«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quarta-feira, 30 de junho de 2010

PLATERO E EU - JUAN RAMÓN JIMÉNEZ


Juan Ramón Jiménez (1881-1958) - Poeta espanhol modernista, reconhecido pela sua prodigiosa beleza de expressão de vivências metafísicas, construindo um pessoal universo lírico. Uma das suas obras mais conhecidas é a elegia em prosa, Platero y yo. Em 1956 ganhou o Prémio Nobel.


PLATERO E EU, poema em prosa, que descreve o ambiente e a vida simples da sua pequena aldeia andaluza e o afecto ao seu burro Platero, que é o seu confidente, mas também tem a sua acção. Os dois percorrem as ruas da aldeia e os campos limítrofes, trocando impressões, imaginando aventuras, conversando com os seus conterrâneos.
Cada capítulo é uma história (poema) onde o homem surge a falar com Platero, sobre este ou sobre o que sente por este. A descrição emociona pela simplicidade e pureza, sendo, talvez, este o principal atributo desta obra. Cada história é uma reflexão sobre a vida em que a alegria e a tristeza surgem como face da mesma moeda, ambos os sentimentos aparecem com grande intensidade e como parte indissolúvel.


EXCERTO

"Platero é pequeno, peludo, suave; tão macio, que dir-se-ia todo de algodão, que não tem ossos. Só os espelhos de azeviche dos seus olhos são duros como dois escaravelhos de cristal negro. Deixo-o solto, e vai para o prado, e acaricia levemente com o focinho, mal as roçando, as florinhas róseas, azuis-celestes e amarelas... Chamo-o docemente: «Platero», e ele vem até mim com um trote curto e alegre que parece rir em não sei que guizalhar ideal...Come o que lhe dou. Gosta das tangerinas, das uvas moscatéis, todas de âmbar, dos figos roxos, com sua cristalina gotita de mel...E terno e mimoso como um menino, como uma menina...; mas forte e seco como de pedra. Quando nele passo, aos domingos, pelas últimas ruelas da aldeia, os camponeses, vestidos de lavado e vagarosos, param a olhá-lo:— Tem aço...Tem aço. Aço e prata de luar, ao mesmo tempo."

“A lua vem connosco, redonda, enorme, pura. Nos prados sonolentos vêem-se, vagamente, não sei que cabras negras, entre os silvados… Alguém se esconde, discreto, ao passarmos… Sobre o vale, uma imensa amendoeira, nívea de flor e de luar, confundida a copa com uma nuvem branca, cobiça o caminho asseteado de estrelas de Março… Um odor penetrante de laranjas… Humidade e silêncio… A azinhaga das Bruxas…

- Platero, que… frio!
Platero, não sei se com o seu medo ou com o meu, trota, entra no regato, pisa a lua e fá-la em pedaços. É como se um enxame de rosas de cristal enlaçasse, querendo retê-lo, o seu trote…E Platero trota, encosta a cima, a garupa encolhida como se alguém o perseguisse, sentindo já a tepidez suave da aldeia que se avizinha…”

[COMO «O PRINCIPEZINHO», ESTE LIVRO TAMBÉM É PARA MIM, UMA PEQUENA JÓIA DA LITERATURA]

terça-feira, 29 de junho de 2010

110ª. ANIVERSÁRIO DE SAINT-EXUPERY




Antoine de Saint-Exupéry

(1900-1944)

Aviador e escritor. Participou na 2ª Guerra Mundial, unindo-se à aviação aliada e foi derrubado por um piloto alemão, o seu corpo nunca foi encontrado. As experiências que viveu nas suas missões, inspiraram vários livros, escritos de
uma maneira muito profunda.

O seu livro mais conhecido, é O PRINCIPEZINHO.

É um convite à reflexão e uma motivação para que as pessoas se humanizem, se cativem e se percebam. Este livro tem desenhos do próprio escritor. Esta obra foi escrita, quando Exupéry se restabelecia de um acidente aéreo e foi publicada em 1943. É uma obra intemporal.
A história começa, quando um piloto, com avarias no seu avião, tem que aterrar no deserto do Sara. Está preocupado com a situação e com a maior das surpresas aparece-lhe um pequeno príncipe, que lhe pede para desenhar uma ovelha. O piloto obedeceu e assim é iniciado um diálogo fascinante, sobre afectos, tristeza e solidão. O livro transmite-nos uma filosofia poética e muitas reflexões sobre os valores da vida. Um livro que parece para crianças, mas que faz muito bem aos adultos.





