A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 11 de março de 2010

DOURO INTERNACIONAL-PATRIMÓNIO MUNDIAL

Zona lindíssima de Portugal, há poucos anos descoberta como destino turístico e cujo interesse tem sido crescente. A taxa de ocupação hoteleira, durante o Verão em 2009 foi de 64%, só ultrapassada pela Madeira em 66%.

Ontem li no JN, que apanhados nas teias da burocracia, há projectos turísticos, no valor de milhões de euros, que estão a ficar pelo caminho, pela necessidade de inúmeros pareceres, empurrões entre ministérios e organismos da Administração Central, bem como gavetas fundas onde os processos tardam meses a sair e eu pensei logo, BOM CAMPO PARA A CORRUPÇÃO!...


Estou de acordo com o Chefe da Estrutura de Missão do Douro, Ricardo Magalhães, que diz: é preciso encontrar fórmulas para, não ser violentado o valor cénico da paisagem, nem pôr em causa a actividade económica da região.

Esperemos que não venha a acontecer nesta zona a lamentável situação, que ocorreu no Algarve, mas por outro lado a receita do turismo é importante para o país e isso implica criar infra-estruturas, que sejam cativantes para os turistas, que além de criar riqueza, criam postos de trabalho.



(Estas fotografias não são minhas, foram retiradas da net, mas andar por lá a vadiar, seria um grande prazer...)

quarta-feira, 10 de março de 2010

CLUBE LITERÁRIO DO PORTO


Se nunca foi ao CLUBE LITERÁRIO DO PORTO, vá, que vale a pena! Aí respira-se cultura, só paga o que consumir, um café, um chá, uma bebida...e pode assistir a um debate, a um recital de poesia ou de música, dos géneros mais variados. (Só pode ficar mais caro, se for como eu e se fascinar pelos livros, no CLP a tentação é enorme, mas o dinheiro é sempre bem gasto!...)

c l u b e l i t e r á r i o d o p o r t o aberto de segunda a domingo, das 9h30 à 1h
Rua Nova da Alfândega, 22 4050-430 PORTO Telefone 222 089 228

PARA SABER MAIS SOBRE O CLUBE LITERÁRIO DO PORTO

http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Clube-Literario-do-Porto-nasceu-ha-quatro-anos.rtp&headline=20&visual=9&tm=4&article=276063

OU

AGENDA CULTURAL :http://www.clubeliterariodoporto.co.pt/

EU TIVE UMA SUGESTÃO MUITO AGRADÁVEL, QUE ME PROPORCIONOU VIVER MOMENTOS DE GRANDE RIQUEZA, NÃO SÓ CULTURAL, MAS TAMBÉM EMOCIONAL!...

Clube de Leitores CLP/Edita-me - «Encontro com os autores»

Carla Madureira com a Obra «Retalhos Serenos»
Pedro Branco e Inês Girão com a Obra «Escolhas» (2ª Edição)

Pedro Branco apresenta o seu espectáculo «Encontro»


NOITE
Beija-me as lágrimas na noite
silenciosa
Deixa o teu cheiro pertinho de mim
sossegado.
Tenho este rio na saudade, frágil e
mariposa
Que me queima hoje a alma por todo o
lado.
Minha vida corre-me nas veias e eu
sorrio
Cada nuvem, fértil semente desta terra
que se semeia
Regresso a ti, fujo de todos, fico
perdido no meu rio
E não quero mais nada, adormecido
nesta teia.
Sou um poço escuro que não se vê
Uma flor colorida no peito dos
amantes
Na noite, o tempo passa e nem
sempre se crê
Janela aberta à dor de afinal ser tudo
somo dantes.
Onde está o futuro?
Essa pele feita canteiro, feita muro
Onde me prendo só para me libertar?
Onde está esse momento?
Cravado no passo mais forte do vento
Que na solidão ainda me sabe cantar?
Onde estás tu, mãe?
Que o vazio é tanto também
E os meus olhos, apenas pó?
Onde pára o meu grito?
Esse ardor de morte e maldito
Que não me deixa nunca mais ficar
só?
Vale a pena a cidade, o marinheiro,
A melodia gananciosa?
Se tudo é um acordar compulsivo em
aguaceiro
Onde fica esta lágrima na noite
silenciosa…

PEDRO BRANCO

segunda-feira, 8 de março de 2010

ÓSCARES

Este ano as distribuidoras dos filmes, por cá, não trabalharam de forma eficiente. Quando fui ver o filme, ESTADO DE GUERRA, de Kathryne Bigelow, ainda nem se falava em Óscares! Considerei, que o filme estava bem feito, com a dose certa de suspense, porque se tratava de um filme passado no Iraque, sobre uma brigada de denotação de bombas, portanto motivou-me, de vez enquanto «segurar-me à cadeira», mas também fiquei com a ideia, que era uma boa propaganda ao «soldado heróico e patriótico made USA». Nunca me passou pela cabeça, que seria um filme para ganhar Óscares. Praticamente começou a falar-se de Óscares quando estreou AVATAR, um filme para fazer receita, não só para os adeptos do género, como para os curiosos das novas tecnologias e, como o filme teve muito «marketing», até pensei «vai ganhar». Depois apareceu NAS NUVENS, filme razoável, mas não para óscares, assim como INVICTUS e A SINGLE MAN. PRECIOUS, estreou, mas ainda não tive oportunidade de ver. SACANAS SEM LEI, foi um filme que gostei, mas parece-me ter sido rebuscado. Quanto aos outros nomeados, ainda não estrearam por cá, assim também não posso ajuizar do prémio de melhor actor, Jeff Bridges e a melhor actriz, Sandra Bullock. Relativamente aos filmes estrangeiros, como só vi dois, O PROFETA e O LAÇO BRANCO, não posso pronunciar-me sobre os outros, que estavam a concurso, nem ao que ganhou, EL SECRETO DE SUS OJOS.
KATHRYNE BIGELOW, foi a primeira mulher a ganhar um Óscar, mas outras mulheres já o mereceram há mais tempo, como Sofia Coppola ou Jane Campion.


