A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




segunda-feira, 18 de julho de 2011

QUEM TEM MEDO DA ESTUPIDEZ?

Falar da estupidez pressupõe subtrair-se a ela, reivindicar um lugar exterior ao seu campo de acção, em suma, julgar-se inteligente. Ora este julgamento sobre si próprio é geralmente considerado um sinal de estupidez.


Cada inteligência tem a sua estupidez, e a própria psicologia animal pôde descobrir, nos seus testes de inteligência, que cada tipo de «performance» é um outro tipo de estupidez.

Se a estupidez não se assemelhasse extraordinariamente à inteligência, se não se confundisse com o progresso, o génio, a esperança, o aperfeiçoamento, ninguém quereria ser estúpido e a estupidez não existiria, ou pelo menos, seria muito fácil combatê-la. Porém, ela tem qualquer coisa de singularmente simpático e natural (…) não existe uma única ideia importante de que a estupidez não tenha sabido servir-se. 

Excerto do Ensaio de Robert Musil Teorias da Estupidez

 Até uma época recente o modernismo significava uma revolta não conformista contra os lugares comuns e o «kitsch». Hoje a modernidade confunde-se com a imensa vitalidade «mass-media» e ser moderno significa um esforço para estar em dia, estar conforme, estar ainda mais conforme dos que os mais conformes. A modernidade vestiu-se com a indumentaria «kitsch».


Quem pode dizer que nunca foi estúpido e como é difícil não cair na estupidez, num mundo cada vez mais estúpido?

«A estupidez tem o nome glorioso de lugar-comum». Flaubert


«O kitsch é a tradução da estupidez dos lugares comuns na linguagem da beleza e da emoção. » (Milan Kundera)





Barthes revela uma aversão à estupidez que não é apenas ética, mas também estética. Dela dará uma definição que vale por um tratado: «A estupidez é a euforia do lugar». Isto significa que a estupidez consiste em toda a forma de adesão (espontânea, eufórica) a um lugar já constituído – a um lugar comum. Ela triunfa sempre que se ocupa o espaço arrogante da certeza: é o «être-lá» em todo o seu esplendor, como uma verdade morta, inamovível, obscena na sua resistência « o estereótipo» é essa nauseabunda incapacidade de morrer».





domingo, 17 de julho de 2011

GOSTO DA MÚSICA QUE UNE E TRANSFORMA...

 --EXPLORANDO OS CLÁSSICOS:

BACH (BRASIL)


BACH (ÁFRICA)


MOZART (EGIPTO)



"A boa música nunca se engana, e vai direita, buscar ao fundo da alma o desgosto que nunca devora."Stendhal


"Quão pouco é preciso para ser feliz! O som de uma gaita. - Sem música a vida seria um erro."Nietzsche , Friedrich

O vaso dá uma forma ao vazio e a música ao silêncio." Braque , Georges

"A música é celeste, de natureza divina e de tal beleza que encanta a alma e a eleva acima da sua condição." Aristóteles

"O homem que não tem a música dentro de si e que não se emociona com um concerto de doces acordes é capaz de traições, de conjuras e de rapinas." Shakespeare , William

"A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende.» - Schopenhauer , Arthur

"Quem ouve música, sente a sua solidão / de repente povoada."Browning , Robert

"Pouco importam as notas na música, o que conta são as sensações produzidas por elas."Pervomaisky , Leonid

(Fonte: http://www.citador.pt/)


sábado, 16 de julho de 2011

BOM FIM-DE-SEMANA...

