A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 18 de janeiro de 2011

UMA DECLARAÇÃO DE AMOR

PARABÉNS NILCE PELO PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DO SEU BLOGUE:  
POR MUITOS E MUITOS ANOS, DIAS FELIZES, DIAS DE FESTA...
UM GRANDE ABRAÇO ESPECIAL PARA SI...



DECLARAÇÃO DE AMOR À VIDA…

Árvore da Vida - Klimt


Por tudo que me deste

Por tudo que me dás

Por aquilo que não deste e não dás

E eu sonho que podes dar

Humildemente

Só te posso venerar!

Também dás e tiras

Com crueldade

E para sempre

Deixando-me a sangrar…

São ganhos e perdas

Lágrimas e sorrisos

Amor e dor

E nesse antagonismo

Eu caminho

Por caminhos suaves e rudes

Na brisa do empirismo!


Olho o mar…que imensidão…que energia…

Nele me abraço e fico com o sal nos lábios

Carícia empolgante que rejuvenesce…

Olho o rio…como desliza ou corre para o mar

Os olhos captam o belo que me empolga

E ao anoitecer minha alma humedece…

Que dizer das frondosas matas

Das pequenas flores aqui e ali

E do mistério de fecharem

As pétalas quando anoitece?

E o canto dos pássaros

As pinceladas diversas das nuvens

Em farrapos flutuando nos píncaros!


Ah vida!?...

És um manancial propulsor de emoções

Suaves e viscerais…

Fico estonteada pela excentricidade

Dos aromas desiguais!

Tanto tens de sublime para eu usufruir

Que me diminui e me eleva

Que me constrói e destrói

Que é uma energia insofismável

Paixão absorvente

Seiva misteriosa e desconhecida

Ardor envolvente!

O bater do meu coração…

Por tudo eu amo o mistério

Que tu és e serás, e te adoro VIDA!..

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS O CAMPEÃO DE VENDAS - ESCAPARATES

José Rodrigues dos Santos nasceu em Moçambique (1964). Jornalista, escritor e professor.



Começou a sua carreira em 1981 na Rádio Macau. Trabalhou na BBC, em Londres, de 1987 a 1990, e seguiu para a RTP, tendo sido por duas vezes Director de Informação. Foi colaborador permanente da CNN entre 1993 e 2002. Ganhou dois prémios do Clube Português de Imprensa e três da CNN, entre outros.


Doutorado em Ciências da Comunicação, é professor da Universidade Nova de Lisboa.


Como escritor é o campeão de vendas em Portugal da década, as suas obras venderam mais de um milhão de exemplares e está publicado em 17 línguas.


Romances: A Filha do capitão, O codex632, A fórmula de Deus, O Sétimo Selo, A Vida num Sopro, Fúria Divina, A Ilha das Trevas.


Do seu último livro publicado, «O Anjo Branco», já foram vendidos 135 mil exemplares. Trata-se de um livro inspirado na vida do seu pai, que exerceu medicina em Tete , Moçambique. Criou o revolucionário Serviço Médico Aéreo e como aparecia do céu na sua bata branca, ficou conhecido com o «anjo branco». José Rodrigues dos Santos disse a propósito deste livro que faltava escrever o grande romance português sobre a guerra colonial, sem cores ideológicas, sem «bons» nem «maus», sem saudosismo. Há uma geração ainda viva que viveu essa guerra.


Os seus livros, têm a característica de contextualizar historicamente a temática abordada, fazendo uma grande pesquisa. Numa altura de interesse pelo romance histórico, os seus livros têm efectivamente tido vendas incomuns, quando é corrente que os portugueses lêem pouco.


EDITORAS SOCORREM-SE DOS ESCRITORES CONSAGRADOS PARA ENFRENTAR A CRISE


Deste modo vão sair dois inéditos de José Saramago, novos livros de António Lobo Antunes, Lídia Jorge, Richard Zmiler, Mário de Carvalho, Mia Couto, Mário Claúdio, Urbano Tavares Rodrigues, Gonçalo M. Tavares, Miguel de Sousa Tavares.


A aposta nos novos é limitada, Aida Gomes e António Bugalho (Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís).


