A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sexta-feira, 24 de junho de 2011

PORTO SENTIDO - POEMA DE CARLOS TÊ

Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende ate ao mar

Mosteiro da Serra do Pilar - Vila Nova de Gaia


Ponte de D. Luís (perspectiva das Fontainhas)
Fontainhas

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, são-joanina
dirigida sobre um monte
no meio da neblina.



Fontainhas
Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós. 

Fontainhas
É esse teu ar grave e sério
dum rosto de cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria


Centro da Cidade
Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento



E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez

de milhafre ferido na asa 


Estação de S. Bento


Este poema musicado por Rui Veloso, tornou-se numa carismática canção à cidade do Porto.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

VIVER AS TRADIÇÕES...S.JOÃO NO PORTO

A festa de S. João do Porto, é considerada única no mundo, para mim é porque não conheço outra… Esta festa leva-me para boas recordações da minha infância e adolescência, porque agora já fico muito pela periferia! A festa foi se modernizando com os tempos, mas continua a ser uma festa popular.
Todos os bairros participam neste evento, colocando ornamentações, iluminações e palco para a música, assim como as barraquinhas de comes e bebes e as fogueiras. De festa em festa o Porto torna-se uma grande festa!
Em 1911, o dia de S. João, 24 de Junho, foi considerado como o dia de festa da cidade e feriado municipal.
As pessoas começam por jantar e o dia tem pratos populares específicos: o caldo verde com a rodela de chouriço e a fatia de broa de Avintes, a sardinha assada com batata cozida e pimentos e o carneiro ou anho assado.
Depois é andar pelas ruas a bater na cabeça uns dos outros, com o alho-porro, o mais tradicional, ou outras variantes, que foram aparecendo.
Outros ficarão no seu bairro, dançando, saltando à fogueira, petiscando…até de madrugada. E as «orvalhadas» acabam sempre por aparecer!
Muitos no final vão até à praia tomar um banho e por lá ficam deitados!
Para mim o mais interessante é saber o porquê das tradições. Há na cidade do Porto duas pessoas que se tornaram «autoridades», pelas pesquisas históricas feitas à cidade, o que depois tem motivado, passeios de estudo, aulas, conferências e livros sobre o Porto, são eles: o Dr. Helder Pacheco e o ex-jornalista Germano Silva. É precisamente um texto de Germano Silva que vou colocar aqui, que aborda as tradições mais antigas desta festa popular.

 (...) Festa cíclica, de raiz nitidamente pagã, o S. João do Porto assenta, fundamentalmente em “sortes” amorosas, encantamentos e divinações que se devem relacionar, por um lado, com o casamento, a saúde e a felicidade, mas que andam também estreitamente ligadas aos antigos cultos pagãos do Sol e do fogo e às virtudes das ervas bentas, ao orvalho, às fogueiras, à água dos rios, do mar e das fontes.

Quem saltar a fogueira na noite de S. João, em número ímpar de saltos e no mínimo três vezes, fica por todo o ano protegido de todos os males. Diz a tradição que as cinzas de uma fogueira de S. João curam certas doenças de pele. Para certos males, são benéficos os banhos que se tomem na manhã do dia de S. João, mas antes de o sol nascer. No Porto, os que se tomavam nas praias do rio Douro ou nos areais da Foz valiam por nove...

As orvalhadas têm a ver com a fecundidade. Uma mulher que se rebole de madrugada sobre a erva húmida dos campos fica apta para conceber. Segundo um conceito antigo, as orvalhadas eram entendidas como o suor ou a saliva dos deuses da fertilidade. Uma outra velha tradição assegura que os namoros arranjados pelo S. João são muito mais duradouros do que os que se formam pelo Carnaval, “que não vêem chegar o Natal..."

Um antigo costume são-joanino consiste em fazer subir balões confeccionados com papéis de várias cores. Sobem ao ar como sóis iluminados sob o impulso do fumo e o calor de uma chama que consome uma mecha de petróleo ou resina. Estas práticas são velhos resquícios de um antigo culto ao Sol.

