A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sexta-feira, 20 de maio de 2011

NAS ESQUINAS DA RUA SANTA CATARINA...

É conhecido, que nas esquinas da Rua Santa Catarina, frente a frente se encontram os bustos de Camões e de Dinamene, não encontro comprovações para que assim seja...até porque a suposta Dinamene seria chinesa o que não corresponde ao busto da mulher...



Boa parte das informações sobre a biografia de Camões suscitam dúvidas e, provavelmente, muito do que sobre ele circula não é mais do que o típico folclore que se forma em torno de uma figura célebre. São documentadas apenas umas poucas datas que balizam a sua trajectória.


A decantada Dinamene também parece ser uma imagem poética antes do que uma pessoa real.


Identificada, segundo uma tradição biográfica de contornos mais lendários do que históricos, com uma jovem chinesa que teria perecido num naufrágio, no rio Mecom, são várias as interpretações que têm sido levantadas quanto à identidade deste nome, inclusivamente a de que corresponderia ao nome de uma das ninfas do mar, a que se referem vários escritores da Antiguidade. No âmbito da lírica camoniana, as composições em memória de Dinamene integram um ciclo de sonetos onde a expressão do amante exilado, pela morte no mar da mulher amada, é o ponto de partida para a exploração pungente das dialécticas temáticas amor/morte e ausência/presença.


Ah! minha Dinamene! Assim deixaste
Quem não deixara nunca de querer-te!
Ah! Ninfa minha, já não posso ver-te,
Tão asinha esta vida desprezaste!

Como já pera sempre te apartaste
De quem tão longe estava de perder-te?
Puderam estas ondas defender-te
Que não visses quem tanto magoaste?

Nem falar-te somente a dura Morte
Me deixou, que tão cedo o negro manto
Em teus olhos deitado consentiste!

Oh mar! oh céu! oh minha escura sorte!
Que pena sentirei que valha tanto,
Que inda tenha por pouco viver triste?

*
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís de Camões

quinta-feira, 19 de maio de 2011

NA ESQUINA DO TEMPO, nº.50 – GLÓRIA LEÃO

As pessoas são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons.
Cícero (Citação tirada do livro)


Ler um livro de alguém que se «conhece», com quem já se trocou muitas ideias, com quem se foi trocando, por um lado palavras de desalento e por outro de incitamento, mutuamente …foi uma experiência nova para mim…Página a página reencontrei a amiga e as conversas tidas, de assuntos tão diversificados! Apesar de se revelar através de vários nomes da mitologia, não deixou de ser a minha amiga Glória Leão! Vi-a como olhando para um espelho de água reflectindo as suas verdades, o mais e o menos, com a mesma intensidade e frontalidade.


Fiz uma leitura de rajada e depois mais calmamente frui do livro.


O conteúdo do livro é a verdade de alguém que andou anos guardando o mundo envolvente. Uma respigadora da vida, do que viveu, do que sentiu, do que conheceu…tudo que foi passando por si, que a absorveu e que lhe motivou muitas reflexões…assim a obra nasceu…súmula da vida de uma mulher, onde as mulheres se podem encontrar, nos seus ganhos e perdas, sonhos e decepções, lutas e derrotas…mas também em tudo que é a sua vida: família, amigos e inimigos, sociedade, política…a observação plena da vida em todos os seus quadrantes.

Há muita vida depois dos 50 e da menopausa!
Excerto de um capítulo « Dione, A Pescadora de Tempestades», que de certa maneira «vivi» ... e de que me lembro muito bem!

Um dia quando o seu sangue parou de fluir e secou, seus hormônios diminuíram e seu sexo não mais podia gerar um filho, Dione redescobriu-se escritora.



Pescava, tentava fisgar em si mesma a razão de ter nascido.


Num dia de vendaval e tempestade intensa, com ventos cantando, rugindo, batendo janelas e portas, sangrou como nunca.






Sangrava pela ponta dos dedos, a cada frase, a cada palavra que vinha como se lhe baixasse um espírito que precisasse sair através do seu sangue, sua dor, seu sofrimento.


Escrever passou a ser uma questão de vida. De sobrevivência.


Os filhos já haviam-se tornado adultos. Suas vidas já caminhavam por trilhas pelas quais ela não podia mais seguir com eles.


Viu que a casa, agora vazia na maior parte do tempo, era seu navio.


O silêncio não a incomodava, pelo contrário, precisava dele, ele a nutria


Precisava dessa paz, dessa solidão povoada de memórias, lembranças, remorsos, arrependimentos.


