A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

CUENTO CORTO DE GARCIA MÁRQUEZ


Un científico, que vivía preocupado con los problemas del mundo, estaba resuelto a encontrar los medios para aminorarlos.
Pasaba días en su laboratorio en busca de respuestas para sus dudas.

Cierto día, su hijo de 7 años invadió su santuario decidido a ayudarlo a trabajar.


El científico, nervioso por la interrupción, le pidió al niño que fuese a jugar a otro lado.


Viendo que era imposible sacarlo, el padre pensó en algo que pudiese darle con el objetivo de distraer su atención.


De repente se encontró con una revista, en donde había un mapa con el mundo, justo lo que precisaba.


Con unas tijeras recortó el mapa en varios pedazos y junto con un rollo de cinta se lo entregó a su hijo diciendo: " como te gustan los rompecabezas, te voy a dar el mundo todo roto para que lo repares sin ayuda de nadie".


Entonces calculó que al pequeño le llevaría 10 días componer el mapa, pero no fue así. 


Pasadas algunas horas, escuchó la voz del niño que lo llamaba calmadamente.


"Papá, papá, ya hice todo, conseguí terminarlo".


Al principio el padre no creyó en el niño! 


Pensó que sería imposible que, a su edad hubiera conseguido recomponer un mapa que jamás había visto antes. Desconfiado, el científico levantó la vista de sus anotaciones con la certeza de que vería el trabajo digno de un niño.


Para su sorpresa, el mapa estaba completo.


Todos los pedazos habían sido colocados en sus debidos lugares.


¿Cómo era posible? ¿Cómo el niño había sido capaz?


De esta manera, el padre preguntó con asombro a su hijo: 


Hijito, tú no sabías cómo era el mundo, ¿cómo lo lograste? 


Papá, respondió el niño; yo no sabía como era el mundo, pero cuando sacaste el mapa de la revista para recortarlo, vi que del otro lado estaba la figura de un hombre.


Así que di vuelta los recortes y comencé a recomponer al hombre, que sí sabía como era.


"Cuando consegu í arreglar al hombre, di vuelta a la hoja y vi que había arreglado al mundo".


GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

BULLYING


A PROF. MERECE O NOSSO APLAUSO PELA VISÃO PEDAGÓGICA DEMONSTRADA. TODOS TEMOS FILHOS, NETOS OU AMIGOS COM CRIANÇAS QUE PODEM SER VÍTIMAS. 

Uma professora quis ensinar à sua turma os efeitos do bullying.
Pediu-lhes para seguirem as seguintes instruções. Deu a todos os alunos uma folha de papel e disse-lhes para amachucarem, e para deitarem para o chão e para pisarem.

Resumindo, podiam estragar a folha o mais possível mas não rasga-la.
As crianças estavam entusiasmadas e fizeram o seu melhor para amachucarem a folha, tanto quanto possível.

A seguir a professora pediu-lhes para apanharem a folha e abri-la novamente com cuidado, para não rasgarem a mesma. Deviam de endireitar a folha com muito cuidado o mais possível. A senhora chamou-lhes atenção para observarem como a sua folha estava suja e cheia de marcas. Depois pediu-lhes para as crianças pedirem desculpa ao papel em voz alta, enquanto o endireitavam. Eles mostravam o seu arrependimento e passavam as mãos para alisarem o papel, mas a folha não voltava ao seu estado original.

Os vincos estavam bem marcados.

A professora pediu para que olhassem bem para os vincos e marcas no papel. E chamou-lhes atenção para o facto que estas marcas NUNCA mais iriam desaparecer, mesmo que tentassem repara-las.

“É isto que acontece com as crianças que são “gozadas” por outras crianças”, afirmou a professora.

Podes dizer: Desculpa, podes tentar mostrar o teu arrependimento, mas as marcas, essas ficam para sempre.

