A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quarta-feira, 21 de abril de 2010

O VERMELHO E O NEGRO - STENDHAL

Henri-Marie Beyle, mais conhecido como Stendhal ( 1783 - 1842), foi um escritor francês reputado pela fineza na análise dos sentimentos dos seus personagens e pelo seu estilo deliberadamente seco.

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Le Rouge et le Noir (O Vermelho e o Negro), com o subtítulo Chronique du XIX siécle, romance histórico é uma obra-prima. Trata-se das tentativas de um jovem de subir na vida, apesar do seu nascimento plebeu, através de uma combinação de talento, trabalho duro, engano e hipocrisia. Foi traído pelas suas próprias paixões.
"O Vermelho e o Negro", vem do vermelho da antiga farda vermelha dos franceses e o negro da batina dos padres, demonstrando a principal dúvida do protagonista: «revelar-se nobre e ter ascensão rápida e garantida na hierarquia religiosa, ou continuar mundano sob as mesmas circunstâncias na vida militar». Essa é uma interpretação para a aceitação de um jovem de origem humilde nos meios sociais de maior vulto e influência.
Gostei bastante desta obra, gosto dos romances históricos, principalmente os que abordam o contexto de uma época, tendo em conta as fontes científicas ou a contemporaneidade dos factos. Este escritor faz parte dos clássicos essenciais.

ABRIL - SOFHIA/ANTÓNIO ALEIXO-PADRE FANHAIS

Música: Francisco Fanhais
Poesia: Sofia de Melo Breyner
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Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
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Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
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Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
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Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Música: Francisco Fanhais
Poesia: António Aleixo (poeta popular)
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Embora os meus olhos sejamos
mais pequenos do mundo
o que importa é que eles vejam
o que os homens são no fundo
.
Que importa perder a vida
na luta contra a traição
se a razão mesmo vencida
não deixa de ser razão
.
Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo
calai-vos que pode o povo
querer um mundo novo a sério
.
Eu não tenho vistas largas
nem grande sabedoria
mas dão-me as horas amargas

terça-feira, 20 de abril de 2010

TOULOUSE-LAUTREC

Pensando vermelho, pensei no Moulin Rouge, já andei por lá.
Paris foi a minha primeira viagem e a viagem mais desejada, consequência de leituras, pintores, cantores...toda aquela áurea intelectual.
Paris, Moulin Rouge e de imediato TOULOUSE-LAUTREC












Henri Marie Raymond de TOULOUSE-LAUTREC Monfa ( 1864 — 1901) pintor pós-impressionista e litógrafo. Conhecido por pintar a vida boémia de Paris do final do século XIX, ele mesmo um boémio que faleceu precocemente aos 36 anos, de sífilis e alcoolismo, além ter sofrido uma doença desconhecida na sua época. Certamente uma distrofia poli-hipofisária, ou seja, um desenvolvimento insuficiente de certos tecidos ósseos. Sofreu dois acidentes na sua juventude, fracturando o fémur esquerdo e direito. Os ossos mal soldados pararam de crescer e fizeram de Henri um homem com corpo de adulto mas com pernas curtas de menino. Trabalhou cerca de vinte anos mas deixou um legado artístico importantíssimo, tanto no que se refere à qualidade e quantidade de obras, como também no que se refere à popularização e comercialização da arte. Toulouse-Lautrec revolucionou o design gráfico dos cartazes publicitários, ajudando a definir o estilo que seria posteriormente conhecido como Art Nouveau.



































MANUEL ALEGRE/ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

(POEMAS:MANUEL ALEGRE - MÚSICA: ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA)

CANÇÃO TÃO SIMPLES

Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?
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Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?
.
Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?
.
Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?