Agora era ela com ela mesma. Suas questões tinham que ser resolvidas em silêncio, com as perguntas que se fazia e as respostas que deviam vir de dentro dela.


A aparente solidão era somente aparente. Um mundo novo ia surgindo dentro de Dione.


Parecia redescobrir sua antiga paixão, em meio a emaranhados de lembranças, como velhas redes perdidas e encontradas, séculos depois, no fundo do mar.


Havia de tudo ali.


Em meio a lembranças cheias de ferrugens e cracas, vinham também saudades, recordações, encontros, desejos nunca saciados, sonhos jamais desfeitos.


A rede, carregada disso tudo, chegava à tona pesada, muitas vezes querendo voltar para o fundo, e ela puxava, não a deixando ir embora. Mas muitas vezes, afundava novamente por tanto peso que carregava.


Se era para ser com sofrimento e dor e que só dessa maneira conseguiria trazê-la para cima, que assim fosse.


Se era para ser com lágrimas, tristezas, abismos, despenhadeiros, que assim fosse.

GLÓRIA LEÃO

terça-feira, 17 de maio de 2011

BUDDHA EDEN

A finalidade era conhecer o jardim BUDDHA EDEN, mas parar em Aveiro (a Veneza portuguesa), nas Caldas da Rainha (a Rainha do Oeste) e depois em Óbidos (jóia medieval) é sempre agradável. O Jardim foi concebido pelo Comendador José Berardo em resposta à destruição que ocorreu em 2011 dos Budhas de Bamiylan no Afeganistão pelo governo taliban, que eram uma herança para a humanidade.



O Jardim da Paz, encontra-se situado nos terrenos luxuriosos da Quinta dos Loridos, no Bombarral e a poucos kilómetros de Óbidos. O jardim ocupa uma área de 35 hectares. Com cerca de 6000 toneladas de mármore e granito, budhas, lanternas, estátuas de terracotta e várias esculturas que foram colocadas cuidadosamente entre a vegetação. Este espaço verde com o seu lago central é um local de paz e tranquilidade, onde se pode descobrir vários caminhos ou ficar a relaxar na erva que circunda o grande lago. A escadaria central é o ponto focal do jardim, onde se encontram os budhas dourados. Pelo jardim estão espalhados 700 soldados de terracotta. São pintados à mão e cada um deles é único. No lago pode observar-se os peixes Koi e os dragões esculpidos a erguerem-se da água.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

DEVANEIO...

Paula Rego

Está cinzenta a tarde…a tarde que vai crescendo para a noite…nas noites em que os olhos se arregalam…e das órbitas saltam para a rua…para aquela brisa que está além das paredes…brisa que arrepia um corpo desaconchegado que anda calcorreando a cidade húmida …em buscam do que se quer esquecer…

É uma caminhada incessante, até que o corpo queda-se olha a erva molhada pela frescura da noite, deita-se e encolhe-se como um feto…ali está só, ao relento…de manhã acorda com a música dos pássaros…o sol percorre-lhe o corpo…traz-lhe um calor apetecido…deitada olha para o céu…para as nuvens que caminham…que se enchem e esvaziam…uma borboleta passa-lhe rente aos olhos…uma borboleta lembra-lhe qualquer coisa…um sonho…estava de mão dada, alguém sorria e dizia: «Olha aquela como é bonita…tem asas azuis…e aquela amarela e castanha….olha uma rajada de preto e branco…fechou os olhos…apertou as mãos vazias e lembrou-se de algo cujas formas não conseguia definir. Depois fixou-se no cantar dos pássaros…tentou perscruta-los nos ramos das árvores, em vão…

Depressa se levantou e começou a andar, tomou um caminho ao acaso, afinal qualquer caminho servia, bastava colocar um pé atrás do outro e ir em frente! Sentiu nas narinas o cheiro da maresia, o mar estava perto… Caminhou e apareceu… Parecia de prata, desceu as escadas e sentou-se na areia, enlaçou as pernas com os seus braços e ficou a olhar, aquela imensidão de água…o mar, as ondas, as gaivotas que passavam e deixavam o seu grito, que sempre lhe parecia desesperado e um sonho insinuou-se…o sonho de ver o mar por dentro, de lhe descobrir as entranhas, a essência…de ver lá no fundo o seu coração a bater… Mas como ele pulsava espraiando a sua energia!...Aproximou-se queria sentir nos lábios o sal…nos pés nus a carícia da água a ir e a vir, movimento incessante…Contou as ondas…na sétima pensou: não há desejos a pedir e virou as costas ao mar…na praia começaram a aparecer pessoas com as suas crianças, ficou a brincar com elas com os olhos…sorriu, esboçou gestos, estendeu a mão…mas ninguém a via…desconsolada pegou uma mão cheia de areia, apertou-a, soltou os dedos e viu como ela se escoava rapidamente…

