A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quarta-feira, 7 de julho de 2010

COMO AJUDAR OS OUTROS?


Cheguei ao ginásio, arrastando o desejo contrariado de ficar em casa. No balneário estava a Júlia vinha do banho turco, atiro-lhe um olá e o habitual como está.
«Mal, sinto-me mal, enjoada, cheia de dores, nem sei porque vim! Sinto-me como uma vela a extinguir-se!»
Conheço a Júlia há muitos anos. Viveu no prédio onde vivo. Tanto ela como o marido eram economistas e eram pessoas reservadas. Sem filhos, apreciavam muito o silêncio, a tranquilidade e, se nada houve relativamente à minha pequenada, sei que ela teve atritos com outra vizinha por causa das crianças, problemas que chegaram ao tribunal. A Júlia e o marido eram muito simpáticos se me viam, chegaram a convidar-nos para ver a sua casa, mas sempre se manteve uma certa distância. De imediato se notava ser uma pessoa psicologicamente complexa e agora está naquela fase da reforma, do vazio, depois de muita actividade. Começou há pouco a frequentar o ginásio e continua a ser uma pessoa simpática e extremamente educada, a simpatia tem sempre muito a ver com a educação!..
«Precisa de férias!»
«Mas eu estou sempre de férias!» Não posso viajar, tenho muitas dores e depois vivo numa casa excelente, tenho uma paisagem soberba, mar, rio…toda arborizada, tranquilidade completa. Nunca encontraria isto em lado nenhum e depois são as dores, constantes, só passam com cortisona!»
«Pode ser fibromialgia!»
«Já consultei muitos médicos, tenho tentado tudo, essa é uma hipótese, estou sempre com dores, cansada, sonolenta. Só me apetece estar deitada! Já me fizeram uma avaliação psíquica, já fiz acunpultura, agora mandaram-me para o ginásio»
«Mas hoje contrariou a vontade de ficar na cama e veio ao ginásio, valeu! Não gosta de vir ao ginásio? Faz sempre bem o exercício e a convivência!»
«Não sei se faz bem, estou a ficar saturada e eu não gosto muito de conviver!»
Fiquei a olhar para ela, sem saber o que dizer.
«Conhece aquele poema do Ruy Belo, Saudades de Melquisedeque?»
«Não me estou a lembrar…mas não devo conhecer!»
«Sinto bem o que ele diz... de que vale tantas complicações, tantos aborrecimentos…»

Com a entrada de outras colegas, a conversa interrompeu-se, felizmente que há outras disposições, há quem tenha sempre piadas novas, acontecimentos engraçados, sorriso nos lábios, malandrices a fazer. No meu pensamento emergindo de quando em vez, estava a Júlia. Cheguei a casa e a primeira coisa que fiz, foi vir à internet, procurar o poema do Ruy Belo.

Esta manhã gostaria de ter dado ontem
um grande passeio àquela praia
onde ontem por sinal passei o dia
É difícil a vida dos homens senhor
Os anjos tinham outras possibilidades
e alguns deles foi o que tu sabes
Esta terra não está feita para nós
Mesmo que ela fosse diferente
nós quereríamos talvez outra terra
talvez esta de que agora dispomos
Não achas meu senhor que temos braços a mais
dias a mais complicações a mais?
Pra nascer e morrer seria necessário tanto?
Falhamos tantas vezes (Como os judeus que juraram
não comer nem beber até matar paulo
e apesar disso não o mataram)
É difícil a vida difícil a morte.
Por vezes os homens juntam-se todos
ou quase todos e organizam
grandes manifestações. Mas nada disso os dispensa
da grande solidão da morte
de termos de morrer cada um por nossa conta
Todos tivemos pai e mãe
nenhum de nós que eu saiba veio de salém



Difícil para mim falar, com pessoas que estejam num grande negativismo, que se entrincheiram numa barreira, onde batem com ricochete palavras encorajadoras, que já tanto se banalizaram e que depressa podem resvalar para um sentimentalismo de «pacotilha». Júlia também não é uma pessoa com quem se possa argumentar a nível religioso e eu de forma alguma seria a pessoa indicada! Difícil dar ânimo a pessoas com ideias muito convictas, feitas por muitos questionamentos a nível superior. Júlia é uma conhecida, não é uma amiga, não tenho da mesma qualquer conhecimento mais íntimo. Perante pessoas a atravessar crises destas eu sinto-me bastante frustrada, por não conseguir dar algum ânimo, alguma força. Isto tem sido sempre um problema na minha vida, ajudar as pessoas, sem cair na banalidade, na frase feita, até mesmo na mentira da argumentação, porque eu facilmente fico contaminada e o mais verdadeiro seria dar-lhes razão!...A única coisa que realmente aconteceu, foi que ela teve necessidade de desabafar e eu ouvi-a, mas é tão pouco!?...

terça-feira, 6 de julho de 2010

MATILDE ROSA ARAÚJO (1921-2010)


