«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mário Lago (26 de Novembro de 1911, Rio de Janeiro, Brasil - 30 de maio de 2002, Rio de Janeiro, Brasil), advogado, poeta, compositor, letrista e actor carioca.

Três Coisas

Três coisas pra mim no mundo
Valem bem mais do que o resto
Pra defender qualquer delas
Eu mostro o quanto que presto


É o gesto, é o grito, é o passo
É o grito, é o passo, é o gesto
O gesto é a voz do proibido
Escrita sem deixar traço

Chama, ordena, empurra, assusta
Vai longe com pouco espaço
É o passo, é o gesto, é o grito
É o gesto, é o grito, é o passo

O passo começa o vôo
Que vai do chão pro infinito
Pra mim que amo estrada aberta
Quem prende o passo é maldito

É o grito, é o passo, é o gesto
É o passo, é o gesto, é o grito
O grito explode o protesto
Se a boca já não dá espaço

Que guarde o que há pra ser dito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o passo, é o gesto, é o grito

"Os governantes que não sabem escutar ou não querem escutar seus povos não são dignos de governá-los". A. P. ESQUÌVEL



Adolfo Pérez Esquivel (Buenos Aires, 26 de Novembro de 1931) arquitecto, escultor e activista de direitos humanos, agraciado com o Nobel da Paz de 1980.
Em 1974 na cidade de Medellin, na Colômbia, Adolfo Pérez Esquivel coordenou a fundação do Servicio Paz y Justicia en América Latina (SERPAJ-AL).
O SERPAJ-AL dedicou-se a defender os Direitos Humanos no continente e a difundir a Não-Violência Activa como instrumento de transformação da realidade e dos crimes de tortura e desaparecimento forçado de militantes políticos e agentes comunitários e pastorais, praticados pelas Ditaduras Militares que haviam se instalado por toda a América Latina, com o apoio dos Estados Unidos que viviam então o auge da Guerra Fria com a União Soviética.
É membro do Comité da patrocínio da Coordenação internacional para o Decénio da cultura da não-violência e da paz. Esquivel é também o Presidente da Academia de Ciências Ambientais de Veneza na Itália. Juntamente com outros Prémios Nobel da Paz, lidera uma campanha mundial pela criação de uma grupo internacional para julgar os crimes ambientais de grande monta.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

PASSADOS 50 ANOS, AFINAL QUEM ENCOMENDOU A MORTE DE JOHN KENNEDY?


John Fitzgerald Kennedy (Brookline, 29 de maio de 1917  Dallas, 22 de novembro de 1963) 35°presidente dos Estados Unidos, é considerado uma das grandes personalidades do século XX.
Eleito em 1960, Kennedy tornou-se o segundo mais jovem presidente do seu país, depois de Theodore Roosevelt. Ele foi Presidente de 1961 até o seu assassinato em 1963. Durante o seu governo houve a Invasão da Baía dos Porcos, a Crise dos mísseis de Cuba, a construção do Muro de Berlim, o início da Corrida espacial, a consolidação do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos e os primeiros eventos da Guerra do Vietname.
Com 43 anos de idade, foi o candidato presidencial do Partido Democrata nas eleições de 1960, derrotando o Republicano Richard Nixon .
O presidente Kennedy morreu assassinado em 22 de novembro de 1963 em Dallas, Texas. O ex-fuzileiro naval Lee Harvey Oswald foi preso e acusado do assassinato, mas foi morto dois dias depois, por Jack Ruby e por isso não foi julgado. A Comissão Warren concluiu que Oswald agiu sozinho no assassinato. No entanto, o Comitê da Câmara sobre Assassinatos descobriu em 1979 que talvez tenha havido uma conspiração em torno do acontecido. Este tópico foi debatido e há muitas teorias sobre o assassinato, visto que o crime foi um momento importante na história dos Estados Unidos devido ao seu impacto traumático na psique da nação.

Muitos viram em Kennedy um ícone das esperanças e aspirações americanas, e em algumas pesquisas no país ele ainda é valorizado como um dos melhores presidentes da história da nação.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

ESCLARECIMENTO

Olá, Manuela.