TROVA DO VENTO QUE PASSA

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.
.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
.
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

http://www.youtube.com/watch?v=xyN1A2IOtbA

segunda-feira, 19 de abril de 2010

COLORINDO A VIDA - VERMELHO

O MEU VESTIDO VERMELHO

A minha mãe gostava de me vestir bem, mas eu era bastante esquisita…chorava porque não queria ir à modista, vira daqui, vira de acolá, anda para a frente, anda para trás, põe alfinete, tira alfinete…eu a chorar que me queria ir embora e a minha mãe a enervar-se!...O pior ainda foi o vestido vermelho escuro de veludo, com a golinha rendada. Eu não gostava do vestido, sei lá por quê? Não me lembro, mas lembro-me que ao Domingo, o meu pai considerava ser o dia de descanso da minha mãe e íamos almoçar sempre ao restaurante. Lembro-me de estar sentada numa cadeira, com esse vestido, esperando que os outros acabassem de se arranjar e chorava como uma desalmada, dei um grande espirro e uma grande ranheta caiu por mim abaixo. A minha mãe, possivelmente já cheia de me ouvir passou-se, pus a família toda a discutir, até que a minha mãe foi para o quarto, dizendo que já não queria sair e o meu pai foi atrás dela. Eu e a minha irmã ficamos na sala e obviamente que esta me dizia queixosa: Vês o que arranjaste!?...
Passado um tempo o meu pai desceu e disse: vou buscar comida ao restaurante, a vossa mãe não está em condições de sair, vão pondo a mesa. Depois quando voltou, disse à minha irmã para pôr a comida numa travessa, por acaso eram tripas à moda do Porto. Foi ao quarto chamar a minha mãe para vir comer. Ela lá veio, contrariada e de olhos inchados. Só faltava ir buscar a travessa à cozinha. A minha irmã nessa altura andava numa de Gina Lollobrigida, com aqueles meneios e vinha com a travessa só com a ponta dos dedos, tropeçou, a travessa voou e nós ficamos a ver o feijão e as carnes a escorrer pela parede!..Enfim o resultado já se antevê, dia estragado por completo!?...

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Que associações posso fazer com o Vermelho…As paixões platónicas iniciais, as paixões não platónicas depois, a paixão pela vida…pelos meus filhos, o entusiasmo, a euforia da Revolução dos Cravos… sentimentos intensos e descontrolados, mas ardentes… o fogo, o sol e o calor, a força, o dinamismo, a exaltação, a vida transbordante, a agitação…


Vermelho sangue, que nos corre nas veias, o sangue da vida e também sempre, por uma razão ou por outra tanto sangue derramado!...


BLOGAGEM COLORIDA - VERMELHO - TINTO

A noite declinava, ele chegaria a qualquer momento. O jantar estava pronto. Ela tinha feito rosbife, que ele tanto gostava, que seria acompanhado como o vinho tinto aquecido à temperatura ideal e para a sobremesa os seus doces e frutos preferidos…tarte de morangos, doce de maça vermelha, cerejas com vodka…rodelas de melancia, muito frescas! Tinha-se esmerado, colocou na mesa uma taça de pétalas de rosas vermelhas e também o castiçal com as velas vermelhas…o VERMELHO, o vermelho da sua paixão!…

Ela própria tinha vestido o seu vestido vermelho justo, sentia-se atraente e elegante…
Foi até à janela, com o seu copo de Porto e de forma sonhadora ficou a olhar o céu, junto à linha do mar, tão vermelho…


Sentia uma grande expectativa, o seu sangue pulsava nas veias, um estranho calor se apossava dela…Há dois anos que não se viam, ele tinha partido de repente, deixando-a numa grande amargura. Depois de um mês em labaredas de paixão, recebeu um SMS, a dizer «parto para Londres», mais nada! Ontem tinha-lhe telefonado, convidando-a para jantar e ela sugeriu que o jantar fosse em sua casa. Nada mais disseram. Esperava-o com uma saudade imensa, mas não deixava de se interrogar: o que é que ele pretendia dela? Ficou a olhar para a mesa. Devagar tirou o castiçal das velas e guardou-o no armário. Olhou para a taça das pétalas e levou-as para a cozinha. Já tinha passado meia hora, da hora aprazada!

