A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

PAVÃO

Chama-se pavão a aves dos géneros Pavo e Afropavo da família dos faisões (Phasianidae). Os pavões preferem alimentar-se de insectos e outros pequenos invertebrados, mas também comem sementes e frutas. Os pavões exibem um complicado ritual de acasalamento, do qual a cauda extravagante do macho pode ter (há dúvidas) um papel principal. A pavoa, muito mais discreta na sua plumagem, põe entre 4 a 8 ovos, que chocam ao fim de 28 dias.
Já foram criadas diversas variedades por selecção artificial que apresentam plumagem branca, negra, púrpura, entre outras cores.
No topo de cada fileira de penas do pavão vê-se um ocelo redondo e brilhante, um pequeno olho. Ocelo deriva do latim "oculus", que significa "olho". Esses pontos iridescentes são o que dão a dimensão exótica às plumas.
[Hoje no Palácio de Cristal - Porto]




quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O FANTASMA DA ESTAÇÃO DE SÃO BENTO NO PORTO


A estação de São Bento, foi inaugurado a 5 de Outubro de 1916 e é considerada uma das estações ferroviárias mais bonitas do mundo.
Estação de S. Bento (Interessante o trânsito no Século XX. Tanta calmaria até é impressiona!)


Pouca gente sabe da lenda do fantasma que ocupa a estação de São Bento, no Porto. Um fantasma doce e recatado, teimoso em vida e que, segundo a lenda, ainda percorre os corredores da estação. Até aos finais do século XIX existiu, precisamente no local da estação, o extinto convento Beneditino das Freiras de São Bento de Avé Maria. No ano de 1821, contava este convento, para além de 55 religiosas, 105 membros de apoio (maioritariamente criadas).


Em 1834 saiu o decreto de extinção das ordens religiosas. A extinção das ordens masculinas era imediata, com a confiscação das suas propriedades, por outro lado era proibido que novas freiras professassem os seus votos e os conventos ficavam extintos, por morte da última freira que lá residisse.

Foram tempos de grandes dificuldades para as ordens religiosas femininas. O convento de São Bento de Avé Maria teve que vender a maior parte das suas preciosas alfaias de prata em praça pública. O edifício desmoronava-se e as freiras foram morrendo.

A última freira, morreu em 1892 (mais de 58 anos após a extinção das ordens religiosas em Portugal), abrindo então caminho para a construção da estação de São Bento.

Diz-se que, teimosa mas serena, o fantasma desta freira ainda hoje percorre os corredores da estação de São Bento, sendo ouvidas as suas rezas nas poucas horas mortas da estação, quando o ruído é menor. Mas apenas para os ouvidos mais atentos…

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

CANDIDATOS AOS OSCARES DO MELHOR FILME ESTRANGEIRO!

VISTOS:
Uma Mulher Fantástica (Chile) [Urso de Prata]
Com uma história que aposta na potência de uma excelente protagonista, o filme leva-nos a reflectir sobre a emergência do respeito às diferenças.
“Uma Mulher Fantástica” é um drama dirigido por Sebastián Lello,  sobre uma cantora transexual que enfrenta as dificuldades da sua condição quando uma tragédia abala a sua vida. O calmo prólogo dedicado a mostrar o amor do casal formado pelo maduro Orlando (Francisco Reyes) e a jovem cantora Marina (Daniela Vega) é rapidamente substituído por uma sequência de situações tensas, em que a protagonista tem que reiterar constantemente a sua identidade feminina e defender-se das ameaças que surgem pelo caminho.

