A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Amor é Mais Forte


Os amantes de hoje preferem a droga mais leve, o tabaco mais light ou o café descafeinado. Já ninguém quer ficar pedrado de amor ou sofrer de uma overdose de paixão. As emoções fortes são fracas e as próprias fraquezas revelam-se mais fortes. Os amantes, esses, são igualmente namorados da monotonia e amigos íntimos da disciplina. O que está fora de controlo causa-lhes confusão, e afecta-lhes uma certa zona do cérebro, mas quase nunca lhes toca o coração. O amor devia ser sonhado e devia fazê-los voar; em vez disso é planeado, e quanto muito, fá-los pensar. 
Sobre o amor não se tem controlo. É um sentimento que nos domina, que nos sufoca e que nos mata. Depois dá-nos um pouco vida. No amor queremos viver, mas pouco nos importa morrer e estamos sempre dispostos a ir mais além. Deixamo-nos cair em tentação, e não nos livramos do mal, embora procuremos o bem. No amor também se tem fé, mas não se conhecem orações: amamos porque cremos, porque desejamos e porque sabemos que o amor existe. Amamos sem saber se somos amados, e por isso podemos acabar desolados, isolados e deprimidos. Que se lixe! O amor não é justo, não é perfeito; no amor não se declaram sentenças nem se proferem comunicados. O amor prefere ser imprevisível, cheio de riscos e de fogo cruzado. No amor os braços não se cruzam, as palavras não se gastam e os gestos servem para o demonstrar. Amar também é lutar, e enfrentar monstros fabulosos com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão. É uma ilusão, um sonho, um absurdo e uma fantasia. O amor não se entende, não se interpreta, não se discerne nem se traduz. Quem ama acredita, mas não sabe bem porquê, não sabe bem o quê, nem percebe bem como. 

Rogério Fernandes, in 'Alterne Activo'

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

BOM CARNAVAL!!

PIERRE BERGAIGNE

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Memórias de uma aula no Liceu de Setúbal Barreiro, 4 de Outubro de 1967


Continua o desassossego, com o pessoal a trocar beijos, abraços e
confidências, depois desta longa separação que foram 3 meses e meio de
férias. Estávamos todos fartos do verão, com saudades uns dos outros.
A sala é a mesma do ano passado, no 1º andar e cheirava a nova, tudo
encerado e polido, apesar do material já ser mais do que velho.

Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém de novo, a pauta é
exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º 34, e fico sentada na
segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é o lugar dos mais
altos.

Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos
um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal,
dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política.
Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e
contente porque dizem que ele é um fadista afamado. Tenho realmente
uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não
sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inês
contou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo
revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz
que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser
comunista.

Diferente dos outros professores, é de certeza.

Quando entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no
limite da falta. Entrou por ali dentro, todo despenteado, com uma
gabardine na mão e enquanto a atirava para cima da secretária,
perguntou-nos:

- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui
parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também
não vos vou chatear


Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada
com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as
primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam
a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que
já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o
rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes
não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um
homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter
uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho.

Depois das primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro
de ponto, rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos,
em
silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala,
impecavelmente limpas.

Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar
uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo
conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma
algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer
professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas
ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se
importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto
esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se,
efectivamente, evadido da sala.

Quando recomeçou a falar connosco, em pé, em cima do estrado, já tinha
ganho o primeiro round de simpatia.
Depois, veio o mais surpreendente:

- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo
dizer-vos que não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano
passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu.
Gargalhada geral.

- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas
disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não
tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma
matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui
desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em
palhaçadas.
Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele
ficou impávido e sereno. Continuava a mostrar um semblante discreto,
calmo, simpático.

- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas
absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem
interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.


Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha
passado pela frente um professor com tamanha ousadia.

- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse,
como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de
pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de
falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que
nos governa é uma ditadura desumana e cruel.

Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o
sorriso e estavam agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e
nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que
ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as
devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se
sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente como uma nuvem de fumo
branco, que se sente mas não se apalpa.

- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho
leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria.
Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque,
no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º
ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês tem que fazer. Estudar.
Para serem homens e mulheres cultos para poderem combater, cada um
onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria
e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que
lutar por um novo país.

Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha,
basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale
nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida,
mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral.