A CANÇÃO QUE GANHOU O ÓSCAR FOI:



Isto dos óscares é espectáculo, ontem ouvi uma entrevista muito interessante da realizadora, Margarida Gil, na mesma disse:
O CINEMA EUROPEU ESTÁ A PERDER-SE, O CINEMA EM QUE O AUTOR É O ELEMENTO CENTRAL. CINEMA EM QUE SE EXPRIME UMA ARTE ENTRE AS OUTRAS ARTES. ONDE OS REALIZADORES TÊM TOTAL LIBERDADE DE ESCOLHEREM O MODELO QUE QUEREM, COM UMA RAIZ MUITO LIGADA AO QUE LHES É ESPECÍFICO.
A INDÚSTRIA DOS E.U. DEU CABO DE TUDO!?...
CONCORDO EM ABSOLUTO!?...

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER...POESIA


Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.

Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.

Saiu de casa de madrugada;
regressa a casa é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira desengonçada.


Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.


Ferve-lhe o sangue de afogueada;
saltam-lhe os peitos na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.

Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda,
ciranda,
desaustinada;
range o soalho a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.

Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
António Gedeão, in 'Teatro do Mundo'

domingo, 7 de março de 2010

MAHLER É EXALTANTE E DEIXA-ME SEMPRE EXULTANTE



Gustav Mahler (Boémia, 1860 — Viena, 1911) Director de Orquestra e Compositor. O conjunto do seu trabalho artístico é formado basicamente de lieder, 9 sinfonias completas e um poema sinfónico. As sinfonias são as obras que mais se destacam na sua produção artística.
A música de Mahler é bastante pessoal e reflecte muito da personalidade e vida do autor. As suas sinfonias são temáticas e influenciadas pela literatura. São obras complexas, enormes, tanto na duração, quanto na quantidade de músicos necessários para sua execução. Mahler costumava dizer que as suas sinfonias deviam representar o mundo. De maneira parecida com a nona sinfonia de Beethoven, a voz humana é usada nas sinfonias números 2, 3, 4 e 8. A sua sinfonia número 8 requer mais de mil músicos, entre orquestra, solistas e um coral imenso. São peças de alternâncias rápidas e inesperadas de notas altas e baixas, sons fortes e fracos, momentos de tragédia, de triunfo, e de paz, de uma extrema beleza. A orquestração é original e o uso que faz dos instrumentos definem um som mahleriano inconfundível.
A morte é o tema presente na sua obra. Passagens alegres dão lugar a outras trágicas e de desespero, que reflectem a vida atribulada do próprio compositor. Mahler não teve uma infância fácil, o seu pai batia na mãe, viu o irmão querido morrer e os seus pais morreram mais ou menos logo e teve que assumir a condição de chefe da família e ser responsável pelo sustento dos outros irmãos mais novos. Mesmo depois, a vida não foi fácil. O espectro da morte pairava sobre Mahler, sofria de problemas cardíacos, uma das suas filhas morreu com 5 anos, era apaixonado pela esposa, Alma, contudo esta o traía.
Apesar de a tragédia ou a morte estarem sempre presentes, não se pode dizer que a obra de Mahler seja pessimista. De todas as suas sinfonias, apenas uma (a sexta) termina realmente mal, com a morte do herói sinfónico, e mesmo assim, de forma bastante heróica, no melhor estilo das grandes tragédias gregas. Algumas passagens, como o Adagietto da sinfonia n.º 5, ou o tema Alma da sinfonia n.º 6 são muito belas.
Gustav Mahler foi também o prenúncio de uma nova era da história da música, em que as composições passariam a ser atonais. Músicos famosos, dessa nova era, e que lhe sucederam, como Alban Berg e Arnold Schönberg admiravam o músico. Schönberg escreveu sobre Mahler: Em vez de perder-me em palavras, talvez fosse melhor dizer logo: acredito firmemente que Gustav Mahler foi um dos maiores homens e um dos maiores artistas que jamais existiram.
A sinfonia nº. 9, foi considerada por Mahler um poema sinfónico, Das Lied von Der Erde (A Canção da Terra). Existe um certo mistério!...Teria sido por superstição, no caso de outros compositores, a nº.9 era fatal!..Malher compôs a nº.10, mas morreu compondo apenas o 1º. andamento.

UMA HOMENAGEM A GUNTHER ARGLEBE (1933-2010)



Gunther Arglebe iniciou-se aos seis anos no estudo de violino. Aos 12 entrou no Conservatório de Música do Porto na classe de Flauta, passando mais tarde para o curso de Viola. Em 1947, quando se fundou a Orquestra Sinfónica do Porto, passou a integrar a instituição como terceiro flautista, ascendendo rapidamente a líder da secção das flautas. Imbuído pelo sonho de dirigir uma orquestra, foi para Munique, frequentar o curso de Direcção de Orquestras, Ópera e Coros. Em 1962, regressou a Portugal exercendo o cargo director artístico da Orquestra de Câmara Pró-Música do Porto. Criou, mais tarde, na Juventude Musical do Porto, um coro e um grupo de ópera, levando à cena várias obras.Em 1967 foi criado o Círculo Portuense de Ópera.No mesmo ano Arglebe foi nomeado director do Orfeão Universitário do Porto e Maestro sub-director da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional. Foi ainda nomeado Principal Maestro Convidado da Orquestra de Câmara de Wurzburg, com a qual dirigiu os primeiros concertos na Alemanha.Em 1969 aceitou o convite para dirigir a Orquestra Sinfónica do Porto.Em 1992 foi convidado para integrar o projecto Orquestra do Norte ao lado de José Ferreira Lobo. Aqui desempenhou papel fundamental e estruturante, pela sua intervenção enquanto chefe de orquestra e também pela sua dedicação à organização e aconselhamento no plano artístico.
As suas qualidades intelectuais permitiram-lhe um pensamento abrangente sobre a partitura possibilitando-lhe assim uma abordagem profunda das obras cuja direcção tinha entre mãos. As afinidades com o reportório germânico eram evidentes. Este reportório permitiu-lhe trabalhar com rigor formal, muitas vezes austero mas eficaz, resultante da sobriedade, clareza e eficácia do gesto.Na linha dos grandes chefes alemães, o seu estilo interpretativo era sóbrio e de bom gosto. Evidente na fidelização ao texto, ao plano formal da obra, ao equilíbrio dos planos sonoros!A maior parte dos maestros portugueses são generalistas, mas poucos abordaram todos os géneros como Gunther Arglebe, e muito poucos a ópera!
[UMA PESSOA QUE ME HONRA DE TER CONHECIDO, COMO SÓCIA DA JUVENTUDE MUSICAL, COMO FREQUENTADORA ASSÍDUA DE CONCERTOS E PELAS LIGAÇÕES FAMILIARES QUE TENHO COM O CÍRCULO PORTUENSE DE ÓPERA]

sábado, 6 de março de 2010

CDS-PP (PAULO PORTAS)


