A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sexta-feira, 21 de maio de 2010

JÁ APETECE PRAIA...

Que onda de calor veio assim de repente… 30º! Na semana passada, quase se batia o dente! Para domingo o IM anuncia chuva, que tempo de doidos! Vivendo muito perto do mar, ontem vesti o fato de banho e fui à praia. Primeiro estive na esplanada, depois apeteceu-me ir até à areia, ainda fui até à água, mas a temperatura da água parecia estar a 0º! Deitei-me para ler, de um momento para o outro o vento Leste que já se fazia sentir alguma coisa, foi aumentando, aumentando, que tive que me vir embora, enfim já tinha aquela areia fininha por tudo quanto era sítio, colava-se à cara e ao corpo, alojava-se dentro das orelhas! Quando cheguei a casa perguntaram-me: que tal a praia? Apanhei um rico banho de areia!..De tarde parou o vento e estava um calorão!
Gosto de praia, adoro o mar desde miúda e vou aproveitando por aqui, antes de chegar o tempo das «Invasões Bárbaras»! Ir para a praia e quase colar a minha toalha à dos parceiros do lado, ir dar um mergulho e querer regressar e, naquela imensidão de gente não saber onde é o meu sítio, levar um livro para ler e não me conseguir concentrar com a conversa ao lado ou com alguém sempre a chamar por uma criança…não, assim não!.. Gostando muito de praia, prefiro nem ir à praia!
Contrariando às vezes quem me acompanha, sou capaz de andar um bom pedaço para ir para uma praia menos acessível, mas depois lá vêem as queixas: apetecia-me tomar um café, comer um gelado…não há aqui nada!..E lá me chamam ESQUISITA!..
Há pessoas que gostam de se levantar cedo para ir para a praia, como se tivessem relógio de ponto, de estar horas e horas na praia, até o dia todo, de levarem a «mobília» (guarda-sol, tapa vento, cadeiras…) atrás de si…não, as minhas idas à praia, têm uma duração limitada. Chego à praia vou até ao mar, as águas por aqui são frias é preciso preparar o corpo, para poder dar um mergulho, assim passeio de um lado para o outro, vou-me molhando, demoro o tempo que for necessário, até conseguir dar um mergulho, dois ou três…e nadar. Depois é que vou para a toalha, para secar. Depois de seca venho embora! O sol cansa-me, o que desejo é vir tomar um duche e, ficar a relaxar!..

quinta-feira, 20 de maio de 2010

VOILÁ! C'EST PARIS!?...


Quando um sonho é persistente, não há nada a fazer!...Penso que de uma maneira ou de outra se vai concretizar. O meu desejo de ir a Paris, era uma ideia fixa e contra ventos e marés um dia decidimos: é este ano. Numa altura de falta de divisas, lá conseguimos pedindo a um pedindo a outro, juntar algumas. A ideia era ir a uma agência de viagens, mas antes disso, aconteceu o inesperado! Um dia chego a casa à hora do almoço, subo no elevador, contorno o patamar e vejo a porta da minha casa escancarada e o chão cheio de farripas de madeira. Desci logo e fui ao merceeiro pedir ajuda. «Ó Sr. Manuel assaltaram-me a casa, tenho medo de entrar». O Sr. Manuel foi buscar uma pistola e lá fomos. Antes de entrar o Sr. Manuel deu dois tiros para o ar, só que a pistola era de alarme, só fazia barulho. Pum, pum e em cada divisão que entrava era pum, pum…
Na casa já não estava ninguém, mas eu tinha a casa toda virada do avesso, as roupas pelo chão, tudo que era gavetas, andava pelo chão, nenhum sítio foi poupado e claro o cofre onde guardávamos as divisas tinha voado, mais umas pequenas jóias…enfim foi uma razia!
Veio a polícia, veio a judiciária para tirar as impressões digitais e muito mais tarde o meu marido foi convocado a ir à polícia. Tinham apanhado o ladrão, que tinha praticado na zona uma série de assaltos, era comum nessa altura. O cenário, que o meu marido encontrou: um homem bastante novo, com a mulher em pranto e com um bebé ao colo e os lesados presentes resolveram perdoar.
O dinheiro é que se foi, viagem em risco, até que dissemos, vamos e vamos mesmo! E assim foi, fomos de carro e com tenda, quando pensávamos ir de avião e para um hotel. O ir de carro nem foi assim tão mau, porque acabamos por conhecer o norte de Espanha, a zona norte francesa e depois viemos pelo sul de França.

Antes de ir a Paris, eu já amava Paris! Os livros, as pinturas, os filmes, as canções, alguma cultura francesa que fui adquirindo, inclusive o estudo que se fazia por cá da língua, porque nessa altura o francês era prioritário e o inglês nem tanto.
Quando fui a Paris, fui em busca de um tempo perdido…Maio de 68 tinha sido há 10 anos, as caveaux existencialistas onde Greco cantava, já não tinham aquela mística e também não encontrei Sartre e Beauvoir no seu Cafe de Flore,


nem os grandes pintores em Montmartre…No entanto a cidade a preto e branco dos filmes da nouvelle vague, de Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol e Eric Rohmer …surpreendeu-me, porque encontrei uma cidade esplendorosa, de uma luminosidade intensa e de um requinte incomparável. Largas avenidas, edifícios deslumbrantes, gente afável e charmosa, embora o francês seja dito de snob! Que maravilha era passear pelas ruas e avenidas, pelos Champs Elysèes, pelas Tuileries, pelos Jardins du Luxemburg e ir observando as pessoas! Só calcorreando muito se pode apreciar!
Evidentemente que eu fui fazer o corrupio turístico habitual: Louvre, Orsay, Museu do Homem, Grevin, Rodin, Hotel d'Ville, Grand e Petit Palais, Iglesi La madelaine, Obelisco, Invalides, Pantheon, Torre Eifell, Arco do Triunfo, Notre-Dame, Sacre-Coeur, Sorbonne, Opera («maravilhas maravilhosas», já muito referidas!)…e o Centro George Pompidou, um sítio de cultura imprescindível. O edifício é espantoso, feito em tubos e com uma escada rolante panorâmica, que nos levou até ao topo e de onde se tinha uma perspectiva de toda a vastidão da cidade.