The Square - A Arte da Discórdia (Suécia) [ Palma d’Ouro do Festival de Cannes]
O realizador Ruben Östlund: "Gosto de sociologia, porque olha para o ser humano quando falha, quando é mal sucedido", porque faz "uma abordagem comportamental do que somos" e "permite aprender alguma coisa".
O filme "O Quadrado", deve ser visto com olhos de sociólogo.
On Body and Soul (Hungria) 
O facto de Corpo e Alma emergir de um país, a Hungria, cujo líder, Viktor Orbán, há muito está disposto a estilhaçar, uma a uma, as liberdades individuais, não deve ter desagrado ao júri do Festival de Berlim, que lhe concedeu o Urso de Ouro. E é difícil não olhar para esta parábola de um amor improvável sem o enquadrar numa nação em lenta asfixia: a realizadora, a veterana Ildikó Enyedi, já manifestara interesse pela rima de almas ligadas por um fio invisível.

Filmes muito bons, mas «O Quadrado» é um filme genial!

PARA VER:

The Insult (Líbano)
Sem Amor (Rússia) 


E QUE IMPORTÂNCIA TÊM OS OSCARES?

Os oscares fazem que se «falr» mais de cinema e trazem também consigo os Festivais que aconteceram antes, de Veneza, Cannes, Berlim e outros! E também os Globos de Ouro.
É nesta altura de dias invernosos, que o cinema se torna programa preferencial. Já vi uma série de filmes.


Este foi o filme de que gostei mais.
 “Três Cartazes à Beira da Estrada”, é uma espectacular montra para a ferocidade inigualável de Frances McDormand.

É fácil ser seduzida por uma figura tão claramente insuflada pela fúria justiceira que vemos arder nos olhos de Mildred. Ela move-se como uma mulher numa missão, a sua postura transmite segurança e imparável bravura, seus insultos e palavras mais ácidas têm o brilho ilusório de verdades abrasivas. Parte da razão pela qual esta é a melhor prestação de Frances McDormand no grande ecran desde o seu Oscarizado trabalho em “Fargo” deve-se precisamente ao modo como a actriz, consegue transmitir o carisma avassalador de uma mulher em busca de justiça, assim como a figura de uma mãe destroçada em busca de algum veículo para a sua incomensurável dor.
Para mim ganharia também com todo o mérito o PRÉMIO DE MELHOR INTERPRETAÇÃO FEMININA.


Mas o filme com mais indicações para o OSCAR DE MELHOR FILME é «A Forma da Água», «um conto de fadas para tempos difíceis», como diz o realizador Guilherme del Toro.
E continua: «Uma história que mistura o extraordinário com o mundano. As rotinas tornam o convencional mais precioso. O não convencional tornas as rotinas suportáveis».
O género fantástico não é o cinema que gosto de ver, mas de vez enquanto faço umas incursões, mais ainda quando o filme está indicado para 13 óscares da academia, o que me suscitou curiosidade.
«A Forma da Água» é o filme em que o realizador mexicano, Del Toro, sempre apaixonado por monstros, se revela capaz de nutrir o seu cinema de beleza interior, dando-lhe profundidade para lá da complexa produção. Aqui, a magia invade o quotidiano em jeito de poema. E numa deliciosa leitura das imagens, entra-se pela vida oculta dos versos.
Homem-peixe: «Sereio»? Um ser sensual e apaixonante, uma rapariga muda, empregada de limpeza, com uma vida absolutamente rotineira e, como pano de fundo a «guerra-fria»
Pode até ganhar todos os prémios para que está indicado!

«A Linha Fantasma» filme de Thomas Anderson, realizador independente que apenas fez oito filmes. Lembro-me dos filmes premiados: «Magnólia» e «Haverá Sangue».
Este filme, também candidato aos próximos óscares (6), explora o universo da psicologia humana e dos afectos.
Um grande e fascinante acontecimento, ver o último filme de Daniel Day Lewis, num ambiente de grande requinte. O ambiente da alta costura, contribuiu para uma estética cheia de glamour.
A personagem interpretada por Day-Lewis é vista como um homem civilizado da alta sociedade. No entanto, a sua personalidade é bastante peculiar, para não dizer bipolar.
Lembro-me de Daniel Day Lewis em vários filmes e alguns deles ganharam vários prémios:
A Insustentável Leveza do Ser, Meu Pé Esquerdo, O Último dos Moicanos, A Idade da Inocência, Em Nome do Pai, Gangues de Nova York, O Mundo de Jack e Rose, Haverá Sangue, Nine, Lincoln, Linha Fantasma
Não me parece que vá ganhar o prémio de melhor filme ou de melhor actor, para melhor actor, aposto em Gary Oldman, fazendo de Churchill, no filme «O Destino de Uma Nação».

