De vez enquanto venho aqui, tão de vez enquanto, que já não vinha cá desde Março!
Como o tempo passa e como tudo muda! Já vim aqui todos os dias, mais que uma vez, era algo novo, entusiasmava-me, mas depois o entusiasmo foi esmorecendo.
Houve uma situação que contribuiu bastante, foi a morte de uma amiga, que criava desafios e mais tarde aconteceu o mesmo a outra e surgiram meios mais rápidos de comunicação. Lembro-me ainda aqui de outras pessoas, há algumas que só publicam esporadicamente outras deixaram mesmo de publicar! Tudo muda, mas passei bons momentos por aqui! Com certeza ainda voltarei aqui, para ler alguma coisa do que vão escrevendo.
A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»
MARTIN LUTHER KING
quarta-feira, 31 de julho de 2019
domingo, 24 de março de 2019
domingo, 3 de fevereiro de 2019
SOLIDÃO
A solidão
I
A noite abre os seus ângulos de lua
E em todas as paredes te procuro
A noite ergue as suas esquinas azuis
E em todas as esquinas te procuro
A noite abre as suas praças
solitárias
E em todas as solidões eu te procuro
Ao longo do rio a noite acende as
suas luzes
Roxas verdes azuis.
Eu te procuro.
- Sophia de Mello Breyner Andresen,
em "Cristo Cigano", 1961.
sábado, 2 de fevereiro de 2019
Uma Casa Assombrada - Virginia Woolf
A qualquer
hora que se acordasse havia uma porta que se fechava. De aposento em aposento,
lá iam eles, de mãos dadas, erguendo aqui, abrindo ali, certificando-se – um
par espectral.
“Nós o
deixamos aqui”, ela disse. E ele acrescentou: “Oh, mas aqui também!” “Está no
andar de cima, murmurou ela”. “E no jardim”, sussurrou ele. “Em silencio”,
disseram, “para não os acordar”.
Mas não era
que nos acordassem. Oh, não. “Procurem-no; estão puxando a cortina”, alguém
poderia dizer, e depois continuar lendo uma ou duas páginas. “Agora o
encontraram”, diria com certeza, parando o lápis na margem. Então, cansado da
leitura, poderia levantar-se para ver com os próprios olhos, a casa toda vazia,
as portas abertas, apenas os pombos silvestres arrulhando contentes e o zumbido
da debulhadora ressoando na herdade. “Para que vim até aqui?” “À procura de quê?” Minhas mãos estavam
vazias. “Quem sabe no andar de cima?” As maçãs estavam no sótão. E então descia
de novo, o jardim tranquilo como sempre, somente o livro havia escorregado em
direção à grama.
Mas
encontraram-no na sala de estar. Não que alguma vez se pudesse vê-los. As
vidraças das janelas reflectiam maçãs, reflectiam rosas; todas as folhas no vidro
eram verdes. Se entrassem na sala, a maçã voltaria apenas seu lado amarelo.
Todavia, um instante depois, caso a porta se abrisse, espalhado no soalho,
suspenso junto à parede, pendente no teto – o que? Minhas mãos estavam vazias.
A sombra de um tordo cruzou o tapete; dos mais profundos poços de silencio o
pombo extraiu o som do seu arrulho. “Salvo, salvo, salvo”, bateu lentamente o
pulso da casa. “O tesouro sepulto; o quarto…” — parou de súbito o pulso. Oh,
era aquilo o tesouro sepulto?
Um instante
mais tarde a luz desmaiou. No jardim, então? Mas as árvores teceram a escuridão
para um raio de sol errante. Tão belo, tão raro, friamente imerso na
superfície, o raio que eu buscava sempre ardeu atrás da vidraça. Morte era a
vidraça; a morte estava entre nós; viera primeiro à mulher, há centena de anos,
deixando a casa, lacrando todas as janelas; os aposentos em penumbra. Ele
deixara a casa, deixara-a, fora para o norte, para o leste, vira as estrelas
arqueadas no céu do sul; procurou a casa, encontrou-a em abandono sob os Downs.
