A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sábado, 17 de setembro de 2011

Thomas Bakk - dramaturgo, encenador e actor, contador de histórias e divulgador do cordel

Thomas Bakk é dramaturgo, encenador, actor, contador exímio de histórias e divulgador incansável do cordel. Brasileiro de origem, Thomas Bakk, depois de muitas andanças, radicou-se na cidade do Porto onde tem desenvolvido uma actividade notável em variadíssimas áreas, desde o teatro ao conto oral, realizando cursos de formação, preparando e organizando acções de teatro de rua ou para crianças, animando programas de rádio e apresentando-se como declamador de histórias de cordel. Tudo isso graças a uma imaginação prodigiosa e a uma versatilidade criativa fora do comum.
Thomas Bakk desenvolve actualmente a sua actividade de actor nos «Maus Hábitos», conhecido bar da Rua Passos Manuel, na cidade do Porto, onde tem apresentado algumas das suas criações. Anima também um programa de rádio na Rádio Universitária do Minho. E não se cansa de levar o teatro e o cordel aos quatro cantos de Portugal.


Em estreia no TCA, ESTÓRIA DO TAMANHO DAS PALAVRAS. Da extravagante imaginação de Bakk, saiu a mãe Palavra, a filha Palavrinha e o pai Palavrão, que vivem numa cidade que é uma biblioteca e numa casa que é um livro muito velho e a precisar de obras. Um belo dia surge um autor famoso que procura palavras para o seu novo livro, mas o pai Palavrão não faz parte dos seus planos…
Divertida reflexão sobre os afectos e os valores éticos na sociedade actual, é também uma prova de amor aos livros e à leitura, para crianças e adultos verem. VALE A PENA!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

MIDNIGHT IN PARIS

Uma emocionante declaração de amor à capital francesa, revisitando os anos 20, a  L'âge d'or, com todos os seus intervenientes do círculo de Gertrude Stein e todos os outros artistas que ocorriam a Paris e viviam o seu movimento vanguardista. 

Que posso dizer? Sou uma indefectível dos filmes de Woody Allen, admiro  bom gosto, que insere nos seus trabalhos...da escolha dos actores, aos cenários, à música...Como sempre um filme de todas as possibilidades, problemas, crises…

Considerado um especialista em amor e sedução, Woody Allen diz: sou um completo falhado na área do amor, Toda a gente no mundo fala sobre o amor, mas ninguém sabe nada, é muito imprevisível, deixa toda a gente confusa. Não trabalha no cérebro, trabalha no coração. As pessoas mais inteligentes fazem as coisas mais irracionais. Homens e mulheres brilhantes fazem figuras de parvo a toda a hora. É um tema que fascina todos…dos gregos a Tolstoi, Stendahl, Flaubert, Jane Austen. Toda a gente fala de amor e em saber porque dá sempre para o torto e trás tantos problemas.

  
E da banda sonora destaco a canção «Let's Do It» de Cole Porter


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

domingo, 11 de setembro de 2011

CRIANÇAS DE ANGOLA PRECISAM DE LIVROS


Livros infanto-juvenis e DVDs. O INTASA (Instituto Angolano de Solidariedade Artes e Saber) promove uma campanha de angariação, já que as escolas públicas não têm fundos para implementar bibliotecas. As crianças precisam de acesso a livros e a outros materiais pedagógicos, para fomentar o gosto pela leitura como instrumento de trabalho e de ocupação de tempos livres.

COMO AJUDAR:
Envie os livros para:
INTASA : Rua Manuel de Almeida e Vasconcelos, nº.24, Bairro Azul
Luanda - Angola

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

VOU ANDANDO POR AQUI...

 Esperando o pior...em fuga para o belo da vida...para me surpreender e me encantar!....





fotos: mf

Viver na Beira-Mar
 
Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsamente
e tão serena bebido o mar.

Fiama Hasse Pais Brandão, in "Três Rostos - Ecos"

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Reminiscências de férias....

Um Vento Muito Leve Passa 
Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabe-lo.

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XIII"
Heterónimo de Fernando Pessoa

sábado, 3 de setembro de 2011

SMALL IS BEAUTIFUL (1973)– E.F. SCHUMACHER Um dos mais importantes livros, da literatura ambiental, na vertente da ética e da economia.