Levantou-se pegou seus trastes e pensou «tenho que viver sem saber para quê, vivendo, e assim vou-me esquecer para que vivo! »

Escrito num dia de desânimo! A marginalidade na sociedade é sempre uma temática que me impressiona bastante! A pessoa que não tem emprego, casa, família...e quantos eu não vejo cruzarem-se no meu caminho? E quantas histórias não ouço, dos desvarios da vida? Esta é a miséria contemporânea...que vai crescendo...é uma miséria assustadora...que se torna muito presente nos portais da cidade...que vive de expedientes...que procura ganhar o suficiente para os remédios do esquecimento: o alcool e a droga!...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

MAIS UM PASSEIO...PORQUE AGORA SÓ APETECE PASSEAR...



Não é esta zona do parque que mais frequento, chamada de Oriental, mais distante, também mais frequentada e ruidosa. Aqui concentram-se os complexos desportivos e o Pavilhão da Água, herança da Expo 98 e que deve estar com dificuldades de manutenção!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

QUEM SE LEMBRA DE JOSEPHINE BAKER?

Lembro-me de em minha casa ouvir falar de Josephina Baker, o meu pai tinha um especial apreço por estar ao corrente da vida artística e tudo lá em casa se parecia com alguém! O meu pai era o Maurice Chevalier, a minha mãe por ser Beatriz e pessoa alegre, a Beatriz Costa e a minha irmã, parecida ou não, queria imitar a Gina Lollobrigida, no género de roupa e penteado e, eu era demasiado pequena para me parecer com alguém. Há pouco estava a ver um filme e ocorreu-me ao pensamento o dia da mãe a depois sem saber bem porquê, Josephina Baker, tudo porque me lembro de falarem da mulher extraordinária que foi investindo o dinheiro ganho na adopção de crianças, sem ser mãe biológica foi de facto por amor ao próximo uma excelente mãe.


Vim ao computador, pesquisar sobre Josefina. De facto adoptou 12 órfãos de várias etnias, aos quais chamava "tribo arco-íris." Eram eles: Janot, coreano; Akio, japonês; Luís, colombiano; Jari, finlandês; Jean-Claude, canadense; Moïse, judeu francês; Brahim, argelino; Marianne, francesa; Koffi, costa-marfinense; Mara, venezuelana; Noël, francês, e Stellina, marroquina.


 

Josephina Baker, cantora e bailarina negra, nasceu em Saint Louis, nos Estados Unidos, em 1906. Começou por cantar na rua, foi fazendo carreira e em 1925 estreou em Paris, no Théâtre des Champs-Élysées, fazendo imediato sucesso com as suas danças eróticas, aparecendo praticamente nua em cena. Acabou por se tornar estrela da Folies Bergère , granjeando grande sucesso. Teve vários maridos e amantes célebres.


Durante a Segunda Guerra Mundial, teve um papel importante, como espia, na resistência à ocupação. Foi depois condecorada com a Cruz de Guerra das Forças Armadas Francesas e a Medalha da Resistência. Recebeu também, do presidente Charles de Gaulle, o grau de Cavaleiro da Legião de Honra.



Nos anos 1950, usou da sua grande popularidade na luta contra o racismo e pela emancipação dos negros, apoiando o Movimento dos Direitos Civis de Martin Luther King. Baker também trabalhou na National Association for the Advancement of Colored People (NAACP).


 


Foi a partir desse ano que começou a adoptar crianças órfãos, oriundas das tournées que fazia pelo mundo, passando a criá-las no seu castelo, Les Milandes, nas vizianças de Paris. Também adoptava animais de todas as raças.



No final dos anos 60, passou por dificuldades financeiras, deixou de actuar em 1968. A princesa Grace do Mónaco ofereceu-lhe uma casa no Principado. Baker apresentou-se então no Mónaco, com grande sucesso, em 1974. No mesmo ano fez apresentações em Nova York. Estava a preparar-se para comemorar, em Paris, os 50 anos de palco, quando entrou em coma e morreu aos 68 anos, em 1975.

CARTA AOS MEUS SEGUIDORES...


