A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




domingo, 7 de janeiro de 2018

ENQUANTO NÃO VEM A CHUVA!...

Aproveitando o sol fui até ao parque, tem sempre para mim motivos de encanto. Como uma criança deliro com o que vejo. Hoje foram os cogumelos, como eles surgem de um momento para o outro, como alminhas, que surgem para animar quem passa, com a sensibilidade de amar a Natureza!





[ Nada sei de cogumelos, mas com a enciclopédia à mão, sempre vou espreitar:

Cogumelo é o nome comum dado às frutificações de alguns fungos dos filos Basidiomycota e Ascomycota, pertencentes ao Reino Fungi. Possuem corpo frutífero composto por uma base. Estes organismos fazem reprodução sexuada pela junção de hifas. São seres vivos que contêm uma ampla variedade de formas, cores e tamanhos.
A maioria dos integrantes do reino Fungi, assim como as bactérias, obtém alimento decompondo a matéria orgânica do corpo de organismos mortos, actuando como saprófagos, conhecidos popularmente como decompositores. Todos os fungos, sem excepção, são heterótrofos por absorção. A nutrição ocorre por quebra de enzimas complexas do fungo, para ajudar na absorção de nutrientes necessários para sua actividade metabólica. Eles obtêm alimento de outros seres vivos, com os quais se associam. Assim, os fungos podem ser decompositores, parasitas ou mutualísticos. No caso do cogumelo, ele é decompositor, pois geralmente decompõe árvores e troncos.

Muitos cogumelos são comestíveis, outros, no entanto, são extremamente tóxicos, podendo, em alguns casos, causar a morte.

Há ainda certos cogumelos com propriedades medicinais a exemplo do Penicillium do qual se conheceu o antibiótico penicilina (Descoberto por Alexander Fleming, foi o primeiro antibiótico a ser inventado), também existe a ciclosporina e a ergotamina. Além disso, outros possuem propriedades psicoactivas, utilizados tradicionalmente por diversos povos ao redor do mundo. ]



sábado, 6 de janeiro de 2018

HAZUL LUZAH!

A arte urbana de Hazul Luzah, um artista cujas formas geométricas ondulantes embelezam paredes degradadas do centro do Porto.

Hazul
Hazul Luzah é um artista urbano natural do Porto, que prefere manter a sua identidade no anonimato. Conhecido pela sua arte geométrica e figuras femininas sem rosto, tem dezenas de obras em vários locais da cidade.
Com a sua arte procura valorizar zonas degradadas, embelezar as portas fechadas por tijolos dos edifícios em ruína do Porto.
Começou a pintar na rua em 1997, com 16 anos, como forma de comunicar e partilhar. A energia do lugar dita as formas e as cores que usa.
Em 2013 viu apagado um dos seus murais pela Brigada Anti-graffiti, um gesto por parte da Autarquia que gerou muita polémica. Muitos foram os defensores do trabalho de Hazul na imprensa, nacional e internacional, blogues e redes sociais. Este debate foi talvez o ponto de charneira para a inversão da forma como a Autarquia olhava para a arte de rua no Porto. Hoje os seus graffitis são mais um ponto de actratividade no Porto.
Para além das conhecidas obras de rua, Hazul pinta em vários suportes no seu atelier no centro do Porto.


um dia de sol muito frio...com céus muito mutáveis!

 A PAISAGEM É UM ESTADO DE ALMA!







EM BREVE OS GLOBOS DE OURO!



Está programado que as actrizes vão-se apresentar na entrega dos globos de ouro, vestidas de preto, uma posição contra o assédio sexual. Relativamente ao assédio, até nem é nenhuma novidade, a todos os níveis profissionais, algo que é revoltante.
Esta posição nesta altura é interessante. Porquê agora? Pelo Presidente dos EUA, Trump, já ter confessado ter feito em muitas circunstâncias o mesmo? E como o penalizar? A vida continua a ser uma comédia melodramática! De qualquer forma louvo a coragem de todas as denúncias!

