A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

100 anos!! Nelson Falcão Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912 — Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980) foi um importante dramaturgo, jornalista e escritor brasileiro, tido como o mais influente dramaturgo do Brasil.


  • “O brasileiro é um feriado”.
  • “O Brasil é um elefante geográfico. Falta-lhe, porém, um rajá, isto é, um líder que o monte”.
  • “Sou a maior velhice da América Latina. Já me confessei uma múmia, com todos os achaques das múmias”.
  • “Toda oração é linda. Duas mãos postas são sempre tocantes, ainda que rezem pelo vampiro de Dusseldorf”.
  • “O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”
  • “Na vida, o importante é fracassar”
  • “A Europa é uma burrice aparelhada de museus”.
  • “Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos”.
    • “As grandes convivências estão a um milímetro do tédio”.
    • “Todo tímido é candidato a um crime sexual”.
    • “Todas as vaias são boas, inclusive as más”.
    • “O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato”
    • Não gosto de minha voz. Eu a tenho sob protesto. Há, entre mim e minha voz, uma incompatibilidade irreversível”.
      • “O adulto não existe. O homem é um menino perene”.
      • "Não vou para o inferno, mas não tenho asas"
      • "O óbvio também é filho de Deus."]
      • "O dinheiro compra até amor sincero."
      • WIKIPÉDIA 

domingo, 19 de agosto de 2012

ESPAÇO EDP - VIEIRA DA SILVA - O ESPAÇO E OUTROS ENIGMAS

«A TROCA
Se Vieira for a caligrafia, Arpad é a linha do caderno. A caligrafia avança sobre a linha e a linha segue-a no seu avanço. O avanço de Vieira é feito com lanças altas, levantadas na vertical, mas que às vezes se deitam na horizontal para abrir caminho ao seu caminho. A linha de Arpad tem uma quietude que, de tempos a tempos, se inquieta. Então, a linha gira em volta da sua luz e torna-se movimento da paragem.
Se Vieira for o labirinto, Arpad é o fio de Ariadne. O nosso olhar perde-se nela e encontra-se nele. Ou perde-se nele e encontra-se nela, porque, como diz Walter Benjamin, devemos aprender a perdermo-nos numa cidade como se ela fosse uma floresta.
As cidades de Vieira são nervosas e rápidas. As de Arpad tornam-se calmas e lentas. Nas cidades de Vieira há a fragilidade que lhes dá leveza. Nas cidades de Arpad há a certeza que lhes dá dúvida. As cidades de Vieira fogem e as de Arpad regressam. As cidades dela são o futuro do passado e as dele são o passado do futuro. As cidades de Vieira escrevem-se no espaço, porque o futuro, como sabem os arquitetos e os videntes, constrói-se em extensão. As cidades de Arpad inscrevem-se no tempo, porque o passado, como sabem os arqueólogos e os psicanalistas, desvenda-se em profundidade. É por isso que Vieira é a arquiteta-vidente das suas cidades e Arpad o arqueólogo-psicanalista das cidades dele.
Esta exposição acrescenta mais uns pingos à solda da pareceria entre a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (obrigado, Marina) e a Fundação EDP (oiço a voz da Marina a dizer: obrigado, Zé Manel). Nela, cruzam-se as cidades de Vieira e de Arpad e os seus comissários, João Pinharanda e Marina Bairrão Ruivo, são os sinaleiros deste cruzamento de muitas ruas e muito trânsito nelas. 
Olhamos estas cidades dos dois e começamos a reparar. Reparamos: aquilo que mais as aproxima são pessoas, cidadãos das cidades. As pessoas de Vieira vão para um além. As pessoas de Arpad voltam para um aquém. Passam umas pelas outras e nesse vaivém são como os elevadores, ditos da Glória: o que sobe passa pelo que desce que passa pelo que sobe. 
Olhamos estas pinturas e estes desenhos para descobrirmos que as pessoas de Vieira veem as vistas das pessoas de Arpad e que as pessoas de Arpad andam nos passos das pessoas de Vieira. É sempre assim nas cidades: trocamos com os outros, trocamos os outros, trocamo-nos nos outros. Como Vieira, a bruxa, e Arpad, o sábio, sabiam. E por isso pintaram e desenharam assim. Ele olhava com os olhos dela e ela pintava com a mão dele. Trocados um com o outro, a caminho das cidades que, no mundo, foram deles – e agora, por eles, são nossas.»
José Manuel dos Santos, Diretor Cultural da Fundação EDP




quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A LIBERDADE GUIANDO O POVO - DELACROIX


