A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 24 de março de 2011

PASSEIOS AO ACASO...



MUITO SIGNIFICATIVO ESTE DESENHO DE EMERENCIANO, RELATIVAMENTE AOS ACONTECIMENTOS QUE SE VÃO VIVENDO POR CÁ!









«Um pouco de possível, senão sufoco»
DELEUZE

Há bastante tempo que não via uma exposição do pintor EMERENCIANO, cujo percurso definiu aproximando a escrita à pintura, ESCRIPINTURAS. Percurso orientado pela motivação da escrita como um propósito, sem desejar ultrapassar a fronteira que separa as imagens das palavras. A escrita é representada. Depois, outros desenvolvimentos complementares são assumidos, e uma escrita virá a declarar-se através de textos de reflexão, e a escrita poética leva o autor a publicar livros.










Procura-me na sombra
Trás a faca ou a pistola

Se trouxeres uma corda
Podes amarrar-me
À eternidade luminosa
De um fio que se enleia
E desenleio
Desde o principio


Roo as unhas
Poupo os dedos

Cerro os dentes
Não mordo a língua

Os dedos afeiçoam
O convento das mãos
Para que a língua
Se liberte e percorra
As palavras onde
Em silêncio sou

Epicentro
EXPOSIÇÃO: Galeria do Palácio - Biblioteca Almeida Garrett


 Pavões procuram a sua paz escondendo-se das pessoas...


Nos Jardins do Palácio é impossível não dar um passeio a pé desintoxicante... lembrei-me da miúda, em Domingos que eram sempre festivos, calcorreando os caminhos, vádia e curiosa!


Que música tem a água, escorrendo pela pedra, para ir cair no lago...e a árvore que parece tocar o céu...Dias de...água, árvore...em todos os meus dias a Natureza está presente...estimo-a e respeito-a...

-Mãe que lindas bolinhas vermelhas tem este arbusto!
-Atenção! Não são de comer! Se comeres morres!
-E que é morrer?
-É ficares doente, muito doente da barriga  e com muitas dores!

E dos Jardins do Palácio sempre esta paisagem maravilhosa sobre o Rio Douro.







quarta-feira, 23 de março de 2011

QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF?

Cinéfila compulsiva, vi muitos filmes com a participação de Elizabeth Taylor, mas destaco: QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF, dirigido por Mike Nichols. O guião é uma adaptação da peça teatral homónima, escrita por Edward Albee.


Óscar 1967 (EUA) melhor actriz (Elizabeth Taylor), melhor actriz coadjuvante (Sandy Dennis). BAFTA 1967 (Reino Unido)Venceu nas categorias de melhor filme, melhor actriz britânica (Elizabeth Taylor) e melhor actor britânico (Richard Burton).

ELIZABETH TAYLOR (1932-2011)








BIOGRAFIA

DIA DE EXPECTATIVAS!...

A esperança não é nem realidade nem quimera. É como os caminhos da terra: na terra não havia caminhos; foram feitos pelo grande número de passantes.


Lu Hsun

segunda-feira, 21 de março de 2011

PRIMAVERA...DIA DA POESIA...ANIVERSÁRIO DE BACH

A Primavera entrou acalorada....muitos já deram um mergulho no mar...


 FLOR DA PRIMAVERA

O Dia Mundial da Poesia, instituído em 1999 pela Unesco com o objectivo de preservar a diversidade linguística, é também celebrado internacionalmente. A data assinala, também, os 150 anos 150 anos de nascimento do poeta Rabindranath Tagore.

Amor Pacífico e Fecundo


Não quero amor
que não saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.
Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!

Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
Tradução de Manuel Simões


Johann Sebastian Bach (1685-1750), considerado o maior compositor de todos os tempos, nasceu há 326 anos. Compositor, cantor, maestro, professor, organista, cravista, violinista e violista, o músico alemão - um dos maiores representantes da música no período Barroco, distinguiu-se pela genialidade. A sua influência não conhece tempo nem fronteiras.

sábado, 19 de março de 2011

AO MEU PAI...

Como se fosse ontem
Num dia de névoa
Agarro a tua mão
Grande, aglutinadora
E de mão dada
Eu descubro
Pelos teus olhos
A multiplicidade
Dos mistérios
Da cidade!

Cantos e recantos
Estátuas e museus
E inevitavelmente os Jardins
Os jardins do meu contentamento
Com o saco do pão
Para os patos
Meu vivaz divertimento!