Aí existiam exposições internacionais variadas de vanguarda e, no exterior assistia-se a «performances», muito interessantes, eu passei algum tempo a deambular por lá.
Foram dias vividos até ao esgotamento, onde depois se tentava descansar um pouco no Bosque de Bolonha, onde se situava o parque de campismo, o que não era fácil! Era povoado por gente muito nova, de todas as partes do mundo, bebiam uns copos e estavam a cantar e a tocar até de madrugada!
Fui também a Pigalle, Moulin Rouge, mas não encontrei Toulouse-Lautrec! Um dia, depois de um lauto jantar que nos ofereceram, (amigos, também nos «salvam»), decidiram levar-nos à famosa Rue S.Denis, a rua da prostituição. Nessa altura era obrigatório para os «bacocos», as camionetas de turismo passavam por lá, elas colocavam-se ali, ao lado umas às outras, com casaco de pele, que depois abriam, para mostrar o seu vestuário reduzido. O meu companheiro teve vários convites e eu depois, de ter bebido whisky, vinho e champanhe, tudo me fazia rir, estava numa de sem saber onde estava, a levitar!...


Maravilhoso para mim, pelas perspectivas que oferece, foi um passeio no «bateau-mouche» no rio Sena, esse rio de tantas histórias…Esse passeio foi feito ao pôr-do-sol e em Paris o pôr-do-sol é muito cedo. Boa perspectiva da cidade e lá passamos pelas 33 pontes (não sei se agora tem mais), destacando a belíssima ponte Alexandre III e a Pont Neuf, a mais antiga das pontes que cruzam o rio Sena, embora se chame nova.

Perto de Paris, existe algo realmente imperdível, refiro-me a Versalhes, ao mundo criado pelo Rei Sol, Luís XIV.

O Palácio (a sala dos espelhos é esplendorosa), Le Petit Trianon, os jardins, foi das coisas mais estupendas que eu vi até hoje.
SEM PALAVRAS!

A CRISE!?...

UMA QUESTÃO DE SAÚDE


O "contrariado, mas promulgo por causa da crise" de Cavaco Silva já faz escola. A crise tem as costas largas, dá para justificar tudo e um par de botas.
"Penso uma coisa e faço outra? A culpa é da crise." "Disse ontem uma coisa e hoje digo outra? A culpa é da crise." "Prometi e não cumpro? A culpa é da crise."
Foi com a crise que Passos Coelho justificou, derramando-se em "desculpas aos portugueses", a mãozinha dada "ao país" e ao aumento de impostos que, ainda há pouco mais de um mês, em campanha para a liderança do PSD, liminarmente rejeitava (não cumprir promessas eleitorais também é escola em Portugal).
Ontem foi o perplexo Miguel Relvas, secretário-geral do mesmo PSD: "O Governo não soube gerir o país"; "o Governo foi alertado para o descontrolo do défice e derrapagem da despesa pública, mas preferiu irresponsavelmente ignorar"; "o PSD exige transparência ao Governo"; "o Governo merece ser censurado".
Apesar disso, o PSD não votará a moção de censura do PCP. Por causa da crise. A crise tornou-se uma questão de saúde pública; já não afecta só o Orçamento, afecta também a coluna vertebral.


JORNAL DE NOTÍCIAS -

quarta-feira, 19 de maio de 2010

NÃO SOU TOLERANTE!..

NÃO SOU TOLERANTE!...
SER TOLERANTE É UMA PALAVRA QUE ME INCOMODA, PARECE QUE SOU TOLERANTE, PORQUE SOU SUPERIOR! EU NÃO SOU TOLERANTE, EU ACEITO OU NÃO ACEITO!...

A PROPÓSITO DA TOLERÂNCIA VEIO ATÉ MIM UM QUESTIONÁRIO.

-Acha bem que, movimentos neonazis tenham liberdade de expressão e de manifestação?
-Os sites pedófilos devem ser proibidos?
-Mein Kampf pode ser livro do dia nas Feiras do Livro?
-Considera aceitável a interdição em Israel de se tocar Wagner?
-Os programas de astrologia deviam ser banidos da televisão?
-Concorda com a decisão do governo espanhol de proibir o jornal de língua basca Egunkaria com o argumento de que apoio o terrorismo?
-Acha bem que o Catolicismo tenha um tratamento de primazia, relativamente a outras religiões?
-E as anedotas racistas e sexistas, deviam acabar?
-O direito à informação, quando colide com o direito ao bom nome deve ser penalizado?
-A liberdade de expressão deve ter regras?


Cada resposta SIM vale 1 ponto.
10 – Parabéns! Você é tão tolerante que já não é uma pessoa, mas uma geleia com corante de banana.
5 a 10 – Você tem dúvidas e isso é bom. Vale a pena ir tomar um café consigo.
0 a 4 – Pronto, já sabemos que se mandasse ia tudo preso!


ESTE INQUÉRITO É CONTRADITÓRIO, IMPOSSÍVEL RESPONDER A TUDO SIM OU A TUDO NÃO…ACABA-SE SEMPRE POR IR TOMAR UM CAFÉ!...O QUE ATÉ É AGRADÁVEL, PORQUE ISTO DE TER IDEIAS FEITAS NÃO INTERESSA NADA, ISSO É PARA AQUELAS SUMIDADES QUE NUNCA SE INTERROGAM E PARECEM DONOS DA VERDADE, TAMBÉM HÁ MUITO DISSO!...


SER GELEIA COM CORANTE DE BANANA, É UMA MANEIRA MUITO PRÁTICA DE NÃO SE INCOMODAR…ESTÁ TUDO BEM, MAS NÃO ESTÁ TUDO BEM, TEM QUE HAVER REGRAS ENTRE O ACEITÁVEL E O INACEITÁVEL!...