EXCERTO:

E foi então que apareceu a raposa:

__Bom dia, disse a raposa.
__Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
__Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
__Sou uma raposa, disse a raposa.
__Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
__Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
__Ah! desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão,acrescentou:__Que quer dizer "cativar"?
__Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
__Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer
"cativar"?

__Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incómodo!
Criam galinhas também.É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?

__Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer
"cativar"?

__É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar
laços..."

__Criar laços?
__Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um
garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

__Começo a compreender, disse o principezinho...Existe uma flor...eu creio que ela me cativou...
__É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
__Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
__Num outro planeta?
__Sim.
__Há caçadores nesse planeta?
__Não.
__Que bom.
E galinhas?
__Também não.
__Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua ideia:
__Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam.
Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.
Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o
barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
__Por favor...cativa-me! disse ela.
__Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo.
Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

__A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os
homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

__Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
__É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás
primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei para o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.
__Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu
vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz.
Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então, estarei inquieta e agitada:
descobrirei o preço da felicidade!

ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY )

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS


Dirigido por Juan José Campanella, O Segredo dos seus Olhos, foi o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro.































Oscilando entre o presente e o passado, um oficial de justiça aposentado decide escrever um livro, sobre a violação trágica de uma jovem na sua própria casa, que ficou mal esclarecido. Juan José Campanella constrói um elaborado filme, onde está presente o mistério policial clássico, o melodrama de amores desencontrados e alusões políticas que lhe dão um tom simultâneamente histórico e claustrofóbico. O crime passa-se na época do governo de Isabel Perón e das acções constantes da "Triple A" (Aliança Anticomunista Argentina), grupo de repressão do Estado que recrutou gente da pior espécie, entre oficiais de polícia exonerados por delitos, civis com fichas criminais e matadores contratados.Os acontecimentos reflectem-se uns nos outros de modos distintos mas constantes.
"O Segredo dos Seus Olhos" não será a obra-prima que o Óscar faria pensar. Mas é, um exemplo de um cinema "mainstream" que não toma o espectador por parvo e que anda a fazer demasiada falta.

domingo, 27 de junho de 2010

DESCANSA A SACOLA - VIAJAR NA HISTÓRIA COM CANTIGAS E POESIAS DE VERA COSTA

Teatro Sá de Miranda, uma bonita sala de espectáculos, que felizmente teve uma boa reabilitação.

Fui a Viana do Castelo por convite irrecusável, de uma amiga. Tratava-se de mais um espectáculo, concebido por Vera Costa, o tema era: VIAJAR NA HISTÓRIA COM CANTIGAS E POESIAS (Manuel Alegre, José Jorge Letria, Luís de Camões, Eugénio de Andrade, Pedro Homem de Melo, José Afonso, D. Dinis, Ferrando Pessoa, Miguel Torga, Fausto, António Gedeão, Vitorino, Canções Populares, Carlos Paredes, Sophia Mello Breiner, Manuel Freire, Adriano Correia de Oliveira, José Carlos de Vasconcelos…)
O espectáculo em si incentivava ao conhecimento das crianças e não aquela postura inócua de, «que gracinha, é tão giro, tão pequenino…» Isso aborrece-me!..
UM CALOROSO ABRAÇO PARA VERA COSTA, PELO EMPENHO, PELO MUITO TRABALHO, PELA ENERGIA DEDICADA ÀS CRIANÇAS E À CONCEPÇÃO DE TÃO INTERESSANTE ESPECTÁCULO.