Vão ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste,
que nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão,
educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os
privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei.
Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela
nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país,
carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou
abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou
ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses
de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e
cultural.

Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm
que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do
vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma
falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem
os vossos mais altos objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é
com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem
trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que
devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim
porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas.
Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais
velhos, em qualquer quadrante da sociedade.

Nós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos
connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não
devem copiar. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em
vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam?

Bem, por hoje é tudo, podem sair. Vemo-nos na próxima aula.
Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que
fenómeno é este que aterrou em Setúbal?
Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de
Organização Política, chama-se Zeca Afonso.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Ryan Hreljac

Obviamente que este miúdo inspira uma grande admiração, faz a diferença, faz parte de uma minoria que se interessa realmente pelos outros.
Por outro lado ao verso intromete-se o reverso. Olhando para África, vê-se uma série de governantes que sacaneiam os seus próprios irmãos, com uma sede desmedida de ambição! Os que realmente têm poder e meios para atenuar as condições de vida dos seus semelhantes! Infelizmente estes gestos, não os fazem repensar nos seus actos!





sábado, 9 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

REFLEXÃO!

Fernando Pessoa



"Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta."

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

BAREFOOTCOLLEGE




Em Titonia, fica a Universidade do Pé Descalço, Barefoot College, fundada por Sanjit «Bunker» Roy. A história de Barefoot College, é das mais poderosas, em inovação e criatividade. Desfaz a ideia de que a crise se resolve apenas de cima para baixo. Fundado em 1972, é um dos maiores centros de pesquisa, inovação e educação no trabalho com a pobreza. Roy tem sido premiado por todo o lado e é considerado uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, pela revista «Time».
Roy é oriundo de uma família abastada, mas quando acabou os estudos quis ir viver para uma aldeia e ver como aí as coisas se organizavam, assim como partilhar a pobreza e a sapiência dos aldeões, porque acreditava, que com todos se pode aprender, todas as pessoas são obrigadas a saber coisas para sobreviver. Decidiu viver com eles, na privação e na frugalidade, seguindo a tradição da doutrina de Mahatma Gandhi.
O Barefoot College já formou mais de três milhões de pessoas, nas mais diversas áreas, todos os graduados eram analfabetos ou semianalfabetos e uma grande parte são mulheres oprimidas numa sociedade de pobreza. Muitas dessas mulheres são hoje, nas diversas comunidades, líderes de projetos. Criaram sistemas de energia solar onde não havia eletricidade, construíram sistemas de rega, de alimentação, assim como, casas e escolas.
No Barefoot College, o ensino tem por base o conhecimento através da experiência, uma transmissão direta e oral de capacidades, para desempenhar tarefas. Um saber casuístico, nascido da necessidade e da privação, extraordinariamente imaginativo e criativo
Esta criatividade permite aos pobres identificarem, analisarem e resolverem os seus problemas com um pequeno empurrão educacional e mínimos custos.
O BC é autónomo, não depende de nada nem de ninguém, é autossustentado.
Também para as crianças tem um programa noturno de escolaridade, porque durante o dia têm que trabalhar, a maior parte guardando gado.
Aqui é contrariada a ideia feita de que os pobres têm de ser virtuosos para serem retirados da pobreza, devendo poupar e gastar sensatamente. Os pobres são pessoas iguais aos ricos, com os mesmos sonhos de uma vida melhor.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O Poeta precisamente só o será quando a sua imaginação for além da imaginação do Universo. (António Maria Lisboa)



Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega o pior já passou
há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia os passos do medo. Dorme, meu amor -

a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que
adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra
não hão-de derrubar-me eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos

agora e sossega a porta está trancada; e os fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos
nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme,

meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos a noite é um poema
que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.


Não tenhas medo do amor. Pousa a tua mão
devagar sobre o peito da terra e sente respirar
no seu seio os nomes das coisas que ali estão a
crescer: o linho e genciana; as ervilhas-de-cheiro
e as campainhas azuis; a menta perfumada para
as infusões do verão e a teia de raízes de um
pequeno loureiro que se organiza como uma rede
de veias na confusão de um corpo. A vida nunca
foi só Inverno, nunca foi só bruma e desamparo.
Se bem que chova ainda, não te importes: pousa a
tua mão devagar sobre o teu peito e ouve o clamor
da tempestade que faz ruir os muros: explode no
teu coração um amor-perfeito, será doce o seu
pólen na corola de um beijo, não tenhas medo,
hão-de pedir-to quando chegar a primavera.