Os vincos e marcas no papel não desapareceram, mas as caras das crianças deram para perceber que a mensagem da professora foi recebida.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Remorsos de um encenador de teatro por FILIPE LA FÉRIA



Muita gente me acusa de ser o culpado do estado de desgraça do nosso país por ter reprovado Pedro Passos Coelho numa audição em que eu procurava um cantor para fazer parte do elenco de My Fair Lady. Até o espertíssimo gato fedorento Ricardo Araújo Pereira já afirmou que eu devia ser chicoteado em público todos os dias até Passos Coelho desistir de ser primeiro-ministro, como insistentemente o aconselha o Dr. Soares.
Na verdade, confesso que em 2002, quando preparava os ensaios para levar à cena My Fair Lady fiz uma série de audições a cantores para procurar o intérprete do galã apaixonado por Elisa Doolittle, a pobre vendedora de flores do Covent Garden, personagem saída da cabeça brincalhona e maniqueísta de Bernard Shaw, genial dramaturgo que no seu tempo se fartou de gozar com políticos. Entre muitos concorrentes à audição, apareceu Pedro Passos Coelho de jeans, voz colocada, educadíssimo e bem-falante. Era aluno de Cristina de Castro, uma excelente cantora dos tempos de glória do São Carlos que tinha sido escolhida por Maria Callas para contracenar com a diva naTraviata quando da sua passagem histórica por Lisboa. As recomendações portanto não podiam ser melhores e a prova foi convincente. Porém, Passos Coelho era barítono e a partitura exigia um tenor. Foi por essa pequena idiossincrasia vocal que Passos Coelho não foi aceite, o que veio a ditar o futuro do jovem aspirante a cantor que, em breve, ascenderia a actor protagonista do perverso musical da política. Se não fosse a sua tessitura de voz de barítono, hoje estaria no palco do Politeama naGrande Revista à Portuguesa a dar à perna com o João Baião, a Marina Mota, a Maria Vieira, e talvez fosse muitíssimo mais feliz. Diria mal da forma como o Estado trata a cultura em Portugal, revoltar-se-ia com os impostos que o teatro é obrigado a pagar, saberia que um bilhete que é vendido ao público a dez euros, sete vão para o Estado, teria um ataque de nervos contra os lobbies da Secretaria de Estado da Cultura, há quarenta anos sempre os mesmos... não saberia sequer o nome do obscuro e discretíssimo secretário da Cultura oficial, não perceberia porque em Portugal não há uma Lei do Mecenato que permita aos produtores de espectáculos cativar os mecenas, tal é a volúpia cega dos impostos, saberia que cada vez mais há artistas no desemprego em condições miserabilistas e degradantes, que fazer teatro, cinema ou arte em Portugal se tornou um acto de loucura e de militância esquizofrénica. Mas a cantar no palco do Politeama estaria bem longe da bomba-relógio do Dr. Paulo Portas, cada vez mais fulgurante como pop-star, da troika, agora terrível e pós-seguramente medonha, das reuniões de quinta-feira com o Senhor Professor, do Gaspar que se pisgou para o Banco de Portugal, dos enredos do partido bem mais enfadonhas do que as animadas tricas dos bastidores do teatro, das reuniões intermináveis com os alucinados ministros, das manifestações dos professores, dos polícias, dos funcionários públicos, dos pescadores, dos estivadores, dos reformados, dos trabalhadores de tudo o que mexe e não mexe em cima deste desgraçado país, ah!, e das sentenças do Palácio Ratton que agora são chamadas para tudo, só para tramarem a cabeça intervencionada do pobre Pedrinho... não bastava já as constantes birrinhas do Tó Zé Seguro, as conversas da tanga do Dr. Durão Barroso, o charme cínico e discreto de Madame Christine Lagarde, as leoninas exigências da mandona da Europa para Bruxelas assinar a porcaria do cheque. Valha-me o Papa Francisco que tudo isto é de mais para um barítono!
Assumo o meu mais profundo remorso. Devia ter proporcionado ao rapaz um futuro mais insignificante mas mais feliz. Mas, tal como Elisa Doolittle, que depois de ser uma grande dama prefere voltar a vender flores no mercado de Covent Garden, talvez o nosso herói renegue todas as vaidades e vicissitudes da política e suba ao palco do Politeama para interpretar a versão pobrezinha mas bem portuguesa de Os Miseráveis!
PS. O artigo foi escrito em português antigo. No Teatro Politeama nem as bailarinas russas aderiram ao Acordo Ortográfico.
LA FÉRIA -  Encenador e dramaturgo. Diplomou-se em Londres com uma bolsa da Fundação Gulbenkian, foi director da Casa da Comédia. Com "What happened to Madalena Iglésias" iniciou e revitalizou o teatro ligeiro

domingo, 5 de janeiro de 2014

BOM ANO!!