Todas as ruas
Tinham os seus casos
E tu sabias tanto!..
De guerras, revoluções
De heróis e poltrões
Do povo combativo, sofredor
Realista e sonhador!..

Por ti amo o Porto
Bocado a bocado
Deslumbrada, surpreendida
Com a tua voz grave
Gravada em mim a cinzel
De pedagogo da vida!

sexta-feira, 18 de março de 2011

BOM FIM-DE-SEMANA!...

Aqui despi meu vestido de exílio
e sacudi de meus passos
a poeira do desencontro.

Sophia de Mello Breyner Andresen




«GERAÇÃO À RASCA - A NOSSA CULPA» - UM TEXTO FALSAMENTE ATRIBUÍDO A MIA COUTO E QUE ANDA POR AÍ A CIRCULAR SUSCITANDO GRANDE POLÉMICA

«RASCA», estar à rasca, ie em dificuldades, que dia a dia são acrescidas, é um termo que está na «berra» e muito se tem falado na mesma, cada um avançando com o seu ponto de vista sobre a situação e evidentemente há muitos pontos de vista a considerar! Este foi falsamente atribuído a Mia Couto, chegou até mim por mail e também fui ludibriada.


"Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!


Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.


Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.


A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.


Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.


Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ...
A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.


Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquer coisa phones ou pads, sempre de última geração.


São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!


A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.


Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!


Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).


Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.


E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.


Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.


Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.


A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.


Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?



AUTOR:

quinta-feira, 17 de março de 2011

JAPÃO A TRAGÉDIA QUE NUNCA MAIS ACABA...


Tragédia funesta

O medo corre nos dias

A vida é frágil



Pessoas procuram

O que não mais pode ser

Com olhos de lírio


 
Todos os dias temos imagens directas do caos, impressionantes visões da tragédia...comove-me as entrevistas às pessoas, a sua delicadeza e serenidade...perante tanta adversidade.



Esta música  suscita-me uma reflexão especial... para os que sofrem…para a vida…para a nossa vulnerabilidade…para mergulhar na minha essência…debruçando-me sobre o que é realmente o mais importante nesta passagem por aqui…

quarta-feira, 16 de março de 2011

INDIGNAI-VOS! ( um fenómeno editorial...)

Este livro tem feito furor nos países onde tem sido editado e com a sua edição recente em Portugal, muitos o querem ler, muitos falam dele!
Em Outubro de 2010 foi  publicado em França e já ultrapassou os 1,3 milhões de exemplares vendidos.
O que tem de tão especial este livro de poucas páginas, que custa 5 euros? É escrito por um não-político, num estilo directo e simples, sem demagogia, com a autoridade moral de um resistente inconformado e de um lutador visionário, alertando-nos para o facto de existirem hoje tantos e tão sérios motivos para a indignação. Faz um apelo à indignação, mas também à acção, incitando os jovens a combater a indiferença e a lutar por valores como a liberdade, a democratização do ensino, o direito à reforma. Refere também  o fosso assimétrico crescente, o estado do planeta, o desrespeito pelos emigrantes e pelos direitos humanos, a ditadura intolerável dos mercados financeiros, a injustiça social e muitos outros.
Este livro é um desafio, uma motivação para a insurreição pacífica, pois "cabe-nos a todos em conjunto zelar para que a nossa sociedade se mantenha uma sociedade da qual nos orgulhemos."

Num artigo do "Público" sobre este fenómeno editorial, o filósofo Eduardo Lourenço justifica-o como "sintoma do mal-estar e da crise profunda que hoje se vive em França (…) expressão de uma revolta moral e ética".


 «A minha longa vida deu-me uma série de motivos para me indignar».



Stéphane Hessel tem 93 anos, nasceu alemão mas naturalizou-se francês e distinguiu-se na Resistência. É judeu sobrevivente dos campos de concentração, mas defende o direito do povo palestiniano a ter o seu Estado. Foi um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

segunda-feira, 14 de março de 2011

BARCELONA



MÚSICA: LA VIDA BREVE de MANUELA DE FALLA

BARCELONA

Impossível ver a cidade de Barcelona em três ou quatro dias, só a conhecia de passagem! Barcelona é um museu ao ar livre, uma cidade de uma arquitectura diversificada! Um deleite percorrer as ruas, com os olhos espantados, com tantos sofisticados pormenores. Barcelona é uma cidade plana e oferece ao visitante a possibilidade de percorrer a pé as ruínas romanas, a cidade medieval, o «Bairro Gótico» com as suas ruelas tão características, destacando-se especialmente as obras góticas que proliferam no seu centro histórico, como a Catedral de Barcelona e a Igreja de Santa Maria do Mar [Há poucos anos li o romance histórico «A Catedral do Mar» de Ildefonso Falcones, que narra a construção pelo povo e para o povo de um grande templo] e também percorrer os bairros do modernismo catalão, caminhando devagar pelas suas ruas arborizadas e as suas largas avenidas.