Pior que não cantar

é cantar sem saber o que se canta


Pior que não gritar

é gritar só porque um grito algures se levanta


Pior que não andar

é ir andando atrás de alguém que manda


Sem amor e sem raiva as bandeiras são pano 

que só vento electriza 
em ruidosa confusão 
de engano


A Revolução

não se burocratiza


Mário Dionísio


terça-feira, 7 de agosto de 2012

κρίσις,-εως,r


Dói muito mais arrancar um cabelo de um europeu

que amputar uma perna, a frio, de um africano.

Passa mais fome um francês com três refeições por dia

que um sudanês com um rato por semana.

É muito mais doente um alemão com gripe

que um indiano com lepra.

Sofre muito mais uma americana com caspa

que uma iraquiana sem leite para os filhos.

É mais perverso cancelar o cartão de crédito de um belga

que roubar o pão da boca de um tailandês.

É muito mais grave jogar um papel ao chão na Suíça

que queimar uma floresta inteira no Brasil.

É muito mais intolerável o xador de uma muçulmana

que o drama de mil desempregados em Espanha.

É mais obscena a falta de papel higiénico num lar sueco

que a de água potável em dez aldeias do Sudão.

É mais inconcebível a escassez de gasolina na Holanda

que a de insulina nas Honduras.

É mais revoltante um português sem telemóvel

que um moçambicano sem livros para estudar.

É mais triste uma laranjeira seca num kibutz hebreu

que a demolição de um lar na Palestina.

Traumatiza mais a falta de uma Barbie de uma menina inglesa

que a visão do assassínio dos pais de um menino ugandês

e isto não são versos; isto são débitos numa conta sem provisão do Ocidente."


Fernando Correia Pina
poeta português

terça-feira, 31 de julho de 2012

Exposição em Serralves - Ernesto de Sousa - ALMADA, UM NOME DE GUERRA/NÓS ESTAMOS ALGURES

ALMADA NEGREIROS - (1893-1970)  artista multidisciplinar, pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo e romancista, ligado ao grupo modernista.













quarta-feira, 25 de julho de 2012

ANTÓNIO CRUZ - «O PINTOR E A CIDADE»

NOTA BIOGRÁFICA
por Laura Castro



1907 Nasce no Porto a 9 de Março, na Rua Nossa Senhora de Fátima, então Rua das Valas, freguesia de Cedofeita, filho de Avelino da Conceição Cruz e de Luísa da Silva.
Desde cedo manifesta a vocação para o desenho.

1920
Frequenta a Escola Infante D. Henrique onde conclui o curso de Condutor de Máquinas.
Desloca-se dentro da cidade e nos seus arredores para registar aspectos da paisagem. Ramalde, Campo Alegre e Leça do Balio são alguns dos primeiros locais representados nas suas obras iniciais.

1928
Cumpre o serviço militar na Companhia de Torpedos em Paço de Arcos.
Realiza alguns dos primeiros trabalhos de publicidade e ilustrações de livros escolares no escritório de amigos.
Exposição nas Termas de Vizela, sem sucesso. Exposição no Casino da Póvoa.

1930
Reside na Rua João de Deus, nº 190, casa 23.
Matricula-se na Escola de Belas-Artes do Porto sem o conhecimento dos pais. É aluno de Acácio Lino (1878-1956), Joaquim Lopes (1886-1956) e Dordio Gomes (1890-1976) em Pintura e de Pinto do Couto (1888-1945) e Barata Feio (1898-1990) em Escultura.

