«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Só se é gente quando se quer dar um passo em frente. Só se é gente quando se tem um ponto de vista próprio. Só se é gente quando se protesta. Cruzeiro Seixas

Após o famoso opúsculo/manifesto, INDIGNAI-VOS, saiu agora EMPENHAI-VOS da autoria de Stéphane Hessel. Hessel pertenceu à resistência francesa ao nazismo, foi preso e condenado à morte e foi um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

 São ideias simples, claras e expressas de forma muito directa para mobilizar os cidadãos.


«A gravidade da situação ecológica, as desigualdades cada vez maiores, o egoísmo dos poderosos, a ditadura dos mercados, a violação dos valores fundamentais e tantos outros perigos com os quais nos confrontamos impõem-nos que reflictamos, que compreendamos e que resistamos».

«A nossa capacidade de indignação pode e deve levar-nos a acções construtivas, motivadas pela recusa da passividade e da indiferença. Saber dizer não. Denunciar. Protestar. Resistir. Indignarmo-nos. Desobedecer, por vezes, ao que não nos parece justo e que põe em causa as liberdades e os direitos fundamentais. Saber dizer sim. Agir. Combater. Participar na «insurreição pacífica» que nos permite dar resposta a um mundo que não nos agrada. Numa palavra: empenharmo-nos».


Outro pequeno livro que saiu, em forma de carta é de um anónimo e tem como título FALIDOS.


Trata-se de um homem que perdeu tudo e só ficou com dívidas, vítima do sistema que o foi reduzindo a ser cada vez mais um simples «drogado» do «consumismo».

Deixou tudo e agora no livro conta a sua história.
«Hoje, sentado debaixo do meu alpendre de chapa de zinco do outro lado do mundo, sem possuir absolutamente nada e, portanto, sem ninguém poder tirar-me nada, revejo todas estas cenas como grandes comédias de revista, em que os donos do mundo, os bancos, como louva-a-deus demoníacos, predadores, de mandíbulas canibais, sem outra religião para além do prazer imediato do dinheiro, despojam os clientes que acreditam ser beneficiados e matam-nos sem escrúpulos em pequenas mensalidades. Pela minha parte, optei por abandonar o inferno, perder tudo para sempre e nunca mais pagar, optei por quebrar a espiral do endividamento de loucura para a qual nos empurram o sistema bancário e os vendedores de coisa nenhuma, libertar-me da cilada deste consumo sonhado, deste pesadelo sem sentido e que arruinava a minha vida, optei por morrer em liberdade».
No fim confessa-se com «medo», fala de tudo a que se deve dizer não, apontando pistas para uma eventual saída…um grito de esperança no meio da crise.
Este livro tem prefácio de frei Bento Domingues, no qual escreve:
«Façamos objecção de consciência à economia financeira e procuremos promover uma economia política, aquela que põe no centro a responsabilidade do cidadão, a dignidade da pessoa humana – que nunca pode ser um meio -, a construção de um mundo mais justo, a busca do bem comum».