A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

UKIYO-E


Ukiyo-e, "retratos do mundo flutuante", em sentido literal, vulgarmente também conhecido como estampa japonesa, é um género de xilogravura e pintura que prosperou no Japão entre os séculos XVII e XIX. Destinava-se inicialmente ao consumo pela classe mercante do período Edo (1603 – 1867). Entre as mais populares temáticas abordadas, estão a beleza feminina, o teatro kabuki, os lutadores de sumô, cenas históricas e lendas populares, cenas de viagem e paisagens, fauna e flora e pornografia.

Alguns dos artistas devotaram-se à pintura, mas a maioria era composta por gravuristas. Por ser uma actividade artesanal, gravuristas podiam dominar e empregar uma grande variedade de efeitos a partir de diferentes técnicas impraticáveis na produção mecanizada, como a criação de gradações de cor, por exemplo.

No começo do século XVII, a burguesia da próspera Edo (hoje Tóquio) passou a buscar entretenimento nos teatros de kabuki e com as oirans e geishas das yūkaku, zonas de meretrício. O termo ukiyo ("mundo flutuante") descrevia o estilo de vida hedonista da era. Pintadas ou impressas, essas obras de artes visuais eram populares entre os burgueses, abastados o suficiente para adquiri-las a fim de decorar as suas casas. O sucesso começou já na década de 1670, com as pinturas e gravuras monocromáticas de Hishikawa Moronobu, retratando a beleza feminina.


Por volta dos anos 1740, artistas como Okumura Masanobu usavam múltiplos blocos de madeira talhados em baixo-relevo para criar áreas coloridas.

A partir de 1760, o sucesso das gravuras brocadas nishiki-e de Suzuki Harunobu levou a produção em alto apuro de cor a tornar-se padrão, com cada item sendo concebido a partir do uso de dez ou mais blocos.

O auge do período, em quantidade e qualidade, foi marcado por peças que retratavam a beleza e o teatro, criadas por mestres como Torii Kiyonaga, Kitagawa Utamaro e Tōshūsai Sharaku ao final do século XVIII.
Torii Kiyonaga
Kitagawa Utamaro
Tōshūsai Sharaku 
Esse ápice foi seguido, no século seguinte, por mestres em paisagens, liderado por Hokusai, cuja Grande Onda de Kanagawa é não só a obra-prima do género, mas também uma das mais populares e aclamadas peças da arte japonesa.

Hokusai
Mount Fuji by Hokusai  
 E o sereno criador de ambientes atmosféricos Hiroshige, conhecido por "Cinquenta e Três Estações da Tōkaidō". Com a morte desses mestres e a modernização tecnológica e social da restauração Meiji, de 1868, a produção do ukiyo-e declinou.
                                                        Hiroshige

O género foi um elemento nuclear para a formação da percepção ocidental a respeito da arte do Japão ao final do século XIX, especialmente a partir das paisagens de Hokusai e Hiroshige. Na década de 1870, o japonismo tornou-se uma proeminente tendência e foi grande influência aos primeiros impressionistas, como Edgar Degas, Édouard Manet e Claude Monet, bem como aos pós-impressionistas, tais quais van Gogh, e a artistas da art nouveau, entre eles Henri de Toulouse-Lautrec. O século XX assistiu a um renascimento da xilogravura japonesa, com a vertente shin-hanga a crescer em termos de interesse no ocidente com as suas cenas tradicionais da cultura nipónica combinadas a referências ocidentais e o movimento sōsaku-hanga a pregar o individualismo de produção enquanto caminho criativo único para a expressão do eu. 

PESQUISANDO A HISTÓRIA DO PORTO!


Há diferenças entre várias regiões do país, embora Portugal seja pequeno. Entre o Sul e o Norte a nível das mentalidades também há uma grande diferença, mas até já foi mais acentuada.

Por exemplo a nível de tauromaquia e, já agora manifesto, o meu repúdio por esse sangrento espectáculo.

Aqui no Porto essa tradição nunca se enraizou, apesar de várias tentativas feitas. A primeira tentativa remonta a 24 de Junho de 1785, dia de festa de S. João e também quando ocorreu o casamento do futuro rei D. João VI com D. Carlota Joaquina.

Oito anos depois (1793) realizou-se outra tourada num redondel propositadamente erguido no Campo de Santo Ovídio (actual Praça da República), para comemorar o nascimento da infante Maria Teresa.

Na década de 70 do século XIX, assistiu-se a uma repentina edificação de praças de touros por todo o país e no Porto surgiram três: Cadouços, Rua da Boavista e Largo da Aguardente. As três desapareceram em menos de cinco anos, com a falência das empresas.

