A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

CARLOS DE OLIVEIRA

Óleo de Mário Dionísio
De louvar a doação do espólio de Carlos de OLiveira, cerca de 9 000 documentos, ao Museu do Neo-Realismo.
Romancista, poeta e cronista marcante, com trabalhos como, «Uma abelha na Chuva», que teve uma adaptação ao cinema, «Finisterra» ou o livro de poesia «Sobre o Lado Esquerdo, o Lado do Coração»...tem uma obra vasta, que merece ser lida ou relida.









Acusam-me de Mágoa e Desalento

Acusam-me de mágoa e desalento, 
como se toda a pena dos meus versos
 
não fosse carne vossa, homens dispersos,
 
e a minha dor a tua, pensamento.
 

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
 
quando a luz que não nego abrir o escuro
 
da noite que nos cerca como um muro,
 
e chegares a teus reinos, alegria.
 

Entretanto, deixai que me não cale:
 
até que o muro fenda, a treva estale,
 
seja a tristeza o vinho da vingança.
 

A minha voz de morte é a voz da luta:
 
se quem confia a própria dor perscruta,
 
maior glória tem em ter esperança.
 

Carlos de Oliveira, in 'Mãe Pobre'

A ASA DE ÍCARO - FERNANDO AZEVEDO

Com uma enorme capacidade de ver e de saber, teve uma acção muito importante em prole dos artistas portugueses. Homenagem dos artistas ao artista, em exposição na SNBA.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

NOVO HOMEM - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Pintura Manuel Botelho
O homem será feito
em laboratório.
Será tão perfeito
como no antigório.
Rirá como gente,
beberá cerveja
deliciadamente.
Caçará narceja
e bicho do mato.
Jogará no bicho,
tirará retrato
com o maior capricho.
Usará bermuda
e gola roulée.
Queimará arruda
indo ao canjerê,
e do não-objeto
fará escultura.
Será neoconcreto
se houver censura.
Ganhará dinheiro
e muitos diplomas,
fino cavalheiro
em noventa idiomas.
Chegará a Marte
em seu cavalinho
de ir a toda parte
mesmo sem caminho.
O homem será feito
em laboratório,
muito mais perfeito
do que no antigório.
Dispensa-se amor,
ternura ou desejo.
Seja como flor
(até num bocejo)
salta da retorta
um senhor garoto.
Vai abrindo a porta
com riso maroto:
"Nove meses, eu?
Nem nove minutos." 
Quem já conheceu
melhores produtos?
A dor não preside
sua gestação.
Seu nascer elide
o sonho e a aflição.
Nascerá bonito?
Corpo bem talhado?
Claro: não é mito,
é planificado.
Nele, tudo exato,
medido, bem-posto:
o justo formato,
o standard do rosto.
Duzentos modelos,
todos atraentes.
(Escolher, ao vê-los,
nossos descendentes.)
Quer um sábio? Peça.
Ministro? Encomende.
Uma ficha impressa
a todos atende.
Perdão: acabou-se
a época dos pais.
Quem comia doce
já não come mais.
Não chame de filho
este ser diverso
que pisa o ladrilho
de outro universo.
Sua independência
é total: sem marca
de família, vence
a lei do patriarca.
Liberto da herança
de sangue ou de afeto,
desconhece a aliança
de avô com seu neto.
Pai: macromolécula;
mãe: tubo de ensaio
e, per omnia secula,
livre, papagaio,
sem memória e sexo,
feliz, por que não?
pois rompeu o nexo
da velha Criação,
eis que o homem feito
em laboratório
sem qualquer defeito
como no antigório,
acabou com o Homem.
Bem feito.


Carlos Drummond de Andrade
In Caminhos de João Brandão
(publicado originalmente no JB, 17/12/1967)
José Olympio, 1970
© Graña Drummond

domingo, 12 de fevereiro de 2012

QUE SE PASSA COM A ESQUERDA EUROPEIA?