Ferindo a lei 9.610 (Direitos autorais). Esse meu poema: A pedra. Circulava como de autor desconhecido ou com o nome de plagiadores. Agora aparece como de Chaplin, Renato Russo, Fernando Pessoa, sem citar a autoria...
O real autor é Antonio Pereira (Apon). Todos os esclarecimentos em:
http://www.aponarte.com.br/2007/08/pedra.html
Inclusive, já está disponível a nova edição do livro: Essência (onde foi originalmente publicado esse poema em 1999): 
http://www.agbook.com.br/book/139532--Essencia ou http://www.clubedeautores.com.br/book/139532--Essencia

A forma original do poema:

O distraído, nela tropeçou,
o bruto a usou como projétil,
o empreendedor, usando-a construiu,
o campônio, cansado da lida,
dela fez assento.
Para os meninos foi brinquedo,
Drummond a poetizou,
Davi matou Golias...
Por fim;
o artista concebeu a mais bela escultura.
Em todos os casos,
a diferença não era a pedra.
Mas o homem.

Título: A pedra
Nome do autor: Antonio Pereira (Apon)
Link para a fonte original: http://www.aponarte.com.br/2007/08/pedra.html

Solicito a cooperação na Correção do conteúdo, incluindo os créditos necessários ou a exclusão do mesmo, para que o poema não siga equivocadamente como de “autor desconhecido” ou com outras possíveis distorções quanto a real autoria.

Se possível, conto com a colaboração na divulgação desses esclarecimentos em Blogs/Sites e Redes Sociais.

Um grande abraço.

Antonio Pereira (Apon)

domingo, 10 de novembro de 2013

Álvaro Barreirinhas Cunhal nasceu a 10 de Novembro de 1913, em Coimbra, e faleceu a 13 de Junho de 2005.

Aprecio o homem que foi Álvaro Cunhal, uma pessoa de convicções fortes e determinado na luta pelos seus ideias. Um homem que pode ser recordado pela sua integridade e coerência, como há poucos. Relativamente aos políticos estou sempre de pé atrás, por essa razão não me debruço muito sobre os mesmos. Cunhal lutou pelas suas ideias, com as consequências inevitáveis, foi amado e odiado, como sempre acontece, mas será sempre uma figura incontornável na História.


«A história do comunismo, do movimento comunista, é no fundamental, embora num percurso acidentado, a história de uma luta social constante na defesa dos interesses e direitos dos explorados e oprimidos, tendo como objectivo construir uma sociedade nova e melhor, o que implica confiança no ser humano e exclui a crença em formas sobrenaturais, que decidam do seu destino. Os objectivos e a luta dos comunistas hoje são inseparáveis dos objectivos e da luta desde o Manifesto Comunista de 1848. A Igreja católica pouco tem a ver com os primeiros cristãos que eram perseguidos. Aquele a quem se atribui a fundação da Igreja, S. Pedro, foi crucificado e de cabeça para baixo. Quando, alguns dizem que Cristo foi o primeiro comunista, atribuem-lhe ideias e comportamentos com os quais pouco ou nada têm a ver as ideias e os comportamentos da Igreja Católica ao longo dos anos, pois ela se tornou um elemento integrante do feudalismo, e depois do capitalismo, a não ser em alguns dos seus sectores que retomam as melhores ideias e comportamentos atribuídos a Cristo. No movimento comunista e na concretização dos seus objectivos registaram-se, graves situações e fenómenos que se afastaram dos ideais sempre proclamados pelos comunistas. Mas, falando em comunismo hoje, eu só compreendo mantendo e defendendo esses ideais e não renegando as grandes realizações e o património de luta de gerações e gerações de comunistas. Os comunistas não têm uma concepção ideológica separada de uma intervenção prática. Ao contrário da Religião, não aceitamos o conformismo e a resignação. Não estamos a lutar por uma concepção; estamos, com uma concepção, a lutar pela solução de problemas concretos da humanidade e por uma transformação da sociedade que os resolva. Estamos cá na terra, com os pés assentes na terra.»

Álvaro Cunhal

sábado, 2 de novembro de 2013

UM CASO REVOLTANTE...