1931/32
Concorre a pensionista do Legado Ventura Terra para continuar os seus estudos na escola portuense, obtendo para o efeito um atestado de pobreza da Junta de Freguesia de Ramalde. Participa em exposições do grupo “+ Além”.

1932
Obtém, enquanto aluno da Escola de Belas-Artes, o prémio de desenho “José Rodrigues Júnior”.

1933
Desenha incessantemente. Nos cafés realiza apontamentos de figura e retratos de circunstância. Estes trabalhos revelar-se-ão fundamentais para a dedicação à carreira artística. Frequenta, nomeadamente, o café Vitória, na Avenida dos Aliados.
Instala um atelier nas instalações da Maternidade Júlio Dinis – no futuro bloco operatório – graças ao mecenato de Alfredo Magalhães.
Paralelamente António Cruz beneficiava de uma “conta” na Papelaria Modelo, no Largo dos Lóios, onde podia adquirir os materiais necessários.

1934
Após a morte de seu pai, interrompe os estudos e refugia-se em Ponte da Barca. Aproveita todo o tempo para pintar.
Um grupo de 72 alunos da Escola de Belas-Artes do Porto elabora um abaixo-assinado solicitando à Direcção da Escola auxílio material que permita a António Cruz prosseguir os seus estudos. Entre esses alunos contam-se Dominguez Alvarez, Guilherme Camarinha, Augusto Gomes, Laura Costa, Ventura Porfírio e Agostinho Ricca.

1935
O mesmo grupo de alunos dirige-se, em idênticos termos, à Câmara Municipal do Porto que aprovou uma mensalidade de “trezentos escudos” destinada a custear as despesas inerentes ao curso, inicialmente suportada pela Câmara e, depois, com a colaboração da Junta de Freguesia do Bonfim. Esta bolsa de estudo é obtida no período em que Alfredo de Magalhães é Presidente da Câmara Municipal do Porto e manter-se-á até 1944, permitindo ao artista prosseguir os seus estudos.

1937
Viaja pela Grã-Bretanha onde pinta e realiza visitas a museus. António Cruz partiu do Porto, à boleia, num cargueiro carregado de cortiça que se dirigia ao Norte da Europa.

1938/39
Conclui o Curso de Pintura da Escola de Belas-Artes.

1939
Um grupo de amigos, admiradores e mecenas organiza aquela que é considerada a sua primeira exposição individual no Salão Silva Porto. Entre as figuras que participaram na iniciativa contam-se: Dr. Alfredo Magalhães, Joaquim Lopes, Aarão de Lacerda, Dr. Melo Alvim, Engº Brito e Cunha, D. Isabel Guerra Junqueiro. Na inauguração, a 18 de Novembro, António Cruz foi apresentado por Aarão de Lacerda, director da Escola de Belas-Artes do Porto e Melo Alvim fez a conferência de abertura.
Após a sua apresentação no Porto, em Novembro, a exposição é inaugurada em Dezembro do mesmo ano, em Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas-Artes. A exposição é inaugurada pelo Chefe de Estado e pelo Ministro da Educação Nacional.
Durante a exposição sucedem-se diversas manifestações de homenagem: a 13 de Dezembro, um almoço no restaurante Tavares; no dia 15 de Dezembro Ressano Garcia apresenta Melo Alvim, autor da conferência de encerramento.

1942
Frequenta o Curso de Escultura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto, obtendo uma medalha.

1944
Participa nas exposições dos Independentes que tiveram lugar no Salão do Coliseu do Porto e no Salão de “O Primeiro de Janeiro” em Coimbra.

1945
Apresenta a prova de final de curso com a obra “Adoração dos Pastores”, obtendo a classificação de 18 valores.

1946
Obtém uma bolsa do Instituto de Alta Cultura para estudos de “aperfeiçoamento em aguarela”. A ideia de que António Cruz seria comunista obrigou à intervenção de várias figuras, no sentido de esclarecerem que tal ideia não correspondia à realidade e que não deveria interferir com a atribuição da bolsa. O Prof. Reynaldo dos Santos foi um dos que escreveu a prestar tal esclarecimento.
Participa na Exposição de Arte Moderna do SNI em Lisboa.