ELE VEM? ELE NÃO VEM? ELA FICA À ESPERA INTERMINAVELMENTE? ELE TELEFONA A DIZER QUE TEVE UM COMPROMISSO? ELE VEM E TUDO DECORRE DE ACORDO COM O SONHO DELA? ELE VEM E NADA ACONTECE? NÃO SEI, CANSEI-ME DE PENSAR…
QUE ESCOLHERIAM?
(blogagem «colorindo a vida» - INCENTIVADORA: GLORINHA LION - BLOGUE CAFÉ COM BOLO )

MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES...JOSÉ MÁRIO BRANCO

Mudam-Se Os Tempos, Mudam-Se As Vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
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E se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.
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Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
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Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
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Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
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Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.
http://www.youtube.com/watch?v=tTTdJ5FM1mY&feature=related

domingo, 18 de abril de 2010

EYIAFJALLAJÖKULL vulcão na Islândia


Tem sido o assunto de primeira página na Comunicação Social. A ênfase tem sido dada ao espaço aéreo e consequentemente aos voos cancelados e às pessoas que estão retidas nos aeroportos.
As entrevistas têm incidido nos turistas, que tinham viagens marcadas que não as podem fazer e nas pessoas que acabando as suas férias, querem regressar ao seu país e não podem. O mundo do trabalho é bastante afectado, a nível de trabalhadores e empresários e também de transacções. Também o mundo da circulação dos políticos. Com poeira e sem poeira todo o mundo é afectado. Desenhou-se mais um factor de crise? Quem saberá, no mundo científico, quando o vulcão vai adormecer e se ainda um outro vulcão existente nas proximidades vai activar?

Fico atenta ao evoluir dos acontecimentos e às consequências. Especialistas em várias matérias, saberão fazer uma leitura mais aprofundada do acontecimento.

CANÇÕES DE ABRIL - ANTÓNIO GEDEÃO (FREIRE-NIZA)

POEMAS DE ANTÓNIO GEDEÃO

PEDRA FILOSOFAL

Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer
.
Como esta pedra cinzenta
Em que me sento e descanso
Como este ribeiro manso
Em serenos sobressaltos
Como estes pinheiros altos
Que em verde e oiro se agitam
Como estas aves que gritam
Em bebedeiras de azul
.
Eles não sabem que o sonho
É vinho, é espuma, é fermento
Bichinho alacre e sedento
De focinho pontiagudo
Em perpétuo movimento
.
Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel
Base, fuste ou capitel
Arco em ogiva, vitral,
Pináculo de catedral,
Contraponto, sinfonia,
Máscara grega, magia,
Que é retorta de alquimista
Mapa do mundo distante
Rosa dos ventos, infante
Caravela quinhentista
Que é cabo da boa-esperança
Ouro, canela, marfim
Florete de espadachim
Bastidor, passo de dança
Columbina e arlequim
Passarola voadora
Pára-raios, locomotiva
Barco de proa festiva
Alto-forno, geradora
Cisão do átomo, radar
Ultra-som, televisão
Desembarque em foguetão
Na superfície lunar
.
Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança

MÚSICA: MANUEL FREIRE
http://www.youtube.com/watch?v=DuGbpW-pGYg&feature=related
FALA DO HOMEM NASCIDO

Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém
.
Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci
.
Trago boca pra comer
e olhos pra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr
.
Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada
.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham
.
Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu
.
Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar

sábado, 17 de abril de 2010

ZÉ - UM RAPAZ DE GRANDES AMBIÇÕES

Quem olha para esta fotografia, ninguém imaginaria aos píncaros a que este rapaz chegou!? Tem ar de desmazelado…roupa à balda, penteado à chanfra…pois ninguém diria que estava a
forjar-se um «sábio»!...
Mas já tinha determinação, nariz empinado e olhar em frente!...Este rapaz estudou, foi fácil arranjar um «canudo», isto porque foi um estudante muito «esperto e ladino»!.. Cedo foi para a política, uma escada para trepadores habilidosos, basta andar sempre na luta e ter persistência, porque enfim é preciso esperar a vez, mas foi sendo premiado!...
O Zé tornou-se arrogante e determinado, de coluna bem hirta e com uma voz firme e demagógica, chegou longe!...
Estou convencida que ele chegaria sempre longe, fosse qual fosse a sua profissão, porque tem o verbo fácil, porque convence não convencendo, venderia bem qualquer «banha de cobra»! Claro que teve sorte, guindou-se num vazio total, depois arranjou uma «turma» que se encosta bem a ele, tem os seus indefectíveis!..
Para mim a sua demagogia é o que mais me impressiona, neste aspecto ele deve ter três «canudos», talvez por isso lhe tenha crescido um bom bocado o nariz!..
O Zé tem dado muito nas vistas, nas vistas e não só, tem pregado grandes fintas, não sou grande conhecedora de futebol, mas se ele fosse jogador seria do género, olha para a direita e atira para a esquerda.
Todos nós sabemos, ie nem todos, que este rapaz não vai fazer nada, é um homem de paliativos, numa «maré negra» ele só tem destilado o negrume, foi abrindo mais e mais a fossa negra, que faz contraponto com uma ilha paradisíaca onde vivem os privilegiados, muitos deles com um saco de corrupção às costas muito pesado!.. Eles não vêem que isso é como um bom vinho, delicioso, frutado a escorrer pela garganta, mas se a dose for muita, vai fazer mal: espasmos no estômago, dor de cabeça, cólicas e uma grande ressaca! Não é bebendo muito que se faz a felicidade, mas essa procura da felicidade material é o que está a proliferar, depois são grandes as bebedeiras e grandes as besteiras!.. Podem ficar impunes, mas mesmo assim como é possível carregar um saco de corrupção às costas e ter boa saúde e dormir bem? Eu cá para mim, são gente sempre de sais de frutos no bolso e comprimido anti-depressivo ao deitar e ao levantar!?..

O MENINO DE SUA MÃE - PESSOA-LUIS CÍLIA

POEMA: FERNANDO PESSOA

O menino da sua mãe

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
– Duas, de lado a lado –,
Jaz morto, e arrefece.
.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
.
Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».
.
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe.
Está inteira
E boa a cigarreira,
Ele é que já não serve.
.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
.
Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

TEJO QUE LEVAS AS ÁGUAS - MANUEL DA FONSECA/ADRIANO


POEMA: Manuel da Fonseca


Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar
.
Lava-a de crimes espantos
de roubos, fomes, terrores,
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amores
.
Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas
.
Lava bancos e empresas
dos comedores de dinheiro
que dos salários de tristeza
arrecadam lucro inteiro
.

Lava palácios vivendas
casebres bairros da lata
leva negócios e rendas
que a uns farta e a outros mata
.

Lava avenidas de vícios
vielas de amores venais
lava albergues e hospícios
cadeias e hospitais
.
Afoga empenhos favores
vãs glórias, ocas palmas
leva o poder dos senhores
que compram corpos e almas
.

Das camas de amor comprado
desata abraços de lodo
rostos corpos destroçados
lava-os com sal e iodo