POEMAS DE: Maria do Rosário Pedreira

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

HAPPY-YEAR !!!!

“We stopped the collapse, we should avoid the relapse, and it’s not time to relax»!
Christine Lagarde




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

SAKAMOTO

Música de Sakamoto, para o filme «Merry Christmas Mr. Lawrence» de Oshima, em que também participa como actor e contracena com David Bowie.


MORREU NAGISA OSHIMA (1932.2013)








Nagisa Oshima foi um dos nomes-chave da “nova vaga” japonesa conhecida como nuberu bagu, iniciada em finais dos anos 1950.
A partir de Cerimónia Solene (1971), obteve a sua aclamação internacional. Seguindo-se Feliz Natal, Mr. Lawrence (1983), com David Bowie, e o controverso díptico formado por O Império dos Sentidos (1976) e O Império da Paixão (1978, Melhor Realizador em Cannes).

«O Império dos Sentidos», causou grande controversa em Portugal, quando a RTP, nos anos 90, exibiu este filme. O erotismo do filme, focado na relação num crescendo obsessivo entre a prostituta Sada e o dono do bordel, gerou escândalo e teve honras de primeira página dos jornais – na época, o arcebispo de Braga, D. Eurico Nogueira, insurgiu-se contra a administração da RTP pela inclusão da obra na grelha do canal público, tendo ficado conhecida a sua frase sobre o visionamento de O Império dos Sentidos: "Aprendi mais em dez minutos deste filme do que no resto da minha vida". 
Como escreveu Augusto M. Seabra, em 2008, é mais que lamentável que um tão grande cineasta – e seguramente com Fassbinder e Pasolini um dos grandes “cineastas do corpo” – tenha sido remetido para um virtual esquecimento, como se só houvesse a recordar, e porque “escandalosos”, O Império dos Sentidos e O Império da Paixão.
Feliz natal Mr Lawrence








terça-feira, 8 de janeiro de 2013

COM PAIXÃO E HIPOCONDRIA

HOPE - George Frederic Watts
COM PAIXÃO E HIPOCONDRIA

Confortamo-nos com histórias laterais,
evitamos o toque, há risco de contágio;
por mais que preservemos a franqueza
passou o estágio já da frontal alegria:
estamos bem, obrigada, embora aquém
de antes – entretanto admitimos não
saber, e enquanto resta isto indefinido,
mesmo com luvas, pinças de parafina,
não sondamos mais, sob pena de crescer
um quisto nesse incisivo sítio onde
achámos sem tacto que menos doía

Margarida Vale de Gato
[in Mulher ao Mar, Mariposa Azual, 2010]

«Não concebo viver sem ser pela escrita. Não me considero uma poeta por aí além". "A minha primeira poesia sempre foi muito lírico-amorosa. Depois, houve uma viragem, onde a poesia anterior se integrava, para uma investigação. Fazia parte de um lado académico: até que ponto é que podemos encontrar uma voz feminina, até que ponto isto faz sentido? Por exemplo, alguns dos meus poemas preferidos de mulheres e sobre mulheres foram escritos por homens - estamos a falar das cantigas de amigo". "O que eu faço em muito poemas é encenar vozes de mulheres. Aparece uma base autobiográfica, mas, na maior parte, são Eus líricos encenados". Sylvia Plath, Emily Dickinson, Anna Karenina, Christina Rossetti, são algumas das presenças que atravessam os poemas.
Margarida Vale de Gato
(Estranhei essa poetisa de nome Anna Karenina, é brasileira, encontra-se neste bloguehttp://poetisaannakarenina.blogspot.pt/)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

PARA TODOS OS AMIGOS UM GRANDE ABRAÇO COM UM DESEJO DE SAÚDE E PAZ

QUE UMA LUZ SEMPRE POSSA BRILHAR EM NÓS APESAR DE TODAS AS VICISSITUDES! 



Não me digam que é Natal,
não me digam que nesta época tocam os sinos do amor,
somos todos passarinhos às bicadinhas
e o nosso sorriso é distribuído de orelha a orelha!