Afastada aqui destas lides, já tarde, mas sempre tempo, um bom 2014.

Os meus desejos para 2014, no aspecto pessoal, são simples. Conheço pessoas que fazem balanços e que fazem lista de desejos e desejam o possível e o impossível. Eu não desejo nada, a não ser o que desejo dia a dia, mantenho as expectativas em baixo. Se esperar grandes coisas vou sentir o gosto amargo da decepção. Claro que tenho ambições, claro que tenho coisas a mudar. Mudar é bom. A «necessidade» de mudar é boa. Mas não adianta fixar-me com grande alarde nisso, isso só me pode inquietar.
As pessoas refinaram os desejos, parece que todos ou grande parte, querem ser pessoas fora de série sempre em cima da onda e assim está cada vez mais difícil ser uma pessoa banal. A internet, a televisão, as revistas especializadas dão cabo do equilíbrio de uma pessoa, para mim isto é gente banal, que vive na ilusão que é gente fora de série.
Como bem diz o meu amigo Paulo Farinha: «Para 2014 desejem menos. E dêem mais.»

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mário Lago (26 de Novembro de 1911, Rio de Janeiro, Brasil - 30 de maio de 2002, Rio de Janeiro, Brasil), advogado, poeta, compositor, letrista e actor carioca.

Três Coisas

Três coisas pra mim no mundo
Valem bem mais do que o resto
Pra defender qualquer delas
Eu mostro o quanto que presto


É o gesto, é o grito, é o passo
É o grito, é o passo, é o gesto
O gesto é a voz do proibido
Escrita sem deixar traço

Chama, ordena, empurra, assusta
Vai longe com pouco espaço
É o passo, é o gesto, é o grito
É o gesto, é o grito, é o passo

O passo começa o vôo
Que vai do chão pro infinito
Pra mim que amo estrada aberta
Quem prende o passo é maldito

É o grito, é o passo, é o gesto
É o passo, é o gesto, é o grito
O grito explode o protesto
Se a boca já não dá espaço

Que guarde o que há pra ser dito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o passo, é o gesto, é o grito

"Os governantes que não sabem escutar ou não querem escutar seus povos não são dignos de governá-los". A. P. ESQUÌVEL



Adolfo Pérez Esquivel (Buenos Aires, 26 de Novembro de 1931) arquitecto, escultor e activista de direitos humanos, agraciado com o Nobel da Paz de 1980.
Em 1974 na cidade de Medellin, na Colômbia, Adolfo Pérez Esquivel coordenou a fundação do Servicio Paz y Justicia en América Latina (SERPAJ-AL).
O SERPAJ-AL dedicou-se a defender os Direitos Humanos no continente e a difundir a Não-Violência Activa como instrumento de transformação da realidade e dos crimes de tortura e desaparecimento forçado de militantes políticos e agentes comunitários e pastorais, praticados pelas Ditaduras Militares que haviam se instalado por toda a América Latina, com o apoio dos Estados Unidos que viviam então o auge da Guerra Fria com a União Soviética.
É membro do Comité da patrocínio da Coordenação internacional para o Decénio da cultura da não-violência e da paz. Esquivel é também o Presidente da Academia de Ciências Ambientais de Veneza na Itália. Juntamente com outros Prémios Nobel da Paz, lidera uma campanha mundial pela criação de uma grupo internacional para julgar os crimes ambientais de grande monta.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

PASSADOS 50 ANOS, AFINAL QUEM ENCOMENDOU A MORTE DE JOHN KENNEDY?


