«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quinta-feira, 3 de março de 2011

À ESPERA DE GODOT...

Samuel Beckett veio ter às minhas mãos, assim na forma deste postal e motivou-me a revisitar o Teatro do Absurdo, que Antonin Autard dizia da Crueldade e depois ainda foi chamado de Pânico por Arrabal, com influência do surrealismo, existencialismo e dadaísmo. Andei perdida por esses universos na net .


Não vou debruçar-me muito sobre isto, há de facto na internet muita matéria a explorar, para quem pretender.


Mas Beckett, de imediato levou-me à peça «À Espera de Godot»... uma ideia «universal» a espera… individualmente ou em comum… há sempre uma espera de… Godot? E quem é Godot? Godot pode ser tudo e nada!?...


A peça “fala” subtilmente sobre a nossa condição humana, esperando sempre por um Godot que não existe ou que nunca chega. Sobre a desesperança. A peça é sobre cada um de nós. Quem é Godot ? O que é Godot ? Ele existe ? Será Deus ? Será a liberdade ? Um objetivo humano inalcançável ? Samuel Beckett disse: Se eu soubesse, eu teria dito na peça. O que nos leva a crer que não é o Godot em si que é importante, mas sim a sua espera.


Espera ansiosa por algo, num lugar de «rien faire», porque nada acontece, tudo se repete…e Vladimir e Estragon angustiados esperam…não sabem o quê… iludindo a tristeza e a frustração. Quem é Godot? Que querem a Godot?


Esperam num diálogo trivial…até que entra de repente Pozzo, que puxa Lucky, com uma corda, amarrada ao seu pescoço…O patrão e o seu escravo?...Lucky é mais inteligente, porque pensa, Pozzo, não!


Conversam sobre o seu drama pessoal…depois um miúdo aparece dizendo que Godot não vem, amanhã talvez…


No outro dia a mesma situação, só que Pozzo está cego e Lucky surdo…


Godot não vem…talvez amanhã…ou amanhã…ou amanhã…


Pensam em se enforcar, mas desistem...


É trágico… a espera em vão…não se sabe de quê…


Vladimir:
Então, devemos partir?
Estragon:
Sim, vamos.


Não se movem.




EXCERTO.


“Vladimir: Depuis quand ?


Pozzo: [soundain furieux] Vous n’avez pas fini de m`empoisonner avec vos histoires de temps? C’est insensé! Quand! Quand! Un jour, ça ne vous suffir pas, un jour pareil aux autres il est devenu muet, un jour je suis devenu aveugle, un jour nous deviendrons sourds, un jour sommes nés, un jour nous mourrons, le même jour, le même instant, ça ne vous suffit pas? [plus posément.] Elles accouchent à cheval sur une tombe, le jour brille un instant, puis c’est la nuit à nouveau. [Il tire sur la corde.] En avant!”

5 comentários:

Laura disse...

E nós, além de Godot, continuamos a esperar pelo nosso dia, pela nossa peça, pelo nosso mundo mudado...enfim..

Muito escreves e explicas e lembro do filme, só que já nem sei se o vi nos anos sessenta, se nem vi.

beijinhos.

laura

Fatima disse...

Já assisti no teatro.
Bjs querida.

ELIANA-Coisas Boas da Vida disse...

PASSANDO SOMENTE PARA DEIXAR UM ABRAÇO!

Memória de Elefante disse...

Ele revolucionou o teatro do século vinte e teve uma influência profunda em gerações de dramaturgos de êxito, inclusive dramaturgos contemporâneos .
Provavelmente tem a ver com a vida a gente é quem decide e escolher a felicidade talvez seja a ESPERAnça.

Um beijo!

Graça disse...

Adoro teatro do absurdo e Samuel Beckett um autor magnífico. Li esta peça, a primeira vez, em inglês, na Faculdade, ainda. Foi paixão imediata :).



Boas férias, Manuela.