Tempo de praia... eu gosto muito de praia, mas nos últimos dias temos sido assolados por aqui com as agrestes «nortadas» e manhãs enevoadas...vou aproveitando o mais possível e estar à beira-mar é sempre muito bom, mesmo na esplanada a ler um livro, intercalando com um distender do olhar até ao infinito....
Fiz este instantâneo, porque me despertou um imediato interesse…gosto de instantâneos, de apanhar cenas mais curiosas…apetece-me dizer como o HJ «não havia necessidade»…sim de facto porque razão ir assim para a praia, quando até na rua é muito raro ver pessoas trajadas, aludindo ao que são!...
Esta fotografia já suscitou alguns sorrisos de «mentes poluídas», conjugando o facto de estar um pescador nas rochas e das «irmãs» estarem a dizer algo uma à outra!...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

QUINTAS DE LEITURA

Ontem terminou as «Quintas de Leitura». Regressa em Setembro. Miguel Guilherme apresentou «QUE VERGONHA RAPAZES»,  onde disse poemas de Bocage, Mário Cesariny, Alberto Pimenta, Adília Lopes,  O Meu Pipi, Alexandre O’Neil e Miguel Esteves Cardoso, entre outros. «Palavras…palavras…palavras…que fazem rir e também ranger os dentes»!

Não lido bem com palavrões, não entram na minha linguagem o que não quer dizer que em certas ocasiões não pense neles, em alturas em que estou mais revoltada, mas ouço-os e aceito quando o sentido é uma expressão de piada e não têm carga ofensiva.
Concordo com esta exposição do MEC sobre os palavrões e espero  não ir «ferir» sensibilidades, até porque quem não conhece isto? No entanto quem possa ser mais susceptível ao palavrão aconselho a ficar por aqui e não continuar a leitura! 



Palavrões - Miguel Esteves Cardoso

"Já me estão a cansar... parem lá com a mania de que digo muitos palavrões, caralho! Gosto de palavrões! Como gosto de palavras em geral. Acho-os indispensáveis a quem tenha necessidade de dialogar... mas dialogar com carácter! O que se não deve é aplicar um bom palavrão fora do contexto, quando bem aplicado é como uma narrativa aberta, eu pessoalmente encaro-os na perspectiva literária! Quando se usam palavrões sem ser com o sentido concreto que têm, é como se estivéssemos a desinfectá-los, a torná-los decentes, a recuperá-los para o convívio familiar. Quando um palavrão é usado literalmente, é repugnante. Dizer "Tenho uma verruga no caralho" é inadmissível. No entanto, dizer que a nova decoração adoptada para a CBR 900' 2000 não lembra ao "caralho", não mete nojo a ninguém. Cada vez que um palavrão é utilizado fora do seu contexto concreto e significado, é como se fosse reabilitado. Dar nova vida aos palavrões, libertando-os dos constrangimentos estritamente sexuais ou orgânicos que os sufocam, é simplesmente um exercício de libertação.
Quando uma esferográfica não escreve num exame de Estruturas "ah a grande puta... não escreve!", desagrava-se a mulher que se prostitui. Em Portugal é muito raro usarem-se os palavrões literalmente. É saudável. Entre amigos, a exortação "Não sejas conas", significa que o parceiro pode não jogar um caralho de GT2. Nada tem a ver com o calão utilizado para "vulva", palavra horrenda, que se evita a todo o custo nas conversas diárias.
Pessoalmente, gosto da expressão "É fodido..." dito com satisfação até parece que liberta a alma! Do mesmo modo, quando dizemos "Foda-se!", é raro que a entidade que nos provocou a imprecação seja passível de ser sexualmente assaltada. Por ex.: quando o Mário Transalpino "descia" os 8 andares para ir á garagem buscar a moto e verificava que se tinha esquecido de trazer as chaves... "Foda-se"!! não existe nada no vocabulário que dê tanta paz ao espírito como um tranquilo "Foda-se...!!". O léxico tem destas coisas, é erudito mas não liberta. Os palavrões supostamente menos pesados como "chiça" e "porra", escandalizam-me. São violentos. Enquanto um pai, ao não conseguir montar um avião da Lego para o filho, pode suspirar após três quartos de hora, "ai o caralho...", sem que daí venha grande mal à família, um chiça", sibilino e cheio, pode instalar o terror. Quando o mesmo pai, recém-chegado do Kit-Market ou do Aki, perde uma peça para a armação do estendal de roupa e se põe, de rabo para o ar, a perguntar "onde é que se meteu a puta da porca...?", está a dignificar tanto as putas como as porcas, como as que acumulam as duas qualidades.
Se há palavras realmente repugnantes, são as decentes como "vagina", "prepúcio", "glande", "vulva" e "escroto". São palavrões precisamente porque são demasiadamente inequívocos... para dizer que uma localidade fica fora de mão, não se pode dizer que "fica na vagina da mãe" ou "no ânus de Judas". Todas as palavras eruditas soam mais porcas que as populares e dão menos jeito! Quem é que se atreve a propor expressões latinas como "fellatio" e "cunnilingus"? Tira a vontade a qualquer um! Da mesma maneira, "masturbação" é pesado e maçudo, prestando-se pouco ao diálogo, enquanto o equivalente popular "esgalhar o pessegueiro", com a ressonância inocente que tem, de um treta que se faz com o punho, é agradavelmente infantil. Os palavrões são palavras multifacetadas, muito mais prestáveis e jeitosas do que parecem. É preciso é imaginação na entoação que se lhes dá. Eu faço o que posso."

