A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 23 de março de 2010

AMOR SOLÚVEL

"Amor Solúvel" para dissolver numa "vasilha metafórica",
comédia musical, de Carlos Tê, sobre o amor em formato de consultório sentimental.
A peça encena um consultório sentimental transmitido em directo de um estúdio de televisão. O professor Dionísio (Romeu Costa) fala sempre em código metafórico e desdobra-o para dissecar, de ponta a ponta, o que sabe do amor. Refugia as teorias na ciência, como se patenteasse as suas suposições sobre o amor.
No final, é ele que passa da posição de dissecar o amor, para ele próprio se cansar de não o perceber. Nas palavras de Carlos Tê, "o professor é um estereótipo muito especial dos professores que abordam esse tipo de temas na televisão e na rádio. Este acaba por sofrer essa inversão" quase catársica de quem passa a sofrer dos problemas que resolve.
Mónica, a apresentadora (Joana Manuel), modera o programa, mas cedo começa a tentar ela própria perceber o amor. Paralelo ao programa passa a haver uma "micro guerra dos sexos", em que a apresentadora se preocupa em contrapor certezas, na sua opinião, machistas, que o professor tenta disfarçar de ciência.
A música na peça: É a partir dos momentos musicais que as personagens quebram defesas e demonstram aquilo que as câmaras não vêem. É a canção que abre espaço para todas as intervenções que se dissolvem na "vasilha metafórica" das definições de todos.
Luísa Pinto, a encenadora, fala nas implicações que, a inclusão destes momentos têm, no processo de construção da peça. «O processo tem logo implicações ao nível do casting. Eu tinha que contratar actores que soubessem cantar muito bem. Isso foi o mais complicado».
"Amor Solúvel" acaba por roçar o registo de ensaio, visitando várias concepções de amor e formulando hipóteses de teorias sobre tudo o que o envolve. As respostas dirigem-se tanto aos espectadores que enviam as questões, como para todos os que assistem. Tudo sob um pendor cómico e assumidamente irónico.
As letras das músicas são de Carlos Te e a música de Hélder Gonçalves (dos Clã), Manuela Azevedo e outros.



RELATIVAMENTE AO TEXTO, LEMBREI UMAS COISAS, ACRESCENTEI OUTRAS. ESTA PEÇA ERA PARA 12 ANOS, O QUE ESCREVO PODE SER CONSIDERADO DE MAU GOSTO, MAS A PEÇA ERA MUITO MAIS MALICIOSA, EMBORA SEM PALAVRÕES...
Casamento uma ilusão, passa uma moça toda a sua juventude a sonhar com isso!…Vem os filhos. Põe fralda, tira fralda, faz biberão, muda a fralda e ao mudar já é preciso outra, embala, que embala, parece que está a dormir, deita-se na cama e dispara a gaita…uhaaa, mais embala que embala, altas horas da noite, os vizinhos estão a dormir e a criança berra, como ele berra, é dos intestinos, dos dentes…pomadinha para isto, remedinho para aquilo… depois toca o despertador e fica tudo alvoraçado!...Arranjar o bebé para o levar, fazer a saca, preparar as coisas, sair para a rua, meter no carro, muito trânsito, o tempo é galopante e… entrar no emprego a bufar… e bufando a maratona, dar atenção a isto, dar atenção aquilo…À noite é tudo igual…Depois os bebés vão crescendo e nem sempre as coisas se tornam mais fáceis…mas o romantismo depois de tudo isto perde-se…o homem começa a derivar para o clubismo, o coleccionismo…e os dois fazem projectos para uma casa, um carro novo, móveis, férias…ir a Machu Pichu, andar horas e horas de avião e ir ver umas pedras, com ervas á volta e uns indígenas a vender «souvenirs» e a cantar «Quando o candor passa»….tudo para entreter…e as saudades dos filhos, sempre a estragar tudo!...Ah…como eram felizes no seu carro «charuto» comprado em terceira ou quarta mão, a deitar fumo por todos os lados, com o carburador a ferver, pronto para fazer um chá e com a mochila do campismo, a dormir no chão duro, na fila para tomar um duche, a comer às vezes umas sandes…Ah…como eles se divertiam e se riam e no fim acabavam em «pugilatos» de sexo!…
Depois no casamento (ou união de facto), não são dois e uma cabana, são dois núcleos familiares duros que se vão juntar, os pais, irmãos, tios, sobrinhos, primos, avós…eu sei lá!...Como gerir tudo isto? Dá zanga entre os dois pela certa!..Hoje quero ir a casa dos meus pais!...Nem penses, eu quero ir para a praia!…Os meninos ficam a olhar para um e para o outro, sem saberem para onde vão…
Claro, deixemos-nos de coisas há sempre o subjugador e o subjugado, o exemplo mais flagrante é o sexo à missionário…mas mesmo que seja ao contrário o paradigma tem barbas…Queres fazer amor? Não é tão prosaico? Alguém dirá queres dar uma queca? Nada dizem, vão-se aproximando, mas quando o dia não correu bem entre eles é problemático…
Uma mulher é mais de afectos…não sei…dizem que sim, já não tenho a certeza!...Ao fim de certo tempo o homem não quer perder muito tempo e deixa de fazer os trabalhos manuais!...Lá vem a rotina…Dizem que o vibrador é dos objectos mais vendidos… Para ela um homem mesmo sexy, aparece nu apenas com um avental, é um homem que se interessa pelas coisas domésticas, que está pronto a fazer um jantar…ou então aparece impecavelmente vestido, com aquele perfume, que a convida para um jantar romântico…comem e bebem demais…depois ela chega a casa e diz «estou com dor de cabeça»…
No «amour fou», tudo é perfeito, mas depois cai-se na realidade… ela gosto de um género de filmes, ele gosta de outros, quase sempre é uma luta entre o romantismo e o policial e o terror, ela quer passear, ele quer ficar em casa, ela gosta de ouvir música, ele só quer sofá/televisão, ela gosta de arroz, ele de batatas…etc…etc…Bolas!?...Quem andou a enganar quem!?...
-Olha tu fazes o que gostas e eu vice-versa…
-Mas afinal porque casamos, para cada um fazer vida diferente?
Depois pode surgir o outro ou a outra, são perfeitos, tão perfeitos, que ela ou ele se cansam de ser ela ou ele!?...E vida dupla é dose!?...Vale mais acabar…e depois ele puxa por isto, ela puxa por aquilo e as «crianças meu deus, porque lhes dás tanta dor, porque padecem assim?»
O ideal do amor, parece ser o «
Coup de foudre » à porta da caverna de Platão!?...
Ele vê-a a passar loira e deliciosa, no seu cabriolet vermelho…
Ela vê-o passar moreno e sedutor, no seu cabriolet (esqueceu-se da cor)…
Sorri, pode receber um sorrizinho…pode acenar…e tudo passa veloz! Amanhã há mais….até lá, pode ir até casa fazer o almoço ou comer o almoço, dormir a sesta e entrar nesse cabriolet em sonhos, para a terra prometida, onde no sonho seu, tudo acontece como deseja…
Só queremos o que não temos, só estamos vem onde não estamos!?...

segunda-feira, 22 de março de 2010

DESEJO BOA DISPOSIÇÃO...