OS MOCHOS


Os Mochos








Sob os feixos onde habitam,

Os mochos formam em filas;

Fugindo as rubras pupilas,

Mudos e quietos, meditam.



E assim permanecerão

Até o Sol se ir deitar

No leito enorme do mar,

Sob um sombrio edredão.



Do seu exemplo, tirai

Proveitoso ensinamento:

— Fugí do mundo, evitai



O bulício e o movimento...

Quem atrás de sombras vai,

Só logra arrependimento!



Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"

Tradução de Delfim Guimarães

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

ARTE SHUNGA


O British Museum, tem uma grande colecção de arte japonesa e organizou uma exposição, que titulou: Shunga: Sex and Pleasure in Japanese Art, revisitando a arte erótica japonesa do período Edo. Uma maneira única de representar o sexo e o prazer e onde a noção de pecado não existe.


No “Ocidente”, sexo foi durante séculos um tabu e quem o ousasse representar arriscava-se a uma feroz censura. Ao mesmo tempo, no Japão produziam-se pinturas, xilogravuras e livros onde sexo explícito era o tema principal. A arte shunga desenvolveu-se e atingiu o pico no período Edo (1600-1868) tendo depois sido suprimida e condenada ao esquecimento. A arte asiática na Europa suscitou uma reflexão sobre as fronteiras entre arte e pornografia, o papel do sexo no imaginário social e à relevância da arte japonesa num contexto mundial. 

O que caracteriza, sumariamente, a arte shunga?

É concebida para apresentar simultaneamente tanto as expressões faciais de êxtase como os mecanismos para essas sensações – órgãos sexuais aumentados e meticulosamente representados.

Nas gravuras tinham também grande importância os têxteis, quer os das vestes das figuras quer os da roupa de cama ou outros. Surgem também objectos alusivos ao luxo dos intervenientes, como utensílios de fumo ou de preparação de chá ou saké e mesmo livros eróticos. 

O conteúdo e os sujeitos das pinturas variavam. Há (muitas) imagens de sexo entre homens e mulheres, mas também se encontram de um homem com várias mulheres, de homens com homens, de humanos e espíritos e até de monges. Sexo entre dois homens era algo socialmente aceite e frequente, por exemplo, entre actores de kabuki que interpretavam papéis femininos (onnagata) e os seus patronos.

Exemplos de arte shunga eram apreciados como arte, mantidos como manuais de instrução (algumas peças seriam produzidas para ser incluídas nos “enxovais” femininos. Eram mesmo oferecidos como presente.

A designação “shunga” deriva do chinês “chun hua”, literalmente “imagens de primavera”. Há uma ligação à China. Os japoneses tinham uma longa tradição de arte sexual explícita mas por volta do século XVI há sinais de influência da dinastia [chinesa] Ming, onde a impressão a cores floresceu e textos eróticos foram produzidos em quantidade”. Outra influência chinesa foram “obras médicas sobre sexo e técnica sexual”. 

Parte da razão para a ausência de uma noção pecaminosa do sexo está, ligada ao conjunto de crenças a que hoje chamamos Xintoísmo. Em áreas rurais do Japão havia tradições que incluíam a veneração de representações de órgãos sexuais, vistos como fonte de fertilidade e capazes de afastar o mal.

Uma das facetas mais curiosas da arte shunga é a presença frequente de aspectos humorísticos. Não só ironizava com conceitos confucionistas, como também, a nível da política, atacando o sistema Tokugawa, fazendo piadas eróticas de figuras históricas e do teatro Noh, que era a arte ritual oficial do governo.