Não me digam que vamos fazer promessas de sermos melhores,
como isso fosse um fabrico que dependesse totalmente de nós!

Palavras bonitas cansam!

Toda a gente tem boas intenções eu sei, porque eu também!

Há palavras que enjoam,
olha-se em volta e as luzinhas e os papelotes de cores variadas magoam a retina, porque são uma ilusão,
tapando um mundo desconsertado!

Também não vou fazer a apologia do «pobrezinho»!

Não vamos ser no Natal,
aquilo que não somos todo o ano,
o melhor é sermos apenas,
e quem tem coragem e determinação para ser,
é todo o ano!
Como dizia o poeta «Natal é sempre que um homem quiser»*!

*ARY DOS SANTOS


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

NA ESQUINA DO TEMPO...GLÓRIA LEÃO

Tenho relido de quando em quando excertos deste livro, escrito por uma amiga muito especial e que partiu! Nesta altura já tudo estava muito mal e de forma vertiginosa em poucos meses encontrou o fim! Tive uma ligação com ela intensa, como muitos bloguistas por aqui, pela forma incentivadora de muitas blogagens colectivas, sempre com as suas ideias brilhantes e o seu grande entusiasmo. Para mim a blogosfera nunca mais foi a mesma, que me perdoem os outros amigos!


«E se a terra lhe deu tanto, gostaria de voltar para ela em forma de adubo, em pó, farinha de ossos.
Que suas cinzas, um dia, fossem jogadas em volta de uma árvore frondosa. Com galhos fortes e grossos e que ali, num deles, pendurassem um balanço.
Lá de cima, da copa verde e do meio das folhas, certamente sentiria o balançar das cordas e ouviria os risos e brincadeiras de seus netos, bisnetos e de todas as gerações depois deles.
Enquanto sua árvore lá estivesse, estaria lá, ela também. Maia faria parte da seiva e do alimento e se transformaria na árvore mais frondosa do jardim». GLÓRIA LEÃO

É OLHANDO PARA A BELEZA E A SOLIDEZ DE UMA ÁRVORE, QUE TE RECORDO!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

sou de outras coisas

Sou de outras coisas
pertenço ao tempo que há-de vir sem ser futuro
e sou amante da profunda liberdade

sou parte inteira de uma vida vagabunda
sou evadido da tristeza e da ansiedade

Sou doutras coisas
fiz o meu barco com guitarras e com folhas
e com o vento fiz a vela que me leva
sou pescador de coisas belas, de emoções
sou a maré que sempre sobe e não sossega

Sou das pessoas que me querem e que eu amo
vivo com elas por saber quanto lhes quero
a minha casa é uma ilha é uma pedra
que me entregaram num abraço tão sincero

Sou doutras coisas
sou de pensar que a grandeza está no homem
porque é o homem o mais lindo continente
tanto me faz que a terra seja longa ou curta
tranco-me aqui por ser humano e por ser gente

Sou doutras coisas
sou de entender a dor alheia que é a minha
sou de quem parte com a mágoa de quem fica
mas também sou de querer sonhar o novo dia

Fernando Tordo

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

To be or not to be isn't the question!



A homossexualidade é um não assunto? Uma relação amorosa que tem 34 anos é um assunto? Falar do casamento entre pessoas do mesmo sexo, num país que o permite, continua a ser importante? E num tempo em que começa a ser feio ser preconceituoso, os exemplos são importantes para quem? Estas foram algumas das questões que foram levantadas por Alexandre Quintanilha, físico e Richard Zimler, jornalista e professor norte-americano.  
Mantém, desde 1978, uma relação amorosa. O casal, residente no Porto desde 1990, foi um dos primeiros formados por figuras públicas a casar-se, pela nova lei do casamento civil.
Autor de obras como “Goa ou o Guardião da Aurora”, “A Sétima Porta”, “O Último Cabalista de Lisboa”, best-seller em 11 países, incluindo os Estados Unidos da América, Inglaterra, Itália e Brasil, ou “Os Anagramas de Varsóvia”, considerado o livro do ano de 2009 pela revista Ler, Richard Zimler, galardoado com vários prémios literários, tem os seus livros traduzidos em mais de 16 países.
Para Richard Zimler a sua identidade não está muito ligada aos rótulos mais óbvios, ou seja, americano, com dupla nacionalidade portuguesa, escritor, residente no Porto, etc…. A sua identidade está mais ligada a factores pessoais, por exemplo, a relação que tinha com a mãe, a relação com Alexandre Quintanilha, as recordações de milhares de momentos que, reunidos, constituem a sua identidade.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"Uma paisagem qualquer é um estado de alma. " - Henri Amiel



Solidão
A solidão é como uma chuva. 
Ergue-se do mar ao encontro das noites; 
de planícies distantes e remotas 
sobe ao céu, que sempre a guarda. 
E do céu tomba sobre a cidade. 