S. João é também casamenteiro. Ao toque da meia-noite a menina casadoira atira um cravo para a rua. Se for apanhado por um rapaz, em breve ela casará. O mês de Junho passa célere por entre o canto fruste das cigarras e a risada vermelha das papoilas. Mas a folha da oliveira também entra no sortilégio das cantigas de amores: “Ó meu S. João Baptista / ouvi-me que eu sou solteira / destinai o meu marido / nestas folhas de oliveira...” Havia no Porto, ainda há relativamente pouco tempo, o costume de se erguerem arcos de madeira com que se enfeitavam determinadas ruas para a grande festa. O cimo desses arcos terminava em triângulo, que era a forma ou o símbolo do Sol para certas religiões antigas.

O cristianismo soube, de forma inteligente, reconheça-se, cristianizar as festas pagãs em geral e o S. João em particular. O nome do santo precursor passou, depois disso, a dominar e a proclamar uma festa que no Porto se celebra na noite de 23 para 24 de Junho com desfiles de marchas, arraiais nos quatro cantos da cidade e bailaricos. O S. João do Porto é o povo na rua, a multidão que transborda de avenidas, praças e ruas, desemboca de vielas e azinhagas, de alho porro na mão ou brandindo o martelinho,
(É com ele que se bate na cabeça de quem passa, a manter a tradição do desejo ritual de boa sorte e de fortuna. Desde os anos sessenta com o martelinho de plástico colorido a substituir a tradição da planta sagrada, que muitos, felizmente, teimam em levar à festa, no desejo de conservar a antiga praxe .) mas sempre com um chiste travesso na boca, a descambarsolidariedade.
(...)
Germano Silva, in Porto Turismo


terça-feira, 21 de junho de 2011

SOBRE OS PORTUGUESES...

Steve Lewis criou a empresa CEO da Living PlanIT, que é a promotora de um projecto para Paredes, que ocupará uma área de 17 kilómetros quadrados, criará entre vinte e trinta mil empregos, atrairá 12 mil empresas de todo o mundo e envolverá um investimento total de dez mil milhões de euros.

Lewis não está preocupado com a situação que atravessa Portugal. A crise económica não o deprime, acredita que os tempos difíceis podem ser prósperos em «oportunidades de negócio».
Nasceu em Londres, «muito pobre», começou a trabalhar com 17 anos. Dividia-se entre a escola e dois empregos «vendendo jornais e fazendo alguns trabalhos de limpeza». De emprego em emprego chegou à sua grande paixão a informática, até chegar à Microsoft.
Está a viver em Portugal há três anos, primeiro em Amarante e agora em Santo Tirso, é uma pessoa desprendida e diz: «Preocupa-me o que é realmente importante na vida, as pessoas».
Lewis considera os portugueses simpáticos, acolhedores e abertos a tudo. Como característica destaca a «humildade excessiva». Portugal não gosta de si próprio, não acredita nas suas capacidades, deixou de ser inovador, tornando-se governodependente.
Um povo que teve um passado glorioso e aventureiro, vive mergulhado num estado de incredulidade, de desconfiança aguçada perante uma ideia que pode ser exequível em qualquer país, menos em Portugal. A falta de auto-estima estende-se às camadas mais jovens.


Em Paredes, cidade na periferia do Porto, vai arrancar o Ubiquitous City, ou U-City, ou cidade ubíqua, é um conceito utilizado para definir cidades onde toda a tecnologia de informação está aplicada e todos os sistemas estão interligados. As chamadas smarcities como PlanIT Valley, em Paredes, Dongtan, na China, Songdo, na Coreia do Sul e Mascar em Abu Dhabi, serão cidades ubíquas.

Richard Zimler é um dos escritores que muito aprecio! Acabou de publicar «Ilha Teresa», uma história de uma rapariga de 15 anos, que vai viver com a família para Nova Iorque e sente-se uma «ilha», num mundo desconhecido.
Zimler fez o percurso ao contrário, veio de Nova Iorque e vive no Porto (já tem nacionalidade portuguesa) há vinte anos. Confessa que sofreu muitos choques culturais, em parte porque não reconhecia as regras «não-ditas» da sociedade.