1947
Obtém os Prémios José Tagarro (desenho) e Roque Gameiro (aguarela) atribuídos pelo SNI após a sua participação na II Exposição de Desenho, Aguarela, Gouache, Desenho e Gravura daquele organismo, em Lisboa no mês de Novembro.
Participa na Exposição de Arte Moderna do SNI em Lisboa.

1948
Obtém o Prémio Teixeira Lopes (escultura) pela participação na Exposição de Arte Moderna do SNI em Lisboa.

1949
Participa nas seguintes exposições: Exposição dos Independentes, organizada em Braga; V Exposição de Arte Moderna dos Artistas do Norte, organizada pelo SNI, em Maio; Exposição dos Artistas Premiados pelo SNI (1935-1948), Lisboa.

1951
Participa na exposição “Como Alguns Artistas Viram o Porto”, organizada pelo Gabinete de História da Cidade na Biblioteca Pública Municipal do Porto.

1952
Participa na Exposição dos Artistas Premiados pelo SNI, em Lisboa.

1954
Casa com Ofélia Marques da Cunha na Igreja de Santo Ildefonso, no Porto.

1955
Obtém uma medalha durante a frequência do curso de Escultura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto.

1956
Manoel de Oliveira realiza o filme O Pintor e a Cidade que tem como personagem principal a figura do pintor António Cruz, filme apresentado no Festival de Veneza.

1957
Participa na I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian.

1958
Inicia funções docentes na escola de Artes Decorativas de Soares dos Reis, no Porto. Participa na Exposição de Obras do Norte admitidas à I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, realizada no Ateneu Comercial do Porto.

1962
Apresenta-se a concurso de provas públicas para provimento de um lugar de professor na Escola de Belas-Artes do Porto.

1963
É professor agregado de Desenho na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, após aprovação em mérito absoluto no concurso público realizado.
Participa na exposição “O Rio e o Mar na Vida da Cidade”, comemorativa da inauguração da Ponte da Arrábida, organizada no Porto, na Casa do Infante.

1964
Conclui os estudos de Escultura na Escola de Belas-Artes. Não chegará a apresentar a obra de tese nesta área.

1965
Participa na exposição “Dois Séculos de Modelo Vivo na ESBAP – 1765-1965” que teve lugar na ESBAP.

1970
Participa na “Exposição de obras oferecidas para leilão a favor do T.E.P.”, organizada em Dezembro, na Galeria Dois, no Porto.

1971
Participa na “Exposição de Arte” organizada no âmbito da Queima das Fitas, na Faculdade de Engenharia do Porto.

1973
Participa na “Exposição de Aguarelas”, organizada em Novembro na Galeria Paisagem, no Porto.

1975
Participa na exposição “Levantamento da Arte do Século XX no Porto” organizada pelo Centro de Arte Contemporânea no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto e na Sociedade Nacional de Belas-Artes em Lisboa.

1982
Os artistas Armando Alves e José Rodrigues e o editor José da Cruz Santos organizam, na Casa do Infante, uma exposição de obras de António Cruz e um serão de homenagem ao artista. É então lançado o álbum O Pintor e a Cidade com a reprodução de aguarelas de António Cruz e um texto de Agustina Bessa-Luís.
O jornal “O Comércio do Porto”, associando-se à homenagem, lança um concurso subordinado ao tema “O Pintor e a Cidade”.
A exposição tem grande impacto na imprensa e António Cruz cede às solicitações para conceder entrevistas, situação inédita até então.
Participa na exposição “Os Anos 40 na Arte Portuguesa”, realizada em Lisboa na Fundação Calouste Gulbenkian.

1983
É realizada uma exposição individual na Galeria Diagonal, em Cascais, entre 15 de Abril e 5 de Maio.
Morre no Porto a 29 de Agosto.