Cai como chuva nas horas ambíguas, 
quando todas as vielas se voltam para a manhã 
e quando os corpos, que nada encontraram, 
desiludidos e tristes se separam; 
e quando aqueles que se odeiam 
têm de dormir juntos na mesma cama: 

então, a solidão vai com os rios... 

Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens" 
Tradução de Maria João Costa Pereira

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

JOSÉ SARAMAGO

 A 16 de Novembro de 1922, nasce, em Azinhaga (Ribatejo), José de Sousa Saramago, escritor português galardoado, em 1998, com o Nobel da Literatura.
O Nobel da Literatura José Saramago, que morreu em junho de 2010, vai ser homenageado no Por
to, na Casa da Música, a 24 de novembro, iniciativa integrada nas comemorações dos 90 anos sobre o nascimento do escritor.

A homenagem a José Saramago surge no âmbito da 12.ª edição do "Porto de Encontro", uma iniciativa do jornalista Sérgio Almeida promovida pela Porto Editora.

"A conversa, moderada pelo jornalista Sérgio Almeida, contará com as participações de Pilar del Río, Álvaro Siza Vieira, Mário Cláudio, Pedro Abrunhosa e Valter Hugo Mãe".
Quando se comemora 90 anos sobre o nascimento do escritor, para esta homenagem estão ainda previstas "leituras por Manuela Azevedo, Emília Silvestre, Filipa Leal, Ana Celeste Ferreira e José Carlos Tinoco, bem como performances de Pedro Abrunhosa, do Coral de Letras da Universidade do Porto e de O Andaime".

Arte de Amar
Metidos nesta pele que nos refuta, 
Dois somos, o mesmo que inimigos. 
Grande coisa, afinal, é o suor 
(Assim já o diziam os antigos): 
Sem ele, a vida não seria luta, 
Nem o amor amor.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis" 
Aprendamos, Amor
Aprendamos, amor, com estes montes 
Que, tão longe do mar, sabem o jeito 
De banhar no azul dos horizontes. 

Façamos o que é certo e de direito: 

Dos desejos ocultos outras fontes
E desçamos ao mar do nosso leito.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

U.E. – A GRANDE UTOPIA



U.E. foi a melhor e a mais atraente utopia política, um «magnificent concept», para muitos. Este processo de integração europeia, começou a ser construído na ressaca da II Guerra Mundial, inspirando-se na Paz, mas as lideranças atuais são tacanhas, fechadas, medíocres, sem a determinação fundadora de um Adenauer, Schuman, De Gasperi ou de estadistas como Helmut Kohl, Mitterrand, Delors, Willy Brandt, Schmidt.
As causas da crise, iniciaram-se com a crise económica global da falência do banco de investimento americano Lehman Brothers e o seu efeito dominó em outras instituições bancárias, mas outro aspeto há a considerar: o endividamento público elevado de certos países, casos de: Grécia, Portugal, Espanha, Itália e Irlanda. A União Europeia, não soube coordenar, nem resolver essa situação e as consequências são evidentes: fuga de capitais de investidores, escassez de crédito, aumento do desemprego, descontentamento popular com as medidas de redução de gastos, como forma de conter a crise, diminuição nos «ratings», dos países e bancos mais envolvidos na crise,  queda ou baixo crescimento do PIB, contaminação para países fora do bloco, que mantêm relações com a União Europeia.
A crise pode, de acordo com alguns economistas, causar recessão económica mundial.

A Europa caminhou para preocupações medíocres, falta de visão democrática, liderança pedante, muito longe do processo inicial de integração europeia, indo beber dos mesmos males de que sempre padeceu o Continente: egoísmo e divisão e esta situação pode bem levar a outra guerra.