Segundo PROPOSTA DO CDS-PP (Paulo Portas):
Os gestores públicos devem dar conhecimento detalhado dos seus ganhos, salários, prémios e outra regalias, para tal o Governo deverá enviar um relatório anual ao Parlamento.
Paulo Portas também pretende conseguir a proibição da atribuição de prémios aos gestores públicos em 2010. Disse Portas «este é um ano de grandes sacrifícios. Não faz sentido que as empresas públicas, que até dão prejuízo, paguem bónus e prémios aos gestores públicos»
(Aproveitando a «zaragata», que prolifera por cá, Portas lança uma farpa com uma intenção bem definida – o «povo» gosta!...)

VERDADE - RICARDO REIS (PESSOA)

A verdade é inacessível.

«Os deuses dão a vida e não a verdade.»


Sob a leve tutela
De deuses descuidosos,
Quero gastar as concedidas horas
Desta fadada vida.
Nada podendo contra
O ser que me fizeram,
Desejo ao menos que me haja o Fado
Dado a paz por destino.
Da verdade não quero
Mais que a vida; que os deuses
Dão vida e não verdade, nem talvez
Saibam qual a verdade.

Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994).

sexta-feira, 5 de março de 2010

VERDADE (ALBERTO CAEIRO)

A VERDADE NEGA-SE A SI MESMA, COMO UMA DOENÇA DO PENSAMENTO
«ESTAS VERDADES NÃO SÃO PERFEITAS PORQUE SÃO DITAS, E ANTES DE DITAS, PENSADAS.»
No dia brancamente nublado entristeço quase a medo
E ponho-me a meditar nos problemas que finjo...
Se o homem fosse, como deveria ser,
Não um animal doente, mas o mais perfeito dos animais,
Animal directo e não indirecto,
Devia ser outra a sua forma de encontrar um sentido às coisas,
Outra e verdadeira.
Devia haver adquirido um sentido do «conjunto»;
Um sentido, como ver e ouvir, do «total» das coisas
E não, como temos, um pensamento do «conjunto»;
E não, como temos, uma ideia do «total» das coisas.
E assim — veríamos — não teríamos noção de conjunto ou de total,
Porque o sentido de «total» ou de «conjunto» não seria de um «total» ou de um «conjunto»
Mas da verdadeira Natureza talvez nem todo nem partes.
O único mistério do Universo é o mais e não o menos.
Percebemos demais as coisas — eis o erro e a dúvida.
O que existe transcende para baixo o que julgamos que existe.
A Realidade é apenas real e não pensada.
O Universo não é uma ideia minha.
A minha ideia do Universo é que é uma ideia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos.
A minha ideia da noite é que anoitece por meus olhos.
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.
Assim como falham as palavras quando queremos exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando queremos pensar qualquer realidade.
Mas, como a essência do pensamento não é ser dita, mas ser pensada,
Assim é a essência da realidade o existir, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.
O espelho reflecte certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo.
Estas verdades não são perfeitas porque são ditas,
E antes de ditas, pensadas:
Mas no fundo o que está certo é elas negarem-se a si próprias
Na negação oposta de afirmarem qualquer coisa.
A única afirmação é ser.
E ser o oposto é o que não queria de mim...
1-10-1917
“Poemas Inconjuntos”. Poemas Completos de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.) Lisboa: Presença,

quinta-feira, 4 de março de 2010

QUEM FALA VERDADE?

Sindicato fala em adesão de 80% à greve e Governo aponta 14,1%...PODE SER!?...QUE DISCREPÂNCIA... QUEM FALA VERDADE?

NA COMISSÃO DE ÉTICA DO PARLAMENTO QUEM FALA VERDADE?

( Alguém se divertiu a fazer isto e mandou-me por mail...há sempre alguém que se diverte...no meio de toda esta confusão!...)

MAS QUEM É QUE FALA VERDADE?
SE SOUBEREM DIGAM-ME!...

ÓSCARES...


Na lista dos principais filmes, (actores, realizadores, filme estrangeiro) nomeados para os Óscares 2010, nuitos deles ainda não chegaram a Portugal. Gosto bastante de cinema e gosto de acompanhar o que vai sendo exibido, dentro das minhas referências ou da opinião de pessoas, que se interessam e sabem de cinema. Dentro de poucos dias vamos ter a cerimónia dos óscares, que motiva muito alarido dentro da «indústria americana». Os filmes são seleccionados pela Academia, geralmente grandes produções, que podem não ser os melhores, muitos ficam de fora, porque não estão dentro desse esquema, há mesmos filmes de um cinema americano à margem, muito interessante, feito com poucos meios, mas com ideias muito interessantes. Como espectáculo vejo os oscares, sem entusiasmos por «ganhos ou perdas».
OS CANDIDATOS SÃO:

MELHOR FILME:
Avatar
The Blind Side
District 9
An Education
The Hurt Locker
Sacanas Sem Lei
Precious
A Serious Man
Up Nas Nuvens
(SÓ VI 5, MAS DEVE GANHAR AVATAR!...)
ACTOR PRINCIPAL
Jeff Bridges - Crazy Heart
George Clooney - Nas Nuvens
Colin Firth - A Single Man
Morgan Freeman - Invictus
Jeremy Renner - The Hurt Locker

(APOSTO EM MORGAN FREEMAN)



ACTOR SECUNDÁRIO
Matt Damon - Invictus
Woody Harrelson - The Messenger
Christopher Plummer - The Last Station
Stanley Tucci - The Lovely Bones
Christoph Waltz - Sacanas Sem Lei
(NÃO SEI!...)