Relativamente aos estrangeiros: Gao Xingjian, Herta Müller, Elias Canetti, Howard Jacobson (Booker Prize), Don DeLillo, Umberto Eco, Enrique Vila-Matas, Philip Roth, Tom Sharpe, Jonathan Franzen, Irvine Welsh.


A Editora Caminho vai publicar a obra completa do poeta brasileiro Manoel de Barros.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

CARPE DIEM! BOM FIM-DE-SEMANA!...

"Carpe diem quam minimum credula postero

Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi

finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios

temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.

seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,

quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare

Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi

spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida

aetas: carpe diem quam minimum credula postero".





"Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã.



Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses darão a mim ou a ti, Leuconoe, com os adivinhos da Babilónia não brinque. É melhor apenas lidar com o que se cruza no seu caminho. Se muitos invernos Júpiter te dará ou se este é o último, que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar Tirreno: seja sábio, beba o seu vinho e para o curto prazo reescale as suas esperanças. Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento está fugindo de nós: colhe o dia, confia o mínimo no amanhã".






"Odes" (I, 11.8) do poeta romano Horácio (65 - 8 AC)





quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A TRAGÉDIA ABALOU O BRASIL...

Como as palavras são sempre difíceis, deixo aqui um excerto do Requiem de Mozart. Lamento profundamente o que aconteceu e penso no caos que se instalou e nas tantas vidas que se perderam.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

CLARICE LISPECTOR (Complemento do post anterior)

Saudades

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.

Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,

quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,

eu sinto saudades...


Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,

de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...


Sinto saudades da minha infância,

do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,

do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...


Sinto saudades do presente,

que não aproveitei de todo,

lembrando do passado

e apostando no futuro...


Sinto saudades do futuro,

que se idealizado,

provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...


Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!

De quem disse que viria

e nem apareceu;

de quem apareceu correndo,

sem me conhecer direito,

de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.


Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!


Daqueles que não tiveram

como me dizer adeus;

de gente que passou na calçada contrária da minha vida

e que só enxerguei de vislumbre!


Sinto saudades de coisas que tive

e de outras que não tive

mas quis muito ter!


Sinto saudades de coisas

que nem sei se existiram.


Sinto saudades de coisas sérias,

de coisas hilariantes,

de casos, de experiências...


Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia

e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!


Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!


Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,


Sinto saudades das coisas que vivi

e das que deixei passar,

sem curtir na totalidade.


Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...

não sei onde...

para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...


Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades

Em japonês, em russo,

em italiano, em inglês...

mas que minha saudade,

por eu ter nascido no Brasil,

só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.


Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,

espontaneamente quando

estamos desesperados...

para contar dinheiro... fazer amor...

declarar sentimentos fortes...

seja lá em que lugar do mundo estejamos.


Eu acredito que um simples

"I miss you"

ou seja lá

como possamos traduzir saudade em outra língua,

nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.


Talvez não exprima correctamente

a imensa falta

que sentimos de coisas

ou pessoas queridas.


E é por isso que eu tenho mais saudades...

Porque encontrei uma palavra

para usar todas as vezes

em que sinto este aperto no peito,

meio nostálgico, meio gostoso,

mas que funciona melhor

do que um sinal vital

quando se quer falar de vida

e de sentimentos.


Ela é a prova inequívoca

de que somos sensíveis!

De que amamos muito

o que tivemos

e lamentamos as coisas boas

que perdemos ao longo da nossa existência...


Clarice Lispector

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

FOTOBIOGRAFIA DE CLARICE LISPECTOR

Contrariar as Contrariedades


Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inlcusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora da minha própria vida.

Clarice Lispector, in 'Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres'




Fotobiografia de Clarice Lispector, livro organizado por Nádia Batella Gotlib (Brasil-2009), que nos coloca sobre o olhar de Clarice, olhar imperturbável, inquietante, «olhos de piscina», segundo dizia Manuel Bandeira, que parecem que afogam, cegando para dentro dela, porque ela é sobretudo o retrato do mistério. Já, «Why this World», de Benjamim Moser, primeira biografia inglesa sobre a escritora, tem o condão de imergir no peculiaríssimo universo biográfico e literário da autora de Perto do Coração Selvagem. Ucraniana e judia de nascimento, tornou-se cidadã brasileira com 20 anos, talvez por isso a escritora fez uma reinvenção do português, parece mais uma língua sua.