 PARTILHANDO LEITURAS: http://movv.org/2006/08/21/biografia-de-e-f-schumacher/


Small Is Beautiful” de E. F. Schumacher está classificado entre os cem livros mais influentes publicados desde a Segunda Grande Guerra. A selecção foi feita por um grupo de escritores e académicos que procuravam criar um “Mercado Comum da Mente” para estabelecer uma ponte entre as divisões culturais da Europa do Pós-Guerra. Entre estes nomes encontram-se os de Simone de Beauvoir, André Malraux, Albert Camus, George Orwell, Jean-Paul Sartre, Hannah Arendt, Carl Gustav Jung, e Erik Erikson. Small Is Beautiful: Economics As If People Mattered referiu-se com uma extraordinária precisão a muitos dos principais temas com que lidávamos no final do século.
O economista E. F. Schumacher era um homem alto com uma longa sombra, particularmente no reino das Ideias. À época da sua morte em 1977 ele era classificado como “um profeta resistindo contra a maré” e “um homem que coloca as perguntas certas à sua sociedade e a todas as sociedades num momento crucial da sua História”. Estas afirmações permanecem válidas. Num ambiente de crescente frequência dos “takeover hostis” nas grandes corporações e no uso crescente do termo “downsizing” que originalmente se referia a reduzir o tamanho de carros e agora se usa e abusa no despedimento de pessoal, neste contexto, a compaixão inerente a “uma Economia como se as pessoas importassem” é cada vez mais atraente. Oposta ao consumo excessivo de materiais, crescimento sem sentido, dominação pelas grandes empresas, e sistemas económicos de escala mundial, Shumacher estaria satisfeito por ver como as suas ideias, têm ganhado impulso à medida que passam os anos, e criaram um movimento significativo para contrariar a presente dinâmica dominada pelo GATT.
O génio particular do pensamento de E. F. Shumacher residiu na sua união do teórico com o prático, englobando a rara combinação de uma epistemologia e um sentido pragmático raros. Ele era também um homem profundamente espiritual e com um forte amor e compreensão pelo mundo natural. Embora seja um nome conhecido na Europa desde o final da Segunda Grande Guerra, foi somente com a publicação americana de “Small is Beautiful” que o seu trabalho foi divulgado nos EUA. No momento da sua morte prematura em 1977 o seu nome era reconhecido através dos Estados Unidos e do Canadá.
A vida de E. F. Schumacher reflectiu directamente os acontecimentos dos primeiros três quartos do século passado. Ele foi, paradoxalmente, um homem muito dentro e muito para além do seu tempo. Como Lewis Mumfords, ele criticava a aceitação irreflectida da inovação tecnológica mascarada como “progresso”, alertando contra as perdas individuais e locais de autonomia e de qualidade de vida. Schumacher, conhecido como “Fritz” pelos seus amigos, nasceu numa família de tradição académica de Bona, Alemanha, em 1911. De acordo com a sua filha, Barbara Wood, na sua biografia E. F. Schumacher: His Life and Thought demonstrou ser, desde cedo, um aluno rápido e talentoso, e em 1930 ele seria escolhido para representar a Alemanha em New College, Oxford. Dois anos mais tarde ele faria a sua primeira viagem à América, onde descobriu uma liberdade intelectual que desconhecera até então. Em 1934, contudo, uma ansiedade crescente sobre a ascendência do Nacional Socialismo na Alemanha, fê-lo deixar uma carreira promissora em Nova Iorque e regressar a casa. A situação local confirmou os seus piores receios. Muitas das pessoas que ele mais respeitava, compreensivelmente intimidada, estavam a fechar os olhos aos demónios que os rodeavam. No coração da sua oposição aos nazis estava a sua rejeição à manipulação da Informação e sua flagrante violação da verdade. Com profunda tristeza, em 1936, deixaria a Alemanha com a sua nova esposa e estabeleceu-se em Inglaterra, o país que passaria a considerar com a sua nova pátria.
A partir de então, quer directamente, quer indirectamente, ele participou nos acontecimentos do seu tempo. Com outros expatriados alemães ele desesperou com o destino do seu país e da Europa. Assim que a Guerra começou, dominado pelo sentimento anti-nazi, Schumacher, foi transferido para o campo para trabalhar como trabalhador rural. A um dado momento foram-lhe retiradas a mulher e filha e conheceu um internamento de 3 meses num Campo de Detenção, onde fez várias alterações no Campo para melhor o sistema sanitário e a qualidade da comida. Mais tarde ele consideraria este período no Campo como sendo a sua verdadeira universidade.
Depois de ter sido libertado do Campo, preocupado com a questão dos pré-requisitos para uma paz duradoura no Europa. Os seus escritos sobre o assunto despertaram a atenção a um número de pessoas proeminentes, e cedo surgiram debates sobre a economia do Pós Guerra. Depois de se tornar um cidadão britânico em 1946, ele foi enviado para a Alemanha como membro da “British Control Commission”.