Há comentadores e especialistas, que dizem já não fazer muito sentido falar de esquerda e de direita, para mim ainda faz todo o sentido! Mas na prática quem tem acesso a governar em Portugal, são dois partidos, um social-democrata e o outro dito socialista, que a governar pouca diferença fazem entre si. Têm-se vindo a alternar, numa espécie de penalização, que os votantes vão fazendo a um ou ao outro. Estes partidos são o «centrão» e revelam que as pessoas votam nos socialistas, (que deviam ser de esquerda), porque temem as consequências de votar num partido radical de esquerda, o mesmo se passa relativamente aos sociais-democratas, que não são a direita mais extremista, mas são a direita. Isto é obviamente a minha leitura do que se passa em Portugal, onde a situação ainda é mais complexa, porque na realidade quem está a governar é o FMI e  a Alemanha.
Na comunicação social vou lendo opiniões e contra-opiniões e acabei de ler um artigo sobre o que se passou num debate ocorrido no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, onde foram ventiladas várias ideias.
A contestação é que a esquerda está em crise e apesar do capitalismo neoliberal estar em convulsão, a esquerda radical não consegue beneficiar desta situação. As mudanças da sociedade europeia que estão em curso podem ser tão grandes que podem motivar o desaparecimento dos partidos de esquerda. A situação é que a esquerda paralisou, sem conseguir apresentar alternativas, à receita da austeridade imposta pela direita, que comanda as operações.
Há crise de ideias, mas também de coragem de apresentar ideias ao eleitorado. Uma série de propostas foram lançadas, como a taxa Tobin (taxar fluxos de capital para financiar o desenvolvimento), taxar os rendimentos mais elevados de forma mais eficiente, combater a evasão dos advogados, notários, médicos, comerciantes. Mas o Estado, ou não quer ou não consegue. Pode chamar-se um estado falhado, isso aconteceu na Grécia, Itália, Portugal, Espanha.
Houve um refluxo em relação à esquerda que estava no poder quando surgiram as crises – a primeira em 2008, do mercado de capitais e a segunda, a crise fiscal dos Estados, que gastaram mais do que o que podiam. Um dos efeitos da crise foi uma espécie de anti-establishment, contra quem estivesse no poder. Mas nem sempre, na manta de retalhos europeia, houve prejuízos, outros beneficiaram da crise, como por exemplo o caso da Islândia.
A esquerda radical, que tem um discurso anti-establishment e, que ainda viu as suas ideias comprovaram-se, não foi compensada nas urnas, após a queda do banco Lehman Brothers, em 2008.
As pessoas querem ser tranquilizadas, sem apelo aos radicalismos. Em tempo de crise procuram quem lhes dê estabilidade, conforto emocional e não reviravoltas emocionais e a direita é melhor a lidar com as emoções e os medos e a fazer discursos de acordo com o que as pessoas querem. Aparentemente, claro!
O ano de 2011, foi o ano de todos os protestos – Occupy, Indignados, manifestações, greves... A classe média foi a que aderiu mais, porque têm sido os mais penalizados, com uma carga de impostos a que não podem fugir! Os cidadãos estão mais críticos em relação aos governos e parlamentos. Estes movimentos sociais não ajudam os partidos na sua crise de identidade, nos últimos anos os movimentos antiglobalização revelam desconfiança nos partidos, têm mesmo um sentimento antipartido. Estes movimentos são prejudiciais para os partidos da esquerda radical, enfraquece-os, tira-lhes protagonismo. A internet está a prestar um serviço útil, porque é lá que as pessoas se encontram e se mobilizam. Os partidos têm que se renovar, com novos programas, novos métodos de trabalho, utilizando de forma eficiente as técnicas modernas de comunicação.
Num cenário sem partidos de esquerda na Europa, não é de excluir os movimentos de cidadãos, que podem entrar para a política, durante dois ou três anos, não para toda a vida, pessoas normais activas social e politicamente.
Este cenário será para uma parte da população europeia, porque outra deixará de votar. Presentemente 30% da população europeia já não vota. A democracia está a enfrentar um grave problema, que é um progressivo afastamento das pessoas do processo democrático. Deixam de votar, deixam de estar sindicalizados, de se filiar em partidos.
A percentagem de pessoas a quem é difícil dar um emprego ronda a média de 15% a que se somam os desapontados da política. Os sindicatos e os partidos estão em declínio, o proletariado hoje também é diferente, uma grande parte é precário e o desemprego está sempre presente.

