Foi
mandada construir em 1754, segundo o risco de Nicolau Nasoni, tendo o projecto
ficado incompleto. Pertenceu à família Noronha e Menezes. O portão de acesso à
quinta é mais antigo, dos fins do século XVII, sendo notável pela riqueza
decorativa do brasão de família e de suas sereias. Em 1904, foi doada D.
Francisco Noronha Menezes à Casa da Misericórdia do Porto, devido à morte do
único filho da família, num acidente de cavalo. Esta doação teve o objectivo de
que todo o espaço, funcionasse como local de assistência social. Assim foi Hospital de Convalescentes, em interligação e na dependência
do Hospital de Santo António (1906-1960); Centro de Recuperação de Diminuídos
Físicos (1961-1973); e, finalmente, Lar da Terceira Idade (1974-2003). Numa
parte dos seus terrenos foi construído o Hospital da Prelada. Presentemente a
casa foi reabilitada e aberta ao público, como novo espaço cultural, com uma
área verde de razoável amplitude, o que faz da mesma um novo parque da cidade.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
terça-feira, 28 de maio de 2013
«A NAÇÃO É DE TODOS, A NAÇÃO TEM QUE SER IGUAL PARA TODOS. SE NÃO É IGUAL PARA TODOS, É QUE OS DIRIGENTES QUE SE CHAMAM ESTADO, SE TORNARAM QUADRILHA» (QUANDO OS LOBOS UIVAM)
Aquilino Gomes Ribeiro (Sernancelhe, Carregal, 13 de Setembro de 1885 — Lisboa, 27 de Maio de 1963).
Os restos mortais de Aquilino Ribeiro, encontram-se no Panteão Nacional, foi um vulto grande do pensamento social, anarquista militante em várias fases da sua vida, para além de um enorme escritor e intelectual.
“A jornada foi longa e muitos dos que tinham rompido
marcha comigo ficaram no percurso, alma em pena e
clamorosa. Alguns, vítimas pela liberdade (...) Adiante
e consideremos que para chegar a bom termo da viagem
é preciso ser livre” !
Aquilino Ribeiro, 1958
(Quando os lobos uivam)
"O pior dos crimes é produzir vinho mau, engarrafá-lo e servi-lo aos amigos"
"Aldeia: terra, gente e bichos" - Aquilino Ribeiro
Os restos mortais de Aquilino Ribeiro, encontram-se no Panteão Nacional, foi um vulto grande do pensamento social, anarquista militante em várias fases da sua vida, para além de um enorme escritor e intelectual.
“A jornada foi longa e muitos dos que tinham rompido
marcha comigo ficaram no percurso, alma em pena e
clamorosa. Alguns, vítimas pela liberdade (...) Adiante
e consideremos que para chegar a bom termo da viagem
é preciso ser livre” !
Aquilino Ribeiro, 1958
(Quando os lobos uivam)
"O pior dos crimes é produzir vinho mau, engarrafá-lo e servi-lo aos amigos"
"Aldeia: terra, gente e bichos" - Aquilino Ribeiro
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LITERATURA
« Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que a doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer» PRÉMIO CAMÕES 2013: MIA COUTO
O Amor, Meu Amor
Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.
Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.
E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.
E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.
Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.
Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.
Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.
E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.
E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.
Mia Couto, in "idades cidades divindades"
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POESIA (PORT.)
sábado, 25 de maio de 2013
LER É ESPERAR O MELHOR – Valter Hugo Mãe
![]() |
| CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO |
«As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem.
Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir…./…Os livros são
família directa dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são
da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam,
como se entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar
que não se vê.
As bibliotecas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas
a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem seja
merecedor da nossa confiança e da nossa fé.
Já vi gente a sair de dentro dos livros. Gente atarefada até
com mudar o mundo. Saem das palavras e vestem-se à pressa com roupas diversas e
vão porta fora a explicar descobertas importantes. Muita gente que vive dentro
do livro tem assuntos importantes a tratar. Precisamos de estar sempre atentos.