Gostam de opereta? Eu adoro!...A música para mim é fundamental, qualquer género musical, logo que eu goste... e eu gosto de muitas músicas...e também de opereta, que considero divertida, ie diverte-me...

DOIS EXEMPLOS:

JACQUES OFFENBACH, dizem os especialistas, que foi quem escreveu as primeiras operetas e compôs muitas, mas as mais famosas são: La Belle Hélène,Orphée aux enfers e Les contes d'Hoffmann.



FRANZ LEHÁR, compositor austríaco, conhecido principalmente pelas suas operetas: Giuditta, Der Graf von Luxemburg, Das Land des Lächelns, Die lustige Witwe, Paganini, Der Zarewitsch. O seu maior sucesso foi Die lustige witwe (A viúva alegre).


DIA MUNDIAL DA ÁGUA

RECURSO DE PRIMEIRA NECESSIDADE A PRESERVAR!?...

CÂMARA CLARA

Este é um programa da televisão, do qual sou assídua e ontem foi todo dedicado à poesia, em Dia Mundial da Poesia. Só lamentei o tempo ter passado tão depressa, porque estaria a ouvir poesia pela noite fora. Com tão grandes poetas que temos, ficou-me realmente o «sabor a pouco».





Câmara Clara, fez-me lembrar o ensaísta Roland Barthes, possivelmente o nome do programa partiu daí, do livro.


CÂMARA CLARA de Roland Barthes, 1980

Roland Barthes, por tudo que foi, não morreu: filósofo, teórico, escritor, entre mil e outras coisas. Um nome importante da semiótica. Câmara Clara é uma meditação sobre a fotografia, a vida e a morte. Um texto com uma escrita precisa, analítica, emocional, que nem sempre é fácil de devorar. Um carácter emocional que nasce de uma simples foto da sua mãe em contraste com a linguagem analítica sobre a imagem fotográfica. A essência da fotografia e a morte de um ente querido. A mão do homem sobre a imagem, ligada a um referente. Uma viagem com Barthes na busca do significado da fotografia, que resulta num ensaio obrigatório para quem pretende entender a essência da imagem, os segredos por trás da fotografia. O efeito da fotografia no espectador. O Punctum, o Studium... Um conflito interno, que discute o despertar de sentimentos que certas fotografias despertam e outras não. A fotografia separada de uma cultura, sociedade ou tempo. O Punctum é o que importa. O que nos toca. O que nos relaciona com a imagem, com o objecto, com o referente. Nem sempre encontramos o Punctum. Não ficamos tristes, apenas mais radiantes quando o encontramos. Um texto crítico, académico, obrigatório sobre a fotografia, de um não-fotógrafo.



O GRÃO DA VOZ, reune vários ensaios de Roland Barthes, é um dos livros que releio com certa frequência.

domingo, 21 de março de 2010

PRIMAVERA E POESIA...

Primavera - BOTTICELLI

ESPERANÇA

Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.
Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera
Tudo que vem é grato.

FELICIDADE

Cada dia sem gozo não foi teu:
Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.
Não pesa que amas, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco, se te é grato.
Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega
A natural ventura!

RICARDO REIS

100 MIL VOLUNTÁRIOS A «LIMPAR PORTUGAL»

A chuva não esmoreceu empenho dos cerca de cem mil voluntários que ontem ajudaram a Limpar Portugal. Nem a chuva que se fez sentir em vários pontos do País desmoralizou aqueles que pretendiam dar um exemplo à sociedade. De acordo com a organização, cerca de cem mil voluntários estiveram ontem no terreno a limpar lixo em mais de dez mil pontos previamente assinalados. E o balanço provisório não deixa dúvidas quanto ao seu trabalho: recolheram-se cerca de 50 mil toneladas de lixo, o equivalente, ao peso de 280 aviões Airbus A330.
Frigoríficos, sofás, pneus, garrafões, restos de veículos ou entulho de obras. De tudo os milhares de voluntários de todas as idades encontraram, e recolheram, ao longo do dia, em parques, serras, praias ou simplesmente no meio da rua.