Neste debate os intervenientes foram: LUKE MARCH, investigador da Universidade de Edimburgo, especialista das esquerdas radicais e Wolfang Merkel, do Centro de Investigação em Ciências Sociais de Berlim.

SERÁ MESMO QUE OS PARTIDOS DE ESQUERDA VÃO ACABAR?

Uma homenagem a quem brilhou, mas se deu mal com a vida!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

foto:google

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

«SÊ PLURAL COMO O UNIVERSO» - Fernando Pessoa

Richard Zenith, escritor e curador da exposição na Fundação Gulbenkian, sobre Fernando Pessoa, disse:
«Há mais de vinte anos tirei uma fotocópia da frase ««Sê plural como o Universo», quando pesquisava a mítica arca de Pessoa. Vi a frase isolada no topo de uma folha, seguida de muito espaço em branco, como se o autor tivesse começado com a ideia de encher a página, mas, tendo escrito cinco palavras e um ponto de exclamação, compreendesse que o texto estava completo. Percebi, que assim é como tudo no mundo, segundo Pessoa. O fingimento, «o drama em gente», as «ficções do interlúdio», o «Não sou nada», o «Deus sou eu», o «Navegar é preciso» e todos os outros conceitos e frases emblemáticas do escritor. Ele não achava, suponho eu, que deveriamos todos ter heterónimos, mas instava a que não ficássemos mental ou espiritualmente parados, que fossemos outro constantemente, que nos confrontássemos com a nossa condição de ser plural, muitos, em permanente viagem por mundos tão vastos que, por mais que os conheça, quase não os conhece ainda».

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Wisława Szymborska (Kórnik, 2 de Julho de 1923 — Cracóvia, 1 de fevereiro de 2012)

Prémio Nobel da Literatura 1996.
Com uma linguagem simples e coloquial, herança do realismo social, a sua modernidade revela-se no tom irónico e na complexidade formal de muitas de suas poesias.










Céu

Era preciso comecar daí: céu.
Janela sem encosto, sem moldura, sem vidraça.
Abertura e nada mais, porém muito bem aberta.
Não preciso aguardar a noite amena:
nem levantar a cabeça
para perscrutar o céu.
Tenho céu atrás de mim, sob as mãos
e debaixo das pálpebras.
Estou enredada de céu
e isto me exalta.
Nem as montanhas mais altas
Estão mais próximas do céu
que os vales mais profundos.
Nao há mais céu num lugar
do que em outro.
A nuvem está atada ao céu
indiferente como o túmulo.
A toupeira é tão feliz
quanto a coruja que abre as asas.
O objeto que cai no precipício
cai do céu no céu.
Partes poeirentas, líquidas, montanhosas,
passageiras e queimadas do céu, migalhas do céu,
brisas de céu e montes.
O céu é omnipresente
até nas trevas sob a pele.
Devoro o céu, rejeito o céu.
Estou com armadilhas na armadilha,
com o habitante instalado,
com o abraço abraçado,
com a pergunta presente na resposta.
A divisão entre céu e terra
não foi pensada de forma adequada
a respeito desta unidade.
Permite até que se sobreviva
no endereço mais exacto,
que pode ser achado mais depressa
se me procurarem.
Os meus sinais característicos são
o arrebatamento e o desespero.