Outros filmes que vi e que também estão na lista dos óscares:



Filmes interessantes, mas não filmes para ganhar um oscar e no entanto nunca se sabe!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

PRELÚDIO - ALDA LARA



Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra, desce com ela...
Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guizos,
nas suas mãos apertadas.
Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.
Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...
Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...
Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...
Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...
Mãe-Negra não sabe nada...
Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra!...
É que os meninos cresceram,
e esqueceram
as histórias
que costumavas contar...
Muitos partiram pra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...
Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta bem calada.
É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada...
ALDA LARA

Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque, conhecida como Alda Lara (1930 -  1962), poetisa portuguesa de origem angolana, que criou uma grande produção poética, publicada apenas após a sua morte, através da recolha dos seus poemas feita pelo seu marido.




«PEGA GORDOS»


Os monges do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, eram submetidos, na Idade Média, a um tratamento infalível contra a obesidade.
Até hoje não foi superado por nenhuma dieta.
Os monges, que comiam no refeitório, eram obrigados a ir buscar a própria comida na cozinha ao lado.
Ninguém podia servi-los.
O problema é que precisavam atravessar uma porta.

E daí?
É que a porta media 2 metros de altura e apenas 32 centímetros de largura.


Quem não conseguisse ultrapassá-la ficava sem comer e, obviamente, emagrecia velozmente.

Os superiores dos monges recorreram à porta pega-gordo porque a gula é um dos sete pecados capitais e a obesidade tornava-os menos aptos aos trabalhos braçais.
Os religiosos pertenciam à extinta Ordem de Cister, cujos seguidores trabalhavam como agricultores e produziam tudo que consumiam.
Em 1834, foram obrigados a abandonar o mosteiro, pelo decreto governamental que suprimiu as ordens religiosas de Portugal.
Hoje, o Mosteiro de Alcobaça, considerado uma das sete maravilhas de Portugal, funciona como museu. Uma de suas atrações é justamente a porta pega-gordo.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

CONTRA A IGNORÂNCIA, FICÇÃO - RAOUL RUIZ


Raoul Ruiz teve que abandonar o Chile devido à queda de Salvador Alhende. Veio para a França. Foi considerado um realizador muito «sui-generis», tendo filmado aquilo que lhe apetecia e filmou cerca de 109 filmes.

Ruiz tentou sempre inovar, manteve em si a sua criança, uma criança curiosa, muito atenta e interessada a tudo, como Spinoza «tudo pode ser objecto de paixão».

Sempre se interessou bastante pela filosofia e teologia. Wittgenstein dizia «daquilo que não se pode falar é melhor manter silêncio, que Ruiz adaptou, «Contra a ignorância, ficção
Apreciador de paradoxos: «chove, mas não acredito nisso».
Não sendo católico, debateu-se com três questões:
1 – O Deus impossível de conhecer;
2 - O Deus que só se pode conhecer pela razão:
3 – O Deus que só se pode conhecer pela evasão.

VISITAS DE ESTUDO - IGREJA MATRIZ DAS ALMAS DO CORPO SANTO DE MASSARELOS


A construção da Igreja da Confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos teve início em 1776. Apenas passou a ser a igreja paroquial de Massarelos, quando a de Santa Maria da Boa Viagem, sede da freguesia, caiu em ruínas.