Matilde Rosa Araújo nasceu em Lisboa, em 1921, onde se licenciou em Filologia Românica , na Universidade Clássica de Lisboa. Foi professora do Ensino Técnico-Profissional, e formadora de professores na Escola do Magistério Primário de Lisboa.
Foi autora de livros de contos e de poesia para adultos e de mais de duas dezenas de livros de contos e poesia para crianças. Dedicou-se à defesa dos direitos das crianças através da publicação de livros e de intervenções em organismos com actividade nesta área, como a UNICEF em Portugal.
Em 1980, recebeu o Grande Prémio de Literatura para Crianças, da Fundação Calouste Gulbenkian, e o prémio para para o melhor livro infantil, pela mesma fundação, em 1996, pelo seu trabalho Fadas Verdes (livro de poesias de 1994).
Matilde Rosa Araújo recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em Maio de 2004, foi distinguida com o Prémio Carreira, da Sociedade Portuguesa de Autores.

Os Direitos da Criança
I
A criança,
Toda a criança.
Seja de que raça for,
Seja negra, branca, vermelha, amarela,
Seja rapariga ou rapaz.
Fale que língua falar
Acredite no que acreditar,
Pense no que pensar,
Tenha nascido seja onde for,
Ela tem direito…
II
… A pensar para o homem a
razão primeira da sua luta.
O homem vai proteger a criança
Com leis, ternura, cuidados
Que a tornem livre, feliz
deixando crescer
Livremente o coração
E o pensamento.
Esse nascer e crescer e viver assim
Chama-se dignidade.
E em dignidade vamos
Querer que a criança
Nasça,
Cresça,
Viva…
III
… E a criança nasce
E deve ter um nome
Que seja o sinal dessa dignidade.
Ao Sol chamamos Sol
E à Vida chamamos Vida,
Uma criança terá o seu nome também.
E ela nasce numa terra determinada
Que a deve proteger,
Chamamos Pátria a essa terra,
Mas chamemos-lhes antes
Mundo…
IV
… E nesse Mundo ela vai crescer.
Já sua mãe teve o direito
A toda a assistência que assegura um nascer perfeito.
E, depois, a criança nascida,
Depois da hora radial do parto,
A criança deverá receber
Amor,
Alimentação
Casa,
Cuidados médicos,
O amor sereno de mãe e pai.
Ela vai poder
Rir,
Brincar,
Crescer,
Aprender a ser feliz…
V
… Mas há crianças que nascem imperfeitas
e tudo devemos fazer para que isso não aconteça.
Vamos dar a essas crianças um amor maior ainda.
VI
E a criança nasceu
E vai desabrochar como
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro,
E
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro
Precisam de amor - a seiva da terra, a luz do Sol.
De quanto amor a criança não precisará?
De quanta segurança?
Os pais e todo o Mundo que rodeia a criança
Vão participar na aventura
De uma vida que nasceu.
Maravilhosa aventura!
Mas se a criança não tem família?
Ela tê-la-á, sempre: numa sociedade justa
Todos terão sua família:
Nunca mais haverá uma criança só,
Infância nunca será solidão.
VII
E a criança vai aprender a crescer.
Todos temos de a ajudar!
Todos!
Os pais, a escola, todos nós!
E vamos ajudá-la a descobrir-se
A si própria
E os outros.
Descobrir o seu mundo,
A sua força,
O seu amor,
Ela vai aprender a viver
Com ela própria
E com os outros:
Vai aprender a fraternidade,
A fazer fraternidade,
Isto chama-se educar,
Saber isto é aprender a ensinar.
VIII
Em situação de perigo
A criança, mais do que nunca,
Está sempre em primeiro lugar…
Será o Sol que não se apaga
Com o nosso medo,
Com a nossa indiferença:
A criança apaga, por si só,
Medo e indiferença das nossas frontes…
IX
A criança é um mundo
Precioso
Raro.
Que ninguém a roube,
A negocie,
A explore
Sob qualquer pretexto.
Que ninguém se aproveite
Do trabalho da criança
Para seu próprio proveito.
São livres e frágeis as suas mãos.
Hoje:
Se as não magoarmos
Elas poderão continuar
Livres
E ser a força do Mundo
Mesmo que frágeis continuem…
X
A criança deve ser respeitada
Em suma,
Na dignidade do seu nascer,
Do seu crescer,
Do seu viver.
Quem amar verdadeiramente a criança
Não poderá deixar de ser fraterno:
Uma criança não conhece fronteiras,
Nem raças,
Nem classes sociais:
Ela é o sinal mais vivo do amor,
Embora, por vezes, nos possa parecer cruel.
Frágil e forte, ao mesmo tempo.
Ela é sempre a mão da própria vida
Que nos estende,
Nos segura
E nos diz
Sê digno de viver!
Olha em frente!