PORTUGAL, PORQUE SIM

Podia chamar-te pai, asa de fogo, planta agreste,
alpendre aberto ao feitiço das estrelas.
Podia aninhar-me no casulo do teu abraço
e adormecer com o mistério que alimenta as tuas lendas.
Podia recordar os nomes dos rios e das serras
e das linhas secundárias que cruzam vales e montanhas.
Podia perguntar pelos teus filhos
esquecidos há muito nas errâncias deste mundo.
Podia querer interpretar a tua melancolia
como um sinal de saudade da grandeza perdida.
Podia reabrir, em página incerta, os teus livros raros,
os dos poetas que engrandeceram a título póstumo,
como os heróis, em pátria de carpideiras
e de oficiantes da mais daninha e entranhada inveja.
Podia entrar nas tuas casinhas baixas,
as de granito e as pintadas com a mansa alvura da cal.
Podia afagar-te as barbas brancas
que se tornaram salgadas no fragor das batalhas.
Podia desenterrar os teus mortos
só para saber que sonhos traídos os levaram à cova.
Podia desmascarar os vendilhões que falam em teu nome
como se falassem de negócios reles numa banca de feira,
Podia perguntar-te porque atravessas cabisbaixo
os largos das aldeias desertas e queres saber
o paradeiro dos teus filhos silenciosos e distantes,
daqueles que tomaram outros rumos
com a dor da tua ausência a ferir-lhes o peito.
Podia deitar-me ao teu colo
como se me deitasse na cama de urze
à beira dos promontórios que vigiam as fúrias do mar.
Podia chorar no teu ombro cansado todas as desditas
que foste obrigado a consentir e a calar.
Podia contar aos meus netos os feitos
do Gama, de Magalhães e de Cabral
e desenhar um mapa de glórias navegantes
só para eles saberem que um dia
usaste a efémera coroa de algas dos reinos do mar.
Podia pedir-te e dar-te contas
de tudo aquilo que sonhámos e não alcançámos.
Podia fazer tudo isso e muito mais,
mas prefiro vislumbrar na tristeza dos teus olhos
a ternura com que segues o rasto das aves e das estrelas
e depois abraçar-te e dizer-te: meu querido Portugal,
serás, até ao fim, a luz que não se apaga nem se rende
quando sonhamos com tudo aquilo que ainda te falta ser.
José Jorge Letria

VIANA DO CASTELO AO PRINCÍPIO DA NOITE...

Jantar com música tradicional. Grupos, que iam de restaurante em restaurante, uma promoção da Câmara, nesta época de turismo...e depois do jantar, um passeio pelo Centro Histórico, muito cuidado, muito interessante até ao Teatro Sá de Miranda!...







sábado, 26 de junho de 2010

LEITURAS DE VERÃO

EM CASA RELEIO ALGUNS LIVROS E LEIO MUITA COISA PELA INTERNET, MAS QUANDO SAIO GOSTO DE LEVAR UM LIVRO COMIGO. APOSTEI NA LITERATURA AFRICANA EM LÍNGUA PORTUGUESA. CONHEÇO POUCO, A NÃO SER, TEIXEIRA DE SOUSA, LUANDINO VIEIRA, PEPETELA E MIA COUTO. ESTES LIVROS SAÍAM COM UMA REVISTA A 1 EURO, SÓ NÃO LÊ QUEM NÃO QUER!




ESTE FOI OFERECIDO COM DEDICATÓRIA DO AUTOR, FOI UM LIVRO QUE FEZ FUROR. NOVA LITERATURA PORTUGUESA, QUE TAMBÉM ME DESPERTA A ATENÇÃO.


AQUISIÇÃO NA FEIRA DO LIVRO, HÁ UNS TEMPOS QUE NÃO LEIO LITERATURA BRASILEIRA, MACHADO DE ASSIS NUNCA LI, ENCONTREI ESTE, MAS TAMBÉM PODIA SER D. CASMURRO OU O VEREDAS DE GUIMARÃES ROSA. LIVROS QUE TAMBÉM QUERO LER. LI MUITO JORGE AMADO, ERICO VERÍSSIMO, UBALDO RIBEIRO, LÍGIA FAGUNDES-TELLES, CLARICE LISPECTOR, MÁRIO QUINTANA E A POESIA DE VINICIUS DE MORAES, CECÍLIA MEIRELES, DRUMMOND, MANUEL BANDEIRA E NÃO ME LEMBRO DE MAIS!..PAULO COELHO NÃO GOSTO, SEM NUNCA TER LIDO UM LIVRO DELE!!!!! RECENTEMENTE ENVIARAM-ME UM DE GILBRAN LEMOS E GOSTEI BASTANTE.

