A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




domingo, 12 de junho de 2011

ESTÁ TUDO «TÓTIL»?


Zona central do Porto e um mesmo espaço tem 3 nomes. Junto à Câmara Municipal é a Praça Humberto Delgado, segue-se a Av. dos Aliados e depois a Pr. da Liberdade (fot.google)

Assisti a um debate na Livraria leitura, sobre REGIONALISMOS, GÍRIA E CALÃO

A NOSSA IDENTIDADE VOCABULAR É A NOSSA MAIOR PRECIOSIDADE, disse o jornalista Alfredo Mendes, defendo que «a voz do povo é a voz do sangue» e que a «oralidade é património». «Todas as pessoas são bibliotecas falantes, porque conservam em si a pulsação da língua, dão-lhe prova, provam que está viva».

Alfredo Mendes, tem um livro publicado, onde reuniu 1700 vocábulos típicos dos habitantes do Porto, «Porto naçom de falares».


Falou de uma naturalidade vocabular e deu um exemplo prático: quando se entala um dedo, diz-se um f…, ou dois ou três, solta-se um c…., o que não se diz certamente, agarrado ao dedo é: «ai que maçada que me magoei e está a doer-me muito!»

João Carlos Brito, linguista e autor de «Francesinhas à moda do Porto», disse: «estamos debaixo de uma colonização, perdendo diversidade e riqueza. Além dos estrangeirismos, 30 mil palavras já usadas correntemente, temos o «lisbotês» disseminado pelos quatro canais televisivos».

Brito, deu um exemplo: «bué» importado das ex-colónias, já é mais popular que o orgulhoso equivalente tripeiro «tótil».

E a questão a finalizar foi: O Porto deve lutar pela sua identidade vocabular?

Não me parece muito necessário! Subjacente a tudo sempre estará a maneira de falar à «puerto», com todo o seu vernáculo à mistura, para isso nada como andar de ouvidos abertos pela cidade!


sábado, 11 de junho de 2011

COLHE O DIA, PORQUE ÉS ELE (Depois de Camões...Fernando Pessoa)

Quadro de Júlio Pomar


Colhe o Dia, porque És Ele
Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.


Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dia de Portugal, de CAMÕES e das Comunidades Portuguesas,

Ao desconcerto do Mundo


Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.




O retrato de Camões por Fernão Gomes, em cópia de Luís de Resende. Este é considerado o mais autêntico retrato do poeta, cujo original, que se perdeu, foi pintado ainda em sua vida.


Nascimento
cerca de 1524 Lisboa ?
Morte - Lisboa 10 de junho de 1580


 Coitado! que em um tempo choro e rio


Coitado! que em um tempo choro e rio
Espero e temo, quero e aborreço;
Juntamente me alegro e entristeço;
Du~a cousa confio e desconfio.

Voo sem asas; estou cego e guio;
E no que valho mais menos mereço.
Calo e dou vozes, falo e emudeço,
Nada me contradiz, e eu aporfio.

Queria, se ser pudesse, o impossível;
Queria poder mudar-me e estar quedo;
Usar de liberdade e estar cativo;

Queria que visto fosse e invisível;
Queira desenredar-me e mais me enredo:
Tais os extremos em que triste vivo! 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

DÁ-ME UM ABRAÇO...





SABE SEMPRE TÃO BEM UM ABRAÇO!...