UM DESAFIO SE IMPÕE AGORA A MILHÕES DE PORTUGUESES NÃO SUJAR PORTUGAL

sexta-feira, 19 de março de 2010

HOSPITAL DE SANTO ANTÓNIO

Andei pelo Hospital de Santo António e contrariamente às queixas que por vezes leio nos jornais, eu não tenho absolutamente nenhuma queixa a fazer e não tive os tais «conhecimentos»!.. As instalações, pelo menos em cardiologia, são muito razoáveis e se eu comparar, como eram há uns anos, em que o meu pai teve que estar lá hospitalizado meses e, apesar de na altura ser uma miúda, lembro-me muito bem de quão decrépito era o hospital, com as suas camas de ferro sem cor definida e umas enfermarias enormes, onde os doentes por vezes não podiam dormir, com outros ao lado a morrer.
Relativamente aos médicos, enfermeiros, auxiliares, mensageiros, a todo o pessoal que trabalha só posso dizer o melhor possível. Tive todas as informações necessárias, inclusivamente frente a um cartaz onde se encontrava um coração aberto, o Prof. Chefe da Unidade, explicou-me, a situação em que se encontrava o meu marido e o que iam fazer.
Claro que ontem o meu marido, que se encontrava nos cuidados intensivos, era o primeiro logo de manhã a fazer um cateterismo e só acabou por o fazer às 18 horas, mas isso deveu-se às urgências que ocorreram e de vidas em situação de maior perigo, que tinham que ser salvas, já que nestes casos o tempo é importante.
Andando por lá, pude apreciar muita coisa. Por exemplo, logo na sala de espera, uma senhora idosa numa cadeira de rodas, acompanhada de uma rapaz e de uma mulher. Esta mulher passou todo o tempo a ralhar com um e com outro, naquela voz agressiva e rouca, das pessoas que estão sempre a falar aos berros. Uma mãe com um filho irrequieto. A criança subia e descia da cadeira, punha-se em pé na mesma. Gritava, espoliava-se e a mãe sempre a ameaçar em altos berros, a ameaçar…até que num repente lhe dá uma valente chapada na cara. Lá ficaram os dedos marcados. A criança chorou, berrou e chorou…A educação dá-se em casa, o amor aos filhos, não é só deixar fazer tudo o querem, darem-lhe toda a espécie de guloseimas, beijocarem-nos muito…é muito importante ensinar-lhes o trato social, as boas maneiras, saberem respeitar os locais onde estão.
Na unidade de cuidados intensivos, assisti a uma lamentável cena de um doente ligado a várias máquinas, que arrancou todos os fios a que estava ligado, porque queria ir embora…Primeiro foi um médico conversar com ele, dizer-lhe o risco que corria, com duas artérias obstruídas, que podia sair dali e morrer nas escadas…Debalde, então veio um segundo médico, dizendo-lhe praticamente a mesma coisa e às tantas perguntou-lhe se não tinha família, ao que ele respondeu: Em mim mando eu!?...Acabou por lhe dizer, que tudo bem, aquilo não era nenhuma prisão, mas tinha que assinar um termo de responsabilidade. Assinou e foi embora !...
De facto o que eu pensei é que há pessoas muito difíceis e que por vezes não são tratadas com mais atenções, porque na sua linguagem falta-lhes, o por favor, o obrigada, o desculpe…enfim a educação necessária, para serem tratados também com boa educação.
O meu marido já teve alta e dentro do possível retomarei este nosso convívio virtual. Agradeço a todos que se mostraram sensíveis a esta situação que vivi.

terça-feira, 16 de março de 2010

DEVIDO A DOENÇA SÚBITA DE UM FAMILIAR, VOU FICAR AUSENTE. VOLTO LOGO QUE POSSA.
UM GRANDE ABRAÇO PARA TODOS.

segunda-feira, 15 de março de 2010

MIDORI

Midori estreou-se no Porto com a ONP. Na actualidade tem uma carreira que se destaca no universo da música clássica. Menina-prodígio, debutou com a Orquestra de Nova Iorque aos 11 anos.
Tocou:
Concerto para violino e orquestra nº2 de Johann Sebastian Bach
Sonata nº.1 para violino e orquestra de câmara de Alfred Schnittke
Rondó para violino e orquestra de cordas de Schubert

O Adagio do Concerto de Bach é muito bonito e insinuante espiritualmanete.



MIDORI - CARMEN

CRISE, SIM: DE VALORES (CRÓNICA DE FREITAS CRUZ-JN


É porventura a palavra que mais anda na boca dos portugueses: crise disto e crise daquilo. Ora, crise há, sim, mas é de valores e de princípios - valores e princípios que, entre sorrisinhos, são associados ao conservadorismo de quem os invoca.
Mas princípios e valores que consubstanciam justamente o que nos falta hoje.
Por exemplo, a verdade.
Mente-se muito nos nossos dias. Sem pudor. Vergonhosamente. Descaradamente. Não se trata da pequena aldrabice de feira. Muito menos da mentira piedosa disfarçada de boa acção.
Não! Do que se trata é da mentira objectiva, destinada a obter um efeito desejado por meios desonestos. Meios ilícitos que se chamam fraude.
Dar exemplos é, infelizmente, a tarefa mais fácil deste tempo no espectáculo diário da mentira. Daí, de modo irresponsável e grotesco, a destruição da credibilidade das pessoas e das instituições, cuja principal obrigação é falar verdade - sejam quais forem as consequências.
Duas pequenas, mas expressivas, ilustrações.
Há menos de seis meses, tudo estava bem na economia, para Portugal eram boas as notícias: os portugueses foram a votos sem saberem que, pelo contrário, tudo estava mal e só havia más notícias.
Vem agora o Programa de (duvidosa) Estabilidade e (inexistente) Crescimento e todos os dias nos dizem que os impostos não aumentam. Mas vamos pagar mais.
É indispensável? No ponto a que nos conduziram, parece que sim. Então, porque mentem?

domingo, 14 de março de 2010

DE MÃO DADA...


De mão dada... sempre! A tua mão engolia a minha pequenina. Era muito bom ir passear contigo, tinhas sempre tantas coisas a mostrar-me!?... Museus, jardins, sítios…e tu tinhas sempre acréscimos dos teus conhecimentos e vivências em história, a história dos sítios, que me deixavam encantada. Tu sabias muito e por ti amei o Porto, porque nós éramos uns vadios na cidade, assim sempre de mão dada e uma alegria muito cúmplice. Lembro-me bem dos patos no Jardim da Cordoaria (nunca mais deixei de gostar de patos) e da árvore que diziam ser da forca e, a propósito disso as histórias que tu contavas, de outros tempos que viveste!..Lembro-me de ir às cerimónias do soldado desconhecido, tu apreciavas essas coisas!.. E quando andaste na campanha do Humberto Delgado, a mamã ficava muito nervosa e ficávamos à tua espera cheias de preocupações! E as noites passadas a ouvir rádio... depois querias sintonizar a Rádio Moscovo e colocavas um copo em cima do rádio e dizias que era por causa da PIDE!..
E o que transpiraste para me ensinar a andar de bicicleta? Aos domingos de manhã lá íamos para os jardins do palácio, depois de muitos trambolhões, como era bom pedalar e sentir aquele vento fresquinho no rosto!..
Como posso esquecer como eras bom, tu foste a pessoa que mais gostou de mim, porque só querias ver-me feliz!..Para mim foste a melhor pessoa que conheci na vida, o meu «cavaleiro», o meu «herói», o homem calmo e ponderado que sempre deitava água nas fogueiras!.. Depois cresci, larguei-te a mão, muita coisa aconteceu na minha vida e tu foste sempre o meu maior amigo!..Quem pegou na tua mão depois foi o Pedro, que adoravas e para quem foste o grande companheiro!..
Foi bonito…tanta coisa bonita que vivemos!...A vida é fatal e partiste de repente (14.03) sem um adeus…em teu lugar ficou e permanece uma grande saudade, quem me dera voltar a ser guiada e protegida pela tua mão!?...Tinha tantas coisas para te contar!?...