Às vezes, compete-nos dar despacho. Sim, compete-nos pôr mãos ao trabalho». VALTER HUGO MÃE
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LITERATURA
quarta-feira, 22 de maio de 2013
PADRE ANTÓNIO VIEIRA
UM ACONTECIMENTO DA MAIOR RELEVÂNCIA CULTURAL E NACIONAL
O «Círculo dos Leitores, vai publicar a obra completa de Padre António Vieira em 30 volumes, simultaneamente em Portugal e no Brasil. Acabaram de sair três volumes. O principal responsável pelo projecto é José Eduardo Mendonça.
Fernando Pessoa, considerava o Padre António Vieira « o imperador da língua portuguesa», no entanto em Portugal não se tem dado grande relevo à sua genialidade e universalidade, não há qualquer monumento a lembrá-lo, nem tão pouco dá o nome a qualquer avenida, contrariamente ao que acontece no Brasil, onde existem muitas estátuas e é estudado nas universidades, como uma referência da Literatura e dos Direitos Humanos. JL
«A maior parte do que sabemos, é a menor do que ignoramos. Não se achou varão tão perfeito no Mundo, que conhecesse o que tinha de sábio, senão sabendo o que lhe faltava para perfeito. Não se viu ninguém tanto nos últimos remates da perfeição, em quem não bruxoleassem sempre alguns desaires de humano. (...) Não necessitando de nada os grandes, só de verdades necessitam; porque, como custam caro, todo o cabedal da fortuna é preço limitado para elas; por isso nos grandes são mais avultados os erros, porque erram com grandeza e ignoram com presunção. Mais gravemente enferma o que logra melhor disposição, que o que nunca deixou de ter achaques: e a razão é porque a enfermidade que pôde vencer disposição tão boa, teve muito de poderosa; ignorância a que não alumiou o discurso mais desperto, tirou as esperanças ao remédio».
Padre António Vieira, in "As Sete Propriedades da Alma"
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LITERATURA
terça-feira, 14 de maio de 2013
terça-feira, 7 de maio de 2013
A SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA - STRAVISNKI
Sagração da Primavera de Igor
Stravinsky, é de facto uma obra arrasadora, tive o privilégio de a ouvir há bem
pouco tempo na Casa da Música, mas esta obra é realmente uma peça que já ouvi
muitas vezes e que posso ouvir a qualquer momento em casa.
De destacar, pelo interesse, comoção
e revelação que me suscitou , o trabalho, com direcção artística de Sam Mason e
Tim Steiner, interpretado por um grupo de reclusas do estabelecimento prisional
de Santa Cruz do Bispo, trabalho que vinha a ser elaborado desde Janeiro,
inspirado na «Sagração da Primavera». A
sua entrega e a sua alegria, representou uma partilha de emoções fortes!
O responsável, da Casa da Música,
Jorge Prendas, diz e eu subscrevo completamente: «As prisões não devem ser uma
casa de penitência mas sim de renovação. É um espaço dedicado às oportunidades».
Um pequeno excerto de «Sagração da
Primavera», Pela Companhia de Olga Roriz, porque se trata realmente de um
bailado escrito por Stravinsky, por encomenda de Sergei Diaguilev, para os «Ballets Russes».