John Fitzgerald Kennedy (Brookline, 29 de maio de 1917 — Dallas, 22 de novembro de 1963) 35°presidente dos Estados Unidos, é considerado uma das grandes personalidades do século XX.
Eleito em 1960, Kennedy tornou-se o segundo mais jovem presidente do seu país, depois de Theodore Roosevelt. Ele foi Presidente de 1961 até o seu assassinato em 1963. Durante o seu governo houve a Invasão da Baía dos Porcos, a Crise dos mísseis de Cuba, a construção do Muro de Berlim, o início da Corrida espacial, a consolidação do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos e os primeiros eventos da Guerra do Vietname.
Com 43 anos de idade, foi o candidato presidencial do Partido Democrata nas eleições de 1960, derrotando o Republicano Richard Nixon .
O presidente Kennedy morreu assassinado em 22 de novembro de 1963 em Dallas, Texas. O ex-fuzileiro naval Lee Harvey Oswald foi preso e acusado do assassinato, mas foi morto dois dias depois, por Jack Ruby e por isso não foi julgado. A Comissão Warren concluiu que Oswald agiu sozinho no assassinato. No entanto, o Comitê da Câmara sobre Assassinatos descobriu em 1979 que talvez tenha havido uma conspiração em torno do acontecido. Este tópico foi debatido e há muitas teorias sobre o assassinato, visto que o crime foi um momento importante na história dos Estados Unidos devido ao seu impacto traumático na psique da nação.

Muitos viram em Kennedy um ícone das esperanças e aspirações americanas, e em algumas pesquisas no país ele ainda é valorizado como um dos melhores presidentes da história da nação.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

ESCLARECIMENTO

Olá, Manuela.

Ferindo a lei 9.610 (Direitos autorais). Esse meu poema: A pedra. Circulava como de autor desconhecido ou com o nome de plagiadores. Agora aparece como de Chaplin, Renato Russo, Fernando Pessoa, sem citar a autoria...
O real autor é Antonio Pereira (Apon). Todos os esclarecimentos em:
http://www.aponarte.com.br/2007/08/pedra.html
Inclusive, já está disponível a nova edição do livro: Essência (onde foi originalmente publicado esse poema em 1999): 
http://www.agbook.com.br/book/139532--Essencia ou http://www.clubedeautores.com.br/book/139532--Essencia

A forma original do poema:

O distraído, nela tropeçou,
o bruto a usou como projétil,
o empreendedor, usando-a construiu,
o campônio, cansado da lida,
dela fez assento.
Para os meninos foi brinquedo,
Drummond a poetizou,
Davi matou Golias...
Por fim;
o artista concebeu a mais bela escultura.
Em todos os casos,
a diferença não era a pedra.
Mas o homem.

Título: A pedra
Nome do autor: Antonio Pereira (Apon)
Link para a fonte original: http://www.aponarte.com.br/2007/08/pedra.html

Solicito a cooperação na Correção do conteúdo, incluindo os créditos necessários ou a exclusão do mesmo, para que o poema não siga equivocadamente como de “autor desconhecido” ou com outras possíveis distorções quanto a real autoria.

Se possível, conto com a colaboração na divulgação desses esclarecimentos em Blogs/Sites e Redes Sociais.

Um grande abraço.

Antonio Pereira (Apon)

domingo, 10 de novembro de 2013

Álvaro Barreirinhas Cunhal nasceu a 10 de Novembro de 1913, em Coimbra, e faleceu a 13 de Junho de 2005.

Aprecio o homem que foi Álvaro Cunhal, uma pessoa de convicções fortes e determinado na luta pelos seus ideias. Um homem que pode ser recordado pela sua integridade e coerência, como há poucos. Relativamente aos políticos estou sempre de pé atrás, por essa razão não me debruço muito sobre os mesmos. Cunhal lutou pelas suas ideias, com as consequências inevitáveis, foi amado e odiado, como sempre acontece, mas será sempre uma figura incontornável na História.


