Reabriu há
pouco, como Hotel Pestana, restaurante e café, este mantendo a mesma traça conhecida, com ligeiras alterações. Propriedade de António Oliveira,
antigo treinador da Selecção Portuguesa de Futebol. Encontrava-se encerrada desde o início de 2013.
A Brasileira, depois da sua recuperação.
O Café A Brasileira é um dos mais emblemáticos cafés da cidade do Porto.
De acordo com um projecto do arquitecto Francisco de Oliveira Ferreira, "A
Brasileira" tem uma notável fachada, com o magnífico pára-sol de ferro e
vidro, e um interior deslumbrante, em que sobressaem os cristais, os mármores e
o mobiliário de couro gravado. Foi frequentado por uma clientela assídua e
adepta de tertúlias. Muitos ilustres da cidade andaram por lá.
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O estabelecimento foi fundado por Adriano Soares Teles do Vale, nascido
na Casa de Cimo d'Aldeia, em Alvarenga (Arouca). Ainda jovem, Adriano emigrou
para o Brasil. No Brasil, dedicou-se ao negócio do café, nos finais do século
XIX e enriqueceu. Casou no Brasil com uma filha de fazendeiros no Estado de
Minas Gerais, onde se dedicou à fundação de um estabelecimento comercial
inicialmente chamado "Ao preço fixo", que incluía, também, casa de
câmbios, e à produção agrícola, em particular de café, que exportava para
Portugal. Regressando a Portugal por motivos de saúde da mulher, que acabaria
por cá morrer, criou uma rede de pontos de venda do café que produzia e
importava do Brasil: as famosas "Brasileiras", espalhadas por Lisboa
(Chiado e Rossio), Porto, Braga, Aveiro, Coimbra e Sevilha. Adriano Teles foi,
também, um homem de cultura, com interesse pela música e pela pintura. Fundou a
Banda de Alvarenga, financiando a compra dos seus primeiros instrumentos, e
fez, da Brasileira do Chiado, o primeiro museu de arte moderna em Lisboa.
"A Brasileira", no Porto, foi inaugurada em 1903, para servir
café à chávena. Não havia na cidade, por essa altura, o hábito de tomar café em
estabelecimentos públicos. Adriano Teles, para promover o seu produto,
ofereceu, durante os primeiros treze anos de "A Brasileira", o café à
chávena de graça no seu estabelecimento a quem comprasse um saquinho de grãos
de café.
Numa visão do que, hoje, poderíamos chamar de marketing, Adriano Teles
mandou pintar, em várias paredes da cidade, o slogan que se tornaria famoso: O
melhor café é o d'A Brasileira.
Adriano Teles não se ficou pelo Porto, abrindo "A Brasileira"
de Lisboa, no Chiado, em 1905 e "A Brasileira" de Braga em 1907 e
"A Brasileira" de Coimbra em 1928.
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