Cada inteligência tem a sua estupidez, e a própria psicologia animal pôde descobrir, nos seus testes de inteligência, que cada tipo de «performance» é um outro tipo de estupidez.
Se a estupidez não se assemelhasse extraordinariamente à inteligência, se não se confundisse com o progresso, o génio, a esperança, o aperfeiçoamento, ninguém quereria ser estúpido e a estupidez não existiria, ou pelo menos, seria muito fácil combatê-la. Porém, ela tem qualquer coisa de singularmente simpático e natural (…) não existe uma única ideia importante de que a estupidez não tenha sabido servir-se.
Excerto do Ensaio de Robert Musil Teorias da Estupidez
Até uma época recente o modernismo significava uma revolta não conformista contra os lugares comuns e o «kitsch». Hoje a modernidade confunde-se com a imensa vitalidade «mass-media» e ser moderno significa um esforço para estar em dia, estar conforme, estar ainda mais conforme dos que os mais conformes. A modernidade vestiu-se com a indumentaria «kitsch».Quem pode dizer que nunca foi estúpido e como é difícil não cair na estupidez, num mundo cada vez mais estúpido?
«A estupidez tem o nome glorioso de lugar-comum». Flaubert
«O kitsch é a tradução da estupidez dos lugares comuns na linguagem da beleza e da emoção. » (Milan Kundera)
Barthes revela uma aversão à estupidez que não é apenas ética, mas também estética. Dela dará uma definição que vale por um tratado: «A estupidez é a euforia do lugar». Isto significa que a estupidez consiste em toda a forma de adesão (espontânea, eufórica) a um lugar já constituído – a um lugar comum. Ela triunfa sempre que se ocupa o espaço arrogante da certeza: é o «être-lá» em todo o seu esplendor, como uma verdade morta, inamovível, obscena na sua resistência « o estereótipo» é essa nauseabunda incapacidade de morrer».