terça-feira, 7 de junho de 2011

UMA IDA A SERRALVES


Visita às exposições temporárias, sem esquecer de passar pela livraria especializada em livros de arte. No Museu de Arte Contemporânea, com o traço de Siza Vieira, tão característico em sobriedade e sempre em grande sintonia com o ambiente envolvente, pode almoçar no restaurante ou comer alguma coisa mais ligeira no bar.
Saindo é confrontado com uma vegetação luxuriante e caminhando pela álea principal chega à famosa Casa cor-de-rosa, que foi propriedade do segundo Conde de Vizela, único exemplo de Art-déco, projecto do arquitecto francês Charles Siclis e executado pelo arquitecto Marques de Oliveira. Nesta casa também são apresentadas exposições.
Descendo pela escadaria inicia-se um passeio pelos jardins, caminhando até ao grande lago. Prosseguindo aparece o prado, onde existem alguns animais e se pratica a agricultura e, continuando chega à Casa do Lagar, onde funcionam várias oficinas, com objectivos diversos e contemplando primordialmente as crianças.
No regresso ao complexo principal, a sugestão é mesmo ir à Casa de Chá e aí pode usufruir da frescura da vegetação.
São momentos vividos de grande relaxamento, tendo como fundo musical a cantoria constante dos pássaros e em determinados sítios, a musicalidade da água, que é sempre um aspecto muito agradável para mim! Por essa razão escolhi como música de fundo «JEAUX D’EAU» de Maurice Ravel, que podendo ser um pouco agreste ao ouvido, transmite bem a ideia dos tons diversos de se ouvir a água.
[A Pá de Jardineiro, com que se inicia e acaba o vídeo de Claes Oldenburg e Coosje vanBruggen, é o símbolo da Fundação de Serralves. ]

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ABSOLUTAMENTE À DIREITA...

Baseando-me na crónica de Manuel António Pina, realmente eu também considero absurda tanta alegria do PSD e do PP, de serem eles em conjunto os feitores do FMI, UE e BCE, para este protectorado à beira-mar plantado com todos os problemas conhecidos: recessão, pobreza, desemprego, despedimentos fáceis, destruição do SNS, do ensino...e o mais o que se sabe!

PSD - 38,63%
PS - 28,05%
CDS - 11,74%
PCP - 7,94%
BE - 5,19%

ABSTENÇÃO CRESCENTE QUE JÁ VAI EM 41,10%  - O MAIOR PARTIDO DE PORTUGAL

Segundo o Presidente da República os portugueses que se abstém perdem a autoridade e legitimidade para criticar as políticas do próximo Governo. Se o nosso sistema eleitoral não fingisse que esses 40% não existem, haveria na próxima Assembleia da República 90 e tal cadeiras vazias e os partidos teriam um número de deputados real: pouco mais de metade do que irão ter!
Esta abstenção não é só resultado de preferirem passear ou de comodismo para ir às urnas, mas sim o cansaço da descredibilidade que os políticos têm passado! 
Pensem nisso, podem fazer tudo, mas os portugueses já estão muito saturados de vos aturar!

domingo, 5 de junho de 2011

E AGORA JOSÉ?...




DOIS POEMAS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora José?

(...)

No meio do caminho tinha uma pedra

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

            * * *

sábado, 4 de junho de 2011

sexta-feira, 3 de junho de 2011

PARABÉNS MEU FILHO!...

Esta prenda que a vida me deu...hoje faz anos e ontem deu-me a nostalgia e estive a ver fotografias...aquelas das primeiras «habilidades» que as crianças vão fazendo e sempre se gosta de registar! Quanta saudade de belos momentos!
O Pedro não foi uma criança fácil, nos primeiros meses, mais ou menos até ao oitavo, deu-nos umas «grandes» noites de olhos abertos, cheios de «areia», pelo cansaço sentido! Quando tudo parecia serenar, já quase era hora de levantar!...
Teve aquelas doenças habituais! Teve que ser operado aos olhos, devido ao estrabismo e depois ao nariz...mas foi sempre uma criança muito alegre e «malandreca»!