Nesta questão de tolerância há muita hipocrisia!...Eu também me debato muito com as questões de tolerância! Há questões que me deixam grandes interrogações!


Em Mirandela, uma professora do ensino básico, posou nua para a revista Playboy, contracenando com outra mulher. Uma colega denunciou-a (as mulheres são um mimo para estas coisas), a população teve conhecimento e adquiriu a revista, que nunca teve tantas vendas naquela localidade. Espalhou-se pela cidade, através de fotocópias e fotografias tiradas por telemóvel e, que já andam nas mãos dos próprios miúdos. Os pais protestaram. A contratação foi feita pelo município e o director da escola, pediu que fossem tomadas medidas, já que considerava incompatível para professora, uma pessoa que aparece nesse género de revista, porque será uma educadora nociva. O Município, acabou por afastar a professora para os arquivos, até finalizar o seu contrato.
Hoje em dia sou confrontada com situações complexas, as pessoas são livres de fazer da sua vida aquilo que querem, mas penso que tem que haver regras, embora neste país apesar de existirem regras, muitas não são cumpridas! Evidentemente que já há correntes de opinião a favor e contra a professora, uns dizem que posar nua, não lhe tira o mérito de ser boa professora (uns até escreveriam «boa», entre aspas) e outros não pode ser, como é que uma pessoa assim se dá ao respeito! Penso que ter dúvidas não é mau, já que permite uma certa reflexão!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

BLOGAGEM COLORIDA

DEPOIS DESTA MINHA PRIMEIRA BLOGAGEM COLECTIVA, DE QUE TIVE IMENSO PRAZER EM PARTICIPAR, DESEJO QUE OUTRAS IDEIAS SURJAM, MOTIVADORAS DE CRIATIVIDADE, DE PARTILHA DE CONHECIMENTOS DE IDEIAS E DE SONHOS E, QUE ESTE CONTACTO SE VÁ MANTENDO.

A IDEIA DA AÇUTI, [ http://acutivapuacu.blogspot.com/] FOI ÓPTIMA, COMO FOI ÓPTIMO TODO O ENTUSIASMO QUE A GLORINHA [http://cafecomglorinha.blogspot.com/] DEU PARA QUE A IDEIA SE CONCRETIZASSE E ÀS DUAS MUITO AGRADEÇO. OS MEUS AGRADECIMENTOS OBVIAMENTE TAMBÉM SÃO EXTENSIVOS ÀS PESSOAS QUE ME DEIXARAM COMENTÁRIOS, COM TANTA TERNURA E SIMPATIA!

O MEU MUITO OBRIGADA!...

PARA SELAR ESTA BLOGAGEM, SÓ ME RESTA PUBLICAR OS DOIS SELOS QUE A CÍNTIA DO BLOGUE, [http://cantinhodabarbiegirl.blogspot.com/] ,FEZ , COM TODA A SUA CRIATIVIDADE E TERNURA.


BRANCO - BLOGAGEM COLORIDA

Branco é tanta coisa!…

Brancos são os flocos de neve caindo nos lábios…

e ao meu pensamento bem aquele poema pungente do Augusto Gil
BALADA DA NEVE
.
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
.
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria….
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
.
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
.
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…
.
E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…
.
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…
.
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim,
fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

Branco é o cheiro dos lírios do campo…
«Olhai os lírios do Campo» de Erico Veríssimo

“Se todos no mundo dessem o que lhes sobram, cada um teria o necessário”.
Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época. Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?
É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.
Há na terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços.
É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência, e sim com as do amor e da persuasão.
Quando falo em conquistas, quero dizer a conquista duma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação.
(Érico Veríssimo, Olhai os Lírios do Campo)

Brancas são as asas da pomba da Paz e como apetecia deslizar os dedos pelas suas penas…


PAZ, lembra-me logo a ODE À ALEGRIA, poema de Schiller, que Beethoven, utilizou no Quarto Andamento da sua NONA SINFONIA

Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais agradável
E cheio de alegria!

Alegria, mais belo fulgor divino,
Filha de Eliseu,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Teus encantos unem novamente
O que o rigor da moda separou.
Todos os homens se irmanam
Onde pairar teu voo suave.
A quem a boa sorte tenha favorecido
De ser amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma doce companheira
Rejubile-se connosco!
Sim, também aquele que apenas uma alma,
possa chamar de sua sobre a Terra.
Mas quem nunca o tenha podido
Livre de seu pranto esta Aliança!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos dá beijos e as vinhas
Um amigo provado até a morte;
A volúpia foi concedida ao verme
E o Querubim está diante de Deus!

Alegres, como voam seus sóis
Através da esplêndida abóbada celeste
Sigam irmãos sua rota
Gozosos como o herói para a vitória.

Abracem-se milhões de seres!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos! Sobre a abóbada estrelada
Deve morar o Pai Amado.
Vos prosternais, Multidões?
Mundo, pressentes ao Criador?
Buscais além da abóbada estrelada!
Sobre as estrelas Ele deve morar.

