«Através da violência pode matar um assassino, mas não o assassinato.

Através da violência pode matar um mentiroso, mas não a mentira.

Através da violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não o ódio.

A ESCURIDÃO NÃO PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO. SÓ A LUZ O PODE FAZER.»

MARTIN LUTHER KING




quarta-feira, 30 de junho de 2010

PLATERO E EU - JUAN RAMÓN JIMÉNEZ


Juan Ramón Jiménez (1881-1958) - Poeta espanhol modernista, reconhecido pela sua prodigiosa beleza de expressão de vivências metafísicas, construindo um pessoal universo lírico. Uma das suas obras mais conhecidas é a elegia em prosa, Platero y yo. Em 1956 ganhou o Prémio Nobel.


PLATERO E EU, poema em prosa, que descreve o ambiente e a vida simples da sua pequena aldeia andaluza e o afecto ao seu burro Platero, que é o seu confidente, mas também tem a sua acção. Os dois percorrem as ruas da aldeia e os campos limítrofes, trocando impressões, imaginando aventuras, conversando com os seus conterrâneos.
Cada capítulo é uma história (poema) onde o homem surge a falar com Platero, sobre este ou sobre o que sente por este. A descrição emociona pela simplicidade e pureza, sendo, talvez, este o principal atributo desta obra. Cada história é uma reflexão sobre a vida em que a alegria e a tristeza surgem como face da mesma moeda, ambos os sentimentos aparecem com grande intensidade e como parte indissolúvel.


EXCERTO

"Platero é pequeno, peludo, suave; tão macio, que dir-se-ia todo de algodão, que não tem ossos. Só os espelhos de azeviche dos seus olhos são duros como dois escaravelhos de cristal negro. Deixo-o solto, e vai para o prado, e acaricia levemente com o focinho, mal as roçando, as florinhas róseas, azuis-celestes e amarelas... Chamo-o docemente: «Platero», e ele vem até mim com um trote curto e alegre que parece rir em não sei que guizalhar ideal...Come o que lhe dou. Gosta das tangerinas, das uvas moscatéis, todas de âmbar, dos figos roxos, com sua cristalina gotita de mel...E terno e mimoso como um menino, como uma menina...; mas forte e seco como de pedra. Quando nele passo, aos domingos, pelas últimas ruelas da aldeia, os camponeses, vestidos de lavado e vagarosos, param a olhá-lo:— Tem aço...Tem aço. Aço e prata de luar, ao mesmo tempo."

“A lua vem connosco, redonda, enorme, pura. Nos prados sonolentos vêem-se, vagamente, não sei que cabras negras, entre os silvados… Alguém se esconde, discreto, ao passarmos… Sobre o vale, uma imensa amendoeira, nívea de flor e de luar, confundida a copa com uma nuvem branca, cobiça o caminho asseteado de estrelas de Março… Um odor penetrante de laranjas… Humidade e silêncio… A azinhaga das Bruxas…

- Platero, que… frio!
Platero, não sei se com o seu medo ou com o meu, trota, entra no regato, pisa a lua e fá-la em pedaços. É como se um enxame de rosas de cristal enlaçasse, querendo retê-lo, o seu trote…E Platero trota, encosta a cima, a garupa encolhida como se alguém o perseguisse, sentindo já a tepidez suave da aldeia que se avizinha…”

[COMO «O PRINCIPEZINHO», ESTE LIVRO TAMBÉM É PARA MIM, UMA PEQUENA JÓIA DA LITERATURA]

4 comentários:

Maria disse...

É de facto um livro muito especial...

Um beijo, Manuela.

manuel marques disse...

Este pequeno excerto abriu-me o apetite,vou procurá-lo.Obrigado pela dica.

Beijinho.

Fatima disse...

Obrigada pela dica Manuela!
Vou ver se encontro por aqui.
Bjs.

Astrid Annabelle disse...

Olha eu gostei muito Manú!
Gosto de livros assim. Gosto do Pequeno Príncipe que postou abaixo.
Lhe respondi lá em casa mas repito por aqui...também estive fora do "ar" por uns dias para troca de provedor e ando às voltas com a instalação de novos equipamentos. Com isso deixei de aparecer com a freqüência habitual. Logo logo voltarei a visitá-la com mais assiduidade.
Mas tenho você em meu coração, sabia?
Um beijo gostoso e agradecido por sua visita lá em casa!
Astrid Annabelle