“Salvo, salvo, salvo”, bateu satisfeito o pulso da casa. “É seu o tesouro”.
O vento ruge
alameda acima. As árvores curvam-se e recurvam-se aqui e ali. Raios de luar
chapinham e se espalham impetuosamente com a chuva. Mas o raio de luz do
lampião incide recto através da janela. A vela queima direita e imóvel. Vagando
pela casa, abrindo as janelas, sussurrando para não nos acordar, o par
espectral procura o prazer.
“Aqui
dormimos”, ela diz. E ele acrescenta: “Beijos sem conta”. “Acordando de
manhãzinha” — “Prata entre as árvores” — “No andar de cima” — “No jardim” —
“Quando vinha o verão” —“Quando nevava no inverno”. — As portas vão se fechando
remotas, batendo suavemente como o pulsar de um coração.
Aproximam-se
mais; param à porta. O vento amaina, a chuva desliza prateada pelo vidro.
Nossos olhos se turvam; não ouvimos passo algum perto de nós; não vemos dama
alguma estender seu manto espectral. As mãos dele resguardam a lanterna:
“Olhe”, sussurra. “Parecem dormir. Há amor nos seus lábios”.
Inclinando-se,
sustendo sobre nós a lâmpada de prata, olham por longo tempo, e profundamente.
Por longo tempo imóveis. O vento segue seu curso; a chama hesita levemente.
Raios impetuosos de luar cruzam o soalho e a parede, e, encontrando-os, mancham
os rostos inclinados; os rostos que meditam; os rostos que sondam os que dormem
e buscam o prazer oculto.
“Salvo,
salvo, salvo”, bate com orgulho o coração da casa. “Longos anos”, suspira ele.
“De novo me encontraram”. “Aqui”, murmura ela, “dormindo; no jardim lendo;
sorrindo, rolando maçãs no sótão. Aqui deixamos o nosso tesouro”. Baixando, a
luz levanta-me as pálpebras. “Salvo! Salvo! Salvo!” Bate com ímpeto o pulso da
casa. Despertando, exclamo: “Então é este o seu tesouro sepulto? A luz no
coração!”
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
SAI DO COMBOIO (ÁLVAROCAMPOS/FERNANDO PESSOA
SAÍ DO COMBOIO
Saí do comboio,
Disse adeus ao companheiro de viagem
Tínhamos estado dezoito horas juntos..
A conversa agradável
A fraternidade da viagem.
Tive pena de sair do comboio, de o deixar.
Amigo casual cujo nome nunca soube.
Meus olhos, senti-os, marejaram-se de lágrimas...
Toda despedida é uma morte...
Sim toda despedida é uma morte.
Nós no comboio a que chamamos a vida
Somos todos casuais uns para os outros,
E temos todos pena quando por fim desembarcamos.
Tudo que é humano me comove porque sou homem.
Tudo me comove porque tenho,
Não uma semelhança com ideias ou doutrinas,
Mas a vasta fraternidade com a humanidade verdadeira.
A criada que saiu com pena
A chorar de saudade
Da casa onde a não tratavam muito bem...
Tudo isso é no meu coração a morte e a tristeza do mundo.
Tudo isso vive, porque morre, dentro do meu coração.
E o meu coração é um pouco maior que o universo inteiro.
4-7-1934
Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa.
(Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita
Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993. - 187.
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FERNANDO PESSOA - ÁLVARO CAMPOS
DIVAGAÇÃO...
Entrei com receio, devagar, olhando para um lado e para o outro….
Depois fiquei estática...pensando…
-Tem cuidado com o caixote esmurras a parede!
O outro olhou-o com desdém, pousou o caixote no chão, tirou
do bolso um farrapo e limpou o rosto suado.
-Anda lá o tempo não para! Ainda falta meter no armazém
muitos caixotes, queres fazer serão?