No final do século XIX foi realizada a última grande ofensiva, com a construção de duas novas praças: Rotunda da Boavista e Praça da Alegria.
Real Coliseu Portuense


Rua da Alegria

O Real Coliseu Portuense (rotunda da Boavista), foi a mais oponente, com capacidade para 8000 pessoas (camarotes e bancadas) e dotada de dois restaurantes, salão de bilhares, cafés, quiosques e iluminação eléctrica. Por lá passaram grandes cavaleiros. Para não fechar portas prematuramente, o recinto teve que acolher outros espectáculos. Em 1898 fechou portas e foi demolido. As outras praças também fecharam portas.

Já no século XX, antes da implantação da República surgiram duas novas praças: Areosa e Bessa. Também de curta história.

Houve ainda outro projecto para as Antas, mas não saíu do papel e a última tentativa surgiu na década 90 do século XX, uma praça improvisada no Campo do Lima 5, que acabou com a intervenção da PSP, para parar os distúrbios, entre os organizadores arrogantes e defensores dos animais.

INVERNANDO!

O vento, a chuva e o frio, cortam-me os voos!


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

BARBARA


Barbara (Paris, 1930 - Neuilly-sur-Seine, 1997), cujo nome real era Monique Andrée Serf ,cantora e compositora francesa.

Monique Serf era filha de Jacques, um judeu da Alsácia, e Esther Brodsky, uma ucraniana, e tinha três irmãos. Durante a ocupação da França pelos nazis, a família teve que se separar para fugir das perseguições aos judeus. Com a libertação do país pelos aliados, voltaram a reunir-se. Nas suas Mémoires, conta que sofreu abuso sexual por parte do próprio pai durante a infância.

Começou a estudar canto e piano ainda nos anos 40, mas desprezou o repertório clássico para se dedicar à música popular. Pouco depois, o seu pai abandonou a família. Sem dinheiro para continuar os seus estudos, Monique deixou Paris em 1950 e foi morar com um primo em Bruxelas. Dois meses depois, uniu-se a uma comunidade de artistas em Charleroi. Começou a cantar em cabarés. O seu repertório era formado por canções de Édith Piaf, Marianne Oswald, Germaine Montero, Juliette Gréco e Jacques Brel.

Em 1951, conheceu o advogado Claude Sluys, que tinha boas relações com empresários do ramo de espetáculos e com quem se casaria em 1953. Sluys abriu um cabaré, onde Barbara começou a fazer espectáculos.

Gravou o seu primeiro disco em 1955. No mesmo ano, separou-se de Sluys e voltou para a França, apresentando-se em diversas casas noturnas de Paris. Em 1958, já era famosa entre os frequentadores do Quartier Latin.

Começou então a compor suas próprias canções. No fim daquele ano, soube da morte do seu pai, na cidade de Nantes. O acontecimento inspirou a canção Nantes, um de seus maiores sucessos.


Em 1960, o seu sucesso já era incontestável.  Fez sua primeira tournêe pela Europa em 1967. Na Alemanha, escreveu a canção Göttingen.


Em 1969, surpreendeu o público ao fim de um show no Olympia, anunciando que abandonava a música para se tornar actriz, mas não teve sucesso.

 Retomou a carreira de cantora ainda na década de 70. Em 1982, recebeu o Grande Prémio Nacional da Canção Francesa do então ministro da Cultura, Jack Lang.

Barbara, gravou em 1996, foi o seu último disco.  Morreu de uma intoxicação alimentar em 1997, quando escrevia as suas memórias.


DORME QUE A VIDA É NADA!



Dorme, que a vida é nada!

Dorme, que tudo é vão!

Se alguém achou a estrada,

Achou-a em confusão,

Com a alma enganada.

Fernando Pessoa

AS MULHERES por José Saramago



Se virmos a realidade, as mulheres são mais sólidas, mais objectivas, mais sensatas. Para nós, são opacas: olhamos para elas, mas não conseguimos entrar lá dentro. Estamos tão empapados de uma visão masculina, que não entendemos. Em contrapartida, para as mulheres nós somos transparentes. O que me preocupa é que, quando a mulher chega ao poder, perde isso tudo.

José Saramago

A pálida luz da manhã de Inverno

A pálida luz da manhã de Inverno,

        O cais e a razão
Não dão mais esperança, nem uma esperança sequer,
        Ao meu coração.
        O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou que não.

No rumor do cais, no bulício do rio
        Na rua a acordar
Não há mais sossego, nem um vazio sequer,
        Para o meu esperar.
        O que tem que não ser
Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar.

28-12-1928

Poesias Inéditas (1919-1930). Fernando Pessoa.

CUSTA MUITO PASSAR O INVERNO, QUE AGORA CHEGOU A SÉRIO!


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

PARIS É UMA FESTA!


Os negros chegaram a França, na Primeira Guerra Mundial, integrados na força americana. Foram bem tratadas pelos franceses e com eles trouxeram o jazz. No fim da guerra, tinham uma vida normal, podiam entrar num café e restaurante sem problemas e andar com mulheres brancas.  Muitos não quiseram regressar à segregação, à cidadania de segunda classe, aos linchamentos do Ku Klux Klan, a que as autoridades fechavam os olhos.