E o Pedro foi crescendo, primeiro esteve com os avós, depois foi para o Jardim Infantil João de Deus, até que chegou à idade de ingressar no ensino. Primeiro esteve no ensino público, mas era tão «terrorista», que só alinhava com os miúdos mais problemáticos e rebeldes e a decisão foi ir para um colégio particular. Outra característica do Pedro era ser um grande sonhador, na família chamavam-lhe o Peter Pan.
Chegou a adolescência e a situação não foi fácil! Amigos e amigas aos montes, namoradas umas atrás das outras e muito apreciador da noite. O Pedro precisava de estar sobre controlo, mas não era fácil!
Estudava e trabalhava, por vontade dele teve não sei quantos empregos...Inteligente, não se definia o que queria exactamente, pedi a um amigo psicólogo, para lhe fazer um teste vocacional. O Pedro tinha inclinações para uma série de coisas! Foi fazendo cursos médios! De informática fez não sei quantos...depois Marketing e Publicidade e foi trabalhar nesta área, mas estar fechado era um sacrifício....e foi tirar o curso de Antropologia...teve uma loja de roupa para «raps», fundou com amigos uma associação de jovens para fazerem voluntariado e...continuou a ter namoradas atrás de namoradas...e sonhos atrás de sonhos...A minha grande preocupação relativamente ao Pedro, centralizou-se sempre muito nas drogas...sempre estive muito atenta aos seus estados de espírito, se o via mais eufórico, lá ia eu fazer uma inspecção ao seu quarto, procurando algo que fosse suspeito...mas esse problema, contrariamente a amigas que tiveram que o enfrentar, nunca existiu...O grande problema dele era a insatisfação, sonhar alto, muito alto...
O Pedro hoje é um homem, serenou, tem uma companheira, com quem vive há cinco anos e tem uma vida estável, não sei até quando...é uma pessoa empenhada em causas...principalmente dos animais...e como ambos gostam muito, na casa deles sempre há animais recolhidos...mas quem domina é a Maria, um cão de água preto...que quando vou lá, dizem: Chegou a avó...Está nos seus projectos um filho, mas ainda não aconteceu...


quinta-feira, 2 de junho de 2011

PREFERE O AMOR CÃO OU O AMOR GATO? OU O SEU AMOR É DE CÃO OU É DE GATO?

Segundo Ramiro Calle, ninguém ama de maneira igual, há um amor cão e o amor gato. Um é mais exaltado, outro é mais temperado, o que não significa que se goste menos. Estas posturas podem-se alterar ao longo do tempo. Um bom indicador para testar a irreversibilidade de um relacionamento prende-se com o sexo. Se a sexualidade desaparece, dificilmente volta.
Ramiro Calle, é considerado um guru do tema, amor, casal…mas da teoria à praxis vai sempre uma grande distância, no entanto há ideias que não sendo originais são interessantes.




Do seu livro «A ARTE DO CASAL»:

A pauta pela qual muitos se regem é a do controlo. Precisamos de dominar, exigimos, dependemos, manipulamos e esses vínculos afectivos são negativos. Não basta que nos queiram, queremos que nos queiram como nós queremos, se assim não for gera-se amargura e frustração. O mais importante é a comunicação, comunhão e acima de tudo respeito e perdão. Os relacionamentos são demonizados, por insegurança, por considerarmos os outros nossa propriedade. Quem ama perdoa a infidelidade, que não é sinónimo de deslealdade, porque nos fizeram acreditar que uma pessoa é capaz de satisfazer todas as nossas necessidades. O ser humano é polígamo por natureza.

TAL E QUAL, MAS É FÁCIL CHEGAR A ESSE ESTADO DE ABNEGAÇÃO? SER PERDOADOS TODOS QUEREMOS, PERDOAR NÃO É FÁCIL!...
A EVOLUÇÃO DO NOSSO CÉREBRO, NÃO FOI RECALCANDO O INSTINTO, A PRÓPRIA ENGRENAGEM DA SOCIEDADE QUE SE FOI DESENVOLVENDO NÃO APONTOU QUE A MONOGAMIA SERIA UMA FORMA MAIS SEGURA E MAIS TRANQUILA DE VIVER?



Quem não tem um parceiro vive obcecado com isso, os que têm vivem obcecados em deixá-lo. 90% dos casais são infelizes, mas quase toda a gente quer viver em parelha, aceitando os cânones prescritos pela sociedade, cega perante as evidências. A separação é frequentemente a única saída. Temos que ser honestos. Nasceste livre e queres morrer escravo de algo que te faz sofrer? Quando não dá tem que se deixar ir. Aliás, quando se ama verdadeiramente, sabe-se libertar para ver o outro feliz mesmo que tal implique perdê-lo.