Na reflexão sobre a reconstrução da indústria alemã, as suas ideias sobre o que era apropriado – uma palavra que seria depois associada consigo – em termos de escala e propriedade começaram a ganhar forma. À medida que estudava a reestruturação da economia alemã, o papel estratégico da energia, o seu pensamento consolidou-se. Ficou igualmente convencido da necessidade da reforma monetária como um meio de prevenir a concentração da riqueza entre um pequeno número às custas da maioria, outro dos legados que continuam muitos vivos no movimento actual.
Nos finais de 1949 Shumacher foi convidado a assumir o papel de conselheiro económico do “National Coal Board” da Grã-Bretanha. Shumacher aceitou o cargo e permaneceu no cargo de “Chief Economic Advisor” durante os vinte anos seguintes. Para acomodar a sua família crescente comprou uma casa com um grande jardim em Surrey. Isto haveria de revelar-se um ponto de viragem para o seu pensamento; ficou fascinado com o jardim e tornou-se um fervoroso adepto da “jardinagem orgânica”. Observando os processos naturais do seu jardim, Shumacher desenvolveu uma compreensão nova da complexidade inter-relacional dos sistemas vivos. Mais tarde, sobre a Tese Gaia escreveria: “Faz sentido que a Natureza seja um sistema incrivelmente complexo e auto-balanceado no qual o uso do conhecimento parcial pode fazer mais mal do que bem. Tanto quanto posso ver, a agricultura química chegou aos seus limites. Trabalha contra a Natureza em lugar de trabalhar com ela.” Em Small Is Beautiful escreveria: “o habitat humano alargado, longe de ser humanizado e enobrecido pelo homem e pelas suas actividades humanas, tornou-se degradante pela fealdade.”
Uma das maiores influências no pensamento de Schumacher foi o trabalho de um economista austríaco pouco conhecido de nome Leopold Kohr. No seu Breakdown of Nations Kohr trata o tema da Escala, atribuindo os males do mundo moderno à grandeza da escala. Escreve a dado ponto, Kohr: “Se uma sociedade cresce acima do seu tamanho óptimo, os problemas vão eventualmente acabar por ultrapassar o crescimento das faculdades humanas que são necessárias para lidar com eles”. Shumacher haveria de se referir a Kohr como “um professor de quem aprendi mais do que qualquer outro”.
Shumacher interessou-se pelos sábios Budistas e Taoístas e impressionou-se pela mensagem não-violenta de Mahatma Gandhi. Em 1955 Shumacher recebeu uma proposta da ONU para trabalhar na Myanmar (então “Birmânia”), tendo ficado fascinado pela cultura local. Impressionado com a capacidade da cultura budista em produzir uma libertação do Materialismo com uma aparente felicidade, reforçou a sua inclinação para olhar para além da abstracção económica e escreveria: “A Economia significa uma certa forma de ordenar a vida de acordo com uma filosofia inerente e implícita em Economia. A ciência económica não assenta sobre os seus próprios pés: ela deriva de uma visão do significado e propósito da vida…”
Profeticamente, acrescentaria ainda: “Uma civilização construída sobre recursos renováveis, como os produtos da floresta e da agricultura, é apenas por esse facto superior a uma outra construída sobre recursos não-renováveis, como o Petróleo, o Carvão, o Metal, etc. Isto é assim porque a primeira pode resistir ao tempo, e a segunda, não. A primeira coopera com a Natureza, enquanto que a segunda rouba a Natureza. A primeira carrega o símbolo da Vida, enquanto que a segunda carrega o símbolo da Morte.”
Mais tarde, num dos seus ensaios mais conhecidos, defendera uma forma budista de Economia baseada na “Forma de Vida Correcta” do “Nobre Caminho Óctuplo” budista. Fundamental a este novo sistema económico seriam a simplicidade e a não-violência, a importância da Comunidade e a necessidade e dignidade do Trabalho. Schumacher regressaria de Myanmar convencido que era necessário encontrar uma forma sustentável de Economia como um caminho possível para o Mundo em Desenvolvimento, um “caminho intermédio entre o materialismo irracional e a imobilidade tradicional”. Shumacher dedicaria o resto da sua vida na busca desta via alternativa.
