveu a história de, O Carteiro de Pablo Neruda. Em 1989 regressou ao Chile após o longo exílio de 16 anos.
Em 1994 estreou a versão cinematográfica de, O Carteiro de Pablo Neruda, no Festival de Veneza. O filme dirigido por Michael Radford e protagonizado por Massimo Troisi, obteve cinco indicações para o Óscar.
Em 1996 recebeu o Prémio Internacional de Literatura Bocaccio pelo seu livro, No pasó nada. No ano de 1999 ganhou o Premio Altazor graças à publicação de, La boda del poeta, que também conquistou o Prémio Grinzane Cavour.
Em 2000 foi nomeado Embaixador do Chile na Alemanha, cargo que exerceria até 2003. Nesse mesmo ano, recebeu o Prémio Llibreter pela edição ilustrada do seu relato, La composición. No ano de 2001 recebeu o Prémio Grinzane Cavour pelo livro, La boda del poeta.
Em 2003 obteve o Prémio Unesco de Literatura Infantil e Juvenil em prol da Tolerância, com o livro, La redacción. Em Outubro desse mesmo ano, sob pseudónimo de María Tornés, Antonio Skármeta recebeu o Prémio Planeta, pela obra El baile de la victoria (O Baile da Vitória) e no ano seguinte, pelo mesmo romance, ganhou o Prémio Municipal de Literatura de Santiago do Chile.
Em 2006, recebeu o "Prémio Internazionale Ennio Flaiano" pelo "valor cultural e artístico da sua obra", em particular pelo romance, El baile de la Victoria.

O CARTEIRO DE PABLO NERUDA

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

OUÇAM, VEJAM...É UM ESPECTÁCULO!?...

SNOOPY, PETRUSKA, PRETO...ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO!

O Snoopy, era um rafeiro muito giro, que veio cá para casa, porque o meu filho, quando chegava a altura das prendas e lhe perguntávamos: Pedro o que é que queres de prenda? Ele sempre dizia, um cão! Até que um dia uma amiga mostrou-me uns cãozinhos que tinham nascido e eu apaixonei-me por esta fofura muito branquinha e levei-o comigo. O meu filho delirou, a minha filha, que era mais pequenita teve um certo receio, mas depois já dizia que o cão não era dele, era dela! Este cão viveu connosco 14 anos, fazia férias connosco. Quando íamos para a praia e sempre gostamos de praias muito isoladas, ele era o primeiro a chegar ao mar, adorava também brincar na neve e correr pelo campo, enfim um companheiro ideal para tudo.
Esta gata, está cá em casa há 1o anos, depois do cão ter morrido, o que deu choro geral cá em casa, eu estive numa indecisão, querendo e não querendo outro cão e acabei por ter uma gata, que o meu filho de surpresa trouxe no dia da mãe. A Petruska é um poço de mimo do Papi, onde ele está, está ela e o seu poiso principal é deitada nos joelhos do Papi, a mim está sempre pronta a deitar-me a unha!...


Este gato, que simplesmente se chama PRETO, tem sido uma boa companhia, mas também um prodigioso amigo da «asneirada»!
Tenho este gato há três anos. O meu filho viu-o pequenino na rua, uma rua de grande movimento e levou-o para casa dele e não foi o primeiro! Em casa tinha sempre a janela das traseiras aberta e os que queriam ir à vida, iam. O PRETO nunca foi. Quando o meu filho teve que ir para fora, a Mami teve que ficar com o bichano e o bichano adoptou a Mami. Só que houve bastante reboliço cá em casa, por causa da Petruska, que ficou com um ataque de terror, roncando e bufando de uma maneira, que eu desconhecia completamente. Durante um mês estiveram separados, só se viam através da porta que dá para a lavandaria, depois aos poucos e poucos, fomos tentando juntá-los. Agora vivem juntos, mas a uma distância respeitosa, não são raras as perseguições e a «bofetada» entre eles, sem consequências, claro!
O Preto tem a mania que é «bibelot» e apesar de eu dar com o jornal na parede, para lhe mostrar que não quero que vá para cima dos móveis, ele sai, mas depois volta. Só que às vezes é um grande trapalhão e lá parte alguma coisa.



Outra mania do PRETO, é o computador, principalmente quando estou a teclar. Vem de mansinho, observa e começa a passear na secretária de um lado para o outro, acabando por se deitar em cima do teclado, estragando aquilo que estou a fazer. Ralho com ele, várias vezes até que lá vai ele deitar-se no sofá.


Estes bichanos, acabam por ser muito acarinhados, fazem parte da nossa vida e um dia vamos sentir-lhes bem a falta!..
Cá por casa, por causa dos meus filhos, já passaram pássaros, peixes, hamsters, tartarugas pequeninas e até um coelho.

TERCEIRO SEXO!?...

A Índia motiva-me um misto de fascínio, mistério e receio, pelo que tenho lido sobre este país.
No mundo complexo da Índia há mais de um milhão de hijras, pessoas que cabem nas categorias de transexual, eunuco ou hermafrodita. Precisamente este é o único país que já permite aos cidadãos declarar, por exemplo no passaporte, que o seu sexo é «outro», o «terceiro sexo».