Branco é o primeiro grito do recém-nascido…

Branco é o esvoaçar da bailarina…


Brancos são os anjos que encontramos na vida e nos enchem de magia…

(Imagem: Asas de Desejo um filme inesquecível de Win Wenders)
BRANCA, é aquela nostalgia, que guardamos no íntimo, e só nós conhecemos ou o tempo nos vem a lembrar…
O menino pobre, que chegou ao zénite do poder e da riqueza e antes de morrer, pronuncia uma palavra enigmática: ROSEBUD! Um pequeno trenó da sua infância perdida… (CITIZEN KANE -O MUNDO A SEUS PÉS-ORSON WELLES)


CAROS COMPANHEIROS DE BLOGAGEM COLECTIVA, O BRANCO LEVOU-ME PARA TEMAS MAIS SENTIMENTAIS… MAS A REALIDADE EM SÍNTESE, QUE MAIS DESEJAMOS, É VIVER NUM MUNDO MELHOR E EM PAZ!
BLOGAGEM COLECTIVA «COLORINDO A VIDA» IDEIA CONJUNTA DOS BLOGUES: http://cafecomglorinha.blogspot.com/ e http://acutivapuacu.blogspot.com/

domingo, 16 de maio de 2010

«PAU-DE-CABELEIRA»


Anda por aqui uma senhora, discreta e silenciosa, como é do seu timbre, que às vezes vai deixando pequenos comentários. É uma pessoa muito ligada a mim, a quem eu chamava mãe de brincadeira e, que o tem sido há muitos anos, em circunstâncias mais difíceis da minha vida. Não tem idade para ser minha mãe, mas com uma diferença de 10 anos, eu ainda era uma criança e ela já era uma mulher. Namorava e eu ainda era uma criança e fui «pau-de-cabeleira», como se dizia, o que quer dizer que para onde fosse tinha que me levar. Que grande frete devia ser, andar sempre com a catraia às voltas! E para o namorado é que devia ser uma decepção!?.. Antes era assim, mandava-se a criança, porque à frente de uma criança não iam fazer certas coisas! Mas o que faziam ou não faziam, não me interessava absolutamente nada. Para mim era muito bom, ia tendo uns chocolates, uns livrinhos, assim umas «coisitas» que o namorado dela me dava! Além disso passeava, ia ao cinema, ia lanchar, maravilha! Não me lembro mesmo nada se havia interrogatórios por parte da minha mãe ou se eu dizia alguma coisa. Quase tenho a certeza que não, porque as queixas em casa é que eu não contava nada. Ia ao passeio da escola, ia a casa de alguém, perguntavam sobre isto e mais aquilo e eu não dizia nada, depois acabava por dizer quando me apetecia! Perguntas simples, do género o que lanchaste, o que eu tinha visto em passeio e, eu lacónica, até que se cansavam de usar o saca-rolhas! Parece-me ter sido um «pau de cabeleira» acessível e devo-lhe muitas experiências novas que então vivi.

DIGA LÁ MINHA IRMÃ, TEM ALGUMA COISA CONTRA O SEU PAU DE CABELEIRA?

sábado, 15 de maio de 2010

ROCK YOU NOW!...

Ontem à noite fui cair no Coliseu no «Rock you now», concerto encenado, melhor dizendo um Music-Hall».
Coliseu, o maior palco da cidade do Porto, onde já vi de tudo, desde grandes cantores portugueses, a estrangeiros de todos os cantos do mundo, às grandes companhias de ballet de Cuba, Espanha, Bolchoi, incluindo as danças típicas russas e também grandes óperas e circo. Há anos a Igreja do Reino Universal, quis comprar o Coliseu e os portuenses uniram-se em luta, contra essa barbaridade.

Alguém da minha família, queria ir com companhia e comprou um camarote e eu só aceitei o convite! A causa era boa, apoiar um grupo de jovens, que cantavam, dançavam e representavam e eram acompanhados por uma banda. Tudo se baseava no Freddie Mercury e na sua banda os QUEEN e por lá desfilaram músicas marcantes, como:
We will rock you
Bohemian Rapsody
Somebody to love
Radio Ga-ga
Under Pressure
E outras, claro!... Músicas que ouvi muito…e sempre gosto de relembrar, como esta:





sexta-feira, 14 de maio de 2010

O HOMEM (SOFHIA MELLO ANDRESEN)