sexta-feira, 12 de março de 2010

BOM FIM DE SEMANA

Para todos um bom fim de semana!...Com a família ou com amigos…
Há com certeza por aí, um filme que queiram ver, um espectáculo, uma exposição, um passeio, uma esplanada onde sabe bem ter a companhia de um livro, à beira mar, à beira rio ou num jardim com o cheirinho da terra e onde debilmente a natureza, anuncia que está a chegar a Primavera…e está sol... está frio, mas está sol…
Há o «dolce far niente»…dormir sem horas…tomar o pequeno almoço ao almoço, almoçar na hora do lanche, jantar lá pelas tantas…
Fazer o que se gosta…descontraidamente, sem pressas, com prazer…
Como dizia o RAUL SOLNADO, «façam o favor de serem felizes!..»

quinta-feira, 11 de março de 2010

JOAN BAEZ ESTEVE NA CASA DA MÚSICA, PARA FRUIÇÃO DE MUITOS ADMIRADORES

FACEBOOK



AGRADEÇO OS CONVITES QUE ME TÊM SIDO FORMULADOS, PARA ADERIR ÀS REDES SOCIAIS, PRINCIPALMENTE AO FACEBOOK, MAS NÃO QUERO IR POR AÍ, (JÁ LÁ ENTREI PARA VER COMO ERA E NÃO ME CATIVOU) PRECISO DE DIMINUIR O TEMPO NO COMPUTADOR, PARA TER MAIS TEMPO, PARA O EXERCÍCIO FÍSICO, O QUE ME ESTÃO SEMPRE A RECOMENDAR E QUALQUER DIA CHEGA A PRIMAVERA!..

ALÉM DISSO, GOSTO DE BLOGAR, EMBORA ME SINTA PERDIDA NESTE MUNDO QUE É UMA TEIA!..COM 55 SEGUIDORES COMO POSSO SEGUIR TODOS, PARA O MEU TEMPO É IMPOSSÍVEL, O QUE LAMENTO!...GOSTO DE VISITAR E VOU VISITANDO O QUE POSSO, VOU DEIXANDO COMENTÁRIOS NUNS E NOUTROS, ÀS VEZES VOLTO PARA UMA EVENTUAL REACÇÃO AO MEU COMENTÁRIO, MAS DIFICILMENTE COMENTO OS COMENTÁRIOS QUE RECEBO, PORQUE NÃO HÁ TEMPO! NA SEQUÊNCIA DISTO TUDO, PEÇO DESCULPA DAS MINHAS FALTAS. ESTE É UM MUNDO, ONDE TENHO APRENDIDO MUITO E ME MOTIVA A LER AINDA MAIS, PARA ENCONTRAR TEMAS, QUE POSSA TRAZER PARA AQUI. QUANTO À RIQUEZA HUMANA QUE TENHO ENCONTRADO E QUE É MUITO INCENTIVADORA, JÁ NOUTRA ALTURA TIVE OPORTUNIDADE DE ESCREVER SOBRE ISSO.

MORREU ANDREE PEEL, A HEROÍNA DA RESISTÊNCIA FRANCESA


Andrée Peel ( 1905 - 2010), conhecida como "agente Pink" durante a ocupação alemã, foi uma heroína da resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial.
Na Segunda Guerra e após a invasão alemã, entrou na Resistência participando na distribuição de jornais clandestinos. Depois tornou-se chefe de uma subsecção da Resistência. Salvou a vida de 102 jovens soldados e aviadores e ajudou mais de 20.000.
Foi presa em Paris (1944) e enviada para o campo de concentração de Ravensbrück, antes de ser transferida para Buchenwald. Foi libertada pelo exército norte-americano.
Mais tarde, recebeu uma carta de agradecimento Winston Churchill.
Após a guerra, casou com John Peel, em Paris e foi viver para Long Ashton, perto de Bristol.
Foi condecorada com a Legião de Honra, em 2004. No ano seguinte, quando celebrou o seu 100 º aniversário, recebeu uma carta da rainha da Inglaterra. Morreu num lar de idosos em Bristol com 105 anos.

DOURO INTERNACIONAL-PATRIMÓNIO MUNDIAL

Zona lindíssima de Portugal, há poucos anos descoberta como destino turístico e cujo interesse tem sido crescente. A taxa de ocupação hoteleira, durante o Verão em 2009 foi de 64%, só ultrapassada pela Madeira em 66%.

Ontem li no JN, que apanhados nas teias da burocracia, há projectos turísticos, no valor de milhões de euros, que estão a ficar pelo caminho, pela necessidade de inúmeros pareceres, empurrões entre ministérios e organismos da Administração Central, bem como gavetas fundas onde os processos tardam meses a sair e eu pensei logo, BOM CAMPO PARA A CORRUPÇÃO!...


Estou de acordo com o Chefe da Estrutura de Missão do Douro, Ricardo Magalhães, que diz: é preciso encontrar fórmulas para, não ser violentado o valor cénico da paisagem, nem pôr em causa a actividade económica da região.

Esperemos que não venha a acontecer nesta zona a lamentável situação, que ocorreu no Algarve, mas por outro lado a receita do turismo é importante para o país e isso implica criar infra-estruturas, que sejam cativantes para os turistas, que além de criar riqueza, criam postos de trabalho.