Segundo o especialista Clark, “não é usual que uma cultura pré-moderna tenha tantas obras que sejam tão artisticamente belas e bem trabalhadas, e também tão sexualmente explícitas.” Para o curador “isto sugere uma atitude perante o sexo substancialmente diferente do ponto de vista cultural” e a arte shunga “encoraja-nos a repensar a divisão severa que evoluiu no Ocidente entre o que classificamos, por um lado, como ‘arte’, e por outro o que condenámos como ‘obsceno’ ou ‘pornográfico’”.
Todos os grandes artistas japoneses do período trabalharam temas eróticos e pornográficos, basta mencionar nomes como Kitagawa Utamaro ou Katsushika Hokusai, cujas obras eróticas se podem apreciar no British Museum. Da autoria do último está um dos trabalhos mais importantes da exposição, que terá tido impacto muito para além das fronteiras artísticas do Japão. A gravura Sonho da Mulher do Pescador (1814) é uma intrigante e sensual representação de uma mulher em êxtase enquanto um polvo lhe faz sexo oral e outro a beija na boca.




Com a reunificação do país sob a égide dos xogunato Tokugawa, o Japão iniciou um período de relativo isolamento, em que os contactos com o exterior foram controlados, período este também conhecido como Edo (nome então dado a Tóquio, capital do xogunato). É neste Japão feudal, organizado sob estritos códigos morais de matriz confucionista, que a arte shunga se desenvolve. Um contraste entre uma esfera pública fortemente regulamentada e uma esfera privada independente o suficiente para conceber e apreciar shunga.

O período Tokugawa é frequentemente associado também aos “distritos de prazer”, espaços de prostituição legal de que o mais icónico era Yoshiwara, em Tóquio. No entanto, os laços entre o comércio sexual e a arte shunga não eram tão lineares como possa parecer e que a noção de sexo como um negócio era de compatibilidade duvidosa com as fantasias de shunga, onde as cortesãs eram mais representadas com os seus “amantes secretos” do que com clientes. Além disso, o objectivo da arte shunga era “sugerir o potencial do sexo em toda a sociedade”, não apenas entre aqueles que podiam frequentar os supracitados distritos. Quase podemos dizer: uma versão democrática do prazer.

Embora tenha sido ilegalizada em 1722, a arte shunga continuou a ser produzida e a circular de forma considerável. Talvez ironicamente, é com a (re)abertura do Japão ao mundo com a restauração Meiji (1868) – que voltou a colocar o imperador como autoridade máxima no Japão e abriu o caminho à extraordinária modernização do país – que a arte shunga inicia um inexorável declínio.
Depois da Guerra Russo-Japonesa (1904-1905), há uma transição entre a tradição shunga e uma iconografia moderna. Para que o Japão fosse aceite como civilizado, o Governo japonês tentou suprimir tradições populares nativas que considerava atrasadas em relação à cultura de classe alta europeia. Isto incluía [teatro] kabuki, [pintura/gravura] ukiyo-e e música de shamisen, assim como shunga”.

Em cinquenta anos, a arte shunga passava de algo comum a algo secreto. “Desde cerca de 1900 a supressão de arte shunga tornou-se vigorosa e por altura do pós-Segunda Guerra tinha-se tornado um tabu em universidades e museus”.

UKIYO-E


Ukiyo-e, "retratos do mundo flutuante", em sentido literal, vulgarmente também conhecido como estampa japonesa, é um género de xilogravura e pintura que prosperou no Japão entre os séculos XVII e XIX. Destinava-se inicialmente ao consumo pela classe mercante do período Edo (1603 – 1867). Entre as mais populares temáticas abordadas, estão a beleza feminina, o teatro kabuki, os lutadores de sumô, cenas históricas e lendas populares, cenas de viagem e paisagens, fauna e flora e pornografia.

Alguns dos artistas devotaram-se à pintura, mas a maioria era composta por gravuristas. Por ser uma actividade artesanal, gravuristas podiam dominar e empregar uma grande variedade de efeitos a partir de diferentes técnicas impraticáveis na produção mecanizada, como a criação de gradações de cor, por exemplo.