Shumacher foi igualmente visionário na sua análise do mundo industrial. Em 1958, antes da fundação da OPEP e recebendo muitas críticas dos seus colegas economistas, alertaria a Europa Ocidental para “uma posição de dependência máxima do Petróleo do Médio Oriente… As implicações políticas desta situação era demasiado óbvias para exigir discussão.” Ainda maior era a sua preocupação sobre os conflitos que podiam desencadear uma Guerra Nuclear. Tornou-se num ardente opositor da Energia Nuclear. A acumulação de grandes quantidades de resíduos tóxicos, declarou: “é uma transgressão contra a vida, ela própria, uma transgressão infinitamente mais séria que qualquer outro crime jamais perpetrado…” Influenciado pela filosofia não-violenta de Ghandi escreveria ainda: “Uma forma de vida que esvazia cada vez mais depressa a Terra para se sustentar e acumula um número crescente de problemas cada vez mais insolúveis para as próximas gerações só pode ser chamada de Violenta… A Não-violência deve penetrar em todas as actividades do Homem, se a Humanidade quer estar segura contra uma Guerra de Aniquilação.
Em 1961, Schumacher fez a sua primeira exposição na Índia sobre a pobreza flagrante neste subcontinente. Shumacher acreditava que a causa desta pobreza moral e física residia no impacto desmoralizador do Ocidente Industrializado nas culturas tradicionais, até então, auto-suficientes. O que era necessário, sublinhou, era um nível de tecnologia mais produtivo e eficiente que utilizasse as técnicas tradicionais em áreas rurais, de uma forma mais simples e menos intensiva em termos de Capital que as tecnologias ocidentais. O conceito de “tecnologia intermédia” começou então a ganhar forma.
A ideia de ”Tecnologia Intermédia” foi imediatamente adoptada por um dos seus colegas académicos, um escocês de nome George McRobie, que seria mais tarde o principal responsável pelo desenvolvimento do conceito. O primeiro artigo de Shumacher sobre “Tecnologia Intermédia” apareceu no jornal britânico “The Observer” em 1965 e receberia um acolhimento entusiástico. Ele e McRobie responderiam formando um pequeno grupo, auto-financiado que seria conhecido com o ITDG (“Intermediate Technology Development Group”), que trataria de realizar pesquisa sobre o tipo de equipamentos que poderiam ser disponibilizados a agricultores de pequena escala e a artesãos. Rapidamente, o grupo elaborou um “Guia de Compras”. Era intenção de Schumacher combinar conhecimentos tradicionais e avançados para criar novas tecnologias que respondessem a questão de impacto e escala. O ITDG cresceu rapidamente em resultado do grande interesse que despertou na comunidade e em todo o mundo. A “Tecnologia Intermédia” foi identificada como uma ferramenta inovadora para abordar e resolver os problemas da Pobreza no mundo. Schumacher foi reconhecido como uma figura de impacto internacional e tornou-se o embaixador da “Tecnologia Intermédia” por todo o mundo.
Schumacher acreditava que era vital que os pobres fossem capazes de se ajudarem a si próprios e que a Tecnologia Intermédia os pudesse a realizar essa necessidade. Viajou por todo o mundo, defendendo as vantagens do seu conceito junto de empresas,  em seminários e fábricas. As tecnologias e estruturas comunitárias por ele antevistas produziriam autonomia material em vez de excesso e seriam uma fonte de Trabalho, o qual ele considerava ser necessário para que alguém atingisse a plena humanidade. De novo profético, nas suas visões, convenceu-se que a afluência de emigrantes ao Ocidente não poderia ser mantida indefinidamente e tentou ensinar o conceito de que a esperança para o fim da Pobreza residia na capacidade dos pobres se declararem independentes da dinâmica corporativa.
Com a publicação de “Small Is Beautiful”, o estatuto de E. F. Shumacher transformou-se no de uma espécie de “guru da Economia”. Realizou várias viagens à América do Norte, onde, especialmente entre os jovens, as suas palavras conheceram grande acolhimento. A sua mensagem não-violenta de “Tecnologia Intermédia” e “Economias de Escala” foi encarada como aplicável ao Mundo Ocidental assim como às ainda não-industrializadas do planeta. Schumacher escreveria nesta fase da sua vida: “As palavras-chave da Economia Violenta são Urbanização, Industrialização, Centralização, Eficiência, Quantidade, Velocidade… O problema de evoluir para uma vida económica não-violenta nos países subdesenvolvidos pode revelar-se idêntico ao de evoluir para esta forma de economia os países desenvolvidos.”
Schumacher alertou as pessoas para que fossem constantemente observadores e questionadoras sobre aquilo que as rodeava, sem olharam apenas para a Tecnologia e para a Economia. Alertou-nos para a necessidade de observar com a maior honestidade a fundação e escala e a civilidade das nossas vidas, a nossa vitalidade, integridade, e riqueza espiritual. Shumacher estava envolvida numa busca de uma vida, raramente assentado numa única resposta mas procurando longamente e diligentemente pelos meios mais inteligentes, adaptáveis e sustentáveis que nos permitissem conduzir as nossas vidas como pessoas e como parcelas da própria Natureza.
A biblioteca pessoal de E. F. Schumacher’s está conservada no Schumacher Center e o seu catálogo pode ser consultado on-line.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