O outro olhou-o, virou-se e caminhou para a porta.
-Onde vais?
-Beber uma cerveja e fumar um cigarro.
-Vou-te fazer a folha!
-Mas você acha que eu sou um escravo. há mais de duas horas
nisto? Escravo é você, que faz esse trabalho de humilhar os outros, para ganhar
uma merda!
-Vai-te embora e não voltes, não te quero ver pela frente!
-E quem carrega os caixotes?
O outro não respondeu e na secretária começou a mexer nos
papeis.
A porta bateu, ao ar livre, pensativo ficou a olhar sem ver
nada, levando de quando em quando a garrafa à boca. Acendeu um cigarro
calmamente. Depois levantou-se, pegou num caixote e entrou.
O outro continuava debruçado sobre os papeis. Não se
olharam.
Nas suas idas e vindas, às tantos o outro saiu e começou
também a carregar caixotes.
Quando tudo terminou já era noite.
-Boa Noite!
E o outro:
-Até amanhã!
Eu saí atrás.
O armazém agora é um pardieiro silencioso, abandonado, sem
telhas, nem vidros, as pombas batem as asas, todo o chão está cheio de
excrementos de pombas, há um fedor acre que se introduz nas narinas,
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
SIDONIE-GABRIELLE COLETTE
Escandalosa. Revolucionária. Determinada. Estas são apenas
algumas das palavras usadas para descrever a sensação francesa
Sidonie-Gabrielle Colette. Seu carácter único e um tipo único de força que a fez
uma das autoras mais excepcionais e controversas a surgir na Europa no início
do século XX. Apesar da sua reputação devassa, ela era uma líder dos movimentos
feministas e de liberdade, um farol de luz num tempo terrivelmente
conservador.
Os primeiros anos de Colette estão envoltos em mistério. O
que se sabe é que ela nasceu em Janeiro de 1873, seu pai era um capitão
aposentado, a mãe uma fina amante das artes. Graças a seus pais, Colette foi
introduzida numa idade adiantada, tanto para o mundo rico de arte belga
quanto na clandestina arena da política.
Sua história realmente começa na tenra idade de 20, quando
se casou com Henri Gauthier-Villars, um bissexual conhecido tanto por sua
sagacidade, quanto pelas suas conexões com o submundo parisiense, onde era
conhecido simplesmente como "Willy". O seu novo marido era 15 anos mais
velho, mas viu imediatamente que sua jovem esposa não era fácil, e por
isso procurou algo para nutrir imediatamente sua inteligência e seu
intelecto.
Willy encorajou-a a escrever, dando-lhe a oportunidade de
publicar o seu trabalho com o seu nome; uma rara oportunidade para uma mulher em
1900. Seu primeiro grande trabalho foi uma colecção conhecida como Os romances
de Claudine, um trabalho que algumas fontes dizem que foi escrito sob intensa
pressão. Willy não era um mentor gentil: a lenda diz que ele trancava sua
esposa em seu quarto por horas, até que produzisse um trabalho
de alta qualidade.
O Trabalho de Colette estava transbordando de energia
sexual, muito do qual foi tirado directamente de sua própria história de vida.
Sua bissexualidade era um tema quente nos livros de Claudine, que abriu novos
caminhos literários. Claudine na Escola foi o primeiro romance da literatura
moderna a lidar com o romance lésbico: A protagonista de 15 anos de idade
desenvolve uma paixão incontrolável por sua própria assistente feminina.
Colette, apesar dos seus inúmeros casamentos e amantes do sexo masculino, sempre
teve um fraquinho por meninas, especialmente as beldades de Paris.
Colette manteve relações estreitas com as personalidades mais conhecidas da alta
sociedade, tendo amigos e amantes das maiores esferas de poder. Isso permitiu-a lidar com certos assuntos, como a infame Mathilde de Belobeuf, mais conhecida
como "Missy" para seus entes queridos e "Monsieur Belboeuf"
no submundo lésbico de Paris.