TOURADAS VIA RTP - SERVIÇO PUBLICO?

ESTOU ABSOLUTAMENTE CONTRA AS TRADIÇÕES, QUE IMPLICAM SOFRIMENTO E BARBÁRIE. EU SEI QUE O QUE PENSO NÃO É CONSENSUAL, O PAÍS QUASE SE DIVIDE A MEIO SOBRE ESTE ASSUNTO, O NORTE NÃO VAI MUITO EM TOURADAS, ENQUANTO NO SUL ESTE ESPECTÁCULO É MUITO APRECIADO. ATÉ POSSO CONSIDERAR ARTÍSTICA A FESTA, MAS COM SANGUE NÃO, COM O SOFRIMENTO DOS ANIMAIS NEM PENSAR. COM O ESPECTÁCULO A ENTRAR PELA CASA DENTRO JÁ É DEMAIS! CLARO QUE MUDO DE CANAL, MAS ISSO NÃO EVITA QUE O CANAL NÃO PASSE ESTES LAMENTÁVEIS ESPECTÁCULOS, QUE SÃO ANTI-PEDAGÓGICOS. CLARO QUE TAMBÉM SEI QUE ENVOLVEM MUITO DINHEIRO!..


A palavra tauromaquia é oriunda do grego ταυρομαχία - tauromachia (combate com touros). O registo pictórico mais antigo da realização de espectáculos com touros remete à ilha de Creta (Knossos). Esta arte está presente em diferentes vestígios desde a antiguidade clássica, sendo conhecido o fresco da tourada no palácio de Cnossos em Creta.
Júlio César durante a exibição do venatio introduziu uma espécie de «tourada», onde cavaleiros da Tessália perseguiam diversos touros dentro de uma arena, até os touros ficarem cansados o suficiente para serem seguros pelos cornos e depois executados. O uso de uma capa, num confronto de capa e espada com um animal, numa arena, está registado pela primeira vez na época do imperador Cláudio.
Os romanos, como todos sabem, tinham como lema dar ao povo «pão e circo». Esta foi uma política criada pelos antigos romanos, que previa o provimento de comida e diversão ao povo, com o objectivo de diminuir a insatisfação popular contra os governantes. Espectáculos sangrentos, como os combates entre gladiadores, eram promovidos nos estádios para divertir a população; nesses estádios, o pão era distribuído gratuitamente.
… iam pridem, ex quo suffragia nulli uendimus, effudit curas; nam qui dabat olim imperium, fasces, legiones, omnia, nunc se continet atque duas tantum res anxius optat, panem et circenses. (Sátiras de Juvenal)
Na cultura da península ibérica, o Circo de Termes parece ter sido um local sagrado onde os celtiberos praticavam o sacrifício ritual dos touros.
As representações taurinas de variadas fontes arqueológicas encontradas na península Ibérica, estão quase sempre relacionadas com as noções de força, bravura, poder, fecundidade e vida que simbolizam o sentido ritual e sagrado que o touro ibérico teve na Península.
A tourada é um espectáculo tradicional em Portugal, Espanha e França, bem como em alguns países da América Latina: México, Colômbia, Peru, Venezuela e Guatemala. No Brasil, as touradas, foram proibidas em 1934 por Getúlio Vargas.
O essencial do espectáculo consiste na lide de touros bravos através de técnicas conhecidas como arte tauromáquica. A lide é variável de país para país, em Portugal tem duas fases: a chamada lide a cavalo com a pega pelos forcados e a lide a pé. A primeira é levada a cabo por um cavaleiro, lidando o touro. A lide consiste na colocação de ferros, ditos farpas, de tamanhos variáveis, começando com ferros longos e culminando frequentemente com ferros muito curtos.
As touradas foram proibidas no tempo do Marquês de Pombal. Voltaram a ser permitidas anos mais tarde, mas com a proibição dos chamados touros de morte, mortos na arena. Um pouco espalhadas por todo o país, o Porto há muitos anos que acabou com esse espectáculo bárbaro e no Norte não existe atractivo pela «festa». Em 2002 a lei foi alterada para permitir os touros de morte em locais justificados pela tradição, como na vila de Barrancos.
Grupos de defesa dos direitos animais criticam a prática da tourada, pois consideram-na um acto de crueldade sem justificação que não se insere dentro das tradições humanistas. Em Portugal, quatro autarquias proibiram a realização de touradas nos seus concelhos, Viana do Castelo, Braga, Cascais e Sintra.