No começo do século XVII, a burguesia da próspera Edo (hoje Tóquio) passou a buscar entretenimento nos teatros de kabuki e com as oirans e geishas das yūkaku, zonas de meretrício. O termo ukiyo ("mundo flutuante") descrevia o estilo de vida hedonista da era. Pintadas ou impressas, essas obras de artes visuais eram populares entre os burgueses, abastados o suficiente para adquiri-las a fim de decorar as suas casas. O sucesso começou já na década de 1670, com as pinturas e gravuras monocromáticas de Hishikawa Moronobu, retratando a beleza feminina.


Por volta dos anos 1740, artistas como Okumura Masanobu usavam múltiplos blocos de madeira talhados em baixo-relevo para criar áreas coloridas.

A partir de 1760, o sucesso das gravuras brocadas nishiki-e de Suzuki Harunobu levou a produção em alto apuro de cor a tornar-se padrão, com cada item sendo concebido a partir do uso de dez ou mais blocos.

O auge do período, em quantidade e qualidade, foi marcado por peças que retratavam a beleza e o teatro, criadas por mestres como Torii Kiyonaga, Kitagawa Utamaro e Tōshūsai Sharaku ao final do século XVIII.
Torii Kiyonaga
Kitagawa Utamaro
Tōshūsai Sharaku 
Esse ápice foi seguido, no século seguinte, por mestres em paisagens, liderado por Hokusai, cuja Grande Onda de Kanagawa é não só a obra-prima do género, mas também uma das mais populares e aclamadas peças da arte japonesa.

Hokusai
Mount Fuji by Hokusai  
 E o sereno criador de ambientes atmosféricos Hiroshige, conhecido por "Cinquenta e Três Estações da Tōkaidō". Com a morte desses mestres e a modernização tecnológica e social da restauração Meiji, de 1868, a produção do ukiyo-e declinou.
                                                        Hiroshige

O género foi um elemento nuclear para a formação da percepção ocidental a respeito da arte do Japão ao final do século XIX, especialmente a partir das paisagens de Hokusai e Hiroshige. Na década de 1870, o japonismo tornou-se uma proeminente tendência e foi grande influência aos primeiros impressionistas, como Edgar Degas, Édouard Manet e Claude Monet, bem como aos pós-impressionistas, tais quais van Gogh, e a artistas da art nouveau, entre eles Henri de Toulouse-Lautrec. O século XX assistiu a um renascimento da xilogravura japonesa, com a vertente shin-hanga a crescer em termos de interesse no ocidente com as suas cenas tradicionais da cultura nipónica combinadas a referências ocidentais e o movimento sōsaku-hanga a pregar o individualismo de produção enquanto caminho criativo único para a expressão do eu. 

PESQUISANDO A HISTÓRIA DO PORTO!


Há diferenças entre várias regiões do país, embora Portugal seja pequeno. Entre o Sul e o Norte a nível das mentalidades também há uma grande diferença, mas até já foi mais acentuada.

Por exemplo a nível de tauromaquia e, já agora manifesto, o meu repúdio por esse sangrento espectáculo.

Aqui no Porto essa tradição nunca se enraizou, apesar de várias tentativas feitas. A primeira tentativa remonta a 24 de Junho de 1785, dia de festa de S. João e também quando ocorreu o casamento do futuro rei D. João VI com D. Carlota Joaquina.

Oito anos depois (1793) realizou-se outra tourada num redondel propositadamente erguido no Campo de Santo Ovídio (actual Praça da República), para comemorar o nascimento da infante Maria Teresa.

Na década de 70 do século XIX, assistiu-se a uma repentina edificação de praças de touros por todo o país e no Porto surgiram três: Cadouços, Rua da Boavista e Largo da Aguardente. As três desapareceram em menos de cinco anos, com a falência das empresas.

No final do século XIX foi realizada a última grande ofensiva, com a construção de duas novas praças: Rotunda da Boavista e Praça da Alegria.
Real Coliseu Portuense


Rua da Alegria

O Real Coliseu Portuense (rotunda da Boavista), foi a mais oponente, com capacidade para 8000 pessoas (camarotes e bancadas) e dotada de dois restaurantes, salão de bilhares, cafés, quiosques e iluminação eléctrica. Por lá passaram grandes cavaleiros. Para não fechar portas prematuramente, o recinto teve que acolher outros espectáculos. Em 1898 fechou portas e foi demolido. As outras praças também fecharam portas.