Na Fotobiografia, é como uma Esfinge, a sua beleza é trespassante, por inatingível, O rosto de Clarice não se oferece, nem se desvenda, como que perdido na in-consciência da sua beleza.





Giorgio de Chirico fez-lhe um retrato a óleo em 1945, mas não lhe faz inteira justiça.




Bluma Wainer, foi a sua principal fotógrafa e deu-lhe poses de uma deusa. Maravilhosa mulher, cujo «glamour» é feito de discreto luxo (o simples luxo da beleza pura), rosto silente e sugerindo um mundo interior cuja imensa riqueza talvez não seja acessível aos mortais.






“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma ideia ou um sentimento e eu, em vez de reflectir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.

Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”


Até aos treze anos, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de factos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer do tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvajaria e muita timidez.


Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino. Pois juro que a vida é bonita.”


Clarice Lispector

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

LOUCOS!?...

The Intrigue - Ensor

Loucos! Eles estão loucos! E como a loucura se foi instalando como uma coisa normal!?..

Eles não são aqueles loucos de hospício…Eles não são os loucos do amor ou de ideais…Eles não são os loucos da rua, perdidos no nada, caídos no álcool e na droga…Eles não são os loucos que vêem coisas estranhas, entre as estrelas ovnis a passar a quem dizem adeus…na Lua espíritos com quem conversam…no Sol visões apocalípticas que os deixa de olhos esbugalhados!..Não, estes sonhadores se são loucos, são loucos puros!
Os outros não, são sadicamente loucos! Os loucos da ambição, da perversidade da mentira, da violação, da «escroqueria», da violentação…Vangloriando-se triunfantes!..
Parecem tão «bonitos» nos seus fatos de marca, com as suas gravatas em tons claros, com a sua pasta de segredos, nos seus carros topo de gama, na sua vida de luxo de vómito, roubada ao erário! Eles dizem o contrário do que disseram ontem…Eles mentem com a convicção da «verdade»!..Eles e elas!...
Nós sabemos que mentem…Acreditamos? Não acreditamos? De que serve sim ou não? Como a loucura grassa nas montras do espectáculo com toda a sofisticação! Tem luzes e cores para confundir as nossas convicções! Baralha e contamina…realmente ter o espírito limpo não é fácil, não!
E tu andas na labuta diária pacificamente, um dia atrás do outro, de asas e sonhos cortados, cimentado ao sustento com dor e privação numa tragicomédia de enganos e desenganos, com o teu rosto disformado num esgar de choro e de gargalhada!..

ATENÇÃO, ELES ESTÃO A FAZER DA SUA LOUCURA, À CUSTA DA NOSSA PACIFICIDADE, UMA NORMALIDADE!!!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A ÚLTIMA ESTAÇÃO - REALIZAÇÃO: MICHAEL HOFFMAN

INTERPRETAÇÃO: ANNE-MARIE DUFF, CHRISTOPHER PLUMMER, HELEN MIRREN, JAMES McAYOY, PAUL GIAMATTI
[COM UM ANO DE ATRASO, CHEGOU A PORTUGAL, ESTE FILME QUE FOI CANDIDATO AOS OSCARES DE INTERPRETAÇÃO DO ANO PASSADO]
Este filme aborda os últimos dias de LEV NIKOLÁIEVICH TOLSTÓI – Um escritor imenso, uma alma inquieta, torturada e autodestrutiva; foi um herói no excesso, no talento, na virtude, na transgressão e no arrependimento.



Um ano antes de morrer recebeu uma carta de um estudante, incitando-o a doar todos os seus bens ao povo e a viver uma vida despojada. Tolstoi (Christopher Plummer) era conde, tinha uma grande fortuna, era temido pela igreja e pelo czar e era um escritor celebérrimo reconhecido em todo o mundo e no entanto era um filantrópico, solidário com os pobres e os perseguidos.


Não conseguia fazer o que lhe fora sugerido porque a família estava toda contra ele, principalmente a condessa (interpretação excelente de Helen Mirren).


Tolstoi sentia-se mal consigo próprio, porque projectando-se para o absoluto, reconhecia que o absoluto era Deus, no qual ele não acreditava plenamente. O poeta Alexander Blok exprimiu bem isso em forma lapidar: «Tornámo-nos demasiado inteligentes para poder acreditar em Deus e não suficientemente fortes para conseguir acreditar em nós mesmos».