Para ele o grande problema dos portugueses é a «passividade». «Os portugueses não têm dinamismo, ficam parados à espera que os problemas desapareçam». «Não pensem que é o dinheiro do FMI que vai resolver os problemas, há coisas que o dinheiro não resolve, a solução está no exercício da cidadania».

domingo, 19 de junho de 2011

ESPINHO SEMPRE FOI UM LOCAL DE FUGA...

Espinho, cidade a 20 km do Porto, está muito associada à minha vida...Com 9 ou 10 anos foi lá que eu aprendi a nadar, na piscina, porque as praias são agradáveis, mas o mar está sempre muito agitado...daí a construção dos paredões, porque o mar estava a «comer» a terra! Muitas vezes fui para a piscina com a família e a diversão começava na viagem de comboio.
Muito mais tarde também comecei a frequentar o Casino, indo ver alguns espectáculos, dançar para a «boite», que preferia ao Salão Nobre, bastante «queque» e também jogar nas «slot-machines», com x dinheiro, pré-estabelecido...mas sempre o que eu mais gostei de apreciar foi os jogadores e as jogadoras inveteradas, que se agarravam a duas ou mais máquinas, febrilmente sempre a meter dinheiro lá para dentro...
Espinho também tem o chamado «picadeiro», local de andar de uma lado para o outro, para se mostrar e para ser vista...há quem goste!...
Outro aspecto cativante desta cidade, são os seus restaurantes. Lá come-se bom peixe e bom marisco...local privilegiado para ceias até às tantas...





sexta-feira, 17 de junho de 2011

BOM FIM-DE-SEMANA!...


Vou fugir para longe, hoje acordei com um ataque desvairado de claxons, devido às ruas que foram cortadas para este evento tão apreciado pelo Presidente da Câmara do Porto, Dr. Rui Rio! Eu vivo no núcleo deste «festa automobilística» à margem da crise!...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

DOMINGO NA DOCA


(MÚSICA: ONDEIA - DULCE PONTES)

DOMINGO NA DOCA


Percorro o espaço solitário...

Os barcos são embalados 

Pela inquietude das águas…
Tudo está suspenso…mas preparado…
De madrugada rasgarão o mar
De risos e mágoas…
O silêncio é quebrado
Pelo grito das gaivotas
E pelos ruídos das coisas
Que o vento agita…
Numa estranha melodia
Desconcertante, sem notas!

Daqui por umas horas 
Será o burburinho, o alvoroço
A labuta de mais uma jornada…
Solidariamente faço um esboço
Coragem e medo
Alegria e tristeza…
Amanhã muito cedo
Partem transpirando de incerteza…
Mas atarefados na faina
Sem tempo para pensar
Será mais um dia para colher
O pão que lhes dá o mar!...

[ms]

quarta-feira, 15 de junho de 2011

SICRANO DE BERGERAC


Gosto de Teatro, sempre gostei, aprecio aquele trabalho sem «rede»! Mas falar aqui de teatro seria maçador!
Para quem me leia, aqui dos meus sítios, vai esta dica, no Constantino Nery pode-se ver bom teatro por 5 euros, mais barato que ir ao cinema!

Sicrano de Bergerac, é uma adaptação de «Cyrano de Bergerac», de Edmond Rostand, que transpõe a acção de Paris do séc. XVII para uma cidade portuguesa no final do séc. XX. Nesta versão a aristocracia das cortes de Luís XIII e de Luís XIV é substituída pela actual mediocracia das televisões e da cultura de massas.
«Sicrano» dá relevo a uma certa marginália nocturna, composta de prostitutas, cantores de música ligeira, delinquentes e taxistas, e a um certo star-system, mais popular. Tal como no original, o texto explora o tema da diferença entre beleza física e beleza espiritual,  enquadrado numa história, em que está em jogo, a celebridade, o anonimato, a marginalidade e o amor. Este texto proporciona aos actores experimentar, interpretar, vivenciar emoções comuns a todos nós.

A dramaturgia é de Jorge Lourenço, a encenação e figurinos de Luísa Pinto a direcção musical de Carlos Tê.
Esta peça foi a conclusão da tese de mestrado de Luísa Pinto, responsável pelo teatro Constantino Nery e obedeceu a um programa de «INCLUSÃO SOCIAL», tendo a participação de actores profissionais e de reclusos e reclusas de dois Estabelecimentos Prisionais.


terça-feira, 14 de junho de 2011

CRISE DE INFANTILIDADE NA TERRA DO NUNCA


PETER PAN!?... Se bem se lembram vivia numa terra onde as crianças não cresciam, não tinham que enfrentar a realidade, não tinham projectos nem futuro…
À nossa Terra do Nunca, chegaram uns senhores, para ensinar como se governa uma terra que foi ao fundo, os remédios impostos, podiam ter sido tomados há muito, se houvesse coragem…mas não, de forma infantil fomos levados até ao fundo!
Gerou-se a balbúrdia e as crianças começaram a correr o país, querendo vender ilusões…da mesma maneira de sempre…infantilmente…com brincadeiras a despropósito…tão fora da realidade!..
Pedia-se um debate de ideias, uma mudança de paradigma, um corte epistemológico…isto era muito para as crianças…o melhor era continuar a não ver a realidade…continuar numa alienação…
Agora as crianças divertem-se com o saco das guloseimas: vou dar-te esta! Não, quero a outra! Esta é boa! Mas eu gosto mais da outra!...
Parece que estamos na Terra do Nunca…mas faltam-nos os sonhos…ou mesmo assim continuamos a sonhar?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

FERNANDO PESSOA (LISBOA, 13 DE JUNHO DE 1888)

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935).

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus. >>>
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos

Fernando Pessoa por Almada Negreiros

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus deu ao mar o perigo e o abismo,
Mas nele é que espelhou o céu.
                    Fernando Pessoa, in Mensagem

domingo, 12 de junho de 2011

ESTÁ TUDO «TÓTIL»?


Zona central do Porto e um mesmo espaço tem 3 nomes. Junto à Câmara Municipal é a Praça Humberto Delgado, segue-se a Av. dos Aliados e depois a Pr. da Liberdade (fot.google)

Assisti a um debate na Livraria leitura, sobre REGIONALISMOS, GÍRIA E CALÃO

A NOSSA IDENTIDADE VOCABULAR É A NOSSA MAIOR PRECIOSIDADE, disse o jornalista Alfredo Mendes, defendo que «a voz do povo é a voz do sangue» e que a «oralidade é património». «Todas as pessoas são bibliotecas falantes, porque conservam em si a pulsação da língua, dão-lhe prova, provam que está viva».

Alfredo Mendes, tem um livro publicado, onde reuniu 1700 vocábulos típicos dos habitantes do Porto, «Porto naçom de falares».


Falou de uma naturalidade vocabular e deu um exemplo prático: quando se entala um dedo, diz-se um f…, ou dois ou três, solta-se um c…., o que não se diz certamente, agarrado ao dedo é: «ai que maçada que me magoei e está a doer-me muito!»

João Carlos Brito, linguista e autor de «Francesinhas à moda do Porto», disse: «estamos debaixo de uma colonização, perdendo diversidade e riqueza. Além dos estrangeirismos, 30 mil palavras já usadas correntemente, temos o «lisbotês» disseminado pelos quatro canais televisivos».

Brito, deu um exemplo: «bué» importado das ex-colónias, já é mais popular que o orgulhoso equivalente tripeiro «tótil».

E a questão a finalizar foi: O Porto deve lutar pela sua identidade vocabular?

Não me parece muito necessário! Subjacente a tudo sempre estará a maneira de falar à «puerto», com todo o seu vernáculo à mistura, para isso nada como andar de ouvidos abertos pela cidade!


sábado, 11 de junho de 2011

COLHE O DIA, PORQUE ÉS ELE (Depois de Camões...Fernando Pessoa)

Quadro de Júlio Pomar


Colhe o Dia, porque És Ele
Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.


Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dia de Portugal, de CAMÕES e das Comunidades Portuguesas,

Ao desconcerto do Mundo


Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.




O retrato de Camões por Fernão Gomes, em cópia de Luís de Resende. Este é considerado o mais autêntico retrato do poeta, cujo original, que se perdeu, foi pintado ainda em sua vida.


Nascimento
cerca de 1524 Lisboa ?
Morte - Lisboa 10 de junho de 1580


 Coitado! que em um tempo choro e rio


Coitado! que em um tempo choro e rio
Espero e temo, quero e aborreço;
Juntamente me alegro e entristeço;
Du~a cousa confio e desconfio.

Voo sem asas; estou cego e guio;
E no que valho mais menos mereço.
Calo e dou vozes, falo e emudeço,
Nada me contradiz, e eu aporfio.

Queria, se ser pudesse, o impossível;
Queria poder mudar-me e estar quedo;
Usar de liberdade e estar cativo;

Queria que visto fosse e invisível;
Queira desenredar-me e mais me enredo:
Tais os extremos em que triste vivo! 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

DÁ-ME UM ABRAÇO...





SABE SEMPRE TÃO BEM UM ABRAÇO!...

terça-feira, 7 de junho de 2011

UMA IDA A SERRALVES


Visita às exposições temporárias, sem esquecer de passar pela livraria especializada em livros de arte. No Museu de Arte Contemporânea, com o traço de Siza Vieira, tão característico em sobriedade e sempre em grande sintonia com o ambiente envolvente, pode almoçar no restaurante ou comer alguma coisa mais ligeira no bar.
Saindo é confrontado com uma vegetação luxuriante e caminhando pela álea principal chega à famosa Casa cor-de-rosa, que foi propriedade do segundo Conde de Vizela, único exemplo de Art-déco, projecto do arquitecto francês Charles Siclis e executado pelo arquitecto Marques de Oliveira. Nesta casa também são apresentadas exposições.
Descendo pela escadaria inicia-se um passeio pelos jardins, caminhando até ao grande lago. Prosseguindo aparece o prado, onde existem alguns animais e se pratica a agricultura e, continuando chega à Casa do Lagar, onde funcionam várias oficinas, com objectivos diversos e contemplando primordialmente as crianças.
No regresso ao complexo principal, a sugestão é mesmo ir à Casa de Chá e aí pode usufruir da frescura da vegetação.
São momentos vividos de grande relaxamento, tendo como fundo musical a cantoria constante dos pássaros e em determinados sítios, a musicalidade da água, que é sempre um aspecto muito agradável para mim! Por essa razão escolhi como música de fundo «JEAUX D’EAU» de Maurice Ravel, que podendo ser um pouco agreste ao ouvido, transmite bem a ideia dos tons diversos de se ouvir a água.
[A Pá de Jardineiro, com que se inicia e acaba o vídeo de Claes Oldenburg e Coosje vanBruggen, é o símbolo da Fundação de Serralves. ]

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ABSOLUTAMENTE À DIREITA...

Baseando-me na crónica de Manuel António Pina, realmente eu também considero absurda tanta alegria do PSD e do PP, de serem eles em conjunto os feitores do FMI, UE e BCE, para este protectorado à beira-mar plantado com todos os problemas conhecidos: recessão, pobreza, desemprego, despedimentos fáceis, destruição do SNS, do ensino...e o mais o que se sabe!

PSD - 38,63%
PS - 28,05%
CDS - 11,74%
PCP - 7,94%
BE - 5,19%

ABSTENÇÃO CRESCENTE QUE JÁ VAI EM 41,10%  - O MAIOR PARTIDO DE PORTUGAL

Segundo o Presidente da República os portugueses que se abstém perdem a autoridade e legitimidade para criticar as políticas do próximo Governo. Se o nosso sistema eleitoral não fingisse que esses 40% não existem, haveria na próxima Assembleia da República 90 e tal cadeiras vazias e os partidos teriam um número de deputados real: pouco mais de metade do que irão ter!
Esta abstenção não é só resultado de preferirem passear ou de comodismo para ir às urnas, mas sim o cansaço da descredibilidade que os políticos têm passado! 
Pensem nisso, podem fazer tudo, mas os portugueses já estão muito saturados de vos aturar!

domingo, 5 de junho de 2011

E AGORA JOSÉ?...