Tenho que dar uma explicação relativamente a não comentar tanto como eu gostaria…Sempre gostei de visitar os blogues das pessoas com quem já estabeleci cumplicidade e pelas quais sinto afinidades…mas o chegar ao blogue, o tempo que alguns deles demoram a abrir, esperar para deixar o comentário, alguns depois requerem que escreva aquelas letras malucas, que eu nem sei para que servem…dão cabo da minha paciência…e insisto…e espero…e há mesmos alguns blogues onde nem consigo entrar…sinto-me frustrada, esta situação tem de facto piorado!
Por outro lado também já tive indicações que por vezes é difícil chegar ao meu blogue!...
O interesse que suscita  o «feedback» do que se escreve está a falhar!



Sou básica em questões da internet…ie fui aprendendo com as dificuldades que foram aparecendo e com algumas dicas que me foram dando, mas longe de dominar os caprichos deste bicho…algumas perguntas me ocorrem.


Têm tido este problema?
Será que este problema é especificamente do meu computador?

sábado, 7 de maio de 2011

ERROS - «Errare humanum est, perseverare diabolicum»

COMPREENDER...



Os Erros

A confusão a fraude os erros cometidos
A transparência perdida — o grito
Que não conseguiu atravessar o opaco
O limiar e o linear perdidos
Deverá tudo passar a ser passado
Como projecto falhado e abandonado
Como papel que se atira ao cesto
Como abismo fracasso não esperança
Ou poderemos enfrentar e superar
Recomeçar a partir da página em branco
Como escrita de poema obstinado?

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

...OU QUERER COMPREENDER, NÃO QUERENDO MAIS COMPREENDER...



O Paradoxo do Entendimento

Mas de vez em quando vinha a inquietação insuportável: queria entender o bastante para pelo menos ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que compreendera era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro - preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não-entender. Era ruim, mas pelo menos sabia que estava em plena condição humana.

Clarice Lispector, in 'Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres»

quinta-feira, 5 de maio de 2011

PASSEIO ATÉ À RIBEIRA COM A MÚSICA da Fanfare Ciocarlia

As fotografias começam na saída do eléctrico e logo pela frente está a Igreja de S. Francisco, riquíssima, a mais rica em talha dourada, visita imprescindível e para quem não se impressionar ao lado, além de poder ver um museu de arte-sacra, também pode ver um cemitério subterrâneo onde grande parte de esqueletos e caveiras estão visíveis.



Descendo para a Praça da Ribeira pela Rua da Reboleira, encontra-se logo uma casa da Idade Medieval (séc. XIV), segue-se a conhecida casa de fados «O Mal Cozinhado» (contrariamente a Lisboa, o Porto só tem três casas de fado).


Caminhando rua abaixo, chega-se à Capela da Sr.ª do Ó, esquina da rua onde se encontra a Casa do Infante.


[O edifício da velha Alfândega está ligado à figura do Infante D. Henrique que, segundo a tradição, teria nascido neste local, em 1394. A origem portuense do Infante D. Henrique é conhecida através do cronista Fernão Lopes. No Arquivo Histórico Municipal do Porto existe o documento com as despesas efectuadas durante as festas do seu baptizado. A ligação do nascimento do Infante a este edifício entronca numa tradição popular. Sabemos que a torre norte foi habitação do almoxarife do rei, podendo ter sido este o local de estadia da corte. A credibilidade da versão popular assenta ainda no facto de se tratar do maior edifício civil do burgo e de ser propriedade da coroa].

Prosseguindo, aparece o mítico café-concerto Aniki Bobó, em alusão a um dos filmes feitos por Manuel de Oliveira, com o mesmo nome. A seguir o Restaurante Postigo do Carvão, sítio de boas noitadas!

[Das 18 portas e postigos das Muralhas Fernandinas, construídas no século XIV em torno da cidade do Porto, o Postigo do Carvão é o único que sobreviveu até aos nossos dias.]



 
Chegada à Praça da Ribeira, encontra-se o S. João (santo da grande festa da cidade, com particularidades muito especiais), estátua feita por José Cutileiro e depois o Cubo da Ribeira, insólita escultura de José Rodrigues.



Na Pr. da Ribeira existem muitas esplanadas onde se pode ver o rio Douro, a Ponde de D. Luís que faz ligação com Gaia, onde se localiza o Mosteiro da Serra do Pilar e os novos funiculares, que ligam a parte superior de Gaia ao cais.


No meu trajecto passo pelo Restaurante Marina, local de tradição de bons convívios, chego ao Peter, o célebre café dos Açores que abriu portas na Ribeira e vou para a rua da Lada, passando pelo Bar-concerto o Duque.


[Deocleciano Monteiro, popularmente conhecido por Duque da Ribeira, ( 1902 – 1996) foi um barqueiro e figura carismática da cidade do Porto. Com apenas onze anos, salvou um homem de morrer afogado no rio e, a partir daí, foi protagonista de inúmeros salvamentos naquele local ao longo de décadas. Foi alvo de diversas homenagens. A praça junto à Ponte Luís I recebeu o seu nome, tendo sido colocada uma lápide no local, com busto de José Rodrigues.