Acaba por assinar o documento dando todos os seus bens ao povo e foge de casa na intenção de fazer a vida monástica desejada, com 82 anos acaba por contrair uma pneumonia morrendo na estação de Astapovo.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

EM NOSSO NOME...MANUEL ANTÓNIO PINA (JN-PORTO)

DIARIAMENTE LEIO A CRÓNICA DO MANUEL PINA, TODAS MERECIAM SER AQUI INSERIDAS, MAS ENTÃO ESTE PASSARIA A SER O BLOGUE DO MANUEL ANTÓNIO PINA, MAS ESTA SURPREENDEU-ME, CONFESSO QUE NÃO SABIA NADA DISTO! ENFIM GEORGE ORWELL (1903-1950), VEIO LOGO AO MEU PENSAMENTO!

Não me incomoda que os EUA tenham os meus dados biográficos e biométricos ou o meu ADN. Eu próprio lhos forneceria se os EUA mos pedissem e calhasse de estar para aí virado. Incomoda-me (porque, que diabo!, os dados afinal são "meus") é que o Governo, a quem confiei esses dados para fins específicos como o BI (felizmente ou infelizmente não tenho, mas nesta altura já não estou certo de nada, cadastro criminal), os ceda, venda, empreste ou de qualquer forma negoceie sem me dar cavaco.


O acordo entre o Governo português e os EUA para cedência dos meus dados pessoais (e dos seus, leitor, e dos de todos os portugueses) vai agora à AR que, em minha representação, mesmo sem que eu lhe tenha passado mandato para tal, lhe dará a bênção democrática. E lá seguirão fotografia, impressão digital, nome, data de nascimento, residência, filiação e até um escasso metro e 67 de altura, tudo supostamente "meu", a caminho da Califórnia sem eu nisso ser tido nem achado. Se ao menos pudesse trocar a foto! Na do BI pareço um terrorista curdo e isso já em tempos me causou problemas em Berlim quando tentei comprar um frasco de álcool numa farmácia ("Vocês, no Curdistão, não usam 'after shave'?", quis saber, desconfiado, o farmacêutico).


Um cidadão ou empresa que fizessem o que o Governo se prepara para fazer acabariam em tribunal por crime de abuso de confiança. Mas os governos estão acima das leis, não estão?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

INCONTORNÁVEL A MORTE DE MALANGATANA

Sempre considerei extraordinário, os casos de talento instintivo, as pessoas que começaram lá de baixo, como Malangatana, que foi pastor, caçador de ratos com azagaia, aprendiz de curandeiro (tinha uma tia curandeira) e mainato (empregado doméstico).



Filho de gente humilde, a mãe bordava cabaças e afiava os dentes das jovens locais (uma moda da altura), o pai era mineiro na África do Sul.


Com a mãe doente e um pai ausente, Malangatana foi viver com um tio paterno e estudou até à terceira classe. Aos 11 anos começou a trabalhar porque já era «adulto» e podia fazer tudo, desde cuidador de meninos a apanha-bolas no clube de ténis.


Foi no clube de ténis, que Malangatana conheceu o biólogo, Augusto Cabral, que disse numa entrevista: «Um apanha-bolas nas partidas de ténis era um tal Malangatana Ngwenya, que, no fim de uma tarde de desporto, se acercou de mim para me pedir se, por acaso, eu não teria em casa um par de sapatilhas velhas que lhe desse».O pintor nasceu nessa noite, Malangatana foi a casa de Augusto Cabral e viu-o a pintar um painel. «Ensine-me a pintar»,pediu. E Augusto Cabral deu-lhe tintas, pincéis e placas de contraplacado. No pincel tinha Matalana, localidade onde nasceu e onde conheceu a opressão colonial e a guerra civil.


Em pouco tempo começou a expor, depois estudou na Escola Industrial de Maputo e foi bolseiro da Fundação Gulbenkian.


Malangantana, além de pintar, fez cerâmica, tapeçaria, gravura e escultura. Fez experiências com areia, conchas, pedras e raízes. Foi poeta, actor, dançarino, músico, dinamizador cultural, organizador de festivais, filantropo e até deputado, da FRELIMO, partido no poder em Moçambique desde a independência. Foi um dos criadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique, dinamizador do Núcleo de Arte, colaborador da UNICEF e arquitecto de um sonho antigo, que levou para a frente, a criação de um Centro Cultural na sua Matalana. Recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade de Évora.