A Confraria

A Confraria das Almas do Corpo Santo foi fundada em 1394, por navegantes que tinham sofrido uma tempestade quando regressavam de Inglaterra. Dedicava-se à assistência e protecção dos navegantes e mercadores. Um dos confrades terá sido o Infante D. Henrique.

Esta importante confraria desempenhava funções bancárias, comerciais e outras, tendo navios que para além de serem pertença da confraria e executarem serviços em seu nome, quando era preciso, defendiam a costa de piratas.

A Igreja

A igreja que conhecemos hoje tem um portal com um nicho com o padroeiro, São Pedro González Telmo, também conhecido apenas como São Telmo. O enorme janelão central domina a fachada rematada por uma cruz de pedra. As torres sineiras possuem relógios e toda a fachada é guarnecida com azulejos. Na parte de trás, virada ao rio, a Cruz da Ordem de Cristo e um painel de azulejos onde figura o Infante D. Henrique dão voz à tradição deste ter sido um dos confrades desta antiga instituição.




O Núcleo Museológico da Confraria das Almas do Corpo Santo é composto de algumas peças interessantes de arte sacra, pintura, joalharia, paramentaria e manuscritos, com datas compreendidas entre os Séculos XVI e XX. Das peças em exposição destaca-se o Véu do Manto Real de D. Maria I, oferecido pela Monarca à Confraria em 1790,

uma custódia em prata (Século XVI), o livro «A Arte de Navegar» (edição de 1746), o tríptico de telas (Século XVII). Há ainda um espaço dedicado à história da Confraria, desde 1394 até aos dias de hoje.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

POR TODO O LADO VÃO APARECENDO AS CAMÉLIAS!




A flor do Porto é a camélia, embora a camélia seja uma flor originária da Ásia, mais concretamente de países que se estendem da China ao Japão.

Os primeiros registos de camélias no Porto datam de 1810, encomendadas de Inglaterra por Luís de Van Zeller. A esse facto não será alheia a presença no Porto de uma forte comunidade inglesa nessa época, devido ao comércio do Vinho do Porto, uma vez que foi precisamente em Inglaterra que surgiu a primeira camélia na Europa, em 1739.

Surgem os primeiros jardins privados com camélias, pelas mãos da família Van Zeller, na sua Quinta de Fiães, e da família Allen, na Quinta Vilar d’Allen.

A camélia, for de Inverno, adaptou-se rapidamente ao clima de temperaturas amenas e solos ácidos do Porto.

O período áureo das camélias no Porto dá-se pelas mãos do horticultor portuense chamado José Marques Loureiro (1830-1898), detentor da maior colecção de plantas do país da altura. Em 1844, publica o jornal hortícola “Jornal Portuense”, no qual já identifica 38 variedades de camélias do Porto! Mais tarde, em 1870, lança o Jornal de Horticultura Prática.

Presentemente realiza-se uma grande exposição de camélias todos os anos, com a participação de vários coleccionadores e a Câmara Municipal do Porto organiza um programa, que inclui actividades tão diversas como exposições, concertos, roteiros turísticos pela cidade e performances.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

SEMENTE - A HISTÓRIA POR CONTAR ( Um importante documentário que passou no canal 2 e motiva muita reflexão.)


No século XX perdeu-se 94% de sementes vegetais. É um número bastante alto, quando se constata com uma descrição das espécies que se extinguiram: havia 544 variedades de couves, restam 28; de 158 variedades de couve-flor restam 9 e por aí adiante.

São entrevistadas pessoas que estão mais em contacto com a terra e têm uma noção mais real da situação. Um dizia que o pai lhe tinha dito: vale mais ter uma caixa de sementes, do que uma caixa de ouro! Claro o ouro não se come! Se tivermos sementes temos sempre que comer.

A diversidade genética é o que nos separa da fome global. A perda de variedades vegetais é tão importante como a extinção dos animais.

Por exemplo a domesticação do milho foi como que um milagre, uma revolução na alimentação e uma pequena tribo, tornou-se um império. As várias espécies de milho chegaram a todo o planeta e tem que haver várias espécies, porque se algumas sofrem o ataque de alguma praga, restam outras.
Há países que se preocupam para ter os seus bancos de sementes, mas também guerras e grandes desastres climáticos, podem destruir esse trabalho, trabalho que deve ser sempre constante, apesar de todas as vicissitudes.

MATARAM A COTOVIA - HARPER LEE


Sempre desejado e adiado por uma razão ou outra, estou encantada com este livro.
O livro aborda o racismo, preconceito, as diferenças entre os sexos e a intolerância, entre outras temáticas. O livro é narrado por uma criança de seis anos e tem algo de autobiográfico.
Harper Lee ganhou o prémio Pulitzer com este livro, “Mataram a Cotovia”, em 1961.
Depois afastou-se da literatura. Esqueceu o mundo e o mundo esqueceu-a. Até que em 2015 publicou outro livro, o seu segundo em vida, que se tornou um dos maiores acontecimentos literários do ano. "Go Set a Watchman", que foi escrito antes de "To Kill a Mockingbird"
Este livro adquiriu um estatuto de “leitura clássica recomendada”. São aqueles livros que por uma ou por outra razão se tornam ícones da literatura e que se deve ler.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

APROVEITANDO OS DIAS DE SOL...ENQUANTO NÃO VEM A CHUVA!







PEQUENO POEMA

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe... 
Maternidade - Almada Negreiros


Sebastião da Gama, in 'Antologia Poética'

domingo, 4 de fevereiro de 2018

VISITAS DE ESTUDO - IGREJA DOS GRILOS



A Igreja e Colégio de São Lourenço, popularmente conhecida pela Igreja dos Grilos, é um conjunto de edifícios religiosos.

Construídos pelos jesuítas em 1577 em estilo maneirista barroco-jesuítico, financiados por doações de fiéis, assim como de Frei Luís Álvaro de Távora, Comendador de Leça do Balio, da Ordem de Malta, cujo brasão de armas encima a fachada principal. A Igreja e o Convento de São Lourenço foram erguidos com forte oposição da câmara e da população. No entanto, os seguidores de Santo Inácio de Loyola acabaram por conseguir fundar o tão ambicionado colégio com aulas gratuitas, o que conquistou rapidamente um notável êxito.
A oposição da população não era dirigida aos jesuítas, mas ao colégio que pretendiam instituir devido aos privilégios que os cidadãos tinham que impediam a permanência de nobres e fidalgos dentro da cidade, por um período superior a três dias.
Assim sendo o colégio que seria construído, chamaria filhos de nobres e fidalgos que obrigatoriamente teriam de residir na cidade, mas através de algumas artimanhas dos religiosos, a oposição dos burgueses foi ultrapassada.
Com a expulsão dos jesuítas em 1759, por ordem do Marquês de Pombal, a igreja foi doada à Universidade de Coimbra até a sua compra pelos Frades Descalços de Santo Agostinho que ali ficaram de 1780 a 1832. Estes frades vieram de Espanha em 1663, instalando-se inicialmente em Lisboa, no sítio do Grilo, onde rapidamente ganharam a simpatia da povoação, ganhando o nome de "frades-grilos", dando assim o nome a igreja onde estiveram no Porto.
Durante o Cerco do Porto, os frades viram-se obrigados a abandonar o convento, tendo este sido ocupado pelas tropas liberais de D. Pedro. O Batalhão Académico, integrando Almeida Garrett, instalou-se lá. Hoje o conjunto é pertencente ao Seminário Maior que o ocupa desde 1834. Iniciada a construção no século XVI, esta igreja ostenta uma monumental frontaria bem ao gosto do estilo maneirista barroco-jesuítico que a caracteriza. Na fachada são visíveis as armas dos Távoras . O altar de Nossa Senhora da Purificação é uma bela peça joanina. A frontaria monumental é composta por dois registos, e nela se acumulam frontões, entablamentos, cornijas pilastras e janelas. No primeiro rasgam-se três portas com frontões, sendo a do meio decorada com um portal formado por colunas coríntias gémeas assentes sobre pedestais e por um entablamento com pedras no friso. No alto vêem-se dois nichos vazios, nos extremos duas janelas, e a meio a divisa da Companhia de Jesus, com separação feita por pilastras toscanas. No segundo registo, ao centro, podemos ver uma janela e por cima o brasão de Frei Luís Álvares de Távora, a rematar este conjunto a Cruz de Malta sobre um pedestal. De ambos os lados encontramos nichos vazios, por cima destes, janelas e a rematar, frontões interrompidos sustentados por colunas jónias, dos quais rompem pirâmides. As partes externas do edifício pertencem às torres, cobertas com grandes volutas e cúpulas em tijolo.