O HOMEM

Era uma tarde do fim de Novembro, já sem nenhum Outono.
A cidade erguia as suas paredes de pedras escuras. O céu estava alto, desolado, cor de frio. Os homens caminhavam empurrando-se uns aos outros nos passeios. Os carros passavam depressa.
Deviam ser quatro horas da tarde de um dia sem sol nem chuva.
Havia muita gente na rua naquele dia. Eu caminhava no passeio, depressa. A certa altura encontrei-me atrás de um homem muito pobremente vestido que levava ao colo uma criança loira, uma daquelas crianças cuja beleza quase não se pode descrever. É a beleza de uma madrugada de Verão, a beleza de uma rosa, a beleza do orvalho, unidas à incrível beleza de uma inocência humana.
Instintivamente o meu olhar ficou um momento preso na cara da criança. Mas o homem caminhava muito devagar e eu, levada pelo movimento da cidade, passei à sua frente. Mas ao passar voltei a cabeça para trás para ver mais uma vez a criança.
Foi então que vi o homem. Imediatamente parei. Era um homem extraordinariamente
belo, que devia ter trinta anos e em cujo rosto estavam inscritos a miséria, o abandono, a solidão. O seu fato, que tendo perdido a cor tinha ficado verde, deixava adivinhar um corpo comido pela fome. O cabelo era castanho-claro, apartado ao meio, ligeiramente comprido. A barba por cortar há muitos dias crescia em ponta. Estreitamente esculpida pela pobreza, a cara mostrava o belo desenho dos ossos. Mas mais belos do que tudo eram os olhos, os olhos claros, luminosos de solidão e de doçura. No próprio instante em que eu o vi, o homem levantou a cabeça para o céu.
Como contar o seu gesto?
Era um céu alto, sem resposta, cor de frio. O homem levantou a cabeça no gesto de alguém que, tendo ultrapassado um limite, já nada tem para dar e se volta para fora procurando uma resposta: A sua cara escorria sofrimento. A sua expressão era simultaneamente resignação, espanto e pergunta. Caminhava lentamente, muito lentamente, do lado de dentro do passeio, rente ao muro. Caminhava muito direito, como se todo o corpo estivesse erguido na pergunta. Com a cabeça levantada, olhava o céu. Mas o céu eram planícies e planícies de silêncio.
Tudo isto se passou num momento e, por isso, eu, que me lembro nitidamente do fato do homem, da sua cara, do seu olhar e dos seus gestos, não consigo rever com clareza o que se passou dentro de mim. Foi como se tivesse ficado vazia olhando o homem.
A multidão não parava de passar. Era o centro do centro da cidade. O homem estava sozinho, sozinho. Rios de gente passavam sem o ver.
Só eu tinha parado, mas inutilmente. O homem não me olhava. Quis fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. Era como se a sua solidão estivesse para além de todos os meus gestos, como se ela o envolvesse e o separasse de mim e fosse tarde de mais para qualquer palavra e já nada tivesse remédio. Era como se eu tivesse as mãos atadas. Assim às vezes nos sonhos queremos agir e não podemos.
O homem caminhava muito devagar. Eu estava parada no meio do passeio, contra o sentido da multidão.
Sentia a cidade empurrar-me e separar-me do homem. Ninguém o via caminhando lentamente, tão lentamente, com a cabeça erguida e com uma criança nos braços rente ao muro de pedra fria.
Agora eu penso no que podia ter feito. Era preciso ter decidido depressa. Mas eu tinha a alma e as mãos pesadas de indecisão. Não via bem. Só sabia hesitar e duvidar. Por isso estava ali parada, impotente, no meio do passeio. A cidade empurrava-me e um relógio bateu horas.
Lembrei-me de que tinha alguém à minha espera e que estava atrasada. As pessoas que não viam o homem começavam a ver-me a mim. Era impossível continuar parada.
Então, como o nadador que é apanhado numa corrente desiste de lutar e se deixa ir com a água, assim eu deixei de me opor ao movimento da cidade e me deixei levar pela onda de gente para longe do homem.
Mas enquanto seguia no passeio rodeada de ombros e cabeças, a imagem do homem continuava suspensa nos meus olhos. E nasceu em mim a sensação confusa de que nele havia alguma coisa ou alguém que eu reconhecia.
Rapidamente evoquei todos os lugares onde eu tinha vivido. Desenrolei para trás o filme do tempo. As imagens passaram oscilantes, um pouco trémulas e rápidas. Mas não encontrei nada. E tentei reunir e rever todas as memórias de quadros, de livros, de fotografias. Mas a imagem do homem continuava sozinha: a cabeça levantada que olhava o céu com uma expressão de infinita solidão, de abandono e de pergunta.
E do fundo da memória, trazidas pela imagem, muito devagar, uma por uma, inconfundíveis, apareceram as palavras:
- Pai, Pai, por que me abandonaste?
Então compreendi por que é que o homem que eu deixara para trás não era um estranho. A sua imagem era exactamente igual à outra imagem que se formara no meu espírito quando eu li:
- Pai, Pai, por que me abandonaste?
Era aquela a posição da cabeça, era aquele o olhar, era aquele o sofrimento, era aquele o abandono, aquela a solidão.
Para além da dureza e das traições dos homens, para além da agonia da carne, começa a prova do último suplício: o silêncio de
Deus.
E os céus parecem desertos e vazios sobre as cidades escuras.
Voltei para trás. Subi contra a corrente o rio da multidão. Temi tê-lo perdido. Havia gente, gente, ombros, cabeças, ombros. Mas de repente vi-o.
Tinha parado, mas continuava a segurar a criança e a olhar o céu.
Corri, empurrando quase as pessoas. Estava já a dois passos dele. Mas nesse momento, exactamente, o homem caiu no chão. Da sua boca corria um rio de sangue e nos seus olhos havia ainda a mesma expressão de infinita paciência.
A criança caíra com ele e chorava no meio do passeio, escondendo a cara na saia do seu vestido manchado de sangue.
Então a multidão parou e formou um círculo à volta do homem. Ombros mais fortes do que os meus empurram-me para trás. Eu estava do lado de fora do círculo. Tentei atravessá-lo, mas não consegui. As pessoas apertadas umas contra as outras eram como um único corpo fechado. À minha frente estavam homens mais altos do que eu que me impediam de ver. Quis espreitar, pedi licença, tentei empurrar, mas ninguém me deixou passar. Ouvi lamentações, ordens, apitos. Depois veio uma ambulância. Quando o círculo se abriu, o homem e a criança tinham desaparecido.
Então a multidão dispersou-se e eu fiquei no meio do passeio, caminhando para a frente, levada pelo movimento da cidade.
**
Muitos anos passaram. O homem certamente morreu. Mas continua ao nosso lado. Pelas ruas.


(Sophia de Mello Breyner Andresen, in Contos Exemplares)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

NÃO É CORRUPTO QUEM QUER!...


Em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer!


Portugal é um país em salmoura. Ora aqui está um lindo decassílabo que só por distracção dos nossos poetas não integra um soneto que cante o nosso país como ele merece. "Vós sois o sal da terra", disse Jesus aos pregadores. Na altura de Cristo não era ainda conhecido o efeito do sal na hipertensão, e portanto foi com o sal que o Messias comparou os pregadores quando quis dizer que eles impediam a corrupção. Se há 2 mil anos os médicos soubessem o que sabem hoje, talvez Jesus tivesse dito que os pregadores eram a arca frigorífica da terra, ou a pasteurização da terra. Mas, por muito que hoje lamentemos que a palavra "pasteurização" não conste do Novo Testamento, a referência ao sal como obstáculo à corrupção é, para os portugueses do ano 2010, muito mais feliz. E isto porque, como já deixei dito atrás com alguma elevação estilística, Portugal é um país em salmoura: aqui não entra a corrupção - e a verdade é que andamos todos hipertensos.
Que Portugal é um país livre de corrupção sabe toda a gente que tenha lido a notícia da absolvição de Domingos Névoa. O tribunal deu como provado que o arguido tinha oferecido 200 mil euros para que um titular de cargo político lhe fizesse um favor, mas absolveu-o por considerar que o político não tinha os poderes necessários para responder ao pedido. Ou seja, foi oferecido um suborno, mas a um destinatário inadequado. E, para o tribunal, quem tenta corromper a pessoa errada não é corrupto - é só parvo. A sentença, infelizmente, não esclarece se o raciocínio é válido para outros crimes: se, por exemplo, quem tenta assassinar a pessoa errada não é assassino, mas apenas incompetente; ou se quem tenta assaltar o banco errado não é ladrão, mas sim distraído. Neste último caso a prática de irregularidades é extraordinariamente difícil, uma vez que mesmo quem assalta o banco certo só é ladrão se não for administrador.
O hipotético suborno de Domingos Névoa estava ferido de irregularidade, e por isso não podia aspirar a receber o nobre título de suborno. O que se passou foi, no fundo, uma ilegalidade ilegal. O que, surpreendentemente, é legal. Significa isto que, em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer. É preciso saber fazer as coisas bem feitas e seguir a tramitação apropriada. Não é acto que se pratique à balda, caso contrário o tribunal rejeita as pretensões do candidato. "Tenha paciência", dizem os juízes. "Tente outra vez. Isto não é corrupção que se apresente."