Fonte: Wikipédia

sexta-feira, 25 de junho de 2010

RESSACA DE S. JOÃO

Uma sonolência «estupidificante», é o que sinto!..A festa passou, que para mim foi mais um convívio necessário com a família. Sempre nos vamos distraindo uns aos outros, relativamente a um arrastamento de problemas, que todos têm, de maior ou menor grau, pela crise continuada que se vive, que afecta a todos: cursos que se tiram sem aplicação profissional, desemprego, empresas que foram à falência, contenção de despesas…
Apesar das festas, do futebol e de seja o que for com que as pessoas se envolvam, a crise é sempre aquela sombra que está presente!..
Além daquele permanente estado de espírito de desencanto, há sempre o contacto com o jornal e o arrepio de situações muito dramáticas.

Que absurdo mundo em que vivemos!?...
Ontem, ouvi na televisão que, o número de milionários em Portugal, tinha aumentado, mas estive a ler no jornal, uma notícia sobre algo, que eu posso intitular: REFLEXOS AGRAVADOS DE UMA CRISE CONTINUADA.


MAIS CARENCIADOS, MENOS DOAÇÕES

A AMI, segundo Ana Martins, directora do Departamento de Acção Social, não tem alimentos suficientes para satisfazer as necessidades crescentes. Os excedentes da Europa distribuídos pela Segurança Social também não são suficientes e diversificados, nem os que chegam através da sociedade civil. O número de solicitações aumentou bastante: uns vão buscar alimentos para confeccionar em casa, os sem abrigo têm que ter outro género de alimentos, porque quem dorme na rua, não tem onde fazer a comida.
A Legião da Boa Vontade, debate-se com os mesmos problemas, lutando com dificuldades para satisfazer os pedidos de géneros alimentícios e de satisfazer todos nas suas rondas nocturnas de entrega de refeições.
Também à Cruz Vermelha chegam muitos pedidos de ajuda. A Cruz Vermelha participou o ano passado na campanha «País Solidário», da qual faziam parte a EDP, Fundação Gulbenkian e vários bancos. Agora está a preparar a campanha «Portugal Inclusivo». As delegações que têm, espalhadas pelo país, vão preventivamente ajudar as famílias que estão em situação de maior vulnerabilidade, no sentido da auto-estima, incitando à vontade de trabalhar e evitando que as pessoas possam cair em depressão.
Num estudo social, as mulheres são as que mais acorrem a ajudas. No topo da lista dos carenciados estão os reformados com reformas muito baixas, os desempregados, em suma todos os que têm subsídios e apoios sociais muito baixos. A maior parte vive com familiares, têm baixa escolaridade e não tem formação profissional, mas já há muita solicitação da chamada classe média, que perdeu o emprego e tem empréstimos a pagar.
E qual é a perspectiva?


Não sendo catastrófica, mas realista e pelo que dizem os economistas a situação não vai melhorar, vai mesmo piorar!..

quarta-feira, 23 de junho de 2010

S. JOÃO DO PORTO - FESTA DA CIDADE

TAPEÇARIA EXISTENTE NA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO FEITA EM PORTALEGRE , SEGUNDO UMA AGUARELA DE GUILHERME CAMARINHA

















Quanto S. João já não passou pela minha vida! Para quem é do Porto, esta é mesmo uma festa incontornável! É a festa da cidade, que comemorando-se na noite de 23 para 24 de Junho, durante todo o mês tem eventos alusivos, culturais e desportivos. Inicialmente concentrava-se no centro da cidade, com um lugar mítico, as Fontainhas, difícil era chegar até lá, devido à massa compacta de gente. Nesta festa a maior das características é levar algo, para bater na cabeça das pessoas, batidelas de sorriso nos lábios, antigamente podia ser alho-pôrro, cidreira, uma pluma, uma flor…batidelas recíprocas com delicadeza, até que chegou o martelo ou melhor o martelinho, o martelo e o martelão, até gaita tem o que se torna muito ruidoso! Este ano dizem mesmo que vai chegar a vuvuzela!...





