Abriram clubes em Pigalle e ganhavam bem. Nessa altura chegam também a Paris vários intelectuais americanos, a chamada Geração Perdida. Nos Estados Unidos foi imposta a Lei Seca, dos chegados a Paris, estavam grandes bebedores, Hemingway e F. Scott Fitzgerald.
GERAÇÃO PERDIDA
Paris vivia os seus anos loucos, depois da guerra queria-se alegria e diversão, a dança durante os anos de guerra foi proibida, em consideração com os que lutavam.

Em 1925 chega Josephine Baker, que foi uma sensação, não tinha problemas em se expor, ser ela própria. Célebre a sua dança em corpo nu com uma espécie de saia de bananas, explorando também o africanismo. Os negros baseavam os seus espectáculos em clichets raciais sem qualquer problema. Baker depois tornou-se sofisticada, um símbolo da moda.


https://www.youtube.com/watch?v=XBPHceq_6jQ
Outro que chegou a Paris, entre muitos, foi o músico Sydney Bechet, marcado pela escravatura sofrida pelo seu pai e que veio a ter um grande sucesso.
https://www.youtube.com/watch?v=J7u9x50GGGs

Os negros ficaram em Montmarte, os intelectuais brancos em S. Germain du Prés e tiveram o apoio da americana Gertrudes Stein, que também chegou a Paris e se tornou uma mecenas para os artistas.

Os negros tiveram todo o caminho aberto na música, mas muita dificuldade em se revelarem noutras artes, como pintura e literatura.

Nessa altura os grandes artistas em formação, como Picasso, Duchamp, Giacometti entre outros, estavam fascinados pela arte negra, que mais tarde levou ao cubismo, mas os afro-americanos nada sabiam de arte tribal.
Vários nomes de negros trabalharam na pintura, como, Archibald Motley, Aaron Douglas , Palmer Hayden Woodruff, entre muitos outros.


Aaron Douglas 




Também na escultura sobressaíram: Escultoras negras: Nancy Elizabeth Prophet (busto mostrando beleza e orgulho da negritude) e Augusta Savage. 




Importantes foram as irmãs Paulette e Jeanne Nardal, que estudaram em Paris, tiveram um salão literário, publicaram uma revista e deram apoio a vários intelectuais negros, dando-lhes importância e valor.
Na poesia, alguns nomes se distinguiram: Lauston Hughes,
Claude Mc Kay, entre outros.

Toda a festa terminou nos anos 30, devido à depressão. Não havia dinheiro. Alguns negros regressaram. Montmarte praticamente morreu. Paris já não era uma festa.
Josephine Baker ficou, tinha dois amores:
https://www.youtube.com/watch?v=GUvk1Wwucq8&list=PLFm5WlVPoVFS03Tyg-BAQEVRRcS0Jdeck

(Josephine tenho 2 amores -Manhathan e Paris)

PASSARAM c. de 4 ANOS ...E AGORO VOLTO!

Deixo umas fotografias tiradas hoje de manhã, caminhando do Jardim do Passeio Alegre até à Cantareira. Um passeio invernoso, mas não muito!





sexta-feira, 12 de setembro de 2014

domingo, 31 de agosto de 2014

O Papel da Ilusão na Nossa Vida



«As ilusões», dizia-me o meu amigo, «talvez sejam em tão grande número quanto as relações dos homens entre si ou entre os homens e as coisas. E, quando a ilusão desaparece, ou seja, quando vemos o ser ou o facto tal como existe fora de nós, experimentamos um sentimento bizarro, metade dele é a lástima da fantasia desaparecida, a outra metade é a surpresa agradável diante da novidade, diante do facto real». 

Charles Baudelaire, in 'Pequenos Poemas em Prosa'

sexta-feira, 30 de maio de 2014

ODE À PAZ

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
                               deixa passar a Vida!

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"

quinta-feira, 29 de maio de 2014

«A intolerância pode ser aproximadamente definida como a indignação dos que não têm opinião.»



Gilbert Keith Chesterton, conhecido como G. K. Chesterton, (Londres, 29 de Maio de 1874 — Beaconsfield, 14 de Junho de 1936) escritor, poeta, narrador, ensaísta, jornalista, historiador, biógrafo, teólogo, filósofo, desenhista e conferencista britânico.. É conhecido como o "príncipe do paradoxo" pelo conteúdo argumentativo brilhante da sua obra. Jorge Luis Borges afirmava: "Toda a boa literatura é uma forma de alegria, e nenhum autor me deu tantas alegrias quanto Chesterton".
As suas obras de ficção ficaram conhecidas pelo humor absurdo. The Napoleon of Notting Hill e The Man who was Thursday são as mais famosas.
Li: The Man who was Thursday

«A arte vence a monotonia das coisas assim como a esperança vence a monotonia dos dias».