Theodorus (Theo) van Gogh (Haia, 23 de Julho de 1957 — Amesterdão, 2 de Novembro de 2004) realizador de cinema e um polémico autor e actor dos Países Baixos.
O seu bisavô tinha sido Theo van Gogh, o comerciante de arte, irmão do famoso pintor holandês Vincent van Gogh. Depois de abandonar o curso de direito, tornou-se encenador e depois realizador de cinema, além de escrever colunas frequentemente provocadoras para o jornal Metro, entre outros.
Van Gogh tornou-se famoso pelas polémicas em que se envolveu frequentemente. Era especialmente crítico face à religião. Chamou por exemplo a Jesus Cristo "um pescador preguiçoso de Nazaré", o que lhe fez ser considerado um ser demoníaco e retratou Maomé como pedófilo (Maomé casou-se com Aicha, uma menina de nove anos).
No seu último livro (2003) foi Allah weet het beter, fez uso do seu estilo irónico e cínico, comum aos jornalistas holandeses, apresentando as suas visões do Islão.
Ele era membro da sociedade republicana holandesa Republikeins Genootschap (antimonárquica), e apoiava a nomeação da política, nascida na Somália, Ayaan Hirsi Ali, para o parlamento holandês. Ela foi eleita para o parlamento holandês em 2003, representando o VVD (Partido Liberal).
Mohammed Bouyeri querendo defender os mandamentos do Islão, que ordena matar e decapitar infiéis ou seja quem não quiser ser islâmico,assassinou Van Gogh, quando ia de bicicleta para o trabalho.
Juntamente com Hirsi Ali, van Gogh foi o autor do filme com o título "Submissão" (uma referência inequívoca ao Islão, que significa literalmente submissão a Alá). É um filme sobre a situação da mulher nas sociedades islâmicas, abordando temas como os casamentos arranjados, a violência doméstica ou o incesto. Após a estreia do filme, Van Gogh e Hirsi Ali receberam ameaças de morte.
Segundo o autor e colunista holandês Leon de Winter, o caso de Theo van Gogh é um resultado trágico do confronto cultural entre uma cultura holandesa tradicionalmente tolerante e liberal e o fluxo de imigração de zonas do mundo que não têm esse mesmo carácter. Van Gogh foi um símbolo da liberdade de expressão e do pensamento crítico, por vezes exacerbado, que são característicos de uma sociedade pluralista e moderna. Em forte contraste com este modelo estão os imigrantes do Magrebe, hoje um sector numeroso da sociedade holandesa, pouco habituados ao confronto de ideias e à crítica à religião.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O Amor é Inevitável

LA DOLCE VITA - FELLINI (MASTROIANNI/EKEBERG)
(O Amor) É inevitável, faz parte da combustão da natureza, é força, mar, elemento, água, fogo, destruição, é atmosfera, respira-se, quando se morre abandona-se, o amor deixa, fica isolado, é um elemento, come-se, bebe-se, sustenta pão, pão diário para rico e pobre, pão que ilumina o forno do amassador, aparece nas condições mais estranhas, bicho que nasce, copula dentro de si mesmo, paira, espermatozóide e óvulo, as duas coisas ao mesmo tempo, amor é assim outro elemento fundamental da natureza, as pessoas vivem tanto com o amor, ou tão alheias do amor, que nem notam, raro percebem que o amor existe, raro percebem que respiram, que a água está, é indispensável, ninguém pode viver alheio aos elementos, ao amor. 