O seu gosto por meninas não foi a única coisa que causou
escândalo. Ela teve outra controvérsia em 1906, quando uma fotografia foi
tirada durante uma performance teatral, durante a qual expôs um de seus seios, isto chocou pessoas em todo o mundo, começando
uma controvérsia internacional e apresentando um desafio novo e totalmente
inesperado para os papéis tradicionais de género da sociedade francesa. Este
pequeno deslize até abriu o caminho para o movimento de libertação das
mulheres.
A verdadeira fonte de controvérsia, no entanto, sempre foi o
trabalho de Colette. Apesar dos trabalhos luxuriosos, da recepção escandalosa e
sensibilidades feridas de leitores tensos, seus romances tornaram-se um sucesso
comercial arrebatador. A escrita de Colette gerou tudo, desde um palco musical a uma marca de
perfume, de temas pra uniforme "Claudine” a temas para sabão. As pessoas
até vendiam cigarros com o título da chocante porém ainda aclamada saga.
Nem mesmo a idade poderia retardar Colette. Aos 72 anos,
depois de três casamentos e uma vida de escândalos, publicou seu romance
mais aclamado de sempre: Gigi. Este trabalho florido também gerou sucesso,
mais tarde adaptado como uma peça musical com Audrey Hepburn, e
para o cinema em 1948, e novamente em 1958 como um musical com Leslie
Caron.
Colette morreu em 1954. A sua perda foi sentida por toda a
Europa como uma das escritoras mais importantes e influentes de todos os
tempos. Mais uma vez e mesmo depois da sua morte, revolucionou o mundo
quando lhe deram um funeral de Estado francês, uma honra rara para uma mulher
na época.
UM CASAL MUITO PECULIAR: DALI/GALA
Em 1912, Gala foi enviada para
um sanatório em Clavadel, Suíça, para tratamento da tuberculose. Conheceu Paul
Éluard e apaixonaram-se. Ambos tinham 17 anos. Em 1916, durante a I Guerra
Mundial, ela viajou da Rússia para Paris para se reunir com ele, casaram um ano
depois. A sua filha, Cécile, nasceu em 1918. Gala detestava a maternidade,
maltratando e ignorando a sua filha. Com Éluard, Gala envolveu-se com o
movimento surrealista, que foi uma inspiração para muitos artistas, incluindo
Éluard, Louis Aragon, Max Ernst e André Breton. Breton depois a desprezou, alegando
que ela era uma influência destrutiva sobre os artistas com quem fez amizade.
Ela, Éluard e Ernst passaram três anos num relacionamento. Em 1929, Éluard e
Gala visitaram um jovem pintor surrealista em Espanha, Salvador Dalí. Um caso
rapidamente se desenvolveu entre Gala e Dalí, que era cerca de 10 anos mais
jovem do que ela. No entanto, mesmo após a separação do seu casamento, Éluard e
Gala continuaram a estar perto.
Depois de viverem juntos desde
1929, Dalí e Gala casaram-se Devido à sua fobia suposta da genitália feminina, Dalí teria dito que era virgem quando
se encontraram na Costa Brava, em 1929. Por essa época ela teve miomas
uterinos, para os quais se submeteu a uma histerectomia em 1936.
No início dos anos 1930, Dalí
começou a assinar seus quadros assim: "É principalmente com o sangue,
Gala, que eu pinto minhas imagens". Ele afirmou que Gala agiu como seu
agente. Segundo a maioria dos relatos, Gala teve um forte impulso sexual e ao
longo da sua vida teve vários casos extraconjugais (entre eles, com seu
ex-marido Paul Éluard), que Dalí incentivava. Gala tinha uma predilecção por
jovens artistas, e na sua velhice, muitas vezes deu presentes caros para os
seus amantes.