Expôs em vários países, tem obras suas em vários museus, galerias e colecções privadas.

http://www.instituto-camoes.pt/noticias-ic-portugal/morreu-o-pintor-mocambicano-malangatana.html


 





terça-feira, 4 de janeiro de 2011

IF

A Esfera dos Livros publicou o poema If de Rudyard Kipling numa edição de luxo, com tradução de Isabel Stilwell e ilustração de Mauro Evangelista.



O livro, é lindíssimo. As ilustrações de Mauro Evangelista são cheias de simbolismo e recurso a muitas personagens dos clássicos - dos gregos aos europeus.


O poema conhecido como Carta a um Filho, foi composto por Rudyar Kipling em 1910. Em 1995, uma sondagem da BBC apontou-o como o poema mais apreciado na Grã-Bretanha.


Citado em filmes e canções, traduzido em todo o Mundo, invocado pelos mais velhos, ampliado em cartazes, reduzido em postais, é um poema duro, que exorta a nunca se render, a andar sempre de cabeça levantada, a não se deixar enganar, a não perder o sentido da responsabilidade inclusive nas circunstâncias mais adversas. Ater-se a este código de conduta é, sem dúvida alguma, muito difícil. Mas este discurso dito em voz alta, solene, calmo, íntegro, sem medo de utilizar palavras transcendentes, evoca um mundo de nobres valores luminosos e eternos


SE


Se és capaz de manter tua calma, quando,

todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.

De crer em ti quando estão todos duvidando,

e para esses no entanto achar uma desculpa.



Se és capaz de esperar sem te desesperares,

ou, enganado, não mentir ao mentiroso,

Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,

e não parecer bom demais, nem pretensioso.



Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,

de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.

Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,

tratar da mesma forma a esses dois impostores.



Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,

em armadilhas as verdades que disseste

E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,

e refazê-las com o bem pouco que te reste.



Se és capaz de arriscar numa única parada,

tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.

E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,

resignado, tornar ao ponto de partida.



De forçar coração, nervos, músculos, tudo,

a dar seja o que for que neles ainda existe.

E a persistir assim quando, exausto, contudo,

resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!



Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,

e, entre Reis, não perder a naturalidade.

E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,

se a todos podes ser de alguma utilidade.



Se és capaz de dar, segundo por segundo,

ao minuto fatal todo valor e brilho.

Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,

e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!


Rudyard Kipling

(Tradução de Guilherme de Almeida)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

MORTE E VIDA SEVERINA

ESTE POEMA É UM DOS MELHORES QUE CONHEÇO E NESTES ÚLTIMOS TEMPOS ACABEI POR PENSAR NELE, DE TAL MODO SE TEM FALADO TÃO DEMOGICAMENTE EM POBREZA NA CAMPANHA ELEITORAL
.
Poema narrativo e dramático. Consiste em duas partes: antes de chegar ao Recife e depois. Antes de chegar é chamado de caminho ou fuga da morte; e depois o presépio ou encontro da vida.


João Cabral de Melo Neto (Recife, 1920 — Rio de Janeiro, 1999)
 Poeta e diplomata. A sua obra poética, vai de uma tendência surrealista até a poesia popular, caracterizada pelo rigor estético, com poemas avessos a confessionalismo e marcados pelo uso de rimas, inaugurou uma nova forma de fazer poesia no Brasil.

BIOGRAFIA AQUI


CANDIDO PORTINARI, Retirantes


O RETIRANTE EXPLICA QUEM É E A QUE VAI


— O meu nome é Severino,

como não tenho outro de pia.

Como há muitos Severinos,

que é santo de romaria,

deram então de me chamar

Severino de Maria

como há muitos Severinos

com mães chamadas Maria,

fiquei sendo o da Maria

do finado Zacarias.

.

Mais isso ainda diz pouco:

há muitos na freguesia,

por causa de um coronel

que se chamou Zacarias

e que foi o mais antigo

senhor desta sesmaria.

Como então dizer quem falo

ora a Vossas Senhorias?