REGRESSO...

Um tempo passou... de descanso, mas também de reflexão…e volto, mas de um modo diferente. Quando interrompi o blogue sentia-me muito saturada do mesmo.
Vou andar por aqui, mas cortei os comentários, é bom fazer e receber comentários porque deste modo as pessoas aproximam-se mais umas das outras e consequentemente conhecem-se melhor, assim obtive um grupo de amigos virtuais que muito considero, mas é algo que ocupa muito tempo e nesta minha paragem também decidi dedicar-me a outras tarefas, bem mais úteis, pelos tempos que vão correndo.
Peço imensa desculpa aos meus amigos, mas estes também estão habituados ao contacto mais directo por mail, que de facto é mais importante e substancial, que um comentário que se possa trocar por aqui. Com certeza que mesmo não referenciados em barra lateral como meus seguidores, dentro do meu tempo disponível os irei visitar, porque isso é para mim muito enriquecedor.
Para que o meu abandono não seja total, que eu não desejava, decidi introduzir estas mudanças, mas estarei sempre disponível para dar resposta aos comentários através do email: 
manuelafreitas560@gmail.com

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O QUE SE VÊ...REVÊ...E NÃO CANSA...

«O LEOPARDO» do realizador Luchino Visconti, baseado no romance homónimo de

Giuseppe Tomasi di Lampedus, de onde saíu a célebre frase:

 «É preciso que tudo mude, para que tudo fique na mesma»

«LA STRADA» do realizador Federico Fellini

O que estes filmes têm em comum é a música composta por NINO ROTTI, que foi presença constante nos filmes de Fellini, mas também colaborou com muitos outros realizadores: Visconti, Zeffirelli, Monicelli, Coppola, Clément...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

EM FÉRIAS PASSANDO POR AQUI...

VILA DO CONDE
 ( Para quem se interessa por História)



Capela de Nossa Senhora do Socorro
Implantada sob um maciço rochoso sobranceiro ao rio Ave, a Capela de N.ª Sr.ª do Socorro apresenta uma arquitectura peculiar, com uma planta quadrada, coberta por uma abóbada. Destaque para a decoração interior de belíssimos azulejos do século XVIII, representativos da vida de Cristo, bem como para o retábulo de estilo rócócó.
Foi mandada construir por Gaspar Manuel, cavaleiro professo da Ordem de Cristo e piloto-mor das carreiras da Índia, China e Japão e por sua mulher Bárbara Ferreira de Almeida, que aí se encontram enterrados.
 Praça D. João II ...dos Descobrimentos
A Praça D. João II em Vila Do Conde, foi inaugurada em 2001, considerada uma praça-monumento, é uma obra do escultor José Rodrigues e a mesma foi concebida para memorizar os 500 anos dos Descobrimentos Portugueses, a importância de Vila do Conde como importante porto régio no século XV.  Homenageando também marinheiros, calafates e carpinteiros navais. Esta praça é marcada pela afirmação vertical de um mastro e do velame de nau sulcando ondas geométricas, com uma sereia pontuando um mar encantado e onde o firmamento se espelha.