Ruben A., in 'Silêncio para 4'

domingo, 27 de outubro de 2013

Erasmo de Roterdão, in "Elogio da Loucura"


A Mentira Agrada Mais do Que a Verdade

O espírito do homem é feito de maneira que lhe agrada muito mais a mentira do que a verdade. Fazei a experiência: ide à igreja, quando aí estão a pregar. Se o pregador trata de assuntos sérios, o auditório dormita, boceja e enfada-se, mas se, de repente, o zurrador (perdão, o pregador), como aliás é frequente, começa a contar uma história de comadres, toda a gente desperta e presta a maior das atenções.
Como é fácil essa felicidade! Os conhecimentos mais fúteis, como a gramática por exemplo, adquirem-se à custa de grande esforço, enquanto a opinião se forma com grande facilidade, contribuindo tanto ou talvez mais para a felicidade. Se um homem come toucinho rançoso, de que outro nem o cheiro pode suportar, com o mesmo prazer com que comeria ambrósia, que tem isso a ver com a felicidade? Se, pelo contrário, o esturjão causa náuseas a outro, que temos nós com isso? Se uma mulher, horrivelmente feia, parece aos olhos do marido semelhante a Vénus, para o marido é o mesmo do que se ela fosse bela. Se o dono de um mau quadro, besuntado de cinábrio e açafrão, o contempla e admira, convencido de que está a ver uma obra de Apeles ou de Zêuxis, não será mais feliz do que aquele que comprou por elevado preço uma obra destes pintores e que olhará para ela talvez com menos prazer? 


Erasmo de Rotterdam, (Rotterdam, 28 de Outubro de 1466 — Basileia, 12 de Julho de 1536), teólogo e um humanista neerlandês que viajou por toda a Europa (inclusive Portugal).

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

MUITO ME APRAZ HOMENAGEAR HOJE, NA DATA DA SUA MORTE, HÁ 31 ANOS, (COMO O TEMPO PASSA) O ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA.

Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira (Porto, 9 de Abril de 1942 — Avintes, 16 de Outubro de 1982), referência incontornável de cantor de intervenção.

Adriano foi um intérprete do fado de Coimbra e cantor de intervenção. A sua família era marcadamente católica, crescendo num ambiente que descreveu como «marcadamente rural, entre videiras, cães domésticos e belas alamedas arborizadas com vista para o rio». Depois de frequentar o Liceu Alexandre Herculano, no Porto, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1959. Viveu na Real República Ras-Teparta, foi solista no Orfeon Académico, membro do Grupo Universitário de Danças e Cantares, actor no CITAC, guitarrista no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica e jogador de voleibol na Briosa. Na década de 1960 adere ao Partido Comunista Português, envolvendo-se nas greves académicas de 62, contra o salazarismo. Nesse ano foi candidato à Associação Académica de Coimbra, numa lista apoiada pelo MUD.
Dedicou a sua curta vida à música e musicou vários dos poemas de Manuel Alegre.
A título póstumo em 1983 foi feito Comendador da Ordem da Liberdade e a 24 de Abril de 1994 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.








quarta-feira, 11 de setembro de 2013

11 DE SETEMBRO

Hoje é incontornável não referir dois acontecimentos, que abalaram o mundo:
-11 de Setembro de 1973, morre o presidente eleito do Chile Salvador Allende durante o bombardeamento do Palácio de La Moneda, que foi o início do golpe militar que levou ao poder o ditador Pinochet.



-11 de Setembro de 2001 - Ataque terrorista às torres gémeas do World Trade Center de Nova Iorque e ao Pentágono em Washington, provocando cerca de 3000 mortes.




Salvador Allende Gossens (Valparaíso, 26 de Junho de 1908 — Santiago do Chile, 11 de Setembro de 1973) médico e político marxista chileno. Fundador do Partido Socialista, governou o país de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, Augusto Pinochet.
Allende foi o primeiro presidente de república e o primeiro chefe de estado socialista marxista eleito democraticamente na América Latina. Allende foi um revolucionário atípico: acreditava na via eleitoral da democracia representativa, e considerava ser possível instaurar o socialismo dentro do sistema político então vigente em seu país.

"Não basta que todos sejam iguais perante a lei. É preciso que a lei seja igual perante todos".

"O socialismo não pode ser imposto por decreto: é um processo em desenvolvimento".

"¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!"
"Não vou renunciar. Colocado no caminho da História pagarei com minha vida a lealdade do povo. E digo que tenho certeza de que a semente que deixamos na consciência digna de milhares e milhares de chilenos não poderá ser ceifada definitivamente. Eles têm a força, poderão submeter-nos, porém não deterão os processos sociais nem com crimes nem com a força. A história é nossa e é feita pelo povo".
"¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!"
- últimas palavras de Salvador Allende transmitidas por rádio durante o cerco ao La Moneda.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Confesso que acredito que ninguém está livre de cair numa condição de vagabundo, por tão vagabundos podermos ser, pela força do acaso.