(in Visão, Ricardo Araújo Pereira)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

PAPA BENTO XVI

Hoje comecei bem o dia, «madruguei», levantar-me às 9 horas, para mim é madrugar, anos e anos levantei-me muito cedo e compreendo muito bem o que isso é. Fui tirar uns pontos, que me foram aplicados depois de ter extraído dois dentes. O Dr. tinha dito, nem precisa de marcar consulta. Estive mais de uma hora à espera e tive mesmo que me «abespinhar», parece que só assim se consegue alguma coisa. Primeiro tive que pedir para moderar o ar condicionado, ali sentada há tanto tempo, já estava a ficar gelada! E depois fui dizendo, que se era para aquilo, valia mais ter marcado consulta! A empregada pediu-me desculpa, mas 5 minutos depois entrei e aquilo que fui fazer, demorou 1 minuto! Estar à espera mais de uma hora, para fazer algo que demorava um minuto!?...
Nessa hora lá passada, tinha uma televisão à minha frente, que como é natural só emitia Papa Bento XVI, aliás quase todos os canais portugueses, emitem Papa e ali estive a ouvir, mais do que a ver, a «encherem chouriços», que significa popularmente, debitar «blá-blá e mais blá-blá», para ter alguma coisa para dizer, de uma pobreza confrangedora e sem sair daqueles «lugares comuns» habituais.
Peguei num jornal gratuito para me entreter e mais Papa!
No voo de Roma para Lisboa, Bento XVI disse: «A maior perseguição à Igreja não vem de inimigos de fora, mas nasce do pecado na Igreja. A Igreja tem uma profunda necessidade de reaprender a penitência, aceitar a purificação e implorar perdão, sem esquecer a necessidade de justiça». Palavras óbvias depois de tantos escândalos de pedofilia! Mas este reconhecimento de pecado, também não é algo só relativamente ao presente, a Igreja tem que pedir para ser perdoada, por muitas situações, em que foi protagonista ou deu cobertura pelo silêncio. Eu como sou absolutamente contra a Instituição Católica, fico à margem disto tudo, dentro do possível, mas vou reparando em certos factos: num país em crise, onde já são anunciados aumentos de impostos e provavelmente cortes em subsídios, a vinda do Papa vai custar cerca de 75 milhões de euros, o país vai parar e, as prendas ao papa, são demasiado chocantes, para serem referidas! O lema do Papa, nesta vinda a Portugal é «SOB O SIGNO DA ESPERANÇA», é bem aquilo que precisamos, esperança, esperança, esperança....

terça-feira, 11 de maio de 2010

GREENSLEEVES Loreena McKennitt

NA RESSACA DO VERDE, FIQUEI GRATA COM TODOS OS VOSSOS COMENTÁRIOS E AGRADEÇO À GLORINHA DE LION, DO BLOGUE «CAFÉ COM BOLO», ESTA BLOGAGEM COLORINDO A VIDA, QUE MOTIVOU TANTOS INTERESSANTES CONTACTOS E A PARTILHA DE SENSIBILIDADES E CONHECIMENTOS.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

BLOGAGEM COLECTIVA - VERDE (GLORINHA L de LION)

VERDE, MUITO VERDE, VERDES DE TODAS AS NUANCES
CHEIRO DO VERDE, QUE PENETRA E QUE REFRESCA…
VERDES RASTEIROS COMO O MUSGO, ALTOS VERDES QUE PARECEM TOCAR OS «CÉUS»…
UMA IMENSIDÃO DE VERDE
TANTO VERDE ASSIM,
PARA MIM TEM UM LOCAL QUE É FASCINANTE
-RESERVA DO PARQUE DO GERÊS –
POR LÁ JÁ PASSEI FÉRIAS,
FINS-DE-SEMANA,
DIAS…











(FOTOGRAFIAS: GOOGLE)


Podia contar muitas histórias, mas vou restringir-me a uma que me deixou saudades…Com os meus sobrinhos, treinei para ser mãe…e já casada privamos bastante…de vez enquanto metia-os no carro e lá íamos passear, eram 4 e nesta ida ao Gerês, já fazia parte do grupo o meu filho, Pedrocas.

Mário (com metade da cabeça), Ângela, Cristina, Sérgio e o mais pequenote o Pedrocas

A minha sobrinha mais velha, foi apanhada na adolescência pela Revolução de Abril, era assim uma hippy MRPP (Partido da Extrema Esquerda), uma ligação até pouco sintonizante! Era uma sonhadora activa e sabia muito bem o que queria fazer na vida, queria ser professora primária (Ensino Básico) em Trás-os-Montes, porque segundo as suas teorias, só aí podia mudar mentalidades. Uma romântica! (é professora, mas não foi para Trás-os-Montes, andou de terra em terra e perdeu todo o romantismo). Essa minha sobrinha sugeriu irmos ao Gerês, mais concretamente à aldeia de Santa Isabel, onde se vivia comunitariamente.
Preparamos um piquenique e lá fomos. Ao chegar tomamos banho naqueles lagos maravilhosos, estendemos a toalha e comemos. Só depois fomos descobrir a aldeia de Santa Isabel. Não foi fácil, os caminhos eram de terra, esburacados, sinalização inexistente e «comemos» umas doses valentes de pó! Chegamos a uma aldeia. Será, não será a de Santa Isabel? Não víamos ninguém, até que de uma janela uma senhora idosa nos disse adeus toda sorridente e nos chamou.


