«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




sexta-feira, 29 de abril de 2011

Depois de serem respondidas todas as questões científicas possíveis, os problemas da vida permanecem completamente intactos. Wittgenstein

Sempre fui muito realista, sempre em fuga do que transcende a realidade, mas se antes dizia categoricamente «não acredito», com o tempo acabei por me acomodar ao «não tenho opinião», com a certeza do velho mestre que dizia «só sei que nada sei» e isto parece-me basilar na procura do conhecimento, se as leituras são eclécticas e não lemos só aquilo em que queremos acreditar, chega-se a ponto de muita interrogação.

Isto bem a propósito do filme «O Tio Boomee Que se Lembra das Suas Vidas Anteriores» do realizador tailandês, Apichatpong Weerasethakul, designado por alguns como o David Linch tailandês, autor de filmes que cartografam sobretudo territórios «interiores», um desfilar de imagens que parecem desfilar uma corrente da consciência.



O filme baseou-se numa conversa que o realizador teve com um abade de um mosteiro, chamado Boonmee, que lhe contou que quando estava em meditação profunda via as suas vidas anteriores, um búfalo, uma vaca ou mesmo um espírito desencarnado a passear pelas planícies e escreveu um livro sobre isso.


O filme é sobretudo uma deambulação poética com uma volatilização e dissolução das linhas narrativas, mas centra-se num homem que com uma doença terminal, decide retirar-se para o campo e passar os seus últimos dias de vida junto aos seus entes queridos. Uma noite é surpreendido pela aparição da sua falecida mulher e também de um filho desaparecido, que aparece sob a forma de uma criatura não-humana…


O realizador admitiu que o filme é principalmente acerca da sua visão da reencarnação, uma meditação de índole budista e panteísta acerca da natureza cíclica, impermanente e espiritual da vida. Mais do que um filme, é um hipnótico exercício de meditação visual.


O filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2010.

4 comentários:

Valéria Sorohan disse...

Manu,

Quanto tempo sem ler você. Gostei da dica do filme. Tentarei ver.

BeijooO*

Nilce disse...

Oi Manu

Não vi o filme, mas pela sua resenha me parece interessante.
Excelente final de semana.

Bjs no coração!

Nilce

Manuela Freitas disse...

Este tema da reencarnação é de facto complexo. A crença na sobrevivência da consciência após a morte é comum e tem-se mantido por toda a história da humanidade. Quase todas as civilizações na história, tem tido um sistema de crença relativo à vida após a morte. Cientificamente, não existe qualquer motivo para sustentar ou rejeitar a hipótese.
Cansada das fórmulas repetitivas abordadas no cinema, suscita-me interesse perscrutar outros caminhos e quando os mesmos fluem de uma forma poética...deixam sempre um fascínio...algo que vem e penetra no interior...que provoca uma pausa reflexiva...sem no entanto, no meu caso, me suscitar credibilidade…é só uma impressão…

Manuela Freitas disse...

Olá Valéria,
Eu realmente já tinha sentido a tua ausência...mas como também ando tão ausente...
Beijos