Matilde Rosa Araújo

segunda-feira, 5 de julho de 2010

IO SONO L'AMORE

Um filme operático, onde é inevitável pensarmos em Visconti ("O Leopardo") em Bergman(«Fanny e Alexander») e outros…Luca Guadagnino, reinventa o melodrama clássico, a saga familiar num tempo onde eles já não existem.
No início, depois de visualizarmos uma paisagem de neve, melancólica nos seus cinzentos, um palacete vai surgindo mais nítido e penetrando no seu interior temos um contraste com o calor da madeira, das luzes, do movimento das pessoas. Um interior clássico cheio de preciosismos. A família vai-se reunir para o aniversário do patriarca, o ambiente é aristocrático, focando um cruzamento entre os empregados e os senhores. A um núcleo mais conservador, sobressai o núcleo mais jovem, menos convencional. A refeição é um cerimonial de elite e a atenção prende-se às conversas soltas e principalmente aos olhares. Há um mistério que se começa a insinuar e o foco vai para Emma, (excelente Tilda Swinton). Uma mulher, que parece ser uma líder de tudo que se passa ou uma submissa perante as contingências. Uma mulher que está em foco e simultâneamente mergulha na privacidade, ficando só ou com a sua empregada. Emma, que nasceu na Rússia e casou com o único filho de uma poderosa família industrial milanesa, revela-se como «um corpo estranho» dentro daquele cenário.
O patriarca, nessa festa em homenagem ao seu aniversário, vai delegar a sua posição empresarial no filho e num dos netos. Durante essa cena, abrem-se todas as perspectivas para o desenvolvimento posterior das personagens principais, o casal e os seus filhos.
A frieza e sobranceria do marido de Emma. A insatisfação e inquietação de Emma. O sentimentalismo do filho mais velho, (o herdeiro), para além das questões sociais, (a mulher que ama e convida para o jantar, um amigo que estima e com quem perdeu um «jogo», a maior proximidade e cumplicidade com a mãe). A mudança das opções afectivas da filha. A presença decorativa e nunca participativa do outro filho. A chegada de António, um cozinheiro, com quem Leo perdeu uma «partida» e que vem entregar um bolo feito por si. Emma vê de relance esse visitante inesperado, que nem sequer fica para tomar café.
Se dissermos que Emma se vai apaixonar por António, que lhe dá uma perspectiva de vida campestre e muito simples, deixando a família, parece assim um romance banal, mas o realizador elevou o filme ao estatuto de obra-prima, pela sua abordagem operática, virtuosa, formalista, estilizada, hiper-romântica e pós-modernista. É fabuloso o modo como ele se instala no classicismo, através de Tilda Swinton e também como esta chega a uma sensualidade exacerbada que se opõe à rigidez estruturada do palacete dos Recchi. Guadagnino mantém essa emoção a borbulhar subterraneamente durante todo o filme sabiamente sublinhada pela música do compositor minimal John Adams.
Muito interessante a sequência, onde Emma está na cama com o marido e pela televisão passa Maria Callas, interpretando a ária da "Mamma Morta" de Giordano, na banda-sonora do "Filadélfia" de Jonathan Demme. A frase que Callas canta é "Io sono l'amore" e é nesse momento que Tilda toma perfeita consciência do seu papel na poderosa família milanesa. Ela é a verdadeira "mamma morta", ela não é o amor ali e, ela quer ser o amor.

Elenco impecável onde encontramos o actor e encenador Pippo Delbono e os veteranos Gabriele Ferzetti e Marisa Berenson.

domingo, 4 de julho de 2010

sábado, 3 de julho de 2010

ROMA

Há uns anos é que eu devia ter ido a Roma, com os conhecimentos fresquinhos do Estudo da Civilização Romana, da evolução da Instituição Católica, esses dois grandes poderes que marcaram o mundo. Itália tb. foi o berço do Renascimento. Mas outros factos históricos são de realçar, a ocupação napoleónica, o saque de Roma, Garibaldi e Mazinni, enfim o Risorgimento, que levou à unificação italiana e à monarquia e depois ao fascismo. ..
Para saber mais sobre Roma
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Roma
Ou em vídeo, http://www.youtube.com

Depois de ter aterrado em Leonardo da Vinci, a deslocação inevitável foi a grande estação ferroviária de Termini e daí, Via Julio Cesare, onde tínhamos o apartamento do Paolo à nossa espera, nº. 59 piano 4.