-Esta é aldeia de Santa Isabel?
-È, é, venham cá!...
Ficamos a olhar uns para os outros e lá fomos, entretanto ela já estava na porta.
-Entrem!
Lá entramos, para uma salinha-cozinha, com um fogão de lenha enorme e as panelas de ferro de três pés.
-Têm fome? Vou arranjar um lanche!
Em pouco tempo, a mesa estava cheia: pão caseiro, azeitonas, chouriço, queijo, vinho e água para as crianças.
A senhora estava feliz e então lá conversamos sobre a aldeia e sobre a sua vida.
Sim, de facto viviam comunitariamente, uns ajudavam os outros, se comprassem alguma máquina agrícola, todos davam um tanto e todos a utilizavam.
Esta situação era uma necessidade, numa aldeia esquecida no monte, onde os habitantes não eram muitos. Os que habitavam a aldeia eram crianças e idosos, principalmente mulheres. Aldeia de emigração, como tantas outras. Essa senhora vivia só, filhos emigrados e os netos mal os conhecia!..
-Tá a ver, tenho uma família e não tenho, cá ando por aqui, mas o melhor é saber que os filhos estão bem!..
Saímos felizes, claro! Onde é que na cidade alguém nos abria as portas e nos dava aquele fabuloso lanche! De certo modo também fizemos alguém feliz, num dia que lhe quebrou a rotina.
Quando saímos, já vimos mais gente, fotografei, passeamos pela aldeia com um grupo de crianças atrás de nós, algumas vestidas de preto, uma coisa que muito me impressionou.





(fotos pessoais, tiradas com uma máquina muito rudimentar)
FOI DE FACTO UM DIA MUITO VERDE, DIVERTIDO E MUITO FELIZ, TÃO FELIZ QUE SE TORNOU INESQUECÍVEL!...

domingo, 9 de maio de 2010

DIA DA EUROPA


Rapto de Europa - Rubens
Na mitologia grega, Europa era filha do rei da Fenícia, Agenor, e irmã de Cadmo. Mulher muito bonita, foi raptada por Zeus que se disfarçou de touro para que a sua ciumenta mulher, Hera, não percebesse. Ele levou Europa para Creta, onde desembarcou na praia de Matala, o que levou Cadmo a procurá-la e, na jornada, fundar a cidade de Tebas. Em Creta, Europa teve três filhos: Minos, Radamanto e Sarpédon.


Rapto de Europa - Gustave Moreau

[Não é desta Europa que se trata? É da União Europeia! Mas dessa não me apetece escrever, não quero estragar o meu dia. ]

QUANDO É QUE EU DESCOBRI O BRASIL?

Não foi em 1500, o Pedro Álvares Cabral não me convidou, mas eu também não sei se iria! Viajar naquelas «carcaças», cheias de perigos e doenças. Não!... Os tipos eram uns desabridos, em coragem e determinação. Na realidade nem foi o Cabral que descobriu o Brasil, já estava descoberto, só que o rei D. João II fechou-se em copas, para tramar o Tratado de Tordesilhas e depois é que mandou o Cabral pôr a cruz, para mostrar à Espanha «isto é nosso»! Era moda na altura, as descobertas, metiam-se nuns barcos e iam tramar os de «tanga». Muito brasileiro diz que de descoberta não teve nada, já que lá vivia gente, viviam num estado mais primitivo, mas segundo Rousseau eram mais felizes!...Uns séculos antes também andaram cá pela nossa terra, invasores ou colonizadores, gente que veio alvoraçar quem vivia em paz!... A história humana é feita de muitas barbaridades desde sempre e continua…Considero um absurdo é a forma como alguns brasileiros olham de soslaio para os portugueses e vice-versa, mas também com os nossos «hermanos» espanhóis se passa a mesma coisa, até porque eles estiveram aqui a governar 60 anos legitimamente, devido a uma crise sucessória, motivado pelo D. Sebastião, que decidiu ir a Marrocos, e pereceu em Alcacer-Quibir e, na história foram uns «sacanas», na história que se aprendia e que dava jeito à política.
Bem, chega de preâmbulos. Eu descobri o Brasil pela música, só depois é que estudei mais a fundo a História do Brasil.
Ontem estive toda delirante, ouvindo e cantando Bossa Nova, desse expoente máximo, Tom Jobim e, como as suas canções estão aqui bem guardadas numa gavetinha na minha cabeça, começaram a saltar!
A dupla Jobim /Vinicius fez história na música brasileira.
INSENSATEZ
Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes
.
A insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
O seu amor
Um amor tão delicado
Ah, porque você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração que nunca amou
Não merece ser amado.../...
-
GAROTA DE IPANEMA
Antônio Carlos Jobim / Viní­cius de Moraes
Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço, a caminho do mar.../...

A FELICIDADE
Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor.../...
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ÁGUAS DE MARÇO
Tom Jobim
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol.../...

LAMENTO NO MORRO
Tom Jobim e Vinícius de Moraes
Não posso esquecer,
O teu olhar,
Longe dos olhos meus
Ai, o meu viver,
É de esperar,
Pra te dizer adeus
Mulher amada,
Destino, destino meu
É madrugada,
Sereno dos meus olhos já correu
Não posso esquecer,
O teu olhar,
Longe dos olhos meus
Ai, o meu viver,
É de esperar,
Pra te dizer adeus.../...
.
EU SEI QUE VOU TE AMAR
Tom Jobim / Vinícius de Moraes
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente,
eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida .../...