Elevado ao estatuto de figura pública, o Duque da Ribeira conviveu com diversas personalidades portuguesas e estrangeiras e no seu livro de autógrafos constavam as assinaturas da rainha Isabel II, de Inglaterra, dos presidentes portugueses Ramalho Eanes e Mário Soares e do presidente de Moçambique Samora Machel, entre muitos outros.]


Seguindo pela Rua dos Canastreiros, meto pelas arcadas para chegar ao restaurante Chez Lapin , lembrando as noitadas inesquecíveis lá passadas e a Maximiana, uma senhora que nos tratava muito bem da barriguinha e alinhava com as nossas larachas. Sempre deixavamos um poema ou prosa, ali lavrados e que depois se escreviam na parede, paredes que estavam à disposição para isso mesmo e onde se misturavam várias línguas.


Depois nada como ficar na Pr. da Ribeira a beber um fino ou fininho, forma como no Porto se chama a um copo de cerveja, acompanhando com uns tremoços, que as pombas sempre disputam. Há sempre espectáculo improvisado.


Uma passagem ainda pelo cais da Estiva e regresso ao eléctrico pelo Muro dos Bacalhoeiros rumo à Foz.


Obviamente que a Ribeira não se esgota neste passeio, o emaranhado de ruas e vielas é grande, o que dá para muitas opções de passeio.






Na Av. Brasil na Foz, a célebre estátua do Salva Vidas de Henrique Moreira e o intrincado mistério da "Casa Manuelina", que se encontra fechada e muito degradada. O último residente foi um sapateiro, que vindo de África a ocupou ilegalmente, durante 20 anos e assim ficou a ser conhecida como a «casa do sapateiro». Tem dono? Vai cair aos bocados? Pesquisando um pouco encontrei pouca coisa!


[O verdadeiro nome é Casa do Relógio de Sol e nada tem de manuelino. A casa foi construída em 1910-11, por ordem de um capitão de artilharia republicano. O projecto de arquitectura é atribuído a José Teixeira Lopes, irmão do famoso escultor António Teixeira Lopes.


A casa é uma marca do tempo em que a Foz começou a afirmar-se como o local de residência de uma certa burguesia, que ia a banhos. A casa é também sintomática de um tempo em que o pastiche era comum.


Uma das particularidades desta casa encontra-se nas janelas, o arquitecto introduziu no projecto vários elementos de arquitectura manuelina, cada janela reflecte uma variante desta corrente arquitectónica.


A casa chegou a estar em vias de classificação mas foi retirada da lista de património pelo IGESPAR em 2008.]


É pena que mesmo não tenha sido classificada, esteja naquele abandono, por muito kitsch que possa ser, ainda assim era interessante a sua conservação e poderia ter vários destinos.


Mais á frente, um senhor entretêm-se a dar pão aos pombos…a Pérgula (à quem escreva Pérgola) da Foz…e o mar…um banco sobre o mar…

terça-feira, 3 de maio de 2011

ORIENTE/OCIDENTE ....Reflexão de AMIN MAALOUF

Amin Maalouf  é um escritor libanês.

Durante 12 anos foi repórter, tendo realizado missões em mais de 60 países.


Tem uma obra vasta e recebeu os seguintes prémios:

Prix des Maisons de la Press pela obra “As cruzadas vistas pelos Árabes”
Prémio Goncourt 1993 pela obra “O rochedo de Tanios”
Prémio Príncipe das Astúrias na categoria letras em 2010.



 Mercado em Jaffa - GUSTAV BAUERNFEIND (1848-1904)




O que eu censuro hoje ao mundo árabe é a indigência da sua consciência moral; o que eu censuro ao Ocidente é a sua propensão para transformar a sua consciência moral num instrumento de dominação. Duas acusações pesadas e para mim duplamente dolorosas, mas que não posso deixar de fazer (…). No discurso de uns procurar-se-ia em vão os vestígios de uma preocupação ética ou a referência a valores universais, no discurso dos outros estas preocupações e estas referências estão omnipresentes mas são usadas selectivamente e constantemente desviadas a favor de uma política. O resultado é que o Ocidente não cessa de perder a sua credibilidade moral e os seus detractores não têm nenhuma.