A SEPARAÇÃO, QUANDO SE ESTABELECERAM  PROJECTOS EM COMUM, ENTRE OS MESMOS A CONSTITUIÇÃO DE UMA FAMÍLIA SERÁ ASSIM TÃO SIMPLES? ESTÁ NA ORDEM DO DIA CLARO…MAS TAMBÉM ESTÁ NA ORDEM DE MUITA DESORDEM!
E ESSE AMOR VERDADEIRO EXISTIRÁ DE FACTO? 




Temos de saber resolver a nossa vida internamente a título individual e não podemos depositar no outro, expectativas para a solução. Até porque uma relação só é passível de funcionar bem se as carências emocionais estiverem ultrapassadas, se houver indulgência, tolerância e auto-estima. A fábrica de dor está, não raras vezes, num relacionamento cujo prazo de validade já há muito expirou.


COMO NÃO CONCORDAR, OBVIAMENTE QUE CONCORDO…MAS NÃO SERÁ QUE A FÁBRICA DE DOR ESTÁ SEMPRE NO VIRAR DA ESQUINA, PORQUE VOLTANDO AO PRINCIPIO QUEM NÃO TEM PARCEIRO VIVE OBCECADO COM ISSO E OS QUE TÊM VIVEM OBCECADOS EM DEIXÁ-LO E A OBSESSÃO É SEMPRE DOR!...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

AVISO AOS NAVEGANTES...

Isto não se resolve…e os dias passam e é sempre a mesma coisa!



Faço o login para entrar no blogue, vou ao painel, publico, depois vou ver a publicação e lá em cima, no canto à direita diz: Iniciar a Sessão! Não posso fazer qualquer rectificação à publicação, se quero fazer comentários, pedem-me um perfil e depois tenho outra vez que iniciar a sessão!

ALGUÉM ME PODE EXPLICAR O QUE SE PASSA?

CRIANÇAS...

Pieter Brueghel, "O Velho" - Jogos Infantis

Como uma criança antes de a ensinarem a ser grande,
Fui verdadeiro e leal ao que vi e ouvi.



Alberto Caeiro, in "Fragmentos"
Heterónimo de Fernando Pessoa

A Criança que Pensa em Fadas

A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em algum ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.



Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

Heterónimo de Fernando Pessoa

terça-feira, 31 de maio de 2011

5 POEMAS DE FRIEDRICH NIETZSCHE (PARA PEDRO MEIRELES)

A Minha Felicidade


Depois de estar cansado de procurar
Aprendi a encontrar.
Depois de um vento me ter feito frente
Navego com todos os ventos.



O Solitário

Detesto seguir alguém assim como detesto conduzir.
Obedecer? Não! E governar, nunca!
Quem não se mete medo não consegue metê-lo a
ninguém,
E só aquele que o inspira pode comandar.
Já detesto guiar-me a mim próprio!
Gosto, como os animais das florestas e dos mares,
De me perder durante um grande pedaço,
Acocorar-me a sonhar num deserto encantador,
E forçar-me a regressar de longe aos meus penates,
Atrair-me a mim próprio... para mim.


Ecce Homo


Sim, sei de onde venho!
Insatisfeito com a labareda
Ardo para me consumir.
Aquilo em que toco torna-se luz,
Carvão aquilo que abandono:
Sou certamente labareda.


Remédio para o Pessimismo

Queixas-te porque não encontras nada a teu gosto?
São então sempre os teus velhos caprichos
Ouço-te praguejar, gritar e escarrar...
Estou esgotado, o meu coração despedaça-se.
Ouve, meu caro, decide-te livremente.
A engolir um sapinho bem gordinho,
De uma só vez e sem olhar.
É remédio soberano para a dispepsia.