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MÚSICA - CLÁSSICA
quarta-feira, 1 de maio de 2013
ROSALINA MARSHALL (4 POEMAS)
VELOZ
FAÚLHA ATMOSFÉRICA
atrás dos comboios que passam
não fica nada
o ar que lá estava
lá fica
porta invisível
eternamente chiando
não fica nada
o ar que lá estava
lá fica
porta invisível
eternamente chiando
***
CALOTES SUSPENSAS
numa cama
enquanto lá fora chilreavam pássaros
coloquei os dedos na jugular
precipício
sobre um jardim
onde nunca mais
se teme a morte
enquanto lá fora chilreavam pássaros
coloquei os dedos na jugular
precipício
sobre um jardim
onde nunca mais
se teme a morte
***
NA SENSAÇÃO DE ESTAR POLINDO AS MINHAS UNHAS
sei que morrerei no dia do aniversário da minha morte
ainda há coisas certas na vida
o dia do aniversário da minha morte apresenta tamanha discrição
ainda há coisas certas na vida
o dia do aniversário da minha morte apresenta tamanha discrição
que
nem dou por ele
portanto não mudarei de roupa
talvez passe o dia deitada
no displicente descanso
de não atender telefones
nem me levantarei para ir ver o correio
e se alguém se lembrar de me acender
as inconsequentes velinhas
deixarei que derretam e estraguem o bolo
no dia do aniversário da minha morte
nem me penteio
portanto não mudarei de roupa
talvez passe o dia deitada
no displicente descanso
de não atender telefones
nem me levantarei para ir ver o correio
e se alguém se lembrar de me acender
as inconsequentes velinhas
deixarei que derretam e estraguem o bolo
no dia do aniversário da minha morte
nem me penteio
***
DAS BANCADAS
muito bem
serei a barata tonta
não quero dum-dum
ao menos matem-me
com pancadas de molière
serei a barata tonta
não quero dum-dum
ao menos matem-me
com pancadas de molière
ROSALINA MARSHALL
[in Manucure, Companhia das
Ilhas, 2013]
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POESIA (PORT.)
domingo, 28 de abril de 2013
PABLO NERUDA
Pablo Neruda nasceu em Parral, em 12 de julho de 1904, como Neftalí Ricardo Reyes Basoalto. Era filho de José del Carmen Reyes Morales, um operário ferroviário, e de Rosa Basoalto Opazo, professora primária, que morreu quando Neruda tinha apenas um mês de vida. Ainda adolescente adotou o pseudónimo de Pablo Neruda (inspirado no escritor checo Jan Neruda), que utilizaria durante toda a vida, tornando-se seu nome legal, após acção de modificação do nome civil.
Durante as eleições presidenciais
do Chile nos anos 70, Neruda abriu mão de sua candidatura para que Allende
vencesse, pois ambos eram marxistas e acreditavam numa América Latina mais justa o que, a seu ver, poderia
ocorrer com o socialismo. De acordo com Isabel Allende, no seu livro Paula, Neruda teria morrido de
"tristeza" em setembro de 1973, ao ver dissolvido o governo de
Allende. A versão do regime militar do ditador Augusto Pinochet é a de que ele teria morrido devido a
um cancro na próstata. No entanto, fontes próximas, como o motorista e ajudante
do poeta na época, afirmam com
insistência que o poeta teria sido assassinado. Em Fevereiro de 2013, um juiz
chileno ordenou a exumação do corpo do poeta, no âmbito de uma investigação
sobre as circunstâncias da morte.Encontra-se sepultado na sua propriedade
particular em, Isla Negra Santiago,
no Chile.
Os restos mortais do poeta foram exumados a 08 de abril de 2013 para esclarecer
as circunstâncias da sua morte. Segundo a versão oficial, morreu de um
agravamento do cancro da próstata a 23 de setembro de 1973, 12 dias depois do
golpe de estado perpetrado contra o seu amigo e presidente socialista Salvador
Allende. Mas testemunhos recentes puseram em causa essa versão e evocaram um
assassinato comandado pela ditadura, para evitar que Neruda se tornasse um
opositor de prestígio, eventualmente a partir do exílio
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LITERATURA
quinta-feira, 25 de abril de 2013
O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO...MAS O POVO ESTÁ MUITO FODIDO!!!
O 25 de Abril hoje, é a recordação de uma alegria profunda de quem o viveu passo a passo, com uma euforia plena e partilhada pelas ruas, entre todos!
Hoje os pressupostos são diferentes, a ditadura hoje é económica e globalizada, e ainda orquestrada por políticos sem qualidade, autênticas marionetas servis aos poderes superiores, com a contrapartida de terem uma margem muito substancial de ganhos favoráveis ao seu amor pela «pátria»!