DOIS POEMAS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora José?

(...)

No meio do caminho tinha uma pedra

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

            * * *

sábado, 4 de junho de 2011

sexta-feira, 3 de junho de 2011

PARABÉNS MEU FILHO!...

Esta prenda que a vida me deu...hoje faz anos e ontem deu-me a nostalgia e estive a ver fotografias...aquelas das primeiras «habilidades» que as crianças vão fazendo e sempre se gosta de registar! Quanta saudade de belos momentos!
O Pedro não foi uma criança fácil, nos primeiros meses, mais ou menos até ao oitavo, deu-nos umas «grandes» noites de olhos abertos, cheios de «areia», pelo cansaço sentido! Quando tudo parecia serenar, já quase era hora de levantar!...
Teve aquelas doenças habituais! Teve que ser operado aos olhos, devido ao estrabismo e depois ao nariz...mas foi sempre uma criança muito alegre e «malandreca»!


E o Pedro foi crescendo, primeiro esteve com os avós, depois foi para o Jardim Infantil João de Deus, até que chegou à idade de ingressar no ensino. Primeiro esteve no ensino público, mas era tão «terrorista», que só alinhava com os miúdos mais problemáticos e rebeldes e a decisão foi ir para um colégio particular. Outra característica do Pedro era ser um grande sonhador, na família chamavam-lhe o Peter Pan.
Chegou a adolescência e a situação não foi fácil! Amigos e amigas aos montes, namoradas umas atrás das outras e muito apreciador da noite. O Pedro precisava de estar sobre controlo, mas não era fácil!
Estudava e trabalhava, por vontade dele teve não sei quantos empregos...Inteligente, não se definia o que queria exactamente, pedi a um amigo psicólogo, para lhe fazer um teste vocacional. O Pedro tinha inclinações para uma série de coisas! Foi fazendo cursos médios! De informática fez não sei quantos...depois Marketing e Publicidade e foi trabalhar nesta área, mas estar fechado era um sacrifício....e foi tirar o curso de Antropologia...teve uma loja de roupa para «raps», fundou com amigos uma associação de jovens para fazerem voluntariado e...continuou a ter namoradas atrás de namoradas...e sonhos atrás de sonhos...A minha grande preocupação relativamente ao Pedro, centralizou-se sempre muito nas drogas...sempre estive muito atenta aos seus estados de espírito, se o via mais eufórico, lá ia eu fazer uma inspecção ao seu quarto, procurando algo que fosse suspeito...mas esse problema, contrariamente a amigas que tiveram que o enfrentar, nunca existiu...O grande problema dele era a insatisfação, sonhar alto, muito alto...
O Pedro hoje é um homem, serenou, tem uma companheira, com quem vive há cinco anos e tem uma vida estável, não sei até quando...é uma pessoa empenhada em causas...principalmente dos animais...e como ambos gostam muito, na casa deles sempre há animais recolhidos...mas quem domina é a Maria, um cão de água preto...que quando vou lá, dizem: Chegou a avó...Está nos seus projectos um filho, mas ainda não aconteceu...


quinta-feira, 2 de junho de 2011

PREFERE O AMOR CÃO OU O AMOR GATO? OU O SEU AMOR É DE CÃO OU É DE GATO?

Segundo Ramiro Calle, ninguém ama de maneira igual, há um amor cão e o amor gato. Um é mais exaltado, outro é mais temperado, o que não significa que se goste menos. Estas posturas podem-se alterar ao longo do tempo. Um bom indicador para testar a irreversibilidade de um relacionamento prende-se com o sexo. Se a sexualidade desaparece, dificilmente volta.
Ramiro Calle, é considerado um guru do tema, amor, casal…mas da teoria à praxis vai sempre uma grande distância, no entanto há ideias que não sendo originais são interessantes.




