A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quarta-feira, 11 de abril de 2018

VISITA GUIADA - PAULA MOURA PINHEIRO (UM PROGRAMA INTERESSANTE ONDE SE VAI DESCOBRINDO O BELO DE PORTUGAL)


CASA DE SEZIM (PERTO DE GUIMARÃES)
Conforme um pergaminho existente no arquivo da casa, o imóvel entrou para a família dos actuais proprietários em 1376, por doação que Maria Mendes Serrazinha fez a Afonso Martins, descendente de D. João Freitas (companheiro de D. Afonso Henriques), em atenção "às boas obras que dele recebeu e espera receber e por crença que lhe fez".
D.Antónia Genoveva da Silva Souto e Freitas (1773-1802) filha de um rico comerciante, no Brasil, de Tabaco e Engenhos de Açúcar, herdou a Casa de Sezim e casou-se com José de Freitas do Amaral (1748-1813). Deixaram a casa ao filho Manuel Freitas do Amaral (1797-1856) por ser o filho varão. E foi Manuel que continuou as obras de restauro, novas construções como a Capela e o Portal de entrada, e sua decoração de interiores, iniciadas pelo pai.
A beleza da Casa, a harmonia das suas linhas, a monumentalidade da sua fachada e a colecção de papéis panorâmicos da primeira metade do século XIX que abriga nos seus salões, têm sido, nos últimos anos, motivo de curiosidade internacional.
Sobre o portão de entrada pode-se ver um brasão com as armas dos Freitas do Amaral. O interior, com paredes revestidas a papel de parede com estampas muito raras, são invulgares e de beleza única. Foram produzidos pela Manufactura Zuber & Cia- Rixheim- Alsácia - França, criadas por Jean Zuber (1773-1852), foram aplicados na casa em 1834- 1840, sob as ordens do pintor Auguste Roquemont, criador do projecto de decoração da casa. Tudo indica que será de Auguste Roquemont a pintura " As aventuras de D. Quixote" em uma das salas. A casa alberga alguns móveis do século XVII.
O solar foi herdado pelo ex- embaixador Pinto de Mesquita, que com a mulher têm conservado e explorado as mais valias da propriedade, entre outras criando uma marca própria de vinho verde e disponibilizando uma parte da casa para alojamento turístico.
E A PROPÓSITO DE AUGUSTE ROQUEMONT ( 1806 -1852)


Augusto Roquemont, filho de Frederico Augusto de Hesse-Darmstadt, nasceu em Genebra.
Estudou em Paris num colégio interno e, entre 1818 e 1827, realizou a sua formação artística nas cidades italianas de Roma, Bolonha, Florença e Veneza. Foi-lhe atribuído o 1.º prémio numa prova de exame na Academia de Belas Artes de Veneza (1820).
O seu pai, que servira em vários exércitos europeus e veio a apoiar a causa de D. Miguel, encontrava-se em Braga no verão de 1828, marcando presença em paradas militares, quando chamou o filho para junto de si. Roquemont embarcou em Génova em 1828.
Encantado com o país e as suas gentes, Roquemont fixou-se no norte de Portugal. Esteve hospedado em Guimarães, na casa do miguelista conde de Azenha. Fez algumas estadias pontuais em Lisboa e, a partir de 1847, fixou residência no Porto.


Nesta cidade foi mestre dos pintores João António Correia e Francisco José Resende. Ocupou o cargo de director da Aula de Desenho da Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto. Com um ordenado anual de 600 réis terá exercido funções entre Abril e Julho de 1832, mês em que abandonou a cidade, com a chegada das tropas liberais.
Depois do triunfo liberal, Roquemont refugiou-se em Guimarães, dedicando-se à produção de retratos particulares e de miniaturas, de projectos de arquitetura e decorações de igrejas, e a pintar bandeiras de irmandades.
Além da técnica da pintura a óleo, usada nos seus famosos retratos da nobreza e da alta burguesia nortenhas e nos costumes populares, também produziu trabalhos a lápis, carvão e esfuminho e fez retrato-miniatura.
Ensinou outros artistas como António José de Sousa Azevedo (1830-1864) e Caetano Moreira da Costa Lima (1835-1898) e marcou fortemente a primeira geração de pintores românticos portugueses, sobretudo Tomás da Anunciação (1818-1879). A sua obra está representada no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, no Museu Grão Vasco, em Viseu, e na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, em Lisboa.


domingo, 8 de abril de 2018

UM DIA TRISTE PARA A HISTÓRIA DE PORTUGAL!