Seguimos a pé até ao Vaticano. Grande fila junto ao portão dos Museus do Vaticano. Gente, gente, muita gente. Em Roma são «banhos» de gente por todo o lado, gente de todas as partes do mundo, pelas ruas um trânsito frenético, com as vespas a rabear por todo o lado. Nunca tinha estado numa cidade com tanta motinha a circular. Depois de uma espera razoável na fila, que se esqueceu pelo nosso entusiasmo e boa disposição, lá passamos o portão.
Os museus são muitos e sucessivos, além dos quadros e esculturas dos grandes artistas, todo o chão é arte, todas as paredes e tectos são arte e, passou pelos meus olhos tudo aquilo, que andei anos e anos a ver através de livros e documentários…é indescritível tanta beleza, tanta materialização criativa.
Depois de andar de salão para salão, (Sala da Cruz, Galeria dos Candelabros, das tapeçarias, dos mapas, Sala Sobiesky e da Imaculada, Pátio da Pinha), «kilómetros» de fruição do belo, chega-se ao êxtase – A CAPELA SISTINA.
O deslumbramento é completo, perante a obra de Miguel Ângelo, os olhos não descolam daquelas pinturas soberbas do tecto (as dores do pescoço ao olhar para cima, lembram como a estrutura do artista ficou afectada ao pintar esse maravilhoso tecto). Na parede frontal - O JUÍZO FINAL. Tudo poderia demorar horas e horas a ver detalhadamente.
A etapa seguinte era a Basílica, depois de se ter comido qualquer coisa, nos jardins dos museus do Vaticano. Calor intensíssimo sem sombras! Antes ainda fomos ver os carros do papa. Na Praça de S. Pedro, a fila dava uma volta quase completa. Por todo o lado em Roma há fontes, além das célebres fontanas, para encher as garrafas, assim como a venda ambulante de tudo: sumos, «birra», sandes e no caso do calor, chapéus e sombrinhas. A fila andava depressa e ao entrar, lá tivemos que ir à vistoria. A Basílica é «fabulástico», como dizia uma companheira de viagem!
Decidimos ver a cúpula. Primeiro elevador até a um varandim, onde se tem uma perspectiva do interior da basílica, mas depois para chegar ao cume são 324 degraus, que nos deixam a arfar, mas dai tem-se uma visão fantástica sobre a cidade de Roma. Descer a escada também não é fácil, já que no final, as pernas tremem bastante.
Entramos então na Basílica, de onde se destaca de imediato, a monumentalidade do seu interior, o Baldaquino de Vernini, a Pietá de Miguel Angêlo, a tumba de S.Pietro. Deambulamos por lá muito tempo, vendo tudo o melhor possível, mas dada a sua grandiosidade não é fácil.
Cansados e a «pingar», fomos comer um gelado e decidimos ir no Bus turístico, dar uma volta à cidade, para no dia seguinte estabelecermos o programa, foi um passeio fabuloso e relaxante, o primeiro contacto com a cidade espectacular que é Roma.














No dia seguinte fomos a pé até ao Castelo Sant' Angelo. De lá vê-se o caminho secreto de fuga dos Papas, do Vaticano para o castelo. Castelo com muita arte e muita história. Atravessamos a ponte do mesmo nome e apanhamos o Bus até à Piazza del Popolo, onde ia ocorrer uma manifestação, contra o governo. Lá existem duas igrejas gémeas, mas só uma está aberta. Da Piazza Popolo, caminhamos a pé pela Villa Borgese, com lindos jardins e aí «piquenicamos». Há sempre locais de abastecimento, onde está sempre pronta a ser comida, uma grande variedade de fruta fresca e já descascada. Depois passamos uma parte da antiga muralha, até à Piazza Federico Fellini e descemos a chiquérrima Via Veneto, onde estão os grandes hotéis, costureiros, cafés célebres, como o famoso café de Paris. Paramos no Hard Rock e daí deixamos as grandes vias, metendo por ruelas típicas, para encontrar a Fontana de Trevi, um deslumbramento! Imaginava que ficava numa Piazza grande, mas não, o local é bem limitado e cheio de gente. Aí fui confrontada com dois soldados romanos, saídos de um Asterix qualquer, andam pelos sítios carismáticos, para venderem o corpo à fotografia!






Continuamos pelas ruelas, passamos pelo Templo de Adriano, fomos ver o espectacular Panteon, depois Palazzo Madama, até à Piazza Navona das três fontanas, e visitamos a Basílica Santa Maria del Anima. Nessa Piazza, como noutras há sempre muito entretenimento: tocam, dançam, pintam, representam… A etapa seguinte era encontrar uma célebre gelataria, mas antes ainda fomos ver a Igreja de Santo António de Lisboa e de Pádua (Igreja Portuguesi). Apanhamos o Bus para regressar a casa. Tomamos um banho, estávamos com o corpo tipo «pasta-cola», aliás o calor de dia e de noite era demais! Fomos para a «nigth», jantar ao bairro medieval de Transtevere, um pouco longe de onde estávamos, porque tivemos que ir de metro ( Roma só tem duas linhas de metro) e depois de comboio. Um sítio muito interessante à beira do Tibre. Local de paragem de muita gente, bares e restaurantes uns colados aos outros, esplanadas por todo o lado. Descemos para a margem do rio, e mais restaurantes, bares, vendas de comércio alternativo. Foi um passeio longo e divertido, que nos fez esquecer as horas e quando decidimos regressar, vieram os problemas! Fomos de eléctrico sem pagar, não tínhamos dinheiro trocado, para pagar o bilhete, o bilhete custava um euro e a multa 101 euros! Chegamos à estação de comboio, já tinham terminado os comboios! Ficamos sem saber o que fazer, porque táxis nem vê-los! Safou-nos uns jovens italianos, que nos deram um número para chamar um táxi. Demorou tempo a chegar e quando chegou fez-se muito esquisito, para nos levar! Éramos cinco, só podia levar quatro! Depois de insistente pedinchice lá se condoeu e levou-nos até casa, lá pelas três da manhã!
Dia seguinte, Bus turístico e Santa Maria Maggiore na Piazza Esquilino, depois San Carlo Quatro Fontane, Fontana del Tritone, Piazza Barberini, Via Sistina, Trinitá del Monti, com aquela longa escadaria onde se faz os desfiles de moda e Piazza Spagna. Daí novamente Bus, até ao espantoso Colosseo, Arco di Costantino e Palatino, que nos ocupou bastante tempo.
Andei por muitos sítios, mas não me lembro de tudo, perdi o moleskine! Andamos mesmo muito e recorremos tb ao Hop-On Hop-Off bus. Roma é uma cidade grande, uma cidade com muito para ver, tenho a impressão de ter visto 1/3 e fiquei com uma grande vontade de lá voltar e ver outras coisas.