Em criança, ia com a família jantar e dar uma volta, mas depois na adolescência tudo se modificou, ia em grupo, com alguém mais responsável, mas família não! Aí é que foram festas a valer, até tínhamos um reportório de canções, com passos de dança ensaiados. Saltar a fogueira era da praxe e, com o alargamento da festa a todos os bairros, que se engalanavam e tinham sempre divertimentos e orquestra de baile, era um corrupio de bairro em bairro, imunes às orvalhadas, para depois muitos acabarem na praia deitados, com o cabelo a cheirar a manjerico, vendo nascer o dia.

O S. João é uma festa de rua, mas pode começar em casa, o que é necessário é ter um grupo alegre e participativo, para todos fazerem os petiscos, que são vários: caldo verde com chouriço e broa de Avintes, sardinha assada, com batatas a murro e pimentos assados, febras e cabrito assado, chouriço assado em aguardente e claro um bom vinho: come-se com a música típica e depois dança-se e lançam-se balões e fogo-de-artifício caseiro. Lá para as tantas vai-se para a rua.


Presentemente há muitas formas de festejar o S. João, há quem não perca o concerto ao ar livre da Casa da Música, há quem prefira ir ver o fogo-de-artifício à Ribeira, uma beleza à beira rio ou então aos diversos bailaricos, até às tantas. Nesta noite, anda tudo a pé, nem pensar ir de carro e os transportes públicos é como se não existissem!..
Em tempos de ditadura dizia-se mesmo que a festa de S. João era a mais democrática, uma massa humana que se misturava, como um todo.

Agora para mim tudo é mais calmo: vou comer a sardinhada com família, já que só como sardinhas nesta altura e depois, e depois … talvez se dance, talvez se cante, talvez se converse e ria...



NA NOITE DE S.JOÃO
VAI P'RA RUA E FAZ A FESTA
LEMBRA-TE QUE NO PORTO
NÃO HÁ NOITE COMO ESTA.

(Quadra popular, todos os anos há um concurso de quadras promovido pelo Jornal de Notícias, assim como há concursos de cascatas e rusgas)



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Noite de São João

Noite de S. João para além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.

ALBERTO CAEIRO

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Também se pode estar completamente à margem da festa e isso também já me aconteceu!...

terça-feira, 22 de junho de 2010

U2 (BONO) DEDICARAM «WALK ON» A SUU KYI



WALK ON

"And love is not the easy thing
Is the only baggage that you can bring
Love is not the easy thing
The only baggage you can bring
Is all that you can't leave behind"


And if the darkness is to keep us apart
And if the daylight feels like it's a long way off
And if your glass heart should crack
And for a second you turn back
Oh no, be strong


(Chorus)
Walk on! Walk on!
What you got, they can't steal it
No, they can't even feel it
Walk on! Walk on!
Stay safe tonight


You're packing a suitcase for a place
None of us has been
A place that has to be believed to be seen
You could have flown away
A singing bird in an open cage
Who will only fly, only fly for freedom


(Chorus)
Walk on! Walk on!
What you got, they can't deny it
Can't sell it, or buy it
Walk on! Walk on!
You stay safe tonight


And I know it aches
How your heart it breaks
You can only take so much
Walk on! Walk on!


Home!
Hard to know what it is
If you never had one
Home!
I can't say where it is
But I know I'm going
Home!
That's where the hurt is


And I know it aches
And your heart, it breaks
And you can only take so much
Walk on!