A manhã gelada em que Portugal perdeu a guerra

Na madrugada de 9 de Abril de há 100 anos, o frágil Exército português teve de enfrentar uma poderosa ofensiva dos alemães nos campos húmidos e gelados da Flandres francesa. Em poucas horas, o destino dos 20 mil soldados que defendiam uma linha de dez quilómetros dividia-se entre a morte, a prisão ou a fuga. Foi um desastre que o caos da República e a incúria do Exército ajudam a explicar.
in Público

PARA QUEM QUISER SABER A HISTÓRIA DO MATA-MILHÕES! 

Aníbal Augusto Milhais (1895-1970), mais conhecido por "Mata-Milhões", foi o soldado português mais condecorado da Primeira Guerra Mundial, e o único soldado português premiado com a mais alta honraria nacional: a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
O Soldado Milhões tornou-se um herói durante a Primeira Guerra Mundial ao enfrentar sozinho uma ofensiva alemã, e a sua história faz parte da aldeia de Valongo de Milhais, perto de Murça, em Trás-os-Montes.
Na sua terra natal, no concelho de Murça, distrito de Vila Real, todos conhecem a história do jovem analfabeto e pobre, um franzino com pouco mais de metro e meio de altura, que desobedeceu às ordens de retirada e ficou para trás, sozinho e abrigado numa trincheira, a disparar contra o inimigo.
A história começa na madrugada de 9 de Abril de 1918, quando dezenas de divisões alemãs irromperam pelo sector português da frente, defendida pela segunda divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP). Em poucas horas, os portugueses perdem 7500 homens entre desaparecidos, mortos, feridos e prisioneiros, naquela que ficaria conhecida pela Batalha La Lys.
Augusto Milhais pertencia a uma secção de metralhadoras do Batalhão de Infantaria 15 (BI15). Especialidade: "atirador especial".
Já em França, Aníbal Milhais especializa-se em metralhadoras Lewis. Foi com a sua metralhadora Lewis, conhecida entre os portugueses por "Luísa", que enfrentou sozinho na trincheira os soldados alemães.
Aníbal Milhais corria entre os vários abrigos, disparando de diferentes posições e criando a ilusão, nas tropas alemãs, de que a posição estava a ser guardada por vários militares. À quarta ofensiva, os soldados alemães decidiram contornar aquele ponto e deixaram o português para trás das linhas inimigas, onde sobreviveu durante uns dias, com uns amendoins no bolso, até ser encontrado por um oficial escocês que o ajudou a encontrar o batalhão português.
Devido à sua coragem de ter enfrentado sozinho as colunas alemãs que se atravessaram no seu caminho, permitiu dar tempo para a retirada de vários soldados portugueses e escoceses para as posições defensivas da retaguarda.
Após a guerra e a condecoração, em 1919 Milhais regressou à sua terra natal. Tornou-se agricultor, casou e teve 10 filhos, ainda chegou a emigrar para o Brasil.
Em 1928, no Brasil, Milhais teria trabalho numa fábrica do Rio de Janeiro, mas os compatriotas de Murça não aceitaram a vergonha de um herói emigrante. Fizeram uma colecta de forma a pagarem-lhe a viagem de regresso, dizendo-lhe que um herói da pátria não deveria emigrar, mas sim estar no seu país, como símbolo, como reserva de um conjunto de valores. A sua história foi resgatada pelo jornal "Diário de Lisboa" que em 1924, o transformou numa espécie de símbolo nacional que passou a ser usado pela propaganda dos governos da primeira República e pelo Estado Novo. Frequentemente é convocado para ser mostrado em cerimónias do regime, sempre que era preciso enaltecer a nação e exaltar os valores da raça.
O Soldado Milhões era um soldado raso, que recebeu a Ordem da Torre e Espada, normalmente reservada para as altas patentes militares, e o regime aproveitava-se disso para efeitos de propaganda. Além disso, era um homem do povo, humilde, que se identificava com a identidade do povo português da época.
Mas Milhais nunca terá tido consciência desse aproveitamento; e tal como muitos soldados portugueses, combateu numa guerra defendendo a pátria, sem nunca conhecer os verdadeiros motivos da presença portuguesa nessa guerra. Para Milhais, bastava comparecer na cerimónia militar fardado e com as medalhas ao peito, situação a que era obrigado.
As medalhas conquistadas foram doadas ao Museu Militar do Porto, e também ao Museu do Regimento de Infantaria 13, em Vila Real. Aníbal Augusto Milhais morreu no dia 3 de Junho de 1970, aos 75 anos, em Valongo, a aldeia que adoptou o nome de Milhais em sua homenagem, que deu ainda o nome "Herói Milhões" a uma rua.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

O ANTES E O AGORA!