( Das mais de mil fotografias tiradas, é difícil seleccionar algumas, isto é apenas um pequeno registo da minha passagem, evidentemente que quem quiser ver Roma, está tudo no youtube)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

HELP ME, ESTOU CHATEADA!...

Para mim o computador, é um animal, mas um daqueles animais horrorosos, repugnantes, cheios de fluidos viscosos, que se vê em certos filmes e que me causam náuseas!..Estou CHATEADA, assim mesmo CHATEADA, com o computador, este animal viciante!..
Mas porquê esta CHATEAÇÃO? Porque quando ando a fazer comentários, o sistema se gruda num blogue e aparece tela sobre tela desse blogue, a única hipótese (que eu sei) é reiniciar o computador, com a maçada de espera que isso motiva e isto acontece-me continuamente! Será que isto vos acontece? Será que há outra maneira de parar aquela enxurrada de telas que se sobrepõem? Eu não sei e também pouco sei das disposições desta animal que me faz salivar furiosa!..

PARA QUEM NÃO SAIBA..

Deus, muito insatisfeito com a humanidade e os seus pecados, decidiu pôr fim a tudo..

Reuniu todos os líderes mundiais para lhes comunicar pessoalmente a sua decisão de acabar com a humanidade em 24 horas.
Deus disse: Reuni-vos aqui para comunicar que extinguirei a humanidade em 24 horas.
Portanto, voltem aos respectivos Países e digam ao Povo que estejam preparados. Têm 24 horas!

O primeiro a reunir o povo foi, OBAMA.
Em Washington DC, através de uma mensagem à nação, OBAMA disse:
"Americanos, eu tenho uma boa e uma má notícia para dar.
"A boa notícia é que Deus existe e que Ele falou comigo". Mas, claro, já sabemos disso.
A má notícia é que esta grande Nação, o nosso grande Sonho, só tem 24 horas de existência. Este é o desejo de Deus".

Fidel Castro reuniu todos os cubanos e disse:
"Camaradas, povo Cubano, tenho duas más notícias.
A primeira é que Deus existe... sim, eu vi-O, estava mesmo à minha frente!!!
Estive enganado este tempo todo...
A segunda má notícia é que em 24 horas esta magnífica Revolução pela qual tanto temos lutado, vai deixar de existir."

Finalmente, em Portugal, José Sócrates dá uma conferência de imprensa:
"Portugueses, hoje é um dia muito especial para todos nós. Tenho duas boas notícias.
A primeira boa notícia é que eu, sou um enviado de Deus, um mensageiro, porque conversei com ele pessoalmente.
A segunda boa notícia é que, conforme constava do Programa do Governo e apenas em 24 horas, serão Erradicados para sempre o desemprego, o analfabetismo, o tráfico de drogas, a corrupção, a pedofilia, os problemas de transporte, água e luz, habitação, nada de burocracia, e o mais espectacular de tudo: O IVA vai acabar assim como a miséria e a pobreza neste País!! O Governo cumpriu tudo o que prometeu!!!"

COMO ONTEM AUMENTOU O IVA 1% PARA TUDO, TANTO PARA O PÃOZINHO DE CADA DIA, COMO PARA O CHAMPANHE, CAVIAR OU TRUFAS, O SORRISO SÓ PODE SER AMARELO!...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

COMPLETAMENTE NUAS ATÉ AO OSSO...

O cúmulo dos modelos esqueléticos, da Eizo: Pin.up Calendar 2010, está a fazer furor por apresentar as meninas mais formosas, mais do que em nu integral, são apresentadas literalmente em raio-x. Tudo é mostrado até ao osso.
E ao ver isto numa revista, lembrei-me desses casos chocantes de bulimia/anorexia. Muitas jovens e não jovens passam por isto, tb esse problema passou cá por casa.
SOBRE ESTA PROBLEMÁTICA, há vários sites, pode ir por exemplo AQUI

O VELHO E O MAR - ERNEST HEMINGWAY

Ernest Hemingway, escreveu grandes obras, como: ADEUS ÀS ARMAS, POR QUEM OS SINOS DOBRAM, FIESTA, NA OUTRA MARGEM ENTRE AS ÀRVORES…que fazem parte da lista dos melhores livros de sempre, mas escreveu um romance, que foi a sua última obra de ficção, que se tornou muito famoso, refiro-me a,

O VELHO E O MAR,

escrito em Cuba em 1951 e publicada no ano seguinte. Este livro recebeu o Prémio Pulitzer e em 1954 Hemingway obteve o Prémio Nobel.