«A história do comunismo, do movimento comunista, é no fundamental, embora num percurso acidentado, a história de uma luta social constante na defesa dos interesses e direitos dos explorados e oprimidos, tendo como objectivo construir uma sociedade nova e melhor, o que implica confiança no ser humano e exclui a crença em formas sobrenaturais, que decidam do seu destino. Os objectivos e a luta dos comunistas hoje são inseparáveis dos objectivos e da luta desde o Manifesto Comunista de 1848. A Igreja católica pouco tem a ver com os primeiros cristãos que eram perseguidos. Aquele a quem se atribui a fundação da Igreja, S. Pedro, foi crucificado e de cabeça para baixo. Quando, alguns dizem que Cristo foi o primeiro comunista, atribuem-lhe ideias e comportamentos com os quais pouco ou nada têm a ver as ideias e os comportamentos da Igreja Católica ao longo dos anos, pois ela se tornou um elemento integrante do feudalismo, e depois do capitalismo, a não ser em alguns dos seus sectores que retomam as melhores ideias e comportamentos atribuídos a Cristo. No movimento comunista e na concretização dos seus objectivos registaram-se, graves situações e fenómenos que se afastaram dos ideais sempre proclamados pelos comunistas. Mas, falando em comunismo hoje, eu só compreendo mantendo e defendendo esses ideais e não renegando as grandes realizações e o património de luta de gerações e gerações de comunistas. Os comunistas não têm uma concepção ideológica separada de uma intervenção prática. Ao contrário da Religião, não aceitamos o conformismo e a resignação. Não estamos a lutar por uma concepção; estamos, com uma concepção, a lutar pela solução de problemas concretos da humanidade e por uma transformação da sociedade que os resolva. Estamos cá na terra, com os pés assentes na terra.»

Álvaro Cunhal

sábado, 2 de novembro de 2013

UM CASO REVOLTANTE...

Theodorus (Theo) van Gogh (Haia, 23 de Julho de 1957 — Amesterdão, 2 de Novembro de 2004) realizador de cinema e um polémico autor e actor dos Países Baixos.
O seu bisavô tinha sido Theo van Gogh, o comerciante de arte, irmão do famoso pintor holandês Vincent van Gogh. Depois de abandonar o curso de direito, tornou-se encenador e depois realizador de cinema, além de escrever colunas frequentemente provocadoras para o jornal Metro, entre outros.
Van Gogh tornou-se famoso pelas polémicas em que se envolveu frequentemente. Era especialmente crítico face à religião. Chamou por exemplo a Jesus Cristo "um pescador preguiçoso de Nazaré", o que lhe fez ser considerado um ser demoníaco e retratou Maomé como pedófilo (Maomé casou-se com Aicha, uma menina de nove anos).
No seu último livro (2003) foi Allah weet het beter, fez uso do seu estilo irónico e cínico, comum aos jornalistas holandeses, apresentando as suas visões do Islão.
Ele era membro da sociedade republicana holandesa Republikeins Genootschap (antimonárquica), e apoiava a nomeação da política, nascida na Somália, Ayaan Hirsi Ali, para o parlamento holandês. Ela foi eleita para o parlamento holandês em 2003, representando o VVD (Partido Liberal).
Mohammed Bouyeri querendo defender os mandamentos do Islão, que ordena matar e decapitar infiéis ou seja quem não quiser ser islâmico,assassinou Van Gogh, quando ia de bicicleta para o trabalho.
Juntamente com Hirsi Ali, van Gogh foi o autor do filme com o título "Submissão" (uma referência inequívoca ao Islão, que significa literalmente submissão a Alá). É um filme sobre a situação da mulher nas sociedades islâmicas, abordando temas como os casamentos arranjados, a violência doméstica ou o incesto. Após a estreia do filme, Van Gogh e Hirsi Ali receberam ameaças de morte.
Segundo o autor e colunista holandês Leon de Winter, o caso de Theo van Gogh é um resultado trágico do confronto cultural entre uma cultura holandesa tradicionalmente tolerante e liberal e o fluxo de imigração de zonas do mundo que não têm esse mesmo carácter. Van Gogh foi um símbolo da liberdade de expressão e do pensamento crítico, por vezes exacerbado, que são característicos de uma sociedade pluralista e moderna. Em forte contraste com este modelo estão os imigrantes do Magrebe, hoje um sector numeroso da sociedade holandesa, pouco habituados ao confronto de ideias e à crítica à religião.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O Amor é Inevitável