UM MUNDO SEM REGRAS
Amin Maalouf 

domingo, 1 de maio de 2011

MORREU O ESCRITOR ARGENTINO ESNESTO SABÁTO (1911-2011)

Vertigem Civilizacional Desumana


O homem não pode manter-se humano a esta velocidade, se viver como um autómato será aniquilado. A serenidade, uma certa lentidão, é tão inseparável da vida do homem como a sucessão das estações é inseparável das plantas, ou do nascimento das crianças. Estamos no caminho mas não a caminhar, estamos num veículo sobre o qual nos movemos incessantemente, como uma grande jangada ou como essas cidades satélites que dizem que haverá. E ninguém anda a passo de homem, por acaso algum de nós caminha devagar? Mas a vertigem não está só no exterior, está também na nossa mente que não pára de emitir imagens, como se também fizesse zapping; talvez a aceleração tenha chegado ao coração que já lateja num compasso de urgência para que tudo passe rapidamente e não permaneça. Este destino comum é a grande oportunidade, mas quem se atreve a saltar para fora? Já nem sequer sabemos rezar porque perdemos o silêncio e também o grito.


Na vertigem tudo é temível e desaparece o diálogo entre as pessoas. O que nos dizemos são mais números do que palavras, contém mais informação do que novidade. A perda do diálogo afoga o compromisso que nasce entre as pessoas e que pode fazer do próprio medo um dinamismo que o vença e que lhes outorgue uma maior liberdade. Mas o grave problema é que nesta civilização doente não há só exploração e miséria, mas também uma correlativa miséria espiritual. A grande maioria não quer a liberdade, teme-a. O medo é um sintoma do nosso tempo. A tal extremo que, se rasparmos um pouco a superfície, poderemos verificar o pânico que está subjacente nas pessoas que vivem sob a exigência do trabalho nas grandes cidades. A exigência é tal que se vive automaticamente sem que um sim ou um não tenha precedido os actos.


Ernesto Sábato, in 'Resistir'


BIOGRAFIA

DIA DA MÃE



Mãe onde estás? Tenho saudades

Do teu corpo quente, dos teus afagos

Está tanto frio na minha alma, mãe!

Preciso de ouvir a tua voz a dizer-me meiguices!

«A minha menina, o meu doce, a minha flor!»

Com beijos me apertavas

Contra o teu peito!

Eu preciso mãe

Que me embales em carícias do teu jeito!


Partiste

Nem sequer nos despedimos…

Perdi o teu olhar vivo

Os teus olhos pareciam peixes mortos

Escapou-te a essência e o teu corpo

Em espasmos líquidos

Foi atrás

Mais devagar!


Que golpe no peito,

Que dolorosa facada

Fiquei destroçada e triste,

Sem esteio…

Na minha dor calada!..

DIA DO TRABALHADOR

37 anos passaram sobre o nosso Primeiro de Maio comemorado em liberdade e hoje as comemorações não deixarão de ter um lado sombrio, porque na crise em que vivemos os trabalhadores são o elo mais fraco. A recibo verde, a contrato a prazo ou no desemprego, qualquer um deixa para trás com tristeza e indignação sufocada, a sua contestação.



Nestes 37 anos MUITO mudou, que fizeram ou o que resta dos «direitos adquiridos»? À porta está mais uma reforma laboral imposta para colmatar a crise à qual os trabalhadores estão isentos de culpa.


Que temos hoje a comemorar? Tempos passados!



 
Que podemos fazer? Juntar as vozes da indignação e PROTESTAR!...

sábado, 30 de abril de 2011

Ler é sempre mais importante que escrever – Jorge Luis Borges

Sempre li muito e escrevi, ie ia escrevendo num caderno aquilo que lia de mais interessante, porque o gosto de ler era grande e o gosto de escrever também! Mas também escrevi algo de cunho pessoal e para que isso possa aconteçer, na minha opinião, é preciso ler bastante. Neste caso escrevi muito pouco, relativamente ao muito que li.
Hoje, em tempos de computador, onde se pode ir buscar muitas referências, estes cadernos parecem um bocado arcaicos, mas ainda os vou desfolhando, entro na miscelânea temática e reencontro-me em anos vividos, no entanto já não me apetece fazer apontamentos, tenho tentado em vão...vou sublinhando os livros! Coisa feia?...Assim eu pensava, mas depois passei a considerar que assim os meus herdeiros poderão ter complementos de visão sobre a minha pessoa, cada sublinhado é um risco pessoal!...

Nestas releituras apanhei estes apontamentos de João José Cachofel

Faz que a vida seja o que te nega.


O que a razão pensa, a inspiração não sente


Bate coração inútil ao renovo perene da música,/ que iluminando/vai tecendo/os impossíveis mundos perdidos.


Uma dor de esperança/que teima em romper/deste chão de raiva/que nos dão para viver.