Com setenta anos, teve um
relacionamento com o cantor de rock Jeff Fenholt. Ela supostamente cumulou-o de
presentes, incluindo pinturas de Dalí e uma casa de milhões de dólares em Long
Island. Gala morreu em Port Lligat em 1982, aos 87 anos, e foi
enterrada no Castelo de Púbol em Girona, propriedade que Dalí tinha comprado
para ela.
Gala é um modelo frequente na
obra de Dalí, as suas pinturas mostram seu grande amor por ela, e algumas são,
talvez, as representações mais carinhosas e sensuais de uma mulher de
meia-idade na arte ocidental.
domingo, 17 de junho de 2018
SÍRIA, O PAÍS DESTRUÍDO ONDE AS SUPERPOTÊNCIAS BRINCAM À GUERRA!
Sete anos em guerra e não parece ter fim à vista, com
consequências devastadoras. Por essa razão muitos deixam o seu país, a sua
família, a sua casa, os amigos e rumam a outro país onde tudo são incógnitas,
sem muito pouco levar consigo ou nada.
Estima-se que já terão morrido mais de 250 mil pessoas e que
mais de cinco milhões tenham sido obrigadas a sair do seu país.
Este conflito, onde foram destruídas cidades inteiras,
começou com uma guerra civil, motivada pela chamada Primavera Árabe e que passou
a ser palco para as potências mundiais, como os Estados Unidos e a Rússia
mostrarem quem pode mais.
A Primavera Árabe, foi uma série de revoltas, que
aconteceram nos países árabes, contra as condições sociais em que as pessoas
viviam e contra os seus ditadores. O primeiro país em que o ditador caiu foi na
Tunísia, Zine El Abidine Bn Ali estava a governar há 23 anos. Os outros países
ficaram com esperanças, como o Egipto e a Líbia. Na Líbia resultou, com a caída
de Muammar Kadhafi, no poder há 40 anos. Chegou ainda a Marrocos, ao Iémen,
etc. Mas na Síria os protestos foram duramente reprimidos por Bashar al- Assad,
cuja família está no poder há décadas.
O que começou com protestos das populações, passou a palco
de guerra. Bashar foi apoiado pelo Irão e pela Rússia, para evitar a sua
destituição, reprimindo o Exército Síria Livre, formado a partir do Partido da União
Democrática, constituído por curdos, que têm o apoio da Turquia, da Arábia Saudita, dos Estados
Unidos e da União Europeia. Pelo meio a população foi submetida ao terror e
violência do Estado Islâmico.
Milhões saíram confrontando-se com a resistência que alguns
países têm contra os refugiados. Outros permanecem na Síria, onde qualquer coisa
pode acontecer.
Recentemente os Estados Unidos, Reino Unido e França
bombardearam alvos militares, aumentando a tensão com a Rússia.
A tragédia continua….
sábado, 16 de junho de 2018
AS CLOTILDES QUE PASSAM POR MIM!
Eu talvez conheça a Clotilde, eu vejo-as pelas ruas. Fiquei admirada de ver uma senhora, cheia de sacos no Jardim da Boavista a dar de comer aos pombos, depois disseram-me, que todos os dias ia lá.
Mas vamos à Clotilde. A Clotilde há 30 anos que alimenta gatos abandonados en
vários pontos da cidade. São cerca de 100 gatos. «Nem que viesse o Presidente
da República deixava de o fazer!»
Ficou sozinha, perdeu marido e filho e os animais são a sua
família. Trabalhou como operária têxtil, na hotelaria e depois fazia limpezas. Agora está reformada, tem oitenta anos e puxando um carrinho de
rações, passa os dias na rua, todos os dias, não há fins de semana.
Diz que coloca a
comida em sítios escondidos, para manter a rua limpa. E confessa «E com eles que gosto de conviver, as pessoas
hoje em dia não prestam.
Gasta aquilo que não pode.
«Muitas vezes tenho de tirar a mim para dar aos gatos. Mas não passo fome. Com
sopa já fico satisfeita.