ACTRIZ PRINCIPAL
Sandra Bullock - The Blind Side
Helen Mirren - The Last Station
Carey Mulligan - An Education
Gabourey Sidibe - Precious
Meryl Streep - Julie & Julia
(GOSTO DO TRABALHO DE MERYL STREEP E DA HELEN MIRREN)



ACTRIZ SECUNDÁRIA
Penélope Cruz - Nine
Vera Farmiga - Nas Nuvens
Maggie Gyllenhaal - Crazy Heart
Anna Kendrick - Nas Nuvens
Mo'Nique - Precious
(NÃO SEI, A MAIORIA NÃO VI)

MELHOR REALIZADOR
James Cameron - Avatar
Kathryn Bigelow - The Hurt Locker
Quentin Tarantino - Sacanas Sem Lei
Lee Daniels - Precious
Jason Reitman - Nas Nuvens
(COMO REALIZADOR O QUE MAIS APRECIO É O QUENTIN TARANTINO)



FILME ESTRANGEIRO
Ajami - Israel
El Secreto de Sus Ojos - Argentina
The Milk of Sorrow - Peru
Un Prophète - França
The White Ribbon / O Laço Branco - Alemanha
(SÓ VI OS DOIS ÚLTIMOS, GOSTEI DOS DOIS)

A SINGLE MAN


UM HOMEM SINGULAR
REALIZAÇÃO TOM FORD (Primeira obra de um estilista)
INTERPRETAÇÃO: Colin Firth, Julianne Moore…
Adaptação do romance homónimo de Christopher, considerada uma obra seminal da literatura gay. A acção que tem a duração de um dia, decorre em Los Angeles, em plena crise dos mísseis de Cuba e centra-se na figura de um professor de meia-idade que enfrenta uma depressão, devido à morte do seu companheiro de longa data, num acidente de viação.
Por trás de uma fachada de opaca formalidade, George (Colin Firth) é um homem frágil e delicado, para quem a perda do seu amado, é a perda da sua razão de viver.
O filme é uma meditação intimista e sensibilíssima acerca da fragilidade da vida e do espírito humano, que revela um realizador «estilista» em toda a acepção da palavra. Colin Firth, tem uma interpretação cheia de nuances emocionais e está nomeado para um Óscar, tendo já recebido o prémio de interpretação no Festival de Veneza. De assinalar também a excelente banda sonora.


quarta-feira, 3 de março de 2010

NOS JARDINS DO PALÁCIO...

O PALÁCIO, já não existe, mas devido à contestação popular à sua demolição, a designação Palácio de Cristal, tem sobrevivido até ao presente.

O Palácio de Cristal (1865 — 1951), da autoria do arquitecto inglês Thomas Dillen Jones, foi construído em granito, ferro e vidro, tendo o Crystal Palace londrino por modelo. A sua construção iniciou-se em 1861, sendo inaugurado em 1865 pelo rei D. Luís.
Foi concebido para acolher a grande Exposição Internacional do Porto. A Exposição Industrial, para além de contar com a visita oficial do rei D. Luís, de Dona Maria Pia e do príncipe herdeiro, contou ainda com a presença da França, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Brasil, Espanha, Dinamarca, Rússia, Holanda, Turquia, Estados Unidos e Japão.
Em 1933, o edifício e os respectivos jardins foram adquiridos pela Câmara Municipal do Porto. Ao longo dos seus 86 anos de existência, o Palácio de Cristal acolheu muitas outras exposições. O Palácio de Cristal foi ainda um importante espaço de cultura, contendo um órgão de tubos que era dos maiores do mundo. Foi neste palácio que se realizaram importantes concertos do compositor Viana da Mota ou da virtuosa violoncelista Guilhermina Suggia.


O palácio, foi demolido em 1951, em menos de um ano, sendo destruído à martelada o órgão de tubos. Foi construído nesse local uma nave de betão armado, a que foi dado o nome de Pavilhão dos Desportos, segundo projecto do Arquitecto Carlos Loureiro e a pretexto do Campeonato Mundial de Hóquei em Patins, depois foi-lhe dado o nome de Pavilhão Rosa Mota.
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Ontem depois de um almoço de aniversários de uma amiga, fomos dar uma volta nos jardins do palácio.

Avenida das Tílias de Inverno, quando chegar a Primavera, torna-se uma área muito verde e frondosa.

Já aparecem algumas MAGNÓLIAS floridas, que produzem abundantes flores brancas ou rosadas, grandes e perfumadas. É um prenúncio da chegada da Primavera.

Concha acústica, onde no Verão acontecem agradáveis concertos.


O lago, que vai desaparecer, para dar lugar a uma construção, consequência da entrega do Pavilhão Rosa Mota a uma entidade privada. Muitas manifestações contra esta situação, já foram feitas, mas que nada resolveram. O Porto desde que Rui Rio é presidente da Câmara, tem tido transformações, que os portuenses têm contestado. Há um grupo muito activo e é justo referenciar a Drª. Regina Guimarães, sempre à frente de todas as contestações.

Do Palácio têm-se vistas fantásticas do Rio Douro, nesta fotografia vê-se a Ponte da Arrábida.

terça-feira, 2 de março de 2010

ONTEM NUM DIA DE ALGUM SOL E NUVENS, UM PASSEIO ATÉ À RIBEIRA...


O rio Douro subiu muito, do lado do Cais de Gaia, estava rasante...

Do lado da Ribeira/Porto o rio subiu mais de 2 metros, com uma corrente bastante forte...