«Devo o meu sucesso a ouvir respeitosamente os melhores conselhos e depois fazer o contrário ».


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Amnistia Internacional

A Amnistia Internacional, é uma organização não governamental que defende os direitos humanos.
A Amnistia Internacional foi fundada em 1961 pelo advogado britânico Peter Benenson, na sequência de uma notícia publicada no ano anterior pelo jornal Daily Telegraph sobre a condenação de dois jovens estudantes portugueses a sete anos de prisão, por gritarem "viva a liberdade" numa esplanada no centro de Lisboa durante o regime de Salazar. Benenson apelou aos países que libertassem pessoas detidas por motivos de consciência, incluindo convicções políticas e religiosas, preconceitos raciais ou linguísticos.
O movimento foi formalmente lançado com a publicação, em 28 de Maio desse ano, no jornal The Observer, do artigo The Forgotten Prisioners, denunciando vários casos mundiais.

GOLPE DE ESTADO

Em 28 de Maio de 1926, pôs fim à Primeira República portuguesa e implantou a ditadura, que trouxe Salazar e O Estado Novo. 
A revolução começou em Braga, comandada pelo general Gomes da Costa, sendo seguida de imediato em outras cidades como Porto, Lisboa, Évora, Coimbra e Santarém. Consumado o triunfo do movimento, a 6 de Junho de 1926, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, Gomes da Costa desfila à frente de 13 mil homens, sendo aclamado pelo povo da capital.
Depois de 18 anos anos de uma república atribulada, com governos a sucederem-se a um ritmo alucinante (23 ministérios entre 1920 a 1926), a Primeira Guerra, que foi um desastre para os portugueses e uma grande crise económica.



UM POUCO DE HISTÓRIA E COM UMA CERTA ASSOCIAÇÃO À MUDANÇA DE PARADIGMAS!

Em 1871 Antero de Quental leu as CAUSAS DAS DECADÊNCIAS DOS POVOS PENINSULARES, incluídas nas célebres CONFERÊNCIAS DO CASINO. Antero explicou dentro do seu ponto de vista, as três razões dessa realidade.
1 - A contra reforma feita pelos jesuítas
2 - A centralização política pela monarquia absoluta, com a perda das liberdades medievais.
3 - O sistema económico criado pelos descobrimentos.

[As Conferências do Casino ou Conferências Democráticas do Casino Lisbonense realizaram-se na primavera de 1871. Foram impulsionadas pelo poeta Antero de Quental, que, sob a influência das ideias revolucionárias de Proudhon, insuflou no chamado grupo do Cenáculo (também conhecido como Geração de 70), de que faziam parte: Adolfo Coelho, Antero de Quental, Augusto Soromenho, Augusto Fuschini, Eça de Queirós, Germano Vieira Meireles, Guilherme de Azevedo, Jaime Batalha Reis, Oliveira Martins, Manuel Arriaga, Salomão Sáragga e Teófilo Braga, o entusiasmo pela sua realização. O Cenáculo reunia jovens escritores e intelectuais de vanguarda.]

As Conferências do Casino são uma réplica à anterior Questão Coimbrã,.também conhecida como Questão do Bom Senso e Bom Gosto, polémica literária ocorrida em meados do século XIX em Portugal. Contrapunha os defensores do status quo, desactualizados em relação à cultura europeia, e um grupo de jovens escritores estudantes em Coimbra, que tinham assimilado as ideias novas.

Este foi um facto histórico, destacado no dia de hoje por Sena Santos e embora a situação actual de Portugal seja bastante diferente, penso que seria muito positivo, na situação em que nos encontramos, em que todos falam em mudanças de paradigmas, existir um movimento de pessoas íntegras, desvinculadas dos partidos, que debatessem os problemas que estamos a atravessar.
Eu já estou farta de ouvir debates, em que as figuras principais são políticos ou ex-políticos, que se fizeram comentadores, mas nunca são pessoas neutras ou até mesmo os «Prós e os Contras», que põem frente a frente, os sim e os não, gerando-se uma grande algazarra e cujo final acaba por ser sempre um «nim», pouco esclarecedor. Eu sei que a Fátima Campos Ferreira, deve ter muito trabalho na elaboração do programa, mas penso, que dentro do painel seleccionado vai haver uma certa «guerrazinha» e sempre muito pouco esclarecimento.



sábado, 24 de maio de 2014

Bob Dylan



Bob Dylan (nome artístico de Robert Allen Zimmerman; Duluth, 24 de Maio de 1941), cantor e compositor de música Folk.
Nascido no estado de Minnesota, neto de imigrantes judeus russos, aos dez anos de idade Dylan escreveu os seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho. Começou a cantar em grupos de rock, imitando Little Richard e Buddy Holly, mas quando foi para a Universidade de Minnesota em 1959, voltou-se para a folk music, impressionado com a obra musical do lendário cantor folk Woody Guthrie.
Em 2004, foi eleito pela revista Rolling Stone o 7º maior cantor de todos os tempos e, pela mesma revista, o 2º melhor artista da música de todos os tempos, ficando atrás somente dos Beatles, e uma de suas principais canções, "Like a Rolling Stone", foi escolhida como a melhor de todos os tempos.