PARA REFLECTIR Consequências da longevidade
Roubam produtos alimentares, medicamentos, utensílios, roupas, etc... Não tanto por necessidade
financeira, mas porque é a garantia de que vão ficar instaladas na prisão. Esta é a nova e dramática tendência entre as mulheres idosas do Japão.
Num país que tem a população mais idosa do mundo – 27,3% dos japoneses têm 65 anos ou mais , a solidão dos mais velhos
é um problema crescente. E muitos destes idosos estão a virar-se para o crime como uma alternativa para poderem usufruir da“estabilidade e da comunidade da prisão”, avança a Bloomberg.
Os números oficiais revelam um surpreendente aumento no “crime sénior”, com uma taxa de crescimento que é especialmente
relevante entre as mulheres. As dificuldades financeiras explicam alguns casos, mas em muitas situações é a solidão que motiva estes pequenos roubos
que são feitos de forma reincidente. Um inquérito realizado em 2017, em Tóquio, concluiu que mais de metade dos idosos apanhados a roubarem vivem
sozinhos, e 40% não têm família ou não mantêm contactos com os familiares.
“A prisão é um oásis para mim”
Uma detida de 74 anos, está neste momento a cumprir a terceira pena de prisão,
relata a Bloomberg. Outra detida de 78 anos, também está presa pela terceira vez.
“A prisão é um oásis para mim, um lugar para relaxamento e conforto. Não tenho liberdade, mas não tenho com o
que me preocupar. Há muitas pessoas com quem falar. Fornecem-nos refeições nutritivas três vezes ao dia”, conta esta detida de 78 anos.
“Gosto mais da minha vida na prisão. Há sempre pessoas à volta e não me sinto sozinha”, refere outra detida de
80 anos. Esta mulher, que também vai na sua terceira pena de prisão, tem marido, dois filhos e seis netos, mas lamenta- se que se senti-a “muito solitária” antes de ser presa.
“O meu marido dava-me muito dinheiro e as pessoas diziam-me sempre como eu era sortuda, mas o dinheiro não era o que
eu queria. Não me fazia nada feliz”, diz a idosa de 80 anos, comentando que há 13 anos, quando roubou um romance de bolso e foi interrogada “por um polícia muito doce”, sentiu que “estava a ser ouvida pela primeira vez na vida”.
Para outra detida de 80 anos, igualmente a cumprir a terceira pena de prisão, foi “a ansiedade” que a levou para trás das grades.
“O meu marido teve um enfarte há cinco anos e tem estado acamado desde então. Também tem demência e sofre de delírios
e paranóia. Era demasiado cuidar dele, fisicamente e emocionalmente, por causa da minha idade avançada. Mas não podia falar do meu stress com ninguém porque tinha vergonha“, conta.
“Fui presa pela primeira vez, quando tinha 70 anos. Quando roubei na loja, tinha dinheiro na carteira. Mas pensei na
minha vida. Não queria voltar para casa, e não tinha mais lado nenhum para onde ir. Ir para a prisão foi a única saída”, constata, concluindo que a sua vida “é muito melhor” agora que está atrás das grades.
Aumento nos gastos preocupa Governo
Estes relatos ajudam a perceber aquele que é um problema cada vez mais dramático, no seio da sociedade japonesa. Para
lá das circunstâncias e dos desafios sociais envolvidos, o Governo do país está também preocupado com o aumento dos gastos no sector prisional.
domingo, 29 de abril de 2018
FLORES!
Com chuva e sol e um constante vento frio é PRIMAVERA!
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.
-Cecília Meireles
segunda-feira, 23 de abril de 2018
DUAS PERSONALIDADES DE ARCOS DE VALDEVEZ!
Em 1904, um
português, conhecido como Padre Himalaya, recebia o "Grand Prix" na
Exposição Mundial de St. Louis, nos EUA, por um engenho - chamado pireliófero -
que utilizava a energia solar para derreter rochas e metais. "Era um
defensor do desenvolvimento sustentável ". O pireliófero - que significa
"eu trago o fogo do sol" - era uma estrutura de aço de 13 metros de
altura e com uma larga superfície de 80 metros quadrados, formada por milhares
de pequenos espelhos que reflectiam a luz do Sol num pequeno forno onde se
fundiam rochas e metais, a uma temperatura que ascendia aos 3500 graus Celsius.