No interior a nave apresenta-se coberta por uma abóbada de granito, de volta perfeita e em caixotões. As paredes são sustentadas por largas pilastras toscanas, com nichos escavados no topo, onde se encontram as imagens dos Evangelistas e dos Apóstolos, em barro pintado.
Pilastras clássicas enquadram o arco triunfal. Sobre o entablamento, de cornija muito saliente, ergue-se até à abóbada um frontão complexo, decorado com motivos jesuítas e flamengos e interrompido pelo nicho de São Lourenço.
A capela-mor é coberta por uma abóbada também de caixotões, que contêm cartelas guarnecidas com pedras. Nas paredes vêem-se pilastras jónicas de fuste canelado e, entre elas, estuques decorativos. Existe também nesta capela um painel da autoria de João Baptista Ribeiro e a imagem de Santo Inácio, única na cidade. Na sacristia, com teto de madeira apainelada, existe um retábulo e quatro quadros emoldurados com boa talha rococó, de finais do século XVIII.


Instalado numa ala seiscentista do antigo Colégio Jesuíta de São Lourenço, o Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição do Porto apresenta um acervo notável, rico e variado, num espaço dinâmico da vida artística, aberto à comunidade, atento à conservação e comunicação da sua colecção. O outrora chamado "corredor das lousas" é assim, hoje, uma apreciável galeria de escultura religiosa dos séculos XIII-XIX. É justamente no domínio da escultura que o Museu mais se salienta com destaque para a Sala Irene Vilar. Mas a pintura, iluminura, a ourivesaria, paramentaria, alfaias religiosas e a arqueologia estão igualmente representadas com exemplares de excelente qualidade e interesse.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

FINAL PORTRAIT


Gostei de ver este filme, que foi apresentado no Festival de Berlin com agrado do público e da crítica. Através deste filme, conhece-se de uma outra forma Albert Giacometti, outras facetas da sua vida, as peculiaridades do seu carácter inquietante, insatisfeito, caótico.

Alberto Giacometti (Borgonovo di Stampa, 1901 — Coira, 1966). Filho do pintor Giovanni Giacometti (impressionista). Estudou em Genebra, Roma e a partir de 1922 em França.
Nessa época conheceu alguns dos principais pintores dadaístas, cubistas e surrealistas que influenciaram o seu início de carreira. Aderiu ao movimento surrealista entre 1930 e 1934, período em que produziu algumas obras fundamentais para a caracterização da escultura surrealista.


A obsessão pela representação da figura humana revela-se também na sua produção pictórica e nos seus desenhos, onde a linha assume uma grande expressividade e liberdade na caracterização das formas e dos volumes.

Embora seja possível enquadrar as primeiras produções artísticas em correntes como o impressionismo, o cubismo e o surrealismo, torna-se difícil a classificação ou a inserção da obra tardia de Giacometti num movimento artístico definido, de onde ressalta o carácter marcadamente pessoal do seu percurso criativo.