O realizador MANUEL DE OLIVEIRA, imortalizou-o no documentário «O PINTOR E A CIDADE»



quarta-feira, 18 de julho de 2012

LENDO MÁRIO DIONÍSIO

Francina van Hove



ARTE POÉTICA


A poesia não está nas olheiras imorais de Ofélia 
nem no jardim dos lilases.
A poesia está na vida,
nas artérias imensas cheias de gente em todos os sentidos, 
nos ascensores constantes,
na bicha de automóveis rápidos de todos os feitios e de todas as cores, 
nas máquinas da fábrica e nos operários da fábrica 
e no fumo da fábrica.
A poesia está no grito do rapaz apregoando jornais, 
no vaivém de milhões de pessoas conversando ou prague­jando ou rindo.
Está no riso da loira da tabacaria,
vendendo um maço de tabaco e uma caixa de fósforos. 
Está nos pulmões de aço cortando o espaço e o mar. 
A poesia está na doca,
nos braços negros dos carregadores de carvão,
no beijo que se trocou no minuto entre o trabalho e o jantar
— e só durou esse minuto.
A poesia está em tudo quanto vive, em todo o movimento, 
nas rodas do comboio a caminho, a caminho, a caminho 
de terras sempre mais longe,
nas mãos sem luvas que se estendem para seios sem véus,
na angústia da vida.
A poesia está na luta dos homens,
está nos olhos abertos para amanhã.


COMPLICAÇÃO


As ondas indo, as ondas vindo — as ondas indo e vindo sem
parar um momento. 
As horas atrás das horas, por mais iguais sempre outras. 
E ter de subir a encosta para a poder descer. 
E ter de vencer o vento. 
E ter de lutar.
Um obstáculo para cada novo passo depois de cada passo. 
As complicações, os atritos para as coisas mais simples. 
E o fim sempre longe, mais longe, eternamente longe.
Ah mas antes isso!
Ainda bem que o mar não cessa de ir e vir constantemente. 
Ainda bem que tudo é infinitamente difícil. 
Ainda bem que temos de escalar montanhas e que elas vão
sendo cada vez mais altas. Ainda bem que o vento nos oferece resistência 
e o fim é infinito.
Ainda bem. 
Antes isso.
50 000 vezes isso à igualdade fútil da planície.


...///...

Pior que não cantar 
é cantar sem saber o que se canta

Pior que não gritar
é gritar só porque um grito algures se levanta

Pior que não andar
é ir andando atrás de alguém que manda

Sem amor e sem raiva as bandeiras são pano 
que só vento electriza 
em ruidosa confusão 
de engano

A Revolução
não se burocratiza

domingo, 15 de julho de 2012

TerraVita Sadia


TerraVita Sadia – Um por dia…nem sabes o bem que te faria
Com TerraVita Sadia, o Planeta Melhora dia a dia

O Prof. Al Mofariz, seu assistente Pilão, Dra, Ampola de Decantação e Serpentina, estudaram e desenvolveram o TerrVita Sadia, que contem 12 princípios ativos na sua composição, cada um na dose a que, aqui, se faz menção:
AR RESPIRÁVEL: adicionar uma quantidade apreciável.
ÁGUA POTÁVEL: usar o volume exatamente indispensável.
SOLO ARÁVEL: apenas o requerido para uma agricultura indispensável.
RIOS, PRAIAS, MARES E OCEANOS.: Utilizar q.b., sem provocar danos.
ENERGIA: preferir a de fonte renovável e gastá-la apenas naquilo em que for inevitável.
FLORESTAÇÂO: plantar o que for próprio de cada região.
BIODIVERSIDADE: preservar a sua imensidade.
INDÙSTRIAS NÂO POLUENTES:  assegurar o tratamento de efluentes.
GASES COM EFEITO DE ESTUFA: moderar o lufa-lufa das suas emiss~oes por carros, barcos e aviões.
MATÈRIAS_PRIMAS DE ORIGEM NATURAL: usar em quantidade frugal.
RESÌDUOS SOLOS URBANOS: minimizar os seus danos, reduzindo a produção, aumentando a reutalização, incentivando a reciclagem e intensificando a compostagem.
ALIMENTOS E OUTROS CONSUMÌVEIS DIÀRIOS: restringir aos estritamente necessários, comercializados nas mercearias ou nos hipermercados.