Barcelona «à priori» lembra logo Antonio Gaudi e o Templo da Sagrada Família, seu «ex-libris» e outras obras que deixou na cidade, Parque Güell, a Casa Milà, também chamada de "La Pedrera", a Casa Batlló e até outras obras de menor volume mas com a sua marca peculiar, portões, candeeiros, pequenas casas. O Templo da Sagrada Família, é uma obra megalómana e inacabada. O seu término está previsto para c. de 2020. Outros arquitectos, não tão conhecidos, mas com obras excepcionais são: Lluís Domènech i Montaner e Josep Puig i Cadafalch. A art-noveaux domina de forma espectacular a cidade.


Também possui obras relevantes de arquitectura contemporânea, de Ludwig Mies van der Rohe, Josep Lluís Sert, Arata Isozaki, Norman Foster e Santiago Calatrava. Ricardo Bofill. Richard Meier, Jean Nouvel, Frank Gehry (projecto),Jacques Herzog e Pierre de Meuron.


Foi pouco o tempo que estive em Barcelona para tanto que havia para ver, mas do excelente panorama para o porto e o mediterrâneo, do Monte Montjuic, onde se encontra as instalações dos Jogos Olímpicos de 1992, à descoberta de Gaudi, ao Bairro Gótico, a Barcelona à noite, às ramblas, ao Passeio Garcia…das tantas da manhã às tantas da noite….foi de facto uma maratona!..


Interessante é a história de Barcelona e de uma forma sumária, os primeiros vestígios de povoamento em Barcelona remontam ao final do período Neolítico (2000 a 1500 a.C.). Mais tarde teria existido uma colónia grega (Kallipolis) e depois chegaram os romanos no final do século I a.C., onde estabeleceram uma fortificação militar, chamada de Iulia Augusta Paterna Faventia Barcino.
No século V, Barcelona foi ocupada pelos visigodos. No século VIII a cidade foi conquistada pelo vizir árabe al-Hurr e iniciou-se um período de quase um século de domínio muçulmano que terminou em 801 quando foi ocupada pelos carolíngios, que a converteram em capital do Condado de Barcelona. A potência económica da cidade e a sua localização estratégica fizeram com que os muçulmanos voltassem em 985, comandados por Almansor, ocupando-a durante algum tempo.
A partir do século XIV a cidade iniciou uma era de decadência que se estendeu durante os séculos seguintes. A união dos reinos de Aragão e Castela, oficializada com o casamento entre os reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela, gerou um ambiente tenso entre catalães e castelhanos e posteriormente surgiu a Guerra da Sucessão Espanhola (de 1702 a 1714).
Até o fim do século XVIII, Barcelona iniciou uma recuperação económica que lhe favoreceu uma industrialização progressiva. No século XX era um dos centros urbanos mais avançados de Espanha. Foi sede de duas Exposições Universais nos anos de 1888 e de 1929.


A escalada da Guerra Civil Espanhola e a derrota das forças republicanas tornaram o panorama desfavorável novamente, uma vez que Barcelona esteve ao lado da República e no final de 1939, as tropas franquistas ocuparam a cidade. Restaurada a democracia após a morte do ditador Franco, um novo desenvolvimento cultural e urbanístico aconteceu.

domingo, 13 de março de 2011

BARCELONA - ANTONI GAUDI

SOBRE - Antoni Placid Gaudí i Cornet (1852 — 1926)



MÚSICA: Concierto de Aranjuez - Adagio - RODRIGO

sábado, 12 de março de 2011

VIAJANDO .... (pela paisagem...pela poesia...)



Para Além da Curva da Estrada



Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

Heterónimo de Fernando Pessoa  


 


A Melhor Maneira de Viajar é Sentir


Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.


Álvaro de Campos, in "Poemas"

Heterónimo de Fernando Pessoa

sexta-feira, 4 de março de 2011

quinta-feira, 3 de março de 2011

À ESPERA DE GODOT...

Samuel Beckett veio ter às minhas mãos, assim na forma deste postal e motivou-me a revisitar o Teatro do Absurdo, que Antonin Autard dizia da Crueldade e depois ainda foi chamado de Pânico por Arrabal, com influência do surrealismo, existencialismo e dadaísmo. Andei perdida por esses universos na net .