LA DOLCE VITA - FELLINI (MASTROIANNI/EKEBERG)
(O Amor) É inevitável, faz parte da combustão da natureza, é força, mar, elemento, água, fogo, destruição, é atmosfera, respira-se, quando se morre abandona-se, o amor deixa, fica isolado, é um elemento, come-se, bebe-se, sustenta pão, pão diário para rico e pobre, pão que ilumina o forno do amassador, aparece nas condições mais estranhas, bicho que nasce, copula dentro de si mesmo, paira, espermatozóide e óvulo, as duas coisas ao mesmo tempo, amor é assim outro elemento fundamental da natureza, as pessoas vivem tanto com o amor, ou tão alheias do amor, que nem notam, raro percebem que o amor existe, raro percebem que respiram, que a água está, é indispensável, ninguém pode viver alheio aos elementos, ao amor. 

Ruben A., in 'Silêncio para 4'

domingo, 27 de outubro de 2013

Erasmo de Roterdão, in "Elogio da Loucura"


A Mentira Agrada Mais do Que a Verdade

O espírito do homem é feito de maneira que lhe agrada muito mais a mentira do que a verdade. Fazei a experiência: ide à igreja, quando aí estão a pregar. Se o pregador trata de assuntos sérios, o auditório dormita, boceja e enfada-se, mas se, de repente, o zurrador (perdão, o pregador), como aliás é frequente, começa a contar uma história de comadres, toda a gente desperta e presta a maior das atenções.
Como é fácil essa felicidade! Os conhecimentos mais fúteis, como a gramática por exemplo, adquirem-se à custa de grande esforço, enquanto a opinião se forma com grande facilidade, contribuindo tanto ou talvez mais para a felicidade. Se um homem come toucinho rançoso, de que outro nem o cheiro pode suportar, com o mesmo prazer com que comeria ambrósia, que tem isso a ver com a felicidade? Se, pelo contrário, o esturjão causa náuseas a outro, que temos nós com isso? Se uma mulher, horrivelmente feia, parece aos olhos do marido semelhante a Vénus, para o marido é o mesmo do que se ela fosse bela. Se o dono de um mau quadro, besuntado de cinábrio e açafrão, o contempla e admira, convencido de que está a ver uma obra de Apeles ou de Zêuxis, não será mais feliz do que aquele que comprou por elevado preço uma obra destes pintores e que olhará para ela talvez com menos prazer? 


Erasmo de Rotterdam, (Rotterdam, 28 de Outubro de 1466 — Basileia, 12 de Julho de 1536), teólogo e um humanista neerlandês que viajou por toda a Europa (inclusive Portugal).

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

MUITO ME APRAZ HOMENAGEAR HOJE, NA DATA DA SUA MORTE, HÁ 31 ANOS, (COMO O TEMPO PASSA) O ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA.

Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira (Porto, 9 de Abril de 1942 — Avintes, 16 de Outubro de 1982), referência incontornável de cantor de intervenção.

Adriano foi um intérprete do fado de Coimbra e cantor de intervenção. A sua família era marcadamente católica, crescendo num ambiente que descreveu como «marcadamente rural, entre videiras, cães domésticos e belas alamedas arborizadas com vista para o rio». Depois de frequentar o Liceu Alexandre Herculano, no Porto, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1959. Viveu na Real República Ras-Teparta, foi solista no Orfeon Académico, membro do Grupo Universitário de Danças e Cantares, actor no CITAC, guitarrista no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica e jogador de voleibol na Briosa. Na década de 1960 adere ao Partido Comunista Português, envolvendo-se nas greves académicas de 62, contra o salazarismo. Nesse ano foi candidato à Associação Académica de Coimbra, numa lista apoiada pelo MUD.
Dedicou a sua curta vida à música e musicou vários dos poemas de Manuel Alegre.
A título póstumo em 1983 foi feito Comendador da Ordem da Liberdade e a 24 de Abril de 1994 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.








quarta-feira, 11 de setembro de 2013

11 DE SETEMBRO

Hoje é incontornável não referir dois acontecimentos, que abalaram o mundo:
-11 de Setembro de 1973, morre o presidente eleito do Chile Salvador Allende durante o bombardeamento do Palácio de La Moneda, que foi o início do golpe militar que levou ao poder o ditador Pinochet.