Rotas de aventura. Instrumentos de navegação e relógio de sol. Esferas lembrando o universo sideral. A força dos padrões traduzindo a presença dos portugueses nos cinco continentes. A água, fonte da vida, como o sangue dos marinheiros que levam naus e caravelas a sulcar «mares nunca dantes navegados».






Nau Quinhentista
No projecto de recuperação da Alfândega Régia e do Museu dedicado à tradição da Construção Naval em Vila do Conde, é um precioso complemento a construção da réplica de uma nau. Para além de um importante elemento de atracção turística e lúdica, tem uma função pedagógica. Construída com o maior respeito pelas investigações científicas da responsabilidade do Almirante Rogério de Oliveira, incorpora o saber ancestral dos carpinteiros e calafates dos estaleiros vilacondenses.


A nau portuguesa do século XVI era um navio redondo, de alto bordo, com uma relação de 3:1 entre o comprimento e a largura máxima, três ou quatro cobertas, castelos de popa e de proa, com três e dois pavimentos, respectivamente, cuja arquitectura se integra perfeitamente no casco; arvorava três mastros, o grande e o traquete com pano redondo, e o da mezena com pano latino.

A nau, assim concebida, satisfazia uma maior necessidade de capacidade de carga do que a conhecida até então nas navegações portuguesas. As viagens para a Índia eram tão longas, que forçavam os navios ao transporte de grande quantidade de alimentos sólidos e líquidos para o sustento da tripulação, tanto mais que a rota impunha longos períodos de navegação sem se ver a costa ou quaisquer pontos de apoio. Acrescia o factor comercial: o comércio das especiarias implicava o transporte de uma carga valiosa, mas volumosa, que requeria espaços adequados para o seu acondicionamento. A tudo respondia a nau, com o seu casco bojudo, e ampla capacidade de acomodação.

A fim de mostrar a complexidade da organização das viagens, a Nau apresenta os camarotes do piloto e do cartógrafo, material cartográfico, instrumentos e técnicas de navegação, cozinha e despensa, procurando elucidar sobre a complexidade e as vicissitudes da vida a bordo. 







quarta-feira, 3 de agosto de 2011

EM BUSCA DO PALÁCIO DAS SEREIAS E VAGUEANDO PELAS VIRTUDES...

Este post em jeito de despedida, vai ser dedicado  a todos os meus mais assíduos seguidores e especialmente ao meu conterrâneo, Armando Sousa Sousa e família, que sempre me tem dado incentivo a nível do blogue e aprecia especialmente as publicações que faço sobre o Porto.
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Mesmo vivendo no Porto há longos anos há sempre sítios a descobrir. A cidade não é grande, os seus limites até são bastante apertados relativamente ao seu crescimento, o que motivou a sua expansão entrando por outras cidades. Numa das partes da cidade, zona histórica há um emaranhado denso, uma «floresta» a descobrir. Para quem conhece o Porto, indo pela marginal, junto à antiga Alfândega, hoje museu dos transportes, local de exposições, concertos e congressos, vê lá no alto um palácio antigo. Este palácio tem o nome do Palácio das Sereias, devido a duas exóticas e gigantescas sereias que ladeiam o portal. Nunca tinha estado naquele sítio e queria ver aquilo por perto. Meti-me pelo emaranhado de ruelas, vielas, escadinhas e foi mesmo chegando à Rua da Bandeirinha (a bandeirinha por causa da peste) que fui lá ter.
O edifício foi construído em meados do século XVIII, para residência da família Cunha Portocarrero, num local onde se situou uma antiga judiaria, os judeus tinham que viver fora do cerco amuralhado da cidade. A família Portocarrero, cujo brasão está na frontaria da casa, abandonou o palácio em 1809, numa altura em que populares chacinaram o seu filho por o julgarem envolvido com os invasores franceses. O palácio esteve fechado até 1955, passando depois a funcionar como um colégio, até hoje.


