Um dos livros mais considerado de Eduardo Lourenço é,
«Labirinto da Saudade», onde fazia uma identificação dos portugueses. Livro de
1988. Na reedição de 2000, Eduardo Lourenço, disse:
«Na aparência esse pais já não existe. Mudamos de
estatuto histórico-político, de civilização e de ritos sociais que julgávamos,
lamentando-o, características de uma sociedade quase marginal em relação aos
«padrões europeus». Mudamos literalmente falando, e sem quase nos darmos conta
disso, de mundo. Mudamos porque o mundo conheceu uma metamorfose sem
precedentes, não apenas exterior, mas no fundo. Passamos a viver noutro
planeta, caiu o muro de Berlim, deixamos de ser «potencial ou imaginariamente»
senhores dos nossos destinos, houve uma avassaladora dissolução de identidades
clássicas a que chamávamos nações, sobrevieram microidentidades virulentas ou
superidentidades simbólicas. E sofremos o fim da civilização europeia sob o
paradigma cristão e iluminista, se é lícito associar estas duas matrizes da
milenária e agora defunta Europa. Como todo o Ocidente tornamos- nos, «toda o
mundo e ninguém». Vocação dos portugueses de não-identidade, «aptos a ser tudo
e todos, caso em que «não seriamos ninguém».
