Já no século XX, antes da implantação da República surgiram duas novas praças: Areosa e Bessa. Também de curta história.

Houve ainda outro projecto para as Antas, mas não saíu do papel e a última tentativa surgiu na década 90 do século XX, uma praça improvisada no Campo do Lima 5, que acabou com a intervenção da PSP, para parar os distúrbios, entre os organizadores arrogantes e defensores dos animais.

INVERNANDO!

O vento, a chuva e o frio, cortam-me os voos!


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

BARBARA


Barbara (Paris, 1930 - Neuilly-sur-Seine, 1997), cujo nome real era Monique Andrée Serf ,cantora e compositora francesa.

Monique Serf era filha de Jacques, um judeu da Alsácia, e Esther Brodsky, uma ucraniana, e tinha três irmãos. Durante a ocupação da França pelos nazis, a família teve que se separar para fugir das perseguições aos judeus. Com a libertação do país pelos aliados, voltaram a reunir-se. Nas suas Mémoires, conta que sofreu abuso sexual por parte do próprio pai durante a infância.

Começou a estudar canto e piano ainda nos anos 40, mas desprezou o repertório clássico para se dedicar à música popular. Pouco depois, o seu pai abandonou a família. Sem dinheiro para continuar os seus estudos, Monique deixou Paris em 1950 e foi morar com um primo em Bruxelas. Dois meses depois, uniu-se a uma comunidade de artistas em Charleroi. Começou a cantar em cabarés. O seu repertório era formado por canções de Édith Piaf, Marianne Oswald, Germaine Montero, Juliette Gréco e Jacques Brel.

Em 1951, conheceu o advogado Claude Sluys, que tinha boas relações com empresários do ramo de espetáculos e com quem se casaria em 1953. Sluys abriu um cabaré, onde Barbara começou a fazer espectáculos.

Gravou o seu primeiro disco em 1955. No mesmo ano, separou-se de Sluys e voltou para a França, apresentando-se em diversas casas noturnas de Paris. Em 1958, já era famosa entre os frequentadores do Quartier Latin.

Começou então a compor suas próprias canções. No fim daquele ano, soube da morte do seu pai, na cidade de Nantes. O acontecimento inspirou a canção Nantes, um de seus maiores sucessos.


Em 1960, o seu sucesso já era incontestável.  Fez sua primeira tournêe pela Europa em 1967. Na Alemanha, escreveu a canção Göttingen.


Em 1969, surpreendeu o público ao fim de um show no Olympia, anunciando que abandonava a música para se tornar actriz, mas não teve sucesso.

 Retomou a carreira de cantora ainda na década de 70. Em 1982, recebeu o Grande Prémio Nacional da Canção Francesa do então ministro da Cultura, Jack Lang.

Barbara, gravou em 1996, foi o seu último disco.  Morreu de uma intoxicação alimentar em 1997, quando escrevia as suas memórias.


DORME QUE A VIDA É NADA!



Dorme, que a vida é nada!

Dorme, que tudo é vão!

Se alguém achou a estrada,

Achou-a em confusão,

Com a alma enganada.

Fernando Pessoa

AS MULHERES por José Saramago



Se virmos a realidade, as mulheres são mais sólidas, mais objectivas, mais sensatas. Para nós, são opacas: olhamos para elas, mas não conseguimos entrar lá dentro. Estamos tão empapados de uma visão masculina, que não entendemos. Em contrapartida, para as mulheres nós somos transparentes. O que me preocupa é que, quando a mulher chega ao poder, perde isso tudo.

José Saramago

A pálida luz da manhã de Inverno

A pálida luz da manhã de Inverno,

        O cais e a razão
Não dão mais esperança, nem uma esperança sequer,
        Ao meu coração.
        O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou que não.