quinta-feira, 14 de julho de 2011

CELEBRAR!.. HOJE CELEBRO O ANIVERSÁRIO DA BIA!

Celebro a vida e tudo que ela contém…alegrias e tristezas…brisas e vendavais…sempre na certa medida do equilíbrio, que por vezes não compreendemos…Os deuses estão no meu caminho… vejo, ouço, cheiro, toco, delicio…a vida é esta celebração dos sentidos…SENTINDO, com prazeres e medos…
SENTINDO…celebro a Natureza…e tudo que ela dá gratuitamente… o mais belo…
A Natureza no seu todo…tudo que é natural…matéria e energia, num processo dinâmico, gerando a força que gera! O que nasce, cresce e transcende…Com a ordem ou sistema de leis que precedem a existência das coisas e a sucessão dos seres. A essência, qualidade, índole, génio, tipo, carácter de um ser, de qualquer ser!..

Na Natureza somos o ser mais completo e também o mais complexo!

Na minha celebração no seu todo…existo e coexisto, com tudo e com todos…tão necessário é o ar que respiro, a água que bebo, o sol que me aquece, a lua que me convida ao sonho, a paisagem que me envolve, os animais tão diversificados, como os outros a quem me uno, num incentivo recíproco …aprendemos juntos a ver, a ouvir, a cheirar, a tocar, a deliciar, a SENTIR e em comum descobrimos a essência!..

Celebro a família que tenho, os amigos que fui fazendo, as pessoas que nunca conheci pessoalmente e tiveram grande influência em mim…e hoje celebro o aniversário de uma amiga…que me tem dado atenção e carinho…a Bia do blogue Jubilarte…uma artista cheia de criatividade!



UM GRANDE ABRAÇO DE PARABÉNS BIA…UM DIA FELIZ POR TODOS OS TEUS DIAS...
AQUI DEIXO UM RAMO DE UMA FLOR LINDA O «MUGUET», É VIRTUAL, COMO A LOJA ONDE FUI BUSCAR…O GOOGLE!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

NAS NUVENS...


Perscruto as nuvens

Cinzentas e densas
O que sinto e não vejo
Tudo vendo pelo sentir
Que freme como um latejo…

Cheiro e cor…
Forma, densidade, volume…
Sinto sem tocar
O núcleo do sonho branco
Nas nuvens
Onde quero chegar…



Estou lá…no metacentro…
Envolvo-me...
Meu desejo central
De líquidos a explodir
Prazer de deslizar
No devaneio
Do sopro do vento
Na essência do devir…
 MF

Fotografias MF

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O QUE FALTA NO TEXTO?

Recebi este texto e decidi partilhá-lo, está de facto interessante!
Leiam o texto com a máxima atenção e tentem decifrar o enigma proposto,
ANTES obviamente, de conhecerem a resposta nos comentários.

Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo sendo como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento
Trechos difíceis se resolvem com sinónimos. Observe-se bem: é certo que, querendo-se esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. É um belíssimo desporto do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", o que quiser escolher, podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objecto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?
Cultivemos nosso polifónico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.
JACINTO NUNES

domingo, 10 de julho de 2011

FÉRIAS COM LIVROS...