-11 de Setembro de 2001 - Ataque terrorista às torres gémeas do World Trade Center de Nova Iorque e ao Pentágono em Washington, provocando cerca de 3000 mortes.




Salvador Allende Gossens (Valparaíso, 26 de Junho de 1908 — Santiago do Chile, 11 de Setembro de 1973) médico e político marxista chileno. Fundador do Partido Socialista, governou o país de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, Augusto Pinochet.
Allende foi o primeiro presidente de república e o primeiro chefe de estado socialista marxista eleito democraticamente na América Latina. Allende foi um revolucionário atípico: acreditava na via eleitoral da democracia representativa, e considerava ser possível instaurar o socialismo dentro do sistema político então vigente em seu país.

"Não basta que todos sejam iguais perante a lei. É preciso que a lei seja igual perante todos".

"O socialismo não pode ser imposto por decreto: é um processo em desenvolvimento".

"¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!"
"Não vou renunciar. Colocado no caminho da História pagarei com minha vida a lealdade do povo. E digo que tenho certeza de que a semente que deixamos na consciência digna de milhares e milhares de chilenos não poderá ser ceifada definitivamente. Eles têm a força, poderão submeter-nos, porém não deterão os processos sociais nem com crimes nem com a força. A história é nossa e é feita pelo povo".
"¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!"
- últimas palavras de Salvador Allende transmitidas por rádio durante o cerco ao La Moneda.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Confesso que acredito que ninguém está livre de cair numa condição de vagabundo, por tão vagabundos podermos ser, pela força do acaso.



Conclui a leitura de «Viajante Solitário» de Kerouac, gostei de viajar com ele, de barco, de comboio, a pé...pelo México, altas montanhas, Nova Iorque, Marrocos, França, Inglaterra... comendo o pão que o diabo amassou!
Um livro de experiências diferentes, cheio de citações de escritores, músicos, pintores, cinema...que eu conhecia e desconhecia e que também me motivou uma pesquisa pela net.

No capítulo final sobre vagabundos, eu chamar-lhes-ia também vagamundos é citado Serguei Iessiênin e o seu poema:

A confissão de um vagabundo

Nem todos sabem cantar,
Não é dado a todos ser maçã
Para cair aos pés dos outros.

Esta é a maior confissão
Que jamais fez um vagabundo.

Não é à toa que eu ando despenteado,
Cabeça como lâmpada de querosene sobre os ombros.
Me agrada iluminar na escuridão
O outono sem folhas de vossas almas,
Me agrada quando as pedras dos insultos
Voam sobre mim, granizo vomitado pelo vento.
Então, limito-me a apertar mais com as mãos
A bolha oscilante dos cabelos.

Como eu me lembro bem então
Do lago cheio de erva e do som rouco do amieiro,
E que nalgum lugar vivem meu pai e minha mãe,
Que pouco se importam com meus versos,
Que me amam como a um campo, como a um corpo,
Como à chuva que na primavera amolece o capim.
Eles, com seus forcados, viriam aferrar-vos
A cada injúria lançada contra mim.

Pobres, pobres camponeses,
Por certo estão velhos e feios,
E ainda temem a Deus e aos espíritos do pântano.
Ah, se pudessem compreender
Que o seu filho é, em toda a Rússia,
O melhor poeta!
Seus corações não temiam por ele
Quando molhava os pés nos charcos outonais?
Agora ele anda de cartola
E sapatos de verniz.

Mas sobrevive nele o antigo fogo
De aldeão travesso.
A cada vaca, no letreiro dos açougues,
Ele saúda à distância.
E quando cruza com um coche numa praça,
Lembrando o odor de esterco dos campos nativos,
Lhe dá vontade de suster o rabo dos cavalos
Como a cauda de um vestido de noiva.