MÚSICA: ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

http://www.youtube.com/watch?v=44LvF6RndsI

quinta-feira, 15 de abril de 2010

UMA VOCAÇÃO PERDIDA…

As crianças, segundo Fernando Pessoa, são o melhor do mundo e eu concordo, mas também são mazinhas. Espíritos rebeldes, a absorver paulatinamente as leis da vida, como pedras preciosas em bruto, cujas arestas vão sendo limadas gradualmente.
Pensando na minha infância e analisando-me retrospectivamente considero que fui muito mazinha, com os meus caprichos e com aquilo que gostava de fazer. Lembro-me especialmente da caixa de sapatos, que enfurecia a minha mãe, mas sempre que eu podia lá andava com a caixa de sapatos. Pela calada lá ia com ela, para o jardim ou para o quintal.
Tinha uma predilecção especial pelos bichinhos, de andar à caça de borboletas e abelhas, então se me aparecia um abelhão era um desafio tremendo, indo devagarinho para o agarrar nas asas no sítio certo e… ele a zunir… (devia ter sido ferrada, para aprender a respeitar os animais)
Todos os bichinhos despertavam a minha atenção e pronto lá iam para a caixa dos sapatos. Por baixo de uma escada, meia escondida procedia às minhas experiências com abelhas, borboletas, bichos-de-conta, bicha-cadela, lagartixas, lagartos…as minhas experiências consistiam em tirar-lhes uma pata, para ver como elas andavam, ou duas patas, ou uma asa, ou o rabo à lagartixa, passava horas naquilo…quanto maldade eu fiz!...Depois sempre me encontravam, porque eu perdia a noção do tempo e a minha mãe já desconfiava que quando eu estivesse muito caladinha era mau sinal!...
SERÁ QUE EU DEVIA TER IDO PARA CIENTISTA?!...

LIVRE - CARLOS DE OLIVEIRA/MANUEL FREIRE


(CARLOS DE OLIVEIRA)

LIVRE

Não há machado que corte
A raíz ao pensamento
Não há morte para o vento
Não há morte

Se ao morrer o coração
Morresse a luz que lhe é querida
Sem razão seria a vida
Sem razão

Nada apaga a luz que vive
No amor num pensamento

Porque é livre como o vento
Porque é livre



quarta-feira, 14 de abril de 2010

GRÂNDOLA, VILA MORENA - ZECA AFONSO

ZECA AFONSO
GRÃNDOLA VILA MORENA

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
.
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
.
Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
.
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena
.
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade
.
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
(canção-senha da Revolução)

VAMPIROS

No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
.
Vêm em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada
.
Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
.
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
.
A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
.
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas
.
São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
.
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei
.
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
.
No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
.
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada
.
Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhe franqueia
As portas à chegada
.
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

ONDE ESTAVAS NO 25 DE ABRIL? (BB)

Vinte e poucos anos, casada, com um lindo e fofo bebé. Não tinha na prática luta contra a ditadura, mas tinha conhecimentos do que se ia passando, através de familiares e amigos, de livros e jornais, o que a censura permitia ler e que era pouco. O grupo liberal, que surgiu na então Assembleia Nacional ia causando alguma agitação: Sá Carneiro, Miller Guerra, Magalhães Mota, Mota Amaral e Pinto Balsemão. Em 73 este último fundou o Jornal Expresso.
No dia 25, levantei-me para ir trabalhar. Gosto de ter sempre um rádio no quarto-de-banho e tive as primeiras informações, de que algo tinha acontecido em Lisboa. Quando cheguei à Pr. Da Liberdade o movimento era inusitado para aquela hora. Muita gente se concentrava junto aos placards dos principais jornais (os principais jornais estavam lá localizados) e aí detalhava-se de forma ainda vaga os acontecimentos. Tratei logo de comprar um jornal e fui trabalhar. Obviamente que o clima era muito tenso, todos estavam muito exaltados, todos se sentiam presos a vontade era ir para a rua e saber mais, mas ali ficamos amarrados. Os que podiam sair, traziam mais notícias e as últimas edições dos jornais. Eu nunca comprei tantos jornais como naquela altura, fiz uma colecção de vários títulos e das suas edições especiais, colecção que até já cedi, para uma exposição e continuo a guardar.
Gradualmente os fervilhantes acontecimentos iam chegando.