Numa prosa poética, Hemingway retrata, uma vez mais, a capacidade do homem de fazer face e superar com sucesso os dramas e as dificuldades da vida real, é uma suas obras mais comoventes.

Narra a aventura de um pobre e velho pescador, Santiago, que anseia por pescar «um dos grandes». Vai para o mar e no 85º dia, acaba por pescar um grande espadarte e esse facto vai proporcionar uma longa e empolgante história, cheia de perigos e imprevistos. O pescador tem de usar de toda a sua astúcia e grande persistência. O peixe com a sua imensa força acaba por rebocar o barco, para o alto mar. O velho sofre com o intenso sol e com as feridas nas mãos e faz muitas reflexões, sobre a dignidade dos homens e dos animais. Depois de alguns dias consegue matar o peixe. O «clímax» desta obra é a sua luta contra os tubarões, defendendo o peixe que pescou, mas quando consegue chegar à praia, do peixe só resta o esqueleto, toda a sua carne foi comida pelos tubarões
Uma obra que provoca muita reflexão sobre a condição do homem, as suas dificuldades de subsistência, a necessidade de persistência, a força que o homem pode ter, para vencer as dificuldades, como Hemingway diz no livro: «Um homem pode ser destruído, mas não derrotado».



"(...) este pequeno romance, é um breve poema em prosa, uma epopeia de simples trama, singelamente narrada. Mas é, por outro lado, muito mais do que isso: um breviário nobilíssimo da dignidade humana, escrito com a mais requintada das artes. Poucas vezes, no nosso tempo, terá sido concebida e realizada uma obra tão pura, em que a natureza e a humanidade sejam, frente a frente, tão verdadeiras."

Jorge de Sena, Prólogo da Edição de 1956.

[PARA MIM TAMBÉM UMA PEQUENA JÓIA DA LITERATURA]

quarta-feira, 30 de junho de 2010

PLATERO E EU - JUAN RAMÓN JIMÉNEZ


Juan Ramón Jiménez (1881-1958) - Poeta espanhol modernista, reconhecido pela sua prodigiosa beleza de expressão de vivências metafísicas, construindo um pessoal universo lírico. Uma das suas obras mais conhecidas é a elegia em prosa, Platero y yo. Em 1956 ganhou o Prémio Nobel.


PLATERO E EU, poema em prosa, que descreve o ambiente e a vida simples da sua pequena aldeia andaluza e o afecto ao seu burro Platero, que é o seu confidente, mas também tem a sua acção. Os dois percorrem as ruas da aldeia e os campos limítrofes, trocando impressões, imaginando aventuras, conversando com os seus conterrâneos.
Cada capítulo é uma história (poema) onde o homem surge a falar com Platero, sobre este ou sobre o que sente por este. A descrição emociona pela simplicidade e pureza, sendo, talvez, este o principal atributo desta obra. Cada história é uma reflexão sobre a vida em que a alegria e a tristeza surgem como face da mesma moeda, ambos os sentimentos aparecem com grande intensidade e como parte indissolúvel.


EXCERTO

"Platero é pequeno, peludo, suave; tão macio, que dir-se-ia todo de algodão, que não tem ossos. Só os espelhos de azeviche dos seus olhos são duros como dois escaravelhos de cristal negro. Deixo-o solto, e vai para o prado, e acaricia levemente com o focinho, mal as roçando, as florinhas róseas, azuis-celestes e amarelas... Chamo-o docemente: «Platero», e ele vem até mim com um trote curto e alegre que parece rir em não sei que guizalhar ideal...Come o que lhe dou. Gosta das tangerinas, das uvas moscatéis, todas de âmbar, dos figos roxos, com sua cristalina gotita de mel...E terno e mimoso como um menino, como uma menina...; mas forte e seco como de pedra. Quando nele passo, aos domingos, pelas últimas ruelas da aldeia, os camponeses, vestidos de lavado e vagarosos, param a olhá-lo:— Tem aço...Tem aço. Aço e prata de luar, ao mesmo tempo."