Não vou debruçar-me muito sobre isto, há de facto na internet muita matéria a explorar, para quem pretender.


Mas Beckett, de imediato levou-me à peça «À Espera de Godot»... uma ideia «universal» a espera… individualmente ou em comum… há sempre uma espera de… Godot? E quem é Godot? Godot pode ser tudo e nada!?...


A peça “fala” subtilmente sobre a nossa condição humana, esperando sempre por um Godot que não existe ou que nunca chega. Sobre a desesperança. A peça é sobre cada um de nós. Quem é Godot ? O que é Godot ? Ele existe ? Será Deus ? Será a liberdade ? Um objetivo humano inalcançável ? Samuel Beckett disse: Se eu soubesse, eu teria dito na peça. O que nos leva a crer que não é o Godot em si que é importante, mas sim a sua espera.


Espera ansiosa por algo, num lugar de «rien faire», porque nada acontece, tudo se repete…e Vladimir e Estragon angustiados esperam…não sabem o quê… iludindo a tristeza e a frustração. Quem é Godot? Que querem a Godot?


Esperam num diálogo trivial…até que entra de repente Pozzo, que puxa Lucky, com uma corda, amarrada ao seu pescoço…O patrão e o seu escravo?...Lucky é mais inteligente, porque pensa, Pozzo, não!


Conversam sobre o seu drama pessoal…depois um miúdo aparece dizendo que Godot não vem, amanhã talvez…


No outro dia a mesma situação, só que Pozzo está cego e Lucky surdo…


Godot não vem…talvez amanhã…ou amanhã…ou amanhã…


Pensam em se enforcar, mas desistem...


É trágico… a espera em vão…não se sabe de quê…


Vladimir:
Então, devemos partir?
Estragon:
Sim, vamos.


Não se movem.




EXCERTO.


“Vladimir: Depuis quand ?


Pozzo: [soundain furieux] Vous n’avez pas fini de m`empoisonner avec vos histoires de temps? C’est insensé! Quand! Quand! Un jour, ça ne vous suffir pas, un jour pareil aux autres il est devenu muet, un jour je suis devenu aveugle, un jour nous deviendrons sourds, un jour sommes nés, un jour nous mourrons, le même jour, le même instant, ça ne vous suffit pas? [plus posément.] Elles accouchent à cheval sur une tombe, le jour brille un instant, puis c’est la nuit à nouveau. [Il tire sur la corde.] En avant!”

quarta-feira, 2 de março de 2011

QUEM NÃO ESCREVEU E ESCREVE CARTAS DE AMOR!?...

Sim, todas as cartas de amor são ridículas (AC/FP), mas umas mais que outras, dependerá também de quem as escreve e da paixão com que as escreve! Foram editadas as Cartas de Amor de Pablo Neruda, as cartas que escreveu a Matilde Urrutia, a quem chamava Rosário, pela qual já no exílio, sentiu uma amor incondicional e com quem casou em 1967. A Rosário dedicou uma parte substancial da sua obra: Os Versos do Capitão, Cem Sonetos de Amor e Uma Canção Desesperada. Muitas das cartas são do tempo em que o seu amor era secreto e Neruda escrevia: de noite, junto da janela o imenso céu, o mar lá em baixo e tu, amor, na minha insónia.



Terá dormido pouco, consumido pela saudade e pela paixão, a avaliar pelas cartas ou simples bilhetes (fac-similados).


O livro é uma celebração ao amor sublime, por uma alma sensível e dotada de génio, mas também um prazer como livro, enquanto objecto sensual.


Luís Sepúlveda disse que preferia estar morto quando acabar o livro de papel, porque leitura electrónica é fria e sem personalidade. Para ele (e para mim) o livro é algo quente, tocável, manipulável.



Luís Sepúlveda uma pessoa que admiro, pela sua postura social,  de quem já li alguns livros. Gostei especialmente de:


História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar (um livro com uma mensagem universalista de tolerância para os que são diferentes de nós)


O Velho que lia Romances de Amor


"António José Bolívar sabia ler, mas não escrever. (...) Lia lentamente, juntando as sílabas, murmurando-as a meia voz como se as saboreasse, e, quando tinha a palavra inteira dominada, repetia-a de uma só vez. Depois fazia o mesmo com a frase completa, e dessa maneira se apropriava dos sentimentos e ideias plasmadas nas páginas. Quando havia uma passagem que lhe agradava especialmente, repetia-a muitas vezes, todas as que achasse necessárias para descobrir como a linguagem humana também podia ser bela."