Conclui a leitura de «Viajante Solitário» de Kerouac, gostei de viajar com ele, de barco, de comboio, a pé...pelo México, altas montanhas, Nova Iorque, Marrocos, França, Inglaterra... comendo o pão que o diabo amassou!
Um livro de experiências diferentes, cheio de citações de escritores, músicos, pintores, cinema...que eu conhecia e desconhecia e que também me motivou uma pesquisa pela net.

No capítulo final sobre vagabundos, eu chamar-lhes-ia também vagamundos é citado Serguei Iessiênin e o seu poema:

A confissão de um vagabundo

Nem todos sabem cantar,
Não é dado a todos ser maçã
Para cair aos pés dos outros.

Esta é a maior confissão
Que jamais fez um vagabundo.

Não é à toa que eu ando despenteado,
Cabeça como lâmpada de querosene sobre os ombros.
Me agrada iluminar na escuridão
O outono sem folhas de vossas almas,
Me agrada quando as pedras dos insultos
Voam sobre mim, granizo vomitado pelo vento.
Então, limito-me a apertar mais com as mãos
A bolha oscilante dos cabelos.

Como eu me lembro bem então
Do lago cheio de erva e do som rouco do amieiro,
E que nalgum lugar vivem meu pai e minha mãe,
Que pouco se importam com meus versos,
Que me amam como a um campo, como a um corpo,
Como à chuva que na primavera amolece o capim.
Eles, com seus forcados, viriam aferrar-vos
A cada injúria lançada contra mim.

Pobres, pobres camponeses,
Por certo estão velhos e feios,
E ainda temem a Deus e aos espíritos do pântano.
Ah, se pudessem compreender
Que o seu filho é, em toda a Rússia,
O melhor poeta!
Seus corações não temiam por ele
Quando molhava os pés nos charcos outonais?
Agora ele anda de cartola
E sapatos de verniz.

Mas sobrevive nele o antigo fogo
De aldeão travesso.
A cada vaca, no letreiro dos açougues,
Ele saúda à distância.
E quando cruza com um coche numa praça,
Lembrando o odor de esterco dos campos nativos,
Lhe dá vontade de suster o rabo dos cavalos
Como a cauda de um vestido de noiva.

Amo a terra.
Amo demais minha terra!
Embora a entristeça o mofo dos salgueiros,
Me agradam os focinhos sujos dos porcos
E, no silêncio das noites, a voz alta dos sapos.
Fico doente de ternura com as recordações da infância.
Sonho com a névoa e a humidade das tardes de abril,
Quando o nosso bordo se acocorava
Para aquecer os ossos no ocaso.
Ah, quantos ovos dos ninhos das gralhas,
Trepando nos seus galhos, não roubei!
Será ainda o mesmo, com a copa verde?
Sua casca será rija como antes?

E tu, meu caro
E fiel cachorro malhado?!
A velhice te fez cego e resmungão.
Cauda caída, vagueias no quintal,
Teu faro não distingue o estábulo da casa.
Como recordo as nossas travessuras,
Quando eu furtava o pão de minha mãe
E o mordíamos, um de cada vez,
Sem nojo um do outro.

Sou sempre o mesmo.
Meu coração é sempre o mesmo.
Como as centáureas no trigo, florem no rosto os olhos.
Estendendo as esteiras douradas de meus versos
Quero falar-vos com ternura.

Boa noite!
Boa noite a todos!
Terminou de soar na relva a foice do crepúsculo...
Eu sinto hoje uma vontade louca
De mijar, da janela, para a lua.

Luz azul, luz tão azul!
Com tanto azul, até morrer é zero.
Que importa que eu tenha o ar de um cínico
Que pendurou uma lanterna no traseiro!
Velho, bravo Pégaso exausto,
De que me serve o teu trote delicado?
Eu vim, um mestre rigoroso,
Para cantar e celebrar os ratos.
Minha cabeça, como agosto,
Verte o vinho espumante dos cabelos.