PRAÇA D. JOÃO I

(HOJE COM UM INTENSÍSSIMO TRÂNSITO)


Aqui também existiu o Café Rialto, de boas memórias para mim e que hoje pertence ao Banco Millenium. (Última fotografia).


Tinha amplas e modernas instalações, constituído por dois pavimentos ligados por uma imponente escadaria em mármore. No pavimento superior existia um desenho-mural a carvão, da autoria de Abel Salazar. Junto á escadaria, um baixo relevo - cerâmica policromada do escultor João Fragoso, sobre o Douro , da sua nascente à foz. Este artista assina também outro baixo-relevo, que tem por motivo o café.




No salão inferior, vêem-se três pinturas murais, a fresco: a central, da autoria do pintor Guilherme Camarinha , e as laterais, do mestre da Escola de Belas Artes, Dordio Gomes. Ao lado, no salão de chá, quatro painéis pintados em contraplacado, igualmente da autoria de Guilherme Camarinha, tendo por motivo as quatro estações do ano. Os dois salões - ligados por uma e mesma harmonia de conjunto, a que um enorme painel formado por 44 espelhos, com 72 metros quadrados, dava unidade visual. A imponência deste estabelecimento era aumentada por mármores de Leiria, de ricas e raras tonalidades. O «café», com ar condicionado, tinha capacidade para 130 mesas e a cozinha, completamente electrificada, possuía, e pela primeira vez em Portugal, aparelhagem para esterilização de chávenas, capaz de esterilizar 600 em quinze minutos. Cada salão possuia o seu balcão-frigorífico privativo, ligado por um elevador. (O Século – 28/11/1944)

O Café Rialto, foi inaugurado em 1944, no rés do chão do chamado “arranha-céus” projetado por Rogério de Azevedo, o café Rialto foi concebido por Artur Andrade, o arquitecto do cinema Batalha. Era frequentado por gente da cultura, da literatura e da arte. Nas décadas de 1950-60, foi local de reunião de uma geração de poetas contestatária do Estado Novo – António Rebordão Navarro, Egito Gonçalves, Daniel Filipe, José Augusto Seabra, Luís Veiga Leitão e Papiniano Carlos – responsável pela edição da revista de poesia “Notícias do Bloqueio”.



HELEN LEVITT - FOTOGRAFIA DE RUA

Helen Levitt (1913 -  2009), era um fotógrafa americana. Era particularmente conhecida por se ter dedicado especificamente à "fotografia de rua" em Nova York, e tem sido chamada de "a mais famosa e menos conhecida fotógrafa de seu tempo" .
[Fotografia de rua, é para mim a mais interessante e a mais difícil, se o que se pretende é fotografar pessoas e muito especialmente crianças.


quarta-feira, 4 de abril de 2018

OUTRO EMPRENDIMENTO, A ABRIR JÁ ESTE ANO É O «GARDEN ARTES»


Palacete Pinto Leite

O Palacete Pinto Leite, originalmente conhecido como Casa do Campo Pequeno, era uma residência burguesa do século XIX, mandada construir por Joaquim Pinto Leite, da abastada família portuense Pinto Leite, em meados do século XIX. Em 1966, o palacete foi adquirido aos herdeiros pela Câmara Municipal do Porto, para se instalar o Conservatório de Música, o que só veio a acontecer em 1975.
Devoluto desde a saída do Conservatório de Música do Porto em 2008, o palacete foi vendido em 2016 por 1,643 milhões de euros a uma empresa de António Oliveira e António Moutinho Cardoso, coleccionador de arte que promete ali criar um "ex-libris" cultural "aberto à cidade".