No rumor do cais, no bulício do rio
        Na rua a acordar
Não há mais sossego, nem um vazio sequer,
        Para o meu esperar.
        O que tem que não ser
Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar.

28-12-1928

Poesias Inéditas (1919-1930). Fernando Pessoa.

CUSTA MUITO PASSAR O INVERNO, QUE AGORA CHEGOU A SÉRIO!


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

PARIS É UMA FESTA!


Os negros chegaram a França, na Primeira Guerra Mundial, integrados na força americana. Foram bem tratadas pelos franceses e com eles trouxeram o jazz. No fim da guerra, tinham uma vida normal, podiam entrar num café e restaurante sem problemas e andar com mulheres brancas.  Muitos não quiseram regressar à segregação, à cidadania de segunda classe, aos linchamentos do Ku Klux Klan, a que as autoridades fechavam os olhos.

Abriram clubes em Pigalle e ganhavam bem. Nessa altura chegam também a Paris vários intelectuais americanos, a chamada Geração Perdida. Nos Estados Unidos foi imposta a Lei Seca, dos chegados a Paris, estavam grandes bebedores, Hemingway e F. Scott Fitzgerald.
GERAÇÃO PERDIDA
Paris vivia os seus anos loucos, depois da guerra queria-se alegria e diversão, a dança durante os anos de guerra foi proibida, em consideração com os que lutavam.

Em 1925 chega Josephine Baker, que foi uma sensação, não tinha problemas em se expor, ser ela própria. Célebre a sua dança em corpo nu com uma espécie de saia de bananas, explorando também o africanismo. Os negros baseavam os seus espectáculos em clichets raciais sem qualquer problema. Baker depois tornou-se sofisticada, um símbolo da moda.


https://www.youtube.com/watch?v=XBPHceq_6jQ
Outro que chegou a Paris, entre muitos, foi o músico Sydney Bechet, marcado pela escravatura sofrida pelo seu pai e que veio a ter um grande sucesso.
https://www.youtube.com/watch?v=J7u9x50GGGs

Os negros ficaram em Montmarte, os intelectuais brancos em S. Germain du Prés e tiveram o apoio da americana Gertrudes Stein, que também chegou a Paris e se tornou uma mecenas para os artistas.

Os negros tiveram todo o caminho aberto na música, mas muita dificuldade em se revelarem noutras artes, como pintura e literatura.

Nessa altura os grandes artistas em formação, como Picasso, Duchamp, Giacometti entre outros, estavam fascinados pela arte negra, que mais tarde levou ao cubismo, mas os afro-americanos nada sabiam de arte tribal.
Vários nomes de negros trabalharam na pintura, como, Archibald Motley, Aaron Douglas , Palmer Hayden Woodruff, entre muitos outros.


Aaron Douglas 




Também na escultura sobressaíram: Escultoras negras: Nancy Elizabeth Prophet (busto mostrando beleza e orgulho da negritude) e Augusta Savage. 




Importantes foram as irmãs Paulette e Jeanne Nardal, que estudaram em Paris, tiveram um salão literário, publicaram uma revista e deram apoio a vários intelectuais negros, dando-lhes importância e valor.
Na poesia, alguns nomes se distinguiram: Lauston Hughes,
Claude Mc Kay, entre outros.

Toda a festa terminou nos anos 30, devido à depressão. Não havia dinheiro. Alguns negros regressaram. Montmarte praticamente morreu. Paris já não era uma festa.
Josephine Baker ficou, tinha dois amores:
https://www.youtube.com/watch?v=GUvk1Wwucq8&list=PLFm5WlVPoVFS03Tyg-BAQEVRRcS0Jdeck

(Josephine tenho 2 amores -Manhathan e Paris)

PASSARAM c. de 4 ANOS ...E AGORO VOLTO!

Deixo umas fotografias tiradas hoje de manhã, caminhando do Jardim do Passeio Alegre até à Cantareira. Um passeio invernoso, mas não muito!





sexta-feira, 12 de setembro de 2014