UM GRUPO DE CAPITÃES TINHA FEITO UMA REVOLUÇÃO PARA DEPOR A DITADURA EM QUE SE VIVIA E TUDO CORREU BEM E SEM SANGUE.
ATÉ À CONSOLIDAÇÃO DA DEMOCRACIA, HOUVE MUITA AGITAÇÃO E MUITAS PRESSÕES, FORAM UNS TEMPOS MUITO CONTURBADOS. NO DIA A SEGUIR À REVOLUÇÃO TODOS ESTAVAM AO LADO DA MESMA, DEPOIS SURGIRAM AS DIVERGÊNCIAS. PARA MIM FORAM ACONTECIMENTOS VIVIDOS INTENSAMENTE E QUE SÃO INESQUECÍVEIS.
(É MEU PROPÓSITO ATÉ AO DIA 25 DE ABRIL, LEMBRAR POEMAS, MUITOS DELES QUE MOTIVARAM AS CANÇÕES DE INTERVENÇÃO/ REVOLUCIONÁRIAS)


terça-feira, 13 de abril de 2010

INFANTICÍDIO

Fico bastante impressionada quando sou confrontada, com o assassínio pelos pais, de crianças, algumas ainda bebés.
Pela ordem natural das coisas, os pais morrem primeiro que os filhos, mas durante séculos de História, o infanticídio não só não era condenado nem criminalizado, como servia de regulação social. Na Grécia Antiga e no Império Romano, a morte dos descendentes era aceite, para equilibrar a escassez de alimentos. Também era natural matar impunemente se a criança fosse imperfeita ou considerada uma afronta para o pai. Só século IV, com o Cristianismo, o infanticídio passou a ser pecado, mas durante muitos séculos o pai era dono e senhor dos seus filhos, era tácito o pensamento de quem deu a vida a podia tirar. (Ainda há países onde se mata os filhos impunemente). A real consciencialização dos direitos da criança, foi um processo muito lento, a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, tem pouco mais de 20 anos, data de 1989.


Estive a ler um artigo sobre esta matéria e a teoria mais consensual, para explicar por que razão os pais matam intencionalmente os filhos é a total ausência de razão.

Daniel Sampaio, Prof. Catedrático de psiquiatria e Saúde mental, fala em actos perpetrados por pessoas «com patologia da personalidade ou em situações de psicose»; Manuel Sarmento, sociólogo, refere uma situação de «anomia», ou seja, uma desagregação do tecido social, muito comum em situações de crise, desemprego, empobrecimento e desigualdade»; Alda Mira Coelho , pedopsiquiatra, chama-lhe «grave perturbação psiquiátrica, descontrole emocional dos impulsos»; Ana Queirós, psicóloga clínica, especializada em neuropsicologia e demências, defende a existência de uma «anomalia cerebral» caracterizada nos criminosos por uma «amígdala mais volumosa e por uma área pré-frontal diferente». Todos são unânimes em considerar esse tipo de assassínio de: anormal, desumano, antinatural, grotesco e repugnante.
Algumas notícias…
Pai mata filho de cinco meses, já com antecedentes de agressões físicas…
Pai estrangula filha de sete anos, em processo de separação…

Mãe atira-se com um filho de seis anos ao rio, que julgava ter uma doença incurável…Ela foi resgatada viva, mas o filho morreu…
Mãe mata filha de 14 anos com um tiro, ex-médica, depressiva acabou por se suicidar a seguir…
Pai mata filho de sete anos, tencionava matar-se, mas foi preso. Fugiu da prisão e suicidou-se…
Fonte:JN

AVANTI ROSSO!...

Peço desculpa ao grupo BLOGAGEM COLORIDA, de não ter ido visitar todos!...O tempo disponível ontem foi pouco e depois gerou-se na minha cabeça uma confusão, dos visitados e dos não visitados, eu já nem sei bem quem me segue ou quem eu sigo!...Isto com o tempo vai-se esclarecendo, o importante é esta vontade uníssona, à volta do tema das cores e que seja divertido e ao mesmo tempo seja uma partilha saudável, sob a batuta da nossa amiga GLORINHA do blogue CAFÉ COM BOLO!...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

AZUL

De imediato pensamos no maravilhoso…
PLANETA AZUL

No MAR…
No FIRMAMENTO…

TUDO ILUSÕES DE ÓPTICA!..COMO MUITO NESTA VIDA, SÃO ILUSÕES DE ÓPTICA!..