A família Pinto Leite foi uma das mais influentes do Porto, e do país, em meados do século XIX. A sua visibilidade social era muito forte no Porto da época.
 Alguns dos membros desta família ocuparam um espaço central na sociedade portuense e nacional em diferentes épocas. Estavam ligados a grandes negócios e à alta finança.
O local onde se situa o Palacete foi inicialmente conhecido como Campo Pequeno, ficando paredes-meias com a Maternidade Júlio Dinis. Local residencial de Ingleses, bem referidos por Júlio Dinis no romance «Uma Família Inglesa», estando então rodeado por terrenos agrícolas e quintas, a propriedade do Campo Pequeno foi adquirida por Joaquim Pinto Leite em 1854.
Desconhece-se o autor do projecto, mas pelo estilo neopalladiano presume-se que tenha tido influências inglesas, contrário ao gosto da arquitectura portuense do século XIX, e também com influência das belas-artes francesas. Os azulejos que recobrem o edifício são originários de uma fábrica inglesa, a Minton, Hollings & Company, de Stoke-on-Trent.
Presume-se que Joaquim Pinto Leite pretendesse uma casa relativamente grande, onde toda a família pudesse hospedar-se, incluindo alguns dos irmãos que não residissem habitualmente no Porto. Pretendia também uma casa que seguisse modelos ingleses, tendo encarreguado os irmãos, que ali se tinham estabelecido de fazer uma prospecção de alguns exemplos que pudessem servir de modelo. Segundo a tradição familiar, Joaquim Pinto Leite esteve para comprar o Palácio dos Carrancas, o que não se concretizou provavelmente devido à vontade do rei D. Pedro V em adquiri-lo para residência real na cidade, alegando posteriormente ser demasiado grande.
Há notícia de que, em 1866, celebrou-se no palacete o casamento entre Orísia Pinto Leite e Arsénio Pinto Leite, primos e ambos moradores no dito palacete. Não é demais sublinhar que, nesta família, o casamento entre primos foi comum. A impressa da época elogia a casa, sóbria mas elegantíssima, comparando-a a uma rica moradia no melhor bairro de Londres.









O edifício possuía quartos de banhos principescamente luxuosos e tecnicamente inovadores, contando com torneiras banhadas a ouro e sanitários em porcelana de Sèvres. No exterior, ainda existe um pavilhão ou casa de fresco, espaço de lazer, também conhecido como casa das bonecas e uma estufa de floricultura.
 [Tive oportunidade de visitar este palacete antes das obras que estão em curso e espero que não sejam feitas obras que adulterem este belo edifício.]

RECUPERADA REABRIU «A BRASILEIRA»!


Reabriu há pouco, como Hotel Pestana, restaurante e café, este mantendo a mesma traça conhecida, com ligeiras alterações. Propriedade de António Oliveira, antigo treinador da Selecção Portuguesa de Futebol. Encontrava-se encerrada desde o início de 2013.
A Brasileira, depois da sua recuperação.




O Café A Brasileira é um dos mais emblemáticos cafés da cidade do Porto. De acordo com um projecto do arquitecto Francisco de Oliveira Ferreira, "A Brasileira" tem uma notável fachada, com o magnífico pára-sol de ferro e vidro, e um interior deslumbrante, em que sobressaem os cristais, os mármores e o mobiliário de couro gravado. Foi frequentado por uma clientela assídua e adepta de tertúlias. Muitos ilustres da cidade andaram por lá.

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O estabelecimento foi fundado por Adriano Soares Teles do Vale, nascido na Casa de Cimo d'Aldeia, em Alvarenga (Arouca). Ainda jovem, Adriano emigrou para o Brasil. No Brasil, dedicou-se ao negócio do café, nos finais do século XIX e enriqueceu. Casou no Brasil com uma filha de fazendeiros no Estado de Minas Gerais, onde se dedicou à fundação de um estabelecimento comercial inicialmente chamado "Ao preço fixo", que incluía, também, casa de câmbios, e à produção agrícola, em particular de café, que exportava para Portugal. Regressando a Portugal por motivos de saúde da mulher, que acabaria por cá morrer, criou uma rede de pontos de venda do café que produzia e importava do Brasil: as famosas "Brasileiras", espalhadas por Lisboa (Chiado e Rossio), Porto, Braga, Aveiro, Coimbra e Sevilha. Adriano Teles foi, também, um homem de cultura, com interesse pela música e pela pintura. Fundou a Banda de Alvarenga, financiando a compra dos seus primeiros instrumentos, e fez, da Brasileira do Chiado, o primeiro museu de arte moderna em Lisboa.
"A Brasileira", no Porto, foi inaugurada em 1903, para servir café à chávena. Não havia na cidade, por essa altura, o hábito de tomar café em estabelecimentos públicos. Adriano Teles, para promover o seu produto, ofereceu, durante os primeiros treze anos de "A Brasileira", o café à chávena de graça no seu estabelecimento a quem comprasse um saquinho de grãos de café.
Numa visão do que, hoje, poderíamos chamar de marketing, Adriano Teles mandou pintar, em várias paredes da cidade, o slogan que se tornaria famoso: O melhor café é o d'A Brasileira.