Inundou o Postigo do Carvão


SINAIS DE FOGO

Ontem vi o novo programa de Miguel de Sousa Tavares, SINAIS DE FOGO, o convidado foi Gonçalo Amaral. Foi confrangedora a entrevista, não se convida ninguém para uma entrevista, para não o deixar falar e foi isso mesmo que o Miguel Sousa Tavares fez. Fazia a pergunta e logo a seguir outra pergunta, sem uma resposta conclusiva. A versão, que MST defende sobre o «caso Maddie» é que houve rapto, os pais não mataram a criança e no livro que Gonçalo Amaral escreveu, baseando-se na investigação, há indícios que isso aconteceu, não que a matassem, mas que tivesse havido um acidente que eles ocultaram. Eu não li o livro, nem tenciono ler, mas fui lendo uns fragmentos na comunicação social. O Miguel Sousa Tavares levou toda a entrevista, a «impor» o que pensava sobre o assunto e não deixou que Gonçalo Amaral pudesse argumentar. Gosto de Sousa Tavares, é frontal, às vezes excessivo, mas neste caso foi muito prepotente.

segunda-feira, 1 de março de 2010

I AM SORRY - MARYLIN MONROE



O meu canal preferido na televisão é o canal 2. Ontem passou um documentário muito interessante sobre Marylin e ouvi esta canção, que me trouxe lembranças boas.
A dúvida persiste, Marylin suicidou-se ou foi-lhe dada a dose fatal que a vitimou? Razões havia muitas, principalmente o seu envolvimento com os irmãos Kennedy!...

STALKING

Depois do carjaking, do bullying, temos o STALKING
(STALKER, caçador furtivo, assediador permanente.)


Stalking – Conjunto de comportamentos de assédio persistente, indesejados pelo alvo desses comportamentos. Podem diferir no grau de intrusividade, envolvendo desde acções mais discretas como telefonar constantemente ou vigiar, assediar pela internet, até actos altamente intimidatórios como perseguição na rua, invasão da propriedade e ameaça de agressão física. Este fenómeno e a «violação doméstica» como forma de vitimação relacional, muitas vezes andam de mãos dadas. São casos de relações que terminaram e que uma das partes não aceitou ou uma fixação obcecada por alguém.
Psicólogos da Universidade do Minho, vão lançar o primeiro estudo sobre este problema, de perseguição física e psicológica, que viola a privacidade de uma pessoa. Marlene Matos, é a coordenadora deste estudo e diz que é necessário estudar este fenómeno para ser criada legislação específica a este crime. Perante a devassa da vida privada, a vítima tem que pedir auxílio às autoridades, à família, aos amigos porque não é normal, nem natural uma pessoa estar a ser perseguida por outra. A lei portuguesa penaliza ofensas à integridade da pessoa, mas de uma forma individual: «violência doméstica», «ameaça», «coacção», «violação do domicilio ou perturbação da vida privada» e «devassa da vida privada».
Efectivamente que eu considero que tem que haver uma penalização, mas mais pertinente deve haver um tratamento psicológico, embora estas pessoas nunca reconheçam que estão doentes.
No campo artístico há imensos casos conhecidos, não só no estrangeiro, mas também por cá, muitos casos em que nem sequer houve uma relação!..

domingo, 28 de fevereiro de 2010

PRECONCEITOS SEMPRE EXISTEM...

Ninguém se diz preconceituoso, mas há ainda muito preconceito!
O amor salta todas as convenções? Ou o afecto cresce se for contrariado? Amores fatais existem? Se existem?!..Amores de «faca e alguidar», surgem todos os dias nos jornais, assassínios e vinganças passionais…incluindo por vezes a morte dos filhos, situações realmente horrorosas. Violência doméstica é uma situação também constante…e o amor? Quem ama? O que possui? O que se deixa subjugar? Raiva, vingança, ódio…No amor há muita irracionalidade, justificada POR AMOR! O amor pode tornar uma pessoa muito alienada e muito irracional!.. Mas isto é o amor?



Derivei, porque o que eu queria era falar de preconceito. Nem sequer me vou referir ao preconceito do amor entre pessoas do mesmo sexo, mas a outros casos onde existe o preconceito.


ALGUNS CASOS REAIS, COM NOMES FICTÍCIOS

Joana e Alfredo. Completamente diferentes em tudo (a física diz que dois corpos opostos se atraem). Joana advogada, Alfredo segurança, viram-se, houve «click» e casaram-se, tendo ela contrariado a vontade dos pais, pelo desequilíbrio financeiro e cultural entre os dois. Todos diziam que o casamento não ia durar, mas tem durado.

João e Maria. Ele paraplégico e com estudos básicos. Ela licenciada. Viram-se e ficaram apaixonados. A família, foi contra o casamento, consideravam que ele tinha muitas limitações e ela ia ter um peso na vida muito grande, mas casaram. Maria diz que para ela existe o João, não a cadeira!

Pedro e Carolina, quando se conheceram ela tinha 16, ele 45 anos. Ele tinha dois filhos mais velhos do que ela. Recusa dos pais nesse casamento, uma recusa assertiva e irrevogável. Foram para o tribunal, pedindo uma avaliação no sentido, de ser analisado se ela teria ou não maturidade suficiente, para se substituir aos pais. O juiz decidiu que sim. Estão casados há 28 anos.

Paulo e Carla. Ela cigana, ele mulato. Namoro às escondidas. Uma cigana nasceu para casar com cigano, misturas são mal vistas. Os ciganos dão muita importância ao que os outros pensam, não só a nível familiar, mas relativamente aos outros ciganos. Quando a família determinou que ela devia casar etnicamente, os dois fugiram. Ele foi apanhado pela família de Carla e ela regressou com a promessa, que a deixavam casar com Paulo. Carla ficou fechada em casa e ele foi ameaçado. Voltaram a fugir, mas para longe, para que o acto ficasse consumado. Paulo acabou por ser aceite pela comunidade, mas não a integra.