Não se pode negar de todo a possibilidade desse risco, pensemos no caso da Jugoslávia, uma federação supranacional que se desagregou, cujos povos viviam em comum e que se mataram uns aos outros!
Num continente que viveu em guerra permanente até à 70 anos, a U.E., quis trazer paz e prosperidade, assim como democracia a vários países. A ideia baseava-se numa igualdade, apesar dos países não terem a mesma situação económica, mas igualdade de direitos políticos. Atualmente um país dita as regras do jogo, a Alemanha e Merkel diz: os países que estão a ser assistidos ou aceitam as regras do jogo que eu vou ditar ou acabou-se a assistência. Essas regras, referindo por exemplo a situação em Portugal, levam a que o orçamento de estado seja aprovado primeiro em Berlim e depois na Assembleia da Republica portuguesa. Merkel tem revelado egoísmo e tomado medidas fracas e retardadas, quando se espera uma atitude corajosa, ousada e empreendedora, reconstruindo a esperança de uma EUROPA/CASA COMUM.
A situação está complicada com a ditadura dos mercados, seria necessária uma vontade política forte para que os países se consertassem e fosse possível controlar os mercados. A ditadura dos mercados consiste em criar um círculo vicioso, criando medidas de austeridade, que levam os países à recessão e depois juros mais altos e mais crise! Um caminho para o abismo!
Toda a gente antevê o fim da União Europeia e ninguém faz nada! Para muitos a Europa, união de países a 27 tem os seus dias contados. A ideia de uma Europa Unida acabou e salve-se quem puder!

Portugal, pequeno país periférico, sempre tão dependente, irá sobreviver à crise e às medidas draconianas da Troika (Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI))? O futuro parece bastante negro, com políticos fracos e sem qualidades, plenamente subservientes à Srª Merkel. As manifestações proliferam, a contestação aumenta dia a dia, Portugal que futuro?


m.s.


sábado, 27 de outubro de 2012

domingo, 21 de outubro de 2012

MANUEL ANTÓNIO PINA um amigo e uma voz íntegra que partiu!

Algumas Coisas






A morte e a vida morrem 

e sob a sua eternidade fica 
só a memória do esquecimento de tudo; 
também o silêncio de aquele que fala se calará. 

Quem fala de estas 
coisas e de falar de elas 
foge para o puro esquecimento 
fora da cabeça e de si. 

O que existe falta 
sob a eternidade; 
saber é esquecer, e 
esta é a sabedoria e o esquecimento. 

Manuel António Pina, in "Aquele que Quer Morrer"

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

LEIA!!

REMBRANDT
SEJA: determinado para não desistir, apaixonado para motivar e flexível para mudar.
RESISTA à tentação do caminho mais FÁCIL.
ABAIXO  o formatado VIVA o personalizado.
TENHA PAIXÃO nas CERTEZAS e CONVICÇÕES, mesmo sabendo que vão surgir DÚVIDAS e INCERTEZAS.
HUMOR  é a estrada, ASSERTIVIDADE o veículo, o ENTUSIASMO o combustível.
SAIBA QUE NÃO ALTOS SEM BAIXOS: NÃO DESANIME!
Não siga conselhos de ninguém, pense pela sua própria cabeça.
Opte pelos caminhos APERTADOS E MENOS VISÍVEIS, são oportunidades para se tornarem grandes coisas.
Tenha coragem para procurar sempre o que é NOVO, RELEVANTE E CRIATIVO.
Mesmo quando sente que lhe ataram as pernas, LEVANTE-SE E CONTINUE A FAZER.
Tire partido do melhor das pessoas, com as melhores pessoas.
 É preciso perder tempo a encontrar aquilo que realmente nos dá prazer.
CRIATIVIDADE, IMAGINAÇÃO, FANTASIA, MAGIA!
SEJA FRONTAL, não tenha medo de perguntar.
Caminhe, planeie SONHE ALTO e festeje cada pequena conquista.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

ERIK RAVELO FAZ CAMPANHA PARA BENETON INSPIRADO NO KAMA SUTRA




O designer Erik Ravelo inovou na sua nova campanha para a Benetton. A marca conhecida por condenar o preconceito e acreditar no poder do amor para unir as pessoas e ultrapassar barreiras, uniu-se ao artista cubano, que também divide os mesmos ideais para criar a campanha Lana Sutra.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012