(em: "Antologia de 63 poetas eslavos", tradução e 
organização - Aleksandar Jovanovic - editora Hucitec,
 
São Paulo, 1996)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ALEGRIA

De passadas tristezas, desenganos
amarguras colhidas em trinta anos,
de velhas ilusões,
de pequenas traições
que achei no meu caminho...,
de cada injusto mal, de cada espinho
que me deixou no peito a nódoa escura

duma nova amargura...
De cada crueldade
que pôs de luto a minha mocidade...
De cada injusta pena
que um dia envenenou e ainda envenena
a minha alma que foi tranquila e forte...
De cada morte
que anda a viver comigo, a minha vida,
de cada cicatriz,
eu fiz
nem tristeza, nem dor, nem nostalgia
mas heróica alegria.

Alegria sem causa, alegria animal
que nenhum mal
pode vencer.
Doido prazer
de respirar!
Volúpia de encontrar
a terra honesta sob os pés descalços.

Prazer de abandonar os gestos falsos,
prazer de regressar,
de respirar
honestamente e sem caprichos,
como as ervas e os bichos.
Alegria voluptuosa de trincar
frutos e de cheirar rosas.

Alegria brutal e primitiva
de estar viva,
feliz ou infeliz
mas bem presa à raíz.

Volúpia de sentir na minha mão,
a côdea do meu pão.
Volúpia de sentir-me ágil e forte
e de saber enfim que só a morte
é triste e sem remédio.
Prazer de renegar e de destruir
o tédio,

Esse estranho cilício,
e de entregar-me à vida como a
um vício.

Alegria!
Alegria!
Volúpia de sentir-me em cada dia
mais cansada, mais triste, mais dorida
mas cada vez mais agarrada à Vida!

Fernanda de Castro, in "D'Aquém e D'Além Alma"

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

40 ANOS APÓS O MASSACRE DE LONDONDERRY, NA IRLANDA DO NORTE


O primeiro êxito comercial dos U2, foi «Bloody Sunday», que alude ao domingo sangrento e foi assim, que o conjunto de Bono, traçou o objectivo político do grupo, que ainda ostenta.
Esta canção, incomodou a hierarquia inglesa, levando ao resto do mundo o massacre pelo exército inglês de uma manifestação que lutava pelos seus direitos civis. Nesse confronto morreram 14 jovens. A independência da Irlanda do Norte, nunca veio a acontecer.

domingo, 29 de janeiro de 2012

«Os homens hão-de aprender que a política não é a moral e que se ocupa apenas do que é oportuno»

Henry Thoreau (1817-1862), poeta, naturalista, activista, crítico da ideia de desenvolvimento, pesquisador, historiador, filósofo, e transcendentalista. Fez uma reflexão sobre a vida simples cercada pela Natureza, no seu livro, Walden e defendeu  a desobediência civil como forma de oposição legítima contra a um estado injusto no seu livro, Desobediência Civil.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

FERNANDO PESSOA NA GULBENKIAN

Em 8 de Fevereiro é inaugurada na Fundação Gulbenkian uma exposição sobre Fernando Pessoa e os seus heterónimos, que assinala o ano do Brasil em Portugal. Esta exposição tem a coloboração da Fundação Roberto Marinho e  o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo. Vai ser um vastíssimo painel de uma vida-obra e de uma obra-vida.
Esta exposição foi inaugurada em 2010 em São Paulo e mostrada no Rio de Janeiro em 2011, incluiu documentos inéditos, pinturas e alguns objectos que nunca foram expostos em Portugal.
Estará à disposição dos visitantes toda a obra de pessoa, para ler ou reler, a mostra terá também uma forte componente multimédia.
Fernando Pessoa, o escritor e poeta que continua a comover-nos e a inquietar-nos, poderá ser desfrutado, nesta viagem pela sua vida e pela sua obra, intitulada «Plural como o Universo»
 
Fonte: Newsletter/Gulbenkian

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os dias que passam….

revelações eminentes
realidades que se convertem em outras realidades 
que nada tem a ver com o real
partes de um puzzle que muda a cada momento
mas mantém a causalidade
das suas elucubrações sombrias e tenebrosas!