José e Luísa. Luísa foi numa missão de voluntariado para Moçambique e conheceu José, estudante de agronomia. Imediatamente se apaixonaram. A associação para qual Luísa trabalhava não achou bem, mandaram-na regressar. Luísa estava grávida, a família não gostou, mas José veio para Portugal. A situação não era boa, não tiveram tempo de se conhecer, ele não tinha visto de residente, nem trabalho, custou-lhe deixar tudo, família, amigos e estudos. Casaram ao fim de um ano e ultrapassaram todos os problemas.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

TERRAMOTO NO CHILE

Sucessivas tragédias naturais têm acontecido em vários países. Hoje liguei o rádio e soube do terramoto no Chile. Os especialistas dizem que um terramoto desta dimensão pode gerar um tsunami destrutivo. Estão em alerta o Chile, Peru, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Antárctida e Japão.
O Governo chileno já decretou o estado de calamidade e o número de vítimas aumenta à medida que as horas passam e que as equipas de socorro trabalham, junto dos escombros. Já foram sentidas, pelo menos, 25 réplicas deste abalo.
Às vítimas o meu pesar e como as palavras nestas situações parecem poucas e inconsistentes fica a música.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

NOVAS CARTAS PORTUGUESAS

Em 1972, foram publicadas “As Novas Cartas Portuguesas”, pelas chamadas três Marias (Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa); a obra foi considerada deletéria ao regime e proibida, na época o Presidente do Conselho, era Marcelo Caetano. Foi aberto um processo contra as autoras, o que as tornou famosas - foram proibidas de sair do país e não podiam ser referidas na imprensa, e só se livrariam do processo após o 25 de Abril de 1974. Os textos foram considerados “imorais” e “pornográficos”, pois retratavam mulheres livres, que questionam a sua identidade e expressam o desejo de mudanças sociais e religiosas. O livro, pode ser considerado o introdutor do pensamento feminista na literatura portuguesa. As mulheres começam a falar sobre o seu corpo, sobre os prazeres e sofrimentos das suas relações carnais, uma postura contra a conservadora sociedade portuguesa. O livro é composto de fragmentos, em prosa e verso e expressa a própria concepção da mulher portuguesa, mas transmitindo uma só mensagem: a mulher também tem voz, e sabe falar.
As três escritoras assinam a obra em conjunto e jamais revelaram qual delas compôs cada fragmento. Vários estudos académicos foram realizados na tentativa de atribuir a autoria dos diversos textos que compõem o livro a partir de sua comparação com as obras literárias posteriormente lançadas pelas autoras individualmente.


Excerto de uma entrevista feita por Maria João Cantinho à escritora Maria Teresa Horta

M.J.C. – Qual o impacto que teve, sobre a sociedade portuguesa e sobre as mulheres portuguesas, em particular, o vosso julgamento, aquando da publicação das “Novas Cartas Portuguesas”?
M.T.H. – Bem, digamos que teve pouquíssimo impacto, a não ser a nível dos escritores, pois na altura havia censura prévia que, implacável, pesava sobre os jornais e jornalistas. Isto quer dizer que qualquer notícia, artigo, reportagem, que dissesse respeito a “Novas Cartas Portuguesas”, eram cortados. A esmagadora maioria das pessoas nem sabia do nosso julgamento. Ao contrário do que acontecia no estrangeiro, onde se falava muito do caso, se faziam manifestações, marchas, acontecendo mesmo a ocupação da embaixada portuguesa na Holanda pelas feministas holandesas.
M.J.C. – Quem foi capaz de as defender?
M.T.H. – Para além dos advogados, os escritores. Não esquecer que sob a capa de um processo por atentado à moral pública, estava evidentemente um processo político. E os escritores portugueses conheciam, sabiam isso.
M.J.C. – Quando inicia a sua luta feminista? Conta, em várias entrevistas, que começou por assistir, em menina, a reuniões de sufragistas. Mas em que momento nasce a feminista?
M.T.H. – Digamos que a feminista nasceu muito cedo. Desde o momento em que, “apesar” de ser uma menina, ou por isso mesmo, comecei, dentro da família, a reclamar, a perguntar, a recusar-me a cumprir determinados papéis, que achava por demais penalizantes, limitativos do meu dia-a-dia. Por isso a família sempre me achou desobediente, difícil. Quando a minha avó me levava com ela às reuniões de mulheres na Casa Jardim, ainda bem mais pequena, recordo-me vagamente das muitas mulheres que, sentadas numa sala, falavam umas com as outras, muito sérias e ardorosas. No fim tomavam chá, davam-me doces e chocolates, que eu mal comia, “bicho do mato”, como me então chamavam. Digamos que foram as minhas “fadas-madrinhas” do feminismo... A Maria Lamas era uma delas, e foi quem me contou, já no fim da sua vida, a importância dessas reuniões, de que eu tão mal me lembrava. Quanto à minha luta feminista activa, digamos assim (nunca me entendi enquanto uma militante nata, mas sim como uma escritora independente), começou no dia em que foi lida a sentença das “Novas Cartas Portuguesas”. Logo depois houve o primeiro encontro para se estruturar o Movimento de Libertação das Mulheres (MLM).
M.J.C. – Houve adesão por parte de quem?
M.T. H. – Ao MLM aderiram, de uma maneira geral, mulheres da média burguesia, entre os vinte e os quarenta anos. Foram tempos difíceis, embora também de grandes entusiasmos. Tínhamos consciência de estar a criar algo de novo em Portugal, um país tradicionalmente machista, particularmente marialva, onde as mulheres continuavam a ser tratadas como seres de segunda e terceira. Pessoalmente, dividia esses meus dias cheios de entusiasmo, entre o meu filho pequeno, a minha escrita e a participação na luta pela libertação das mulheres. Mas, foram também tempos de agressividade e mesmo de violência, que caiu sobre as feministas. Lembro o que aconteceu quando o MLM organizou uma manifestação no Parque Eduardo VII, a única que na altura foi impedida de se realizar pelas centenas de homens que apareceram para a boicotar, apalpando as manifestantes, agredindo-as, insultando-as. O jornal Expresso dera a notícia de que as feministas iam fazer “strip-tease”, e queimar soutiens, o que era totalmente mentira. No entanto, essa é uma ideia que hoje se mantém, apesar de inúmeras vezes desmentida. Houve ainda outras perseguições, que caíram particularmente sobre mim.
M.J.C. – E as perseguições deviam-se a que acusações?
M.T.H. – Acusavam-me de ser exactamente como era. Ou seja, de nunca me calar, de pôr os pontos nos is, de dizer o que as mulheres tinham sido sempre obrigadas a calar. E também, calcule-se, “de ter o descaramento” de fazer poesia erótica, vertente da literatura que mais parece uma coutada literária masculina. Portanto, a que apenas os homens tinham acesso por direito próprio. Por tudo isto, três portugueses, másculos e viris, fizeram-me uma espera, à noite, à porta da minha casa, e espancaram-me, a ponto de ter de dar entrada num hospital.
M.J.C. – A sua carreira literária não sofreu por causa desses acontecimentos? Que consequências teve para si?
M.T.H. – Claro! Foi mesmo a minha carreira literária a mais prejudicava com estes acontecimentos. Os preconceitos sexistas vieram todos ao de cima, e enquanto escritora, enquanto poetisa, comecei a ser marginalizada, esquecida, silenciada, posta de lado. E não nos podemos esquecer que a própria poesia erótica feminina descredibiliza. Aquela que a faz irrita os críticos, incomoda aqueles que impõe “as leis” da escrita, os donos bem-pensantes das múltiplas capelinhas literárias.