.
Vejamos: é o Severino

da Maria do Zacarias,

lá da serra da Costela,

limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco:

se ao menos mais cinco havia

com nome de Severino

filhos de tantas Marias

mulheres de outros tantos,

já finados, Zacarias,

vivendo na mesma serra

magra e ossuda em que eu vivia.
.

Somos muitos Severinos

iguais em tudo na vida:

na mesma cabeça grande

que a custo é que se equilibra,

no mesmo ventre crescido

sobre as mesmas pernas finas

e iguais também porque o sangue,

que usamos tem pouca tinta.

.
E se somos Severinos

iguais em tudo na vida,

morremos de morte igual,

mesma morte severina:

que é a morte de que se morre

de velhice antes dos trinta,

de emboscada antes dos vinte

de fome um pouco por dia

(de fraqueza e de doença

é que a morte severina

ataca em qualquer idade,

e até gente não nascida).

.
Somos muitos Severinos

iguais em tudo e na sina:

a de abrandar estas pedras

suando-se muito em cima,

a de tentar despertar

terra sempre mais extinta,

a de querer arrancar

alguns roçado da cinza.

Mas, para que me conheçam

melhor Vossas Senhorias

e melhor possam seguir

a história de minha vida,

passo a ser o Severino

que em vossa presença emigra.




"...E não há melhor resposta

que o espectáculo da vida:

vê-la desfiar seu fio,

que também se chama vida,

ver a fábrica em que ela mesma,

teimosamente, se fabrica,

vê-la brotar como há pouco

em nova vida explodida;

mesmo quando é assim pequena

a explosão, como a ocorrida;

mesmo quando é uma explosão

como a de há pouco, franzina;

mesmo quando é a explosão

de uma morte severina».

domingo, 2 de janeiro de 2011

PARA QUE SERVE UM BLOGUE?

Parei uns dias para pensar nisso! Não cheguei a grandes conclusões! Parti para o blogue com a ideia de escrever sobre o meu mundo e o mundo que me rodeia, sem tornar o blogue muito pessoal!..

Um blogue, despretenciosamente, serve para tudo e essencialmente para ocupar o tempo, escrevendo e lendo, tão simplesmente quanto isso! Mas há também o exibicionismo, há também a inveja, a maledicência, o plágio…

Obviamente que há quem considere o blogue um meio de intervir na sociedade, com objectivos vários e há também quem exponha no mesmo os seus dotes criativos.

Eu não me interessa o número de seguidores, nunca andei a fazer campanha, nem me interessa saber quem vem ao meu blogue, mas o que me interessa e foi para mim uma agradável surpresa, foi a partilha de cumplicidades e afinidades, os elos de amizade que fui estabelecendo, que em alguns casos saltaram mesmo para a vida real!

Também não ando aqui para agradar a ninguém, nem para competir, nem para ser boazinha, não sou nada permeável a crenças sejam lá quais forem, sou muito céptica relativamente ao transcendente e a tudo, desconfio que deve ser por ter o apelido Tomé, «ver para crer» e lá caio eu na minha herança católica, da qual estou impregnada, embora a tenha rejeitado!

Politicamente sempre fui de esquerda e embora haja uma diluição da mesma, eu tenho a minha! Não estou afecta a nenhum partido, mas aquilo que eu entendo por esquerda foi sempre a defesa do humanismo, do equilíbrio social e tudo que é correlativo a esta postura.

Tenho defeitos, dias bons e maus, mas faço questão de ser delicada, no meu relacionamento com as pessoas aprecio especialmente a boa educação.

Começou um novo ano, para mim não foi grande o «estardalhaço», mudou um dígito, considero que temos muito a mudar em nós e na postura relativamente aos outros, não de ano a ano, mas todos os dias. Desejável que no mundo em que vivemos fossem dissolvidas as assimetrias, houvesse paz em todos os aspectos e mais, e mais…todos sabemos o que está mal!..

A conversa já vai longa, mas apeteceu-me escrever isto, nem que seja para as gaivotas que vão a passar por aqui!

Na passagem de ano não vesti a cueca azul, nem saltei de uma cadeira, nem…há uma série de coisas que se fazem para o ano correr bem! Em substituição às 12 passas, agora em família são 12 grãos de romã, enfiaram-me com aquilo na mão, meti tudo à boca e nem desejei nada!..Promessas e desejos, surgem nos momentos oportunos!..