(Estas fotografias não são minhas, foram retiradas da net, mas andar por lá a vadiar, seria um grande prazer...)

quarta-feira, 10 de março de 2010

CLUBE LITERÁRIO DO PORTO


Se nunca foi ao CLUBE LITERÁRIO DO PORTO, vá, que vale a pena! Aí respira-se cultura, só paga o que consumir, um café, um chá, uma bebida...e pode assistir a um debate, a um recital de poesia ou de música, dos géneros mais variados. (Só pode ficar mais caro, se for como eu e se fascinar pelos livros, no CLP a tentação é enorme, mas o dinheiro é sempre bem gasto!...)

c l u b e l i t e r á r i o d o p o r t o aberto de segunda a domingo, das 9h30 à 1h
Rua Nova da Alfândega, 22 4050-430 PORTO Telefone 222 089 228

PARA SABER MAIS SOBRE O CLUBE LITERÁRIO DO PORTO

http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Clube-Literario-do-Porto-nasceu-ha-quatro-anos.rtp&headline=20&visual=9&tm=4&article=276063

OU

AGENDA CULTURAL :http://www.clubeliterariodoporto.co.pt/

EU TIVE UMA SUGESTÃO MUITO AGRADÁVEL, QUE ME PROPORCIONOU VIVER MOMENTOS DE GRANDE RIQUEZA, NÃO SÓ CULTURAL, MAS TAMBÉM EMOCIONAL!...

Clube de Leitores CLP/Edita-me - «Encontro com os autores»

Carla Madureira com a Obra «Retalhos Serenos»
Pedro Branco e Inês Girão com a Obra «Escolhas» (2ª Edição)

Pedro Branco apresenta o seu espectáculo «Encontro»


NOITE
Beija-me as lágrimas na noite
silenciosa
Deixa o teu cheiro pertinho de mim
sossegado.
Tenho este rio na saudade, frágil e
mariposa
Que me queima hoje a alma por todo o
lado.
Minha vida corre-me nas veias e eu
sorrio
Cada nuvem, fértil semente desta terra
que se semeia
Regresso a ti, fujo de todos, fico
perdido no meu rio
E não quero mais nada, adormecido
nesta teia.
Sou um poço escuro que não se vê
Uma flor colorida no peito dos
amantes
Na noite, o tempo passa e nem
sempre se crê
Janela aberta à dor de afinal ser tudo
somo dantes.
Onde está o futuro?
Essa pele feita canteiro, feita muro
Onde me prendo só para me libertar?
Onde está esse momento?
Cravado no passo mais forte do vento
Que na solidão ainda me sabe cantar?
Onde estás tu, mãe?
Que o vazio é tanto também
E os meus olhos, apenas pó?
Onde pára o meu grito?
Esse ardor de morte e maldito
Que não me deixa nunca mais ficar
só?
Vale a pena a cidade, o marinheiro,
A melodia gananciosa?
Se tudo é um acordar compulsivo em
aguaceiro
Onde fica esta lágrima na noite
silenciosa…

PEDRO BRANCO

segunda-feira, 8 de março de 2010

ÓSCARES

Este ano as distribuidoras dos filmes, por cá, não trabalharam de forma eficiente. Quando fui ver o filme, ESTADO DE GUERRA, de Kathryne Bigelow, ainda nem se falava em Óscares! Considerei, que o filme estava bem feito, com a dose certa de suspense, porque se tratava de um filme passado no Iraque, sobre uma brigada de denotação de bombas, portanto motivou-me, de vez enquanto «segurar-me à cadeira», mas também fiquei com a ideia, que era uma boa propaganda ao «soldado heróico e patriótico made USA». Nunca me passou pela cabeça, que seria um filme para ganhar Óscares. Praticamente começou a falar-se de Óscares quando estreou AVATAR, um filme para fazer receita, não só para os adeptos do género, como para os curiosos das novas tecnologias e, como o filme teve muito «marketing», até pensei «vai ganhar». Depois apareceu NAS NUVENS, filme razoável, mas não para óscares, assim como INVICTUS e A SINGLE MAN. PRECIOUS, estreou, mas ainda não tive oportunidade de ver. SACANAS SEM LEI, foi um filme que gostei, mas parece-me ter sido rebuscado. Quanto aos outros nomeados, ainda não estrearam por cá, assim também não posso ajuizar do prémio de melhor actor, Jeff Bridges e a melhor actriz, Sandra Bullock. Relativamente aos filmes estrangeiros, como só vi dois, O PROFETA e O LAÇO BRANCO, não posso pronunciar-me sobre os outros, que estavam a concurso, nem ao que ganhou, EL SECRETO DE SUS OJOS.
KATHRYNE BIGELOW, foi a primeira mulher a ganhar um Óscar, mas outras mulheres já o mereceram há mais tempo, como Sofia Coppola ou Jane Campion.


A CANÇÃO QUE GANHOU O ÓSCAR FOI:



Isto dos óscares é espectáculo, ontem ouvi uma entrevista muito interessante da realizadora, Margarida Gil, na mesma disse:
O CINEMA EUROPEU ESTÁ A PERDER-SE, O CINEMA EM QUE O AUTOR É O ELEMENTO CENTRAL. CINEMA EM QUE SE EXPRIME UMA ARTE ENTRE AS OUTRAS ARTES. ONDE OS REALIZADORES TÊM TOTAL LIBERDADE DE ESCOLHEREM O MODELO QUE QUEREM, COM UMA RAIZ MUITO LIGADA AO QUE LHES É ESPECÍFICO.
A INDÚSTRIA DOS E.U. DEU CABO DE TUDO!?...
CONCORDO EM ABSOLUTO!?...

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER...POESIA


Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.

Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.

Saiu de casa de madrugada;
regressa a casa é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira desengonçada.


Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.


Ferve-lhe o sangue de afogueada;
saltam-lhe os peitos na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.

Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda,
ciranda,
desaustinada;
range o soalho a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.

Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
António Gedeão, in 'Teatro do Mundo'