Segundo a Wikipédia, o azul costuma estar associado à frieza, depressão, monotonia, mas também à paz, à ordem, à harmonia. PODE SER!?...
Eu gosto muito de azul, principalmente do marinho com…azul claro, branco, amarelo, rosa…gosto do contraste com harmonia…O meu gosto pelo azul está muito associado ao mar, barcos, marinheiros…
Não considero de modo nenhum que em mim domine a frieza, quanto a depressões, tento sacudi-las o mais depressa possível, mas tenho heranças depressivas, relativamente à monotonia, faço todo o esforço para a sacudir. Sou pacifista e pugno pela ordem, muito mais quando a sociedade está numa desordem completa!..Mas ordem faz-me pensar em prepotência e isso nem pensar!..As palavras podem ter muitos sentidos e tornam-se perigosas!..
Desta vez, não vou fazer do azul nenhuma paródia, vou referir referências e conhecimentos na minha vida, alguns vão me escapar com certeza!..
Vi, revi e revi…O ANJO AZUL realizado por, Josef von Sternberg, filme que tirou do anonimato Marlene Dietrich, que se veio a tornar, um diva, um mito e um ícone.


Se continuar a pensar em cinema, lembro BLUE VELVET de David Linch e o filme AZUL. A trilogia das cores de Krzysztof Kieślowski


Kieślowski cineasta polaco, convidado para fazer uma homenagem ao bicentenário da Revolução Francesa. Para isto ele filmou 3 filmes que tiveram os títulos de “Azul”, “ Branco” e “Vermelho”.
Se pensar, em música, vem logo ao meu pensamento, algo que adoro e sempre gosto de ouvir: BLUES. Muitos cantores de blues podiam ser referenciados, eu comecei pela Bessie Smith.


E O CLÁSSICO RAPSODY IN BLUE, de GERSHWIN


Se pensar em pintura, lembro de imediato VINCENT VAN GOGH

The Starry Night


E a fase azul de PICASSO







UMA FASE DE MELANCOLIA DE PICASSO…

Isto está a ficar triste, mas todas as cores são de alegrias e tristezas, as catalogações das cores são sempre muito subjectivas e se Picasso teve uma fase azul, também teve uma cor-de-rosa. Animem-se os nossos espíritos, a alegrias sucedem-se tristezas e às tristezas alegrias e… sempre que possam vistam uns jeans…
Jeans, é uma peça de roupa que eu adoro... é brincar, é andar relaxada, é sentar descontraidamente, é deitar na relva e ficar a olhar o céu, é andar a correr atrás dos miúdos ou de um cão, é viajar, é ir pelo campo e não sentir os picos das plantas, nem os bicharocos!..
Tem sido tantas coisas na minha vida, que sempre que posso visto os jeans!...
E agora um pouco de História, a raiz da palavra jeans apareceu pela primeira vez em 1567 como Genoese ou Genes, um termo usado na descrição das calças dos marinheiros da cidade de Génova, em Itália. Foram patenteados em 1873 por Levi Strauss e Jacob David, o objectivo era criar roupas resistentes para os mineiros nos Estados Unidos. Estava criado o jeanswear, o qual foi originalmente destinado a roupas de trabalho. A partir daí, cada vez mais os trabalhadores utilizavam o jeans para exercer tarefas mais árduas e de exigência física. Entretanto, o jeans só passou a ser utilizado no dia-a-dia, já no século XX. Usaram jeans, Marlon Brando, James Dean, Marylin Monroe, etc. Tornou-se moda e muito democrática, serve o trabalhador e é peça que se pode usar em qualquer situação e por todos. O jeans prolifera socialmente no nosso quotidiano.
O MEU DESAFIO É VISTAM UM JEANS SEJAM FELIZES!...
BLOGAGEM COLECTIVA: AZUL