You've got to leave it behind:


All that you fashion
All that you make
All that you build
All that you break
All that you measure
All that you feel
All this you can leave behind
All that you reason, it's only time
And I'll never fill up all I find
All that you sense
All that you scheme
All you dress-up
All that you've seen
All you create
All that you wreck
All that you hate

CONTINUE EM FRENTE

E o amor não é uma coisa fácil
É a única bagagem que você pode trazer
Amor não é uma coisa fácil
A única bagagem que você pode trazer
É tudo o que você não pode deixar para trás


E se a escuridão for nos separar
E se a luz do dia parece estar muito longe
E se seu coração de vidro se partir
E por um segundo você quiser voltar atrás
Oh, não, seja forte


(Refrão)
Continue em frente, continue em frente
O que você conquistou, eles não podem te roubar
Não, eles não podem nem sentir isso
Continue em frente, continue em frente
Mantenha-se segura esta noite


Você está arrumando a mala para ir a um lugar
Onde nenhum de nós esteve
Um lugar no qual se tem que acreditar para se ver
Você poderia ter voado para longe
Um pássaro cantando em uma gaiola aberta
Que só irá voar, só voará pela liberdade


(Refrão)
Continue em frente, continue em frente
O que você conquistou eles não podem te negar
Não podem te vender, nem podem te comprar
Continue em frente, continue em frente
Mantenha-se segura esta noite


E eu sei que dói
Como o seu coração se partiu
Você pode aguentar mais um pouco
Continue em frente, continue em frente


Lar
Difícil saber o que é
Se você nunca teve um
Lar
Eu não sei onde é
Mas, eu estou indo
Lar!
É onde a dor está


E eu sei que dói
E o seu coração, ele se partiu
E você pode aguentar mais um pouco
Continue em frente!


Você tem que deixar para trás:


Tudo o que você produz
Tudo o que você faz
Tudo o que você constrói
Tudo o que você quebra
Tudo o que você mede
Tudo o que você sente
Tudo isso você pode deixar para trás
Tudo o que você raciocina, é apenas tempo
E eu nunca estarei acima do que procuro
Tudo o que você percebe
Tudo o que você conspira
Tudo que você veste
Tudo o que você vê
Tudo que você cria
Tudo o que você destrói
Tudo o que você odeia

SAN SUU KYI É UMA MULHER QUE EU MUITO ADMIRO.

SAN SUU KYI, fez 65 anos, em prisão domiciliária, completamente só e permanentemente vigiada pelo exército. Enviuvou em 1999 e os seus dois filhos estão no Reino Unido e não conseguem obter um visto para visitar a Mãe. O regime ditatorial de Myanmar, proíbe também visitas de amigos.

Suu Kyi é um ícone mundial da luta contra a opressão. Nela os birmaneses depositaram todas as suas esperanças do fim do regime policial, imposto em 1962 por um golpe de Estado.
Vivendo em Inglaterra, em 1988 regressou à Birmânia, por ocasião da morte da mãe e envolveu-se na política, integrando e liderando o partido: Liga Nacional para a Democracia, pelo qual concorreu e ganhou as eleições, mas foi presa.
Em 1990, Aung San Suu Kyi ganhou o prémio Sakharov de liberdade de pensamento, e em 1991 foi galardoada com o Nobel da Paz.
Apesar de grande pressão internacional a situação de San Suu continua igual. Segundo princípios budistas, ela diz: Sinto-me totalmente livre. Ser livre é poder fazer o que achamos que é correcto. Envolvi-me no movimento democrata e essa foi a minha escolha. Então sinto-me totalmente livre.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

UM DIA PASSADO EM GUIMARÃES

A minha mãe nasceu em Guimarães, mas com meses veio para o Porto, no entanto estava sempre a querer ir até Guimarães. Ontem fomos passar o dia a Guimarães, cujo centro histórico é Património Mundial da Humanidade.
A cidade está historicamente associada à fundação da nacionalidade e identidade Portuguesa. Guimarães, entre outras povoações, antecede e prepara a fundação de Portugal, sendo conhecida como "O Berço da Nação Portuguesa". Aqui tiveram lugar em 1128 alguns dos principais acontecimentos políticos e militares, que levariam à independência e ao nascimento de uma nova Nação. Por esta razão, está inscrito numa das torres da antiga muralha da cidade "Aqui nasceu Portugal".
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E do Centro histórico, imprescindível é ir de teleférico até à Penha.




A Penha, é um sítio muito verdejante, com uma vegetação diversificada e com grandes rochas encavalitadas, que nos espaços entre si, formam grutas. As grutas têm nomes e são locais bastante frescos. Com uma igreja, feita em 1947 pelo Arq- Marques da Silva, o local tem também carácter religioso.