domingo, 7 de março de 2010

MAHLER É EXALTANTE E DEIXA-ME SEMPRE EXULTANTE



Gustav Mahler (Boémia, 1860 — Viena, 1911) Director de Orquestra e Compositor. O conjunto do seu trabalho artístico é formado basicamente de lieder, 9 sinfonias completas e um poema sinfónico. As sinfonias são as obras que mais se destacam na sua produção artística.
A música de Mahler é bastante pessoal e reflecte muito da personalidade e vida do autor. As suas sinfonias são temáticas e influenciadas pela literatura. São obras complexas, enormes, tanto na duração, quanto na quantidade de músicos necessários para sua execução. Mahler costumava dizer que as suas sinfonias deviam representar o mundo. De maneira parecida com a nona sinfonia de Beethoven, a voz humana é usada nas sinfonias números 2, 3, 4 e 8. A sua sinfonia número 8 requer mais de mil músicos, entre orquestra, solistas e um coral imenso. São peças de alternâncias rápidas e inesperadas de notas altas e baixas, sons fortes e fracos, momentos de tragédia, de triunfo, e de paz, de uma extrema beleza. A orquestração é original e o uso que faz dos instrumentos definem um som mahleriano inconfundível.
A morte é o tema presente na sua obra. Passagens alegres dão lugar a outras trágicas e de desespero, que reflectem a vida atribulada do próprio compositor. Mahler não teve uma infância fácil, o seu pai batia na mãe, viu o irmão querido morrer e os seus pais morreram mais ou menos logo e teve que assumir a condição de chefe da família e ser responsável pelo sustento dos outros irmãos mais novos. Mesmo depois, a vida não foi fácil. O espectro da morte pairava sobre Mahler, sofria de problemas cardíacos, uma das suas filhas morreu com 5 anos, era apaixonado pela esposa, Alma, contudo esta o traía.
Apesar de a tragédia ou a morte estarem sempre presentes, não se pode dizer que a obra de Mahler seja pessimista. De todas as suas sinfonias, apenas uma (a sexta) termina realmente mal, com a morte do herói sinfónico, e mesmo assim, de forma bastante heróica, no melhor estilo das grandes tragédias gregas. Algumas passagens, como o Adagietto da sinfonia n.º 5, ou o tema Alma da sinfonia n.º 6 são muito belas.
Gustav Mahler foi também o prenúncio de uma nova era da história da música, em que as composições passariam a ser atonais. Músicos famosos, dessa nova era, e que lhe sucederam, como Alban Berg e Arnold Schönberg admiravam o músico. Schönberg escreveu sobre Mahler: Em vez de perder-me em palavras, talvez fosse melhor dizer logo: acredito firmemente que Gustav Mahler foi um dos maiores homens e um dos maiores artistas que jamais existiram.
A sinfonia nº. 9, foi considerada por Mahler um poema sinfónico, Das Lied von Der Erde (A Canção da Terra). Existe um certo mistério!...Teria sido por superstição, no caso de outros compositores, a nº.9 era fatal!..Malher compôs a nº.10, mas morreu compondo apenas o 1º. andamento.

UMA HOMENAGEM A GUNTHER ARGLEBE (1933-2010)



Gunther Arglebe iniciou-se aos seis anos no estudo de violino. Aos 12 entrou no Conservatório de Música do Porto na classe de Flauta, passando mais tarde para o curso de Viola. Em 1947, quando se fundou a Orquestra Sinfónica do Porto, passou a integrar a instituição como terceiro flautista, ascendendo rapidamente a líder da secção das flautas. Imbuído pelo sonho de dirigir uma orquestra, foi para Munique, frequentar o curso de Direcção de Orquestras, Ópera e Coros. Em 1962, regressou a Portugal exercendo o cargo director artístico da Orquestra de Câmara Pró-Música do Porto. Criou, mais tarde, na Juventude Musical do Porto, um coro e um grupo de ópera, levando à cena várias obras.Em 1967 foi criado o Círculo Portuense de Ópera.No mesmo ano Arglebe foi nomeado director do Orfeão Universitário do Porto e Maestro sub-director da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional. Foi ainda nomeado Principal Maestro Convidado da Orquestra de Câmara de Wurzburg, com a qual dirigiu os primeiros concertos na Alemanha.Em 1969 aceitou o convite para dirigir a Orquestra Sinfónica do Porto.Em 1992 foi convidado para integrar o projecto Orquestra do Norte ao lado de José Ferreira Lobo. Aqui desempenhou papel fundamental e estruturante, pela sua intervenção enquanto chefe de orquestra e também pela sua dedicação à organização e aconselhamento no plano artístico.
As suas qualidades intelectuais permitiram-lhe um pensamento abrangente sobre a partitura possibilitando-lhe assim uma abordagem profunda das obras cuja direcção tinha entre mãos. As afinidades com o reportório germânico eram evidentes. Este reportório permitiu-lhe trabalhar com rigor formal, muitas vezes austero mas eficaz, resultante da sobriedade, clareza e eficácia do gesto.Na linha dos grandes chefes alemães, o seu estilo interpretativo era sóbrio e de bom gosto. Evidente na fidelização ao texto, ao plano formal da obra, ao equilíbrio dos planos sonoros!A maior parte dos maestros portugueses são generalistas, mas poucos abordaram todos os géneros como Gunther Arglebe, e muito poucos a ópera!
[UMA PESSOA QUE ME HONRA DE TER CONHECIDO, COMO SÓCIA DA JUVENTUDE MUSICAL, COMO FREQUENTADORA ASSÍDUA DE CONCERTOS E PELAS LIGAÇÕES FAMILIARES QUE TENHO COM O CÍRCULO PORTUENSE DE ÓPERA]

sábado, 6 de março de 2010

CDS-PP (PAULO PORTAS)


Segundo PROPOSTA DO CDS-PP (Paulo Portas):
Os gestores públicos devem dar conhecimento detalhado dos seus ganhos, salários, prémios e outra regalias, para tal o Governo deverá enviar um relatório anual ao Parlamento.
Paulo Portas também pretende conseguir a proibição da atribuição de prémios aos gestores públicos em 2010. Disse Portas «este é um ano de grandes sacrifícios. Não faz sentido que as empresas públicas, que até dão prejuízo, paguem bónus e prémios aos gestores públicos»
(Aproveitando a «zaragata», que prolifera por cá, Portas lança uma farpa com uma intenção bem definida – o «povo» gosta!...)

VERDADE - RICARDO REIS (PESSOA)

A verdade é inacessível.

«Os deuses dão a vida e não a verdade.»


Sob a leve tutela
De deuses descuidosos,
Quero gastar as concedidas horas
Desta fadada vida.
Nada podendo contra
O ser que me fizeram,
Desejo ao menos que me haja o Fado
Dado a paz por destino.
Da verdade não quero
Mais que a vida; que os deuses
Dão vida e não verdade, nem talvez
Saibam qual a verdade.

Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994).

sexta-feira, 5 de março de 2010

VERDADE (ALBERTO CAEIRO)

A VERDADE NEGA-SE A SI MESMA, COMO UMA DOENÇA DO PENSAMENTO
«ESTAS VERDADES NÃO SÃO PERFEITAS PORQUE SÃO DITAS, E ANTES DE DITAS, PENSADAS.»
No dia brancamente nublado entristeço quase a medo
E ponho-me a meditar nos problemas que finjo...
Se o homem fosse, como deveria ser,
Não um animal doente, mas o mais perfeito dos animais,
Animal directo e não indirecto,
Devia ser outra a sua forma de encontrar um sentido às coisas,
Outra e verdadeira.
Devia haver adquirido um sentido do «conjunto»;
Um sentido, como ver e ouvir, do «total» das coisas
E não, como temos, um pensamento do «conjunto»;
E não, como temos, uma ideia do «total» das coisas.
E assim — veríamos — não teríamos noção de conjunto ou de total,
Porque o sentido de «total» ou de «conjunto» não seria de um «total» ou de um «conjunto»
Mas da verdadeira Natureza talvez nem todo nem partes.
O único mistério do Universo é o mais e não o menos.
Percebemos demais as coisas — eis o erro e a dúvida.
O que existe transcende para baixo o que julgamos que existe.
A Realidade é apenas real e não pensada.
O Universo não é uma ideia minha.
A minha ideia do Universo é que é uma ideia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos.
A minha ideia da noite é que anoitece por meus olhos.
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.
Assim como falham as palavras quando queremos exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando queremos pensar qualquer realidade.
Mas, como a essência do pensamento não é ser dita, mas ser pensada,
Assim é a essência da realidade o existir, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.
O espelho reflecte certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo.
Estas verdades não são perfeitas porque são ditas,
E antes de ditas, pensadas:
Mas no fundo o que está certo é elas negarem-se a si próprias
Na negação oposta de afirmarem qualquer coisa.
A única afirmação é ser.
E ser o oposto é o que não queria de mim...
1-10-1917
“Poemas Inconjuntos”. Poemas Completos de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.) Lisboa: Presença,

quinta-feira, 4 de março de 2010

QUEM FALA VERDADE?

Sindicato fala em adesão de 80% à greve e Governo aponta 14,1%...PODE SER!?...QUE DISCREPÂNCIA... QUEM FALA VERDADE?

NA COMISSÃO DE ÉTICA DO PARLAMENTO QUEM FALA VERDADE?

( Alguém se divertiu a fazer isto e mandou-me por mail...há sempre alguém que se diverte...no meio de toda esta confusão!...)

MAS QUEM É QUE FALA VERDADE?
SE SOUBEREM DIGAM-ME!...

ÓSCARES...


Na lista dos principais filmes, (actores, realizadores, filme estrangeiro) nomeados para os Óscares 2010, nuitos deles ainda não chegaram a Portugal. Gosto bastante de cinema e gosto de acompanhar o que vai sendo exibido, dentro das minhas referências ou da opinião de pessoas, que se interessam e sabem de cinema. Dentro de poucos dias vamos ter a cerimónia dos óscares, que motiva muito alarido dentro da «indústria americana». Os filmes são seleccionados pela Academia, geralmente grandes produções, que podem não ser os melhores, muitos ficam de fora, porque não estão dentro desse esquema, há mesmos filmes de um cinema americano à margem, muito interessante, feito com poucos meios, mas com ideias muito interessantes. Como espectáculo vejo os oscares, sem entusiasmos por «ganhos ou perdas».
OS CANDIDATOS SÃO:

MELHOR FILME:
Avatar
The Blind Side
District 9
An Education
The Hurt Locker
Sacanas Sem Lei
Precious
A Serious Man
Up Nas Nuvens
(SÓ VI 5, MAS DEVE GANHAR AVATAR!...)
ACTOR PRINCIPAL
Jeff Bridges - Crazy Heart
George Clooney - Nas Nuvens
Colin Firth - A Single Man
Morgan Freeman - Invictus
Jeremy Renner - The Hurt Locker

(APOSTO EM MORGAN FREEMAN)



ACTOR SECUNDÁRIO
Matt Damon - Invictus
Woody Harrelson - The Messenger
Christopher Plummer - The Last Station
Stanley Tucci - The Lovely Bones
Christoph Waltz - Sacanas Sem Lei
(NÃO SEI!...)



ACTRIZ PRINCIPAL
Sandra Bullock - The Blind Side
Helen Mirren - The Last Station
Carey Mulligan - An Education
Gabourey Sidibe - Precious
Meryl Streep - Julie & Julia
(GOSTO DO TRABALHO DE MERYL STREEP E DA HELEN MIRREN)



ACTRIZ SECUNDÁRIA
Penélope Cruz - Nine
Vera Farmiga - Nas Nuvens
Maggie Gyllenhaal - Crazy Heart
Anna Kendrick - Nas Nuvens
Mo'Nique - Precious
(NÃO SEI, A MAIORIA NÃO VI)

MELHOR REALIZADOR
James Cameron - Avatar
Kathryn Bigelow - The Hurt Locker
Quentin Tarantino - Sacanas Sem Lei
Lee Daniels - Precious
Jason Reitman - Nas Nuvens
(COMO REALIZADOR O QUE MAIS APRECIO É O QUENTIN TARANTINO)



FILME ESTRANGEIRO
Ajami - Israel
El Secreto de Sus Ojos - Argentina
The Milk of Sorrow - Peru
Un Prophète - França
The White Ribbon / O Laço Branco - Alemanha
(SÓ VI OS DOIS ÚLTIMOS, GOSTEI DOS DOIS)

A SINGLE MAN


UM HOMEM SINGULAR
REALIZAÇÃO TOM FORD (Primeira obra de um estilista)
INTERPRETAÇÃO: Colin Firth, Julianne Moore…
Adaptação do romance homónimo de Christopher, considerada uma obra seminal da literatura gay. A acção que tem a duração de um dia, decorre em Los Angeles, em plena crise dos mísseis de Cuba e centra-se na figura de um professor de meia-idade que enfrenta uma depressão, devido à morte do seu companheiro de longa data, num acidente de viação.
Por trás de uma fachada de opaca formalidade, George (Colin Firth) é um homem frágil e delicado, para quem a perda do seu amado, é a perda da sua razão de viver.
O filme é uma meditação intimista e sensibilíssima acerca da fragilidade da vida e do espírito humano, que revela um realizador «estilista» em toda a acepção da palavra. Colin Firth, tem uma interpretação cheia de nuances emocionais e está nomeado para um Óscar, tendo já recebido o prémio de interpretação no Festival de Veneza. De assinalar também a excelente banda sonora.


quarta-feira, 3 de março de 2010

NOS JARDINS DO PALÁCIO...