“A lua vem connosco, redonda, enorme, pura. Nos prados sonolentos vêem-se, vagamente, não sei que cabras negras, entre os silvados… Alguém se esconde, discreto, ao passarmos… Sobre o vale, uma imensa amendoeira, nívea de flor e de luar, confundida a copa com uma nuvem branca, cobiça o caminho asseteado de estrelas de Março… Um odor penetrante de laranjas… Humidade e silêncio… A azinhaga das Bruxas…

- Platero, que… frio!
Platero, não sei se com o seu medo ou com o meu, trota, entra no regato, pisa a lua e fá-la em pedaços. É como se um enxame de rosas de cristal enlaçasse, querendo retê-lo, o seu trote…E Platero trota, encosta a cima, a garupa encolhida como se alguém o perseguisse, sentindo já a tepidez suave da aldeia que se avizinha…”

[COMO «O PRINCIPEZINHO», ESTE LIVRO TAMBÉM É PARA MIM, UMA PEQUENA JÓIA DA LITERATURA]

terça-feira, 29 de junho de 2010

110ª. ANIVERSÁRIO DE SAINT-EXUPERY




Antoine de Saint-Exupéry

(1900-1944)

Aviador e escritor. Participou na 2ª Guerra Mundial, unindo-se à aviação aliada e foi derrubado por um piloto alemão, o seu corpo nunca foi encontrado. As experiências que viveu nas suas missões, inspiraram vários livros, escritos de
uma maneira muito profunda.

O seu livro mais conhecido, é O PRINCIPEZINHO.

É um convite à reflexão e uma motivação para que as pessoas se humanizem, se cativem e se percebam. Este livro tem desenhos do próprio escritor. Esta obra foi escrita, quando Exupéry se restabelecia de um acidente aéreo e foi publicada em 1943. É uma obra intemporal.
A história começa, quando um piloto, com avarias no seu avião, tem que aterrar no deserto do Sara. Está preocupado com a situação e com a maior das surpresas aparece-lhe um pequeno príncipe, que lhe pede para desenhar uma ovelha. O piloto obedeceu e assim é iniciado um diálogo fascinante, sobre afectos, tristeza e solidão. O livro transmite-nos uma filosofia poética e muitas reflexões sobre os valores da vida. Um livro que parece para crianças, mas que faz muito bem aos adultos.





EXCERTO:

E foi então que apareceu a raposa:

__Bom dia, disse a raposa.
__Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
__Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
__Sou uma raposa, disse a raposa.
__Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
__Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
__Ah! desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão,acrescentou:__Que quer dizer "cativar"?
__Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
__Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer
"cativar"?

__Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incómodo!
Criam galinhas também.É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?

__Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer
"cativar"?

__É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar
laços..."

__Criar laços?
__Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um
garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

__Começo a compreender, disse o principezinho...Existe uma flor...eu creio que ela me cativou...
__É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
__Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
__Num outro planeta?
__Sim.
__Há caçadores nesse planeta?
__Não.
__Que bom.
E galinhas?
__Também não.
__Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua ideia:
__Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam.
Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.
Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o
barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
__Por favor...cativa-me! disse ela.
__Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo.
Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

__A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os
homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

__Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
__É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás
primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei para o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.
__Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu
vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz.
Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então, estarei inquieta e agitada:
descobrirei o preço da felicidade!

ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY )

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS


Dirigido por Juan José Campanella, O Segredo dos seus Olhos, foi o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro.































Oscilando entre o presente e o passado, um oficial de justiça aposentado decide escrever um livro, sobre a violação trágica de uma jovem na sua própria casa, que ficou mal esclarecido. Juan José Campanella constrói um elaborado filme, onde está presente o mistério policial clássico, o melodrama de amores desencontrados e alusões políticas que lhe dão um tom simultâneamente histórico e claustrofóbico. O crime passa-se na época do governo de Isabel Perón e das acções constantes da "Triple A" (Aliança Anticomunista Argentina), grupo de repressão do Estado que recrutou gente da pior espécie, entre oficiais de polícia exonerados por delitos, civis com fichas criminais e matadores contratados.Os acontecimentos reflectem-se uns nos outros de modos distintos mas constantes.
"O Segredo dos Seus Olhos" não será a obra-prima que o Óscar faria pensar. Mas é, um exemplo de um cinema "mainstream" que não toma o espectador por parvo e que anda a fazer demasiada falta.

domingo, 27 de junho de 2010

DESCANSA A SACOLA - VIAJAR NA HISTÓRIA COM CANTIGAS E POESIAS DE VERA COSTA

Teatro Sá de Miranda, uma bonita sala de espectáculos, que felizmente teve uma boa reabilitação.

Fui a Viana do Castelo por convite irrecusável, de uma amiga. Tratava-se de mais um espectáculo, concebido por Vera Costa, o tema era: VIAJAR NA HISTÓRIA COM CANTIGAS E POESIAS (Manuel Alegre, José Jorge Letria, Luís de Camões, Eugénio de Andrade, Pedro Homem de Melo, José Afonso, D. Dinis, Ferrando Pessoa, Miguel Torga, Fausto, António Gedeão, Vitorino, Canções Populares, Carlos Paredes, Sophia Mello Breiner, Manuel Freire, Adriano Correia de Oliveira, José Carlos de Vasconcelos…)
O espectáculo em si incentivava ao conhecimento das crianças e não aquela postura inócua de, «que gracinha, é tão giro, tão pequenino…» Isso aborrece-me!..
UM CALOROSO ABRAÇO PARA VERA COSTA, PELO EMPENHO, PELO MUITO TRABALHO, PELA ENERGIA DEDICADA ÀS CRIANÇAS E À CONCEPÇÃO DE TÃO INTERESSANTE ESPECTÁCULO.