TerraVita Sadia é utilizado para o planeta superar, sem qualquer entrave, a sua situação clínica grave, permitindo tratar, sem complacência, as patologias a que, a seguir se faz referência:
Incontinência crónica ou pontual.
Flatulência.
Debilidade geral.
Solo e ar poluídos por diversas vias.
Aquecimento global
Esgotamento de energias.
Águas contaminadas.
Perda de biodiversidade.
Alergias de origens não identificadas.
Anemia de recursos naturais
Agitação magmática nos diversos pontos cardeais
Camada de ozono depauperada
Tensão arterial descompensada
 (excertos)
Fonte: TerraVita Sadia - Moreno, Maria José - Ilustrações Maria Campos - Editora: Imprensa da Universidade de Coimbra - Apoios: Bayer e Comissão Nacional da Unesco

quarta-feira, 11 de julho de 2012

CÂNTICO DA VIDA




Des Menschen Seele Gleicht dem Wasser: Vom Himmel kommt es, Zum Himmel steigt es, Und wieder nieder Zur Erde muß es, Ewig wechselnd. GOETHE

Como um murmúrio longínquo
Surpreende-me os ecos
Vibrantes da paisagem
Que me domina em perceção e sonho
Assaltam-me reminiscências da vida
Cenas trágicas e líricas
Ordem e desordem
Suavidade e violência
Receio e coragem na espuma dos dias
Luz e trevas em clareiras de luz sombria!

Abro os olhos
Ainda envolta na bruma noturna
Ouvindo o murmúrio dos regatos,
Na polpa colorida do horizonte da aurora
Suave perfume campestre
Frescura do orvalho que caiu
Pela calada da noite!

As árvores erguem-se num amplexo
Oferecendo-se ao sol
Desafiando a distância
Sobre a transparência iluminada
Nas águas quietas.
Sinto multifacetados estados de espírito
O mar repousa no regaço
Lúcido do poente
Há tranquilidade e intranquilidade
Movimento doce e instável
E as formas emergem
Com o rosto vagamente desfeito
Pelo véu da neblina que as abraça!

À noite vem o prodígio
A teatralidade e o transcendente
Onde brilham fogos sangrentos
Labaredas inflamadas
Luz fascinante e violenta
Limbo abrasador de sonhos feiticeiros!

As sombras adormecem nos rios do horizonte.
Magia e quietude,
Calor do ventre da terra
Recriado entre mãos
Sonho diáfano das viagens maravilhosas
Às fontes da luz cúmplice da lua
Aos castelos mágicos dos dias que virão
Às longínquas arquiteturas do futuro
Às seivas ocultas a irromper
Palpável substância de súbitos arco-íris
Numa explosão de mundividência íntima
Osmose e cântico,
Turbilhão de sentimentos,
Paixão e ascensão
Voo, perfume e mistério!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

ODE À PAZ

GUERNICA - PICASSO
Ode à Paz

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza, 
Pelas aves que voam no olhar de uma criança, 
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza, 
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança, 
Pela branda melodia do rumor dos regatos, 

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia, 
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos, 
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria, 
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes, 
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos, 
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes, 
Pelos aromas maduros de suaves outonos, 
Pela futura manhã dos grandes transparentes, 
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra, 
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas 
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra, 
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna, 
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz. 
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira, 
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz, 
Abre as portas da História, 
                               deixa passar a Vida! 

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"

sábado, 30 de junho de 2012

LEITURAS, RELEITURAS E PESQUISAS


Uma mulher só em palco, fala ao telefone com o seu (invisível e inaudível) amante perdido. A voz humana é enganadoramente simples - apenas uma actriz em palco durante uma hora, falando ao telefone. Na realidade, está repleto de referências dramáticas às experiências Vox Humana dos dadaístas.
Nenhuma outra obra de Cocteau inspirou tantas criações: a ópera homónima de Francis Poulenc, a ópera buffa de Gian Carlo Menotti, Le Telephone, e a versão em filme de Roberto Rosselini, com Anna MagnaniL'Amore (segmento: Il Miracolo) de 1948. Esta obra tem vindo a atrair um conjunto de grandes actrizes, incluindo Simone SignoretIngrid Bergman e Liv Ullmann (em teatro) e Julia Migenes (em ópera).

O que?…………………………. Oh! sim, mil vezes melhor. Se não tivesses telefonado morreria………………………… Não……………………… espera…………………………….. espera……………………………… encontremos uma saída…………………………… Perdoa-me. Eu sei que é uma cena intolerável, e muita paciência tens tu, mas compreende-me, querido; sofro, sofro como nunca. Este fio é a única coisa que me liga ainda à nossa vida………………………….. Anteontem à noite? Dormi. Deitei-me com o telefone……………………… Não, não. Levei-o para a cama………………. Claro, fui ridícula, mas se levei o telefone para a cama é porque ele, apesar de tudo, nos une ainda. Liga esta casa à tua casa e não te esqueças que me tinhas prometido falar. Imagina que mergulhei numa confusão de sonhos. A tua chamada transformava a campainha do telefone num som mortal e eu caía; depois, vi um pescoço branco que alguém estrangulava; depois ainda, achei-me no fundo dum mar que se parecia com o apartamento de Auteuil, ligada a ti por um tubo de escafandro e a suplicar-te que não o cortasses. Enfim, sonhos estúpidos quando se contam; mas o pior é que durante o sono eram demasiado vivos. Terrível, meu amor…………………………………………….. Porque tu me falas. Há cinco anos que vivo de ti, que és o único ar que posso respirar, que levo o tempo à tua espera, a julgar-te morto quando te demoras, a morrer porque te julgo morto, a reviver quando entras e te vejo, a morrer com medo de partires. Neste momento, respiro porque tu me falas. O meu sonho, afinal, não é assim tão falso; se desligares agora, morrerei afogada naquele mar que parecia o teu apartamento……………………………………………………………………… De acordo, meu amor; dormi. Dormi porque era a primeira vez. O médico bem disse: é uma intoxicação. Mal ele sabia… A primeira noite, dorme-se. O sofrimento distrai, é uma novidade, suportamo-lo. O que não se suporta é a segunda noite, a de ontem, e a terceira, a de hoje, a que vai começar dentro de alguns minutos, e amanhã e depois de amanhã, dias sobre dias, a fazer o que, meu Deus?


segunda-feira, 25 de junho de 2012

NÃO SE DEIXE MORRER POR DENTRO

Edward Hopper

A agitação em que se vive exige sossego, solidão para estarmos a sós connosco, para olhar para dentro, para ordenar as ideias. Uma solidão controlada, com o tempo certo. No entanto a solidão para muitos está sempre omnipresente, uma sombra opressiva de isolamento com os outros. Esta solidão, segundo estudos feitos antecipa a morte. Esta tristeza solitária produz alterações hormonais e químicas. O problema não está em viver-se sozinho, mas em sentir-se sozinho, mesmo quando temos a casa cheia. É preciso lutar contra a solidão, é preciso lutar para ser feliz e não se deixar morrer por dentro.

domingo, 17 de junho de 2012

A INVENÇÃO DO DIA CLARO (excertos) - ALMADA NEGREIROS

ALMADA NEGREIROS

Imaginava eu que havía tratados da vida das pessoas, como ha tratados da vida das plantas, com tudo tão bem explicado, assim parecidos com o tratamento que ha para os animaes domesticos, não é? Como os cavalos tão bem feitos que ha!
Imaginava eu que havia um livro para as pessoas, como ha hostias para cuidar da febre. Um livro com tanta certeza como uma hostia. Um livro pequenino, com duas paginas, como uma hostia. Um livro que dissesse tudo, claro e depressa, como um cartaz, com a morada e o dia.
* * * * *
Não achas, Mãe? Por exemplo. Ha um cão vadio, sujo e com fome, cuida-se deste cão e ele deixa de ser vadio, deixa de estar sujo e deixa de ter fome. Até as crianças já lhe fazem festas.
Cuidaram do cão porque o cão não sabe cuidar de si–não saber cuidar de si é ser cão.
Ora eu não queria que cuidassem de mim, mas gostava que me ajudassem, para eu não estar assim, para que fosse eu o dono de mim, para que os que me vissem dissessem: Que bem que aquele soube cuidar de si!
Eu queria que os outros dissessem de mim: Olha um homem! Como se diz: Olha um cão! quando passa um cão; como se diz: olha uma arvore! quando ha uma arvore. Assim, inteiro, sem adjectivos, só de uma peça: Um homem!
* * * * *
Mas eu andei a procurar por todas as vidas uma para copiar e nenhuma era para copiar.
Como o livro, as pessoas tinham principio, meio e fim. A principio o livro chamava-me, no meio o livro deu-me a mão, no fim fiquei com a mão suada do livro de me ter estendido a mão.
Talvez que nos outros livros… mas os titulos dos livros são como os nomes das pessoas–não quere dizer nada, é só para não se confundir…
* * * * *
Sonhei com um paíz onde todos chegavam a Mestres. Começava cada qual por fazer a caneta e o aparo com que se punha á escuta do universo; em seguida, fabricava desde a materia prima o papel onde ia assentando as confidencias que recebia directamente do universo; depois, descia até ao fundo dos rochedos por causa da tinta negra dos chócos; gravava letra por letra o tipo com que compunha as suas palavras; e arrancava da arvore a prensa onde apertava com segurança as descobertas para irem ter com os outros. Era assim que neste país todos chegavam a Mestres. Era assim que os Mestres iam escrevendo as frases que hão-de salvar a humanidade.
* * * * *
Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa–salvar a humanidade.

Ps. Ortografia da época.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

EVOCAÇÃO DE EUGÉNIO DE ANDRADE

MARIA VARBANOVA
Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei ás romãs a cor do lume

Eugénio de Andrade


EVOCAÇÃO DE EUGÉNIO - EXPOSIÇÃO NO ESPAÇO Q, ASSOCIAÇÃO DAS QUADRAS SOLTAS, RUA DE MIGUEL BOMBARDA - PORTO

quarta-feira, 13 de junho de 2012

EXCERTO de: «Nobreza de Espírito-Um Ideal Esquecido» de Rob Riemen


"Baruch de Espinosa tem 24 anos quando abandona o meio mercantil em que foi criado para dedicar o resto da sua vida à demanda da verdade e à meta de uma vida vivida com verdade. .../...
A mente é o maior dom da humanidade. Pensando por si, qualquer pessoa pode familiarizar-se com o que é verdadeira e duradouramente bom e viver em conformidade. A melhor vida é desse modo inteiramente dedicada ao pensamento, ao amor da sabedoria. Numa carta a um amigo, Espinosa confessa: «Que cada um viva de acordo com as suas inclinações pessoais tanto quanto eu posso viver para a verdade». Ao mesmo tempo, compreende que a verdade e a liberdade estão sempre entrelaçadas. Quem não for livre não pode viver com verdade."

sexta-feira, 8 de junho de 2012

QUINTA DAS LÁGRIMAS (EXTERIOR E INTERIOR)

Há dias usufruiu desse beleza ímpar, local cheio de mitos e místicas, que deixa a alma bucólica!...
Depois da luxuriante Natureza, a casa onde a decoração, a luz entrando suave pelos cortinados semi-abertos me levou até um filme de época. Como fundo musical escolhi o adagio do concerto de oboé de A. Marcello



http://pt.wikipedia.org/wiki/Quinta_das_L%C3%A1grimas



Além da Fonte dos Amores, Luís de Camões, baptizou uma outra com o nome de "Fonte das Lágrimas", nascida das lágrimas que Inês chorou ao ser assassinada. O sangue de Inês terá ficado preso às rochas do leito, ainda rubras após seis séculos e meio...
"As filhas do Mondego, a morte escura
Longo tempo chorando memoraram
E por memória eterna em fonte pura
As Lágrimas choradas transformaram
O nome lhe puseram que ainda dura
Dos amores de Inês que ali passaram
Vede que fresca fonte rega as flores
Que as Lágrimas são água e o nome amores"
Os Lusíadas, canto III.