visiono a existência a partir dessa outra realidade 
fomentando a ideia de arbitrariedade 
contida no meu espírito…
o pensamento nem tem tempo para parar
e olhar o tempo que passa,
vou vivendo e vendo
o que ainda terei mais para ver!

ms. foto/poesia

domingo, 22 de janeiro de 2012

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE SERRALVES – 2 EXPOSIÇÕES IMPERDÍVEIS


Outra vez não – Eduarda Batarda
A obra de Eduardo Batarda assume-se como um desafio: como interpretar a pintura e as suas imagens, referências e comentários? Outra vez Não, é uma exposição desde as suas primeiras obras da década de 1960 até às mais recentes, realizadas já em 2011.
A sua obra apresenta fases diferentes, mesmo antagónicas, motivam leituras possíveis e impossíveis, num trabalho que se opõe à estupidez e ignorância do consumidor de imagens ou de conceitos. Exige uma persistente prática reflexiva, de tal forma a sua cultura é diversificada, sem limites e preconceitos.
Batarda propõe o incongruente o surpreendente de forma humorista e sarcástica.
A partir dos anos 80,o jogo torna-se mais inacessível, as pinturas têm camada sobre camada que oblitera ou permite revelar outras pinturas, numa sobreposição de ambiguidades entre abstracção e figuração.
Não faltam alusões políticas «às escondidas», brincando com a censura! Um repressivo ambiente cultural em que viveu.















THOMAS STRUTH – FOTOGRAFIAS DE 1978-2010

Construção ao longo de trinta anos de uma obra onde a fotografia assume a condição de um impressionante ensaio visual sobre o mundo em que vivemos, os seus tempos e lugares.
As suas fotografias não têm artifícios, que lhes falsifiquem a condição documental. As obras em exposição são provas de gelatina e sais de prata (fotografias a preto e branco) e provas cromogénicas (fotografias a cores).



sábado, 21 de janeiro de 2012

HOJE ABERTURA OFICIAL DE: GUIMARÃES-CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA

 Melina Mercouri é que teve a ideia de promover  uma cidade da Europa, como Capital da Cultura, durante um ano, mostrando a sua vida e desenvolvimento cultural.
Depois de Lisboa em 1994 e do Porto em 2001, chegou a vez de Guimarães.

QUE SEJA UM BOM INVESTIMENTO PARA O PAÍS!














A artista grega Melina Mercouri, estreou-se com o filme «Stella» sendo distinguida no Festival de Cannes e teve uma longa carreira.
Como política foi activista contra a junta militar grega, membro do parlamento helénico e depois ministra da Cultura por dois mandatos seguidos.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

ETTA JAMES (1938-2012)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

o Inverno do nosso descontentamento....


 Um Poema Que Se Perdeu

Hoje o dia é um dia chuvoso e triste
amortalhado
Naquela monotonia doente dos grandes dias.

Hoje o dia...
(a pena caiu-me das mãos)

Acabou-se o poema no papel.
Cá por dentro
Continua...

Oh! este marulhar das almas no silêncio!

Fernando Namora, in 'Relevos'

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

REVENDO «LA DOCE VITA»

um filme de Federico Fellini
com Marcello Mastroianni, Anita Ekberg, Anouk Aimée
Itália, França, 1960
Festival de Cannes 1960 – Palma de Ouro (Melhor Filme) | Prémios David Donatello – Melhor Realizador
New York Film Critic Circle Awards – Melhor Filme Estrangeiro

« [esta obra-prima de Fellini] “quebrou todas as regras. Há um antes de A Doce Vida e um após A Doce Vida. Fellini rompeu com todas as regras narrativas. Nos EUA, estava-se na altura dos grandes filmes épicos e espectaculares, como o Ben Hur e Spartacus. Já tínhamos visto A Aventura de Antonioni e o primeiro Bergman. Mas Fellini, pela sua audácia, intensidade moral e pela inteligência deste filme, mudou o destino do cinema […]».