O seu
inventor, Manuel António Gomes, nasceu em 1868, no concelho de Arcos de
Valdevez. A alcunha só a receberia anos mais tarde, no seminário, devido à sua
elevada estatura.
O nome seria
imortalizado ainda numa outra invenção - a himalaíte - um explosivo que
rivalizava em eficácia com a dinamite e que terá suscitado o interesse dos EUA.
Não terá vendido a patente, segundo ele próprio afirmou numa palestra da Liga
Naval, por fidelidade à pátria, já que lhe era exigida a naturalização como
cidadão norte-americano.
Mas o Padre
Himalaya patenteou muitos outros inventos, desde motores que aproveitavam a
força das marés para produzir energia eléctrica até máquinas para tratamento de
lixos industriais. Defendeu a arborização do país e a criação de centrais
hidroeléctricas por todo o território nacional.
"Não
foi apenas um inventor técnico", disse Jacinto Rodrigues, autor do livro
"A conspiração solar do Padre Himalaya", lançado em 2002. "Era
um precursor do pensamento ecológico", que pensou os problemas do país à
luz desta visão. Numa época em que o petróleo começava a ser usado, foi um
grande defensor das energias renováveis, que entendia serem úteis para países,
como Portugal, com poucos combustíveis fósseis.
Em 1909,
apresentou um plano, na Academia de Ciências, onde previa a construção de uma
ponte, a apenas 300 metros do actual traçado da ponte Vasco da Gama. Esta ponte
suportaria ainda uma maquinaria de turbinas que utilizava a força das águas para
produzir energia eléctrica e assim iluminar a cidade de Lisboa.
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Tomaz Xavier
de Azevedo Cardoso de Figueiredo (Braga, 6 de Julho de 1902 — Lisboa, 29 de
Abril de 1970), escritor. Tem uma biblioteca com o seu nome em Arcos de
Valdevez.
Nasceu em
Braga, mas passados poucos meses foi, com seus pais, residir em Arcos de
Valdevez, para a Casa de Casares, (Hoje Casa-Museu) construída pelo seu avô
materno, e onde ainda viviam algumas das suas tias solteiras. A ida tão cedo,
para os Arcos, justifica o sentimento que o leva a considerar essa vila como
"terra minha pela memória e pelo amor".
![]() | |
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OBRAS:
- A Toca do Lobo, Prémio Eça de Queiroz (1948).
- Nó Cego e Carta ao Júri do Prémio Eça de Queiroz.
- Uma Noite na Toca do Lobo.
- Procissão dos Defuntos.
- Guitarra, treze romances em verso.
- Conversa Com o Silêncio.
- A Gata Borralheira, Prémio Diário de Notícias (1963).
- 1º volume da "Crónica Heróica" Dom Tanas de Barbatanas – O Doutor Geral.
- Vida de Cão.
- 2º volume de Dom Tanas de Barbatanas – O Magnífico Sem Par.
- 1º volume de Monólogo em Elsenor – Noite das Oliveira', monólogo que se irá espraiar por quatro volumes de uma “prosa poética”, muitas vezes dorida, muitas vezes satírica, mas sempre, como diz Fernanda Botelho, “num estilo vigoroso, trabalhado, ora truculento, ora lírico, sempre encadeado por extremismos de paixão e de barroquismo.” E também, o 1º volume de Teatro, com as peças A Rapariga da Lorena, O Visitador Extraordinário, e A Barba do Menino Jesus.
- Tiros de Espingarda, Prémio Nacional de Novelística (1966).
- Viagens No Meu Reino (poesia)
- 2º volume de Monólogo em Elsenor – A Má Estrela.