SAMBA DE UMA NOTA SÓ
Tom Jobim / Newton Mendonça
Eis aqui este sambinha feito numa nota só.
Outras notas vão entrar,
mas a base é uma só.
Esta outra é consequência do que acabo de dizer.
Como eu sou a consequência inevitável de você.
Quanta gente existe por aí que fala tanto e não diz nada,
Ou quase nada.../...

DESAFINADO
Tom Jobim
Quando eu vou cantar, você não deixa
E sempre vêm a mesma queixa
Diz que eu desafino, que eu não sei cantar
Você é tão bonita, mas tua beleza
também pode se enganar .../...
A FELICIDADE
Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes

Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
e tudo se acabar na quarta feira
Tristeza não tem fim
Felicidade sim.../...
-
(AGRADEÇO ESTES MOMENTOS ESPECIAIS A MÁRCIA BARROS)

sábado, 8 de maio de 2010

SÉTIMA ARTE

O cinema tem sido uma boa escola de vida para mim. Há pessoas que não vão ver X ou Y filme, porque dizem, «para desgraça, chega a que há» e preferem o soft, muitas vezes oco.
Eu desde sempre vi de tudo, se bem referenciado, essa é uma questão primordial, depois de uma certa experiência, para além dos críticos da minha preferência e que não me tinham enganado, eu própria já conhecia o trabalho dos realizadores e as suas qualidades específicas. Algumas pessoas diziam-me, tens a mania dos críticos, obviamente que há críticos e críticos! Há críticos, que se especializaram e há outros que fazem parte do «marketing» que vende um filme. Sabia de antemão que certos filmes iam me deixar de rastos, zonza, vendo o mundo turvo, sem vontade de falar ou ouvir alguém, durante um certo tempo, mas esta era uma sensação boa, a sensação que as coisas me tocavam e me faziam sentir e pensar. Filmes por exemplo, de Ingmar Bergman, do qual vi tudo e, quem conhece, sabe o género, ali não há «rodriguinhos», é a realidade mais crua, sobre relações humanas, a exploração filosófica e psicológica da vida íntima. Também a temática sociológica me interessa, não só a actual, como a do passado.
Parece assim como que um masoquismo, mas gosto de ser confrontada com a realidade. Desta forma o mundo nunca foi para mim cor-de-rosa, tem muitas tonalidades e consciencializei-me que se determinadas coisas acontecem aos outros, também acontecem a mim e, não é por vontade ou não de Deus, bruxarias, maus espíritos…Acontece porque eu ando por aqui e tudo me pode acontecer! Não é por rezar mais ou menos ou por utilizar outras formas, para afastar o «chamado mau olhado», é só porque acontecem, tão simples quanto isto!
Este género de filmes decaiu, dificilmente podem ser catalogados de comerciais e aí é que está o «busílis», a bilheteira é que é o mais importante! Passo uma série de tempo sem ir ao cinema, porque olho o cartaz e não me motiva e, apesar de gostar de ver um filme na sala de cinema (ainda há cinemas sem pipoca e coca-cola) vejo muito cinema em casa, revendo muitos filmes já vistos, filmes que pelo seu interesse suscitam vários visionamentos.


ESTA É MAIS UMA RAZÃO PARA ME CHAMAREM DE ESQUISITA!..

(Não tão esquisita assim, porque não me recuso a ver qualquer coisa, depende da companhia.)



sexta-feira, 7 de maio de 2010

CRISES!...

Portugal está em crise, uma crise muito complexa! Eu gostava de perceber de economia, mas nunca gostei de números e de facto não percebo nada. Por vezes certos economistas a falar ou a escrever, não o fazem para uma pessoa leiga no assunto, pelo contrário usam uma linguagem muito técnica e até com terminologia inglesa, desta forma obviamente que estão a dirigir-se a uma elite. A minha formação é outra e às vezes até me aborrece, porque não há uma preocupação de tornar o discurso mais compreensível. Não percebendo ou percebendo em parte, o que a maioria já percebeu (mesmo não querendo perceber) é que Portugal está numa grande CRISE FINANCEIRA, tem uma dívida externa enorme e está há muito naquela situação de contrair dívida para pagar dívida, porque são turvos os índices de crescimento e desenvolvimento! O PEC vai fazer doer, mas vai ser eficaz? Muitos temem que venha a acontecer em Portugal o que está a acontecer na Grécia e, que tem posto os gregos em polvorosa!

Pensando nisto, cheguei ao comum dos mortais e muitos de uma forma ou de outra, também estão a viver acima das suas possibilidades, o crédito abriu-se para tudo e para todos. Vai-se a um Centro Comercial e lá estão eles a impingir cartões de crédito, tenho pena destes trabalhadores, porque dizem, que podemos preencher os papéis e, que assim eles já têm uma comissão. Mas tanto cartão de crédito para quê? A mim basta-me um ou dois! Pelo telefone é a mesma coisa e, lá pressionam para a aquisição de um cartão. Enfim a pressão é muita e muitas pessoas tentam-se. Há situações de endividamento muito complicadas! Por outro lado já não há aquela angústia do fim do mês, que eu vivi, fazendo aquela ginástica para que o dinheiro chegasse até receber novo vencimento e, nessa altura tinha-se grande receio dos chamados cheques «carecas». Agora não, vai-se gastando, levanta-se sem provisão e há dinheiro, mas também há os juros do dinheiro adiantado. A poupança para grande parte das pessoas já não existe, a poupança que anteriormente era forçada, pela inviabilidade das facilidades que hoje existem. Comprava-se casa, automóvel, mas tinha-se que juntar para desembolsar uma entrada, agora os bancos facilitam tudo.
A crise é geral! Não sou uma pessoa do «antes», do género antes era melhor, não as coisas evoluem, o que eu considero é que não se pode cair em facilidades exageradas!...
Lembrei-me disto e fui escrevendo, com certeza nem estará muito bem exposto, é apenas um afloramento de uma realidade que está a preocupar muita gente
.