Adriano Teles não se ficou pelo Porto, abrindo "A Brasileira" de Lisboa, no Chiado, em 1905 e "A Brasileira" de Braga em 1907 e "A Brasileira" de Coimbra em 1928.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

MULHERES PORTUGUESAS CÉLEBRES E NOTÁVEIS!






UMA VISITA DE ESTUDO À IGREJA S. JOSÉ DAS TAIPAS!

NESTAS VISITAS . A PERSPECTIVA É SEMPRE MAIS HISTÓRICA E ARTÍSTICA, QUE RELIGIOSA.

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Igreja de S. José das Taipas
O local designado de “Taipas” refere-se aos entaipamentos que por aqui se fizeram no século XVI, por se encontrar esta zona atacada de peste. Os entaipamentos isolavam os doentes e, assim, evitavam o contágio com a restante população.
De estilo neoclássico, a sua construção iniciou-se no ano de 1795 e finalizou no ano de 1878. O templo tem uma só nave em abóbada de berço, suportada por dez arcos. A obra é de Carlos Amarante, arquitecto e engenheiro militar do neoclassicismo, autor de vasta obra no norte de Portugal. Da sua autoria, salientam-se os conhecidos monumentos do Bom Jesus, Igreja do Pópulo e Igreja do Hospital de S. Marcos, localizadas em Braga; a Ponte de São Gonçalo sobre o Rio Tâmega, em Amarante; Ponte das Barcas, no Porto, (hoje desaparecida); Reitoria da Universidade do Porto; igreja da Trindade, no Porto; Palácio da Brejoeira, em Monção.
A igreja de S. José das Taipas encontra-se intimamente ligada aos acontecimentos ocorridos durante as Invasões Napoleónicas e à memória da população da cidade que ainda se ressente das violências praticadas e do terror que invadiu a urbe por esses tempos. Guarda no seu interior uma pintura alusiva ao Desastre da Ponte das Barcas, episódio histórico de grande relevo para a cidade, ocorrido durante as invasões francesas a 29 de Março de 1809. Esta pintura original em cobre encontrava-se na Ribeira e assinalava o local onde a ponte, que ligava Porto e Gaia, construída sobre barcas, ruiu perante a massa populacional em fuga para a margem sul, impelida pela invasão militar francesa. Hoje, a pintura alusiva ao massacre está protegida no interior da igreja e, em sua substituição, foi colocada uma outra peça em bronze do escultor Teixeira Lopes, designa-se de Alminhas da Ponte.
São ainda de salientar no interior da igreja um presépio do séc. XVIII, atribuído à Escola de Machado de Castro; uma pintura da antiga escola alemã, representando a Nossa Senhora da Divina Providência, um Cruzeiro e outras obras que se encontram na área museológica anexa.
Esta igreja tem uma Cripta, por baixo do altar-mor. visitável. Um ossário contendo os restos mortais de c. de 200 vítimas do desastre da Ponte das Barcas recuperadas ao Rio Douro. Também não deve perder a subida à torre sineira, de onde se pode apreciar uma vista fantástica sobre o Porto e sobre a cintura da antiga muralha correspondente à Porta do Olival.
O Retábulo da Capela Mor possui um trono escalonado normalmente tapado por uma tela, de autor desconhecido.
O Sacrário, é o segundo maior da Cidade do Porto.
A Sacristia actual foi a primitiva Capela da Casa dos Pachecos. Tem uma imagem de Nossa Senhora de Vandoma, o único lugar onde ela está representada na Cidade, para além do da Sé Catedral.
No primeiro altar à direita de quem entra na Igreja, existe um altar dedicado a Nossa Senhora da Providência. É uma cópia da pintura existente na Sacristia, esta da escola alemã do séc. XVII de autor desconhecido e à qual foram adicionadas duas coroas em prata.
Muito interessante é o Lanternim. Tem 8 faces, constituídas por 10 janelas gradeadas em arco de volta perfeita sobre painéis entalhados com motivos religiosos e iconografia das Irmandades. Ao centro, uma claraboia elíptica.
à entrada de igrela, como noutras igrejas antigas,existe um apetrecho em ferro de cada lado da entrada, destinava-se a limpar as solas do calçado da lama dos caminhos.