BRASIL

Escrevi sobre o Brasil, porque tinha lido recentemente um artigo e, apesar de ter algum conhecimento, sobre a insegurança em que os brasileiros vivem, não sabia que a sua dimensão era tão grande! Infelizmente situações dessas são comuns noutras grandes cidades. O Brasil também é conhecido pelas suas coisas boas, nunca fui lá, mas é um país que me fascina!...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

MARIA VELHA DA COSTA

O romance Myra, da escritora Maria Velho da Costa, ganhou o prémio literário Correntes D' Escritas/Casino da Póvoa. O anúncio foi feito, na sessão de abertura da 11.ª edição do encontro de escritores de expressão ibérica, que até ao próximo sábado vai reunir na Póvoa de Varzim alguns dos melhores autores da actualidade.




Maria Velho da Costa situa-se numa linha de experimentalismo linguístico que renovou a literatura portuguesa na década de 60, destacando-se na sua geração de novelistas pelo virtuosismo com que escreve, associando à transgressão formal um forte diálogo com obras da tradição literária portuguesa desde a Idade Média até à contemporaneidade.
Nos seus livros, o ludismo desse diálogo é transmitido de várias maneiras, desde as citações até ao pastiche paródico de alguns dos seus autores de referência.
A esta extrema riqueza vocabular e estilística, associa temas como o da intimidade infantil, o da linguagem-afectividade e o da condição feminina.
Embora internacionalmente seja mais conhecida como co-autora das NOVAS CARTAS PORTUGUESAS, Maria Velho da Costa é responsável por alguns dos romances mais importantes do actual panorama literário em Portugal, como Maina Mendes, Casas Pardas, ou Missa in Albis.
Prémio Camões 2002 – Prémio Vergílio Ferreira 1997

[NOVAS CARTAS PORTUGUESAS, merece um destaque]

E SE O CRIME ORGANIZADO DOMINASSE O BRASIL?

Este foi o título de um artigo que li sobre a violência no Brasil, cujo lugar mais problemático é o Rio de Janeiro. Também vi filmes, que revelam essa violência, como: Pixote-A lei do mais fraco, Cidade de Deus e Tropa de Elite.
O arsenal existente nas favelas, daria para render o Rio de Janeiro ao poder do crime organizado, se houvesse estratégia para isso.
O crime organizado tomou conta das favelas do Rio de Janiero, onde os traficantes possuem armamento sofisticado que lhes dá um poder superior ao da polícia. Mas as autoridades brasileiras estão dispostas a responder à ameaça, para acabar com tudo o que ponha em causa a segurança do país que vai ser palco do Mundial de Futebol em 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.



É UMA SITUAÇÃO BASTANTE PREOCUPANTE PARA OS BRASILEIROS, A INSEGURANÇA EM QUE VIVEM!?....

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

CINEMATECA NO PORTO...(MALDITO VANDALISMO)

Maria João Seixas, Directora da Cinemateca Portuguesa, visitou a Casa das Artes, onde a Ministra da Cultura prometeu a instalação de um pólo da cinemateca. Depois da visita, a comunicação de Maria João deixou-me revoltada, a casa precisa de uma intervenção devido à degradação em que está. MALDITO VANDALISMO!?...






Fui grande frequentadora da Casa das Artes, quando pertencia à SEC. Vi lá espectáculos inesquecíveis, lembro-me de um bailado, cujo palco foi feito dentro do lago e que o efeito era mágico, com os bailarinos reflectidos na água, numa noite de Verão. De outra vez um grupo de bailado chinês e ainda uma bailarina exótica oriental, para além de concertos de música de câmara. Também foi um local onde levava os meus filhos, para brincarem no jardim que era pouco conhecido e dava uma grande paz de alma. Depois quando abriu a Casa das Artes, (arquitecto Souto Moura-Prémio Secil da Arquitectura 1992) vi lá muito cinema, teatro, exposições e concertos. Este anexo tinha boas infra-estruturas, além de uma sala de cinema, tinha outra onde o TEP, se alojou depois de um incêndio nas suas instalações e, que também servia para conferências, debates, além de outros espaços onde eram feitas exposições.
A SEC acabou há poucos anos por abandonar estas instalações, que passaram para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional – Norte, que de imediato fecharam os jardins. A casa foi vandalizada, através de um portão das traseiras. Não havia vigilância! As autoridades desligam-se das suas responsabilidades e de facto os vândalos, que não têm qualquer noção cívica, rapidamente fazem o seu trabalho de destruição.

O edifício principal da Casa das Artes, onde viviam os Allen, está numa zona «chique» da cidade, onde no Século XIX/XX, viviam as mais abastadas e influentes famílias.
Estas quintas estavam nos limites da cidade e os seus proprietários eram coleccionadores botânicos, nas mesmas há diversas colecções importantes. Por exemplo a casa dos Andresen é hoje o Jardim Botânico da Faculdade de Ciências.

E POR CÁ COMO VAMOS?