Do seu livro «A ARTE DO CASAL»:

A pauta pela qual muitos se regem é a do controlo. Precisamos de dominar, exigimos, dependemos, manipulamos e esses vínculos afectivos são negativos. Não basta que nos queiram, queremos que nos queiram como nós queremos, se assim não for gera-se amargura e frustração. O mais importante é a comunicação, comunhão e acima de tudo respeito e perdão. Os relacionamentos são demonizados, por insegurança, por considerarmos os outros nossa propriedade. Quem ama perdoa a infidelidade, que não é sinónimo de deslealdade, porque nos fizeram acreditar que uma pessoa é capaz de satisfazer todas as nossas necessidades. O ser humano é polígamo por natureza.

TAL E QUAL, MAS É FÁCIL CHEGAR A ESSE ESTADO DE ABNEGAÇÃO? SER PERDOADOS TODOS QUEREMOS, PERDOAR NÃO É FÁCIL!...
A EVOLUÇÃO DO NOSSO CÉREBRO, NÃO FOI RECALCANDO O INSTINTO, A PRÓPRIA ENGRENAGEM DA SOCIEDADE QUE SE FOI DESENVOLVENDO NÃO APONTOU QUE A MONOGAMIA SERIA UMA FORMA MAIS SEGURA E MAIS TRANQUILA DE VIVER?



Quem não tem um parceiro vive obcecado com isso, os que têm vivem obcecados em deixá-lo. 90% dos casais são infelizes, mas quase toda a gente quer viver em parelha, aceitando os cânones prescritos pela sociedade, cega perante as evidências. A separação é frequentemente a única saída. Temos que ser honestos. Nasceste livre e queres morrer escravo de algo que te faz sofrer? Quando não dá tem que se deixar ir. Aliás, quando se ama verdadeiramente, sabe-se libertar para ver o outro feliz mesmo que tal implique perdê-lo.

A SEPARAÇÃO, QUANDO SE ESTABELECERAM  PROJECTOS EM COMUM, ENTRE OS MESMOS A CONSTITUIÇÃO DE UMA FAMÍLIA SERÁ ASSIM TÃO SIMPLES? ESTÁ NA ORDEM DO DIA CLARO…MAS TAMBÉM ESTÁ NA ORDEM DE MUITA DESORDEM!
E ESSE AMOR VERDADEIRO EXISTIRÁ DE FACTO? 




Temos de saber resolver a nossa vida internamente a título individual e não podemos depositar no outro, expectativas para a solução. Até porque uma relação só é passível de funcionar bem se as carências emocionais estiverem ultrapassadas, se houver indulgência, tolerância e auto-estima. A fábrica de dor está, não raras vezes, num relacionamento cujo prazo de validade já há muito expirou.


COMO NÃO CONCORDAR, OBVIAMENTE QUE CONCORDO…MAS NÃO SERÁ QUE A FÁBRICA DE DOR ESTÁ SEMPRE NO VIRAR DA ESQUINA, PORQUE VOLTANDO AO PRINCIPIO QUEM NÃO TEM PARCEIRO VIVE OBCECADO COM ISSO E OS QUE TÊM VIVEM OBCECADOS EM DEIXÁ-LO E A OBSESSÃO É SEMPRE DOR!...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

AVISO AOS NAVEGANTES...

Isto não se resolve…e os dias passam e é sempre a mesma coisa!



Faço o login para entrar no blogue, vou ao painel, publico, depois vou ver a publicação e lá em cima, no canto à direita diz: Iniciar a Sessão! Não posso fazer qualquer rectificação à publicação, se quero fazer comentários, pedem-me um perfil e depois tenho outra vez que iniciar a sessão!

ALGUÉM ME PODE EXPLICAR O QUE SE PASSA?

CRIANÇAS...

Pieter Brueghel, "O Velho" - Jogos Infantis

Como uma criança antes de a ensinarem a ser grande,
Fui verdadeiro e leal ao que vi e ouvi.



Alberto Caeiro, in "Fragmentos"
Heterónimo de Fernando Pessoa

A Criança que Pensa em Fadas

A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em algum ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.



Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

Heterónimo de Fernando Pessoa