Amo a terra.
Amo demais minha terra!
Embora a entristeça o mofo dos salgueiros,
Me agradam os focinhos sujos dos porcos
E, no silêncio das noites, a voz alta dos sapos.
Fico doente de ternura com as recordações da infância.
Sonho com a névoa e a humidade das tardes de abril,
Quando o nosso bordo se acocorava
Para aquecer os ossos no ocaso.
Ah, quantos ovos dos ninhos das gralhas,
Trepando nos seus galhos, não roubei!
Será ainda o mesmo, com a copa verde?
Sua casca será rija como antes?

E tu, meu caro
E fiel cachorro malhado?!
A velhice te fez cego e resmungão.
Cauda caída, vagueias no quintal,
Teu faro não distingue o estábulo da casa.
Como recordo as nossas travessuras,
Quando eu furtava o pão de minha mãe
E o mordíamos, um de cada vez,
Sem nojo um do outro.

Sou sempre o mesmo.
Meu coração é sempre o mesmo.
Como as centáureas no trigo, florem no rosto os olhos.
Estendendo as esteiras douradas de meus versos
Quero falar-vos com ternura.

Boa noite!
Boa noite a todos!
Terminou de soar na relva a foice do crepúsculo...
Eu sinto hoje uma vontade louca
De mijar, da janela, para a lua.

Luz azul, luz tão azul!
Com tanto azul, até morrer é zero.
Que importa que eu tenha o ar de um cínico
Que pendurou uma lanterna no traseiro!
Velho, bravo Pégaso exausto,
De que me serve o teu trote delicado?
Eu vim, um mestre rigoroso,
Para cantar e celebrar os ratos.
Minha cabeça, como agosto,
Verte o vinho espumante dos cabelos.

Eu quero ser a vela amarela

Rumo ao país para o qual navegamos.

domingo, 25 de agosto de 2013

Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de Outubro de 1844 — Weimar, 25 de Agosto de 1900) influente filósofo alemão do século XIX



Cultura
É um fenómeno eterno: a ávida vontade vai sempre encontrar um meio de fixar as suas criaturas na vida através de uma ilusão espalhada sobre as coisas, forçando-as a continuar a viver. Este vê-se amarrado pelo prazer socrático do conhecimento e pela ilusão de poder, através do mesmo, curar a eterna ferida da existência; aquele vê-se envolvido pedo véu sedutor da arte ondeando diante dos seus olhos; aquele, por seu turno, pela consolação metafísica de que sob o remoinho dos fenómenos continua a fluir, impreturbável, a vida eterna: para não falar das ilusões mais comuns, e talvez mais vigorosas, que a vontade tem preparadas em qualquer instante. 
Aqueles três níveis de ilusão destinam-se apenas às naturezas mais nobremente apetrechadas, nas quais a carga e o peso da existência são em geral sentidos com um desagrado mais profundo e que podem ser ilusoriamente desviadas desse desagrado através de estimulantes seleccionados. É nestes estimulantes que consiste tudo o que chamamos cultura. 

Friedrich Nietzsche, in 'O Nascimento da Tragédia'




Ecce Homo
Sim, sei de onde venho! 
Insatisfeito com a labareda 
Ardo para me consumir. 
Aquilo em que toco torna-se luz, 
Carvão aquilo que abandono: 
Sou certamente labareda. 

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"

Sabedoria do Mundo
Não fiques em terreno plano. 
Não subas muito alto. 
O mais belo olhar sobre o mundo 
Está a meia encosta. 

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
O Solitário
Detesto seguir alguém assim como detesto conduzir. 
Obedecer? Não! E governar, nunca! 
Quem não se mete medo não consegue metê-lo a 
          ninguém, 
E só aquele que o inspira pode comandar. 
Já detesto guiar-me a mim próprio! 
Gosto, como os animais das florestas e dos mares, 
De me perder durante um grande pedaço, 
Acocorar-me a sonhar num deserto encantador, 
E forçar-me a regressar de longe aos meus penates, 
Atrair-me a mim próprio... para mim. 

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"