Influenciou grandes nomes do rock americano e britânico dos anos de 1960 e 1970. Em 2012, Dylan foi condecorado com a Medalha Presidencial da Liberdade pelo presidente dos Estados Unidos Barack Obama.




Um corpo é um corpo. Uma mulher pode ser surda, idiota, mutilada e cega e ainda possuir alma e compaixão. É isso que importa para mim."
• "Às vezes em minhas canções sou eu falando comigo."
• "Sempre fui atraído por certo tipo de mulher. É a voz, mais do que qualquer coisa. Ouço primeiro a voz."
• "Ouvir Elvis é como escapar da prisão."
• "Eu fazia canções, não eram sermões. Se examinarem as canções, não acredito que encontrem nada que digo que sou porta-voz de alguém ou de alguma coisa"

"Nada supérfluo pode legitimamente pertencer a nós, enquanto outros passam necessidades."

Um bom principio, mas nos tempos de hoje, muito longe, longe...assim pensava Jean-Paul Marat (24 de Maio de 1743 - 13 de Julho de 1793) médico, filósofo, teórico político e cientista mais conhecido como jornalista radical e político da Revolução Francesa. 
Defendia, através de seu jornal L'Ami du peuple, reformas básicas para as camadas até então tidas como inferiores pela sociedade da época. A sua persistente perseguição, voz consistente e grande inteligência, conquistaram a confiança do povo e fizeram dele a principal ponte entre eles e o grupo radical Jacobino, que chegou ao poder em 1793. Por meses liderando um movimento para derrubar a facção Girondina, tornou-se uma das três figuras de destaque na França, juntamente com Georges Danton e Maximilien Robespierre.
Marat foi assassinado por Charlotte Corday, uma simpatizante dos girondinos, com uma punhalada no peito enquanto tomava banho.

Pintura: Marat - Jacques Louis David



REGRESSO AOS BLOGUES!!

Regressei aos blogues, depois de um afastamento por enfastiamento e questionando-me se o blogue é importante ou não! Claro, que é importante, segundo a importância que cada um der ao mesmo, constato no entanto, que há conteúdos sem a menor ponta de interesse, para quem lê!
Decidi agora ter como principal orientação a transmissão dos meus conhecimentos e das pesquisas que vou fazendo e, a partir deste propósito, quem quer lê ou não e obviamente que também pode questionar ou rectificar, mas por favor dispenso comentários piegas ou lisonjeiros, assim como também comentários, absolutamente afastados do assunto abordado.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

"A Europa real é uma colecção de identidades que já não têm a capacidade de se viver plenamente como nações, nem a força de querer e de imaginar a futura Europa como uma nova espécie de nação"

Eduardo Lourenço de Faria (São Pedro de Rio Seco, 23 de Maio de 1923) professor e filósofo português.
Oriundo de uma pequena aldeia da Beira Interior. Mudou-se para a Guarda e ingressou no Colégio Militar, Em 1940, foi estudar para a Universidade de Coimbra e encontrou aí um ambiente aberto e propício à reflexão cultural que sempre haveria de prosseguir. Obtém a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas. Torna-se assistente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É nesse período que publica o seu primeiro livro, Heterodoxia (1949), que reúne uma parte da sua tese de licenciatura, O Sentido da Dialéctica no Idealismo Absoluto. Em 1949 realiza um estágio na Universidade de Bordéus. Leitor de Cultura Portuguesa, entre 1953 e 1955, nas universidades de Hamburgo e Heidelberg, exerce a mesma actividade na Universidade de Montpellier, de 1956 a 1958. Após um ano passado na Universidade Federal da Bahia, como professor convidado de Filosofia, passou a viver em França, em 1960.
Fixou residência em Vence, em 1965. Foi leitor na Universidade de Grenoble, de 1960 a 1965, e maître assistant na Universidade de Nice, até 1987, onde passou a maître de conferences, em 1986. Tornou-se professor jubilado em Nice, em 1988.
Em 1989 assume funções como conselheiro cultural junto da Embaixada Portuguesa em Roma, até 1991. Desde 1999 ocupa o cargo de administrador (não executivo) da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
---
Influenciado pela leitura de Husserl, Kierkegaard, Nietzsche, Heidegger, Sartre ou pelo conhecimento das obras de Dostoievski, Franz Kafka ou Albert Camus, foi associado de um certo modo ao existencialismo, sobretudo por volta dos anos cinquenta, altura em que colaborou na Árvore e se tornou amigo de Vergílio Ferreira. Nunca se deixou enfeudar, a qualquer escola de pensamento, já que, embora favorável a ideias de esquerda, nunca abandonou uma atitude crítica perante essa esquerda.
Crítico e ensaísta literário, virado predominantemente para a poesia, assinou ensaios polémicos como Presença ou a Contra-Revolução do Modernismo Português? ou um particular estudo sobre o neo-realismo intitulado, Sentido e Forma da Poesia Neo-Realista (1968). Aproximou-se da modernidade, da obra de Fernando Pessoa, a propósito da qual deu à estampa o volume Pessoa Revisitado (1973), ou Fernando Rei da Nossa Baviera (1986). Indiferente à sucessão de correntes teóricas, e fugindo tanto ao historicismo como a pretensas análises objectivas, a perspectiva de Lourenço influenciou já outros autores, como por exemplo Eduardo Prado Coelho e encontra-se enunciada num livro central, Tempo e Poesia (1974).
«Labirinto da Saudade», Psicanálise Mítica do Destino Português, foi um dos seus livros de maior sucesso