Eu quero ser a vela amarela

Rumo ao país para o qual navegamos.

domingo, 25 de agosto de 2013

Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de Outubro de 1844 — Weimar, 25 de Agosto de 1900) influente filósofo alemão do século XIX



Cultura
É um fenómeno eterno: a ávida vontade vai sempre encontrar um meio de fixar as suas criaturas na vida através de uma ilusão espalhada sobre as coisas, forçando-as a continuar a viver. Este vê-se amarrado pelo prazer socrático do conhecimento e pela ilusão de poder, através do mesmo, curar a eterna ferida da existência; aquele vê-se envolvido pedo véu sedutor da arte ondeando diante dos seus olhos; aquele, por seu turno, pela consolação metafísica de que sob o remoinho dos fenómenos continua a fluir, impreturbável, a vida eterna: para não falar das ilusões mais comuns, e talvez mais vigorosas, que a vontade tem preparadas em qualquer instante. 
Aqueles três níveis de ilusão destinam-se apenas às naturezas mais nobremente apetrechadas, nas quais a carga e o peso da existência são em geral sentidos com um desagrado mais profundo e que podem ser ilusoriamente desviadas desse desagrado através de estimulantes seleccionados. É nestes estimulantes que consiste tudo o que chamamos cultura. 

Friedrich Nietzsche, in 'O Nascimento da Tragédia'




Ecce Homo
Sim, sei de onde venho! 
Insatisfeito com a labareda 
Ardo para me consumir. 
Aquilo em que toco torna-se luz, 
Carvão aquilo que abandono: 
Sou certamente labareda. 

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"

Sabedoria do Mundo
Não fiques em terreno plano. 
Não subas muito alto. 
O mais belo olhar sobre o mundo 
Está a meia encosta. 

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
O Solitário
Detesto seguir alguém assim como detesto conduzir. 
Obedecer? Não! E governar, nunca! 
Quem não se mete medo não consegue metê-lo a 
          ninguém, 
E só aquele que o inspira pode comandar. 
Já detesto guiar-me a mim próprio! 
Gosto, como os animais das florestas e dos mares, 
De me perder durante um grande pedaço, 
Acocorar-me a sonhar num deserto encantador, 
E forçar-me a regressar de longe aos meus penates, 
Atrair-me a mim próprio... para mim. 

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"

sábado, 24 de agosto de 2013

Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (Buenos Aires, 24 de Agosto de 1899 — Genebra, 14 de Junho de 1986) escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino.

SouSou o que sabe não ser menos vão 
Que o vão observador que frente ao mudo 
Vidro do espelho segue o mais agudo 
Reflexo ou o corpo do irmão. 
Sou, tácitos amigos, o que sabe 
Que a única vingança ou o perdão 
É o esquecimento. Um deus quis dar então 
Ao ódio humano essa curiosa chave. 
Sou o que, apesar de tão ilustres modos 
De errar, não decifrou o labirinto 
Singular e plural, árduo e distinto, 
Do tempo, que é de um só e é de todos. 
Sou o que é ninguém, o que não foi a espada 
Na guerra. Um esquecimento, um eco, um nada. 

Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"



Jorge Luis Borges 
A sua obra abrange o "caos que governa o mundo e o caráter de irrealidade em toda a literatura". Seus livros mais famosos, Ficciones (1944) e O Aleph (1949), são coletâneas de histórias curtas interligadas por temas comuns: sonhos, labirintos, bibliotecas, escritores fictícios e livros fictícios, religião, Deus. Seus trabalhos têm contribuído significativamente para o gênero da literatura fantástica. Estudiosos notaram que a progressiva cegueira de Borges ajudou-o a criar novos símbolos literários através da imaginação, já que "os poetas, como os cegos, podem ver no escuro". Os poemas de seu último período dialogam com vultos culturais como Spinoza, Luís de Camões e Virgílio.
Sua fama internacional foi consolidada na década de 1960. Para homenagear Borges, em O Nome da Rosa, romance de Umberto Eco, há o personagem Jorge de Burgos, que além da semelhança no nome é cego. Além da personagem, a biblioteca que serve como plano de fundo do livro é inspirada no conto de Borges A Biblioteca de Babel  (uma biblioteca universal e infinita que abrange todos os livros do mundo).