Estas pessoas estavam impedidas de exercer o seu direito de voto e de concorrer a eleições, mas a Comissão Eleitoral acabou por lhes reconhecer esses direitos.
Há situações que eu condeno: marginalizar e estigmatizar pessoas pela sua orientação sexual, mas por outro lado tenho que confessar que considero ridículas exibições da vida privada, que me parecem uma provocação, para uma sociedade, que hipocritamente dizendo-se tolerante, ainda faz muita «chacota» destas situações. Será que eu ainda ando pelas «públicas virtudes, vícios privados»? Mas isto também é uma grande hipocrisia ou resquícios de uma moralidade católica, que parece que lá no fundo ainda vem imiscuir-se no «parecer» e que eu estou sempre a combater.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Viver não é esperar a tempestade passar, é aprender como dançar na chuva!...

ESPELHO - SYLVIA PLATH

(PICASSO)



ESPELHO


Sou prateado e exacto. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo imediatamente
Do jeito que for, desembaçado de amor ou aversão.
Não sou cruel, apenas verdadeiro
-O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
Na maior parte do tempo medito sobre a parede em frente.
Ela é rosa, pontilhada.
Já olhei para ela tanto tempo,
Eu acho que ela é parte do meu coração. Mas ela oscila.
Rostos e escuridão nos separam toda hora.


Agora sou um lago. Uma mulher se dobra sobre mim,
Buscando na minha superfície o que ela realmente é.
Então ela se vira para aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e as reflicto fielmente.
Ela me recompensa com lágrimas e um agitar das mãos.
Sou importante para ela. Ela vem e vai.
A cada manhã é o seu rosto que substitui a escuridão.
Em mim ela afogou uma menina, e em mim uma velha
Se ergue em direcção a ela dia após dia, como um peixe terrível.


MIRROR


I am silver and exact. I have no preconceptions.
Whatever I see I swallow immediately
Just as it is, unmisted by love or dislike.
I am not cruel, just truthful
-The eye of a little god, four cournered.
Most of the time I meditate on the opposite wall.
It is pink, with speckles. I have looked at it so long
I think it is a part of my heart. But it flickers.
Faces and darkness separate us over and over.


Now I am a lake. A woman bends over me,
Searching my reaches for what she really is.
Then she turns to those liars, the candles or the moon.
I see her back, and reflect it faithfully.
She rewards me with tears and an agitation of hands
I am important to her. She comes and goes.
Each morning it is her face that replaces the darkness.
In me she has drowned a young girl, and in me an old woman
Rises toward her day after day, like a terrible fish.

domingo, 22 de novembro de 2009

AINDA A LER LOU ANDREAS-SALOMÉ...

DE: Lou Andreas-Salomé

Il me semble t’avoir attendu
depuis l’enfance
et mes pensées,
dans cette muette attente,
respiraient le défi et la peine.
Tu es venu, et ton pas m’a captivée,
comme vous captive un rêve.
Je t’ai vu, et l’arme m’a doucementé
chappé des mains.
Et lorsque ta voix m’a appelée
la peine et le défi s’en sont allés.
Je t’ai vu, et devant toi
ma nuque raide a plié.
Qui es-tu pour d’une telle puissance
unir mon cœur au tien?
Il me semble que plus d’une nuit
mes pleurs en rêve t’ont appelé.
Tu réveilles, je crois,un écho du pays dans mon cœur,
Je jubile et tremble,comme si j’avais contemplé Dieu.



HINO Á MORTE
No dia em que eu estiver no meu leito de morte
Faísca que se apagou -,
Acaricia ainda uma vez meus cabelos
Com tua mão bem-amada
Antes que devolvam à terra
O que deve voltar à terra,

Pousa sobre minha boca que amaste
Ainda um beijo.
Mas não esqueças: no esquife estrangeiro
Eu só repouso em aparência
Porque em ti minha vida se refugiou
E agora sou toda tua.

sábado, 21 de novembro de 2009

LOU ANDREAS-SALOMÉ

Fizeram-me um desafio, para colaborar num trabalho sobre mulheres fora de série e existem aqueles nomes muito badalados. Acontece que eu fui para a cama a pensar nisso e acabei por adormecer. Acordei às 4 da manhã, o sono não vinha e voltei à minha busca mental, de repente surgiram-me dois nomes: Margarete Buber-Neumann e Lou Andreas-Salomé. Fiquei na cama a dar voltas, até que voltei a adormecer. Logo ao acordar lembrei-me da Lou e depois de ter tomado o pequeno-almoço, fui buscar o livro e com alguns intervalos, estou a passar uma rica tarde com a Lou Andreas-Salomé.


"Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!"
"No mais profundo de si mesmo, o nosso ser
rebela-se em absoluto contra todos os limites.
Os limites físicos são-nos tão insuportáveis quanto
os limites do que nos é psiquicamente possível:
não fazem verdadeiramente parte de nós.
Circunscrevem-nos mais estreitamente do que desejaríamos.
Lou Andréas-Salomé