"A Cultura não é o lugar de revelação alguma, é apenas o lugar onde todas as revelações são examinadas e discutidas sem fim. Para que cada um de nós possa viver dessa discussão infinita do mundo e de si mesmo."

quinta-feira, 22 de maio de 2014

ANDO MUITO AGONIADA!!!

Como os deputados justificam faltas por doença.
Sim, são os mesmos que legislaram sobre a suspensão do vencimento nos 3 primeiros dias de um atestado médico!
Alguém está surpreendido com isto?
Então alguém esperava que os rapazes( eleitos pelo povo para defender os seus interesses- leia-se do povo-) defendessem senão os "seus" interesses?
No D.R. nº 60 1ª série de 26 de Março de 2009.
Resolução nº21/2009 da Assembleia da Republica
Aprova o regime de presenças e faltas npo Plenário........
7 — A palavra do Deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais.
Quando for invocado o motivo de doença, poderá, porém, ser exigido atestado médico caso a situação se prolongue por mais de uma semana.
8 — Para efeitos do eventual exercício....










Liberdade, Estado, Igualdade e Fraternidade, são as bases da Sociedade

Politicamente falando, não há mais do que um princípio - a soberania do homem sobre si mesmo. Essa soberania de mim e sobre mim chama-se Liberdade. Onde duas ou mais destas soberanias se associam principia o Estado. Nesta associação, porém, não se dá abdicação de qualidade nenhuma. Cada soberania concede certa quantidade de si mesma para formar o direito comum, quantidade que não é maior para uns do que para os outros. Esta identidade de concessão que cada um faz a todos chama-se Igualdade. O direito comum não é mais do que a protecção de todos dividida pelo direito de cada um. Esta protecção de todos sobre cada um chama-se Fraternidade. O ponto de intersecção de todas estas soberanias que se agregam chama-se Sociedade.

Victor Hugo, in 'Os Miseráveis'


Victor-Marie Hugo (Besançon, 26 de Fevereiro de 1802 — Paris, 22 de Maio de 1885)

terça-feira, 20 de maio de 2014

sábado, 8 de março de 2014

O Dia da Mulher serve para alguma coisa?



Com certeza que sim! Serve para lembrar umas heroínas, que gradualmente foram-se impondo a uma subjugação de séculos com o interesse e o beneplácito da Igreja Católica, foi necessário usar o «músculo» da persistência, para que a mulher usufruísse de um lugar na sociedade em paralelo com o homem. 
Como disse José Saramago:  «Durante séculos, a mulher teve de pedir autorização ao seu marido ou ao seu pai para fazer fosse o que fosse. Como é que pudemos viver assim tanto tempo condenando metade da humanidade à subordinação e à humilhação?»
Muitas conquistas foram alcançadas, apesar de ainda existir um machismo ainda evidente na sociedade e na família, algo que existe contrariando as leis que foram estabelecidas para promover a equidade. Obviamente, que noutra parte do mundo ainda é exercida uma aviltação sobre as mulheres, como todos nós sabemos!
Concordo com Alice Munro:
Não tenho sempre a certeza do que se quer dizer com «feminista». Ao princípio costumava dizer, bem, claro que sou uma feminista. Mas se tal significa que sigo uma espécie de teoria feminista, ou que sei alguma coisa sobre isso, então eu não sou. Penso que sou uma feminista tanto quanto penso que a experiência das mulheres é importante. Essa é realmente a base do feminismo. 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Há notícias que me assombram!


314 MIL PESSOAS COM MAIS DE 60 ANOS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA NUM ANO

Nestes números contabilizados, sempre fica por saber exactamente o número real, as mulheres em percentagem, são as maiores vítimas e a idade de maior incidência é a partir dos 80 anos.