Martin Scorsese, na comemoração do cinquentenário do filme, em Roma (Diário de Notícias)



 Fellini Por Fellini, uma entrevista de Giovanni Grazzini, Publicações D. Quixote

«P. A Dolce Vita continua a ser uma chave de abóbada da cultura e da imaginação do século XX; que pensas hoje dele, até que ponto estavas consciente das suas componentes sociológicas?

R. Dou-me conta de que A Dolce Vita constituiu um fenómeno que ultrapassou o próprio filme. Do ponto de vista dos costumes mas também por algumas inovações. [...] Parece-me que foi alimentado, até no que diz respeito à formação das imagens, pela interpretação da vida que nos era imposta pelas revistas ll Europeo, Oggi; [...] As revistas foram o espelho inquietante de uma sociedade que se autocelebrava em continuação, se representava, se premiava; de uma nobreza papalina, negra e rural, que viajava de Caravelle e se fazia fotografar em Lo Spechio. Uma velha Itália seiscentesca e conservadora que se cruzava com a dos Nastri d’Argento e sobre a qual me agradava exercitar a minha propensão para o escárnio.»

ARGUMENTO
O filme passa-se em Roma e conta a história de Marcello Rubini, um jornalista especializado em histórias sensacionalistas sobre estrelas de cinema, visões religiosas e a aristocracia decadente, que passa a cobrir a visita da actriz hollywoodiana Sylvia Rank, por quem fica fascinado.
Através dos olhos deste personagem, Fellini mostra uma Roma moderna, sofisticada, mas decadente. O repórter é um homem sem compromisso, que se relaciona com várias mulheres: a amante ciumenta, a mulher sofisticada em busca de aventura, e a actriz de Hollywood, com a qual passeia por Roma, culminando no ponto alto do filme, a famosa sequência da Fontana di Trevi.
Outra sequência famosa do filme é a da abertura, na qual o jornalista, num helicóptero que transporta uma estátua de Jesus até o Vaticano, encontra uma mulher tomando sol numa cobertura e pergunta pelo seu número de telefone. O barulho dos motores impede que ambos possam sentender-se. A temática da falta de comunicação repete-se ao longo de todo o filme.
Dentre os momentos mais importantes do filme, está aquele na qual duas meninas atraem uma multidão, ao fingirem ver uma aparição da Virgem Maria nos subúrbios de Roma; e quando o personagem Steiner, um intelectual e colega de Marcello, que vive com a sua família numa aparente harmonia, comete o assassinato dos seus próprios filhos (um casal de crianças) e se suicida em seguida. Após a morte de Steiner, Marcello embarca numa vida de orgias e, numa destas ocasiões, pela manhã, caminha pela praia em busca de um monstro marítimo morto, o final simbólico do filme.


O personagem "Paparazzo", fotógrafo interpretado por Walter Santesso, que trabalha com Marcello Rubini, é a origem do termo que descreve os fotógrafos intrusivos, denominados paparazzi, no plural.

domingo, 15 de janeiro de 2012

«Tam depressa, ó delicada, alva pomba, pera onde is? Quem vos engana e vos leva tam cansada por estrada, que somente nam sentis se sois humana? Nam cureis de vos matar, que ainda estais em idade de crescer. Tempo há i pera folgar e caminhar: vivei à vossa vontade e havei prazer».

Gil Vicente – Alma

foto,ms

sábado, 14 de janeiro de 2012

RÁDIO COM CERTEZA!

Decisão de 2012: regressar aos velhos tempos do rádio! Tem sido a minha companhia, com variações entre a antena 1, 2…e eventualmente outras! Cansei-me da televisão, aliás a televisão tem descido de nível a olhos vistos, relativamente à programação. Estou cansada de ouvir sempre as mesmas pessoas, que trabalham com exclusividade! Só me prende algum documentário, filme, programa cultural! Além dos canais portugueses, os outros canais são um fartote, safam-se uns poucos! Confesso que posso estar a passar uma postura de exigência, mas cansei-me de tal forma, que ligar a televisão já me irrita!
Tão boas recordações tenho dos serões de rádio!