Egoísmo de bicho/simulado ou não/mas que bem que me sabe/esta solidão/Ó comedida felicidade/com o teu ópio vão/sobre tantas náuseas/passa a tua mão.

E APARECE-ME ESTA FRASE SEM IDENTIFICAÇÃO:

Terra e liberdade – Difícil criar mundos justos. O real mata a ideologia. A realidade derruba todos os sonhos. A realidade é complexa, egoísta e ambiciosa.

É que o amor, quando faz parte do sonho que se tem para uma vida, torna-se uma obsessão, que cresce por dentro da cabeça, como o mais abstracto dos tumores e ocupa os pensamentos como se não houvesse para além dele, outras coisas na vida.


Nuno Júdice

III



- Eu sou uma coisa qualquer
Eu sou uma qualquer coisa
sou uma qualquer coisa eu
uma qualquer coisa eu sou
qualquer coisa eu sou uma
coisa eu sou uma qualquer
EU NÃO SOU UMA COISA QUALQUER
- eu sou uma cidade
- eu sou ZANONI de Bulwer Lyton
- eu sou uma errata
- onde está a minha vida deve-se a ver a nossa vida
- onde está Deus deve-se ver o Diabo
- onde está o Amor deve estar o Grande Amor Mágico Amor Meu
- onde estou Eu deves estar Tu
- onde estão os lábios da nossa vida HÁ uma porta secreta minúscula
O-AMOR
MEU AMOR
António Maria Lisboa

ESTES CADERNOS ESTÃO FUNDAMENTALMENTE CHEIOS DE ANTAGONISMOS E MUITO NEGATIVISMO, MAS TAMBÉM DE UMA GRANDE VONTADE DE PROCURA DE UM CAMINHO, PORQUE O MAIS CONSTANTE EM MIM FOI SEMPRE SENTIR-ME ESTONTEADA COM A VIDA!... 

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Depois de serem respondidas todas as questões científicas possíveis, os problemas da vida permanecem completamente intactos. Wittgenstein

Sempre fui muito realista, sempre em fuga do que transcende a realidade, mas se antes dizia categoricamente «não acredito», com o tempo acabei por me acomodar ao «não tenho opinião», com a certeza do velho mestre que dizia «só sei que nada sei» e isto parece-me basilar na procura do conhecimento, se as leituras são eclécticas e não lemos só aquilo em que queremos acreditar, chega-se a ponto de muita interrogação.

Isto bem a propósito do filme «O Tio Boomee Que se Lembra das Suas Vidas Anteriores» do realizador tailandês, Apichatpong Weerasethakul, designado por alguns como o David Linch tailandês, autor de filmes que cartografam sobretudo territórios «interiores», um desfilar de imagens que parecem desfilar uma corrente da consciência.



O filme baseou-se numa conversa que o realizador teve com um abade de um mosteiro, chamado Boonmee, que lhe contou que quando estava em meditação profunda via as suas vidas anteriores, um búfalo, uma vaca ou mesmo um espírito desencarnado a passear pelas planícies e escreveu um livro sobre isso.


O filme é sobretudo uma deambulação poética com uma volatilização e dissolução das linhas narrativas, mas centra-se num homem que com uma doença terminal, decide retirar-se para o campo e passar os seus últimos dias de vida junto aos seus entes queridos. Uma noite é surpreendido pela aparição da sua falecida mulher e também de um filho desaparecido, que aparece sob a forma de uma criatura não-humana…


O realizador admitiu que o filme é principalmente acerca da sua visão da reencarnação, uma meditação de índole budista e panteísta acerca da natureza cíclica, impermanente e espiritual da vida. Mais do que um filme, é um hipnótico exercício de meditação visual.


O filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2010.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A PRAIA E...O INCRÍVEL!...

E a praia aqui tão perto...e este mar tão apetecível...praticamente sem ondulação...Estava eu de água até ao joelho com vontade de mergulhar, mas...água fria...era preciso que me ambientásse...entretanto um pé se enrolou no outro e catrapum...caí na água...foi o meu primeiro banho este ano...Claro que há muitas pessoas que nem pensar em tomarem banho em águas do norte...eu tomo sempre muitos banhos...e se a água é fria, mais revitalizada me sinto...

O incrível é um edificio completamente em ruínas, que existe há uns anos, praticamente na praia, entre o Castelo do Queijo e o Edifício Transparente...Teve como última função ser o Colégio Luso-Internacional e depois ventilaram-se projectos sem concretização...já mostrei o edifício em si, apelando a uma intervenção do presidente da Câmara, mas...

Por dentro é assim...













Realmente isto é uma nódoa na paisagem...que incomoda bastante visualmente...mas o que se passa é que situações destas podem ficar assim anos e anos, até num local muito visitado pelos turistas...Também devia ser levado em conta, que é local perigoso e infecto...
Ou se faz construções e recuperações depressa demais, sem muitas vezes a análise conveniente ou se passam tempos com impasses...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

RECTIFICANDO: OS CRAVOS NÃO PODEM MURCHAR...

Em tempos em que as notícias parecem todas más, é bom ter a percepção que há zonas de consolo e bem- estar!

O Sol brilha, as andorinhas vão chegando, os dias de praia, já são possíveis e agradáveis e assim nesta Primavera é bom andar de sorriso no rosto, ombros erguidos, costas direitas e testa sem franzidos.
Claro que temos muito a contestar, muitas queixas e muito para nos indignar! Há sempre quem goste de ser radical, de mergulhar na desgraça completa, mais do que o fado é um estilo de vida. Muitos dirão revoltados, com tantos absurdos em que fomos vivendo: «eu disse, eu tinha razão»! Mas há outros que conseguem construir um reduto íntimo que os defende da baixa política ou da alta finança. Quem se lembra… já se viveu muito pior, já se viveu com muito menos, pode sentir-se um sentimento de perda e de desilusão, de maior insegurança, mas ainda assim o que deve contar é o que se é e com quem se partilha… enfim apreciando o que há para apreciar.

UM DIA EM FAMÍLIA, COM MUITO SOL, EMBORA DEPOIS TAMBÉM SURGISSEM RAIOS E TROVÕES E UMA GRANDE CHUVADA...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 DE ABRIL 37 ANOS DEPOIS...

HOJE DIA COMEMORATIVO DA REVOLUÇÃO DOS CRAVOS, PORTUGAL ATRAVESSA TEMPOS MUITO DIFÍCEIS E OS PORTUGUESES ESPERAM MEDIDAS ECONÓMICAS DRÁSTICAS...OS CRAVOS MURCHARAM...

Neste dia lembro ZECA AFONSO, sem me esquecer de tantos outros, que me insuflaram energias e fé: Adriano, J. Mário Branco, Fausto, Sérgio Godinho, Victorino, Janita, Padre Fanhais, Manuel Freire, Luís Cília, Samuel, Tordo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho... 





sábado, 23 de abril de 2011

HALLELUJAH - BOA PÁSCOA

PÁSCOA - Palavra hebraica que significa louvai Yahveh, e que indica alegria, júbilo, regozijo...é isso que desejo...que seja possível gritarmos cá de dentro de uma forma plena e intensa...ALELUIA!...Mas aleluia, também pode ser algo sentido, por algo simples, que às vezes nem valorizamos... 


Para todos uma FLOR DA PÁSCOA - Espécie de oxalidácea dos bosques, que floresce pela Páscoa, daí o seu nome.

 

 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

ALGUÉM VÊ ALGUMA LUZ AO FUNDO DO TÚNEL?

Dias de humilhação



Passos Coelho disse-o com despudorada clareza: o programa de governo do PSD será o do FMI. E o mesmo acontecerá necessariamente com o do PS e o do CDS, partidos que, juntamente com o PSD, continuam em reuniões com os mandatários do FMI, BCE e UE para receber instruções ("negociações", chamam-lhes eles: o FMI, BCE e UE ditam e PS, PSD e CDS tomam nota, atrevendo-se eventualmente a alguma sugestão respeitosa...). Restam os programas do BE e do PCP, que conterão certamente medidas alternativas, mas não poderão, seja numa improvável participação no Governo seja na AR, alterar nada do que já tiver sido decidido pela coligação FMI/PS/PSD/CDS.

Pode, pois, perguntar-se para que é que haverá eleições senão para, à falta de pão, oferecer ao país duas ou três semanas de circo. As políticas para os próximos anos estarão, de facto, determinadas antes das eleições e independentemente dos resultados eleitorais e, depois delas, qualquer medida com impacto orçamental, mínimo que seja, do Governo ou do Parlamento, terá que ir a despacho aos tutores do país.


A suspensão da democracia sugerida por Manuela Ferreira Leite durará pelo menos três anos, durante os quais nos caberá tão só eleger capatazes que executem as ordens de Washington (FMI), Frankfurt (BCE) e Bruxelas (Comissão).


Por muito menos foi a estátua de Camões, quando do ultimato inglês, coberta de crepes pelos antepassados políticos do actual PS.

MANUEL ANTÓNIO PINA
(Artigo de Opinião do JN)