Este número em ambiente doméstico é de facto impressionante, os meios de exercer esta violência são diversos: violência física ( empurrar, puxar, agarrar, amarrar, cortar, bater, trancar num quarto); violência psicológica (ameaçar, abandonar, agredir, castigar, humilhar); violência financeira (roubar, abusar, exigir bens); violência sexual (coação sexual, violação, abuso sexual): Negligência (não tratar das pessoas)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

CUENTO CORTO DE GARCIA MÁRQUEZ


Un científico, que vivía preocupado con los problemas del mundo, estaba resuelto a encontrar los medios para aminorarlos.
Pasaba días en su laboratorio en busca de respuestas para sus dudas.

Cierto día, su hijo de 7 años invadió su santuario decidido a ayudarlo a trabajar.


El científico, nervioso por la interrupción, le pidió al niño que fuese a jugar a otro lado.


Viendo que era imposible sacarlo, el padre pensó en algo que pudiese darle con el objetivo de distraer su atención.


De repente se encontró con una revista, en donde había un mapa con el mundo, justo lo que precisaba.


Con unas tijeras recortó el mapa en varios pedazos y junto con un rollo de cinta se lo entregó a su hijo diciendo: " como te gustan los rompecabezas, te voy a dar el mundo todo roto para que lo repares sin ayuda de nadie".


Entonces calculó que al pequeño le llevaría 10 días componer el mapa, pero no fue así. 


Pasadas algunas horas, escuchó la voz del niño que lo llamaba calmadamente.


"Papá, papá, ya hice todo, conseguí terminarlo".


Al principio el padre no creyó en el niño! 


Pensó que sería imposible que, a su edad hubiera conseguido recomponer un mapa que jamás había visto antes. Desconfiado, el científico levantó la vista de sus anotaciones con la certeza de que vería el trabajo digno de un niño.


Para su sorpresa, el mapa estaba completo.


Todos los pedazos habían sido colocados en sus debidos lugares.


¿Cómo era posible? ¿Cómo el niño había sido capaz?


De esta manera, el padre preguntó con asombro a su hijo: 


Hijito, tú no sabías cómo era el mundo, ¿cómo lo lograste? 


Papá, respondió el niño; yo no sabía como era el mundo, pero cuando sacaste el mapa de la revista para recortarlo, vi que del otro lado estaba la figura de un hombre.


Así que di vuelta los recortes y comencé a recomponer al hombre, que sí sabía como era.


"Cuando consegu í arreglar al hombre, di vuelta a la hoja y vi que había arreglado al mundo".


GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

BULLYING


A PROF. MERECE O NOSSO APLAUSO PELA VISÃO PEDAGÓGICA DEMONSTRADA. TODOS TEMOS FILHOS, NETOS OU AMIGOS COM CRIANÇAS QUE PODEM SER VÍTIMAS. 

Uma professora quis ensinar à sua turma os efeitos do bullying.
Pediu-lhes para seguirem as seguintes instruções. Deu a todos os alunos uma folha de papel e disse-lhes para amachucarem, e para deitarem para o chão e para pisarem.

Resumindo, podiam estragar a folha o mais possível mas não rasga-la.
As crianças estavam entusiasmadas e fizeram o seu melhor para amachucarem a folha, tanto quanto possível.

A seguir a professora pediu-lhes para apanharem a folha e abri-la novamente com cuidado, para não rasgarem a mesma. Deviam de endireitar a folha com muito cuidado o mais possível. A senhora chamou-lhes atenção para observarem como a sua folha estava suja e cheia de marcas. Depois pediu-lhes para as crianças pedirem desculpa ao papel em voz alta, enquanto o endireitavam. Eles mostravam o seu arrependimento e passavam as mãos para alisarem o papel, mas a folha não voltava ao seu estado original.

Os vincos estavam bem marcados.

A professora pediu para que olhassem bem para os vincos e marcas no papel. E chamou-lhes atenção para o facto que estas marcas NUNCA mais iriam desaparecer, mesmo que tentassem repara-las.

“É isto que acontece com as crianças que são “gozadas” por outras crianças”, afirmou a professora.

Podes dizer: Desculpa, podes tentar mostrar o teu arrependimento, mas as marcas, essas ficam para sempre.

Os vincos e marcas no papel não desapareceram, mas as caras das crianças deram para perceber que a mensagem da professora foi recebida.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Remorsos de um encenador de teatro por FILIPE LA FÉRIA