PORTUGAL, PORQUE SIM

Podia chamar-te pai, asa de fogo, planta agreste,
alpendre aberto ao feitiço das estrelas.
Podia aninhar-me no casulo do teu abraço
e adormecer com o mistério que alimenta as tuas lendas.
Podia recordar os nomes dos rios e das serras
e das linhas secundárias que cruzam vales e montanhas.
Podia perguntar pelos teus filhos
esquecidos há muito nas errâncias deste mundo.
Podia querer interpretar a tua melancolia
como um sinal de saudade da grandeza perdida.
Podia reabrir, em página incerta, os teus livros raros,
os dos poetas que engrandeceram a título póstumo,
como os heróis, em pátria de carpideiras
e de oficiantes da mais daninha e entranhada inveja.
Podia entrar nas tuas casinhas baixas,
as de granito e as pintadas com a mansa alvura da cal.
Podia afagar-te as barbas brancas
que se tornaram salgadas no fragor das batalhas.
Podia desenterrar os teus mortos
só para saber que sonhos traídos os levaram à cova.
Podia desmascarar os vendilhões que falam em teu nome
como se falassem de negócios reles numa banca de feira,
Podia perguntar-te porque atravessas cabisbaixo
os largos das aldeias desertas e queres saber
o paradeiro dos teus filhos silenciosos e distantes,
daqueles que tomaram outros rumos
com a dor da tua ausência a ferir-lhes o peito.
Podia deitar-me ao teu colo
como se me deitasse na cama de urze
à beira dos promontórios que vigiam as fúrias do mar.
Podia chorar no teu ombro cansado todas as desditas
que foste obrigado a consentir e a calar.
Podia contar aos meus netos os feitos
do Gama, de Magalhães e de Cabral
e desenhar um mapa de glórias navegantes
só para eles saberem que um dia
usaste a efémera coroa de algas dos reinos do mar.
Podia pedir-te e dar-te contas
de tudo aquilo que sonhámos e não alcançámos.
Podia fazer tudo isso e muito mais,
mas prefiro vislumbrar na tristeza dos teus olhos
a ternura com que segues o rasto das aves e das estrelas
e depois abraçar-te e dizer-te: meu querido Portugal,
serás, até ao fim, a luz que não se apaga nem se rende
quando sonhamos com tudo aquilo que ainda te falta ser.
José Jorge Letria

VIANA DO CASTELO AO PRINCÍPIO DA NOITE...

Jantar com música tradicional. Grupos, que iam de restaurante em restaurante, uma promoção da Câmara, nesta época de turismo...e depois do jantar, um passeio pelo Centro Histórico, muito cuidado, muito interessante até ao Teatro Sá de Miranda!...







sábado, 26 de junho de 2010

LEITURAS DE VERÃO

EM CASA RELEIO ALGUNS LIVROS E LEIO MUITA COISA PELA INTERNET, MAS QUANDO SAIO GOSTO DE LEVAR UM LIVRO COMIGO. APOSTEI NA LITERATURA AFRICANA EM LÍNGUA PORTUGUESA. CONHEÇO POUCO, A NÃO SER, TEIXEIRA DE SOUSA, LUANDINO VIEIRA, PEPETELA E MIA COUTO. ESTES LIVROS SAÍAM COM UMA REVISTA A 1 EURO, SÓ NÃO LÊ QUEM NÃO QUER!




ESTE FOI OFERECIDO COM DEDICATÓRIA DO AUTOR, FOI UM LIVRO QUE FEZ FUROR. NOVA LITERATURA PORTUGUESA, QUE TAMBÉM ME DESPERTA A ATENÇÃO.


AQUISIÇÃO NA FEIRA DO LIVRO, HÁ UNS TEMPOS QUE NÃO LEIO LITERATURA BRASILEIRA, MACHADO DE ASSIS NUNCA LI, ENCONTREI ESTE, MAS TAMBÉM PODIA SER D. CASMURRO OU O VEREDAS DE GUIMARÃES ROSA. LIVROS QUE TAMBÉM QUERO LER. LI MUITO JORGE AMADO, ERICO VERÍSSIMO, UBALDO RIBEIRO, LÍGIA FAGUNDES-TELLES, CLARICE LISPECTOR, MÁRIO QUINTANA E A POESIA DE VINICIUS DE MORAES, CECÍLIA MEIRELES, DRUMMOND, MANUEL BANDEIRA E NÃO ME LEMBRO DE MAIS!..PAULO COELHO NÃO GOSTO, SEM NUNCA TER LIDO UM LIVRO DELE!!!!! RECENTEMENTE ENVIARAM-ME UM DE GILBRAN LEMOS E GOSTEI BASTANTE.