Com o catálogo da FNAC entre as mãos, vejo as últimas novidades:
Livros para férias! Tem piada saber os quantos livros se guardam para ler nas férias, uma mala… às vezes nem um terço se lê… A ânsia de ler é muita, mas o tempo não dá para tudo…uma hora por dia, vá lá é possível dedicar à leitura…mas muito mais se nos deixam sós e o local é tranquilo…de facto hoje preciso de ambiente que me permita concentrar…já lá vai o tempo em que lia nos transportes e nos cafés apinhados de gente e conseguia abstrair-me!...

Há reedições: Thomas Mann, Os Buddenbrook, A Montanha Mágica, já li, gostava de  reler, são retratos fidelíssimos de uma certa época, de um certo tempo! 


[ESTA EDITORA «DOIS MUNDOS: LIVROS DO BRASIL, ESTÁ MUITO PRESENTE NA MINHA BIBLIOTECA, DEPOIS ACABOU!..]

Cesare Pavese, A Praia (romance intenso e melancólico sobre os sentimentos misteriosos e ambíguos que deixam o ser humano desarmado e só, face ao seu destino inevitável. Romance psicológico e uma das obras-primas da literatura europeia).
Há uns anos li vários livros de Pavese, ( A Praia, não) depois de ter lido o seu diário: Oficio de Viver, um livro intenso de uma vida intensa, até aos seus últimos dias!


Naguib Mahfouz (Escritor egípcio, Prémio Nobel 1988): Khan al-Khalili. Há bem pouco tempo uma amiga telefonou-me e falou deste escritor egípcio, dizendo maravilhas, principalmente da «Triologia do Cairo»! Claro que o pior é decorar nomes, mas eu tenho que conhecer! 

E claro os escritores premiados: Manuel António Pina, Poesia, Saudade da Prosa (Camões); O Livro do Sapateiro de Pedro Tamen (APE); A Humilhação de Philip Roth (Man Booker Prize), um escritor que gosto de ler e Uma Viagem à Índia, de Gonçalo Tavares (SPA E OUTROS)

sábado, 9 de julho de 2011

Casa da Música – Para a compositora Ângela Ponte...


É sempre de saudar gente nova na música! De saudar, de aplaudir e de dar incentivo! 
Ouvi a peça, La Mer Souleveé, em estreia mundial, da jovem compositora açoriana Ângela Ponte (1984), em residência na Casa da Música-2011. 
Esta pequena obra revela bem a beleza, a força e o misticismo do mar e foi inspirada num poema de Antero Quental.


SOBRE ANTERO QUENTAL: AQUI 




IDÍLIO



Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos de um fôlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas;

Ou, vendo o mar das ermas cumeadas
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longo, no horizonte, amontoadas:

Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão e empalideces

O vento e o mar murmuram orações,
E a poesia das coisas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

NÃO VIVO DE NOSTALGIAS...MAS TAMBÉM VIVO COM NOSTALGIAS...

Um dos nossos passeios... com os meus filhos pequenos, era ir à Marina de Leixões, em Leça da Palmeira, onde depois íamos petiscar ao Lúcio, em frente à pista dos kartings
Eu sempre gostei muito de barcos e eles também... íamos «escolher» o nosso barco! 
Não era fácil, porque um tinha algo atractivo, mas outro também e adiávamos a escolha para outro dia!
Os que gostávamos mais eram daqueles iates, cheios de roupa a secar, de quem fez uma paragem, depois de andar a vaguear pelo Oceano... imaginávamos essa vida de vagabundagem
Era um faz de conta divertido…e depois vinha o lanche e os kartings
Domingos bem passados!... 
Às vezes andar por certos sítios traz-me essa nostalgia dos meus filhos quando eram pequenos... custou-me bem... cresceram tão depressa…

Este foi um passeio em que caiu a nostalgia…mas é uma nostalgia gratificante…e quando estamos juntos lembrámos sempre de umas quantas peripécias…não vivo de nostalgias, mas também vivo com nostalgias!