Hoje os pressupostos são diferentes, a ditadura hoje é económica e globalizada, e ainda orquestrada por políticos sem qualidade, autênticas marionetas servis aos poderes superiores, com a contrapartida de terem uma margem muito substancial de ganhos favoráveis ao seu amor pela «pátria»!
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PORTUGAL
quarta-feira, 17 de abril de 2013
OS TEMPOS QUE CORREM| A amargura de Maria do Céu Guerra:
"Não sei se este é o meu último espectáculo.
A amargura com que vou estrear este belo texto de Nascimento Rosa – nonagésima produção da Barraca no seu trigésimo sétimo ano de trabalho ininterrupto – não é suportável nem admissível.
Nenhum governo tem o direito de ser tão desproporcionado nas suas medidas e tão arbitrário nos seus fundamentos.
Depois do nosso trabalho ter viajado no País, na Europa e fora dela recolhendo distinções especiais e um carinho que estes funcionários de quem depende a sobrevivência de companhias como esta estão longe de saber o que é
Vemos que os Comissários de Cultura que gastam na administração dos seus sumptuários gabinetes ,nas consultas jurídicas que lhes respaldem os embustes e nas embaixadas milionárias em que transportam coisa nenhuma, a grande parte do orçamento que têm para administrar e fomentar a Criação Artística, aguardam ansiosos que A Barraca dê o seu último suspiro.
Estamos num país de Inveja e Histórica Mediocridade. Por que razão seria agora diferente? Desviam-se os olhos do vizinho que jaz no passeio , na pressa com que estamos de chegar ao conforto do lar.
Como disse Sttau Monteiro “ um país onde se cortam as árvores para que não façam sombra aos arbustos”.
A amargura com que vou estrear este belo texto de Nascimento Rosa – nonagésima produção da Barraca no seu trigésimo sétimo ano de trabalho ininterrupto – não é suportável nem admissível.
Nenhum governo tem o direito de ser tão desproporcionado nas suas medidas e tão arbitrário nos seus fundamentos.
Depois do nosso trabalho ter viajado no País, na Europa e fora dela recolhendo distinções especiais e um carinho que estes funcionários de quem depende a sobrevivência de companhias como esta estão longe de saber o que é
Vemos que os Comissários de Cultura que gastam na administração dos seus sumptuários gabinetes ,nas consultas jurídicas que lhes respaldem os embustes e nas embaixadas milionárias em que transportam coisa nenhuma, a grande parte do orçamento que têm para administrar e fomentar a Criação Artística, aguardam ansiosos que A Barraca dê o seu último suspiro.
Estamos num país de Inveja e Histórica Mediocridade. Por que razão seria agora diferente? Desviam-se os olhos do vizinho que jaz no passeio , na pressa com que estamos de chegar ao conforto do lar.
Como disse Sttau Monteiro “ um país onde se cortam as árvores para que não façam sombra aos arbustos”.
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PORTUGAL
terça-feira, 16 de abril de 2013
Para que a memória não se apague …
Obviamente a memória dos Homens é curta, sobretudo para os alemães mais jovens e políticos intelectualmente débeis e mentecaptos.
Hoje parece que estamos, de novo, a voltar ao espírito da máxima “Deutschland über alles!” bem inculcado ainda em boa parte dos alemães. Oxalá não seja mau presságio…
Fez 60 anos - Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs | Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda.O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essencial da dívida.
A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra.Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os países que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.
O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.
O acordo adoptou três princípios fundamentais:
1. Perdão/redução substancial da dívida;
2. Reescalonamento do prazo da divida para um prazo longo;
3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.
O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida não poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %.
A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.
O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situação de carência durante a qual só se pagaram juros.
Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos países endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.
Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de divisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.
EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.
Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais
Marcos Romão, jornalista e sociólogo
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POLÍTICA
segunda-feira, 15 de abril de 2013
domingo, 31 de março de 2013
Exposição de Graça Morais – Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva
Uma denúncia e
uma reflexão sobre o tempo que vivemos, sob o signo do medo!
A MARCHA DO
MUNDO, OS CONFLITOS, AS GUERRAS, A POBREZA, A CRISE ECONÓMICA.
«É preciso
pensar o que está a acontecer!
Não posso ficar
calada. Como é possível fazer uma pintura decorativa que ignore o que está a
acontecer?
As leis que são
feitas são de uma grande desumanidade e insensibilidade social, há muitas
pessoas a sofrer. Revolta-me que tantos seres humanos sejam desprotegidos e
desamparados. Não posso ficar calada! Todos estamos a sofrer uma grande
injustiça, que se reflecte no nosso dia-a-dia,. É preciso ver o que se está a
passar com tanta gente desempregada, com tantos deprimidos.
As mulheres são
sempre as maiores vítimas, particularmente em tempos de crise e numa situação
de grande desemprego.
São o elo mais
fraco, que sofrem a violência psíquica e física. Basta ler os jornais. Ando
mesmo impressionada com o número de mulheres que se suicidam e antes matam os
filhos. Desempregadas, desesperadas e abandonadas pela sociedade, sem
perspectivas, há uma carga imensa sobre esta espécie de «Medeias», que não
querem deixar os seus filhos nesta desgraça. É uma tragédia para a própria
Humanidade e é preciso que as pessoas pensem no que está a acontecer».
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PINTURA
sexta-feira, 29 de março de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
Caminhos
Para quê, caminhos do mundo,
Me atraís? — Se eu sei bem já
Que voltarei donde parto,
Por qualquer lado que vá.
Pra quê? — Se a Terra é redonda;
E, sempre, tem de cumprir-se
A sina daquela onda
Que parece vai sumir-se,
Mas que volta, bem mais débil,
Ao meio do lago, onde
A mãe, gota d'água flébil,
Há muito tempo se esconde.
Pra quê? — Se a folha viçosa
Na Primavera, feliz,
Amanhã será, gostosa,
Alimento da raiz.
Pra quê, caminhos do mundo?
Pra quê, andanças sem Fim?
Se todo o sonho profundo
Deste Mundo e do Outro-Mundo,
Não 'stá neles, mas em mim.
Francisco Bugalho, in "Paisagem"
Me atraís? — Se eu sei bem já
Que voltarei donde parto,
Por qualquer lado que vá.
Pra quê? — Se a Terra é redonda;
E, sempre, tem de cumprir-se
A sina daquela onda
Que parece vai sumir-se,
Mas que volta, bem mais débil,
Ao meio do lago, onde
A mãe, gota d'água flébil,
Há muito tempo se esconde.
Pra quê? — Se a folha viçosa
Na Primavera, feliz,
Amanhã será, gostosa,
Alimento da raiz.
Pra quê, caminhos do mundo?
Pra quê, andanças sem Fim?
Se todo o sonho profundo
Deste Mundo e do Outro-Mundo,
Não 'stá neles, mas em mim.
Francisco Bugalho, in "Paisagem"
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POESIA (PORT.)
quinta-feira, 21 de março de 2013
SAUDEMOS A PRIMAVERA!
![]() |
| DANZA - BOUCHER |
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.
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LITERATURA
sexta-feira, 8 de março de 2013
8 DE MARÇO...
8 de Março no dia da mulher, que são todos os dias, vem ao meu pensamento as notícias diárias de violência contra as mulheres, violência até num sentido lacto, física e psicológica. É difícil ser mulher e em muitos países é até muito difícil!
"Tesouro, presa, jogo e risco, musa, guia, juiz, mediadora, espelho, a mulher é o Outro em que o sujeito se supera sem ser limitado, que a ele se opõe sem o negar. Ela é o Outro que se deixa anexar sem deixar de ser o Outro. E, desse modo, ela é tão necessária à alegria do homem e ao seu triunfo, que se pode dizer que, se ela não existisse, os homens a teriam inventado."
