sábado, 27 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
MANUEL ANTÓNIO PINA um amigo e uma voz íntegra que partiu!
Algumas Coisas
A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.
Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.
O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.
Manuel António Pina, in "Aquele que Quer Morrer"
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POESIA (PORT.)
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
LEIA!!
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REFLEXÕES
terça-feira, 9 de outubro de 2012
ERIK RAVELO FAZ CAMPANHA PARA BENETON INSPIRADO NO KAMA SUTRA
O designer Erik Ravelo inovou na sua nova campanha para a Benetton. A marca conhecida por condenar o preconceito e acreditar no poder do amor para unir as pessoas e ultrapassar barreiras, uniu-se ao artista cubano, que também divide os mesmos ideais para criar a campanha Lana Sutra.
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ARTE
sábado, 6 de outubro de 2012
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
domingo, 23 de setembro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
TOADA DE PORTALEGRE - JOSÉ RÉGIO
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Morei numa casa velha,
À qual quis como se fora
Feita para eu Morar nela...
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- Quis-lhe bem como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego.
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De montes e de oliveiras
Ao vento suão queimada
(Lá vem o vento suão!,
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão...)
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem fôr,
Na tal casa tosca e bela
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela,
Tinha, então,
Por única diversão,
Uma pequena varanda
Diante de uma janela
Toda aberta ao sol que abrasa,
Ao frio que tosse e gela
E ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda
Derredor da minha casa,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos e sobreiros
Era uma bela varanda,
Naquela bela janela!
Serras deitadas nas nuvens,
Vagas e azuis da distância,
Azuis, cinzentas, lilases,
Já roxas quando mais perto,
Campos verdes e Amarelos,
Salpicados de Oliveiras,
E que o frio, ao vir, despia,
Rasava, unia
Num mesmo ar de deserto
Ou de longínquas geleiras,
Céus que lá em cima, estrelados,
Boiando em lua, ou fechados
Nos seus turbilhões de trevas,
Pareciam engolir-me
Quando, fitando-os suspenso
Daquele silêncio imenso,
Sentia o chão a fugir-me,
- Se abriam diante dela
Daquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Na casa em que morei, velha,
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
À qual quis como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego...
Ora agora,
?Que havia o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Que havia o vento suão
De se lembrar de fazer?
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
?Que havia o vento suão
De fazer,
Senão trazer
Àquela
Minha
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
O documento maior
De que Deus
É protector
Dos seus
Que mais faz sofrer?
Lá num craveiro, que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Poisou qualquer sementinha
Que o vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Achara no ar perdida,
Errando entre terra e céus...,
E, louvado seja Deus!,
Eis que uma folha miudinha
Rompeu, cresceu, recortada,
Furando a cepa cansada
Que dava cravos sem vida
Naquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tosca e bela
Á qual quis como se fora
Feita para eu morar nela...
Como é que o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Me trouxe a mim que, dizia,
Em Portalegre sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Me trouxe a mim essa esmola,
Esse pedido de paz
Dum Deus que fere... e consola
Com o próprio mal que faz?
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for
Me davam então tal vida
Em Portalegre; cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Me davam então tal vida
- Não vivida!, sim morrida
No tédio e no desespero,
No espanto e na solidão,
Que a corda dos derradeiros
Desejos dos desgraçados
Por noites do tal suão
Já varias vezes tentara
Meus dedos verdes suados...
Senão quando o amor de Deus
Ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Confia uma sementinha
Perdida entre terra e céus,
E o vento a trás à varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tôsca e bela
À qual quis como se fôra
Feita para eu morar nela!
Lá no craveiro que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Nasceu essa acàciazinha
Que depois foi transplantada
E cresceu; dom do meu Deus!,
Aos pés lá da estranha casa
Do largo do cemitério,
Frente aos ciprestes que em frente
Mostram os céus,
Como dedos apontados
De gigantes enterrados...
Quem desespera dos homens,
Se a alma lhe não secou,
A tudo transfere a esperança
Que a humanidade frustrou:
E é capaz de amar as plantas,
De esperar nos animais,
De humanizar coisas brutas,
E ter criancices tais,
Tais e tantas!,
Que será bom ter pudor
De as contar seja a quem for!
O amor, a amizade, e quantos
Mais sonhos de oiro eu sonhara,
Bens deste mundo!, que o mundo
Me levara,
De tal maneira me tinham,
Ao fugir-me, Deixando só, nulo, vácuos, A mim que tanto esperava
Ser fiel,
E forte,
E firme,
Que não era mais que morte
A vida que então vivia,
Auto-cadáver...
E era então que sucedia
Que em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Aos pés lá da casa velha
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casa que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- A minha acácia crescia.
Vento suão!, obrigado...
Pela doce companhia
Que em teu hálito empestado
Sem eu sonhar, me chegara!
E a cada raminho novo
Que a tenra acácia deitava,
Será loucura!..., mas era
Uma alegria
Na longa e negra apatia
Daquela miséria extrema
Em que vivia,
E vivera,
Como se fizera um poema,
ou se um filho me nascera
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POESIA (PORT.)
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
HEMINGWAY
Pintor: ??? (http://blogue.sitiodolivro.pt/2012/06/)
"Toda a minha vida olhei
as palavras como se as estivesse a ver pela primeira vez."
"O meu objectivo é colocar
no papel aquilo que vejo e aquilo que sinto da mais simples e melhor
maneira."
"Conhecer um homem e
conhecer o que tem dentro da cabeça, são assuntos diferentes.
"Um idealista é um homem
que, partindo de que uma rosa cheira melhor do que uma couve, deduz que uma
sopa de rosas teria também melhor sabor."
"O segredo da sabedoria,
do poder e do conhecimento é a humildade."
"O homem que começou a viver mais seriamente por
dentro, começa a viver mais singelamente por fora."
"Escreve, se puderes,
coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua-de-mel
de um gafanhoto e tão verdadeiras como o simples coração de uma criança."
"Gosto de ouvir. Aprendi
muita coisa por ouvir cuidadosamente. A maioria das pessoas jamais ouve."
"Um homem inteligente é
por vezes forçado a embebedar-se ou a isolar-se, para conseguir aguentar os
idiotas com que se vai cruzando todos os dias."
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REFLEXÕES
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
100 anos!! Nelson Falcão Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912 — Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980) foi um importante dramaturgo, jornalista e escritor brasileiro, tido como o mais influente dramaturgo do Brasil.
- “O brasileiro é um feriado”.
- “O Brasil é um elefante geográfico. Falta-lhe, porém, um rajá, isto é, um líder que o monte”.
- “Sou a maior velhice da América Latina. Já me confessei uma múmia, com todos os achaques das múmias”.
- “Toda oração é linda. Duas mãos postas são sempre tocantes, ainda que rezem pelo vampiro de Dusseldorf”.
- “O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”
- “Na vida, o importante é fracassar”
- “A Europa é uma burrice aparelhada de museus”.
- “Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos”.
- “As grandes convivências estão a um milímetro do tédio”.
- “Todo tímido é candidato a um crime sexual”.
- “Todas as vaias são boas, inclusive as más”.
- “O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato”
- Não gosto de minha voz. Eu a tenho sob protesto. Há, entre mim e minha voz, uma incompatibilidade irreversível”.
- “O adulto não existe. O homem é um menino perene”.
- "Não vou para o inferno, mas não tenho asas"
- "O óbvio também é filho de Deus."]
- "O dinheiro compra até amor sincero."
- WIKIPÉDIA
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REFLEXÕES
domingo, 19 de agosto de 2012
ESPAÇO EDP - VIEIRA DA SILVA - O ESPAÇO E OUTROS ENIGMAS
«A TROCA
Se Vieira for a caligrafia, Arpad é a linha do caderno. A caligrafia avança sobre a linha e a linha segue-a no seu avanço. O avanço de Vieira é feito com lanças altas, levantadas na vertical, mas que às vezes se deitam na horizontal para abrir caminho ao seu caminho. A linha de Arpad tem uma quietude que, de tempos a tempos, se inquieta. Então, a linha gira em volta da sua luz e torna-se movimento da paragem.
Se Vieira for o labirinto, Arpad é o fio de Ariadne. O nosso olhar perde-se nela e encontra-se nele. Ou perde-se nele e encontra-se nela, porque, como diz Walter Benjamin, devemos aprender a perdermo-nos numa cidade como se ela fosse uma floresta.
As cidades de Vieira são nervosas e rápidas. As de Arpad tornam-se calmas e lentas. Nas cidades de Vieira há a fragilidade que lhes dá leveza. Nas cidades de Arpad há a certeza que lhes dá dúvida. As cidades de Vieira fogem e as de Arpad regressam. As cidades dela são o futuro do passado e as dele são o passado do futuro. As cidades de Vieira escrevem-se no espaço, porque o futuro, como sabem os arquitetos e os videntes, constrói-se em extensão. As cidades de Arpad inscrevem-se no tempo, porque o passado, como sabem os arqueólogos e os psicanalistas, desvenda-se em profundidade. É por isso que Vieira é a arquiteta-vidente das suas cidades e Arpad o arqueólogo-psicanalista das cidades dele.
Esta exposição acrescenta mais uns pingos à solda da pareceria entre a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (obrigado, Marina) e a Fundação EDP (oiço a voz da Marina a dizer: obrigado, Zé Manel). Nela, cruzam-se as cidades de Vieira e de Arpad e os seus comissários, João Pinharanda e Marina Bairrão Ruivo, são os sinaleiros deste cruzamento de muitas ruas e muito trânsito nelas.
Olhamos estas cidades dos dois e começamos a reparar. Reparamos: aquilo que mais as aproxima são pessoas, cidadãos das cidades. As pessoas de Vieira vão para um além. As pessoas de Arpad voltam para um aquém. Passam umas pelas outras e nesse vaivém são como os elevadores, ditos da Glória: o que sobe passa pelo que desce que passa pelo que sobe.
Olhamos estas pinturas e estes desenhos para descobrirmos que as pessoas de Vieira veem as vistas das pessoas de Arpad e que as pessoas de Arpad andam nos passos das pessoas de Vieira. É sempre assim nas cidades: trocamos com os outros, trocamos os outros, trocamo-nos nos outros. Como Vieira, a bruxa, e Arpad, o sábio, sabiam. E por isso pintaram e desenharam assim. Ele olhava com os olhos dela e ela pintava com a mão dele. Trocados um com o outro, a caminho das cidades que, no mundo, foram deles – e agora, por eles, são nossas.»
José Manuel dos Santos, Diretor Cultural da Fundação EDPSe Vieira for o labirinto, Arpad é o fio de Ariadne. O nosso olhar perde-se nela e encontra-se nele. Ou perde-se nele e encontra-se nela, porque, como diz Walter Benjamin, devemos aprender a perdermo-nos numa cidade como se ela fosse uma floresta.
As cidades de Vieira são nervosas e rápidas. As de Arpad tornam-se calmas e lentas. Nas cidades de Vieira há a fragilidade que lhes dá leveza. Nas cidades de Arpad há a certeza que lhes dá dúvida. As cidades de Vieira fogem e as de Arpad regressam. As cidades dela são o futuro do passado e as dele são o passado do futuro. As cidades de Vieira escrevem-se no espaço, porque o futuro, como sabem os arquitetos e os videntes, constrói-se em extensão. As cidades de Arpad inscrevem-se no tempo, porque o passado, como sabem os arqueólogos e os psicanalistas, desvenda-se em profundidade. É por isso que Vieira é a arquiteta-vidente das suas cidades e Arpad o arqueólogo-psicanalista das cidades dele.
Esta exposição acrescenta mais uns pingos à solda da pareceria entre a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (obrigado, Marina) e a Fundação EDP (oiço a voz da Marina a dizer: obrigado, Zé Manel). Nela, cruzam-se as cidades de Vieira e de Arpad e os seus comissários, João Pinharanda e Marina Bairrão Ruivo, são os sinaleiros deste cruzamento de muitas ruas e muito trânsito nelas.
Olhamos estas cidades dos dois e começamos a reparar. Reparamos: aquilo que mais as aproxima são pessoas, cidadãos das cidades. As pessoas de Vieira vão para um além. As pessoas de Arpad voltam para um aquém. Passam umas pelas outras e nesse vaivém são como os elevadores, ditos da Glória: o que sobe passa pelo que desce que passa pelo que sobe.
Olhamos estas pinturas e estes desenhos para descobrirmos que as pessoas de Vieira veem as vistas das pessoas de Arpad e que as pessoas de Arpad andam nos passos das pessoas de Vieira. É sempre assim nas cidades: trocamos com os outros, trocamos os outros, trocamo-nos nos outros. Como Vieira, a bruxa, e Arpad, o sábio, sabiam. E por isso pintaram e desenharam assim. Ele olhava com os olhos dela e ela pintava com a mão dele. Trocados um com o outro, a caminho das cidades que, no mundo, foram deles – e agora, por eles, são nossas.»
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PINTURA
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
A LIBERDADE GUIANDO O POVO - DELACROIX
Pior que
não cantar
é cantar sem saber o que se canta
Pior que
não gritar
é gritar só porque um grito algures se levanta
Pior que
não andar
é ir andando atrás de alguém que manda
Sem amor
e sem raiva as bandeiras são pano
que só vento electriza
em ruidosa confusão
de engano
A
Revolução
não se burocratiza
Mário Dionísio
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POESIA (PORT.)
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