BOM FIM-DE-SEMANA

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O QUE AS CRIANÇAS SENTEM E NÃO DIZEM…

imag.google


A Joana é uma criança, muito vocacionada para o artesanato, a pintura e a música. Algo tímida, mas muito observadora. Sempre com um sorriso nos lábios e uma expressão de ternura!
Com 11 anos é uma miúda já precocemente a caminhar para a adolescência! Não fala muito, mas sabe o que quer é muito determinada no que gosta e não gosta! Adora os Beatles! O seu quarto…é um altar à beatlemania!... Começou a tocar cedo, primeiro viola, depois entusiasmou-se com a bateria e até já compõe música! Tem o seu mundo, um mundo especial que só se vê pelas coisas que a rodeiam! 
Perscrutar a Joana não é fácil, tem o seu sorriso carinhoso... mas há sempre nela uma distância!
A Joana escondia algo, um turbilhão de inquietações e uma angústia silenciada…só se veio a descobrir, porque a Joana ia para a cama, não conseguia dormir, queria sempre a mãe ao lado e, até de madrugada os seus olhos não se fechavam…dias atrás de dias!..
Ninguém conseguia arrancar nada da Joana…uma psicóloga foi o recurso…e a Joana falou!
A Joana estava a sofrer calada e disfarçando, as grandes mutações ocorridas na sua casa. O ambiente não era mais o mesmo! A empresa do pai foi à falência, o pai ficou com uma depressão, a mãe foi pelo mesmo caminho…depressão e uma fibromialgia, que não a deixava fazer nada…difícil aguentar o seu trabalho como assistente social…a alegria da casa foi-se…as conversas diminuíram, falavam o essencial…e a situação arrastou-se…arrastou-se durante meses!
A Joana ficou cheia de medos…o pai não era o mesmo…a mãe chorava muito, ficou extremamente magra…A Joana pensava: será que a mãe ia morrer?
Esta é uma situação real da vida… A Joana começou a tomar calmantes, os pais tentaram mudar o ambiente em casa, a família ajudou…
Muitas vezes, nos tempos que correm a família não pode ajudar muito financeiramente, mas há uma ajuda importante, que é fazer-se presente, conviverem, fazerem «festinhas», de um leva uma coisa, outro leva outra…e um canta…um toca…outro dança…contam-se histórias e as pessoas animam-se…nada de lamúrias que agravam os problemas e não levam a nada…
A Joana gradualmente deixou os calmantes…Claro que o pai não arranja emprego...que a mãe tentou ir trabalhar e acabou por voltar para a casa...mas o meu pai está a fazer um curso, a mãe deram-lhe a hipótese de deixar de trabalhar num bairro muito problemático e ir dirigir um lar de idosos...também não é fácil, mas para uma assistente social nos tempos que correm nada é fácil!!! 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

MORRER DE AMOR...

O «post» anterior, levou-me para um filme que vi há uns anos, «Mourir d’aimer» realizado por André Cayatte, inspirada na história verdadeira de Gabrielle Russier (1937-1969).

Um amor não aceite socialmente, de uma professora por um dos seus alunos, que a levou à prisão e depois ao suicídio, no ambiente de Maio de 68.

E esse filme trouxe-me à memória uma artista francesa de quem vi muitos filmes, com trabalhos muito diversificados, da comédia burlesca ao drama – Annie Girardot (1931-2011).

Os seus melhores trabalhos foram: Rocco e Seus Irmãos, Viver por viver, Docteur Françoise Gailland (Cesar de melhor interpretação) e La Pianiste (melhor artista secundária)

Girardot, foi dirigida por cineastas como Luchino Visconti, Claude Lelouch, Roger Vadim, Mario Monicelli e muitos outros. Girardot fez c. de 100 filmes e trabalhou com muitos actores franceses: Yves Montand, Catherine Deneuve, Michel Piccoli, Alain Delon…etc.



Charles Aznavour, compôs a canção (letra e música) de grande sucesso, Mourir d'aimer , depois do filme, mas ficou ao mesmo associada.