Simone de Beauvoir in "O segundo sexo"
"Tesouro, presa, jogo e risco, musa, guia, juiz, mediadora, espelho, a mulher é o Outro em que o sujeito se supera sem ser limitado, que a ele se opõe sem o negar. Ela é o Outro que se deixa anexar sem deixar de ser o Outro. E, desse modo, ela é tão necessária à alegria do homem e ao seu triunfo, que se pode dizer que, se ela não existisse, os homens a teriam inventado."
Simone de Beauvoir in "O segundo sexo"
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O MUNDO EM QUE VIVEMOS
quarta-feira, 6 de março de 2013
"Um homem desejoso de trabalhar, e que não consegue encontrar trabalho, talvez seja o espectáculo mais triste que a desigualdade ostenta ao cimo da terra." - Carlyle
"Eu sou um homem só, um único inferno." Quasimodo , Salvatore
|
Quantos de nós não ansiámos deixar de trabalhar, com a
ideia que íamos ter mais tempo, para isto e para aquilo! O sabor dessa
liberdade pode durar um ano, dois, até mais, mas depois procurarmos fazer
coisas, ter horários, dar valor à permanência na vida! Procuramos fazer cursos
diversificados, voluntariado, pintamos, escrevemos, enfiamo-nos no ginásio,
porque dificilmente se poderá arranjar um trabalho para depois, que nos dê, uma
utilidade social, paralela a todos os trabalhos que na nossa área privada temos
que despender. A reforma por questões várias, motivadas pelas políticas,
colocaram-nos incapazes cedo demais, quando inda nos consideramos muito capazes
de fazer alguma coisa! O trabalho é algo intrínseco ao homem, seja ele qual for
e os aspectos lúdicos crescem de prazer, quando são um intervalo do trabalho!
Sempre foi falsa e de cariz arbitrário, a ideia, que as
pessoas não gostam de trabalhar! Hoje vemos como tanta gente se desespera,
porque não consegue encetar a sua vida profissional ou então está no desemprego
e anda à deriva, o trabalho seja ele qual for é um enriquecimento de todas as
formas, só ele nos pode dar realização, liberdade e independência! Esta é uma opinião pessoal, outros pensarão o contrário, mas fui consultar citações sobre o trabalho, que se coadunam com o que penso.
"O trabalho é desejável, primeiro e antes de tudo como
um preventivo contra o aborrecimento, pois o aborrecimento que um homem sente
ao executar um trabalho necessário embora monótono, não se compara ao que sente
quando nada tem que fazer."- Russell , Bertrand
"O trabalho é a melhor das regularidades e a pior das
intermitências." - Hugo Victor
"Não me lembro de alguma vez me ter cansado a
trabalhar, mas o ócio deixa-me completamente exausto." - Doyle , Arthur Conan
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O MUNDO EM QUE VIVEMOS
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
E ETC, ETC...
As
crónicas de Gonçalo Tavares, para mim são sempre imperdíveis!
EXCERTO:
-Excelência,
gostaria de fazer-lhe umas perguntas rápidas. Aqui vão duas: qual a unidade de
medida do cheiro? Qual a unidade de medida da visão?
-Como? Perguntas
difíceis! Então de outra forma: Será que eu vejo em…gramas ou em…litros? Parece
disparatado…mas talvez não seja!
-Claro
que não! Excelência vê formas? Funções? Cores?
-Basta.
Eu vejo tudo ao mesmo tempo: forma, cor, função e etc!
-E etc?
Também vê isso?
-Sim sou
um dos melhores observadores do etc!
-Muito
bom Excelência! Isso é que é uma grande capacidade de observação!
-Etc, etc…
Ou seja: e não só!
( NÃO É DIRIGIDA A NINGUÉM EM CONCRETO, EU PENSEI NO GASPAR, MAS HÁ VÁRIOS SABEDORES DO ETC...)
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POLÍTICA
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