Sabedoria do Mundo

Não fiques em terreno plano.
Não subas muito alto.
O mais belo olhar sobre o mundo
Está a meia encosta.

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
 

domingo, 29 de maio de 2011

SONHOS DE UMA NOITE DE VERÃO...

A obra de Shakespeare, Sonho de Uma Noite de Verão é ambientada na Grécia mítica e conta-nos a história de seres élficos e personagens mitológicos descrevendo a magia e a realidade em uma só dimensão. Comédia de amores desencontrados, onde tudo se resolve após algumas peripécias com uma poção mágica!

Considero Shakespeare um expoente da Cultura.  Muita da sua obra: poemas, tragédias, dramas históricos, comédias, permaneceram vivos até aos nossos dias.


SONHOS DE UMA NOITE DE VERÃO


Que é um dia de Verão não sei se diga.

É mais suave e tens mais formosura:

Vento agreste botões frágeis fustiga

Em Maio e um Verão a prazo dura.

O olho do céu vezes sem conta abrasa,

Outras a tez dourada lhe escurece,

Todo o belo do belo se desfasa,

Por caso ou pelo curso a que obedece

Da Natura, mas teu eterno Verão

Nem murcha, nem te tira teus pertences,

Nem a morte te torna assombração

Quando o tempo em eternas linhas vences:

Enquanto alguém respire ou possa ver

E viva isto e a ti faça viver.

Tradução de Vasco Graça Moura


A Midsummer Night's Dream - Felix Mendelssohn Bartholdy

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O QUE NÃO FALTA É FESTA...

Todos os anos passo por lá, há eventos culturais de todo o género e nada comuns. Esta festa da cultura tem sempre por objectivo contemplar públicos de todas as idades e Serralves é uma óptima referência da cidade.
Também cheia de eventos de vários géneros e em vários locais.
Estou com curiosidade em ir à Noite de Morcegos: "Voar com as mãos e ver com os ouvidos"

Os morcegos são os únicos mamíferos quirópteros, isto é, que voam com as mãos. Existem mais de 1100 espécies de morcegos, nenhuma das quais é cega. No entanto, os microquirópteros orientam-se preferencialmente por ecolocalização. Oficina orientada por Drª. Luzia de Sousa, Conservadora do Museu de História Natural.


A propósito lembrei-me deste poema:


O Morcego
Augusto dos Anjos


Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.

Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:

Na bruta ardência orgânica dasede,

Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.



"Vou mandar levantar outra parede..."

— Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho

E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,

Circularmente sobre a minha rede!



Pego de um pau. Esforços faço. Chego

A tocá-lo. Minh’alma se concentra.

Que ventre produziu tão feio parto?!



A Consciência Humana é este morcego!

Por mais que a gente faça, à noite ele entra

Imperceptivelmente em nosso quarto!

E DA OPERETA «O MORCEGO» DE STRAUSS



Paralelamente vai decorrendo a festa da Campanha Eleitoral, onde os políticos andam por todos os cantinhos de Portugal a vender a sua «banha de cobra» putrefacta! O lema é «vamos iludir o povinho»! Para defesa da democracia eu vou votar e a única coisa que posso pedir é que votem, vão lá, se estão descontentes, não se abstenham, votem em branco.


A TODOS OS MEUS AMIGOS UM BOM FIM-DE-SEMANA!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

OS CONTOS DE FADA DIZEM MUITO, MAS NUNCA DIZEM TUDO...





Nunca se sabe onde um beijo pode levar. Apesar dos contos de fada insistirem em dar-nos o final feliz, com um beijo. Um hábil modo de dizer muito e não dizer nada. Como todos os contos de Fadas, também A Bela Adormecida está carregada de um universo simbólico. Uma tentativa de fixar, ou melhor «dar nome» às forças da Natureza, às transformações do corpo (e da carne), às forças do instinto, aos sentimentos tão singulares quanto universais. Enfim, àquilo que se repete e que pontua fases da vida e comportamentos. Por esta razão, os contos de fada dizem muito, mas nunca dizem tudo (como poderiam dizer?). Entre outras razões, e em particular na Bela Adormecida, trata-se de ensaiar a fantasia numa realidade que se afasta daquela que normalmente podemos provar: o desejo lançado à contingência. E neste sentido, nem cem anos de sono nos garantem o próximo passo. Talvez nos sintamos mais preparados, mas nunca se sabe onde um beijo pode levar. Em Perrault depois do beijo, mesmo com um final feliz, vem a vingança da mãe do Príncipe por ciúme (o famoso caso edipiano).


Nos irmãos Grimm, depois do beijo a pausa para a fase que se segue: e foram felizes para sempre! Mas mesmo não tendo a certeza onde um beijo nos leva, quem resiste à ideia de um final feliz? Quem não anseia o beijo do príncipe encantado? Que podemos nós contra tudo isto? Literalmente nada porque de um desejo afinal, se trata. A este propósito recordo a frase de Santo Agostinho «ainda não amava e já gostava de amar», que nos projecta para qualquer potencial, isto é, o corpo antecipa o acontecimento.


É aqui que a nossa Bela Adormecida ganha corpo (do e no desejo), às vezes etéreo às vezes apelativo, para imediatamente entrarmos no seu son(h)o, o não-dito.


Por favor não a acordem!




quarta-feira, 25 de maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

POEMAS DE MÁRIO CESARINY...

 Para os Lábios que o Homem Faz

Para os Lábios que o Homem Faz
que atraem beijos
ao redor do mundo
ficou na nossa memória
em qualquer parte a qualquer hora
um pedaço
de pão



Promessa
que se cumpre
que alimenta
o mundo



Olhos
a exigir
uma floresta



 
Faz-se Luz
 
Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas no próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem



Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca



Em Todas as Ruas te Encontro
em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura



Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco



Mário Cesariny, in "Pena Capital"




Pinturas de Mário Cesariny de Vasconcelos

segunda-feira, 23 de maio de 2011

SÓ PARA OS ROMÂNTICOS...


Vou enviar-te uma carta

Crónica de: LUISA CASTEL-BRANCO

Não uma mensagem por telemóvel, ou um email. Não, uma carta como se fazia dantes. Vou comprar um selo (quanto custará?), envelope e papel ainda por aí tenho.
É outra coisa, sabes?
Já me vejo a ponderar cada palavra, porque numa carta as palavras têm um peso diferente, uma força muito maior.
Hoje a vida é feita de rapidez, aceleração e tudo é descartável, dos objectos às amizades, e claro o amor. O amor tornou-se tão antigo como as cartas, as que têm selo. A paixão, essa, é actual e constante. Toda a gente tem necessidade de estar apaixonada. E raros são os que conhecem o amor, porque para tal é necessário tempo, empenho, sacrifício e alegria.
O amor passou de moda. Ninguém quer sofrer, ou lutar, ou investir numa relação, ultrapassar os momentos difíceis e acreditar que há um futuro.
Por isso a sociedade anda assim, perdida, desolada, sem sonhos.
É altura de voltar às cartas de amor ou de tristeza, não importa.
Desde que gastemos tempo, carinho e coloquemos dentro do envelope, que fecharemos lambendo lentamente a tira de cola, um pedaço de nós.
Por isso, quando a receberes no teu correio, entre as muitas folhas de publicidade, as contas da casa, a correspondência do Banco, sei que vais olhar com espanto (há quanto tempo não recebes uma carta pessoal, escrita à mão?).
Talvez me respondas de volta. Quem sabe.
Talvez comecemos a trocar correspondência e eu guarde as tuas palavras numa gaveta perfumada, palavras escritas sem pressa, sem outro objectivo que não conversarmos os dois, com o tempo no relógio parado.

sábado, 21 de maio de 2011

MAIS UM SELO=CUMPLICIDADES E AFINIDADES=AMIZADE VIRTUAL


Demorei algum tempo para publicar este Selo , que foi um carinho da Tati, do Blog. http://www.perguntasemresposta.com/, que recomendo pela pessoa extraordinária que é, sempre colocando assuntos de muito interesse e que vive tão intensamente a sua vida em todos os seus quadrantes




As perguntas e as respostas:




01. Pegue o livro mais perto de você, abra na página 18 e encontre a 4ª linha:


 «De, essa «igualdade de todos os homens» predicada como lei»


«Paradoxos do Individualismo» de Victoria Camps catedrática de Ética da Universidade de Barcelona


02. Estique seu braço esquerdo o mais longe que puder. O que você encontra?


O jornal Destak


03. Qual foi a última coisa que assistiu?


Notícias


04. Sem olhar o relógio, que horas você acha que são?


15.00


05. Agora, olhe no relógio. Que horas são?


15.34


06. Sem contar o barulho do computador, o que mais está ouvindo?


Barulho de carros e os gritos do arrumador Bruno


07. Quando foi a última vez que saiu? Onde foi?


De manhã. Ginásio


08. Antes de começar esse questionário, o que estava fazendo?


Lendo blogues


09. O que está vestindo?


Calças e t’shirt


10. Você sonhou a noite passada?


Não me lembro... é muito raro lembrar-me dos sonhos!


11. Quando foi a última vez que você deu risada?


Hoje de manhã


12. O que acha da pessoa que te indicou este desafio?


Excelente ser humano, excelente mãe, excelente mulher de família. Uma pessoa culta e inteligente.


13. Viu alguma coisa esquisita há pouco tempo?


Eu agora vejo muitas coisas esquisitas…são fruto de tempos conturbados que vivemos!


14. Qual foi o último filme que você assistiu?


Missing in America


Um filme do cinema alternativo norte-americano, não foi feito por uma realizador de nomeada, não tem actores muito conhecidos, mas tem um argumento que com simplicidade, mas profundidade fala da vida, das alegrias e das tristezas.


15. Se você se tornasse milionário da noite para o dia, o que compraria?


Tenho sempre muitas coisas no pensamento, mas vão mudando conforme as circunstâncias, relativamente a mim e aos outros.


16. Uma coisa sobre você que eu não saiba.


Pouco sei de mim…continuo a analisar-me e sempre faço descobertas que me surpreendem!


17. Seu estado de espírito agora.


Serenidade


18. Se você pudesse ser qualquer mulher famosa, qual seria?


Ser famosa é uma trabalheira…mas evidentemente que admiro muita as pessoas que dão o melhor de si em tudo que fazem, mas a perspectiva que mais me agrada é as que têm uma actividade útil à sociedade, atingindo a fama por mérito. 


19. Imagine que seu primeiro filho seja uma menina, como a chamaria?


Meu primeiro filho é um rapaz, chama-se Pedro


20. Imagine que seu segundo filho seja um menino, como o chamaria?


Meu segundo filho foi uma rapariga, Marta


21. Você pensa em morar fora?


Adaptar-me-ia facilmente, mas as minhas raízes nunca podiam ser abandonadas de uma forma radical, sou muito ligada aos sítios, que representam fases da vida e afectos.


22. O que você mais quer agora?


Isto já é entrar num plano muito íntimo se pensar mesmo em mim, no aspecto geral penso naqueles lugares comuns habituais, que todos desejam, mas que às vezes muito se diz e pouco se faz.


23. Qual a pessoa mais importante na sua vida?


Todas as de quem gosto e fazem parte da minha vida são importantes, por razões que podem ser diversas, mas nenhuma substitui a outra.


24. Qual seu sonho a curto prazo?


Tenho tantos sonhos, que nem sei por onde começar! Sou uma sonhadora militante! rsssss




Dentro das regras teria que passar o selo a 10 blogs:

O problema é sempre o mesmo: uns gostam, outros não gostam, outros não têm tempo...portanto este é um selo para todos os meus seguidores e nesta conformidade deixo ao critério de cada um, levar o selo e responder às perguntas ou apenas levar o selo...