As paredes são lisas na minha vida
Eu me agarro, mas eu deslizo
Lentamente para o meu destino
Morrer de amar

Todo o mundo me julga
Eu não vejo um refúgio para mim
Todos me condenam a
Morrer de amar

Voluntariamente mergulho na noite
Pagando o amor ao preço da minha vida
Pecar contra o corpo, mas não contra o espírito
Deixar os problemas do mundo
As pessoas odeiam-se a si mesmas
Com as suas pequenas ideias
Morrer de amar

Porque o nosso amor não pode viver
Melhor fechar o livro
Em vez de o   queimar
Morrer de amar

Partir de cabeça levantada
Sair vitorioso na derrota
Invertendo todos os dados
Morrer de amar
Nada mais me importa
Abandono tudo
Porque não importa
Só importa o que nós éramos
O que tu eras
Tu eras a Primavera
Eu o Outono
Teu coração ficou preso
O meu se deu
O Meu caminho está traçado
Morrer de amar

terça-feira, 5 de julho de 2011

PODE-SE MORRER DE AMOR?

Ao ler uma crónica onde se dizia peremptoriamente que ninguém morre de amor, fiquei a pensar…morrer de amor é assim d0 período Romântico… lembro Werther de Goethe, livro paradigmático desses tempos, mas todos os dias há crimes passionais nos jornais… mas isso é matar, não é morrer de amor, é uma dor e vingança de chifre!..
Quando algo é finito ou após uma zanga, chora-se, fica-se em casa, não se quer ver nem falar com ninguém…mas isto não mata! Damos cabeçadas…e mudamos de opinião uma quantidade de vezes, para continuarmos a dar cabeçadas…

To die by your side is such a heavenly way to die…só conversa?


Se esse autocarro de dois andares
Batesse em nós
Morrer ao teu lado
Era uma forma paradisíaca
E se um caminhão
Matasse nós os dois
Morrer ao teu lado
Era um prazer - um privilégio meu
Oh, há uma luz e ela nunca se apaga...

Agora há tantas crises…crise dos 3 anos…crise dos 7 anos…se ao fim de poucos meses já não mandaram o amor à fava!.. E este  amor será amor?
O lema é relativizar, deixar o «foram felizes para sempre», para «suportarem-se um ao outro sem grandes discussões»…
Crescendo, para não dizer envelhecendo, que é menos confortável, se aprende a relativizar…dá-se mais importância a umas coisas do que a outras…lamenta-se até o desgaste sofrido em discussões vãs…
Pode-se demorar a chegar a este ponto…pode-se nunca chegar…mas será mais positivo rir de quando pensávamos que o mundo ia acabar sem… ou que queríamos que o mundo acabasse com…


Ontem tive uma conversa com uma pessoa deliciosa…a Lena…a quem eu chamo fofinha…A Lena é uma adolescente de c. de 80 anos…é o rosto da felicidade…tem uma voz macia, um olhar brilhante e carinhoso, emana dela uma grande serenidade…todos gostam dela! Tem problemas de coração controlados…


-Lena tudo bem?
-Esta noite tive falta de ar…mas não vou falar disso!


É assim: está sempre tudo bem!
Faz hidro todos os dias e eu apenas três vezes por semana! Na piscina quando começa a abrir a boca, sinal de compensação cardíaca nós ficamos logo a observa-la. A Lena é uma pessoa muito querida!
Ontem no balneário outra colega contou uma anedota, sobre alguém que queria ter sexo, mas precisava de uns comprimidos e a Lena disse:

-Como estamos só aqui as três…eu e meu marido ainda fazemos sexo, não muito, mas uma vez por semana…ele quer sempre…eu é que tenho mais preguiça, mas ele é muito delicado e atencioso, sempre foi…quando casamos, andou meses para que acontecesse…eu sou carinhosa, mas não sou muito fogosa!

Conclusão para mim: a Lena viveu e vive realmente o verdadeiro amor, por isso do seu rosto emana aquela felicidade e serenidade…
Da Lena podia contar muitas coisas é uma pessoa tão peculiar!..Conheço-o há alguns anos e logo me apaixonei pela pessoa que é!