O PALÁCIO, já não existe, mas devido à contestação popular à sua demolição, a designação Palácio de Cristal, tem sobrevivido até ao presente.

O Palácio de Cristal (1865 — 1951), da autoria do arquitecto inglês Thomas Dillen Jones, foi construído em granito, ferro e vidro, tendo o Crystal Palace londrino por modelo. A sua construção iniciou-se em 1861, sendo inaugurado em 1865 pelo rei D. Luís.
Foi concebido para acolher a grande Exposição Internacional do Porto. A Exposição Industrial, para além de contar com a visita oficial do rei D. Luís, de Dona Maria Pia e do príncipe herdeiro, contou ainda com a presença da França, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Brasil, Espanha, Dinamarca, Rússia, Holanda, Turquia, Estados Unidos e Japão.
Em 1933, o edifício e os respectivos jardins foram adquiridos pela Câmara Municipal do Porto. Ao longo dos seus 86 anos de existência, o Palácio de Cristal acolheu muitas outras exposições. O Palácio de Cristal foi ainda um importante espaço de cultura, contendo um órgão de tubos que era dos maiores do mundo. Foi neste palácio que se realizaram importantes concertos do compositor Viana da Mota ou da virtuosa violoncelista Guilhermina Suggia.


O palácio, foi demolido em 1951, em menos de um ano, sendo destruído à martelada o órgão de tubos. Foi construído nesse local uma nave de betão armado, a que foi dado o nome de Pavilhão dos Desportos, segundo projecto do Arquitecto Carlos Loureiro e a pretexto do Campeonato Mundial de Hóquei em Patins, depois foi-lhe dado o nome de Pavilhão Rosa Mota.
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Ontem depois de um almoço de aniversários de uma amiga, fomos dar uma volta nos jardins do palácio.

Avenida das Tílias de Inverno, quando chegar a Primavera, torna-se uma área muito verde e frondosa.

Já aparecem algumas MAGNÓLIAS floridas, que produzem abundantes flores brancas ou rosadas, grandes e perfumadas. É um prenúncio da chegada da Primavera.

Concha acústica, onde no Verão acontecem agradáveis concertos.


O lago, que vai desaparecer, para dar lugar a uma construção, consequência da entrega do Pavilhão Rosa Mota a uma entidade privada. Muitas manifestações contra esta situação, já foram feitas, mas que nada resolveram. O Porto desde que Rui Rio é presidente da Câmara, tem tido transformações, que os portuenses têm contestado. Há um grupo muito activo e é justo referenciar a Drª. Regina Guimarães, sempre à frente de todas as contestações.

Do Palácio têm-se vistas fantásticas do Rio Douro, nesta fotografia vê-se a Ponte da Arrábida.

terça-feira, 2 de março de 2010

ONTEM NUM DIA DE ALGUM SOL E NUVENS, UM PASSEIO ATÉ À RIBEIRA...


O rio Douro subiu muito, do lado do Cais de Gaia, estava rasante...

Do lado da Ribeira/Porto o rio subiu mais de 2 metros, com uma corrente bastante forte...




Inundou o Postigo do Carvão


SINAIS DE FOGO

Ontem vi o novo programa de Miguel de Sousa Tavares, SINAIS DE FOGO, o convidado foi Gonçalo Amaral. Foi confrangedora a entrevista, não se convida ninguém para uma entrevista, para não o deixar falar e foi isso mesmo que o Miguel Sousa Tavares fez. Fazia a pergunta e logo a seguir outra pergunta, sem uma resposta conclusiva. A versão, que MST defende sobre o «caso Maddie» é que houve rapto, os pais não mataram a criança e no livro que Gonçalo Amaral escreveu, baseando-se na investigação, há indícios que isso aconteceu, não que a matassem, mas que tivesse havido um acidente que eles ocultaram. Eu não li o livro, nem tenciono ler, mas fui lendo uns fragmentos na comunicação social. O Miguel Sousa Tavares levou toda a entrevista, a «impor» o que pensava sobre o assunto e não deixou que Gonçalo Amaral pudesse argumentar. Gosto de Sousa Tavares, é frontal, às vezes excessivo, mas neste caso foi muito prepotente.

segunda-feira, 1 de março de 2010

I AM SORRY - MARYLIN MONROE



O meu canal preferido na televisão é o canal 2. Ontem passou um documentário muito interessante sobre Marylin e ouvi esta canção, que me trouxe lembranças boas.
A dúvida persiste, Marylin suicidou-se ou foi-lhe dada a dose fatal que a vitimou? Razões havia muitas, principalmente o seu envolvimento com os irmãos Kennedy!...

STALKING

Depois do carjaking, do bullying, temos o STALKING
(STALKER, caçador furtivo, assediador permanente.)


Stalking – Conjunto de comportamentos de assédio persistente, indesejados pelo alvo desses comportamentos. Podem diferir no grau de intrusividade, envolvendo desde acções mais discretas como telefonar constantemente ou vigiar, assediar pela internet, até actos altamente intimidatórios como perseguição na rua, invasão da propriedade e ameaça de agressão física. Este fenómeno e a «violação doméstica» como forma de vitimação relacional, muitas vezes andam de mãos dadas. São casos de relações que terminaram e que uma das partes não aceitou ou uma fixação obcecada por alguém.
Psicólogos da Universidade do Minho, vão lançar o primeiro estudo sobre este problema, de perseguição física e psicológica, que viola a privacidade de uma pessoa. Marlene Matos, é a coordenadora deste estudo e diz que é necessário estudar este fenómeno para ser criada legislação específica a este crime. Perante a devassa da vida privada, a vítima tem que pedir auxílio às autoridades, à família, aos amigos porque não é normal, nem natural uma pessoa estar a ser perseguida por outra. A lei portuguesa penaliza ofensas à integridade da pessoa, mas de uma forma individual: «violência doméstica», «ameaça», «coacção», «violação do domicilio ou perturbação da vida privada» e «devassa da vida privada».
Efectivamente que eu considero que tem que haver uma penalização, mas mais pertinente deve haver um tratamento psicológico, embora estas pessoas nunca reconheçam que estão doentes.
No campo artístico há imensos casos conhecidos, não só no estrangeiro, mas também por cá, muitos casos em que nem sequer houve uma relação!..