A Glorinha Leão do blogue Café com Bolo, referindo-se à situação política que se vive no Brasil, perguntava-me: e aí por Portugal, pelo que li a situação também está muito complicada, não é?
É complicadissimo e maçador de explicar, por isso recorro a um artigo do humorista, Ricardo Araújo Pereira, in VISÃO:



Quando, na semana passada, o PS desafiou a oposição a apresentar uma moção de censura ao Governo, a política portuguesa ficou subitamente mais difícil de compreender. Os nossos políticos, que são pessoas bastante lineares, curiosamente produzem uma política muito complexa. Resumindo, o que se passa é isto: neste momento, Portugal tem um Governo que não se demite mas acha que a oposição devia demiti-lo, e uma oposição que não o demite mas acha que ele devia demitir-se. O primeiro-ministro deseja controlar os jornais, mas não consegue evitar que os jornais o descontrolem. E acusa os jornalistas de fazerem jornalismo de buraco de fechadura quando a porta está, na verdade, escancarada.
Façamos uma história breve do que tem sido o Governo de Portugal nos últimos anos. Primeiro, Durão Barroso saiu, porque foi chamado pela Comissão Europeia. Sócrates não sai mesmo que lhe chamem tudo. Pelo meio, Santana também saiu, mas contra a sua vontade. Um sai porque quer, o outro sai sem querer e o último não sai nem que toda a gente queira. Antes de Durão, já Guterres saíra, porque tinha coisas combinadas e o Governo do País atrapalhava-lhe a agenda. Dos últimos quatro primeiros-ministros, só 50% quis manter-se no lugar, facto que imediatamente os torna suspeitos.
O actual Governo está mergulhado em escândalos de vários tipos. Quem pode fazê-lo cair é o grupo parlamentar do PSD onde se encontra, por exemplo, António Preto, mergulhado em escândalos de vários tipos. Ou o Presidente da República, Cavaco Silva, cujos amigos e membros dos seus anteriores governos se encontram envolvidos em escândalos de vários tipos. O eleitor está em casa um pouco confuso, e com razão: é difícil optar entre tantos escândalos. Qual dos envolvidos em escândalos é o mais indicado para livrar o País destes escândalos? Eis uma questão difícil.
Bom, sou capaz de me ter deixado levar pelo ambiente de suspeição que temos vivido. Vistas friamente, as acusações ao primeiro-ministro acabam por ser frágeis. É difícil sustentar que Sócrates quer acabar com a comunicação social quando verificamos que foi ele quem mais fez, nos últimos tempos, pela leitura de jornais. Para sermos justos, teremos de reconhecer que Sócrates acabou com os jornais, sim, mas nas bancas. Acabou com eles porque, por sua causa, a edição esgotou-se e teve de se fazer outra.
Quem, no meio de tudo isto, poderá conduzir o País? Quem nunca esteve envolvido num caso obscuro, nunca teve cargos de responsabilidade em governos desastrosos, nunca recebeu dinheiro de Manuel Godinho? É possível que exista alguém que corresponda a este perfil, mas terá certamente menos de 10 anos. E colocar um menor de 10 anos no Governo do País poderá ter consequências trágicas: o País ficaria de certeza sem rumo, com o desemprego elevadíssimo, e manietado por uma crise profunda. Nem quero imaginar o que poderia acontecer.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

OS VAMPIROS - ZECA AFONSO

O ESCAFRANDO E A BORBOLETA

Um filme extremamente triste e depressivo, mas também com muita poesia e lirismo. O maior destaque deste filme é a excelente direcção de Julian Schnabel.

Grande parte do filme é mostrada em câmara subjectiva na perspectiva do protagonista através do seu olho, o que só aumenta o nível de realismo e torna o filme ainda mais dramático e melancólico. O realizador, apresenta ao espectador um festival de belas imagens, planos, enquadramentos e movimentos de câmara muito criativos, como por exemplo as cenas em que Jean usa a imaginação para tentar esquecer a sua terrível condição, o lado mais poético do filme.
Baseia-se numa história real, Jean-Dominique Bauby, sofreu um acidente vascular cerebral que o paralisou, só consegue exprimir-se através de um dos olhos, mas ouve tudo. Através desse olho, escreve um livro autobiográfico, passando uma mensagem de uma esperança ponderosa.
Globo de Ouro, de melhor realização, em Cannes-2007.



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O director artístico da casa da Música, António Jorge Pacheco, foi um dos três especialistas internacionais convidados pel Ministério da Cultura flamenga, na Bélgica, para integrarem um júri de avaliação do programa de subsídios às Artes do Espectáculo para o período 2011-15.

A TERAPIA DO ELOGIO


Neste campo de flores, todas são iguais e todas são diferentes!... Como podemos escolher a mais bonita? Não podemos! Penso nas pessoas como se fossem um campo de flores, todas iguais, todas diferentes, todas «bonitas», depois é preciso conhecer as suas especificidades, umas podem ter mais cheiro, outras menos, outras pétalas mais suaves, outras não...e daí fazemos o nosso ramo, de acordo com o que somos. Depois é preciso tratar bem as nossas flores (até as flores e plantas precisam de elogios).
Na realidade, socialmente confrontamos-nos com invejas, hipocrisias e cinismos. A pior inveja até nem é do que nós temos, é do que nós somos. A hipocrisia é sempre uma tentativa de nos atirar fumo para os olhos. O cinismo é dizer algo, inversamente à verdade. Encontra-se isso, entre colegas, amigos e até mesmo na família. Há tempos li um artigo sobre a terapia do elogio. O elogio pode ser muito positivo para qualquer pessoa, se não for envolvido em inveja, hipocrisia e cinismo. O elogio sincero faz-nos crescer, mas geralmente as pessoas são parcas em elogios, em reconhecer qualquer tipo de mérito numa pessoa, porque isso é reconhecer na mesma alguma superioridade. São mais apressados na censura, que revela a pretensão de superioridade dessas mesmas pessoas. Quando comecei a crescer, comecei também a ver esses sinais e com os anos esses sinais tornaram-se mais evidentes. Mas esta sabedoria que a vida nos pode dar é descompensada pela vontade e necessidade de viver para os outros, acreditando e isso torna-nos vulneráveis, às vezes mesmo objectos dos outros, com aquela sensação de incómodo perante a vida. Ser marginalizada, ser usado é um peso que podemos carregar arfando, sem ninguém ver. Eu própria já cometi os meus erros, evidentemente.
Cultivemos a terapia do elogio sincero, saibamos reconhecer que vivemos para os outros, que sós nada somos!...Apeteceu-me escrever isto, podem opinar, como quiserem!...