- A Outra Cidade.
in POESIA I
Sou um archote inútil de Poesia.
Queimo-me, puro fogo, em fogo puro. Orfeu no Inferno, sou o palinuro Duma nau que aberrada estrela guia. E, cruel sempre, esta veloz porfia de acender versos no luar escuro. Obsesso da Beleza, o mais abjuro, fiel lhe sou, matando a Alegria. Não paro. Por um ano, por vinte anos, hei-de parir sonetos desumanos em que me firo como em lanças más. Nisto, até nisto, e a viver de horror, sempre me hei-de entregar. Hóstia de Amor, hei-de morrer poeta e rapaz.
UM EXCELENTE PASSEIO ATÉ SISTELO, CONHECIDO COMO O TIBETE PORTUGUÊS. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA CONSIDEROU PELA PRIMEIRA VEZ PATRIMÓNIO NACIONAL, UMA PAISAGEM!
A aldeia de Sistelo situa-se no concelho de Arcos de Valdevez, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gêres, junto à nascente do rio Vez. Famosa pelas suas paisagens em socalcos, onde se cultiva o milho e pasta o gado, a aldeia encontra-se muito bem preservada, tendo sido recuperadas as casas típicas de granito, os espigueiros e os lavadouros públicos.
O Castelo de Sistelo, ex-líbris da aldeia, merece uma cuidadosa visita: trata-se de um palácio de finais do século XIX onde viveu o Visconde de Sistelo. Agradável deambular pelas ruelas de Sistelo e apreciar a Igreja Paroquial, a Casa do Visconde de Sistelo, a Ponte Romana e o Moinho, a ponte de Sistelo de jusante, a Ermida de Nossa Senhora dos Aflitos e as Capelas de Santo António, de São João Evangelista, da Senhora dos Remédios e da Senhora do Carmo.
Para quem é apreciador de caminhadas na natureza, pode percorrer o Trilho das Brandas de Sistelo (10 km), que tem início na aldeia, ficando a conhecer as brandas de Rio Covo, em Sistelo, do Alhal, no Padrão, e da Cerradinha, terrenos que, durante o verão, serviam de apoio à pastorícia.
ARCOS DE VALDEVEZ
O Castelo de Sistelo, ex-líbris da aldeia, merece uma cuidadosa visita: trata-se de um palácio de finais do século XIX onde viveu o Visconde de Sistelo. Agradável deambular pelas ruelas de Sistelo e apreciar a Igreja Paroquial, a Casa do Visconde de Sistelo, a Ponte Romana e o Moinho, a ponte de Sistelo de jusante, a Ermida de Nossa Senhora dos Aflitos e as Capelas de Santo António, de São João Evangelista, da Senhora dos Remédios e da Senhora do Carmo.
Para quem é apreciador de caminhadas na natureza, pode percorrer o Trilho das Brandas de Sistelo (10 km), que tem início na aldeia, ficando a conhecer as brandas de Rio Covo, em Sistelo, do Alhal, no Padrão, e da Cerradinha, terrenos que, durante o verão, serviam de apoio à pastorícia.
ARCOS DE VALDEVEZ
Arcos de Valdevez é uma vila raiana portuguesa no Distrito
de Viana do Castelo, região Norte e sub-região do Minho-Lima.
O chamado Torneio de Arcos de Valdevez também conhecido por
"Recontro de Valdevez", foi um importante e decisivo episódio da
História de Portugal ligado aos primeiros tempos da nacionalidade, sendo o
antecedente da celebração do Tratado de Zamora em 1143.
No ano de 1662, durante a Guerra da Restauração, a vila foi
incendiada pelo general governador de armas de Castela D. Baltazar Rojas
Pantoja, que estabeleceu o seu quartel-general no Paço de Giela, numa enérgica
ofensiva sobre o Minho.
«Arcos de Valdevez Onde Portugal se Fez» é o slogan deste
histórico Concelho que contribuiu para a fundação da nacionalidade.
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