«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"Uma paisagem qualquer é um estado de alma. " - Henri Amiel



Solidão
A solidão é como uma chuva. 
Ergue-se do mar ao encontro das noites; 
de planícies distantes e remotas 
sobe ao céu, que sempre a guarda. 
E do céu tomba sobre a cidade. 

Cai como chuva nas horas ambíguas, 
quando todas as vielas se voltam para a manhã 
e quando os corpos, que nada encontraram, 
desiludidos e tristes se separam; 
e quando aqueles que se odeiam 
têm de dormir juntos na mesma cama: 

então, a solidão vai com os rios... 

Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens" 
Tradução de Maria João Costa Pereira

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

JOSÉ SARAMAGO

 A 16 de Novembro de 1922, nasce, em Azinhaga (Ribatejo), José de Sousa Saramago, escritor português galardoado, em 1998, com o Nobel da Literatura.
O Nobel da Literatura José Saramago, que morreu em junho de 2010, vai ser homenageado no Por
to, na Casa da Música, a 24 de novembro, iniciativa integrada nas comemorações dos 90 anos sobre o nascimento do escritor.

A homenagem a José Saramago surge no âmbito da 12.ª edição do "Porto de Encontro", uma iniciativa do jornalista Sérgio Almeida promovida pela Porto Editora.

"A conversa, moderada pelo jornalista Sérgio Almeida, contará com as participações de Pilar del Río, Álvaro Siza Vieira, Mário Cláudio, Pedro Abrunhosa e Valter Hugo Mãe".
Quando se comemora 90 anos sobre o nascimento do escritor, para esta homenagem estão ainda previstas "leituras por Manuela Azevedo, Emília Silvestre, Filipa Leal, Ana Celeste Ferreira e José Carlos Tinoco, bem como performances de Pedro Abrunhosa, do Coral de Letras da Universidade do Porto e de O Andaime".

Arte de Amar
Metidos nesta pele que nos refuta, 
Dois somos, o mesmo que inimigos. 
Grande coisa, afinal, é o suor 
(Assim já o diziam os antigos): 
Sem ele, a vida não seria luta, 
Nem o amor amor.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis" 
Aprendamos, Amor
Aprendamos, amor, com estes montes 
Que, tão longe do mar, sabem o jeito 
De banhar no azul dos horizontes. 

Façamos o que é certo e de direito: 

Dos desejos ocultos outras fontes
E desçamos ao mar do nosso leito.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

U.E. – A GRANDE UTOPIA



U.E. foi a melhor e a mais atraente utopia política, um «magnificent concept», para muitos. Este processo de integração europeia, começou a ser construído na ressaca da II Guerra Mundial, inspirando-se na Paz, mas as lideranças atuais são tacanhas, fechadas, medíocres, sem a determinação fundadora de um Adenauer, Schuman, De Gasperi ou de estadistas como Helmut Kohl, Mitterrand, Delors, Willy Brandt, Schmidt.
As causas da crise, iniciaram-se com a crise económica global da falência do banco de investimento americano Lehman Brothers e o seu efeito dominó em outras instituições bancárias, mas outro aspeto há a considerar: o endividamento público elevado de certos países, casos de: Grécia, Portugal, Espanha, Itália e Irlanda. A União Europeia, não soube coordenar, nem resolver essa situação e as consequências são evidentes: fuga de capitais de investidores, escassez de crédito, aumento do desemprego, descontentamento popular com as medidas de redução de gastos, como forma de conter a crise, diminuição nos «ratings», dos países e bancos mais envolvidos na crise,  queda ou baixo crescimento do PIB, contaminação para países fora do bloco, que mantêm relações com a União Europeia.
A crise pode, de acordo com alguns economistas, causar recessão económica mundial.

A Europa caminhou para preocupações medíocres, falta de visão democrática, liderança pedante, muito longe do processo inicial de integração europeia, indo beber dos mesmos males de que sempre padeceu o Continente: egoísmo e divisão e esta situação pode bem levar a outra guerra.

Não se pode negar de todo a possibilidade desse risco, pensemos no caso da Jugoslávia, uma federação supranacional que se desagregou, cujos povos viviam em comum e que se mataram uns aos outros!
Num continente que viveu em guerra permanente até à 70 anos, a U.E., quis trazer paz e prosperidade, assim como democracia a vários países. A ideia baseava-se numa igualdade, apesar dos países não terem a mesma situação económica, mas igualdade de direitos políticos. Atualmente um país dita as regras do jogo, a Alemanha e Merkel diz: os países que estão a ser assistidos ou aceitam as regras do jogo que eu vou ditar ou acabou-se a assistência. Essas regras, referindo por exemplo a situação em Portugal, levam a que o orçamento de estado seja aprovado primeiro em Berlim e depois na Assembleia da Republica portuguesa. Merkel tem revelado egoísmo e tomado medidas fracas e retardadas, quando se espera uma atitude corajosa, ousada e empreendedora, reconstruindo a esperança de uma EUROPA/CASA COMUM.
A situação está complicada com a ditadura dos mercados, seria necessária uma vontade política forte para que os países se consertassem e fosse possível controlar os mercados. A ditadura dos mercados consiste em criar um círculo vicioso, criando medidas de austeridade, que levam os países à recessão e depois juros mais altos e mais crise! Um caminho para o abismo!
Toda a gente antevê o fim da União Europeia e ninguém faz nada! Para muitos a Europa, união de países a 27 tem os seus dias contados. A ideia de uma Europa Unida acabou e salve-se quem puder!

Portugal, pequeno país periférico, sempre tão dependente, irá sobreviver à crise e às medidas draconianas da Troika (Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI))? O futuro parece bastante negro, com políticos fracos e sem qualidades, plenamente subservientes à Srª Merkel. As manifestações proliferam, a contestação aumenta dia a dia, Portugal que futuro?


m.s.