Esta Igreja encontra-se em recuperação, é um projecto que visa recuperar património material e imaterial da cidade e também motivar um turismo cultural de repetição. Tem um orçamento de 1,5 milhões e contempla, além desta igreja, a de S. João Novo, São Nicolau, Santo Ildefonso, São Lourenço dos Grilos e a Capela de Nossa Senhora do Ó. Uma grande parte da despesa vem dos fundos comunitários no âmbito de Portugal 2020. O restante da Câmara Municipal do Porto, da SRU, Porto Editora e entidades bancárias.

sábado, 31 de março de 2018

UM DIA BOM PARA PASSEAR!

São muito barulhentos os gansos. Juntam-se como um exército desfilando, como se estivessem numa parada. Eu que gosto mais de observar animais, do que estar a aturar pessoas, tive uma tarde muito tranquila.
Os gansos foram domesticados no Antigo Egipto, para produção de carne e penas. As penas para fabrico de flechas.  Os gansos domésticos são mais activos durante a noite e, dado o seu sentido territorial, podem exercer funções de cão de guarda. O foie gras é fabricado a partir do fígado de ganso, de tal forma, que deixei de gostar de foie gras. A ave em cativeiro vive até 50 anos.







quinta-feira, 29 de março de 2018

HOJE 29.03 É UM DIA MUITO MARCANTE PARA A HISTÓRIA DO PORTO!


Foram trágicos os acontecimentos ocorridos no Porto, em 1809, durante os 45 dias que Soult e as suas tropas permaneceram na cidade, no decurso da segunda invasão francesa.

Com a entrada das tropas francesas, em 29 de Março  de 1809, a população fugiu em direcção à Ribeira, na tentativa de passar a ponte das barcas que unia o Porto a Vila Nova de Gaia. É então quer se dá a tragédia, a ponte não aguentou o peso. Milhares de vítimas pereceram quando fugiam, através da ponte. Não se sabe ao certo quantos terão morrido afogados e quantos terão morrido nas cargas de baioneta dos soldados franceses, há muitas dúvidas quanto ao número de quatro a cinco mil vítimas, apontadas em alguns relatos.
ALGUMAS IMAGENS DA ÉPOCA






Há relatos das atrocidades cometidas há 209 anos, a população ficou completamente a saque.

Conventos, repartições públicas, casas particulares de famílias importantes e outras de gente mais modesta, foram invadidas despojadas de tudo, pelos soldados de Soult.

Não foi só o roubo, mas também repugnantes vexames e hediondos morticínios.

Soult instalou-se quando chegou ao Porto, no Palácio das Carrancas, actualmente Museu Soares dos Reis, como residência e quartel general e só saíu quando teve conhecimento na entrada da cidade do exército luso-britânico, comandado por sir Arthur Wellesley.
ESTE ACONTECIMENTO É LEMBRADO NA RIBEIRA COM O BAIXO RELÊVO «ALMINHAS DO PORTO» DO ESCULTOR TEIXEIRA LOPES.



E TAMBÉM PELO MONUMENTO AOS HERÓIS DAS GUERRAS PENINSULARES
Da autoria de Marques da Silva, Mª José Marques da Silva, Moreira da Silva, Henrique Moreira, Sousa Caldas e Alves de Sousa, este monumento foi inaugurado em 1951. É uma obra de evocação histórica arquitectónico-escultural de espectacular grandiosidade, composta por um obelisco e por vários grupos escultóricos com figuras simbólicas da águia (alusiva ao exército napoleónico) e do leão (alusiva ao espírito indomável do povo português).

quarta-feira, 28 de março de 2018

AS 4 OPERAÇÕES - Vasco Graça Moura


Fui deitar contas à vida

fiz as quatro operações

num instante e de seguida

tirei certas conclusões



Comecei pela adição

porque te amei mais e mais

se fiz essa soma à mão

fiz também contas mentais



Aprendi a tabuada

e vi que multiplicar

era a forma acelerada

de o meu amor aumentar



Depois vi que subtraía

a tua deslealdade

e o total se reduzia

para menos de metade



Essa foi a consequência

da mentira repetida

e assim a minha existência

acabava dividida



E agora não me comove

dar-te uma prova provada

fiz sempre a prova dos nove

e deu noves fora nada

Vasco Graça Moura