No largo fronteiro à casa uma pirâmide em granito servia de suporte à bandeirinha de saúde, que marcava o limite de atracagem de barcos em tempo de peste.
Continuando, por sítios mais conhecidos, fui ter à Rua das Virtudes, onde se encontra um alto paredão, com algumas casas e por cima o Hospital de Santo António, o mais antigo da cidade e em frente o Jardim das Virtudes, em socalcos. Continuando encontrei a Árvore, uma cooperativa fundada por artistas plásticos, direccionada para o ensino artístico, local de muita intervenção cultural e política, do período salazarista até hoje. Perto vê-se o Palácio da Justiça. Prosseguindo chega-se ao Passeio das Virtudes. Este paredão/varandim para o rio foi construído no séc. XVIII e o local tornou-se um dos jardins públicos da cidade. A alameda permite uma excelente perspectiva sobre o rio até à barra. Em primeiro plano vê-se a Fonte das Virtudes e, logo, os socalcos que descem até S. Pedro de Miragaia.

UMA CANÇÃO INSPIRADA NO PORTO POR UM CANTOR QUE MUITO APRECIO, PEDRO BARROSO. 

X

OBRIGADA A TODOS PELA ATENÇÃO, SIMPATIA E CARINHO, ESTOU A PRECISAR DE FÉRIAS...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

DE CAMILO CASTELO BRANCO A MARIA LÚCIA LEPECKI...

 Os grandes escritores nunca morrem, podem ficar a invernar, mas de um momento para o outro, podem ressurgir em toda a sua plenitude! Este é o caso de Camilo Castelo Branco, um escritor que retratou bem a sua época e que abordou temas que sempre estarão presentes na vida das pessoas em geral, mudam os contextos, mas a condição do homem não muda!
MISTÉRIOS DE LISBOA, foi relanceado num excelente filme de Raol Ruiz. Está ultrapassado? Nunca estará na sua abordagem de conflitos sentimentais!
Sou uma apreciadora de Camilo, de alguns dos seus romances, da saga que ele próprio viveu, mas não sou uma especialista e aqui é de toda a pertinência referir Maria Lúcia Lepecki (1940-2011), que morreu a semana passada. Foi uma especialista da obra de Camilo, mas também uma pessoa muito entendida na cultura portuguesa (séc. XIX-XX), como professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, ensaísta e crítica literária. Também me transmitiu conhecimentos importantes através de várias revistas e jornais, onde colaborou.



Maria Lúcia Lepecki, nasceu em Araxá, Minas Gerais. Licenciou-se na Universidade de Minas Gerais e depois doutorou-se com uma dissertação sobre Camilo Castelo Branco: «SENTIMENTALISMO: CONTRIBUIÇÃO PARA O ESTUDO DA TÉCNICA ROMANESCA DE CAMILO».
Ganhou o Grande Prémio de Ensaio Literário da Associação Portuguesa de Escritores (2004) pela obra: « Ensaios de retórica e de interpretação».
Em 2000, foi agraciada com o grau de comendadora da Ordem de Santiago da Espada.
Em 2008, por ocasião do encontro literário «Correntes d´Escritas», na Póvoa de Varzim, Maria Lúcia Lepecki manifestou-se publicamente contra o novo acordo ortográfico. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

POR ONDE ANDA A FAMOSA ARCA DE FERNANDO PESSOA?

A arca, onde Fernando Pessoa, guardou poemas, cartas e livros, foi arrematada em leilão, em 2008, em Lisboa, por 50.000 euros, por um coleccionador particular e «estará no norte do país», disse o especialista na obra de Pessoa, Nuno Hipólito, autor do livro «As mensagens da Mensagem».
Nuno Hipólito pretende que o Estado compre a arca e a exponha ao público, para isso lançou uma petição na Internet.
O gabinete do secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, confirmou que não sabia do paradeiro da arca: «O seu paradeiro como se compreende, não é do conhecimento da Secretaria de Estado da Cultura»!..




Eu não estou bem ao corrente da razão porque a arca de Fernando Pessoa foi a leilão! Considero que a mesma devia ter sido logo adquirida pelo Estado...fiquei realmente confusa ao ler a notícia do desconhecimento onde ela se encontra...confusa e piurça (não vem no dicionário, mas quer dizer: danada, revoltada, indignada...por aí...)!...