"A democracia é um erro estatístico, porque na democracia decide a maioria e a maioria é formada de imbecis"
"Sempre imaginei que o paraíso será uma espécie de biblioteca"
"Parece-me fácil viver sem ódio. Sem amor, acho impossível."
"De todos os instrumentos do homem, o mais surpreendente é, sem dúvida nenhuma, o livro."
"A única coisa sem mistério é a felicidade porque ela se justifica por si só."
"Não acumules ouro na Terra, porque o ouro é pai do ócio, e este, da tristeza e do tédio."
"Eu não sei se tem alguém do outro lado da linha, mas ser um agnóstico significa que todas as coisas são possíveis, mesmo Deus. Este mundo é tão estranho, tudo pode acontecer, ou não acontecer. Ser um agnóstico permite-me viver num mundo mais amplo, num tipo mais futurístico de mundo. Faz-me mais tolerante."

PESQUISA: INTERNET



sábado, 17 de agosto de 2013

EIS UM ESCRITOR QUE NÃO SINTONIZA NA ONDA DO POSITIVISMO, QUE PERPASSA POR AQUI E NO ENTANTO É UM ESCRITOR QUE EU ADMIRO. É FRONTAL E SINCERO E HÁ VIDAS E VIDAS!

Henry Charles Bukowski Jr, nascido Heinrich Karl Bukowski Andernach, (16 de Agosto de 1920 – Los Angeles, 9 de Março de 1994) poeta,contista e romancista. A sua obra de carácter rebelde e obsceno, fascinou gerações que buscavam uma obra com a qual se pudessem identificar.




Tenho lido a sua poesia e tb li o seu livro autobiográfico «Pão com Fiambre», onde se debruça sobre os seus primeiros anos, a rejeição dos outros por ser muito feio, a vivência com os pais, as suas bebedeiras. 

Conforme diz:

"Eu não tinha interesses. Eu não tinha interesses por nada. Não fazia a mínima ideia de como iria escapar. Os outros, ao menos, tinham algum gosto pela vida. Pareciam entender algo que me era inacessível. Talvez eu fosse retardado. Era possível. Frequentemente me sentia inferior. Queria apenas encontrar um jeito de me afastar de todo mundo. Mas não havia lugar para ir.






"Talvez a miséria tenha chegado. Não se pode viver da própria alma. Não se pode pagar o aluguer com a alma. Experimente fazer isso um dia. É o início do Declínio e a Queda do Ocidente, como Splenger dizia. Todo mundo é tão ganancioso e decadente, a decomposição realmente começou. Eles matam gente aos milhões nas guerras e dão medalhas por isso. Metade das pessoas deste mundo vai morrer de fome enquanto a gente fica por aí sentado vendo TV."

"Não é morrer que é ruim, é estar perdido que é ruim."

"Às vezes, sinto-me como se estivéssemos todos presos num filme. Sabemos nossas falas, onde caminhar, como actuar, só que não há uma câmara. No entanto, não conseguimos sair do filme. E é um filme ruim."

"O génio talento é a capacidade de dizer coisas profundas de maneira simples."

"Bem, todos morrem um dia, é simples matemática. Nada de novo. A espera é que é um problema."

"Esse é o problema de ser escritor, o problema principal - ócio, ócio demais. A gente tem de esperar que a coisa cresça até poder escrever, e enquanto espera fica doido, e enquanto fica doido bebe, e quanto mais bêbado mais doido fica. Não há nada de glorioso na vida de um escritor nem na vida de um bebedor."

"Pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos."

" As horas são longas e têm de ser preenchidas de algum modo até nossa morte. E simplesmente não há muita glória e sensação para ajudar. Tudo logo se torna chato e mortal. Acordamos pela manhã, jogamos o pé para fora da cama e pensamos 'ah, merda, e agora?'"

"É tão fácil ser poeta, e tão difícil ser homem."