Fui à wikipédia ver as origens da rádio, para mim a rádio tinha sido desenvolvida pelo italiano Guglielmo Marconi,no fim do século XIX, «mas a Suprema Corte Americana concedeu a Nikola Tesla o mérito da criação do rádio, tendo em vista que Marconi usara 19 patentes de Tesla em seu projecto (????).
Na mesma época em 1893, no Brasil, o padre Roberto Landell de Moura também buscava resultados semelhantes, em experiências feitas em Porto Alegre, no bairro Medianeira, onde ficava sua paróquia. Ele fez as primeiras transmissões de rádio no mundo, entre a Medianeira e o morro Santa Teresa.


http://pt.wikipedia.org/wiki/R%C3%A1dio_(comunica%C3%A7%C3%A3o)
Lembrei-me do delicioso filme de Woody Allen: DIAS DE RÁDIO.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

PARQUES NATURAIS

Sempre gostei de visitar Parques ou Reservas Naturais e os mesmos até foram crescendo. São locais onde são preservadas a fauna e a flora e paisagisticamente são belos para relaxe físico e psíquico. Mas outros aspectos há a considerar, são também locais de estudo multidisciplinar e de interesse turístico. Será que vai haver dinheiro para a sua manutenção? Quando está tanta coisa em risco, até de mais imediato interesse para as pessoas, referir-me a isto, até pode ser algo bastante lírico!

No Arouca Geopark , com uma extensão de 328 km2 há 14 sítios assinalados de interesse geológico. Um dos mais conhecidos é o das Pedras Parideiras, em plena serra da Freita, um fenómeno de granitização único no país e raríssimo no mundo inteiro. Popularmente é chamado de «pedras parideiras», um aforamento granítico que tem incrustados nódulos envolvidos por uma capa de biotite em forma de disco convexo, os quais, por efeito, da erosão, se soltam da pedra mãe. 


Há ainda quem acredite que estas pedras ajudam a ter filhos.  Conta-se que as mulheres interessadas em engravidar as colocavam debaixo da almofada.

domingo, 8 de janeiro de 2012

neste verão brando e com um sol brilhante...viver é mais importante que tudo...


A Vida

A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;

A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura num momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave:

Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida – pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!

João de Deus 

fotos.ms

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

«O MIÚDO DA BICICLETA» um filme que toca a alma


Cyril, de quase 12 anos, tem um único plano: encontrar o pai, que o deixou temporariamente num orfanato. Por acaso, conhece Samantha, uma cabeleireira que aceita acolhê-lo aos fins-de-semana. Mas será este amor suficiente para acalmar a raiva que tanto sente?
A magia exemplar do cinema dos irmãos Dardenne reside num argumento e numa realização que privilegiam a elipse, fazendo avançar a história sem diálogos explicativos, sondando a dor, filmando-a de viés. Ela é insinuada, mais do que mostrada, pelos lugares, pelos objectos, mas também por comoventes metáforas.
Há filmes que nos tocam a alma, filmes, livros…seja o que for…de um forma simples a alma é tocada, porque nos confrontamos com a realidade, com casos da vida com que privamos, sem artifícios. Fiquei perturbada, com o olhar terno que recebi e que agarrou o meu coração.
A beleza e intensidade de O MIÚDO DA BICICLETA permaneceu comigo durante muito tempo.

 
Jean-Pierre Dardenne y Luc Dardenne, irmaõs belgas e realizadores de cinema, denominam-se a si mesmos como «uma pessoa com quatro olhos».

Só encontraram o reconhecimento da crítica internacional com Rosetta, que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, seu terceiro filme. A partir daí têm concorrido sempre ao Festival de Cannes e ganharam uma segunda Palma de Ouro, com «a Criança»
Não tenho perdido nenhum dos seus filmes que chegam até cá. «O Miúdo da Bicicleta», já ganhou alguns prémios e está nomeado para outros.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

PORQUE

Busto de Sophia - Casa Andersen - Porto

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen