A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

domingo, 23 de setembro de 2012

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

TOADA DE PORTALEGRE - JOSÉ RÉGIO


Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Morei numa casa velha,
À qual quis como se fora
Feita para eu Morar nela...
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- Quis-lhe bem como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego.
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De montes e de oliveiras
Ao vento suão queimada
(Lá vem o vento suão!,
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão...)
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem fôr,
Na tal casa tosca e bela
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela,
Tinha, então,
Por única diversão,
Uma pequena varanda
Diante de uma janela
Toda aberta ao sol que abrasa,
Ao frio que tosse e gela
E ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda
Derredor da minha casa,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos e sobreiros
Era uma bela varanda,
Naquela bela janela!
Serras deitadas nas nuvens,
Vagas e azuis da distância,
Azuis, cinzentas, lilases,
Já roxas quando mais perto,
Campos verdes e Amarelos,
Salpicados de Oliveiras,
E que o frio, ao vir, despia,
Rasava, unia
Num mesmo ar de deserto
Ou de longínquas geleiras,
Céus que lá em cima, estrelados,
Boiando em lua, ou fechados
Nos seus turbilhões de trevas,
Pareciam engolir-me
Quando, fitando-os suspenso
Daquele silêncio imenso,
Sentia o chão a fugir-me,
- Se abriam diante dela
Daquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Na casa em que morei, velha,
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
À qual quis como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego...
Ora agora,
?Que havia o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Que havia o vento suão
De se lembrar de fazer?
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
?Que havia o vento suão
De fazer,
Senão trazer
Àquela
Minha
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
O documento maior
De que Deus
É protector
Dos seus
Que mais faz sofrer?
Lá num craveiro, que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Poisou qualquer sementinha
Que o vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Achara no ar perdida,
Errando entre terra e céus...,
E, louvado seja Deus!,
Eis que uma folha miudinha
Rompeu, cresceu, recortada,
Furando a cepa cansada
Que dava cravos sem vida
Naquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tosca e bela
Á qual quis como se fora
Feita para eu morar nela...
Como é que o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Me trouxe a mim que, dizia,
Em Portalegre sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Me trouxe a mim essa esmola,
Esse pedido de paz
Dum Deus que fere... e consola
Com o próprio mal que faz?
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for
Me davam então tal vida
Em Portalegre; cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Me davam então tal vida
- Não vivida!, sim morrida
No tédio e no desespero,
No espanto e na solidão,
Que a corda dos derradeiros
Desejos dos desgraçados
Por noites do tal suão
Já varias vezes tentara
Meus dedos verdes suados...
Senão quando o amor de Deus
Ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Confia uma sementinha
Perdida entre terra e céus,
E o vento a trás à varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tôsca e bela
À qual quis como se fôra
Feita para eu morar nela!
Lá no craveiro que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Nasceu essa acàciazinha
Que depois foi transplantada
E cresceu; dom do meu Deus!,
Aos pés lá da estranha casa
Do largo do cemitério,
Frente aos ciprestes que em frente
Mostram os céus,
Como dedos apontados
De gigantes enterrados...
Quem desespera dos homens,
Se a alma lhe não secou,
A tudo transfere a esperança
Que a humanidade frustrou:
E é capaz de amar as plantas,
De esperar nos animais,
De humanizar coisas brutas,
E ter criancices tais,
Tais e tantas!,
Que será bom ter pudor
De as contar seja a quem for!
O amor, a amizade, e quantos
Mais sonhos de oiro eu sonhara,
Bens deste mundo!, que o mundo
Me levara,
De tal maneira me tinham,
Ao fugir-me, Deixando só, nulo, vácuos, A mim que tanto esperava
Ser fiel,
E forte,
E firme,
Que não era mais que morte
A vida que então vivia,
Auto-cadáver...
E era então que sucedia
Que em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Aos pés lá da casa velha
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casa que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- A minha acácia crescia.
Vento suão!, obrigado...
Pela doce companhia
Que em teu hálito empestado
Sem eu sonhar, me chegara!
E a cada raminho novo
Que a tenra acácia deitava,
Será loucura!..., mas era
Uma alegria
Na longa e negra apatia
Daquela miséria extrema
Em que vivia,
E vivera,
Como se fizera um poema,
ou se um filho me nascera



sexta-feira, 7 de setembro de 2012

HEMINGWAY

Pintor: ??? (http://blogue.sitiodolivro.pt/2012/06/)


"Toda a minha vida olhei as palavras como se as estivesse a ver pela primeira vez."

"O meu objectivo é colocar no papel aquilo que vejo e aquilo que sinto da mais simples e melhor maneira."

"Conhecer um homem e conhecer o que tem dentro da cabeça, são assuntos diferentes.

"Um idealista é um homem que, partindo de que uma rosa cheira melhor do que uma couve, deduz que uma sopa de rosas teria também melhor sabor."

"O segredo da sabedoria, do poder e do conhecimento é a humildade."

"O homem que começou a viver mais seriamente por dentro, começa a viver mais singelamente por fora."

"Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua-de-mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o simples coração de uma criança."

"Gosto de ouvir. Aprendi muita coisa por ouvir cuidadosamente. A maioria das pessoas jamais ouve."

"Um homem inteligente é por vezes forçado a embebedar-se ou a isolar-se, para conseguir aguentar os idiotas com que se vai cruzando todos os dias."

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

100 anos!! Nelson Falcão Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912 — Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980) foi um importante dramaturgo, jornalista e escritor brasileiro, tido como o mais influente dramaturgo do Brasil.


  • “O brasileiro é um feriado”.
  • “O Brasil é um elefante geográfico. Falta-lhe, porém, um rajá, isto é, um líder que o monte”.
  • “Sou a maior velhice da América Latina. Já me confessei uma múmia, com todos os achaques das múmias”.
  • “Toda oração é linda. Duas mãos postas são sempre tocantes, ainda que rezem pelo vampiro de Dusseldorf”.
  • “O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”
  • “Na vida, o importante é fracassar”
  • “A Europa é uma burrice aparelhada de museus”.
  • “Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos”.
    • “As grandes convivências estão a um milímetro do tédio”.
    • “Todo tímido é candidato a um crime sexual”.
    • “Todas as vaias são boas, inclusive as más”.
    • “O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato”
    • Não gosto de minha voz. Eu a tenho sob protesto. Há, entre mim e minha voz, uma incompatibilidade irreversível”.
      • “O adulto não existe. O homem é um menino perene”.
      • "Não vou para o inferno, mas não tenho asas"
      • "O óbvio também é filho de Deus."]
      • "O dinheiro compra até amor sincero."
      • WIKIPÉDIA 

domingo, 19 de agosto de 2012

ESPAÇO EDP - VIEIRA DA SILVA - O ESPAÇO E OUTROS ENIGMAS

«A TROCA
Se Vieira for a caligrafia, Arpad é a linha do caderno. A caligrafia avança sobre a linha e a linha segue-a no seu avanço. O avanço de Vieira é feito com lanças altas, levantadas na vertical, mas que às vezes se deitam na horizontal para abrir caminho ao seu caminho. A linha de Arpad tem uma quietude que, de tempos a tempos, se inquieta. Então, a linha gira em volta da sua luz e torna-se movimento da paragem.
Se Vieira for o labirinto, Arpad é o fio de Ariadne. O nosso olhar perde-se nela e encontra-se nele. Ou perde-se nele e encontra-se nela, porque, como diz Walter Benjamin, devemos aprender a perdermo-nos numa cidade como se ela fosse uma floresta.
As cidades de Vieira são nervosas e rápidas. As de Arpad tornam-se calmas e lentas. Nas cidades de Vieira há a fragilidade que lhes dá leveza. Nas cidades de Arpad há a certeza que lhes dá dúvida. As cidades de Vieira fogem e as de Arpad regressam. As cidades dela são o futuro do passado e as dele são o passado do futuro. As cidades de Vieira escrevem-se no espaço, porque o futuro, como sabem os arquitetos e os videntes, constrói-se em extensão. As cidades de Arpad inscrevem-se no tempo, porque o passado, como sabem os arqueólogos e os psicanalistas, desvenda-se em profundidade. É por isso que Vieira é a arquiteta-vidente das suas cidades e Arpad o arqueólogo-psicanalista das cidades dele.
Esta exposição acrescenta mais uns pingos à solda da pareceria entre a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (obrigado, Marina) e a Fundação EDP (oiço a voz da Marina a dizer: obrigado, Zé Manel). Nela, cruzam-se as cidades de Vieira e de Arpad e os seus comissários, João Pinharanda e Marina Bairrão Ruivo, são os sinaleiros deste cruzamento de muitas ruas e muito trânsito nelas. 
Olhamos estas cidades dos dois e começamos a reparar. Reparamos: aquilo que mais as aproxima são pessoas, cidadãos das cidades. As pessoas de Vieira vão para um além. As pessoas de Arpad voltam para um aquém. Passam umas pelas outras e nesse vaivém são como os elevadores, ditos da Glória: o que sobe passa pelo que desce que passa pelo que sobe. 
Olhamos estas pinturas e estes desenhos para descobrirmos que as pessoas de Vieira veem as vistas das pessoas de Arpad e que as pessoas de Arpad andam nos passos das pessoas de Vieira. É sempre assim nas cidades: trocamos com os outros, trocamos os outros, trocamo-nos nos outros. Como Vieira, a bruxa, e Arpad, o sábio, sabiam. E por isso pintaram e desenharam assim. Ele olhava com os olhos dela e ela pintava com a mão dele. Trocados um com o outro, a caminho das cidades que, no mundo, foram deles – e agora, por eles, são nossas.»
José Manuel dos Santos, Diretor Cultural da Fundação EDP




quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A LIBERDADE GUIANDO O POVO - DELACROIX


Pior que não cantar

é cantar sem saber o que se canta


Pior que não gritar

é gritar só porque um grito algures se levanta


Pior que não andar

é ir andando atrás de alguém que manda


Sem amor e sem raiva as bandeiras são pano 

que só vento electriza 
em ruidosa confusão 
de engano


A Revolução

não se burocratiza


Mário Dionísio


terça-feira, 7 de agosto de 2012

κρίσις,-εως,r


Dói muito mais arrancar um cabelo de um europeu

que amputar uma perna, a frio, de um africano.

Passa mais fome um francês com três refeições por dia

que um sudanês com um rato por semana.

É muito mais doente um alemão com gripe

que um indiano com lepra.

Sofre muito mais uma americana com caspa

que uma iraquiana sem leite para os filhos.

É mais perverso cancelar o cartão de crédito de um belga

que roubar o pão da boca de um tailandês.

É muito mais grave jogar um papel ao chão na Suíça

que queimar uma floresta inteira no Brasil.

É muito mais intolerável o xador de uma muçulmana

que o drama de mil desempregados em Espanha.

É mais obscena a falta de papel higiénico num lar sueco

que a de água potável em dez aldeias do Sudão.

É mais inconcebível a escassez de gasolina na Holanda

que a de insulina nas Honduras.

É mais revoltante um português sem telemóvel

que um moçambicano sem livros para estudar.

É mais triste uma laranjeira seca num kibutz hebreu

que a demolição de um lar na Palestina.

Traumatiza mais a falta de uma Barbie de uma menina inglesa

que a visão do assassínio dos pais de um menino ugandês

e isto não são versos; isto são débitos numa conta sem provisão do Ocidente."


Fernando Correia Pina
poeta português

terça-feira, 31 de julho de 2012

Exposição em Serralves - Ernesto de Sousa - ALMADA, UM NOME DE GUERRA/NÓS ESTAMOS ALGURES

ALMADA NEGREIROS - (1893-1970)  artista multidisciplinar, pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo e romancista, ligado ao grupo modernista.













quarta-feira, 25 de julho de 2012

ANTÓNIO CRUZ - «O PINTOR E A CIDADE»

NOTA BIOGRÁFICA
por Laura Castro



1907 Nasce no Porto a 9 de Março, na Rua Nossa Senhora de Fátima, então Rua das Valas, freguesia de Cedofeita, filho de Avelino da Conceição Cruz e de Luísa da Silva.
Desde cedo manifesta a vocação para o desenho.

1920
Frequenta a Escola Infante D. Henrique onde conclui o curso de Condutor de Máquinas.
Desloca-se dentro da cidade e nos seus arredores para registar aspectos da paisagem. Ramalde, Campo Alegre e Leça do Balio são alguns dos primeiros locais representados nas suas obras iniciais.

1928
Cumpre o serviço militar na Companhia de Torpedos em Paço de Arcos.
Realiza alguns dos primeiros trabalhos de publicidade e ilustrações de livros escolares no escritório de amigos.
Exposição nas Termas de Vizela, sem sucesso. Exposição no Casino da Póvoa.

1930
Reside na Rua João de Deus, nº 190, casa 23.
Matricula-se na Escola de Belas-Artes do Porto sem o conhecimento dos pais. É aluno de Acácio Lino (1878-1956), Joaquim Lopes (1886-1956) e Dordio Gomes (1890-1976) em Pintura e de Pinto do Couto (1888-1945) e Barata Feio (1898-1990) em Escultura.

1931/32
Concorre a pensionista do Legado Ventura Terra para continuar os seus estudos na escola portuense, obtendo para o efeito um atestado de pobreza da Junta de Freguesia de Ramalde. Participa em exposições do grupo “+ Além”.

1932
Obtém, enquanto aluno da Escola de Belas-Artes, o prémio de desenho “José Rodrigues Júnior”.

1933
Desenha incessantemente. Nos cafés realiza apontamentos de figura e retratos de circunstância. Estes trabalhos revelar-se-ão fundamentais para a dedicação à carreira artística. Frequenta, nomeadamente, o café Vitória, na Avenida dos Aliados.
Instala um atelier nas instalações da Maternidade Júlio Dinis – no futuro bloco operatório – graças ao mecenato de Alfredo Magalhães.
Paralelamente António Cruz beneficiava de uma “conta” na Papelaria Modelo, no Largo dos Lóios, onde podia adquirir os materiais necessários.

1934
Após a morte de seu pai, interrompe os estudos e refugia-se em Ponte da Barca. Aproveita todo o tempo para pintar.
Um grupo de 72 alunos da Escola de Belas-Artes do Porto elabora um abaixo-assinado solicitando à Direcção da Escola auxílio material que permita a António Cruz prosseguir os seus estudos. Entre esses alunos contam-se Dominguez Alvarez, Guilherme Camarinha, Augusto Gomes, Laura Costa, Ventura Porfírio e Agostinho Ricca.

1935
O mesmo grupo de alunos dirige-se, em idênticos termos, à Câmara Municipal do Porto que aprovou uma mensalidade de “trezentos escudos” destinada a custear as despesas inerentes ao curso, inicialmente suportada pela Câmara e, depois, com a colaboração da Junta de Freguesia do Bonfim. Esta bolsa de estudo é obtida no período em que Alfredo de Magalhães é Presidente da Câmara Municipal do Porto e manter-se-á até 1944, permitindo ao artista prosseguir os seus estudos.

1937
Viaja pela Grã-Bretanha onde pinta e realiza visitas a museus. António Cruz partiu do Porto, à boleia, num cargueiro carregado de cortiça que se dirigia ao Norte da Europa.

1938/39
Conclui o Curso de Pintura da Escola de Belas-Artes.

1939
Um grupo de amigos, admiradores e mecenas organiza aquela que é considerada a sua primeira exposição individual no Salão Silva Porto. Entre as figuras que participaram na iniciativa contam-se: Dr. Alfredo Magalhães, Joaquim Lopes, Aarão de Lacerda, Dr. Melo Alvim, Engº Brito e Cunha, D. Isabel Guerra Junqueiro. Na inauguração, a 18 de Novembro, António Cruz foi apresentado por Aarão de Lacerda, director da Escola de Belas-Artes do Porto e Melo Alvim fez a conferência de abertura.
Após a sua apresentação no Porto, em Novembro, a exposição é inaugurada em Dezembro do mesmo ano, em Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas-Artes. A exposição é inaugurada pelo Chefe de Estado e pelo Ministro da Educação Nacional.
Durante a exposição sucedem-se diversas manifestações de homenagem: a 13 de Dezembro, um almoço no restaurante Tavares; no dia 15 de Dezembro Ressano Garcia apresenta Melo Alvim, autor da conferência de encerramento.

1942
Frequenta o Curso de Escultura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto, obtendo uma medalha.

1944
Participa nas exposições dos Independentes que tiveram lugar no Salão do Coliseu do Porto e no Salão de “O Primeiro de Janeiro” em Coimbra.

1945
Apresenta a prova de final de curso com a obra “Adoração dos Pastores”, obtendo a classificação de 18 valores.

1946
Obtém uma bolsa do Instituto de Alta Cultura para estudos de “aperfeiçoamento em aguarela”. A ideia de que António Cruz seria comunista obrigou à intervenção de várias figuras, no sentido de esclarecerem que tal ideia não correspondia à realidade e que não deveria interferir com a atribuição da bolsa. O Prof. Reynaldo dos Santos foi um dos que escreveu a prestar tal esclarecimento.
Participa na Exposição de Arte Moderna do SNI em Lisboa.

1947
Obtém os Prémios José Tagarro (desenho) e Roque Gameiro (aguarela) atribuídos pelo SNI após a sua participação na II Exposição de Desenho, Aguarela, Gouache, Desenho e Gravura daquele organismo, em Lisboa no mês de Novembro.
Participa na Exposição de Arte Moderna do SNI em Lisboa.

1948
Obtém o Prémio Teixeira Lopes (escultura) pela participação na Exposição de Arte Moderna do SNI em Lisboa.

1949
Participa nas seguintes exposições: Exposição dos Independentes, organizada em Braga; V Exposição de Arte Moderna dos Artistas do Norte, organizada pelo SNI, em Maio; Exposição dos Artistas Premiados pelo SNI (1935-1948), Lisboa.

1951
Participa na exposição “Como Alguns Artistas Viram o Porto”, organizada pelo Gabinete de História da Cidade na Biblioteca Pública Municipal do Porto.

1952
Participa na Exposição dos Artistas Premiados pelo SNI, em Lisboa.

1954
Casa com Ofélia Marques da Cunha na Igreja de Santo Ildefonso, no Porto.

1955
Obtém uma medalha durante a frequência do curso de Escultura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto.

1956
Manoel de Oliveira realiza o filme O Pintor e a Cidade que tem como personagem principal a figura do pintor António Cruz, filme apresentado no Festival de Veneza.

1957
Participa na I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian.

1958
Inicia funções docentes na escola de Artes Decorativas de Soares dos Reis, no Porto. Participa na Exposição de Obras do Norte admitidas à I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, realizada no Ateneu Comercial do Porto.

1962
Apresenta-se a concurso de provas públicas para provimento de um lugar de professor na Escola de Belas-Artes do Porto.

1963
É professor agregado de Desenho na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, após aprovação em mérito absoluto no concurso público realizado.
Participa na exposição “O Rio e o Mar na Vida da Cidade”, comemorativa da inauguração da Ponte da Arrábida, organizada no Porto, na Casa do Infante.

1964
Conclui os estudos de Escultura na Escola de Belas-Artes. Não chegará a apresentar a obra de tese nesta área.

1965
Participa na exposição “Dois Séculos de Modelo Vivo na ESBAP – 1765-1965” que teve lugar na ESBAP.

1970
Participa na “Exposição de obras oferecidas para leilão a favor do T.E.P.”, organizada em Dezembro, na Galeria Dois, no Porto.

1971
Participa na “Exposição de Arte” organizada no âmbito da Queima das Fitas, na Faculdade de Engenharia do Porto.

1973
Participa na “Exposição de Aguarelas”, organizada em Novembro na Galeria Paisagem, no Porto.

1975
Participa na exposição “Levantamento da Arte do Século XX no Porto” organizada pelo Centro de Arte Contemporânea no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto e na Sociedade Nacional de Belas-Artes em Lisboa.

1982
Os artistas Armando Alves e José Rodrigues e o editor José da Cruz Santos organizam, na Casa do Infante, uma exposição de obras de António Cruz e um serão de homenagem ao artista. É então lançado o álbum O Pintor e a Cidade com a reprodução de aguarelas de António Cruz e um texto de Agustina Bessa-Luís.
O jornal “O Comércio do Porto”, associando-se à homenagem, lança um concurso subordinado ao tema “O Pintor e a Cidade”.
A exposição tem grande impacto na imprensa e António Cruz cede às solicitações para conceder entrevistas, situação inédita até então.
Participa na exposição “Os Anos 40 na Arte Portuguesa”, realizada em Lisboa na Fundação Calouste Gulbenkian.

1983
É realizada uma exposição individual na Galeria Diagonal, em Cascais, entre 15 de Abril e 5 de Maio.
Morre no Porto a 29 de Agosto.

O realizador MANUEL DE OLIVEIRA, imortalizou-o no documentário «O PINTOR E A CIDADE»