«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




domingo, 1 de maio de 2011

MORREU O ESCRITOR ARGENTINO ESNESTO SABÁTO (1911-2011)

Vertigem Civilizacional Desumana


O homem não pode manter-se humano a esta velocidade, se viver como um autómato será aniquilado. A serenidade, uma certa lentidão, é tão inseparável da vida do homem como a sucessão das estações é inseparável das plantas, ou do nascimento das crianças. Estamos no caminho mas não a caminhar, estamos num veículo sobre o qual nos movemos incessantemente, como uma grande jangada ou como essas cidades satélites que dizem que haverá. E ninguém anda a passo de homem, por acaso algum de nós caminha devagar? Mas a vertigem não está só no exterior, está também na nossa mente que não pára de emitir imagens, como se também fizesse zapping; talvez a aceleração tenha chegado ao coração que já lateja num compasso de urgência para que tudo passe rapidamente e não permaneça. Este destino comum é a grande oportunidade, mas quem se atreve a saltar para fora? Já nem sequer sabemos rezar porque perdemos o silêncio e também o grito.


Na vertigem tudo é temível e desaparece o diálogo entre as pessoas. O que nos dizemos são mais números do que palavras, contém mais informação do que novidade. A perda do diálogo afoga o compromisso que nasce entre as pessoas e que pode fazer do próprio medo um dinamismo que o vença e que lhes outorgue uma maior liberdade. Mas o grave problema é que nesta civilização doente não há só exploração e miséria, mas também uma correlativa miséria espiritual. A grande maioria não quer a liberdade, teme-a. O medo é um sintoma do nosso tempo. A tal extremo que, se rasparmos um pouco a superfície, poderemos verificar o pânico que está subjacente nas pessoas que vivem sob a exigência do trabalho nas grandes cidades. A exigência é tal que se vive automaticamente sem que um sim ou um não tenha precedido os actos.


Ernesto Sábato, in 'Resistir'


BIOGRAFIA

8 comentários:

Glorinha L de Lion disse...

Grande pensador, uma grande perda Manu querida!
Viramos autômatos que respiramos e é só. Beijo enorme e um bom domingo!

pensandoemfamilia disse...

Que lindo texto e real. Grande perda humana.
bjs.

Luís Coelho disse...

Caminhamos num tempo em que queremos tudo muito depressa e cedo já procuramos novas sensações.

Na voragem destes dias as pessoas deixam as suas próprias mas cedo chega a hora da partida e perdemos escritores de grande valor.

Bia Jubiart disse...

Bom dia Manuela!

Já havia ouvido e lido sobre ele, mas nunca tive oportunidade de ler sua obra. Uma grande perda... Sou fã do Saramago, este também perdemos ano passado.

Uma semana iluminada para vc.

Beijos e carinhossssss

Bia Jubiart disse...

Bom dia Manuela!

Já havia ouvido e lido sobre ele, mas nunca tive oportunidade de ler sua obra. Uma grande perda... Sou fã do Saramago, este também perdemos ano passado.

Uma semana iluminada para vc.

Beijos e carinhossssss

Cris França disse...

Feliz dia das mães querida

Memória de Elefante disse...

Manú!
De nada serve a literatura se não buscar o sentido mais profundo da existência.


A beleza em Ernesto Sabato é, sim, feita de tristeza.

Um beijo

Luma Rosa disse...

Manu, ele estava prestes a completar 100 anos e contrariou a tese de que é preciso alegria e humor para se viver bastante, pois era reconhecidamente pessimista.
Eu diria realista, como este texto que citou, onde diz das pessoas que vivem como automatos, sem diálogo, sem criatividade... sem novidades, tornando a existência um tédio!
Boa semana! Beijus,