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

À MINHA AMIGA NILCE GIBSON...

NILCE CHEGOU A ENCOMENDA...

Este post suscitou-me a ideia de escrever sobre a amizade, confesso que andei pelo site do Citador, a ler umas reflexões de grandes pensadores, para compilar, mas acabei por decidir escrever, mesmo não sendo tão eloquente, está mais dentro daquilo que eu penso.



Nunca fui pessoa de dizer eu tenho «montes de amigos», na realidade nunca tive, conhecidos dentro de um relacionamento amigável, isto é onde é preponderante o respeito, a afinidade, mas também a boa disposição a descontracção tive e tenho alguns, até do tempo da escola.


Penso, no entanto que a amizade como eu a entendo é algo que exige disponibilidade, é estar mais presente, é estar sempre no bom e no mal, num contacto assíduo. Obviamente que aqui podia discorrer bastante sobre o tema o que daria um longo post. Amigos assim, não é possível ter muitos.


Ao começar com o blogue, depois de uns tempos, comecei a criar afinidades, cheguei-me mais ou chegaram-se mais e começaram a ocupar o meu pensamento uma série de amigos e eu acredito nas amizades virtuais. Comecei a prender-me mais a estes amigos e até a sair menos! Conheço pessoas aqui muito interessantes, que me motivaram um exercício reflexivo e admiração pela sua índole rica em transmitir ideias luminosas e sentimentos estimulantes.


Há pessoas que muito prezo, pessoas que foram entrando no meu mundo e já fazem parte dele, o meu dilema tem sido realmente chegar a todas, deixar palavras, porque é através das mesmas que eu me faço presente. Há aqui seguidores a quem eu nunca disse nada, há seguidores que eu nem sequer segui, são perdas para mim, mas como é que eu posso chegar a todos? Que me desculpem é a única coisa que peço!


A Nilce é uma mulher que eu muito estimo, com um mundo dentro de si muito rico, é alguém que dá o melhor de si aos outros, mas será que eu estou a corresponder exactamente a esse elo que se estabeleceu entre nós? Não sei como aconteceu, mas é gratificante ter a Nilce na minha casa, a Nilce uma mulher guerreira e alguém sempre tão disponível para dar afecto.


Sou afectuosa e sentimentalona, mas não de palavras fáceis, que me parecem gastas, portanto Nilce gosto de si e gosto de a ver por aqui e peço-lhe desculpa das minhas falhas.  
 
 ( ESTE URSINHO É DE ESTIMAÇÃO)

Vou guardar sempre as palavras que escreveu no postal e que muito me emocionaram. Obrigada por ser minha amiga.


E a Nilce ainda mandou saquetas de chá e o que me apetecia mesmo era reunir aqui os meus amigos blogueiros para tomarmos um chá!... Com certeza que não faltariam doces de todo o género, para nós engordarmos mais qualquer coisa...eu prontamente iria fazer uns scones...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

GOSTO MUITO DE IR CONVERSAR COM OS PATOS...



LOCAL: PARQUE DA CIDADE
MÚSICA: THAÏS (MÉDITATION) de MASSENET

CORRENTES D’ ESCRITAS NA PÓVOA DO VARZIM

Na sua 12ª edição, decorre o maior evento literário português do género, que aposta no informal e na proximidade entre escritores e público.



Mesas-redondas, lançamentos, sessões nas escolas, projecções de filmes, música, exposições…


Apesar do escritor brasileiro Rubem Fonseca não ter vindo, devido a doença, estão presentes 65 escritores, conhecidos e menos conhecidos: Luis Sepúlveda, Valter Hugo Mãe, Maria Teresa Horta...


Numa troca, de livres ideias, os painéis de discussão são:


NADA NO MUNDO DEVE SER SUBESTIMADO


ESPALHO SOBRE A PÁGINA A TINTA DO PASSADO


AS PALAVRAS SÃO APENAS UMA MEMÓRIA


A OBRA QUE FAÇO É MINHA


Poema sobre a recusa




Como é possível perder-te

sem nunca te ter achado

nem na polpa dos meus dedos

se ter formado o afago

sem termos sido a cidade

nem termos rasgado pedras

sem descobrirmos a cor

nem o interior da erva.


Como é possível perder-te

sem nunca te ter achado

minha raiva de ternura

meu ódio de conhecer-te

minha alegria profunda.

Maria Teresa Horta