Muita gente me acusa de ser o culpado do estado de desgraça do nosso país por ter reprovado Pedro Passos Coelho numa audição em que eu procurava um cantor para fazer parte do elenco de My Fair Lady. Até o espertíssimo gato fedorento Ricardo Araújo Pereira já afirmou que eu devia ser chicoteado em público todos os dias até Passos Coelho desistir de ser primeiro-ministro, como insistentemente o aconselha o Dr. Soares.
Na verdade, confesso que em 2002, quando preparava os ensaios para levar à cena My Fair Lady fiz uma série de audições a cantores para procurar o intérprete do galã apaixonado por Elisa Doolittle, a pobre vendedora de flores do Covent Garden, personagem saída da cabeça brincalhona e maniqueísta de Bernard Shaw, genial dramaturgo que no seu tempo se fartou de gozar com políticos. Entre muitos concorrentes à audição, apareceu Pedro Passos Coelho de jeans, voz colocada, educadíssimo e bem-falante. Era aluno de Cristina de Castro, uma excelente cantora dos tempos de glória do São Carlos que tinha sido escolhida por Maria Callas para contracenar com a diva naTraviata quando da sua passagem histórica por Lisboa. As recomendações portanto não podiam ser melhores e a prova foi convincente. Porém, Passos Coelho era barítono e a partitura exigia um tenor. Foi por essa pequena idiossincrasia vocal que Passos Coelho não foi aceite, o que veio a ditar o futuro do jovem aspirante a cantor que, em breve, ascenderia a actor protagonista do perverso musical da política. Se não fosse a sua tessitura de voz de barítono, hoje estaria no palco do Politeama naGrande Revista à Portuguesa a dar à perna com o João Baião, a Marina Mota, a Maria Vieira, e talvez fosse muitíssimo mais feliz. Diria mal da forma como o Estado trata a cultura em Portugal, revoltar-se-ia com os impostos que o teatro é obrigado a pagar, saberia que um bilhete que é vendido ao público a dez euros, sete vão para o Estado, teria um ataque de nervos contra os lobbies da Secretaria de Estado da Cultura, há quarenta anos sempre os mesmos... não saberia sequer o nome do obscuro e discretíssimo secretário da Cultura oficial, não perceberia porque em Portugal não há uma Lei do Mecenato que permita aos produtores de espectáculos cativar os mecenas, tal é a volúpia cega dos impostos, saberia que cada vez mais há artistas no desemprego em condições miserabilistas e degradantes, que fazer teatro, cinema ou arte em Portugal se tornou um acto de loucura e de militância esquizofrénica. Mas a cantar no palco do Politeama estaria bem longe da bomba-relógio do Dr. Paulo Portas, cada vez mais fulgurante como pop-star, da troika, agora terrível e pós-seguramente medonha, das reuniões de quinta-feira com o Senhor Professor, do Gaspar que se pisgou para o Banco de Portugal, dos enredos do partido bem mais enfadonhas do que as animadas tricas dos bastidores do teatro, das reuniões intermináveis com os alucinados ministros, das manifestações dos professores, dos polícias, dos funcionários públicos, dos pescadores, dos estivadores, dos reformados, dos trabalhadores de tudo o que mexe e não mexe em cima deste desgraçado país, ah!, e das sentenças do Palácio Ratton que agora são chamadas para tudo, só para tramarem a cabeça intervencionada do pobre Pedrinho... não bastava já as constantes birrinhas do Tó Zé Seguro, as conversas da tanga do Dr. Durão Barroso, o charme cínico e discreto de Madame Christine Lagarde, as leoninas exigências da mandona da Europa para Bruxelas assinar a porcaria do cheque. Valha-me o Papa Francisco que tudo isto é de mais para um barítono!
Assumo o meu mais profundo remorso. Devia ter proporcionado ao rapaz um futuro mais insignificante mas mais feliz. Mas, tal como Elisa Doolittle, que depois de ser uma grande dama prefere voltar a vender flores no mercado de Covent Garden, talvez o nosso herói renegue todas as vaidades e vicissitudes da política e suba ao palco do Politeama para interpretar a versão pobrezinha mas bem portuguesa de Os Miseráveis!
PS. O artigo foi escrito em português antigo. No Teatro Politeama nem as bailarinas russas aderiram ao Acordo Ortográfico.
LA FÉRIA -  Encenador e dramaturgo. Diplomou-se em Londres com uma bolsa da Fundação Gulbenkian, foi director da Casa da Comédia. Com "What happened to Madalena Iglésias" iniciou e revitalizou o teatro ligeiro

domingo, 5 de janeiro de 2014

BOM ANO!!


Afastada aqui destas lides, já tarde, mas sempre tempo, um bom 2014.

Os meus desejos para 2014, no aspecto pessoal, são simples. Conheço pessoas que fazem balanços e que fazem lista de desejos e desejam o possível e o impossível. Eu não desejo nada, a não ser o que desejo dia a dia, mantenho as expectativas em baixo. Se esperar grandes coisas vou sentir o gosto amargo da decepção. Claro que tenho ambições, claro que tenho coisas a mudar. Mudar é bom. A «necessidade» de mudar é boa. Mas não adianta fixar-me com grande alarde nisso, isso só me pode inquietar.
As pessoas refinaram os desejos, parece que todos ou grande parte, querem ser pessoas fora de série sempre em cima da onda e assim está cada vez mais difícil ser uma pessoa banal. A internet, a televisão, as revistas especializadas dão cabo do equilíbrio de uma pessoa, para mim isto é gente banal, que vive na ilusão que é gente fora de série.
Como bem diz o meu amigo Paulo Farinha: «Para 2014 desejem menos. E dêem mais.»